19.12.07


Carol Satriani

Desmistificações...ou o Natal de Dante...

Vejo o Banco Central Europeu (BCE) muito preocupado com a inflacção.
Vejo o nosso Presidente da República preocupado com o fenómeno desemprego - como é que se apelida o desemprego de fenómeno, nos nossos dias, é um mistério que fica por deslindar.
Vejo tudo isto e penso: em 2003 foi feita, pela União Europeia (UE), uma reavaliação da sua política monetária, sendo um dos objectivos clarificar a noção de estabilidade de preços. Estabeleceu-se, então, que a taxa de inflação se deverá manter num nível inferior, embora próximo, de 2%, claramente demonstrativo das preocupações do BCE em relação à estabilidade dos preços, ao mesmo tempo que se tenta resguardar contra uma possivel situação de deflação.
A deflação é um problema sério, uma vez que está sempre associada a grave crise económica (veja-se o caso do Japão).
Estaremos então a salvo com uma taxa de inflacção de 2%? A resposta é não! Mesmo 2% de inflação pode ser perigosamente baixo, sendo que provávelmente a melhor resposta seria fixar nos 3%, ou mesmo 4%.
Há, contudo, uma questão que permanece inalterada: existe uma inflação mínima para cada país que tem um efeito estabilizador para a economia, a inflação como instrumento de alteração dos preços relativos. Esta premissa implica outra: a medida não pode ser igual para todos os países.

...
No caso da UE, verifica-se ainda o mito da moeda forte, que é um conceito puramente ideológico. Se isso não se traduzir num maior bem-estar para os cidadãos não serve de nada ter uma moeda forte.
Recordo-me, também, da “Carta Magna para a Competitividade” onde se estabelece o objectivo de no prazo de 10 anos Portugal estar entre os 10 países mais desenvolvidos da Europa. Este objectivo era e é puramente demagógico e completamente irreal. Só política para português ver.
Vejamos:
(i) A taxa média de crescimento da economia portuguesa entre 1954 e 1997 foi de 4,6% (taxa secular de crescimento);
(ii) No período de adesão à UE – entre 1985 e 1997 – foi de 4,1%. A taxa de crescimento da Irlanda entre 1985 e 1997 foi de 6,8% e a da Alemanha, no mesmo período, foi de 3,1%.
Imaginando cenários hipotéticos para a economia portuguesa, quando é que o rendimento per capita português seria igual ao alemão?
1) Cenário tigre – se a economia portuguesa crescer à taxa da Irlanda o rendimento per capita português estaria ao nível do alemão em 2028.
2) Cenário de adesão – se a economia portuguesa crescer à taxa de 4,1% o rendimento per capita português estaria ao nível do alemão em 2077.
3) Cenário secular – se a economia portuguesa crescer à taxa de 4,6% o rendimento per capita português estaria ao nível do alemão em 2051.
4) Cenário de esgotamento – se a economia portuguesa crescer entre 4,1% e 3,1% o rendimento per capita português estaria ao nível do alemão muito para lá de 2077.

Se só crescemos 1% acima da Alemanha no período de adesão à UE em que beneficiámos dos fundos europeus, o que acontecerá no futuro quando já não tivermos direito aos fundos estruturais?
Estamos a crescer 1% acima da taxa de crescimento alemã? Não estamos.
E os cenários? Dantescos.

23.11.07

Scolari merece o meu apreço...

Nunca neste espaço se fala de futebol - com a excepção de um apontamento sobre fair-play, há quase dois anos, a que a FIFA veio há pouco tempo dar inteira razão - não porque não se goste, mas sim porque já se vê, se fala e escreve muito sobre o assunto (e dantes é que havia os três F´s).
Vem contudo a propósito pegar no tema, porque não se entende a reacção da imprensa, dando como de costume a ideia que é veículo transmissor da opinião pública, quando não é, "batendo" em Felipe Scolari, imediatamente após um difícil apuramento para o campeonato da Europa a realizar em 2008.
Ao invés de fazer do tempo festa, a imprensa faz a guerra, o foguetório com que vende os jornais, não cabendo nesta agenda feita de interesses o bom-senso.
Recordo um mundial em 1966, depois outro em 1982 (de má memória) e um europeu em 1986. Depois, só em 1996 repetimos uma ida à fase final de um europeu. Ou seja: antes de 1966 népia; entre 66 e 96 (trinta anos) quatro participações. Se pensarmos que estamos a falar de um tempo em que a maioria dos países, que hoje discutem apuramentos, ainda jogavam com bolas quadradas, podemos aquilitar da fraquíssima prestação ao nível de selecção que tivemos durante todo esse tempo.
Depois veio Carlos Queiróz e um planeamento sério, feito pela primeira vez em Portugal, no sector da formação a nível de selecções (só agora os clubes aparecem com "Academias").
Depois de 1996, falhámos 1998 ( com Queiróz o mundial) e estivemos no europeu de 2000 com Humberto Coelho.
De seguida estivemos no mundial de 2002, no europeu de 2004, no mundial de 2006 e, agora, vamos estar no europeu de 2008. Por outras palavras, nos últimos onze anos 5 presenças e preparamos agora a sexta.
Destas 6 presenças (passadas e futuras), três são com Scolari, seguidas e, acima de tudo, bem preparadas e organizadas - com Scolari ganhámos a capacidade de discutir calendários de jogos, de preparação atempada dos trabalhos da selecção, em suma organização e preparação conveniente. depois do trabalho de formação veio o trabalho de organização.
Se a Federação Portuguesa de Futebol tiver capacidade de memória futura, o ciclo fechou-se agora e poderá render muitos frutos no futuro próximo e longínquo.
Porque o futebol é um desporto, como tantos outros, de paixões, porque cada um de nós ainda é um treinador, é natural que existam divergências, aqui e acolá, com as tácticas, os jogadores, as substituições (faz parte do divertimento), mas não pode haver nunca falta de memória.
Agora habituei-me a ver Portugal nas fases finais, quando antes torcia pelo Brasil nos mundiais e por Inglaterra nos europeus. Estou melhor agora.
Scolari fez um bom trabalho. Pena é que não vá ficar mais. Até porque é saudável vê-lo a afrontar os ditos jornalistas (repórteres de baboseiras, que escrevem e dizem sempre o mesmo, aliás como a esmagadora maioria dos órgãos de comunicação nacionais).
Espero que quem lhe suceda tenha a capacidade de liderar e disciplinar o balneário, de enfrentar as críticas com a convicção de quem sabe o que faz e nada teme e, sobretudo, saiba vencer os medos e a pequenez que nos é peculiar e, ultimamente, nos vem crescendo no sangue.
A selecção não pode, nunca, ser o refúgio do orgulho do povo, mas pode ser um bom motivo de entretenimento e de exaltação, como sempre foram todos os jogos, mesmo os mais dramáticos como os do coliseu romano.


Charles Spencelayh

O equlíbrio orçamental do estado gordo...feito por incompetentes!

Querer, obsessivamente, mostrar resultados tanto em Bruxelas como no país, conduz inevitávelmente a dislates e acções precipitadas. Equilibrar o orçamento de um estado gordo passa pela banda gástrica e não por esconder o açucar dentro das bolachas de água e sal.
Pretender equilibrar o OE de 2007 através de engenharia financeira, que passa pela exclusão da EP dos custos orçamentais, dotando-a por obrigatoriedade das contas públicas, de autonomia financeira, implicou anunciar antecipadamente a intenção de entregar à Brisa a exploração das auto-estradas nacionais por 75 anos, sem acautelar primeiro - não havia tempo nem dinheiro.
Espertezas de equilíbrio, a que estamos habituados desde Manuela Ferreira Leite.
Os resultados estão à vista: a Abertis atacou e prepara-se para um take-over hostil. E o que tem mais piada é que o estado espanhol apoia todas estas iniciativas, através de linhas de crédito; a diferença entre ter e poder e não ter, nem saber fazer e, nem sequer, saber fingir e ganhar tempo.
Já o escrevi variadíssimas vezes: não há uma única empresa nacional que não seja opável.
Somos pobres e estamos todos descapitalizados, a começar pelo estado, que além de pobre é burro.
A estratégia é errada e irreparável, se não mudarmos de modo de acção.

22.11.07

Mas algum deles sabe o que é desejável? Pensaram nisso a sério?

«É desejável que o sistema de IRS tenha três taxas de tributação e abatimentos, deduções e benefícios fiscais reduzidos ao mínimo dos mínimos», disse João Amaral Tomaz no debate na especialidade em plenário do orçamento do Estado para 2008.

Esta proposta equivale a dizer, de imediato, o seguinte: o sistema assim é bom, porque permite arrecadar mais e, assim sendo, gastar no mínimo o mesmo. Por outras palavras ainda; eles cada vez têm menos para contribuir, portanto vamos lá aproximar a ainda classe média, única que tem os rendimentos afectados directamente pela conjuntura económica e não tem capacidade multiplicativa desses rendimentos, da classe de portugueses muito desfavorecidos, que já não têm como contribuir com mais.

Mas a questão é outra:
O sistema de IRS pode até ser um sistema com três, quatro, cinco, seis ou sete taxas de tributação, como existe actualmente, mas nunca será ideal enquanto fôr cego ao desempenho da economia.
O sistema ideal de IRS terá de assentar na capacidade de medir os resultados económicos trimestralmente e, aplicar subidas ou descidas de taxas, consoante os indicadores económicos apontem para crescimento ou retracção económica. Porque o estado não tem direito a consumir sempre o mesmo (por alminha de quem), sendo forçados os cidadãos a consumir menos em períodos de retracção e um pouco mais em períodos de expansão. O estado terá de sentir esses mesmos efeitos e consumir de acordo com as possibilidades do momento. Ademais, acresce a este propósito a necessidade do estado orçamentar com muito maior cuidado as suas despesas e dispor de instrumentos de ajuste orçamentais céleres.
Enquanto o sistema não contemplar o desempenho económico, o estado será o consumidor privilegiado e despreocupado e o cidadão o consumidor penalizado e preocupado.
Mas este raciocínio simples "is too much complex" e pouco apelativo para uma classe política que não pensa, executa mal mas se trata muito bem.

21.11.07

O que se diz e se quer dizer....

A nomeação do PGR já é política.
O que Pinto Monteiro pretende é ir mais longe do que a leitura política das suas palavras e alertar, neste momento, para um fenómeno novo na sociedade portuguesa: a perseguição política. Esta perseguição assume-se quer através do MP, quer do Fisco, quer no interior dos partidos políticos. O receio de falar, actuar, dizer ou escrever existe e acentua-se. Ainda é recente, mas já ultrapasou o estado larvar.

9.11.07



Gosto da pintura de Gauguin, mas que beleza, para além da cor, do traço forte e característico, pode existir neste quadro?
O título é sugestivo:
"Te Poipoi (De manhã)".
Por mim, não tenho qualquer dúvida. Se o quadro fosse mais escuro, poderia ser "Ao anoitecer".

Reflexão....

Se é aceitável, sem suscitar qualquer tipo de discussão para os padrões de comportamento políticamente correcto adoptado hoje em dia, que uma ditadura possa ser derrubada para que surja em sua substituição uma democracia, porque razão não é aceitável em democracia derrubar os actores políticos, mantendo-se a democracia e substituindo-se as caras?
É que de outra forma, de que serve a democracia, se não existe a figura do discurso e pensamento subversivo?

Só asneiras...

NÃO FAÇAM ASNEIRA!!!!
Acabar com o sigilo bancário, mesmo que em parte, mas de forma oficial é o mesmo que dizer: tirem a vossa liquidez do País.
É um disparate completo. Portugal necessita de liquidez como pão para a boca. O sigilo bancário faz parte do egrégio funcionamento da banca, em qualquer parte do Mundo.
Ademais, todos sabemos que oficiosamente o sigilo já não é o mesmo. Para quê, então, oficializar o que já se faz pela porta do cavalo?

8.11.07

Fraquezas no PSD...Forças no CDS

No fim de mais uma discussão politico-orçamental, para lá, muito para lá, da concordância ou não com os números, os métodos, os objectivos e a política inscritos no OE 2008, ficou algo de muito preocupante; o fraco desempenho e a ausência de leitura política do PPD/PSD. Assim e a saber:
i) O CDS/PP apresentou-se muito bem preparado para a discussão política mais que orçamental esperada, sabido antecipadamente que o OE estava, per se, aprovado pela maioria absoluta PS tirando largo proveito do anunciado frente-a-frente S. Lopes/J.Sócrates, para ter, às cavalitas destes, um número inusitadamente alargado de ouvintes;
ii) Tem o CDS/PP o mérito, ainda, de ter preparado um discurso político maduro, numa mistura de verdade e realidade (com alguns salpicos demagogos), fundamentais na discussão de ideias, provando conhecimento do "terreno" e tocando nas dificuldades nacionais. Acresce que os quadros humanos do partido são, reconhecidamente, escassos, projectando-se assim uma certeza indesmentível: esta discussão do OE 2008 deu muito trabalho a muito poucos;
(iii) Do outro lado, a estranheza de verificar quão mal preparado se apresentou o PPD/PSD. Vazio no discurso político, sem ideias, com dificuldade em se afirmar na discussão, o partido mostrou estar em grande convulsão;
(iv) A falta de ideias do PPD/PSD não pode advir da ausência de capital humano, que até é reconhecidamente mais rico do que aquele de que dispõe o PS. Se naõ é por falta de capital intelectual só pode ser por um somatório de razões, entre as quais se destacarão as divisões internas, o cansaço de uns, o fastio de outros, a verificação das políticas erráticas e, ainda, pela convicção interna, gerada atabalhoadamente pela direcção do partido, nas expectativas colocadas no desempenho do Presidente da República, redundando num espírito de cria abandonada;
(v) Foi assim, com a imagem de cão abandonado à chuva, que o PPD/PSD se apresentou, de nada valendo o recurso a um tribuno reconhecido como Pedro Santana Lopes. Porque a hora não era de improviso nem de verbo eleitoral; a hora era feita de saber, de estudo, de preparação séria, de leitura atenta de todo o OE e, igualmente, de aproveitamento das fraquezas discursivas do Primeiro-Ministro, que há muito padece do mal de gostar mais de se ouvir do que escutar (esteve muito bem P. Portas). O PPD/PSD não fez o trabalho de casa e mais não se podia pedir a Santana Lopes. Mais, não fazendo o partido o tpc, Santana ficava forçosamente exposto, como ficou, dando ainda de si uma ideia de fragilidade política, que fácilmente se casa com o passado recente. Tem muito que pensar Pedro Santana Lopes: a calçada está poída e inclinada. É bom que veja onde e como pisa.
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A solução era pegar na vaidade e na repetição discursiva do PM e enveredar por discurso inovador. Foi o que fez o CDS/PP. Foi o que fez Paulo Portas.
Tivesse Portas metade dos ícones que orbitam no PPD/PSD e pergunto-me onde chegaria o CDS/PP.

6.11.07

Leilão para "hiper-prime", sem gosto...



A “Liz’’ de Warhol, na imagem, pertença de Hugh Grant, vai a leilão na Christie´s por um valor na minha opinião absurdo, porque a pintura de Warhol sempre me fez desconfiar da verdadeira acepção da palavra arte, quando aplicada ao seu trabalho, pela génese da criação passar por aquele que terá sido o primeiro "viveiro" de papel e telas. Mas os especialistas dizem que esta "Liz" é muito forte, muito mais colorida do que as outras doze que também pintou, justificando-se assim o seu valor e aquisição.
De qualquer forma fica a informação: Novembro, 13, vai à praça o trabalho de Andy Warhol, de Título "Liz", 1963, com um valor estimado de venda entre dólares $25 milhões a $30 milhões.

1.11.07



Blue House
A outra margem.
Barreiro

Falácias....políticas

Vital Moreira escreve no "Causa Nossa" que a haver referendo deveria perguntar-se se "Portugal deve sair da Europa", a questão essencial e não referendar o acessório: o "Tratado de Lisboa".
Por outras palavras, pretende Vital Moreira que, a não se perguntar o óbvio e pertinente, não faz sentido referendar o secundário. Nada mais falso!
Referendar a permanência de Portugal na UE implica mais do que a simples pergunta, implica a existência de solução alternativa: saber-se o que se quer, como se chega e quem serão os parceiros de viagem. Esta trilogia é impossível de avaliar presentemente, pelo que a pergunta não poderá ser colocada.
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Uma outra seria possível: deverá Portugal permanecer na zona euro ou não? Esta tem uma implicação directa: controle sobre a política monetária e utilização da ferramenta económica, ou não!
A esta possível pergunta, neste preciso momento e perante todo o circunstancialismo político que vivemos, respondo claramente e sem titubear que também não é possível qualquer referendo, porque seria totalmente irresponsável sair neste momento da zona euro e deixar a política monetária na mão da incompetência política.
Quem me conhece e lê sabe que sou, desde a primeira hora, contrário à adesão á zona euro, bem como sou a favor de uma Zona de Comércio Livre na Europa e não a uma União Europeia. Mas há momentos e há momentos e não podemos apagar o que foi feito.
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Voltamos então à primeira forma: faz sentido referendar o Tratado de Lisboa? Faz todo o sentido.
Ao referendar o Tratado, referenda-se o aprofundamento e aqui subjaz a questão: já lá estamos, será que nos queremos comprometer ainda mais?
Ademais quando sabemos que a este aprofundamento do comprometimento, acresce a perca de prerrogativas e a diminuição do peso político, tudo somado contribuindo para uma redução brutal da capacidade de intervenção ao nível económico e social, o mesmo é dizer, da capacidade de defender os nossos interesses (está implícita na afirmação a capacidade de regeneração política do País, trazendo um acréscimo decisivo de ideias e discussões de que o País urge).
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Torna-se assim claro que a pergunta a referendar é simples, nada tendo a ver com a complexidade do Tratado (aliás a pergunta é tão mais simples de formular, quanto mais complexo se constatar ser o texto a referendar, porque a complexidade advém exactamente do aprofundamento acima referido, pela dificuldade de politicamente se explicar).
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Igualmente não colhem as opiniões de quem defende que um referendo destes acaba, sempre, como um referendo muito mais sobre as questões nacionais que nos inquietam - o desemprego, as condições de vida e outras preocupações legítimas - do que aos tratados e ao projecto europeu.
Porquê? Porque uma situação não está separada da outra: quando um País perde todas as ferramentas de controle económico e segue políticas ditadas por aerópagos externos, a responsabilidade da conjuntura interna é, igualmente, responsabilidade do espaço político/económico a que pertence. Quando digo que Portugal não tem condições de providenciar melhores condições aos seus filhos, estou a dizer que a Europa não serve, nos moldes actuais, a Portugal. Uma acção não está separada da outra.
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Faz todo o sentido perguntar se nos queremos empenhar ainda mais no projecto europeu, ainda por cima com acréscimo de custos, perca de poderes e de soberania.
Não faz sentido perguntar se queremos ficar na UE, porque, por ora, não temos alternativa.
Falácias....

30.10.07

Para seguir a Discovery na viagem à estação espacial internacional

http://www.nasa.gov/multimedia/nasatv/index.html

Agora, infelizmente, menos céu e pés na Terra...

Lista dos 55 países e regiões estudadas pelo IMD e incluídos no livro: "IMD World Competitiveness Yearbook 2007":
Argentina
Australia
Austria
Belgium
Brazil
Bulgaria
Canada
Chile
China Mainland
China Hong Kong
Colombia
Croatia
Czech Republic
Denmark
Estonia
Finland
France
Germany
Greece
Hungary
Iceland
India
Indonesia
Ireland
Israel
Italy
Japan
Jordan
Korea
Lithuania
Luxembourg
Malaysia
Mexico
Netherlands
New Zealand
Norway
Philippines
Poland
Portugal
Romania
Russia
Singapore
Slovak Republic
Slovenia
South Africa
Spain
Sweden
Switzerland
Taiwan
Thailand
Turkey
Ukraine
United Kingdom
USA
Venezuela
§
Garanto que não me levantei mal-disposto ou zangado.
Lamento se acaso o leitor até estava bem-disposto, de bom-humor e, depois de levar com estes dados, se vai zangar com a vida ou pensar que o andam a gozar. Pois é; parece, segundo dizem (que eu não sou de intrigas) que mais de 90% das notícias em Portugal são pagas/encomendadas. Será possível? Não acredito!!!
Verdade mesmo é que o discurso político tem muito pouco de real ou mesmo de demagogo, em Portugal: é mentira pura mesmo. Mais grave, todos mentem.
E depois, sempre aparecem uns brincalhões, enxofrados por se desdizer o que o(s) partido(s) afirma(m), a querer dar lições sobre regiões, autonomias e outras confusões, enfim, a panóplia do costume, comprada nos telejornais e media em geral, que passam opiniões como se vendem artigos nas lojas dos trezentos: quantidade alguma, qualidade nenhuma. Para esses, aqui vão muito poucos dados sobre a nossa economia (porque os tenho todos mas são caros e só interessam para aqueles que não se satisfazem com as poses e discursos institucionais, dou conta dos que estão disponíveis on-line), sobre o nível de vida, sobre as infraestruturas, sobre os direitos e a educação dos cidadãos, entre outros indicadores utilizados para aferir o desempenho dos países e regiões.
Os indicadores são divididos em 4 categorias, a saber:

Economic Performance (79 criteria) Macro-economic evaluation of the domestic economy: Domestic Economy, International Trade, International Investment, Employment and
Prices.
.
Government Efficiency (72 criteria) Extent to which government policies are conducive to competitiveness: Public Finance, Fiscal Policy, Institutional Framework, Business Legislation
and Societal Framework.
.
Business Efficiency (71 criteria) Extent to which the national environmnent encourages enterprises to perform in an innovative, profitable and responsible manner: Productivity and Efficiency, Labor Market, Finance, Management Practices and Attitudes and Values.
.
Infrastructure (101 criteria) Extent to which basic, technological, scientific and human resources meet the needs of business: Basic Infrastructure, Technological Infrastructure, Scientifi c Infrastructure, Health and Environment and Education.
(clicar na imagem para aumentar)

Como se constata, no crescimento do PNB (produto nacional bruto) em 2006, somos fáceis de encontrar.

Repare-se como a Espanha aumenta, em termos relativos, 3 vezes o PNB, quando comparado com o nosso País. A fase seguinte é simples: consideramos em termos absolutos e ficamos siderados.

Em 2007 a Espanha irá ter um superávite de 1,5% e nós um déficite (gerado por despesas correntes!) de 3,5%. Como nestas circunstâncias soma, temos um diferencial de 5%. Lindo!!

(clicar na imagem para aumentar) ...........É curioso verificar a evolução de Portugal, tanto a nível geral como, particularmente, a nível dos indicadores de desempenho económico, ao fim e ao cabo aqueles que mais nos importam (período comparado: 2003-2007). O 48º lugar (em 55) no desempenho económico em 2007 é muito interessante!!!

28.10.07

Não à regionalização. Não ao PSD....

Questionado sobre se o PSD pretende «discutir ou fazer» a regionalização já em 2008, Ribau Esteves respondeu: «Discuti-la para a fazer, para a fazer bem».

A regionalização de Portugal é o maior disparate político possível de defender, no pós-colonização.
A dimensão do País, a noção de espaço político-geográfico comum e que remonta a quase 900 anos de História, bem como a mais elementar questão de solidariedade entre indivíduos nascidos sob uma mesma bandeira e num mesmo território, impede qualquer pensamento de regionalização, leia-se divisão, do espaço político-económico. A defesa da regionalização, baseada em pressupostos de aumento de rendimentos intra-espaciais através de mecanismos concorrenciais, é uma enorme falácia.
O que de facto se pretende é alijar responsabilidades de condução do País, tornando-o sistemática e coerentemente pobre.
Mais acresce, se levado em conta o desconforto unitário da vizinha Espanha.
Defender uma regionalização em Portugal, quando em simultâneo a Galiza formaliza a vontade de adesão ao espaço da Portugalidade, assemelha-se em tudo a um golpe-de-estado, a alta traição.
A regionalização é um acto de cobardia política.
O PSD não pode defender a regionalização em nenhuma circunstância.
Acaso o faça deixará de ser credível e nacional. Deixará de ser o caminho de voto de milhares de portugueses e, se assim fôr, que avance já a nova força política na forja.

19.10.07

Hillary cada vez mais presidente....

Retirado, com a devida vénia do, The New York Times, edição de hoje.
"Hillary Clinton leads the Democratic field with 51 percent of the vote.
She beats Barack Obama by 24 percentage points among black Democrats.
She is projected now to beat Giuliani – or at the very least to be in a statistical dead heat with him in the general election.
........
This wasn’t supposed to happen. According to the received wisdom of those in-the-know here in Washington, Hillary was supposed to be divisive, unelectable, “radioactive.”
........
(“I think the one thing we know about Hillary, the one thing we absolutely know, bottom line, [is] she can`t win, right?” is how MSNBC host Tucker Carlson once put it to New Republic editor-at-large Peter Beinart. “She is unelectable.”).
.........
The “we” world of Tucker Carlson knew what they knew about Hillary Clinton — right up until about this week, I think — because they spend an awful lot of time talking to, socializing with and interviewing one another.
What they don’t do all that much is venture outside of a certain set of zip codes to get a feel for the way most people are actually living. They don’t sign up for adjustable rate mortgages, visit emergency rooms to get their primary health care, leave their children in unlicensed day care or lose their jobs because they have to drive their mothers home from the hospital after hip replacement surgery.
Hillary Clinton’s supporters, it turns out, do.
§
E é esta a grande verdade. Não há discursos políticos (que têm forçosamente de ser demagogos) que aguentem a dura realidade diária.
Vamos ver, aqui e lá fora nessa Europa perdida, quanto tempo aguenta a Europa com a flexisegurança, ou quanto tempo aguenta esta, sem se perder a noção ridícula de Europa (acaso a "flexi" não seja só um instrumento vocal político, destinado a ser sorvido pelo papel).

18.10.07

Quem é ele?

Ao contrário daqueles que gostam de ver pelo canudo dos outros, eu gosto de ver Menezes e Santana no assalto à verdadeira oposição. Sócrates que se cuide porque o combate político começou e, como qualquer combate político, não tem de ser limpo.
Aliás, a esse propósito, ainda não ouvi ninguém a fazer referência ao curriculum académico de L.F. Menezes nem ao facto de estar em Paris, como ilustre investigador e médico pediatra. Nem qualquer realce às suas vitórias políticas.
Quem os ouvir há-de pensar: "...o homem é um arrivista sectário, pretencioso, mas de pouca ou nenhuma valia prática". Mas que homem???

SIM às "Chinatowns"

Espanto-me com as razões invocadas para a saída de Maria José Nogueira Pinto do projecto baixa-Chiado.
Espanto-me ainda mais com o silêncio de uns quantos que, por tudo e por nada, empunham espadas e desafiam dragões.
Então a criação de uma "Chinatown" em Lisboa é censurável? Só na cabeça do demagogo J. Sá Fernandes, que já trocou o BE por um apetecível lugar nas próximas listas do PS a Lisboa (ele até é independente) e de um António Costa, presidente, que talvez, e acentúo o talvez, tenha guardado o silêncio por um qualquer comprometimento político que não descortino. Porque, enfim, sempre é ele que manda e que garantirá a permanência de JSF na Câmara de Lisboa nas listas do PS.
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Acaso desconhecem estes senhores o número de chineses disponíveis a mudarem-se de armas e bagagens para todo o mundo? Acaso desconhecem a realidade de outras metrópoles (essas sim, grandes) que tiveram e cedo o perceberam, a necessidade de criar núcleos de comércio residencial para os cidadãos chineses? Acaso esuqeceram que estamos a falar de mais de 1/4 da população mundial?
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Já estiveram em Évora recentemente? Já deram conta como numa cidade linda como aquela, a existência de 4 ou 5 lojas chinesas desvirtua toda a beleza e enquadramento histórico?
Acaso ainda não perceberam que os chineses, aqueles que abrem "lojas chinesas" de ocidentais nada têm?
Já se deram conta que para os arrendatários tanto se lhes dá? Já terão percebido que, quando se trata de construção civil (pato bravo e não só) o proprietário é sempre arrivista quando se trata do interesse nacional?
Deste ponto estou convencido que sim, tal a a ferocidade com que o capital normalmente é atacado. Ataca-se o capital mas depois dá-se-lhe rédea solta?
Não entendo.
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Lanço um repto: a criação de uma petição a favor da criação de uma "Chinatown" em todas as cidades portuguesas, a começar por Lisboa, a passar pelo Porto e a acabar em Faro, que exija a desmaterialização das actuais instalações e a sua recolocação em espaço próprio, consignado para o efeito, dentro das cidades mas perfeitamente reconhecido e enquadrado.

A questão da Flexisegurança, tão má e irremediavelmente necessária...

A questão central que traz milhares a Lisboa, pela mão da CGTP é, supostamente a flexisegurança, ou seja, o aumento da precariedade no trabalho e a redução dos salários. Não se discute a sua necessidade nesta Europa errática (não por falta de um qualquer Tratado salvador) por culpa de governos e governantes que tentam conjugar os interesses particulares com os interesses colectivos - sejam aqueles pessoais ou nacionais e estes empresariais ou supranacionais.
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A verdadeira razão da intervenção deveria ser mais a da cobrança política, do que a da discussão da necessidade.
O que os cidadãos de toda a Europa em geral se têm de perguntar é, acaso as promessas políticas tivessem sido realistas e profundamente verdadeiras, seriam estes (leia-se todos os que até agora exerceram funções políticas e opinion makers) os políticos escolhidos e o modelo escolhido?
Creio firmemente que não!
Estamos a pagar o preço demagógico de ter transformado um modelo de gestão económica possível (zona de comércio livre) num modelo político ingovernável (federação de estados).

10.10.07

Até sempre....



Há uns anos, aquando de uma subida de divisão da Académica, apanhámos, literalmente, um banho de espumante no restaurante onde nos encontrávamos, banho no qual se incluíu também Jaime Cortesão e que foi preparado pelos jogadores do clube, sem qualquer aviso prévio. Naquela noite, no regresso a Lisboa, ria sózinho de um dia e noite cheios, passado entre amigos.
Conhecia-o há 14 anos e, do Fausto, ocorre-me dizer que era uma amizade que se entranha. Agora, fica o estranho sentimento feito certeza da saudade, demasiado óbvia e demasiado precoce, demasiado tudo para ser contido em palavras.
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Nos idos de Agosto, um outro amigo, amigo de ambos, se ausentou para onde alfa e ómega se juntam. Imagino-os juntos, agora, à conversa como tantas e repetidas vezes o fizeram.

6.9.07

Fred Thompson....


é candiato às presidenciais norte-americanas.

O actor de Hollywood e antigo senador afirmou ontem na NBC que está na corrida à Casa Branca.

Pavarotti morreu....

Faleceu Luciano Pavarotti.

Mais do que um extraordinário tenor, constituíu-se no standard inquestionável dos tenores actuais.

30.7.07

A derrapagem que se anuncia...

O combate à evasão fiscal é necessário e, em simultâneo, salutar, criando novos hábitos de cidadania.
O que se pede, contudo, vai mais além desse combate: redução da despesa pública não-produtiva, ou por outras palavras, redução do défice económicamente maligno. Se assim se proceder, garante-se um ajustamento das receitas (pelo aumento) às despesas (pela sua redução).
A recuperação de dívidas fiscais atrasadas serviria para descomplicar um pouco situações já vividas e não situações presentes. Doutra forma; procurar equilíbrios através da recuperação de valores devidos e vencidos não tranquiliza, porque deixa no ar a pergunta: quando tudo o que estiver atrasado fôr cobrado (o que é cobrável e nunca a totalidade da dívida existente), como se equilibram as contas públicas?
A resposta é simples: não se equilibram! Mas então com uma agravante: já não haverá receitas extraordinárias ou recuperações de impostos a efectuar e a derrapagem será fatal.

20.7.07



Nassau Street - Financial District, NYC

Política Monetária....

Que o BCE gere a taxa de juro da zona euro, através do recurso ao indicador inflacção, é um dado conhecido. É uma das possibilidades de gestão monetária/económica.
Que os Bancos nacionais, caso do BdP, perderam capacidade de intervenção, por variadas razões, é igualmente sabido. Não é, contudo, obrigatório que se mantenham mudos quanto à condução da política monetária do BCE. Atentos, mas interventores é o que se pede.
Por mim preferia que, o indicador base para a definição da taxa de juro a aplicar na zona euro, fosse a taxa de desemprego.

Que o pequeno e fraco faça dos predicados, depreciativos, forças....

Mário Soares considera que devia ter sido a chanceler alemã a conduzir as negociações até ao fim. O ex-chefe de Estado esclarece que o peso de Angela Merkel e da Alemanha ajudariam a concluir o processo.
Soares diz ainda que os alemães se limitaram a passar o dossier a um país "pequeno e relativamente fraco".
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Pequeno e relativamente fraco Dr Soares? E por culpa de quem?
Recorda-se quando éramos grandes e fortes? Imperiais?
Recorda-se da abastança que lhe permitíu o exílio dourado em Paris? Outros tempos em que o Sr. seu pai tinha e movia influências, no tal País grande e forte.
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E quem lhe diz que o Tratado é bom para Portugal? A menos que, como bom socialista, veja no Tratado uma excelente oportunidade de reduzir, ainda mais, a dimensão deste País, fomentando em definitivo a construção da Ibéria, tão querida aos socialistas de lá e cá.
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E porque razão, Dr Soares, deveria ter sido a Alemanha a concluir o processo? Por ser um País grande e muito forte? Mais ajuda, Dr Soares, à ideia feita certeza que o Tratado trata, só e de facto, de um directório de uns pouco fortes, exercendo domínio, perdão, colonialismo económico, sobre os demais fracos.
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Num ponto estamos de acordo, Dr Soares: se a pequena dimensão e a fraqueza de Portugal contribuírem para o flop do Tratado e, se este flop, contribuir para o fim da UE, como prevê, abençoado País pequeno e fraco e abençoadas gentes, que poderão almejar algo de melhor do que o que lhes foi propagandeado, durante anos por si, Dr Soares!

19.7.07


Fim aos barões e baronetes: o PSD e o CDS/PP acabaram como soluções credíveis...

Já o escrevi por variadíssimas vezes.
Reafirmo-o agora, perante a premência da situação: Portugal, toda a Nação necessita, urgentemente, de uma nova força política que congregue a direita e o centro-direita sociais, que defenda os valores humanos e o direito à igualdade e combata o liberalismo, sinónimo de capitalismo feroz.
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Portugal precisa de uma direita que repense o sistema fiscal, de uma Instituição financeira nacional - Banco de Portugal - objectiva e coerente.
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Portugal necessita de alterações fiscais ao nível do IRS, do IRC e do IVA.
Portugal precisa que o IRS seja revisto em alta ou baixa, trimestralmente, acompanhando os ciclos económicos.
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Portugal precisa de estabelecer uma taxa máxima de remuneração, através de dividendos, do capital investido (12% é o que proponho). Necessita de escalonar o IRC como o IRS (a desenvolver em posterior post).
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Portugal está obrigado a modificar o sistema de pagamento do IVA, cobrando o estado o IVA efectivamente já cobrado pelas empresas e não o prometido cobrar (peso enorme ao nível da liquidez das tesourarias e dos custos financeiros).
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Portugal urge por uma nova política, eminentemente social e de crescimento. Urge, igualmente, duma política de contenção de gastos.
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Portugal necessita urgentemente de um novo Partido que assuma a Direita e Centro-Direita.

17.7.07

Questão de número....

É claro que a questão é de volume. Noutras situações, os figurantes teriam passado despercebidos, mas no Domingo não estava lá ninguém!!!

Tiques e imitações de fraca qualidade...

Durante anos, após a abrilada e nos vinte anos seguintes, ouvimos todos que l´ancien regime utilizava o expediente excursionista para encher praças e comícios.
Durante anos foi o que ouvimos e, igualmente, o que constatámos na nouvelle democracie, que desde sempre utilizou os mesmos tiques para as demonstrações de força política (qualquer força sem excepção, tendo como principal e pioneiro exemplo o PCP).
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Não consta que alguma vez o Professor Oliveira Salazar tenha utilizado esse expediente para comemorar a nomeação de um qualquer presidente de Câmara. É claro que não me esqueço que a escolha dos presidentes de Câmara não seguia exactamente o modelo actual.
Mas será verosímil imaginar que, numa democracia ocidental, berrada fervorosamente aos quatro ventos, um partido político (PS) se encarregue de encher um terreiro com gentes de outras terras, para comemorar a eleição de um autarca que nada lhes diz? Como verificámos, muitos nem sabiam ao que vinham, nem se identificavam com a bandeira rosa.
É este o sinal de modernidade na governação democrática de Portugal ?
Claramente não!
Ouvem-se as trombetas do desatino, as arruadas da tacanhez, os arautos da irresponsabilidade e, acima destes, a enorme vontade de governar sobre tudo e todos, sem respeito pelos mais elementares direitos, pelo povo e pela inteligência nacional.
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É um filme bera, que já conhecemos, mas com muitíssima pior realização e condução de actores e figurantes. A ter que viver com o original ou o remake, inclino-me claramente para o primeiro. Contudo, quero crer que não será necessário chegar tão longe e que aparecerá algum líder político inspirado e inspirador, que dentro do respeito do Povo e da Nação, nos coloque no caminho, perdido, do amor-próprio.

16.7.07

Os resultados esperados....

António Costa ganhou sem maioria e sem surpresa.
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Carmona Rodrigues ficou em segundo, igualmente sem surpresa, como já tinha referido uns posts atrás.
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Também, sem qualquer surpresa, se assiste ao definhar da direita e centro-direita (recorrendo a velhas dicotomias), na política nacional, - porque o fenómeno não é só local.
Enquanto os partidos, situados nesta área do pensamento político, não interiorizarem a necessidade de abandonarem o modelo económico do laissez-faire, da economia liberal e não se consagrarem, em definitivo, a um modelo que privilegie as preocupações sociais, o peso político e a erosão no eleitorado serão crescentes.
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Não é só o CDS/PP que está em sérias dificuldades. O PPD/PSD está a começar a vive-las e, bem pode Marques Mendes falar em vitórias, que das três que mencionou só uma é, inteiramente, fruto da influência do partido: as autárquicas. Nas restantes, Presidência da República e Madeira, o mérito do partido é nulo, porque qualquer dos candidatos ganhava, com ou sem o apoio do PPD/PSD (nas presidenciais o PPD/PSD só podia ir a reboque de Cavaco Silva, por se encontrar totalmente refém desta figura).
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Marques Mendes é fraco líder e Paulo Portas regressou mal, por caminhos demasiado tortuosos e fora de tempo.

13.7.07


Até parece inocente...

A entrevista que veio a calhar....

Luis Filipe Vieira foi entrevistado, ontem, por Judite de Sousa, no programa Grande Entrevista.
A entrevista não prestou, como se esperava, porque o entrevistado tem pouco para dizer, não sendo o tema futebol motivo para grandes considerandos, quando considerado no âmbito de um programa com aquele cariz, sem desprimor para o desporto em geral e futebol em particular, ou sequer para com o presidente do SLB, que em matéria de futebol saberá, com certeza, muito.
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O que entristece e retira credibilidade à entrevista, à entrevistadora e à máquina político-propangandística do nosso País, é a forma vergonhosa como a entrevista é conduzida, deixando passar em claro, com sorriso de complacência, a afirmação de um presidente de uma SAD, que tem responsabilidades para com accionistas, a afirmação que na viagem à China o presidente da SAD tratou de assuntos que são públicos e outros que são secretos (perdão!? Numa sociedade aberta, o presidente tem assuntos da sociedade que são vedados ao conhecimento dos accionistas?), mas em simultâneo se afadiga em procurar saber qual o sentido de voto que o entrevistado vai seguir, nas eleições para Lisboa.
Afanosamente, LFV apressou-se em dizer que, na qualidade de presidente do SLB nada podia dizer, mas enquanto cidadão o faria. E fez, dizendo qual o sentido de voto.
Mas em que qualidade estava LFV naquela entrevista? Como cidadão? Poupem-me!!! Como presidente do SLB, óbviamente (sendo que esse facto já seria suficientemente mau).
E depois ainda querem que acreditemos que há alguma coisa séria em Portugal, seja ela qual fôr.
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E tudo isto porquê? Porque Eusébio tem aparecido ao lado de Fernando Negrão!
Era necessário um contragolpe na "nação" benfiquista.
Que foi feito, a coberto da televisão pública.
O Estado está podre!! E os seus agentes, directos e indirectos, também!!

7.7.07



Manta

A gaffe.....

António Costa é abordado pela jornalista, que pretende auscultar o candidato quanto aos seus receios de ser prejudicado nos votos em Lisboa, como penalização da população à governação PS.
E António Costa o candidato responde, aceitando a questão, afirmando que não crê que uma situação arraste a outra, pois que, nas suas palavras, a população sabe distinguir entre eleições autárquicas e legislativas.
Ou seja, há razões para penalizar a governação PS.
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Adorei!!!

MarquesOliveira

Os candidatos e as ideias dos apoiantes....

No início das cerca de duas horas de debate, o presidente da YDreams apontou Barcelona e Austin (Texas, Estados Unidos) como exemplos de cidades criativas e sugeriu que Lisboa crie uma t-shirt transparente.
"Uma t-shirt transparente para simbolizar a ideia de cidade transparente", explicou.
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Transparente, devassa e de mau gosto, digo eu.
Imaginemos uns imensos barrigudos, membros afanosos da geração hamburger, com pelos no peito e no umbigo, a passearem-se por Barcelona, Paris, Londres, Roma ou, mesmo, Austin, com uma t-shirt transparente, onde para além das pregas de gordura e pelosidades sobressai o nome Lisboa. Bonito de se ver, sem dúvida e ilustrativo da qualidade de Lisboa.
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Grandes ideias a uma semana de eleições para a CML. Grandes projectos e grandes homens.
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Amigo inteligente, acisado, perguntava-me qual o candidato que considerava reunir condições para presidir aos destino da capital. A resposta foi: nenhum!
Quando sou confrontado com esta pobreza de espírito dos apoiantes, convidados, simpatizantes, adapto o ditado: diz-me com quem andas, dir-te-ei que ideias tens.
§§§
Porque asneiras são asneiras, não posso deixar de praticar a útil arte de ensinar, mesmo que por norma não o faça em relação aos comentários que recebo. Assim, e para que não subsistam dúvidas, se o transporte de uma significação própria de um vocábulo para outra signficação, que por comparação que se subentende, configura uma metáfora - sendo o caso da t-shirt tranparente, que através da estampagem do nome Lisboa, cria a figura de retórica que prefigura a metáfora - a t-shirt em si, não é nunca uma metáfora, mas o veículo para a construção da metáfora. Pelo que uma t-shirt transparente é, neste caso, sempre uma t-shirt transparente.
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Acresce que Lisboa não é uma cidade transparente (só se a ideia é incutir o princípio da erradicação da corrupção, o que não me parece que resulte dentro do espíriito turístico que presídiu à ideia), Lisboa é a cidade BRANCA, tornando-se de difícil gestão camarária, precisamente por esta característica que lhe é reconhecida ser ameaçada, diáriamente, pelos diversos agentes poluidores.
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Dias menos bons todos têm e a ideia, por muito bem-intencionada que seja, é uma má ideia, pelas repercurssões de imagem apontadas.
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O desconhecimento não. Esse é perene e não abona a favor de quem o exibe, não é abespinhado António Câmara? (Se é esse de facto o seu nome).

3.7.07

A dupla tributação...

...a ACAP “congratula-se com a recomendação efectuada pela Comissão Europeia ao Estado Português (assim como ao Governo Polaco) para que seja alterado o modelo de tributação automóvel que considera contrário ao Direito Europeu".

A verificar-se a óbvia constatação da existência de dupla tributação (acto ilegal) o estado português não perde só as receitas futuras. Perderá, igualmente, todas as receitas já cobradas a todos os automobilistas (pelo menos de todos os automóveis ainda em circulação e não revendidos à data), bastando para tal que os mesmos requeiram a devolução do imposto indevidamente cobrado, acrescido dos respectivos juros de mora.
É assunto para dar "água pela barba".

2.7.07


Barroso, Sócrates, os restantes 25 e todos os outos (nós)...em amena cavaqueira

-Está decidido, por todos.
-Quem ?
-Os chefes de Estado e de Governo dos 27. Agora ninguém pode voltar atrás!
-Mas os chefes mencionados são tão poucos, quando comparados com a respectiva população!
-Paciência, estivesses lá agora. Porque não entraste num partido político, fizeste uns favores, cobraste os mesmos e não estás em posição de decidir? Problema teu, vês?
-E a democracia?
-Qual ?
-A democracia ocidental!
-Mas qual? ???
-A europeia!!
-Ah, essa, pergunta à Merckel, ela explica-te.

A mesma conversa de treta....

O autor do livro escreve que "apenas é possível afirmar que não há certezas sobre qual terá sido efectivamente o resultado final das eleições autárquicas em Lisboa, sobretudo devido ao deficiente trabalho das assembleias de apuramento geral".
Ramos de Almeida realça que "o vasto conjunto de irregularidades detectadas não é suficiente para acusar alguma lista ou dirigentes", uma vez que os boletins de voto foram destruídos em 2002.
"Não se pode ser categórico e afirmar que apenas uma lista violou a lei eleitoral. Muito menos se poderá concluir que Pedro Santana Lopes ocupou indevidamente a cadeira de presidente da Câmara Municipal", escreve o autor.
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Não serve para nada. Pergunta-se: então para que se escreveu?
Sabemos a resposta, mas de tão gasta nem nos merece qualquer consideração.
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Estamos numa terra de treta (começa a ser difícil definir Portugal como um País).

24.6.07

É fundamental, o Referendo...

O primeiro-ministro disse também que está recordado que se comprometeu com a ratificação por referendo, mas que a sua prioridade, para já, é "transformar um mandato num tratado".

A vaidade acima de tudo.
Ninguém explica o que está verdadeiramente em causa, mas todos se afadigam em defender o tratado, como se os restantes, aqueles que estão calados, que não são políticos filiados a viver do sistema e que são a maioria esmagadora da população fossem, todos, uns mentecaptos. Não são.

Felizmente, há países onde o tratado terá de ser referendado e, onde espero, a cultura do povo se faça sentir de forma capaz, ao invés do que vai acontecendo por cá.

23.6.07

A despesa com carência...de inteligencia

«...sustentabilidade orçamental para o Estado português», visto que «a consolidação total do investimento inerente ao projecto não terá grandes repercussões nos primeiros anos»

Palavras grandes na apresentação do modelo de negócio da RAVE (Rede Ferroviária de Alta Velocidade).
Grandes não em todos os sentidos, nem no menos mau dos sentidos. As palavras são "grandes", porque são proféticas. E sabe-se que há profecias péssimas, aterradoras.
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Se de uma profecia se trata, terá de se interpretar o seu sentido, para perceber a mensagem. Essa interpretação não necessita de cabálas nem de recorrer a métodos semelhantes aos enumerados por Dan Brown. Bastará uma leitura do passado recente (SCUTS) e uma coerente aplicação do conhecimento actual para se perceber todo o sentido:
quando os custos não produtivos surgirem, já Sócrates e demais que lhe são próximos estarão a (a) jogar golfe); (b) dirigir um qualquer conselho de administração ou comissão executiva, enquanto jogam golfe ou;(c) à frente de uma qualquer comissão ou alto-secretariado da UE, das NU ou quejando, a viajar pelo MUndo e a jogar golfe:
os meus filhos e os filhos de todos os outros andarão, em 2013, com uma enorme dor de cabeça, a tentarem perceber como é que vão pagar os custos das SCUTS, de uma qulaquer OTA e do TGV, entre todos os outros custos gerados pela Estado.
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Foi fácil não foi?
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Isto das despesas com período de carência são óptimas, quando a responsabilidade de liquidação recai sobre outros que não nós próprios.
Será que posso aplicar o mesmo princípio na aquisição de uma casa em Miami; um veleiro de 20 metros; uma outra casa em Paris (sei exactamente onde) e ainda uma em NY (sei também onde seria); um jacto privado e ainda obter verbas avultadas para subsidiar todas estas despesas?
Vou pensar sériamente no assunto. Se arranjar solução de consumir tudo isto sem me responsabilizar pelo pagamento, prometo escrever, aqui, a solução, desde que não a digam a muita gente.

20.6.07



FulvioMendes

A importancia do depois de amanhã

Errantes estávamos na loucura do pensar, na arquitectura das coisas, desvarios de mentes perturbadas ou entregues a exercícios de loucura, que perdemos a noção do tempo, do espaço, do rigor e da estima.
Queríamos tudo sem querer nada.
Pegávamos com a mesma facilidade com que rejeitávamos.
Vivíamos na ilusão, de uma criação obstipada, entupindo o canal do pensamento e libertando os gostos e odores fétidos da infecção.
Via-mo-nos a nós e a quem estava perante nós, na primeira linha, sofrendo de uma profunda bizarria: não víamos mais nada.
Quem não vê não imagina e, sem imaginar não cria.
Nada criámos então, agora que assentamos ideias, a não ser a convicção que o amanhã não depende sequer do agora, mas acima de tudo do depois de amanhã.
Que assim seja, então, agora que o percebemos: errantes continuamos no desvario e loucura do pensar.

A solução correcta: Portela + 1

Aeroporto: a solução da manutenção da Portela, aproveitando por exemplo Alcochete como apoio é, claramente a melhor solução.
Não hipoteca as próximas gerações de froma significativa e não parte para um precipício fundado no aumento de turismo e tráfego aéreo, que a expressão numérica que nos é apresentada, define claramente como megalómana, senão insana.
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Esta situação faz-me sempre recordar o afanoso empenho, daqueles que viam na Swissair a salvação para o problema financeiro da TAP.
Depois víu-se como foi com a Swissair. E adivinha-se como teria sido com a TAP.

As eleições e os candidatos

Notoriamente, como havia previsto, com a mesma facilidade que qualquer um de vós o fez, a questão aeroporto de Lisboa foi empurrada para as calendas gregas, leia-se após eleições para a CML e Presidência Portuguesa da UE, por forma a facilitar ambas as situações.
O Ministro até já aceita estudos sobre a Portela + 1. Aceita tudo agora, depois de afirmar "jamais, jamais".
Temos levado com cada um (isolado ou grupos) que, por vezes, me ponho a pensar se não será de facto sina nacional este penar, que Luis Vaz tão bem descreveu em relação às paixões.
Porque tem de se estar apaixonado por este pedaço de terra e os seus vultos e História, para nos mantermos fiéis e perseverantes nesta condição, que a todos parece cada vez mais isolada, de cidadão nacional de um Estado-Nação chamado Portugal.
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António Costa tão depressa clama pela Igreja, como aceita que a sua mandatária para a juventude afrime que, acaso seja promolgudada legislação que permita os casamentos homosexuais, tais enlaces se possam realizar no Salão Nobre dos Paços do Concelho, como, até, no dia de S. António. Pasme-se! Casamentos gays no dia do Santo padroeiro de Lisboa, depois de se aludir à Igreja como uma entidade fundamental. Estão todos loucos (foi assim que os romanos acabaram)!
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O debate na Sic Notícias mostrou um António Costa vacilante, uma Helena Roseta firme, um Telmo Correia muito bem, um Negrão a piscar o olho às propostas de Roseta, um Ruben sempre igual, um Zé de que ninguém precisa e um Carmona que aceitou, vezes sem conta, que a palavra suspeição e ausência de gestão saltita-se no debate, sem haver uma reacção verdadeira de repúdio. Sentia-se que Carmona estava diminuído (embora a situação não seja nova).
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Falaram de coisas interessantes, pena é que nenhum de nós acredite que sejam possíveis. Porquê? Porque não vai haver dinheiro para as boas ideias, até falta e muito, e porque sabemos, igualmente, que o betão será, agora e sempre, a alavanca de financiamento desta e das outras Câmaras.
As boas ideias não passam de boas intenções. A realidade, depois, é outra. Infelizmente.
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A cidade tinha tudo a ganhar em tornar-se atractiva, um pólo aglutinador das populações. Tornar-se-ia competitiva, ofereceria saneamento e transportes melhorados, locais de lazer apropriados, cinemas e teatros arranjados, prédios recuperados, face limpa, asseio nas ruas, melhor qualidade de vida, maior rendimento económico, maior poder financeiro.
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Esta cidade branca tem, precisamente, esse defeito: o branco suja muito.
Para manter a bonita luz de Lisboa é necessário gastar muito dinheiro em limpeza a seco.
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Ninguém vai ter maioria absoluta. Vão ter de coabitar. Sei que António Costa vence as eleições. Preferia Roseta ou Negrão. Gostaria que o Zé saísse e pagasse o pesado custo de atraso das obras do Marquês, não só à Câmara, mas igualmente ao pequeno comércio. Carmona vai ficar - vamos ver quantos lisboetas estão de férias em 15 de Julho. Se forem, essencialmente, os bairros sociais e populares a votar, ainda podemos ter surpresa - espero que sem um pelouro importante. Não porque entenda que deva ser penalizado por estar envolvido num qualquer processo, nada está provado e até prova em contrário...mas porque acredito, pelo que vi e vejo, que a questão é do foro da incompetência, muito mais do que qualquer outra razão.

15.6.07

O grandíloquo vaidoso vazio de pensamento

"A Europa necessita de um compromisso sobre o novo Tratado para dar um sinal claro à sua economia, aos seus cidadãos e ao mundo de que o processo europeu vai avançar", disse Sócrates.


Quanto à economia sei quais os resultados práticos do compromisso: mais poder concentrado num directório de 4 a 5 países, com um deles a comandar, claramente, as directrizes de acção e actuação da UE, só podem significar aumento do poder económico das grandes corporações e uma crescente aglutinação do poder financeiro. A isto chama-se strategie du poisson.
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Em relação aos cidadãos, estes revêem-se na política, como arte de governar uma sociedade organizada, composta de homens, definidos pela sua identificação geográfica, patrimonial, cultural. Não sendo a solidariedade um dado mensurável e encontrando justificação na limitação espacial, ao substituir-se por interesses económicos, a solidariedade espacial sucumbe, colocando em causa a função essencial da política, bem como o seu lugar no ordenamento da sociedade.
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Num mundo onde a riqueza nasce da desmultiplicação das ligações de capital e alianças internacionais há que evitar as perturbações, o imprevisto e o incontrolável. É necessária uma ordem que não sobrevenha, exclusivamente, do poder económico - este não conhece cor, credo, nacionalidade - mas igualmente do reconhecimento das similitudes, do espaço geográfico, dos interesses comuns.
É assim que imaginamos a União Europeia ? Nem nos nossos melhores sonhos!


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A pretensão de combinar uma multitude de interesses e dimensões - polítca, cultural, económica e mesmo militar - aprisiona a própria concepção espacial do poder, em virtude do próprio espaço deixar de ser um critério fundamental de avaliação.


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Pretende-se federalismo ?


O federalismo clássico nasceu de uma lógica de solidariedade baseada na lógica geográfica: o município pertence à região; a região pertence ao Estado.


É esta pirâmide geográfica que permite organizar, a diferentes níveis, a vida política: os espaços de solidariedade autárquicos de nível local, regional, nacional, fixando os cidadãos em cada um dos diversos níveis, as suas prioridades, os seus anseios, em suma a vontade comúm que consubstancia a definição de política em si mesma.


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Aos olhos do Mundo, não é o federalismo que se desenha num qualquer tratado constitucional. Aos olhos do Mundo passa a noção do Directório, da centralização do poder económico, da colonização de uns países europeus por outros, poucos em número, enormes em poder. Passará certamente a ideia que o capital se poderá instalar, coligar, absorver e devorar recursos, garantindo, em simultâneo, a riqueza de uns e a desilusão/trabalho de outros.


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Espanta que os pequenos países se afadiguem tanto, em torno de ideais colonizantes, dominadores, superior e patriarcalmente apadrinhados pela Alemanha e pelo equivocado poder político francês.


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São estes, em meu entender e de forma muito resumida, os sinais claros que a UE, enquanto instituição e jogo de poder quer transmitir.


São estes os sinais claros que os países da UE, na sua maioria, querem passar ? A resposta é, claramente, não!


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Falta substância a José Sócrates. Falta-lhe perspicuidade.

O camaleão socialista

"O candidato do PS à CML destacou hoje a importância da Igreja Católica para o futuro da cidade em áreas como a acção social e a defesa do património histórico".

Pergunta a António Costa: enquanto Ministro esteve contra a reordenação do cardeal patriarca de Lisboa - o mesmo é dizer a Igreja - no protocolo do Estado, aquando este tema foi discutido ?

Porque é certo: a considerar o papel da Igreja fundamental em Lisboa, a capital, considera-se fundamental no País, por maioria de razão.
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É António Costa, o mesmo que foi Ministro, que agora afirma/admite que: "...A Igreja Católica é depositária de um valioso património histórico essencial ..." e "...A Igreja Católica conhece a cidade, os seus dramas sociais e tem uma relação profunda com as pessoas. As instituições ligadas à Igreja Católica são parceiras da cidade no acolhimento e na ajuda às populações."
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Se conhece Lisboa, conhece o País, porque a Igreja está em todo o lado, e se está em todo o lado está igualmente nas escolas, onde quase tudo começa, desde o acolhimento, à ajuda e, não menos importante, à transmissão do património histórico.
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Foi igualmente este Governo, no qual Antóinio Costa era o número 2, que deu instruções para a retirada dos crucifixos de todas as escolas do País.
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Já o afirmei antes: num Mundo em decomposição de valores, aceito que se discuta o dogma religioso mas não aceito que se perca o normativo religioso, porque as normas que a Igreja transmite devem, obrigatóriamente, ser seguidas por todos, independentemente de se acreditar ou não no dogma. E porquê? Porque são boas, tanto na essência como no caminho que ilustram e apontam, ao nível do carácter, do comportamento moral, da compreensão e da acção social.
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Alguém, de boa fé, aceita criticar a forma como Jesus é apresentado pela Igreja, a sua maneira de viver, de partilhar, a abnegação constante, a vontade indómita de lutar políticamente contra o poder instituído que considerava iníquo e, igualmente importante, a capacidade de sofrer, aceitando o seu sofrimento como exemplo para todos os outros ?
Foi este conjunto de valores, inscritos nos crucifixos, substantivamente, que o Governo pretendeu erradicar das escolas ?
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São estes os valores a que António Costa apela agora, na altura de cativar votos ?