12.10.10

Titubear por entre as palavras e os conceitos ... exercíco nacional muito na moda.

Aprova-se o Orçamento de Estado (OE) para 2011 ?
Claro que sim.
Mas este vai provocar uma recessão...
Pois vai.
Mas essa recessão não vai obrigar a novas medidas penalizadoras dos rendimentos das famílias e das empresas ?
Vai, por resultar numa diminuição do rendimento nacional...
Estamos então num círculo vicioso, onde a cada pacote de austeridade se sucede novo pacote de austeridade.....
Assim é, de facto....
Não será então melhor tomar outras medidas já ?
Aprovar o OE de 2011....
Mas essa aprovação não declina nos sucessivos pacotes de austeridade e na redução sistemática do rendimento nacional ?
Sim.... mas qual é o problema ?
Bom, não poderá o problema situar-se ao nível da capacidade de cumprir com as nossas obrigações, por estarmos envolvidos num remoínho que obriga a reduções da despesa pública e da despesa das famílias e investimento privado, que vão implicar novas medidas correctivas, que vão resultar numa rediminuição daquelas componentes do rendimento nacional, que vão obrigar à aplicação de repetidos aumentos na carga fiscal, à rediminuição da despesa pública, mantendo-se a economia sempre em recessão ?
Bom...sim...
Então concorda que não haverá capacidade de criar poupança no país ?!?
Parece-me que sim; bom, claro, a poupança não vai ser possível em recessão. Concordo....
E não há um limite para os cortes na despesa e para a diminuição do rendimento das famílias e das empresas ? Imagino que nessa altura o desemprego já esteja nos 25%....
Há um limite, claro que há. Há um limite para tudo.....
E como se sabe que já atingimos o limite ?
Mesmo antes de acabar o pão......quando terminar o apoio internacional....
Mas esse momento pode estar próximo, mesmo aprovando o OE 2011...
Poder pode, mas não é já....e entretanto estamos na Europa, na zona euro, somos parceiros dos alemães, dos franceses, dos holandeses, dessa gente com outra estirpe, com quem convivemos muito bem em Bruxelas e que nos garantem o status quo político, as nossas prerrogativas. Detestaria ter-me envolvido na política para ficar ligado a um desastre, como aconteceu com os políticos da I República....
Mas esse desastre não está próximo ?
Esperamos que não, mas para não estar é necessário aprovar o OE para 2011....
A ver se percebo: a economia nacional vai ser recessiva; à austeridade segue-se mais austeridade; a dependencia de capitais externos irá aumentar; a vontade dos nossos parceiros comunitários concederem pacotes de ajuda financeira suplementar é nula (já o fizeram com a Grécia e tenho dúvidas que a ajuda atinja os montantes acordados); a economia nacional sendo recessiva gera cada vez menos rendimento, o mesmo é dizer liquidez, poupança; a capacidade de fazer face aos compromissos será, cada vez, mais sofrida; a população viverá cada vez pior, levando ao encerramento de empresas, de comércio, de serviços, aumentando exponencialmente o desemprego. Não é este o desastre que nos espera e que mais teme ?
É esse mesmo, por isso é necessário aprovar o OE para 2011...
Mas não é o OE para 2011 a cereja em cima de um bolo que já vem estragado de há muito ?
Ser é, mas não podemos deixar o euro nem podemos deixar a união europeia....
Mas porquê ?
Isso não sei, eu nem sei fazer contas nem lidar com modelos matemáticos; a única coisa que sei é que temos de nos manter no euro...
Então a razão é essa.....hmmmm.....
Encontra outra ?
Talvez a sua retórica ronde, neste caso concreto, a pura imbecilidade alimentada pelo prato habitual da ignorância daqueles que se habituaram a ser autistas políticos. Porque não percebem que os campeonatos entre países tão diferentes são diferentes, porque a economia portuguesa nunca esteve perto da economia alemã, porque entrar no euro foi um enorme exercício de imbecilidade e incompetencia económica. Porque nos colocou fasquias e regras impossíveis de cumprir, porque a entrada na União Europeia foi baseada na miríade de fundos estruturais e sacudida pela imoralidade da aplicação desses fundos, que se atesta hoje, em nada ajudaram Portugal, bem pelo contrário, contribuíram para um comportamento relapso nas finanças públicas, nas empresas, na agricultura, na atribuição excessiva de crédito aos particulares. Porque sempre fomos parceiros menores. Porque aceitámos regras e deficites, convictos que por nos serem impostos, seriam mais fáceis de cumprir, numa altura em que a economia alemã e portuguesa cresciam a 5% ao ano - sendo os nossos anos de maior crescimento suportados, sempre, por aumentos na despesa pública - com a enormíssima diferença que o nosso crescimento não era sustentado, enquanto o alemão se baseava numa economia consolidada, onde 5% de crescimento era muito: na realidade, nessa altura deveríamos estar a crescer no mínimo a 12%. Porque perdemos o último reduto económico: o instrumento cambial, a moeda. Porque um possível empurrão alemão para a saída de Portugal do euro é mais que certo, com ou sem OE para 2011, porque é cada vez maior a hostilidade, quer nos mercados, quer nos governos, em particular no alemão, que está mais disposto a reconfigurar a zona euro do que a acudir a países que considera incumpridores relapsos. Porque recuperar a moeda é a única solução para resolver os nossos problemas; a recuperação da moeda e da liberdade fiscal, para podermos promover o país como um destino interessante para os capitais. A propósito, como pensa criar emprego e riqueza no contexto que lhe descrevi ?
Nunca pensei muito nisso... a bem da verdade nem sei. Só sei que não podemos deixar o euro e temos de aprovar o OE para 2011....

As nossas Inevitabilidades...e retiram a comparticipação aos psicofármacos ?

Este é um país cheio de inevitabilidades. Cito só algumas: foi a nacionalização dos meios de produção, da agricultura e do sistema financeiro, imprescindível para a revolução de Abril, inevitável; depois a descolonização vergonhosa, feita à pressa, entregando tudo sem honra e deixando o poder cair nas mãos dos movimentos apoiados por Moscovo, inevitável; a destruição dos cursos técnicos e a pantomina das sucessivas reformas na educação, inevitável; de seguida a destruição da agricultura e logo a seguir a destruição da indústria pesada, inevitáveis (percebemos finalmente porque razão tinha de se acabar com a formação técnico-profissional); depois a inevitabilidade da CEE; logo mais à frente o desígnio nacional da União Europeia; antes porém a inevitabilidade de fazer mais quilómetros de auto-estrada do que apostar seriamente no ensino e na qualificação da mão-de-obra; depois a inevitável e tão aclamada moeda única; a destituição de um primeiro-ministro social-democrata, mais do que inevitável, para colocar à frente dos destinos da Nação José Sócrates, inevitável como a chuva em dias de Inverno; finalmente a inevitável debacle do sistema económico/financeiro portugues, ou pelo menos do que restava dele; e agora a inevitabilidade de aprovação deste OE para 2011.
Se algumas das inevitabilidades mencionadas se tivesse mostrado efectivamente vital, poderíamos conceder o benefício da dúvida, mas como tal não acontece, não percebo esta última inevitabilidade; provavelmente é mais uma inevitabilidade a evitar com muito empenho.

11.10.10

"CE autoriza tranferência de fundos do novo aeroporto para o TGV".
.
Se acaso estão tão preocupados como querem parecer, com as contas públicas nacionais, autorizem a tranferencia de fundos para fazer face ao buraco das contas públicas.

A necessidade de ir até ao fim......

De acordo com a Senhora que apresenta o prós e contras e representa o aparelho, acaso o OE não seja aprovado, estaremos "num beco sem saída".
Muito provavelmente estaria a pensar em si e em todos que vivem do sistema. Porque para os outros haverá sempre saída, mais ou menos sofrida, mas haverá saída.
Algumas vezes critiquei a postura de Pedro Passos Coelho e assumi essa postura neste espaço; havia alguma fragilidade na postura, alguma transferencia de dúvidas e incertezas que pareciam sedimentar-se na ausencia de uma carreira, carreira mesmo, que sopunham distanciamento em relação aos problemas reais de Portugal, da sua população. Algumas vezes o fiz, porém hoje tenho de assumir que as críticas, por ora, se mostram infundadas. A sua posição é inatacável e as oportunidades que tem são fantásticas, do ponto de vista político.
A questão, para mim, mantém-se na existencia ou não de vontade política para ir até ao fim: não há nenhum abismo ou cataclismo à espera de Portugal, acaso o OE não seja aprovado, desde que haja capacidade para tomar as políticas adequadas e a inteligencia de as defender intransigentemente.
Haverá um período curto de um mês, se chegar a tanto, em que parecerá que o mundo nos irá cair em cima, mas depois o que verdadeiramente interessa é receber o dinheiro emprestado a Portugal, pelo que tudo se tornará inexplicavelmente mais fácil.
Espero que Pedro Passos Coelho não permita a aprovação do Orçamento de Estado, acabando com toda a cabala dos constragimentos fingidos e da irreversibilidade que, forçosamente, se irão abater sobre os portugueses.
A altura é de desmistificação; pede-se que assuma a posição até ao fim. E esta não é, sequer, uma posição de coragem, mas de verticalidade, honestidade e patriotismo.

10.10.10

O problema no problema.....

O problema reside no problema. Ou seja, com ou sem orçamento de Estado existe um problema.
Vejamos: a grande questão nacional do momento, aquela que conjuga na perfeição a grave situação que assola o país é, a saber, a questão da aprovação ou não aprovação do OE por parte do PSD. E os apelos que se sucedem não são diferentes dos demais: é necessário aprovar o OE, sob pena de acabar o crédito à República Portuguesa, o mesmo é dizer ficar o país sem liquidez para fazer face aos seus compromissos e, muito mais perigoso, ficar sem soluções na área do apoio económico, por parte das instituições financeiras.
Em vista das sondagens dadas a conhecer pela TVI, tornou-se claro que em Maio do próximo ano, atendendo à subida de votos quer de CDS/PP, PCP e BE e, perante uma proximidade percentual entre PSD e PS, respectivamente com 35% e 32% de intenções de voto, que o país não terá qualquer viabilidade parlamentar. Como não tem agora.
Porque vejamos, ou o PSD deixa passar o OE do PS, como o PS quer ou, caso contrário, estará a "enterrar" o país, a ser totalmente contra os interesses nacionais, a não ter qualqer sentido de responsabilidade.
E o que se passará daqui a um ano, acaso este OE seja aprovado na Assembelia da República ?
No próximo ano as medidas de austeridade continuarão a aumentar - porque a situação económica recessiva de Portugal não será de (apenas(?)) 1,8%, como o déficite este ano não será de 7,3% - porque a economia não correspondeu porque se encontra recessiva, em virtude das medidas de austeridade do ano de 2011, obrigando a mais austeridade, a que se seguirá novo período recessivo, que implicará novas medidas de austeridade, leia-se recessivas. Contudo, as exigencias exteriores estarão sempre a aumentar e a dificuldade de financiamento da economia nacional, através de capitais externos, irá forçosamente aumentar até nos fecharem em definitivo a porta, ou praticarem juros insuportaveis, o que dará no mesmo.
Seguindo a mesma leitura das intenções da sondagem, a tendencia de aumento de voto nas franjas do eleitorado mais extremado continuará a aumentar (o BE pode ser considerado um outliner, o CDS/PP não) por descontamento e por comportamento humano conhecido, a incapacidade de formar governos de maioria absoluta assumir-se-á como um facto consumado, e as possiblidades de entendimento dentro do parlamento esfumar-se-ão totalmente, como agora já se verifica.
E se o Orçamento de Estado (OE) não for aprovado ?
Provávelmente acontecerá o mesmo, mas de forma mais rápida. Ou seja, as más notícias já chegaram mas ainda não chegaram todas; na 2ª hipótese chegam todas de uma vez.
Mas a pergunta subsiste: quais os instrumentos económicos a aplicar que irão permitir uma recuperação da situação dramática em que vivemos ? Os instrumentos de política económica que justificam os enormes sacrifícios em nome da despesa pública, que nos permitam pensar que a situação é passageira ?
Esses instrumentos económicos não existem, portanto o esforço é todo de tesouraria mas a grande questão mantêm-se: como vamos pagar o pão e as batatas amanhã ? Ou por outra palavras, como é que vamos pôr a economia portuguesa a crescer, o rendimento nacional a crescer, a receita do estado a aumentar sem ser através do bolso do contribuinte, reduzindo assim a actividade económica a um redondo zero ?
Aprovamos agora um OE totalmente errado, porque conduz a economia nacional à recessão, porque temos um objectivo de curto/médio prazo económico ?
Ou aprovamos porque sim ? Porque é necessário continuar a receber fundos de fora, a financiar a economia portuguesa através da riqueza criada por outros, a sujeitarmo-nos aos juros que queiram praticar, porque o dinheiro é deles (Teixeira dos Santos já pôs hoje as barbas de molho em relação ao juro futuro, não descartando a possiblidade de recorrer ao fundo especial do BCE e ao FMI).
E até quando estará o contribuinte alemão e frances na disposição de pagar os excessos das economias marcadas pela corrupção e novo-riquismo ?
.
O que o comentador Marcelo Rebelo de Sousa nos disse hoje na TVI foi, sem tibiezas, que no actual quadro político nacional não há solução visível, seja qual for o quadro parlamentar, presente ou futuro. Hoje o Professor Marcelo Rebelo de Sousa (MRS) ultrapassou o comentador MRS e falou.
.
De facto, todos nós temos esta visão, esta vertigem: quanto mais nos for pedido, exigido, mais extremada irá ficar a sociedade portuguesa, maior dificuldade em encontrar um partido maioritário na Assembleia da República, maior a dificuldade em governar e ser governado.
Porque é claro hoje e a ninguém levanta dúvidas, Portugal só é governável com maiorias absolutas, o que está muito longe do espírito do que deve ser uma democracia.
Em Portugal o consenso não existe, o interesse nacional nunca existíu, a vontade colectiva cede perante o egoísmo individual e, acima de tudo, o faz-de-conta educacional/cultural/intelectual mata este país, literalmente.
Não sabemos o que queremos, como queremos e como lá chegar.
.
Aqui chegados exige-se um ponto de situação: o que fazer.
Perante os dados que já lancei em escritos anteriores, depois da virtuosa e brilhante lição que colhi hoje (embora com conclusão a contra-golpe da intenção do Professor, reconhecendo que Maio de 2011 está noutro universo, mas sabendo igualmente que os estados não são empresas; podem falir mas não fecham as portas nem despedem ninguém), resta-me pensar que a melhor solução é não aprovar o Orçamento de Estado (OE) para 2011.
Se a situação não vai melhorar - recessão à vista e sempre a piorar, por falta de desempenho económico- e se essa situação conduz a uma cada vez menor governabilidade do país, resta-nos a solução de acelerar os processos - se vem uma crise de liquidez que venha já; se há medidas que vão ter de ser tomadas que o sejam já; se vamos ser forçados a sair da zona euro que o façamos nós, já - e esperar que das dificuldades maiores que se irão instalar saia a solução que nos conduza para a luz e nos liberte da escuridão em que vivemos mergulhados.
Para o fazer é necessário, contudo, ter a coragem de deixar primeiro a zona euro e, depois a União Europeia, partindo para uma Free Trade Area com os nossos actuais parceiros.
§
O país não está preparado para elevadas taxas de juro, resultado da taxa de inflação resultante da desvalorização da moeda-escudo, mas teremos de considerar que os ajustamentos aos salários nominais obrigatórios, mesmo não chegando perto da taxa de inflação e de juro, poderão ficar no máximo a 8 pontos percentuais de distancia.
Hoje já temos uma inflação escondida de quase 17% e valores mais altos se aproximam, o mesmo é dizer, a desproporção entre rendimento e custo de vida já está nos 17% porque não há lugar a ajustamentos de qualquer espécie.
Por mim, prefiro a primeira hipótese à segunda, mesmo não estando ainda mentalizado para uma escalada dos juros.
.
Nota: essa escalada pode suceder mesmo sem medidas de qualquer espécie de Portugal; basta a Euribor, como é esperado, começar a crescer, quando a economia alemã, no final de 2011, tiver um crescimento de perto de 3%: a partir daí o esforço do BCE irá no sentido de evitar movimentos inflacionistas na zona euro.

9.10.10


In Memoriam.... John Lennon

John Lennon era (é) um génio.
As suas composições e líricas vencem o tempo, esse grande arquitecto, e mantêm-se actuais sendo ouvidas por todos.
Num plano muito superior aos Beatles, enquanto agrupamento musical - que tirando algumas composições de St. Pepper´s e Abbey Road nada mais têm para acrescentar à música - John Lennon mostrou toda a sua genialidade no período pós-Beatles, consagrando o princípio de que o agrupamento era uma grilheta para o seu génio poético; a capacidade de casar poesia com música só sobressai esta constatação.
Não se discute a capacidade compositória de Sir Paul McCartney, mas esta mostra-se todavia inferior, por muito trabalhada que fosse, à de John, que sabia incutir na composição melódica a simplicidade que a exigente e complexa construção poética exigia.
Foi uma pena John, que um qualquer louco roubasse a este mundo tão carente, um dos seus maiores génios.

7.10.10


Só cosmética....

Tanta cosmética orçamental leva, inapelavelmente, à descridibilização da governação, das contas públicas e, por arrasto, à descridibilização de toda a economia nacional.
Como acreditar num único número, se as jogadas contábeis são tão evidentes: o recurso a receitas extraordinárias tornou-se uma prática comum, como se fosse possível fazer depender (des)equilíbrios orçamentais constituídos por receitas ordinárias, através do recurso sistemático a receitas extraordinárias; por definição estas esgotam-se no momento em que são utilizadas. Mas há pior: utilizar incorporação de fundos de pensões preenche lacunas orçamentais e financia o estado, mas constituem-se elas próprias em dívida do estado; ou por outras palavras, tapam agora para ficarem a descoberto logo a seguir. O registo de dívida futura aumenta, não diminui nem se mantem, juntando-se a toda a restante dívida constituída, por exemplo, com as parcerias público-privadas e com obras como as SCUT - quando Guterres inventou esta semantica, houve quem alertasse para os custos futuros mas, uma vez mais, ouvidos de mercador e pensamento nos votos, suportados pela demagogia deste PS e desta esquerda.
Desta forma é fácil perceber porque razão, aos custos anuais de um estado gordo e sem moral (clique aqui e experimente fazer uma pesquisa simples, como "jantares" ou "almoços", "mobiliário", entre tantas outras possíveis), se juntam uma catrefa de despesas enormíssimas que contribuem para o avolumar da despesa pública anual; acresça-se o aumento constante dos juros sobre a dívida pública e percebe-se que esta é uma espiral em crescimento acelerado.
Não há moral para exigir tantos esforços a uma população que nada tem recebido em troca, a não ser o avolumar das incertezas no futuro.
Depois, no fim, depois ainda é necessário maquilhar as contas públicas, com jogadas contabilísticas, para ir tapando o buraco enorme em que nos encontramos todos. E quando um dia já não for possível enganar mais ninguém, resta a pergunta: a quem entregar as chaves deste país ? E esse dia está próximo.

6.10.10


A inflação escondida....

Para todos que defendem a moeda única como um garante inestimável da estabilidade dos preços (leia-se controle da inflação), façamos umas contas simples:

(1) Taxa de inflação na zona euro em Setembro: 1,8%

(2) Aumento do IVA em Portugal nos ultimos dois anos: 4%

(3) Diminuição média esperada dos vencimentos dos funcionários públicos (de acordo com OE 2011): 6,7%

(4) Diminuição do rendimento médio das famílias esperado, por medidas anunciadas no OE 20111: 3,3%

(5) Aumento médio da carga fiscal sobre as famílias (de acordo com OE 2011): 3%

(6) Diminuição do salário real dos trabalhadores ligados à actividade privada (considerando congelamento dos salários): 1,8%

Feitas as contas temos:

1,8 + 4% + 4,5% (a) + 3,3% + 3% = 16,6 % ou, por outras palavras, inflação esperada para Portugal no final de 2011 igual a 16,6%, da qual quase 15% é gerada por medidas financeiras impostas políticamente.

Onde pára então a estabilidade dos preços garantida pela zona euro, no que a Portugal diz respeito ? E no ano de 2012 vai continuar a aumentar.
A diferença reside no facto desta inflação estar a ser imposta sem qualquer plano estratégico de médio/longo prazo, enquanto qualquer outra que adviesse de uma saída da zona euro teria a virtude de resultar de medidas económicas concretas, com vista a encontrar uma saída para o aumento do PIB nacional.
nota: (a) resulta da média ponderada entre abaixamento de salarios reais na função pública e na actividade privada.

O costume: ou fazemos por nós ou ficamos à mercê....

Se as últimas medidas de austeridade forem aplicadas, a economia portuguesa vai entrar em recessão no próximo ano, contraindo 1,4%.
O aviso foi deixado hoje pelo Fundo Monetário Internacional (FMI) na apresentação do seu World Economic Outlook, em Washington.

(...) Ainda assim, o FMI apoia a decisão do Governo de intensificar os cortes no défice. "Portugal está sob muita pressão e por isso aplaudimos a decisão do Governo", garantiu Dressing. É que Portugal faz parte do grupo de países que não tem margem para fazer uma consolidação mais calma, que lhe permitisse proteger a economia da recessão.


Pois, normal, nada de novo. Há recessão, pois é, nada a fazer, lá terá de ser. Não se pode mesmo fazer mais nada. Portugal está amarrado de pés e mãos; não dispõe de instrumentos económicos, nomeadamente o instrumento cambial.
Nada a fazer senão viver em recessão.
O FMI é muito vivo e ladino nas suas conclusões. Se tivessem que aplicar medidas em Portugal fariam exactamente o mesmo, porque na realidade, na situação actual, nada mais pode ser feito. Não se trata aqui de determinar saídas para a nossa complicadissíma, frustrante e dramática situação económica; trata-se de salvaguardar as finanças públicas, as nossas responsabilidades para com o exterior, diminuir os factores de contágio para a zona euro e quanto ao crescimento económico, enfim, se nós não conseguimos nada em 36 anos porque razão deverá o FMI preocupar-se com isso agora; nem sequer faz parte das suas atribuições: são chamados para situações de aperto de tesouraria (exemplo Argentina, México, etc.) e nunca para opinarem quanto a eventuais soluções económicas.

4.10.10

Documento:

Os 100 Anos de República Monárquica

aqui:http://www.slideshare.net/s19yorky/os-100-anos-da-repblica-monrquica

É fundamental mudar.....

A pescadinha vai de rabo na boca.


Aumento de impostos, directa e indirectamente, redução dos salários reais, directa e indirectamente, diminuição do poder de compra, redução da actividade conómica, por redução do consumo, da poupança, do investimento, rendimento nacional a diminuir, menos impostos a cobrar significando menor receita, diminuição da despesa mas insuficiente para fazer face ao deficite crescente, implicando aumento da receita fiscal por aumento de impostos, redução salarial, através demecanismos que actuam directa e indirectamente sobre o rendimento das famílias, provocando diminuição do poder de compra, etc., etc., repetindo-se o ciclo eternamente. E a economia estagna primeiro e apresenta crescimentos negativos depois, período após período até definhar.


Consequencia imediatas: perca total da credibilidade enquanto estado soberano; perca da soberania; saída da zona euro; miséria nas ruas.


Este é o cenário actual, implacável no seu avanço fulminante sobre as demagogias políticas e os discursos de pacotilha.


Solução:


(1) saída da zona euro;


(2) saída da UE;


(3) proposta de criação de uma Zona de Comércio Livre(ZCL) entre a UE e os países da Europa que estão fora da União Europeia.



Esta solução é tão necessária para Portugal como o é para Espanha, Grécia, Itália e irlanda.


Contudo, em sério risco de ser "desqualificados" enquanto estados-membro, Portugal e Grécia estão à cabeça.



A solução impõe-se por várias razões , salientando-se as seguintes :



(a) recuperar o instrumento cambial (moeda);


(b) alterar as disposições actuais no que respeita à capacidade de explorar o comércio internacional, no que concerne a condições mais vantajosas de aquisição de bens e produtos;


(c) aumentar a competitividade das empresas nacionais;


(d) jogar com políticas próprias e não por políticas que nos chegam pela porta de Bruxelas;


(e) facilitar a fixação de investimento, quer nacional quer estrangeiro, através de políticas fiscais agressivas (impossíveis agora no actual quadro comunitário);


(f) ajuda às empresas nacionais (outra necessidade interditada).



Não vejo outro caminho.


A não ser este serão trinta, quarenta, cinquenta anos de puro sofrimento, não vendo bem como, quando e onde se conseguirá debelar a crise, esta crise tão nossa, tão portuguesa.


É necessária a coragem política para deixar o euro, a União Europeia, estabelecer acordos comerciais dentro do espírito de uma ZCL com a União Europeia, criar condições de sustentabilidade da industria pesada, de política de solos e agrária que vá de encontro a parte das nossas necessidades, recriar as pescas, explorar as nossas milhas marítimas tão ricas, enfim, aumentar as exportações diminuindo a dependencia do exterior.
Finalmente e mais importante, criar rápidamente condições de empregabilidade, fazer crescer o produto, diminuir as desigualdades, fomentar o consumo, a poupança e o inerente investimento.


Mas tudo isto só é possível se não estivermos sujeitos ao garrote de Bruxelas e da moeda única.

30.9.10


Estamos entalados.....

Ficámos a saber que não temos alternativa; estamos falidos. Toda a preocupação vai para a gestão de tesouraria, a liquidez do dia-a-dia, pagar atempadamente as obrigações.
O orçamento não se preocupa com o desemprego, com a miséria, com a exclusão social.
O orçamento tem uma única preocupação: tentar salvaguardar os compromissos financeiros diários.
O pior é que as medidas são duras mas insuficientes e, no próximo ano, serão necessárias mais, que terão de passar pela dispensa de funcionários públicos, pela falencia de ainda mais empresas, de aumento implícito do desemprego.
Honestamente, não há condições de aumentar a poupança em Portugal nos próximos anos; o estado come tudo e não deixa nada.
Esta situação cria as condições para a ausencia de soluções nos próximos anos.
E o que custa mais é ouvir, reiteradamente, sempre as mesmas falácias, sempre as meias-verdades e as mentiras puras, as mudanças de discurso sempre dos mesmos, que tanto serviram para afundar o país como agora aparecem como os únicos capazes de o salvar. Também este repetir político concorre para a ausencia de soluções.

29.9.10

A incorporação do fundo de pensões da PT no estado implica que todos os valores que asseguram os planos de pensões regulamentares dos actuais e ex-funcionários, bem como os valores que se destinam a fazer face às responsabilidades dos mencionados fundos de pensões, serão inteiramente destinados a fazer face ao défice doe stado, à despesa efectuada, deixando de garantir coisa nenhuma, valendo peva. Assim, o suposto acordo a fechar com o estado portugues não garante quaisquer termos e/ou condições; não garante nada.
Este acordo significa que já passámos a fase dos aneis e já estamos a disponibilizar dedos, pelo menos de todos os funcionários, actuais e passados, da PT.
Continuamos no caminho das receitas extraordinárias para fazer face a despesas ordinárias; estas mantêm-se, aquelas acabam.
nota: não sou nem nunca fui funcionário da PT ou qualquer afiliada.

Nem aceitável nem admissível.....

Não é aceitável nem admissível, que todos os agentes políticos que viveram e vivem à sombra da péssima condução política que derrotou este país, venham agora dizer, saciada que está a sua fome de protagonismo e de materialização económica, que todos os outros não têm direito a gozar da saúde, da educação, da justiça e da habitação, direitos consagrados na Constituição, que os mesmos se encarregaram de ir propalando que era uma das mais avançadas do mundo.
Não é aceitável nem admissível.

A inevitável necessidade de redução da Despesa Pública.....


Considerar que as deduções à coleta em sede de IRS é um desperdício, como o fez o Senhor Secretário de Estado, constitui-se em si mesma como uma afirmação que desperdiça o "nosso tempo", porque verificamos que o tempo dado ao governo, que é o "nosso tempo", tão necessário para a resolução dos graves problemas que o país atravessa, não é aproveitado pelos governantes.
As deduções à colecta são um factor de justiça na redistribuição dos rendimentos, permitindo em simultaneo um aumento da liquidez disponivel para as famílias. O nível de impostos em Portugal impede as famílias de fazerem qualquer tipo de poupança e, concomitantemente, impossibilita um aumento do consumo, tão necessário para a recuperação económica.
A carga fiscal é pesadíssima e desproporcionada: a classe média é a mais afectada e todos sabemos que um país saudável necessita de uma classe média sólida.
Reduzir as deduções à colecta, aumentar o IVA, em suma aumentar directa e indirectamente a carga fiscal é intolerável para a economia nacional; alimentar um estado gordo à custa de uma população magra é um erro fatal.
É precisamente na Despesa Pública que os cortes têm de ser efectuados.
Cortar na despesa pública não implica cortar na Saúde e na Educação em si mesmas.
Implica, sim, cortes em todos os gastos estúpidos, burocráticos, de má prática de gestão, de uma frota automóvel inacreditável (mil milhões de euros de custos anuais), de salários de milhares de funcionários públicos que nada produzem, pagos através de todo o aparelho estatal, todas as empresas estatais, todas as fundações, institutos públicos, scuts (custaram e ainda custam uma barbaridade por ano) e todas as restantes empresas onde o estado está presente indirectamente, bem todos os subsídios que contribuem para a manutenção de uma situação de laxismo na sociedade.
A empregabilidade criada pelo estado disfarçou, durante anos, a ausencia de competitividade de Portugal, encapotou o encerramento de empresas importantes para a nossa economia . industria pesada - e a falencia do sector agrícola. Durante anos viveu-se uma mentira do tamanho do mundo, resguardada também por todos os valores que entraram via Bruxelas, que todos teimaram em chamar de subsídios, mas que de facto não se trataram senão de indemnizações.
Cortar na despesa é fundamental e a única política possível de controlo orçamental; qualquer outra - aumento de impostos - contribui directamente para a retracção económica, para o avolumar das dificuldades do país, das famílias, do desemprego, aumento da miséria do Estado.
É fundamental que o estado deixe de comer, em despesa corrente (a despesa não produtiva) um pouco mais do que metade de toda a riqueza nacional.
Mas não é este o cenário que se nos apresenta; pelo contrário, o deficite público será em 2010 superior ao de 2009: pelas contas actuais, o deficite deverá chegar aos 10,3% contra os anteriores 9,4% (e já estou a considerar uma redução no 13º mes).
§
A sensação que tenho - sensação ? - é que ninguém sabe mais o que fazer deste país. É uma sensação estranha, arrepiante, perigosa, assustadora.

27.9.10

Opiniões e conselhos....

Todo e qualquer tasco já tem opinião sobre o que se há-de fazer em Portugal. Não importa se a opinião é válida, o que importa é ter opinião.
Todos têm uma opinião, boa ou má, menos os políticos portugueses: esses não sabem, simplesmente, o que fazer.
Agora foi a vez da OCDE. Entre as medidas preconizadas encontra-se: "Estes cortes ao montante de imposto total a pagar - que se podem fazer através da apresentação de despesas com a saúde, a educação ou a habitação, por exemplo - "beneficiam mais os contribuintes com rendimentos mais elevados", garante a OCDE".
Pois, estes rendimentos mais elevados (e a definição de elevado em Portugal é muito subjectiva) são os mesmos que não beneficiam do estado em situação nenhuma: nem na educação, nem na saúde, nem na habitação, simplesmente porque pagam do seu bolso, integralmente, todas estas despesas. Aquilo que deduzem, perto do que consomem, é ridículo, mas é a estes que se quer supostamente retirar regalias: não é não; o que se pretende é tirar regalias a quem realmente necessita delas, mas joga-se o argumento dos rendimentos mais elevados para tapar o Sol com a peneira.
Não se fala sério em Portugal há mais de trinta anos. Não há coragem política há mais de trinta anos. Há muito compadrio, muita cacicagem, muitos favores há mais de trinta anos e, todos estes mais, têm morto Portugal, a sua economia, as suas gentes.

26.9.10

Há boas e más notícias.

Primeiro as boas: Portugal já não está em crise.

Agora as más: Portugal está morto, morreu e não ressuscita em três dias.

15.7.10

O baixar sucessivamente do rating da República portuguesa, por parte de agencias, como sucedeu esta semana com a Moody´s, mostra claramente que o mundo financeiro não acredita nem no governo, nem na possível oposição como governo.
A proposta de Paulo Portas só pode ser lida e contextualizada neste sentido: união nacional política en torno dos problemas nacionais, como resposta à desconfiança.
O problema reside na falta de arejamento político tão necessário: é que os actores todos, e são muitos, são sempre os mesmos. Mesmo com uma coligação alargada de governo, duvido que a opinião internacional se alterasse.
§
Não sei quais os bancos que poderão falhar o teste de stress, ou mesmo se algum falhará, mas o BPI não falha certamente.

9.7.10

Note-se que tudo o que é escrito nada tem a ver com pessoas, mas com conceitos. Assim, a referencia a nomes advem da crítica ao pensamento e não à seriedade que cada um incute nas suas próprias opiniões. No caso concreto da PT/VIVO o que se discute é a noção de estratégico, face ao interesse do país, como no passado se discutíu o interesse estratégico da industria pesada em Portugal. Na altura considerou-se estrategicamente desnecessário e acabaram-se com grandes unidades (CUF/Quimigal, Siderurgia Nacional, Mague, entre muitas outras) que hoje se mostrariam cruciais para o arranque do país (nem estaríamos como estamos, economicamente falando, acaso a industria pesada existisse em Portugal).
§
Entretanto as acções da PT estão a deslizar: nada de novo; vamos lá comprar em baixa para realizar mais valias no curto prazo. Para aqueles que definem o market value das empresas, as acções da PT só estariam bem se fosse possível encaixar uns milhões da Telefónica, não porque a PT ficasse bem, mas porque os títulos iriam permitir uma enormíssima especulação, momentanea, que permitiria aos fundos de investimento encaixarem uns milhões e deixarem os pequenos aforradores em maus lençois, quando o valor das acções começasse a cair, em virtude da perca de performance, leia-se resultados, da PT derivada da ausencia de uma operação brasileira chamada VIVO.

8.7.10

Na Quadratura do Círculo, esta noite, José Pacheco Pereira, falando sobre o negócio da PT/VIVO, pretende não ter formação jurídica para se pronunciar sobre uma decisão tomada pelo Presidente da Assembleia Geral da PT, mas pretende ter competencias económico-financeiras para falar sobre o negócio. Porque razão não falou sobre questões de índole e carácter jurídico ? Tem tantas competencias nesta matéria como sobre as outras referidas. Mas não esteve sozinho nas referencias erradas, Lobo Xavier fez-lhe companhia.
A razão para a existencia de alianças internacionais, internacionalizações, tem a ver com dois factores fundamentais: capacidade financeira e, igualmente, capacidade e modelo de gestão.
Um dia o Brasil não necessitará, nalgumas áreas de negócio, da participação de empresas portuguesas ou espanholas. Mas até lá necessita, como a EDP para se internacionalizar na América do Sul necessitou de um parceiro chileno. Porque tem mais competencias técnicas ? Não. Porque conhece o mercado como a EDP não conhece.
Se é importante estratégicamente a posição da PT no Brasil ? Claro que sim, fundamental mesmo.
Nota final: o comportamento bolsista não se rege por resultados e performances económicas e financeiras das empresas, mas por impulsos, por momentos de euforia seguidos de depressão, que nada têm a ver com a performance das empresas ou do comportamento das economias onde estão inseridas. São atitudes meramente especulativas: se assim não fosse, não haveria risco associado à bolsa (excepto o risco mínimo de análise das contas e da sua correcção e fiabilidade).Mas deixem-me ainda perguntar: não sendo fundamental para Portugal estar presente no mercado brasileiro, porque será para a Telefónica (leia-se Espanha) assim tão fundamental ? E não foi a Administração da PT que garantíu ao governo que tinha o núcleo duro contra a venda ?

2.7.10

Presidente da República dixit:

"Desde que se respeite o quadro legal, o Governo tem todo o direito de utilizar os instrumentos à sua disposição para defender o que considera ser o interesse estratégico de Portugal".
Afirmação hoje do presidente da República,Cavaco Silva, nas primeiras declarações sobre a utilização, da parte do Governo, da ‘golden share' na PT para vetar a venda da Vivo aos espanhóis da Telefónica, aprovada por mais de 70% dos accionistas em assembleia-geral.

"O governo considerou que estava em causa o interesse estratégico de Portugal", disse o Presidente da República.
Não deixa de ser curioso, mesmo um puro exercício de hipocrisia, que o país mais protecionista e lobista da União Europeia venha invocar regras, regulamentos e supostas virtudes europeias de combate aos protecionismos.

30.6.10

Todas as empresas portuguesas são opáveis.
A PT é tanto menos opável quanto maior o peso de capitalização bolsista que tiver.
Vendendo a VIVO, a PT é mais opável. Mais vulnerável.
Oferecer 90% do valor bolsista da PT (que não inclui os 50% de capital na VIVO) por 50% da VIVO mostra o valor desta participação. E continua a crescer.
Os 7,15 mil milhões entravam no país, iam para fundos de pensões e para operações, mas que operações ?
Em África não, porque o tecido jurídico não permite veleidades de investimento baseados em licenças; no Brasil seria trocar uma posição de liderança no mercado por uma outra empresa não líder: estas operações têm um custo elevadíssimo (caso contrário a Telefónica já teria avançado nessa opção).
As Alianças Estratégicas fizeram-se para crescer, ganhar competencias e capacidade financeira, e também para acabarem. Acabam sempre, sendo que a duração média é de cerca de 3 anos e a duração máxima esperada 7 anos. Assim, nada de novo nesta posição da Telefónica.
E nada mais ficcará igual, porque falamos de um mercado importante, de receitas importantes e de um modelo de gestão diferente (que tem sido consensual através de cedencias).
A altura é de procurar parceiros financeiros.
A Questão PT/VIVO.... e Agora o Futuro espera a PT....

A PT não é uma empresa carente tecnologicamente. A PT procurou a Telefónica para ter acesso a recursos financeiros que lhe faltavam e, assim, a parceria surgíu a 50/50 %.
O mercado escolhido foi o Brasil, por razões óbvias: os mercados emergentes e em desenvolvimento apresentam reacções e estímulos que contribuem para um aumento da competitividade e ganhos de mercado impossíveis em mercados maduros.
A escolha do parceiro deverá evitar, também, que um deles tenha uma dimensão muito superior ao outro, para fugir a tendencias de canibalização (como agora pretende a Telefónica).
Mas estará a Telefónica a ser simpática, quando aumenta sucessivamente o valor de aquisição da parte da PT na VIVO ? O último valor oferecido foi de 7,15 mil milhões de piastras.
A resposta é não.
O mercado nacional é pequeno, não elástico, não permitindo taxas de crescimento que alavanquem os recursos e as necessidades das empresas nacionais. Assumindo e verificando esta constatação, percebe-se porque razão a PT está refém do crescimento no exterior - leia-se Brasil - o que não sendo mau, implica uma atenção constante e uma política de alianças continuada, através de operações mistas de capital e competencias, procurando crescer naquelas e minorando até ao zero estas.
O parceiro de capital é sempre silencioso, e quando as empresas estão bem ancoradas nos mercados onde operam, gozam de benefícios de credibilidade, experiencia internacional e condução de negócios através de modelos de gestão reconhecidos, que a experiencia da internacionalização acarreta, os parceiros financeiros avançam, aindaa mais hoje, quando os funods de investimento procuram colocações sólidas dos seus capitais, fazendo face à volatilidade das restantes aplicações.
Contudo existe um risco: a volatilidade dos mercados em desenvolvimento. Mas poderemos hoje, seriamente, apontar o Brasil dentro do negócio específico da VIVO, como um mercado de risco sério para parceiros financeiros ? Não é nas telecomunicações e no México que se encontra o homem mais bem sucedido financeiramente do mundo ?
Qual a dificuldade, então, de encontrar parceiros financeiros que se substituam à Telefónica ?
Porque não parte a PT para a compra da posição da Telefónica, por valor equivalente ao que foi oferecido por esta ? Há ganhos a realizar com a VIVO, empresa que continua a crescer de forma saudável; há um player empenhado - a PT; há procura e desafios.
Vender a participação da PT na VIVO à Telefónica significa a realização de mais-valias mas, igualmente, a perca de presença no mercado brasileiro que tanto custou a ganhar.
Sair de um mercado é sempre mais fácil do que entrar e, uma vez fora, o espaço e quota de mercado são absorvidos, não existindo lugar a segundas oportunidades.
Para a Telefónica, falhar a aquisição da VIVO equivale a abandonar a aliança estratégica com a PT, mas igualmente e de muito maior peso, dispor-se a perder o mercado brasileiro ou a ter de investir, pelo menos, seis vezes o valor que agora oferece para fazer concorrencia à VIVO, com a inerente dificuldade temporal do retorno financeiro.
A PT não pode vender a VIVO.
Os accionistas de referencia têm essa consciencia e só mesmo os especuladores não vêm o que está diante de todos.
O passo seguinte é montar a operação financeira de aquisição da posição da Telefónica na VIVO e passar a lidar com um parceiro estratégico eminentemente financeiro.
§
(baseado no livro: "Alianças Estratégicas Internacionais: critérios de selecção de parceiros estratégicos", Ed. CELTA, de minha autoria)

30.5.10


A liberdade invadida pela política matou a democracia.....
Homens afadigados e eficientes, que não se separam nunca dos seus telemóveis ou computadores portáteis, homens que se transformam no símbolo de um mundo essencialmente relacional. Um mundo de liberdades mas de total ausencia de democracia. A questão não é saber "quem sou ?" mas sim saber "com quem falas ?".
As pedras movimentam-se na construção de imensas catedrais de dinheiro virtual, onde se praticam cultos enraízados na frenética evolução tecnológica, que permite o crescimento impensável das negociações e das inter-relações, num crescendo de mais contactos, mais ligações em rede, mais interconexões.
Este crescendo é acompanhado, obrigatoriamente, por uma mediatização voraz, alucinante, tipificada em sinais: os sinais monetaristas do dinheiro.
Perdem-se os princípios, substituindo-os por modus operandis.
A sociedade operacionalizada está lançada, sem que se saiba bem como e onde vai desembocar. As ideologias foram substituídas por processos, processos que conduzem a maior parte da população ao conformismo, deixando campo aberto para todos os outros, poucos, que funcionam abertamente em rede.
Uns agem impulsionados por todos os outros que com eles se ligam em rede, sem vontade própria, porque já se perdeu o indivíduo, mas como elementos-chave de uma enorme máquina: os outros assistem, amorfos, dando como certo o dinamismo da máquina, a impossibilidade de lhe traçar fronteiras, o princípio "imutável" de que sendo as leis as mesmas, só poderão existir estas e nenhumas mais.
E o Mundo avança para um declive perigoso, arrastando todo o sistema e arrostando grandes percas. O Mundo tem consciencia que é impossível estender a lógica industrial a toda a sua dimensão; o homem sabe que esta lógica de industrialização tem limites, porém insiste em procurá-la, deslocalizando fábricas, produzindo cada vez mais, na assumpção de que haverá sempre quem consuma o que se produz.
Os homens trabalham sem sentido: uns miseravelmente pagos, nas enormes unidades industriais que alimentam o homem regulado, controlado e livre; os outros executando funções que, sabem-no bem, não geram valor mas pressupostamente prestam serviços aos demais homens regulados, controlados e livres.
Curiosamente o comunismo pretendeu dar um sentido ao trabalho de todos os homens, como resolução do conflito que opôs a revolução industrial à incapacidade do homem livre consumir todos os bens que produzía. Mas fracassou e o mundo industrializado foi substituído pelo mundo frenético das novas tecnologias, da mediatização e da especulação financeira - dos serviços. Nem a verdade da relação social entre os homens se explica neste mundo, como verificamos agora bem demais, nem tão pouco se explicava no comunismo.
Temos hoje a noção de que se construíu este mundo sob um chão arenoso, faltando-lhe a consolidação do betão, o mesmo é dizer da criação de riqueza, para que pudesse ser um mundo definitivo. Não é.
Pouco importa se há revanche política em Portugal, hoje em dia, se os actores políticos são garantes de estabilidade, ou de crescimento, ou seja do que for; na realidade nenhum actor político tem a capacidade de alterar o caminho que se abre sob os nossos pés. Percorremos uma ladeira, cada vez mais íngreme, aumentando a velocidade da descida, mesmo sem querermos, mas compelidos pela inclinação e pela gravidade. Já quase corremos, e mesmo olhando à direita e à esquerda, procurando saídas deste trilho único, temos a consciencia de que qualquer saída tem de ser preparada muito antes de ser vislumbrada e, que mesmo assim, é necessário que exista e que se tenha adivinhado qual é.
Vamos tentando diminuir a marcha, dando encontrões no muro que nos limita o caminho e que nos obriga a seguir em frente. Arranhamo-nos, aqui e ali, cada vez com mais frequencia, obrigando a dolorosas passadas conforme avançamos. Existe uma causa comum, que nos une na insatisfação com que descemos a vereda: o reconhecimento de que já não nos reconhecemos no nosso país; que o país que é nosso já não serve os nossos intentos, as mais básicas necessidades; que o caminho que percorremos não é o nosso. Vemos como a miséria grassa, a solidariedade rareia, a segurança desapareceu, as ideias não servem os propósitos e sentimos o desnorte de quem nos disse, anos a fio, que nos colocaria no bom caminho.
Será este um problema de ideias políticas ? A manifestação de ontem em Lisboa mostrou que não: o fim comum a toda aquela gente não era uma contestação específica, de índole política, de receio de perca de garantias, de direitos.
A razão única que unia todos os manifestantes foi a insatisfação para com o seu país, com o seu futuro, próximo e longínquo.
Era ouvi-los a reclamar, disto e daquilo e ainda daquele outro mal que os assola. Não existia um discurso condutor na reclamação: reclamava-se de tudo, por tudo, contra tudo, em suma, reclamava-se com o país.
Não é então de política que se necessita nesta hora; não é de debate político que estamos carenciados. Portanto, não importa se A é estabilizador, se B se quer vingar, se C será melhor Primeiro-Ministro que D, se a direita se une contra a esquerda, se há vários candidatos, se a esquerda escolhe só um, se ganha este ou aquele, ou mesmo se o governo dura um mes, seis meses ou quatro anos.
Estamos em plena ladeira e a solução já não passa pela ideia política, nem pela impossível mas igualmente ineficaz união política, se existe bloco central ou se o bloco é de esguelha.
O caminho é estreito, murado, cada vez mais inclinado e a vista começa a ter dificuldades em encontrar, a tempo, saídas.
O tempo não é de discussão política, porque ineficaz. O tempo tenderá a ser, então, de aprofundamento moral, de consolidação da ética, dos valores éticos e morais aglutinadores de uma Nação.
É da noção de responsabilidade comum a todos, que nascerá o limite de um mundo capaz de circunscrever a ambição dos homens. A questão é ética, acima de tudo.
Esta liberdade invadida pela política fez sossobrar a democracia e "matou" a liberdade. Só libertando a "liberdade" da política será possível fazer renascer a democracia, pela ética e moral. Só em democracia existe verdadeira liberdade.
Este Estado já não é democrático há muito e deixou de ser um estado de liberdade para muitos, quase todos, há muito também. A liberdade actual é só para uns poucos, mas já não "cheira" a liberdade para todos os outros.
Exige-se consciencia onde hoje sobra oportunismo. Exige-se ética (aristotélica) onde hoje só se encontram interesses individualistas. Impõe-se uma razão onde se encontram interesses obscuros, sabedoria que substitua a inconsciencia.
É necessária independencia de espírito e enriquecimento das consciencias.
A ladeira inclina-se, todos os dias, cada vez mais, à nossa vista. O choque é iminente e não se descortinam travões capazes de nos fazer parar.
Vamos bater, violentamente, independentmente dos actores políticos, porque este mundo, o nosso, já não se faz de política, por agora.

29.5.10


E se Bagão Félix avançasse.....
Curiosa a notícia de que o Dr. Bagão Félix poderá ser o candidato presidencial mais "à direita". Curioso, porque este facto significa, por ora, com ou sem candidatura, a existência de uma direita de forte pendor social, não liberal, a direita que se confunde tanto com ela própria como com a esquerda; a direita que coloca o interesse da sociedade à frente do interesse económico, usando este para satisfação daquele.
Mesmo colocando em causa a reeleição do actual Presidente da República, a curiosidade de medir em votos esta direita é grande. Muito grande.

19.5.10


As razões estão todas à vista, mas as mentiras acentuam-se.....e os erros cometem-se à velocidade do avanço do caos económico e social....
§
Paul Krugman escreveu ontem, no New York Times, que ".... os salários nos países periféricos da Europa, como Portugal e Espanha, têm de baixar 30 por cento face à Alemanha". Acrescentou ainda que "... com uma moeda única, um ajustamento a choques requer ajustes nos salários. E como os países periféricos da Europa passaram de um crescimento a uma recessão, o seu ajustamento tem de ser feito em baixa".

Ou seja e por outras palavras: ou se abandona a zona euro, que equivale a dizer que se tem uma arma de política monetária, capacidade de flutuações cambiais, equivalendo ainda a dizer que, ao desvalorizar-se a moeda em 30% (mesmo que por força do abandono da zona euro) se desvalorizam os salários em cerca de 20 % (tem de se contar com o que é produzido em Portugal) e se ganha competitividade ou; os ganhos de competitividade, mantendo-se a zona euro, só se conseguem com salários mais baixos entre 20 a 30% , quando comparados com a média alemã.
Já tinha sido escrito, por mim, aqui e aqui.
E o que dizer das dificuldades de endividamento das instituições financeiras nacionais nos mercados internacionais ?
Bom, se temos que contribuir com uns milhares de milhões, de acordo com o que foi oficialmente anunciado, como parte do pacote de ajuda à Grécia ( que não é para cumprir, de facto, mas é o que está escrito e afirmado aos mercados), como é que os mercados reagem ?

Fácil: se os portugueses não têm dinheiro para eles e terão dificuldades a muito curto prazo para cumprir o seu serviço da dívida, vamos emprestar para que ainda o enterrem na Grécia ? Não, não vamos.

Onde está a competitividade do país ? Onde está a vontade de mudar ? Como se irá comportar uma economia muito fraca, com um aumento da carga fiscal que era, antes de aumentos, já de si insustentável ? Como se estão a comportar as receitas fiscais ? A criação de riqueza ? O dinamismo económico ?
Não se vislumbrando respostas satisfatórias a estas questões, vamos emprestar dinheiro a quem vai, depois, gastá-lo sem que o gasto seja produtivo e, ainda por cima, sendo parte deste dinheiro para aplicar numa economia que está ainda pior.
Não, não vamos. E daqui surgem as dificuldades.
A ser verdade a notícia publicada sobre o tesouro inglês e a passagem de pasta, percebe-se que os ingleses tenham dito não, rotundamente não, a qualquer ajuda à Grécia. Com coragem.
Nós, como estamos sempre de chapéu na mão, assustados com a possiblidade de virmos a necessitar de ajuda identica dentro de muito pouco tempo, dissemos logo que sim.
Esquecemos que nem para a Grécia a ajuda vai ser dada/disponibilizada na totalidade (garantíu para já a solvencia dos problemas em Maio) porque é uma impossibilidade europeia (ver aqui), então muito menos Portugal gozará de qualquer pacote de ajuda.
Mais depressa somos corridos da zona euro, juntamente com gregos e espanhóis, do que entrará uma piastra europeia em Portugal.
Coragem precisa-se.
O país está falido e só é possível encontrar soluções se se conseguirem encarar os problemas; e mesmo assim, a ver vamos.....



6.5.10


BE e PCP a favor das grandes obras públicas.
Será que a esquerda radical e ortodoxa continua convicta que poderá consolidar posições e assumir a condução de Portugal, a partir dos escombros do país, seguindo o mesmo caminho que iniciou em 1975 ?
Será que tantos anos depois ainda não perdeu o objectivo de vista ?
Será que ainda não percebeu que, quando as políticas socialistas falham, a Europa sempre se virou à direita ?
Colocação de dívida portuguesa foi um sucesso ?
Para quem ?
A pagar uma taxa quatro vezes superior à da ultima emissão, há cerca de dois meses ( e toda assumida por bancos nacionais, contrafeitos mas obedientes), não me quer parecer que se possa falar em sucesso, pelo menos para o país.
Anda para aí muito ilusionista......

Poderá a Grécia abandonar a zona euro ? É muito provável que sim....

Os acontecimentos de ontem na Grécia mostram, sem tibiezas, como é difícil senão impossível, estancar o défice público grego através de medidas de austeridade, aumento da carga fiscal e cortes salariais. E estamos a falar tão somente do défice primário, ou por outras palavras, do défice expurgado dos juros da dívida pública.
Por contraposição a esta dureza das políticas orçamentais, restaria a solução de expansão da economia. Mas como pode a Grécia esperar um crescimento económico que poupe os seus cidadãos e acalme a urbe, se o crescimento previsto no plano apresentado é meramente residual ? E como faze-lo sem mecanismos que permitam aumentar a sua competitividade, nos mercados externos ? O instrumento cambial não existe (identico problema se levanta a Portugal, quer no crescimento residual, quer nos instrumentos económicos e na competitividade externa).
A única forma de crescer é aumentando as exportações, forçando a um aumento da produção de bens.
Poderia considerar-se a possibilidade de uma redução de custos internos, mas aí estamos em território de redução de direitos adquiridos, impossivel de implementar, como a situação vivida ontem bem demonstra.
A outra passa por uma desvalorização da moeda, mas esse mecanismo é impossível no espaço euro.
Claro que qualquer demonstração de vontade ou de possibilidade da Grécia abandonar o euro levaria, decerto, a um enorme ataque especulativo à economia grega e à assumpção de um enormíssimo custo.
Mas e se não houver outra solução ?
Claro que o problema de reestruturação da dívida pública subsiste, mas poderia constituir-se numa ajuda preciosa para poupar os cidadãos gregos a um esforço descomunal, sem que se saiba ao certo, sequer, se resultará ou não. Aliás esssa dúvida perene consagra, em grande parte, a pouca disposição para sacrifícios colectivos, somatório de todos os sacrifícios individuais. Ademais, também lá os sinais evidentes de uma classe política corrupta e esbanjadora não deixam grande margem de manobra no plano moral.
Assim, mesmo que o cenário pareça improvável, poderá muito bem ser o cenário possível, porque não é uma situação impossível.
Depois de afastado o impossível, bastas vezes a solução de um problema reside no improvável.
A Grécia abandonar a zona euro perspectiva-se, cada vez mais, como uma hipótese muito real.
Atrás vimos nós, é bom recordar.

30.4.10


Tudo o que sabem mas não Dizem.....
"Teste à zona euro
Para Rui Henrique Alves, as más notícias desta semana representam um “teste à resistência da zona euro”. “O teste está a começar pelas economias mais fracas”, nota o especialista.
O “impasse” em ajudar a Grécia, principalmente por parte da Alemanha, “pode estar a prejudicar a Europa”, repara o economista, realçando que “o mais importante neste momento é salvar a união o monetária”.
É, contudo, “muito cedo” para se pôr a hipótese do “fim da moeda única” e da “expulsão de certos países da união monetária”, acredita Rui Henrique Alves.
Portugal deve “estancar o efeito bola de neve”
Para o economista Nuno Moutinho, os cortes no rating têm dois tipos de impacto no país. “Um impacto directo porque pagamos a nossa dívida mais cara e isso gera défice” e “um impacto indirecto, já que todo o clima económico é afectado, com quedas na Bolsa de Valores, por exemplo”.
Tudo isso pode levar a um efeito bola de neve na economia. Nuno Moutinho, também professor da FEP, considera que é preciso pôr um travão no pessimismo económico.
A reunião entre José Sócrates e Passos Coelho nesta quarta-feira foi um sinal claro deste esforço de “estancar o efeito bola de neve”.
.
Vamos por partes.
A noticia da responsabilidade do Diário Económico merece reparos, absolutamente necessários para se perceber a verdadeira dimensão dos problemas e dos interesses envolvidos.
§
1º: A zona euro não deveria ter "países fracos".
A razão é simples: os países não estão todos no mesmo patamar de desenvolvimento. Não estando, carecem de medidas e soluções económicas diferentes. Pertencer à zona euro implica obedecer, mais, ser regido por parâmetros definidos pela toda poderosa Alemanha, situação a que Grécia, Portugal e Espanha não têm condições de "obedecer".
Não foi por qualque razão que a Inglaterra, conhecedora, não aderíu à zona euro.
§
2º: O impasse não reside na ajuda à Grécia mas na repercussão que terá na soberania alemã. E que me desculpem, mas em questões de soberania não se brinca.
A União Europeia pode funcionar desde que tenha presente que, acima de tudo, a soberania nacional se sobrepõe aos interesses comuns. Não para pobres pedintes como nós portugueses, mas para nações fortes e com enorme capacidade como a Alemã ( e a inglesa).
§
3º Por ultimo, a especulação dos mercados está pior do que aquela que se verificou antes da crise de 2007/2008. Os resultados irão ser piores.
As políticas de ajudas dos estados, sem coragem para articularem um plano de nacinalizações do sector financeiro, temporárias, transformou o esforço dos contribuintes num enorme ATM, onde a banca, através de código, levantou as quantias de que necessitava para recuperar as fortunas pessoais, entretanto drásticamente diminuídas, sem qualquer preocupação de construção de riqueza nacional. Continuam a interessar as mais-valias em detrimento do valor acrescentado.
.
E quanto ao entendimento Sócrates-Passos Coelho, a nível internacional a notícia só interesssa aos colunistas que são subsidiados por Portugal para "fazerem" notícas positivas, para indígena comer.
As agencias de rating comportam-se de outro modo: quanto maior o ganho do investidor maior o ganho da agencia. Simples mas eficaz.

15.4.10


É necessário pugnar pela União Nacional...

Ex-economista chefe FMI:
"Portugal corre risco de falência económica" in Diário Económico de hoje.


Curioso: as conclusões são sempre as mesmas mas, acima de tudo, a gestão com hipocrisia das notícias veiculadas nas reuniões em Bruxelas, os pareceres e comunicações, não pretendem resolver nada mas tão sómente adiar o inevitável.
Hipócrita porque diz-se à boca pequena o que não se tem coragem de assumir frontalmente. Acredita-se que os mercados podem andar distraídos, que as comunicações podem ser apaziguadoras mas, no fim, o que se cria é um clima de suspeição elevadíssima de que as falencias técnicas de alguns países são inevitáveis.
Não há solidariedade na União Europeia, porque não existe união, de facto, muito menos união de facto.
Portugal está mal. Todos o sabemos. Também já se sabia que o PEC iria ser chumbado em Bruxelas, como foi.
Não dizer que não presta mas acrescer que não basta é um sofisma, um atentado à sobrevivenvia económica e financeira de Portugal.
A altura é de seriedade e frontalidade.
Queremos ser todos parte integrantes da recuperação de Portugal.
Com excepção daqueles que cometeram actos ilícitos e dos quais a justiça se deverá ocupar, sinto-me tão próximo do CDS como do BE, desde que nas palavras, atitudes, comportamentos, discursos e ideias, se pugne pela recuperação do país.
A altura é de união, mas de verdadeira união nacional.

9.4.10

Écos.....
Sempre soube que, mais ano menos ano, seria notícia que Portugal tem uma Liga Nacional Contra a Fome. Porquê ? Porque revoluções sem sangue não são revoluções, são oportunismos.

Vem aí a Besta Negra....

2ª feira 12 de Abril será a Besta Negra da Grécia, de Portugal e da zona euro.....
A conversa inalada de Bruxelas é para expelir de imediato... é tóxica.
Cuidado.

Os países vão à falencia mas não fecham......
A necessidade de prover a Grécia de meios financeiros, capazes de sustentar as suas obrigações para com os credores, é inevitável. O problema surge quando não se vislumbra o "como".
O acordo de princípio dos países da zona euro para assumirem a ajuda, com uma suposta flexibilização da posição alemã, não vale mais do que isso mesmo: um acordo de princípio, que inclui a zona euro mas ( e este mas é muito grande) também o FMI (Fundo Monetário Internacional).
A capacidade de obtenção de crédito por parte de um país soberano pode medir-se de várias formas; através do déficite (despesa vs rendimento nacional), dívida pública medida em função do Produto Interno Bruto (PIB) ou do Produto Nacional Bruto (PNB), serviço da dívida em relação às exportações e a prosperidade do país mede-se através da sua capacidade creditícia.
A ausencia de crédito conduz à incapacidade de alcançar crescimento económico. É assim que a Grécia se encontra já e Portugal estará, daqui a uns meses.
Contraindo-se o crédito assiste-se a um aumento incomensurado do declínio económico, muito superior ao verificado pela crise que lhe deu origem. Daí a situação grega ser dramática. Mas para que os países da zona euro possam acudir hoje à Grécia, para acudir amanhã a Portugal e depois, quem sabe, a Espanha, é necessário que os vários operadores soberanos se atravessem com a sua capacidade creditícia, significando a entrega de garantias e a inerente diminuição da sua própria capacidade de obtenção de crédito.
Por outras palavras, uma ajuda da zona euro à Grécia significa uma diminuição da capacidade de obtenção de crédito pela zona euro, com a significante e relevante perca de crescimento económico.
para que as coisas funcionem é necessário acreditar que a Grécia depois de ajudada a obter o crédito de que necessita, enceta um caminho de progresso económico e de crescimento económico. Mas se o dinheiro necessário é para pagar dívida já existente, como é que a ajuda se traduzirá numa multiplicação do dinheiro, promovendo o crescimento ? É necessário muito mais dinheiro, ou seja, muito mais envolvimento dos países da zona euro mas, mesmo assim, seria necessário acreditar que os gregos iriam ser muito diferentes no futuro próximo. E alguém acredita nisso ? Provavelmente só os gregos e não todos.
Daí a entrada do FMI. Mas qual será a lógica da entrada/intervenção do FMI para ajudar a resolver uma questão de dinheiro na zona euro ?
O FMI aparece, como o Banco Mundial, em Bretton Woods como entidades de supervisão mundial. Onde ficaria então situado o Banco Central Europeu (BCE) ? E mais importante, que mensagem passaria a intervenção do FMI para a credibilidade do BCE, primeiro banco central, agente regulador, de índole internacional ? Depois, acresce que o BCE é claramente manipulado pelos interesses alemães, porque quer queiramos quer não, no que ao dinheiro e à capacidade de crédito diz respeito, a soberania nacional continua a ser o motor e não há nenhum país que queira colocar a sua soberania em jogo.
Os países não são empresas.
Porque razão é perigosa a situação na Grécia ? Porque quando o devedor é soberano, os credores de uma forma ou de outra têm mecanismos de cobrança, porque os países devedores terão de pagar até ao limite das suas possibilidades, porque um país pode falir mas não pode fechar. Mas uma crise interna leva ao encerramento de muitas e muitas empresas, a um desemprego elevadíssimo e a um incumprimento insustentável junto do sistema financeiro doméstico, o que conduz a uma situação de ruptura sem capacidade de solução; as empresas abrem falencia.
É por este somatório de razões que, chegada a hora de dar a mão à Grécia, os alemães se vão virar para o entroncamento entre o FMI e as ajudas pontuais dos países da zona euro, preferindo claramente que o FMI assuma toda a despesa, deixando os restantes países caírem umas parcas migalhas. Porque os tempos não são fáceis, a zona euro não é fácil, a moeda única não é fácil e os mercados são difíceis.
E o crédito esbanjado hoje impede o crescimento de amanhã e durante muitos anos.