7.4.11

O que as contas mostram....

Por partes: qualquer política imposta pelo FMI em Portugal é destrutiva, porque não existe o mecanismo da desvalorização cambial.
Realidades: não sabemos quais são, mas podemos fazer uma ideia (por baixo), a saber:
(vamos trabalhar com números redondos)
(1) Dívida pública soberana= 92% do PIB
(2) Dívida das empresas públicas= 25% do PIB
(3) Dívida com PPP (Parceria público-Privadas)= 30% do PIB

Tudo somado, temos uma dívida, por baixo (não esquecer a "proibição de auditar as contas públicas), de 147% do PIB nacional, o mesmo é dizer, 250 mil milhões de euros. Mas não nos ficamos por aqui: há uma verba mais a acrescer às anteriores: refiro-me à dívida das famílias e empresas, constituída junto da banca nacional, através de financiamentos desta obtidos externamente: este valor é equivalente a 70% do PIB.
Creio que em termos de dívida estamos conversados.
Posto isto, ressalta a pergunta fundamental: a austeridade na despesa pública é fundamental, mas a diminuição da despesa por parte das empresas e das famílias, em função da degradação da capacidade de crédito e diminuição de rendimentos, só irá piorar a situação. Não há solução à vista, dentro dos contornos de qualquer intervenção externa, a que malabaristicamente se chama "ajuda", mas que é de facto uma total ingerência e perca de soberania.
Vale então a pena clamar por esta acintosa ajuda? É óbvio que não.
Os valores que estão na mesa são tão elevados que, das duas uma, ou crescemos e pagamos, ou quem nos emprestou afunda-se nos ratings, connosco. Porque vai ter de dizer que não consegue receber, porque tem de provisionar, porque os rácios baixam, porque a economia começa a sofrer e os cidadãos desses países irão penalizar os respectivos políticos. Mas quem deve dorme descansado; já disse que não podia pagar, nas condições definidas: já nada lhe pode retirar o sono.
Resta ao credor aceitar moratórias, reescalonar a dívida e baixar os juros. O devdor ganha tempo, fôlego, para recuperar economicamente, encetar o tão desejado pagamento e começar a liquidar o que deve.
Para atingir este patamar é fundamental existir o instrumento monetário: regresso ao escudo e abandono do euro.
Ouço as vozes dissonantes: catástrofe; deixar o euro equivale a desvalorizar o escudo em 25%. Pergunto: se devo 250% do PIB ao exterior e essa dívida aumentar em 25%, que mal vem ao país agora? Resposta: nenhum, porque nada é para pagar agora. Depois, com o crescimento económico e o início dos pagamentos, a moeda começa a valorizar, a desvalorização inicial a esfumar-se. Entretanto foi possível cunhar moeda, baseada nas reservas de ouro (que então exerceriam o seu verdadeiro papel), aumentar a produtividade, incrementar o consumo interno, porque o ajustamento dos salários nominais ao escudo seria automático e, ao mesmo tempo, com uma moeda fraca, aumentar exponencialmente as exportações, tornando o país apetecível para o investimento.
Alguma coisa de mal nesta solução: nada, a não ser a falta de coragem, único óbice para que estas políticas sejam postas a funcionar.
E deixem que vos diga: não quero nem saber da Comissão Europeia, dos parceiros europeus, da Senhora Merkel ou do seu mais fiel aliado. Emprestaram e nós torrámos o dinheiro, paciência. Agora há que mudar de vida, mas essa mudança não significa nem miséria, nem perca de soberania, nem sequer subserviência à Alemanha. NUNCA.

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