16.4.05

Doce e Bela....

(abre-se a porta, depois de convocada pela campaínha)
...
Assoma-se ao patim figura esbelta,
O cabelo é ouro, as feições perfeitas.
O corpo belo, torneado,
Bem vestido e calçado.
-Boa Noite!, diz com voz sensual.
-Conheço-a? Não creio... .(Já estava rendido).
-Temos amigos comuns! Responde com ar natural.

Deixo-a avançar!

Sigo-lhe o dançar da anca,
O aroma que se solta,
A sexualidade envolta,
A volúpia que encanta.

Senta-se cruzando as pernas.
São perfeitas, desenhadas,
Meias e saia desencontradas.
(Sinto-me estremecer).

-Não me esperava, estou certa.
-Não esperava ninguém, sou sincero.
-Surpresa agradável, espero!
-Claro! - num tom semi-audível.
- Bebe algo?
-O que quiser beber.
(E eu sinto-me desfalecer).

Que voz, que corpo, que presença divina,
Acaso seria toda aquela sorte minha?
A noite avança!
Falo muito, mantenho a calma.
Mas só a sua presença
É razão suficiente para não mostrar indiferença
E tentar cativar sua alma.

É a alma que sente,
O corpo é a iguaria,
E se era o corpo que queria
Teria de cativar a mente.

Usei e abusei de charme,
Mostrei-me o mais sedutor,
Embalado por palavras de amor
Aproximei o corpo com arte.

De vontade imensa farto,
Beijei os lábios intensos,
Sentindo os corpos imensos
Avancei para meu quarto.

Agora, daqui de onde me encontro,
Onde alfa e omega se juntam,
Onde as vidas se conspiram
No oriente eterno apronto...

Vos garanto!

Que morto estou decerto!
Mas a morte tive-a no leito
Entre beijos e arfar de peito.
E como é bela e doce a morte
Que me calhou assim em sorte!


(João Fernandes)

1 comentário:

Mendes Ferreira disse...

magnifico texto.parabéns,