11.2.05

Um pensamento nada reconfortante e até muito incómodo.
Vota-se em partidos, não em pessoas, mesmo sabendo que as campanhas têm de ser protagonizadas por seres palpáveis (sem segundos sentidos), de carne e osso e que o papel da empatia pode ser de alguma forma importante - digo pode, porque se fosse de facto A. Cavaco Silva nunca tería ganho umas eleições. Vota-se num modelo de sociedade, num programa de governo. E assim se vota, igualmente, no líder da força partidária que mereça confiança em determinado momento. Muda-se também, ou não, o sentido de voto de acordo com o modelo que se considera ser mais correcto para a conjuntura do momento.
nota: eu nunca alterei o meu sentido de voto em 30 anos, mas aceito que outros o façam.

Era assim que se votava. Era, porque agora já não é.
O Presidente da República criou um novo tipo de voto. O voto presidencial paternalista, educador e acima de tudo decisor, desresponsabilizando o cidadão votante da decisão que toma quando vota para a Assembleia, quer aquele seja o seu presidente, quer não. A coisa passa-se mais ou menos assim:
- Olha, vote eu em ti ou não, depois, quando e se ganhares - e se não fores tu que seja o outro - o que eu quero mesmo é saber se acaso e na tua opinião eu até me enganar a votar para a Assembleia da República, desculpa lá, mas tu importas-te de emendar a minha mão, correr de lá com os tipos e convocares outras eleições ? Eu sei que é chato, mas fazes não fazes ? Vá lá..... É que tu, melhor que ninguém, senhor da verdade e da razão, figura veneranda de Chefe de Estado, inatacável, saberás melhor do que eu se o Governo que elegi é para durar a legislatura e serve os interesses dos portugueses, tenha ou não maioria estável, ou é para acabar mais cedo. Prometes ? Pronto, então eu voto nas legislativas. Fico mais descansado.

1 comentário:

Menina_marota disse...

Mas, afinal para que precisamos de votar? E se o PR, daqui a uns meses achar que o governo está instável? Porque não escolhe ele? Assim, não deitava as culpas a ninguém! Aliás, éramos nós, a fazê-lo! Um "modelo" respeitável de políticos? de política? Onde andam os "respeitáveis"? Ainda não decidi se vou votar! É que sinceramente, não gosto muito de "lavagens de cérebro"... :-)