As privatizações já faziam parte do pacote. A novidade está na reestruturação, a que se chama alteração das condições de pagamento. Agora só falta (dêem mais algum tempo) reestruturar e reduzir o montante em dívida, em simultâneo.
30.5.11
Já cheira a reestruturação (para já grega)....
As privatizações já faziam parte do pacote. A novidade está na reestruturação, a que se chama alteração das condições de pagamento. Agora só falta (dêem mais algum tempo) reestruturar e reduzir o montante em dívida, em simultâneo.
27.5.11
Adorava....
Adorava saber em que medida estamos melhor que a Grécia, quando a troika afirma que o problema de Portugal é diferente daquele país, porque na Grécia o problema é orçamental e em Portugal é estrutural: toda a economia está alavancada, especialmente o sector financeiro.
Adorava saber como é que, seguindo o plano da troika, saímos da situação de desespero em que nos encontramos.
Adorava saber.
P.S. Já agora - e penso que não é pedir demais - gostava que não nos tratassem como analfabetos e incompetentes, mesmo sabendo que a grande maioria o é. A diferença é que assim, tratados assim, os que são nunca mais deixarão de o ser.
26.5.11
Doutores, jargões, perigos....
O que se perfila no seu (curto) horizonte é um misto de medo e irresponsabilidade; aquele impede o discernimento e este apela à passividade.
Não encarar a realidade económica é relegar o país para secundaríssimo plano, e renegar o direito à acção. É aceitar como bom todo e qualquer instrumento de política económica, desde que venha de fora, porque permite a enorme desculpa da imposição, sem cuidar da sua validade.
O ciclo vicioso em que nos encontramos e para o qual a Europa também caminha, não aproveita a ninguém. Claro que uns (portugueses, irlandeses, gregos) acrescidos de possíveis outros (italianos e belgas) e ainda islandeses, sofrerão e muito. Mas todos os outros, sem excepção, terão de pagar o seu quinhão. Se os mercados diminuírem à velocidade da erosão económica - o que sucederá - vende-se o quê a quem? E compra-se onde e a que preço? Porque a Europa não se basta a si própria. E, depois, ainda temos o Leste, a Turquia, o Magrebe, o empobrecimento do médio-oriente e de África.
O caminho seguido pela Europa, a fixação da acção económica no aumento da carga fiscal, conduz inevitavelmente a uma perca de poder de compra, e esta perca de poder de compra espalha-se por todo o mundo, porque é o mundo em si mesmo que se vai contraindo, através da contracção das economias europeias, por via de taxas de juro baixas, que conduzem à desvalorização das moedas (no caso europeu o euro) e porque a recuperação, em parte, desta contracção económica na balança comercial, contagia negativamente todos os outros países no mundo. Por outras palavras, podemos estar a entrar num problema muito mais sério e não a sair de outro problema, já de si sério.
Creio que há muitos doutorados, cheios de jargões, que opinam muito, em muito lado, que de economia na realidade não pescam nada.
25.5.11
Vai ser necessário reestruturar
Para ler aqui.
Nada que já não tenha sido escrito neste blogue dezenas de vezes, mas como Krugman também eu tenho a certeza que não é o bom senso que governa o mundo.
19.5.11
Falta sempre o fundamental: orgulho e noção de valor extrinseco.....
Aos olhos de milhões (essencialmente europeus), ontem estava representado o país futebolístico, o país de reconhecidas capacidades técnico-tácticas, o país que tendo orçamentos baixos nos seus clubes consegue atingir patamares de excelencia. Estava representada uma capacidade de: gerar técnicos de futebol de valor mundial; organizar clubes e consolidar modelos de gestão de sucesso; utilizando parcos recursos atingir patamares elevados de valor acrescentado.
Tudo isto esteve representado. Tudo menos a capacidade de utilizar os momentos, ímpares ou não, como arma de propaganda e marketing nacional. Não ver uam bandeira portuguesa envergada por qualquer um dos elementos das duas equipas foi confrangedor, mas ainda mais confrangedor foi assistir à autorização dada pelos dirigentes para que, os seus assalariados, pagos com fundos gerados em Portugal com contratos de trabalho regidos pela lei portuguesa, usurpassem a imagem de uma final portuguesa, com bandeiras dos respectivos países.
Os clubes podem ser "sociedade de nações" no conjunto de atletas que os representam, para dentro de si mesmos, mas para o exterior os clubes representam sempre os países de onde são oriundos. Todos os seus atletas deveriam ter sido cobertos com bandeiras portuguesas, vencedores e vencidos e, assim, passar uma imagem de um Portugal presente, mesmo nos maus momentos, mas sempre presente e mostrarmos que somos os primeiros a acreditar nas nossas capacidades e a orgulharmo-nos de quem somos, de onde vimos e para onde vamos.
Existem culpas e culpados: primeiro, a tacanhez da incapacidade de percepcionar a importância do momento; segundo, a falta de visão estratégica dos dirigentes máximos dos dois clubes; terceiro, o provincianismo de que deram mostras. mas há igualmente responsabilidades da Federação Portuguesa de Futebol (FPF), por não antecipar a importância do momento e não contribuir para a exaltação da imagem nacional, por excelência, a nossa bandeira. Por último, a enorme falta de sentido de estado do Secretário de Estado do Desporto, por não antecipar as enormes vantagens de projectar, em momento tão difícil para Portugal, a imagem do país e, conjuntamente com a FPF e os clubes, terem transformado a final da Liga Europa numa enorme mancha das cores nacionais.
Por estas e por outras é que perdemos a American Cup para Valencia (Espanha) e agora a Ryder Cup para a França. Porque tudo o que fazemos é feito "em cima do joelho" e não há chama, chispa, brio nacional.
Imaginem esta final entre clubes espanhóis..........pois......
12.5.11
O pior Chiado numa abandonada Av. da Liberdade...ou a machadada final...
Passear na Avenida da Liberdade é um suplício. Os lojistas têm-se multiplicado em abrir espaços amplos, cuidados, mono-marca e o local da cidade que estaria obrigado a ser um passeio público de qualidade, perde-se nos arrumadores-moedinhas, na miséria de quem tem de esmolar, naqueles que por lá vagueiam sem que ninguém se interesse pelo seu modo de vida: o que fazem, como passam o tempo, o que procuram. Além disto, também a Avenida da Liberdade é um coio de lixo: as obras constantes, a irresponsabilidade dos construtores/remodeladores, a ausência de fiscalização, fazem com que a artéria tenha um aspecto medonho, de dia; imagine-se então de noite. Por um conjunto de razões, Lisboa é uma cidade deserta nos seus passeios, quer durante a semana, quer ao fim-de-semana: a qualquer hora.
Agora acenam-se com quiosques, que irão também ter DJ´s, o que significa música aos berros, sem qualquer utilidade, a não ser transformar a Avenida da Liberdade na miséria em que Santana Lopes transformou o Chiado, quando lá enfiou uns horrorosos altifalantes ( e viu-se a "fauna" que passou a habitar o Chiado).
falo de um espaço fantástico da Cidade de Lisboa, o que percorre toda a zona ribeirinha, entra pelo Chiado ou pela Baixa, sobe até ao Camões e Largo do Rato, ou até ao Parque Eduardo VII. Mancha imensa da Cidade, linda mas muito mal tratada pela edilidade.
Uma vez mais fica provado que nada se faz de forma pensada; tudo obedece a repentismos, a dinâmicas difíceis de compreender. Erros sobre erros.
Pergunto-me: os lojistas que têm investido forte na Av. da Liberdade, estarão na disposição de pagar este custo ( o de puxar para o espaço o seu anti-cliente) acrescido ao custo da crise?
Só faltam as farturas (espero que o sexto quiosque, a abrir mais tarde, lhes seja consagrado), porque minis vazias e pedaços de tudo no chão, gente com calças pelo meio do rabo e muita algazarra, já estão prometidos.
E saem umas taxas para o país do canto....
Os montantes acordados e, supostamente, mutuados até 2013, substituirão outros, que foram negociados na sua maturidade a taxas muito inferiores, abaixo de metade das taxas agora acordadas ou, na pior das hipóteses a 3%.
Substituir empréstimos a 6% para pagar empréstimos captados a 3%, empurra a taxa média actual, de cerca de 4,8%, para uma taxa média perto dos 7,4%.
A nossa economia precisa de ritmos de crescimento impossíveis de alcançar no curto prazo.
O futuro reserva enormes dificuldades para cumprir o serviço da dívida, admitindo a possibilidade de reestruturar a dívida externa. E, pasme-se, a exigência destas taxas manifestamente elevadas, vem da solidariedade europeia e não do FMI. Apetece perguntar: é esta a ante-câmara para a saída do euro? Apontada pelos nossos solidários parceiros europeus? É a leitura possível, no momento.
28.4.11
Problemas de vista....
O que mais fere neste nosso país é a miopia, o estrabismo e a ausência de lucidez que se instalou.
25.4.11
A inevitabilidade da Moratória
Depois, o que se verifica é que a economia é estrangulada com as exigências de quem empresta, cuja preocupação é recuperar o dinheiro emprestado, acrescido dos juros devidos, sem qualquer preocupação de crescimento económico do devedor. Mais tarde, o destino, com empréstimo, é o mesmo que sem empréstimo: o devedor tem de assumir a impossibilidade de cumprir o serviço da dívida, como bem nos mostra a Grécia. Moratórias, reescalonamento da dívida e todas as manobras financeiras possíveis, são colocadas então em prática. Para quê, pergunta-se; nessas condições já o estado parece uma pessoa de bem? Porque primeiro fingíu tentar cumprir, sabendo dessa impossibilidade, e só depois assume que não pode? É uma vez mais só uma questão de mera hipocrisia?
Bom, é que no fim a conclusão é óbvia: estamos todos fartos de mentiras e hipocrisias. Se é por estas razões não vale a pena estarmos a estragar, ainda mais, o cenário.
Portugal está a ser escrutinado, exposto, mal tratado, situações que viveria se assumisse que não podia pagar, por agora. Vive estas situações e sujeita-se a medidas económicas que só o enfraquecem, por não fazer o óbvio, afirmar o inevitável: não pode pagar, não tem condições para honrar as dívidas. Mas, ao contrário do que "doutas" figuras afirmam, Portugal não é o incumpridor: quem incumpre é a classe política que, há 37 anos, expolia Portugal. São os nomes dos incumpridores que se sujeitam à má fama, nunca um país com quase 900 anos de História, nem o seu povo.
19.4.11
O voto inútil....
(1) Um compromisso nacional entre partidos e instituições, tendo em conta a «credibilidade externa», e uma «maioria [parlamentar] inequívoca», com a intenção de responder à crise;
(2) Segundo os subscritores, esta é uma crise iniciada nos Estados Unidos em 2009 e «a maior recessão global dos últimos 80 anos»: nada de nacional, portanto;
(3) Apelar a «um compromisso entre o Presidente da República, o Governo e os principais partidos, para garantir a capacidade de um plano de acção imediata, que permita assegurar a credibilidade externa e o regular funcionamento da economia»;
(4) Um compromisso para ser alcançado antes das próximas eleições, marcadas para 5 de Junho, segundo os subscritores desta genial ideia.
Por outras palavras, mesmo antes das eleições de 5 de Junho próximo, tudo deverá estar combinado, acertado, assinado, preparado para ser implementado. Por outras palavras, é um bloco central alargado, que inclui os principais partidos políticos, empresários, políticos que desempenham e desempenharam as mais altas funções de Estado, etc.,etc..
O que se pretende é a manutenção do status quo e a sua salvaguarda.
Pergunta-se: se tudo está acertado e negociado para quê eleições?
Mas pergunta-se mais: se o que se pretende é definir o rumo de Portugal, fora e para além da vontade dos votantes, porque razão essa definição é feita pelos mesmos que destruíram a Nação?
Se a democracia é um mito em Portugal e a liberdade de decisão política, através do voto, se transforma numa utopia, porque razão querem ser os mesmos que destruíram, a impor a sua vontade à Nação?
Nestas circunstancias, não tenho qualquer dúvida que prefiro outras gentes, mais capazes e que não estejam sujas pela bancarrota nacional, pelos interesses políticos, pelos favores pessoais e de classe.
A táctica, objectivamente, parece ser a de tirar este "cavalo da chuva" mantendo os cavaleiros, colocando outro "cavalo à chuva" e mantendo o poder. Mas se o poder já não se consagra pelo voto mas por acordos palacianos, melhor será para Portugal que se confirme um outro poder, mais capaz, menos volátil a interesses pessoais, mais nacional e patriótico. E, se acaso, se assume que o voto, por si só, já não resolve nada, acresce a razão para a mudança de protagonistas políticos, porque os actuais contribuíram, decisivamente, para a erosão desse voto, agora considerado inútil.
15.4.11
Interesses privados, opiniões públicas
Muito embora essa decisão passe pela nossa vontade, mas passe igualmente pela vontade só de terceiros, a verdade é que, com a engenharia financeira da Sonae, que passa, também, pelo financiamento externo directo, uma desvalorização do escudo seria problemática, porque a Sonae assenta o grosso da facturação nos serviços e não na indústria.
Percebe-se a posição e respeita-se, mas é uma posição pessoal, fruto de uma estratégia empresarial, e as estratégias empresariais privadas nem sempre são coincidentes com os interesses nacionais. Mas, uma vez mais, todos os problemas têm uma solução, quando existe a capacidade técnica necessária, enaltecida em terceiros, pelo Engº Belmiro de Azevedo.
Recessio, onis .....
Umas vezes através da Áustria, outras da Holanda, da Polónia ou da Finlândia e, mesmo de mote próprio, a Alemanha tem dado sinal do seu descontentamento em disponibilizar fundos para aquelas economias. Quando falo em Alemanha, falo nos alemães, todos, que têm infligido pesadas derrotas à Srª Merkel.
Para a generalidade dos alemães a questão é simples: ou estes países saem do euro, ou se o discurso bate constantemente na estabilização da zona euro, saem eles alemães. A resultante é igual: sem Alemanha não há euro.
Só esta constatação é evidente de que, para o mal, vivemos numa zona euro-marco.
Para o mal porque as economias nada têm a ver umas com as outras, estão em patamares opostos de crescimento económico e só pode ser nefasta a teimosia de manutenção na zona euro, para países como Portugal.
De uma forma ou outra, o euro é já uma miragem, como é uma miragem a recuperação económica de Portugal, durante toda uma geração, se a política económica se mantiver, teimosamente, como está.
O FMI já avançou com datas: vai ficar por cá pelo menos dez anos.
Dez anos de recessão é obra.
Recessão: do lat. "recessio, onis" e designa a acção de recuar.
14.4.11
O Desígnio, o caminho, a solução....
Mais ainda: a capacidade de antecipar cenários económicos e financeiros é determinante para a acção política. Existindo aquela, esta corre bem, caso contrário a conclusão é óbvia. Não entra na equação o que não pode entrar: roubo e corrupção. O resto entra, sobressaindo a competência ou incompetência no mencionado resto.
Na difícil situação em que Portugal se encontra - recordemos que Portugal são os portugueses - não é nada fácil, para não dizer impossível, imaginar milhões de concidadãos passarem uma enorme tormenta, na forma de vidas desfeitas, de frustrações vincadamente sociais, pessoais e familiares. Apetece gritar muito alto "Porquê", mas a resposta seria invariavelmente um enorme silêncio para algumas questões, sendo para outras o desfiar de um rol de recriminações , de todos conhecidas.
Estamos na situação que, para mim, é a melhor: eu, que me habituei a encetar algumas recuperações financeiras de vulto, garantindo a estabilidade empresarial de instituições e a manutenção de centenas de postos de trabalho, gosto do "capital de mudança", das inevitabilidades, dos constrangimentos na acção, das tesourarias "a vermelho", algumas entre outras certezas com que sou sempre confrontado, quando assumo responsabilidades de gestão de topo. E gosto, perante todas essas certezas e inevitabilidades, de vencer paradigmas.
Portugal está numa situação em que precisa de se reinventar: de alterar o paradigma.
Sei, como a maioria de nós sabe, quais os problemas que nos afligem; esse conhecer faz parte da análise preliminar. Depois, começa-se de imediato a trabalhar nas soluções; soluções porque nunca existe uma única solução, também porque os problemas, mesmo que pareçam idênticos, exigem sempre tratamento diferente. Ao nível económico e financeiro não existem duas "gripes" iguais.
É este desafio, o desafio da solução, que é empolgante, que galvaniza, que define o líder e conduz as massas, porque estas acreditam nas soluções, porque os fizeram acreditar que existe uma solução. A situação exige uma liderança forte, um objectivo claro traçado e uma enorme capacidade de argumentação, negociação, execução e assertividade. Doa a quem doer.
Não é uma gestão para agradar; é uma gestão para resolver.
Portugal tem, no momento presente, uma enorme questão a resolver: devolver a dignidade e condições de vida à sua população.
Toda a governação tem de se inclinar sobre este desígnio maior. Dele, nascem todos os outros objectivos, fixados claramente, mas desígnio só pode existir um e só existe um, o que foi mencionado.
Atingi-lo exige coragem, determinação e saber. Mas exige, muito principalmente, arrastar todo o país no desígnio nacional, no desígnio que todos, sem excepção, reconhecem como o único possível, o único pelo qual valem todos os sacrifícios. Mas não se pode pedir à população, já em enorme sacrifício, que se habitue à ideia que vai ter de fazer (durante quatro anos, para os optimistas, sete anos para os políticos, ou vinte anos para os mais habituados a fazer contas), sacrifícios ainda maiores. Não pode porque a população não aguenta, porque ninguém pode viver "eternamente" com o credo na boca, porque uma coisa é não poder comprar um carro ou fazer uma viagem e outra, bem diferente, é não ter como pagar os estudos dos filhos e mesmo não ter o que comer. E, contudo, as soluções existem.
Existindo, chega de carpir mágoas, esconder a ineficiência em discursos de retórica, de ataques e contra-ataques, de "diz que disse". A hora é de começar a trabalhar, com o desígnio traçado, os objectivos de curto-prazo fixados e os de médio e longo-prazos ajustados, sistematicamente ajustados.
Tenho escrito sobre o trilho inicial, aquele que tem de ser encetado e dará origem ao restante percurso. O primeiro é a direito; o outro sofrerá ajustamentos obrigatórios de rota. Conheço a concepção primeira do percurso, porque conheço o trilho. Existindo coragem, só exigirá muito trabalho.
Como será expectável, não é possível descrever todo o caminho a percorrer e os resultados esperados, num espaço como este; veja-se este escrito, que já tem léguas.
Mas recorro a exemplos: há uma enorme quantidade de negócios, de indústrias, que não têm qualquer viabilidade económica no Portugal de hoje. Há, igualmente, uma agricultura que não tem saída e umas pescas que estão moribundas. Razões fundamentais: a dimensão nacional é pequena para lutar contra enormes corporações, com enorme capacidade e eficiência produtiva, seja na agricultura e pescas, seja na indústria. Seria impossível, no Portugal de hoje, recriar um grupo químico da dimensão da CUF, uns estaleiros da dimensão da Lisnave ou uma siderurgia da dimensão da SN. Porque é mais barato comprar fora do que produzir internamente, porque não há capacidade de alavancagem financeira de indústrias que consomem enormes recursos financeiros e não porque se tenha perdido conhecimento científico e técnico.
Imagine-se agora, numa escala mais pequena, outras indústrias: embalagens de cartão, por exemplo. Como é possível investir em Portugal, criar postos de trabalho e produzir embalamento para o leite e os sumos, quando somos confrontados com a Tetra Pak? Não é; o investimento está condenado. Todos nos lembraremos agora de negócios e falo de negócios não especulação, sobre os quais já nos debruçámos e chegámos sempre à mesma conclusão: em Portugal não dá: o mercado é pequeno, não elástico e a concorrência feroz.
Imagine-se agora um Portugal diferente, dono da sua moeda, desvalorizada face ao euro, a necessitar de consumir e a ter de pagar preços incomportáveis para o consumidor interno: valerá de novo o investimento nas embalagens de cartão para embalamento (mero exemplo), porque a Tetra Pak já não conseguirá responder ao anseio de preços do seu consumidor, que tem de responder perante o consumidor final interno. E outros negócios, outras indústrias, outras agriculturas e outras pescas se lhe seguirão. O consumo interno cresce, com uma mão-de-obra desvalorizada externamente em 25%, o emprego cresce, as importações são fruto do crescimento do rendimento agregado nacional e, last but not least, as exportações são competitivas, levando a economias de escala, ou seja, a prover o mercado nacional a menores custos e a atacar com força no mercado internacional.
Elementos comuns à estratégia: recurso ao escudo abandonando o euro; utilização do instrumento cambial; cunhagem de moeda; injecção de liquidez na economia; proteger o made in Portugal; reestruturação do sector primário e secundário da economia; reutilização dos recursos humanos do sector terciário nos sectores mencionados anteriormente, incluindo e facilitando a necessária redução de efectivos no estado.
Esta é a solução que defendo e preconizo para Portugal. Este é o trilho que nos conduzirá ao desígnio. Este é o caminho mais curto para a felicidade.
13.4.11
os europeus e os portugueses.....
10.4.11
Que fique também claro que a dicotomia esquerda/direita, tendo perdido em tempos o seu sentido, faz hoje mais sentido que antes. De assinalar, igualmente, que cansaço da classe política e de políticos, não pode significar afastamento e/ou repúdio pelas ideias políticas e acção política: política é, basicamente, ciencia social ancorada em conhecimento e pensamento filosófico.
Por isso me arrogo o direito de me situar no quadrante político da direita, social não liberal. Por isso, algumas das ideias que perfilho possam ser identificadas com a esquerda e me possa identificar com a esquerda nalgumas posições. Mas uma coisa é ser, outra é concordar pontualmente.
7.4.11
O que as contas mostram....
Realidades: não sabemos quais são, mas podemos fazer uma ideia (por baixo), a saber:
(vamos trabalhar com números redondos)
(1) Dívida pública soberana= 92% do PIB
(2) Dívida das empresas públicas= 25% do PIB
(3) Dívida com PPP (Parceria público-Privadas)= 30% do PIB
Tudo somado, temos uma dívida, por baixo (não esquecer a "proibição de auditar as contas públicas), de 147% do PIB nacional, o mesmo é dizer, 250 mil milhões de euros. Mas não nos ficamos por aqui: há uma verba mais a acrescer às anteriores: refiro-me à dívida das famílias e empresas, constituída junto da banca nacional, através de financiamentos desta obtidos externamente: este valor é equivalente a 70% do PIB.
Creio que em termos de dívida estamos conversados.
Posto isto, ressalta a pergunta fundamental: a austeridade na despesa pública é fundamental, mas a diminuição da despesa por parte das empresas e das famílias, em função da degradação da capacidade de crédito e diminuição de rendimentos, só irá piorar a situação. Não há solução à vista, dentro dos contornos de qualquer intervenção externa, a que malabaristicamente se chama "ajuda", mas que é de facto uma total ingerência e perca de soberania.
Vale então a pena clamar por esta acintosa ajuda? É óbvio que não.
Os valores que estão na mesa são tão elevados que, das duas uma, ou crescemos e pagamos, ou quem nos emprestou afunda-se nos ratings, connosco. Porque vai ter de dizer que não consegue receber, porque tem de provisionar, porque os rácios baixam, porque a economia começa a sofrer e os cidadãos desses países irão penalizar os respectivos políticos. Mas quem deve dorme descansado; já disse que não podia pagar, nas condições definidas: já nada lhe pode retirar o sono.
Resta ao credor aceitar moratórias, reescalonar a dívida e baixar os juros. O devdor ganha tempo, fôlego, para recuperar economicamente, encetar o tão desejado pagamento e começar a liquidar o que deve.
Para atingir este patamar é fundamental existir o instrumento monetário: regresso ao escudo e abandono do euro.
Ouço as vozes dissonantes: catástrofe; deixar o euro equivale a desvalorizar o escudo em 25%. Pergunto: se devo 250% do PIB ao exterior e essa dívida aumentar em 25%, que mal vem ao país agora? Resposta: nenhum, porque nada é para pagar agora. Depois, com o crescimento económico e o início dos pagamentos, a moeda começa a valorizar, a desvalorização inicial a esfumar-se. Entretanto foi possível cunhar moeda, baseada nas reservas de ouro (que então exerceriam o seu verdadeiro papel), aumentar a produtividade, incrementar o consumo interno, porque o ajustamento dos salários nominais ao escudo seria automático e, ao mesmo tempo, com uma moeda fraca, aumentar exponencialmente as exportações, tornando o país apetecível para o investimento.
Alguma coisa de mal nesta solução: nada, a não ser a falta de coragem, único óbice para que estas políticas sejam postas a funcionar.
E deixem que vos diga: não quero nem saber da Comissão Europeia, dos parceiros europeus, da Senhora Merkel ou do seu mais fiel aliado. Emprestaram e nós torrámos o dinheiro, paciência. Agora há que mudar de vida, mas essa mudança não significa nem miséria, nem perca de soberania, nem sequer subserviência à Alemanha. NUNCA.
6.4.11
Ao entrarmos no euro enterrámos a nossa independencia.
Agora, assumimos no papel e nas intenções a vontade de submissão.
A monumentalidade da dependencia deste país é enorme, perto da monumentalidade de que, supostamente, se sofreria por deixar cair o euro e renegociar a dívida.
Tem de haver outro caminho que não este: não há outro caminho com estas políticas, só com outras.
Temos de mudar as políticas, assumir os riscos, ganhar coragem e recuperar a soberania, a economia, a confiança, o país.
De qualquer das formas, mesmo sem moratória, um em cada três portugueses já não tem como satisfazer os seus compromissos, ou seja, os bancos já não estão a receber, mas a pressão social é imensa.
5.4.11
Se o FMI entrar, teremos 20 anos de miséria pela frente
Paciência para seguir as linhas, percorrer o raciocínio, dobrar as esquinas das palavras e entrar no labirinto das leituras entrelinhadas, dos raciocínios lógicos, ultrapassar, em suma, as premissas dos discursos oficiais e as ideias preconcebidas.
O que prometo no fim, é uma maior clarificação do que está hoje em causa em Portugal, para os portugueses e o seu futuro.
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Na crise dos mercados asiáticos, o Fundo Monetário Internacional (FMI) foi chamado a intervir. Dessa intervenção resultou a criação de enormes reservas de liquidez nesses países, por imposição das medidas económicas traçadas pelo FMI.
As reservas de que falamos serviram, mais tarde, como num sistema de vasos comunicantes, para fluírem das economias asiáticas, superavitárias, para os Estados Unidos e a Europa, deficitários; as ligações fortíssimas entre instituições financeiras, os novos instrumentos financeiros, os juros baixos, o boom no crescimento de preços dos activos derivado da facilidade de acesso ao crédito fizeram o resto: a maior crise económica e financeira de que há memória.
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O FMI alega hoje que faltou regulação, acima de tudo, depois de ter contribuído para os excedentes de liquidez dos países asiáticos: do outro lado da barricada, estão aqueles como eu que defendem que os desequilíbrios entre economias foram o rastilho, que proporcionou a crise financeira.
O FMI defende, hoje, a criação de mecanismos de regulação, não das instituições mas da própria actividade, independentemente do nome das instituições, bancos, edge funds, private equities.
Infelizmente e uma vez mais, há como que uma enorme incongruência no que o FMI pretende e tem vindo a apresentar nas reuniões do G20, e a realidade da acção quotidiana.
A questão não é de regulação por si só mas, acima de tudo, tentar adivinhar de que forma os banqueiros e para-banqueiros irão conseguir iludir aos instrumentos regulatórios, sejam eles quais forem. Parece que a solução agora proposta teria impedido a crise que se vive, mas não há como ter a certeza se evitará outra qualquer crise futura, de contornos diferentes. No fundo é o velho ditado: "depois de casa assaltada [....]. Este é o princípio que rege o funcionamento do FMI: medidas retardadas para problemas presentes, com enormes repercussões futuras.
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No fim do dia fica a moral: quando o FMI entra, alguma coisa sai prejudicada.
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Fala-se agora, mais do que nunca, numa necessária entrada do FMI em cena, em Portugal.
O problema que se pretende resolver é o da falta de capacidade de solvência nacional, por outras palavras, da capacidade de pagar os seus compromissos para com terceiros. Para efectuar estes pagamentos, Portugal precisa de se endividar ainda mais, num lado, para poder pagar dívida, no outro. Ao mesmo tempo necessita de reduzir o défice público, como forma de reduzir drasticamente a despesa do estado; falamos da despesa não produtiva.
Só assim será possível ir reduzindo o défice público anual e a consequente necessidade de empréstimos. Mas uma pergunta salta à vista: estando-se a pagar com dinheiro que se pede emprestado, acaso a economia nacional não aumente a produtividade, como se irá pagar o que agora se pede?
Porque o FMI irá fornecer fundos para Portugal efectuar pagamentos unilaterais, sendo claro e certo que os custos associados à entrada de capitais e gestão do FMI em Portugal, ultrapassa em muito os benefícios esperados. Não entram recursos na economia portuguesa; entram capitais para entregar a terceiros que esperam pelos seus pagamentos.
As razões, apontadas pelo FMI, que justificam a crise portuguesa: despesa pública descontrolada, alavancagem exagerada de particulares e empresas e política fiscal desadequada. Recomendações: austeridade na despesa, redução dos rendimentos das famílias, restrições no acesso ao crédito de famílias e empresas e aumento da carga fiscal, directa e indirecta.
Estas medidas têm uma leitura imediata e um nome claro: recessão e, posteriormente, depressão (passa-se muito rapidamente de um estado ao outro).
É de esperar uma queda de 10% no Produto Interno Bruto (PIB) nos primeiros 18 meses de medidas do pacote FMI. Esta é uma situação de depressão profunda e clara. Ademais, surge um problema: mesmo com um controle desmedido sobre a despesa pública, esta tenderá a subir, pelo agravamento dos juros da dívida soberana. Por outro lado, a recessão / depressão, conduzirão a uma crescente diminuição da receita do estado, pelo que a redução da despesa pública (sem juros da dívida) não será tão impactante quanto o necessário.
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Portugal está refém de uma espiral de dívida, esta mesma reflectida nos sucessivos cortes de rating da República. Não é possível recuperar o país economicamente através de políticas de austeridade constantes, sejam fiscais, sejam de consumo, sejam de cortes no investimento público (não há necessidade de construir o TGV, ruínoso, nem sequer o novo aeroporto, por falta de verbas,mas há necessidade de incrementar a economia - várias medidas possíveis - de investir no conhecimento, de formar matemáticos, de educar economicamente a população).
É minha convicção que Portugal estaria em melhores condições de encarar o seu futuro económico, rejeitando toda e qualquer ajuda do FMI e negociando moratórias para a sua dívida, embora reconheça que este caminho também comporta riscos: mas uma coisa são os riscos inerentes à nossa própria política económica; outra são os riscos das políticas económicas impostas por terceiros.
A aplicação duma política de moratórias, permitiria aplicar os fundos gerados na economia, no crescimento da própria economia, até que atingisse um crescimento sustentado. Exigir-se-ia uma intervenção directa do estado no reavivar da actividade económica, não podendo este ficar à espera do investimento privado, nacional ou estrangeiro, para dar início às políticas económicas reformistas.
Sei que medidas deveriam ser tomadas, mas não cabe neste artigo a sua enumeração, nem o faria com essa ligeireza.
.
No essencial, o que se pede politicamente é a capacidade de , a par de uma política dirigida aos mais carenciados, traçar um plano capaz de reavivar a produção e o consumo, princípios fundamentais para qualquer recuperação económica.
Se o FMI entrar em Portugal, estaremos condenados a 20 anos de miséria.
1.4.11
Despesa (défice é resultante)....
31.3.11
Recordando escritos (muito actuais)
O medo e a incompetencia....
Défice de 8,6% em 2010. Adicionem a redução conseguida com a incorporação do Fundo de Pensões da PT e chegam a um valor superior a 2009. Já com políticas de austeridade.
É escusado fazerem o discurso do poder vitimizado.
A arrogância, ignorância e incompetencia têm limites.
Recordo-me quando escrevi, aqui, em Julho de 2009, depois do Ministro Teixeira dos Santos vir afirmar que o défice em 2009 seria de 5,6%, que após ter feito algumas contas, tinha chegado à conclusão de que seria de 9,4%.
Sei fazer contas, mas não sou só eu; a diferença é que sou honesto nas contas que faço, no que digo e no que escrevo. Também não sou o único honesto: a questão, grande questão, é que os honestos na escrita e na palavra, os intelectualmente honestos e tecnicamente capazes não têm espaço, porque o palco político e executivo foi tomado de assalto pelos outros.
29.3.11
Onde ?
qual a localidade portuguesa onde deverá ser assinado o Tratado, que dividirá Portugal entre brasileiros e angolanos?
Rebuçados em Badajoz....
"Os consultores dizem o que as pessoas que fazem as encomendas querem ouvir e como tal, os estudos não são credíveis" Avelino Jesus dixit.
É assim, como todos sabemos, que os estudos e os consultores se pagam regiamente. A escrever a verdade, numa folha em branco que, recorde-se, aceita tudo o que lhe escrevem, seja letras, seja números (faz igualmente parte da profissão mais velha do mundo, a folha em branco).
Má reputação e fraquíssima preparação técnica e profissional têm as grandes consultoras americanas, os seus consultores, que durante anos maquilharam balanços e demonstrações de resultados. A Arthur Andersen fechou por incompetência dos seus técnicos. Ainda se tivessem utilizado técnicos portugueses, mas não, insistiram nos americanos.
Por cá somos todos boa gente. As intenções são sempre políticas.
Mas deixem que pergunte: 4,7 milhões de passageiros só no primeiro ano? Acredito.
Ainda se vendem rebuçados em Badajoz? Se sim, prevejo que a procura possa ser maior.
28.3.11
Cosméticas e pesadelos...
A recente disposição de não auditar as contas públicas é um desses temas. Não se ouviu uma palavra, só assobios para o ar.
A cosmética aplicada na contabilidade pública rivaliza, estou certo, com a Lady Gaga.
Os sacrifícios são pedidos, mas a realidade não pode ser conhecida: nem por nós, nem pelos parceiros, grandes amigos, que temos na União Económica e Monetária. Porque se essa realidade se sabe, bom, o mundo desaba e esse mundo chama-se Portugal.
Mas será que o encobrimento da cosmética que encobre a realidade crua - esta que vivemos ainda está retocada, como percebemos - evita o desabamento que se teme? Numa situação de abundância de capitais, talvez, em escassez não. Forçosamente, mais cedo ou mais tarde, os buracos na pele, o acne e pontos negros irão aparecer, de nada valendo o sigilo sobre as manobras contabilísticas efectuadas.
Apetece evocar um paradoxo interessante: porque razão há maior preocupação com a pele do que com a moral: porque as manchas na alma limpam-se, sendo as do acne mais difíceis.
Assim, não é de estranhar a inexistência de moral na sociedade política e económica portuguesa, mas haja uma enorme preocupação com o acne e borbulhas na sua pele, exigindo esta constantes manobras de cosmética.
Neste caminho que se faz de embustes e favores, o país vai definhando falido, os portugueses vivem sem futuro visível e a democracia não passa de um sonho.
Entretanto vivemos um pesadelo e deixamos, como herança, um pesadelo.
24.3.11
O draconiano Pacto para o Euro....
Se a adaptação da idade de reforma, de acordo com a esperança média de vida, me parece correcta - nem sequer imagino como se pode pensar parar de trabalhar tão cedo, para além das consequências óbvias para a sustentabilidade do sistema de segurança social - outras há que são difíceis de compreender e digerir.
A saber:
(1) Controlo do custo dos salários: há nesta medida uma clara ingerência nacional, por meio de medidas impostas pelos países que compõem o núcleo duro da União Europeia. A medida visa fomentar a igualização por baixo; se o país é pobre, os salários são parcos, o poder de compra baixo, a economia pouco desenvolvida ao nível da procura agregada. Os países nesta situação ficam sujeitos a baixos salários e vocacionados, contra natura económica, para as exportações, o mesmo é dizer, para a satisfação de necessidades internas dos países ricos. Criar pequenas Chinas dentro da União Europeia, parece ser o alcance desta medida.
(2) Limites ao endividamento público: não há separação de águas, entre despesa primária e despesa de investimento. Existirá um limite de endividamento consagrado na lei do país e ponto. Cabe aos governos estimular a economia, existindo vários instrumentos possíveis, cabendo entre estes o investimento público. Limitar o endividamento a países que já estão sobre-endividados, significa não investir; para países não endividados, a limitação existe ao nível do Produto Interno Bruto; o princípio é básico: se és rico rico serás, se és remediado, remediado ficarás.
(3) Harmonização dos impostos sobre as empresas: os impostos são calculados sobre os resultados após encargos financeiros, provisões e amortizações. As empresas que apresentem maiores lucros pagarão mais impostos, numa base absoluta, porque numa óptica relativa, o percentual fiscal é o mesmo. Estas são as empresas de maior dimensão, situadas nos maiores mercados, onde existe poder de consumo interno. Assim, imagine-se que o IRC é o nosso: 25%. Se uma empresa tem de resultado 100 paga 25. Se outra tem 50 de resultado paga 12,5. No fim, a liquidez resultante é de 75 no primeiro caso e de 37,5 no segundo. A capacidade de investir, de alavancar a actividade por meios próprios é claramente superior para a primeira empresa, que no período seguinte ganhará, suponha-se, 85 enquanto a segunda terá de resultado líquido, porventura 39,5. A diferença aumentará incomensuravelmente ao longo do tempo, tornando impensável o crescimento de umas, sem que as outras cresçam muito mais. A prazo, a economia é dominada pelas grandes corporações, não havendo espaço para a média empresa, a não ser nos mercados desinteressantes para as grandes dimensões. Acresce que a dimensão dos mercados nacionais impele a dimensão das próprias empresas; se aduzido ao limite do custo dos salários, a conclusão é fácil de tirar.
Esta Europa, este Directório de países, prepara-se para dar uma estocada final nas pequenas economias.
Esta União Europeia, esta União Económica e Monetária são ilusões criadas por políticos hábeis na intenção de colonizar economicamente o espaço europeu. A falta de coragem política dos pequenos países, a par dos lugares cativos prometidos aos decisores políticos nacionais afundam, irremediavelmente, a soberania nacional, o orgulho nacional.
Adicionem-se a moeda única, as imposições de Bruxelas, o Tratado de Lisboa e o cenário está criado.
Compreendem-se as manifestações, mesmo que por variadas razões, que se fazem sentir hoje em Bruxelas.
Percebe-se, também, o porquê do fim da União Europeia, do euro, de uma ideia de Europa unificada numa impossível Federação de Estados.
Nem Orwell almejaria ser tão draconiano.
22.3.11
menos com menos....
A questão central é essa mesma: a crise não existe porque o PEC não é aprovado; a crise existe porque a despesa primária não desce em conformidade com as necessidades do país. Mais, a despesa com capital sobe assustadoramente, sendo de cerca de um milhão de euros/hora dejuro, neste momento.
Pedir sacrifícios de nada serve se a despesa é imparável. Depois, uma economia recessiva joga do mesmo lado da despesa: menos com menos dá menos.
21.3.11
Imbecilidades..
“Portugal precisa de um aumento radical de impostos”
Este iluminado é presidente do IFO-instituto de investigação económica.
Estou farto destes iluminados, destes azelhas que chegam aos lugares sem saber ler nem escrever.
Estou cansado das conveniencias políticas, da mediocridade, das danças das cadeiras, dos discursos encomendados. Mais cansado ainda, por cada um dos imbecis que ocupam estes cargos, se arvorar o direito de emitir opiniões sobre o meu país. E más opiniões, péssimos conselhos, aberrantes raciocínios.
Para este hipócrita, redução da despesa do estado, nem pensar - ele próprio vive da despesa de vários estados - mas aumento dos impostos sim, porque as gentes deste país (ou doutro qualquer) descobriram a árvore das patacas; quanto mais pagarem em impostos maior capacidade terão de pagar mais, e mais, e mais, porque a fonte de rendimento não se esgota.
16.3.11
Falta de coragem política tem custos, para Portugal....
O problema reside quando se diagnostica, mas não se aplica o tratamento in tempu.
A oposição teve tempo útil para derrubar este governo. Muito tempo. Mas não quis. Esperou, na vã esperança que o primeiro-ministro caísse de podre. Não caíu, até agora.
O primeiro-ministro aposta agora numa certeza: a necessidade do pedido, que irá credibilizar a intenção de recuperação, pedido que , reafirma-se, é só de credibilidade institucional e não de apoio financeiro concreto. Entretanto procura "desculpas" para sair, mantendo-se em funções de gestão. Estratégia: enquanto governo em gestão, assiste à entrada técnica do FMI e/ou do fundo de apoio europeu, clamando em simultâneo que a culpa da "entrada" é de quem o derrubou.
Resultado: um povo que é ingénuo pode dar uma "vitória de Pirro" a Passos Coelho e Paulo Portas, o mesmo é dizer uma votação de, pelo menos, 32% para o PS, impossibilitando qualquer solução governativa.
Quanto mais tarde for tomada a decisão de derrubar o governo, mais o governo e o primeiro-ministro capitalizará, politicamente.
Este país continua a não ter rumo nem coragem política.
14.3.11
Mentiras.....
Faltou-lhe perícia e modus operandi político.....
Mas numa afirmação tem razão: sempre prometeu o seu melhor desempenho, a sua melhor eficácia. Pena que uma e outra sejam tão fracas, mesmo medíocres.
Quanto à crise política, ou estala já ou basta esperar 3 semanas. Mas o país aguenta esta pausa, este lamaçal, esta incerteza no futuro? Não acredito: estamos parados, "mortos", atolados e só saímos, tanto mais depressa saímos, quando houver a coragem política para mudar o rumo.
P.S. quem o ouve parece que chegou ontem a S. Bento.
P.S.S. mentiras aos montes, cada vez mais mentiras. Assusta!
Ironias.....
5.3.11
Entusiasmo pessoal ( e porque não nacional), por fim...
O entusiasmo deriva do facto de se saber que existem 30.000 empregos feitos à medida, por encomenda. Senão vejamos: onde estavam as disciplinas de "estudo acompanhado" e "área de projecto" há meia dúzia de anos atrás?
Se acaso não tivessem sido inventadas estas duas disciplinas, para suportar uma saída avassaladora de licenciados das universidades nacionais, estancando assim, à altura, a mais que certa contestação social, onde estariam empregados estes, agora supostamente sacrificados, 30.000 professores?
No sector privado? Não creio, porque o país desistiu de si mesmo, quando aniquilou o sector primário e secundário (leia-se agricultura e indústria) e se precipitou numa débacle original, acabando com os cursos técnico-profissionais, preenchendo o país formal de doutores e engenheiros.
Onde estariam então estes 30.000 licenciados? Resposta certa: no desemprego.
Na realidade o emprego destes 30.000 (como os de muito mais) nunca existíu; foi-lhes presenteado para os apaziguar, para os calar, para os conformar, mas a sua valia é (e sempre foi) zero; porque as disciplinas não valem por si, curricularmente, nem enquadradas no plano de estudos; porque contribuem decisivamente para tirar tempo aos alunos, tanto no lazer como no estudo.
Assim, é fácil perceber que estes empregos não existem, nem nunca existiram.
E é aqui que nasce o entusiasmo, quase esfuziante, da constatação de que há empregos à medida em Portugal, para todas as medidas e, constatado o facto, todos nós podemos aspirar a ter, um dia, um emprego talhado à nossa medida.
Eu quero o meu já.......
25.2.11
Os erros grosseiros de alguns economistas da moda....
1º erro :Competir no mercado mundial:
Considerar que os países são empresas em concorrencia permanente. O comércio internacional não é competitividade, mas sim trocas beneficamente mútuas. Ademais, o objectivo principal do comércio internacional são as importações e não as exportações, ou por outras palavras, o que um país ganha com o comércio internacional é a capacidade de importar coisas de que necessita; as exportações são uma resultante.
2º erro: Produtividade
Uma produtividade elevada, num país, é benéfica porque permite ao país produzir e, consequentemente, consumir mais e não por ajudar um país a competir com outros países, conceito válido quer numa economia aberta, como numa economia fechada.
3º erro: Sectores de elevado valor acrescentado
Se um país é mais produtivo que outro, sejam quais forem os sectores de actividade considerados, o valor agregado por trabalhador será sempre superior quando comparado com um país onde a produtividade seja menor. Obviamente que a riqueza de um país não depende de se especializar em sectores de actividade de outro(s) país(ses), onde o valor acrescentado seja maior. É tudo uma questão de produtividade, sejam quais forem os sectores em que o país opere.
4º erro: Emprego
O nível de emprego num país é uma questão macroeconómica, dependendo a curto prazo da procura agregada e a longo prazo da taxa natural de desemprego; a microeconomia quase não tem efeitos líquidos. A política comercial tem de ser encarada sobre a perspectiva do seu impacto sobre a eficiência, e não sobre o número de empregos criados ou perdidos.
18.2.11
Algumas das razões onde gostaria de não ter.....razão
Também, por outro lado, atentando ao número crescente de jovens desempregados, a razão volta a saltar, quando escrevia que era um erro acabar com o serviço militar obrigatório, atirando dois anos mais cedo para o mercado de trabalho com todos os jovens deste país, sem que houvesse condições de absorver o aumento da oferta de mão-de-obra daí resultante.
Não gosto de ter razão por estas razões, mas tenho e de há muito tempo.
15.2.11
Viver para o momento.....
Segundo parece, de acordo com as fontes oficiais do costume, as exportações portuguesas aumentaram. Ora este aumento prefigura um paradoxo.
Razões: antes da crise financeira e económica havia uma expectativa de tendência para as exportações (o mesmo é dizer nas importações, porque só há uma coisa havendo outra) no mundo industrializado, casos dos EUA e da Europa.
Para os países que não foram afectados no seu sistema financeiro, as importações desceram cerca de 5% face ao que era esperado (a tendência).
Nos países afectados no sistema financeiro, casos dos EUA e Europa, a queda situou-se em cerca de 25% em média, face aos números esperados nas importações, ou por outras palavras, o comércio internacional caíu, em média, 25%. Nestes países não é expectável que o comércio internacional venha a recuperar nos próximos anos. Assiste-se a uma queda acentuada nos primeiros dois anos da crise e, depois, a uma estagnação, derivada dos problemas com um difícil acesso ao crédito, sobre-endividamento, em suma, as conhecidas dificuldades.
Nós portugueses estamos a importar menos, porque estamos a consumir menos, mas parece estarmos a exportar mais: se os outros estão a importar menos, como é que nós estamos a exportar mais? E, acima de tudo, o que é que estamos a exportar em maior quantidade? Não são automóveis nem bens de equipamento. O que será então?
Clara, claríssima, parece ser a conclusão a tirar: exportámos mais vinho e cortiça e etc., em 2010, porque estávamos a fazer um mau trabalho até aí..... o que não poderíamos ter exportado antes se soubéssemos o que fazer, se fossemos conduzidos por gente capaz, gente que estivesse colocada a todos os níveis, das empresas às associações empresariais, dos institutos públicos aos gabinetes onde se cozinha a governação do país.
Mas não temos essa gente, não somos conduzidos numa perspectiva de eficiência e eficácia. Somos malevolamente empurrados para uma cultura de desresponsabilização, para uma postura de indiferença, para um estado de letargia que nos mata.
Mata-nos a nós e aos que se nos seguem.
9.2.11
As loucuras da nossa sociedade e os tiques de novo-riquismo
O custo de manutenção é de 5.000 euros por dia, o que significa que a autarquia se vê privada de 150.000 euros mensais. Multiplique-se por 12 e veja-se a enormidade que significa para os habitantes de Leiria e a edilidade, que estão privados da aplicação dessa verba no seu bem-estar e desenvolvimento.
Anuncia-se agora a rescisão do contrato de utilização do estádio por parte do União de Leiria; fica a saber-se que deveria pagar 17.500 euros por jogo disputados, (que segundo aparece na imprensa nada pagou esta época) o que significaria, a ser cumprido o contrato, uma receita de 35.000 euros mensais (dois jogos por mês) para a sociedade gestora da infraestrutura, mesmo assim muito longe dos necessários 150.000 acima referidos.
Solução, única possível: a implosão do estádio.
A implosão de uma verba a rondar os 80 milhões de euros (dizem-me).
Implodir é a única saída, mas não pode significar o esquecimento: há que apurar responsabilidades, determinar quem decidiu construir dez estádios quando bastariam oito.
Outro caso lamentável é o estádio do Algarve que não serve rigorosamente para nada, a não ser consumir o erário público.
Todas estas torneiras pingam diariamente, o que se perde é muito e não aproveita a ninguém.
Revisitando: publicado em 15 de Setembro de 2005....
RAZÕES DA MEDIOCRIDADE
Citando Fayga Ostrower:
Citando Miguel Torga:
«Moeu‑me a paciência! Trinta anos, bem medidos, de tenacidade! Cheguei quase a desanimar. Vinha, olhava, tornava a olhar, e nada. Alcandorado no seu trono de penedos e nuvens, com o Douro ajoelhado aos pés e o céu a servir‑lhe de resplendor, o Santo furtava‑se ao retrato poético, de qualquer ângulo que eu apontasse a objectiva. Hoje, porém, de repente, entre duas perdizes, não sei por que carga de água, abriu o rosto e foi ele mesmo que me propôs o instantâneo. / ‑ Mostre lá então as habilidades... ‑ pareceu‑me ouvi‑lo dizer. / Nem escolhi enquadramento. Antes que se arrependesse, travei a espingarda e disparei a imaginação ao calhar, do sítio onde estava. / Na arte fotográfica propriamente dita, à sístole diafragmática segue‑se a revelação da película na câmara escura, rematada por alguns retoques amáveis às imperfeições da obra. No meu caso, não houve película, nem câmara escura, nem retoque nenhum. A imagem saiu como está do acto retentivo. Parecida com o original? Muito longe disso. Os poetas não trasladam feições».
Citando Fayga Ostrower:
«Todo o processo de elaboração e de desenvolvimento abrange um processo dinâmico de transformação, em que a matéria que orienta a acção criativa é transformada pela mesma acção. [...] Transformando‑se, a matéria não é destituída do seu carácter. Pelo contrário, é diferenciada e, ao mesmo tempo, é definida como um modo de ser. Transformando‑se e adquirindo uma nova forma, a matéria adquire unicidade e é reafirmada na sua essência. Ela torna-se matéria configurada, matéria‑forma, e nessa síntese entre o geral e o único é impregnada de significados»
António Ferreira, a Diogo Bernardes, aconselha o amigo:
Não mude ou tire ou ponha, sem primeiro
Vir aos ouvidos do prudente, experto
Amigo, não invejoso ou lisonjeiro.
[...] Per'isto, é bom remédio às vezes ler‑se
A dous ou três amigos; o bom pejo
Honesto ajuda então a melhor ver‑se.
Vitorino Nemésio, no poema «O Bicho Harmonioso» escreve:
Eu gostava de ter um alto destino de poeta,
[...]
Tudo isto seria aquele poeta que não sou,
Feito graça e memória,
Separado de mim e do meu bafo individualmente podre,
Livre das minhas pretensões e desta noite carcomida
Pelo meu ser voraz que se explora e ilumina.
A capacidade que cada um detêm para se afirmar, internamente, com maior ou menor grau de exigência nas suas acções, atribuindo-se satisfação ou pelo contrário criticar-se duramente e nunca ficando satisfeito com a obra realizada advém, com naturalidade, da dualidade surgida da aprendizagem feita da vida vivida com as impressões decalcadas do meio social e cultural onde cresceu e se moldou.
Não significa, forçosamente, que a condicionante social e cultural não possa ver-se melhorada e acrescida quando o indivíduo possui forte espírito crítico e enorme inteligência. A cultura espelhada é o reflexo da imagem das alegrias e frustrações apreendidas e da capacidade interpretativa das mesmas. Se o homem nasce e cresce rodeado de sentimentos pequenos e mesquinhos dificilmente o deixará de ser. O reflexo que projecta é, em grande parte, fruto dos reflexos colhidos de todos os outros com quem privou, que escutou e com os quais concordou ou discordou.
A própria essência do acto de concordar ou discordar é relativa e fortemente condicionada pelo espírito crítico, pela inteligência, capacidade de análise e cultura assimilada, tudo vertentes de um mesmo sólido: a aprendizagem efectuada e constantemente aumentada e reciclada. Estando a aprendizagem inteiramente dependente da transmissão oral e escrita, falhando em parte ou no todo aquela resta a leitura compulsiva e multifacetada para suprir as lacunas do conhecimento. Ficam contudo de fora as acções comportamentais associadas ao meio social onde cresceu e os valores retidos, estes normalmente incutidos pelo processo de transferência familiar.
Não é assim indiferente para a transformação da matéria todo o conjunto de significados apreendidos pelo indivíduo, influindo directamente na maneira de ser e no carácter deste. O maior ou menor grau de exigência que fixamos para nós próprios reflecte-se, directamente, na menor ou maior satisfação que retiramos dos nossos actos e na nossa própria realização. É a diferença entre acertar a bitola por cima ou preferir comparar por baixo.
É então claro que quanto maior o grau de compreensão dos fenómenos, maior o grau de exigência nos comportamentos e acções. Tendencialmente procuraremos os melhores e, ainda assim, viveremos confrontados com a realidade de que o que fazemos, todo o processo criativo fundido no geral e no particular, poderia ser ainda melhor e essa constatação e insatisfação simultânea leva a uma transmissão social e cultural cuidada e atenta, na esperança de que quem nos escuta e nos precede consiga fazer melhor.
Infelizmente para o Portugal político o conhecimento, a exigência individual e a consciência do colectivo foi vencido pela mediocridade no geral. Na mediocridade não há lugar para vozes discordantes só havendo mesmo lugar para os medíocres e os muito medíocres, porque a comparação se faz por baixo. O padrão não comporta significados nem carácter. A essência da coisa reside nos tiques pequeno-burgueses, adicionados a uma forte dose de impreparação cultural, ausência de postura e desconhecimento das regras de comportamento social.
É por culpa do homem político nacional que o País está como está: sem identidade, sem valores, sem história, sem cultura, sem educação. Em suma, sem sentido.
7.2.11
Há cada mente brilhante.....
Vitalino Canas é brilhante, mas brilhantismo político à portuguesa: esquece-se que o espaço político ocupado por PS e PSD sempre foi o mesmo, que o mecanismo político natural faria (fará) com que um partido perca dimensão, irremediável, para o outro; esta mesma dimensão foi percepcionada por Sá Carneiro e Amaro da Costa: a AD teria acabado com o PS.
A batalha política ao centro mantém-se; o PCP tem tudo a ganhar com o fim do PS ou do PSD, porque a franja mais à esquerda será captada pelos comunistas (o BE não é um player neste cenário).
De qualquer forma, não deixo de vincar o carácter brilhante da afirmação de Vitalino Canas, no tal espaço de brilhantismo político nacional.
3.2.11
A alavancagem financeira, instrumento fundamental de criação de riqueza
Desta ilação, que começa a tornar-se perigosamente um paradigma, resulta uma outra muito perturbante: se os países são ricos ficarão cada vez mais ricos, se as empresas são ricas ficarão cada vez mais ricas e todos os outros, que não tiverem capitais próprios, ficarão para sempre condenados a ser "pobres", resulte a definição no que tiver de resultar.
O mesmo é dizer: se uma família dispuser de dinheiro continuará a dispor, a menos que o esbanje ou invista mal mas, todos os outros que não tiverem "prata", nem sequer dispõem das más opções mencionadas. O mesmo se passa com os países.
Não conheço criação de riqueza sem alavancagem financeira, quer nas pessoas, quer nos países.
Caso contrário, um país pobre será sempre pobre ou dependente de outro(s), assim como uma pessoa pobre será sempre pobre ou dependente de outra(s).
Se queremos crescer temos de ser financeiramente alavancados; o problema surge quando existe uma enorme incompetencia técnica e executiva, tanto na governação de um país, como no governo de uma empresa. Mas a alavancagem é fundamental.
2.2.11
GOL interessada nas rotas aéreas europeias, por serem lucrativas....
A razão é lógica: a GOL só opera no mercado sul-americano e pretenderá rotas lucrativas, como são as rotas europeias. A notícia é esta.
A pergunta que fica: rotas lucrativas para uns geram prejuízos para outros, no caso a TAP?
Alguém que explique por favor.
1.2.11
Ponto de situação: não sou gestor público e concordo com a afirmação,senão vejamos: como é possível que os gestores públicos ganhem tanto ou mais que os privados ?
Vamos por partes: (1) os gestores são responsáveis pela boa gestão dos activos que lhes estão confiados; (2) os gestores são responsáveis pelos orçamentos aprovados e pelos resultados obtidos; (3) os gestores são responsáveis pelos endividamentos, tendo de convocar Assembleias Gerais, quando os montantes e a montagem das operações requer a validação dos accionistas; (4) os gestores são responsáveis pelo bom cumprimento fiscal e pagamentos à segurança social.
Os gestores públicos não respondem perante o fracasso da gestão dos activos, não respondem pelos orçamentos fixados, não respondem pelos financiamentos (que são autorizados pela tutela), não respondem perante a máquina fiscal ou a segurança social.
Conhecemos n exemplos de gestores privados que são perseguidos pelo fisco, através do direito de reversão. Conhecemos algum caso de gestores públicos?
As empresas públicas têm prejuízos imensos, pagam os salários religiosamente e ainda lhes sobra papel para pagar impostos? Alguém acredita?
Verifique-se e a conclusão será simples.
E os orçamentos? São constantemente ultrapassados, desrespeitados, sem que haja qualquer tipo de penalização.
Os actuais gestores públicos são inimputáveis, pelos vistos, e como inimputáveis que são não podem ser responsabilizados. Assim sendo, devem, de facto, ganhar muito menos do que ganham.
Claro que pagando menos recebe-se menos; mas assim como assim, se a falta de qualidade já é habitual, que se pague menos.
Uma última palavra para as associações patronais deste país: ou estão cegas ou vendidas.
Cheira a enxofre.....
Vivemos tempos muito perigosos, infelizmente. Tudo isto se passa num momento em que o "ouro negro" ainda é abundante; imagine-se o que será no dia em que o petróleo escassear para aquelas bandas (se é que esse dia chegará) ou forem substituídos os carburantes na indústria ? O caos, o inferno às portas da Europa, do qual já começamos a sentir o cheiro de enxofre.
26.1.11
Agora, depois das presidenciais......
Ganhou quem tinha de ganhar, para bem de um equilíbrio fundamental, pelo menos temporário, para encarar tempos difíceis que se avizinham.
Ilações também não há muitas a retirar: o presidente vale o que vale, ao nível de poderes e os votos conseguidos pelos candidatos esgotam-se no encerramento das urnas. O candidato ganhador é legitimado para a função de Presidente e os vencidos valem tanto em votos como valiam no dia anterior à votação, ou seja, zero.
Senão vejamos: se os votos fossem mesmo importantes no pós-eleições, tínhamos um Presidente eleito com 1/5 dos eleitores recenseados e um total de 3/5 de abstencionistas, brancos e nulos. Ou por outras palavras, O presidente não seria legitimado. Mas a legitimação acontece com a vitória nas urnas, independentemente do número de votos. Pela mesma razão que Manuel Alegre não representou durante 5 anos o mais de milhão de votos que obteve em 2006, nem foi sua voz, como Fernando Nobre não valia na 2ª feira os 500 mil votos conseguidos no Domingo, nem é seu porta-voz.
Importante é o que se segue: as legislativas obrigatórias. Estas não necessitam de ser provocadas pelo Presidente; ao contrário, o Presidente vai ser obrigado, por força das circunstancias económicas e financeiras, más, do País, a dissolver o parlamento e a convocar eleições. Basta esperar sentado.
Os resultados que as eleições legislativas acarretam são de análise mais difícil: o Bloco de Esquerda pode manter ou mesmo subir ligeiramente a sua votação (em face do descontentamento popular), razão maior para ter apoiado Alegre, ou por outras palavras, evitar ir contar espingardas nas presidenciais tão em cima de umas legislativas (as espingardas seriam poucas e o resultado nefasto). Óptica diversa tem o Partido Comunista, que, de há umas eleições a esta parte, prefere contar os indefectíveis para depois trabalhar o restante eleitorado.
O partido Socialista também se refugiou em Alegre, evitando o escrutínio a Sócrates, caso aparecesse com candidato próprio. Ainda por cima apareceu à boleia do Bloco, o que deu um enorme jeito.
Contudo, os resultados eleitorais esperados nas próximas legislativas não pressupõem uma maioria absoluta por parte de qualquer dos partidos; há que juntar a variação da abstenção na equação.
Considerando que o Bloco pode chegar aos 14%, os comunistas aos 12%, que os socialistas não farão menos de 30% e que os brancos e nulos serão de 2%, ficam para sociais-democratas e centristas 42% dos votos, insuficientes para qualquer maioria. A importância da abstenção fica relevada pelas contas fáceis que se apresentam. Mas para combater a abstenção e fazer variar sentidos de voto descontentes, é necessário um projecto nacional que galvanize e faça acreditar num futuro possível com esta classe política.
Passos Coelho tem evoluído favoravelmente, aumentando a certeza e assertividade discursiva, gerindo bem timings, assentes numa postura que transmite uma cada vez maior solidez ao candidato. A ausência da bancada parlamentar, por delito de opinião, tem-lhe sido favorável, poupando um desgaste que em nada lhe seria proveitoso: tem aproveitado bem as aparições públicas e consegue ser notícia e, acima de tudo, escutado com a maior atenção. Não conseguiria melhor como tribuno no parlamento.
Aí, no parlamento, o grande trabalho e despesa tem sido feito pelo CDS e Paulo Portas, claramente num plano superior ao PSD. A sua voz e de companheiros de bancada é a única lufada séria num arrazoado de comportamentos que diminuem o plenário e não elevam a democracia. O PSD, por ausência do líder, tem-se mostrado pouco firme e mesmo pouco esclarecido e preparado; compreende-se para que não haja sombra desnecessária a um líder ausente.
O problema reside agora na preparação das legislativas: o PSD precisa de um CDS forte; o CDS precisa de um PSD ganhador. Esta confluência de interesses só é possível num cenário de coligação pré-eleitoral. Sem coligação há divisão e confusão no eleitorado.
Ao contrário do que Miguel Relvas, de forma infeliz afirmou, o PSD não emprestou onze deputados ao CDS; foram os eleitores que entenderam ser o CDS, pelo seu trabalho e intervenção políticas, merecedor do número de deputados que apresenta e, ainda agora, em condições parlamentares difíceis, pelo difícil estado do País, o CDS faz todos os dias por merecer esses deputados. Afirmar o contrário é afirmar a falta de clarividência do eleitor, na hora de depositar o voto na urna. Mas o eleitorado, parte dele, chegadas as próximas legislativas, ficará dividido entre o voto de mérito ao CDS e o voto útil ao PSD. Votar PSD aumenta o número de deputados deste mas fará cair o CDS para quinta força política. Vantagens ? Nenhuma. Por outro lado, por aplicação do método de D´Hondt, o somatório dos votos conjuntos de PSD e CDS gerarão maior número de deputados do que a sua divisão.
Parece evidente a necessidade de um entendimento entre os dois partidos.
Por último, uma palavra a bem do esforço de recuperação nacional, quer económica e financeira, quer acima de tudo de credibilização dos actores políticos: a manutenção de Luis Amado como Ministro dos Negócios Estrangeiros (MNE) será um acto de justiça. É o governante que mostra maior empenho na causa nacional e maior distanciamento das questões político-partidárias. Sendo o papel do MNE tão importante nos areópagos internacionais e sendo Luís Amado estimado e tido como pessoa séria e conhecedora, deveria manter-se na pasta, para garantir a continuidade da política externa portuguesa, atribuindo-lhe um cariz de perenidade.
Consumo de antidepressivos anormal ? Depende do ponto de vista.....
21.1.11
15.1.11
"Num país onde o ditador Ben Ali e a sua família ainda controlam a economia [...], o trabalho está reservado àqueles que têm sorte ou aos que gozam de relações privilegiadas com a diminuta e poderosa elite de Tunes. Na Tunísia, como em outros tantos países, não são as qualificações ou o mérito que determinam o sucesso. É antes o nome, o casamento ou a filiação partidária."
Exceptuando o nome de Ben Ali, o restante é expressão de uma realidade que todos conhecemos, bem demais, em Portugal.
A nossa sociedade, liberdades e garantias são iguais a tantas outras - como por exemplo na Tunísia.
12.1.11
Produção para quando ?
Tenho uma dúvida: quando é que começamos a produzir ?










