10.12.09

A verdade recompensa, mesmo quando é MÁ....
Qual é a razão que nos impede de querer ouvir más notícias ? As más notícias são "más" porque mostram claramente falhas detectadas no sistema, e ninguém gosta de admitir que falhou.
Contudo, as más notícias providenciam uma informação preciosa: que existem problemas que têm que ser resolvidos antes que se tornem maiores. Assim, perante os líderes (sejam políticos ou empresariais) dever-se-á apresentar os problemas mal eles surjam e estes deverão recompensar quem assim o faz.
Este princípio é válido, totalmente válido, para a governação.
Um país informado reage positivamente perante os problemas e recompensa os seus dirigentes, ao contrário de um país enganado que, num jogo de "faz de conta", se deixa enlear pelas tropelias das mentiras e, quando se dá conta, já é tarde para "emendar a mão". Neste último e dantesco cenário um país deverá punir severamente os seus líderes políticos.
Quanto mais cedo os problemas são conhecidos, mais cedo poderemos utilizar mecanismos de reacção, utilizando os recursos mais apropriados.
Hoje é a Grécia que se discute. Amanhã, mesmo amanhã será Portugal. Quantos mais países na União Europeia estão falidos ? Quantos mais ?

7.12.09

À falta de ideias não se chama maioria oposicionista, chama-se falta de ideias...
O Ministro Jorge Lacão vem falar em medidas propostas pelo PSD (alterações orçamentais) incompatíveis com as finanças do estado, alegando falta de responsabilidade de estado por parte deste partido.
o bom do Dr. Antonio Vitorino vem especular sobre uma maioria absoluta de oposição, contrária aos interesses do governo e do estado, vincando em simultâneo o papel não-conciliador do Presidente da República e colocando-o perante um desafio difícil (como se a actuação até ao momento de Cavaco Silva tivesse algo a ver, mesmo infimamente, com o papel que Sampaio desempenhou no derrube do governo Santana Lopes).
Ambos esquecem o mais importante e o que é de facto fundamental: nem é possível ao PSD fazer passar as alterações que bem entende porque não tem maioria parlamentar; bem como não é possível considerar, sequer em tese, que quatro partidos tão distintos, no pensamento e no espectro político, se entendam com tanta facilidade (ir do BE até ao CDS ainda é uma viagem e tanto).
Se o que o PSD defende (orçamentalmente) merecer a maioria da votação na Assembleia da República, então estaremos perante medidas que não chocam qualquer dos eleitorados desses quatro partidos e, assim sendo, são clara vontade da maioria dos cidadãos votantes, ou seja, são bem ou mal as medidas que a maioria dos portugueses quer ver a funcionar no terreno.
Igual raciocínio é válido para todas as iniciativas parlamentares socialistas e chumbadas pelos restantes partidos representados no hemiciclo: a maioria dos portugueses não se revê nessas medidas.
É uma enorme falsidade pretender que há uma maioria oposicionista.
O que existe é um governo e um primeiro-ministro que não sabem que medidas adoptar perante este país transformado num pantano; faltam as ideias e os objectivos; falta a vontade de mudar atitudes e práticas despesistas; falta humildade para encarar a realidade: este é um país muito pobre.
Perante a ausencia de ideias e perspectivas, baseada a governação na demagogia, despesismo e autoritarismo autista é fácil para esta oposição tão heterogénea entender-se na Assembleia da República.
A solução existe mas requer coragem, verdade e sacrifícios: uma política nacional de carácter social, com investimentos virados para a valorização do cidadão e das condições essenciais ao bem-estar social, com uma política económica encarada como ferramenta e não um fim.

2.12.09


A mentira é válida...o aproveitamento político não....(no pensar do "poder")

Ficámos hoje a saber, pelo sound bite que nos chegou da Assembelia da República, que nesta república das bananas não é importante determinar se o Primeiro-Ministro (PM) mentíu na Assembleia da República (ao fim e ao cabo a Assembleia Nacional) quando em Junho de 2009 disse nada saber sobre o negócio Prisa/PT, mas sim se a líder da oposição tinha utilizado informação que prefigure fuga de informação para fazer combate político, nessa data, chamando-o de "mentiroso".
Num país onde o PM pode mentir impunemente sem que ninguém questione a sua idoneidade para exercer o cargo, penso que até se deveria ir mais longe; não só utilizar as fugas de informação como publicar tudo o que se sabe e se pode provar.

27.11.09

As Maiorias Negativas (para quem?)
A resultante verbal, por parte do Ministro das Finanças, outros Ministros e máquina socialista, da votação contrária aos interesses do governo na Assembleia da República foi má e dissonante, a mostrar desespero, se atentarmos na recente propaganda política que o mesmo se tem encarregado de difundir:
(1) Afinal sempre havia aumento da carga fiscal com o novo Codigo Contributivo; de acordo com as contas do Ministro das Finanças, o atraso na entrada em vigor do diploma acarreta uma perca de receita fiscal de 80 milhões de euros. Estimo que fosse bem mais que isso, mas os 80 milhões já chegam para provar o ponto de vista;
(2) A preocupação não está centrada na redução da despesa pública mas no aumento da receita fiscal. O curioso é que o aumento da receita para uns (o estado) representa um aumento de despesa para os outros (as empresas). No estado em que as empresas se encontram já é necessária muita coragem para se ser empresário; aumentando a carga fiscal começa a assumir laivos de insanidade. O dinheiro que se liberta na actividade económica não dá para tudo. Como é que vai ser quando os juros que incidem sobre a divída pública aumentarem, por via dos ratings manhosos a que Portugal se vai sujeitando? Aumentam-se os impostos até quando? Creio que não há a mínima noção do limite para esse aumento, caso contrário já se estaria numa política de contenção extrema na despesa pública não produtiva, e de alavancagem da economia através do aligeirar da pressão fiscal sobre os contribuintes.
(Repito que os défices não são todos maus. Maus são aqueles que temos);
(3) O Pagamento Especial por Conta (PEC) nunca deveria ter sido criado. Foi uma péssima invenção de Manuela Ferreira Leite com custos insuportáveis para as empresas, todas elas, independentemente da dimensão, e não passou de um expediente menor na capacidade de controlar o défice, porque saíu de um raciocínio obtuso identico ao do Ministro das Finanças actual: onde é que vamos buscar mais dinheiro ? (assim mesmo, da forma mais singela possível);
(4) A desculpa de que o défice de 2010 está descontrolado é bacoca e insustentável; sem nenhuma das medidas novas e com o PEC a funcionar o défice de 2009 já está descontrolado. Qual a diferença em relação a 2010? Ah... a diferença está no endividamento externo que está em cima do total do PIB, ou seja, em valor absoluto 100% do Produto Interno Bruto (PIB) nacional, em contagem crescente diária e com juros crescentes (em virtude do aumento do risco que a dívida externa da República representa).
Nasceu entretanto uma outra adjectivação política nacional: a maioria negativa.
Lindo: maioria negativa.
Os gurus do marketing político não se podem queixar com falta de trabalho.
As terminologias políticas nascem como cogumelos.
Assistimos à invenção das maiorias negativas (data para anotar). Mas onde está essa maioria negativa na perspectiva do governo? (a) na Assembleia da República, resultado do sufrágio directo transformado em votos, ou (b) no número de partidos que concorrem aos respectivos votos? E para quem? (a) para o partido do governo ou (b) para o país?
Se respondeu (a) e (a) tem uma clara percepção da realidade política nacional.
Se respondeu (a) e (b) ou é um indefectível socialista ou ainda procura o seu lugar ao sol.
Se acaso respondeu (b) e (a) é um caso claro de dependencia socrática, de bajulador encartado.

24.11.09


Há que mudar o pensamento político e social em Portugal....

Avizinham-se tempos ainda mais difíceis.
O desemprego em Portugal está nos 13% actualmente mas pior, existe um desemprego estrutural que não irá ficar abaixo dos 8%.
As soluções de quem tem a responsabilidade de governar ou não existem, ou são irresponsáveis. Perdeu-se o sentido de estado, no seu significado mais directo, puro e duro: perdeu-se o sentido das coisas.
Não existe uma consciencia social, impedindo a existencia de politicas sociais que obrigam a perspectivar politicas economicas focadas em objectivos sociais.
Quem governa não o sabe fazer, enredando-se em problemas e confundindo estes com as soluções. Exemplo: o investimento publico deveria ser todo canalizado para a educação, a saúde, a justiça e a modernização da maquina fiscal e do estado (desburocratização e redução da despesa precisam-se urgentemente).
Os impostos são elevados mas a falácia perpetua-se: não se é capaz de reduzir a despesa do estado (a dívida pública per se, consome o que já não temos) como ainda se garante por palavras o que não se pratica por actos: o aumento da carga fiscal por efeito do novo Código Contributivo é inegável. Como o é o aumento do défice em 2009, muito mal explicado pelo Ministro das Finanças que, uma vez mais, através de linguagem falaciosa quis dizer o impossível; que em Março de 2009 não era possível prever o estado da economia em Dezembro do mesmo ano.
O défice não vai ser de 8%; o défice em 31 de Dezembro de 2009 vai ser de 9,4%.
O crescimento da despesa pública faz-se a um ritmo de 50 milhões de euros diários. É a grande loucura, em estilo político medíocre, economicamente paupérrimo e objectivamente suicidário.
O governo está mal e vai mal; acabaram-se as veleidades de pretender que se está a fazer alguma coisa (nunca se esteve, foi sempre de mal a pior mas iam-se escondendo as mazelas) e as cicatrizes da má condução política e económica das ultimas décadas estão aí com toda a força.
O problema nacional não é conjuntural, é estrutural. Com ou sem crise o problema estava aí; a crise internacional acelerou o processo.
Não conseguimos fazer, não sabemos fazer. Não temos uma cultura de seriedade, de trabalho, de conhecimento e de humildade. Não estudamos, não nos questionamos, nunca temos dúvidas e raramente nos enganamos.
É este o nosso drama; somos pobres de espírito e não sabemos tirar proveito das nossas melhores qualidades porque nos afundamos nos nossos piores vícios: somos arrogantes na forma como encaramos a vida e os outros.
Admitimos que existem uns que tudo têm que suportar, enquanto para outros só existem direitos naturais (quase divinos).
Fazemos do engano uma escola, da mentira uma virtude.
E a oposição não vai melhor.
Nada a esperar do que aí vem do PSD. Dois cenários possíveis numa realidade indisfarçável: mais do mesmo (Aguiar Branco) ou menos de mais para um partido oposicionista (Passos Coelho) que está, indelevelmente, fragmentado (como venenosamente - mas de forma séria - e cheio de oportunidade Marcelo Rebelo de Sousa fez notar).
A política nacional foi canibalizada por várias gerações muito fraquinhas, muito pouco preparadas, enredadas em questões pessoais e problemas partidários (que passaram sempre por preocupações pessoais) que não lhes permitiram conhecer e participar, de forma activa, na vida e problemas das sociedades modernas e, em particular, dos problemas da sociedade portuguesa.
Uma rede de estradas, uns mini-computadores e um ou dois investimentos de referencia são foguetório que não dão para um país viver.
Estamos a pagar uma factura demasiado elevada e que não merecíamos. Ninguém pedíu as nacionalizações em 1975.
Ninguém referendou a descolonização e a forma como foi conduzida.
Ninguém requereu as reformas educativas nem a facilidade de acesso ao crédito.
Ninguém percebeu a necessidade de acabar com empresas nacionais viáveis (Mague, Siderurgia, Lisnave, CUF, para citar só algumas) e substituir durante anos - para esconder o Sol com a peneira - o empregador privado pelo empregador Estado.
Ninguém pedíu uma integração galopante e profunda na União Europeia (a integração na CEE era desígnio antigo que data de 1961).
Ninguém imaginou que estivessemos a ser colonizados em 2009 por Angola, com todos os riscos inerentes a esse processo.
Ninguém quis que o nosso principal parceiro a Grã-Bretanha (GB) perdesse influencia política e económica (que historicamente sempre teve) e fosse substituído, durante muitos anos pela França, assim como ninguém quer agora estar dependente nas nossas exportações quase a 30% do mercado espanhol e a quase 80% do mercado europeu.
Novas ideias políticas são mais do que necessárias; são fundamentais.
Arejar a política nacional é fundamental.
O bafio que se sente quando olhamos para o conjunto de partidos políticos com assento parlamentar, só encontra equivalente na vergonhosa condução dos interessses nacionais. Um e outra têm de ser limpas, arejadas repito, levadas por caminhos sérios e pensados para o bem-estar que todos merecemos.
Muito poucos delapidaram o património de milhões. E continuam a delapidar.
Muito poucos, como sempre, iludiram uns milhões com promessas inviáveis. E continuam a iludir prometendo o que sabem não poder cumprir.
Muito poucos são os que necessitam ser substituídos. E terão de o ser.
Serem muito poucos apresenta uma vantagem; são todos conhecidos.
Resta empreender o movimento de substituição.
Novas caras, novas ideias, seriedade, motivação e empenho.
Acima de tudo pensar Portugal e os portugueses (os que cá estão e os que estão fora de Portugal).
Novas políticas e novas formas de encarar a política. Menor dependencia do pensamento atávico político e social nacional; arrojo, criatividade, desempenho máximos são absolutamente necessários.
Acreditar em Portugal é fundamental.
Acreditar que é possível mudar é fundamental.
Participar da mudança é fundamental.
A inacção explora primeiro e mata de seguida.

19.11.09

Pergunta...

Os dispositos de comunicação utilizados pelos árbitros também recebem chamadas telefónicas ?

17.11.09


Kippenberger
Desafio Simbólico ao Professor Medina Carreira
Já escrevi, uma vez, que os gastos do Estado com a frota automóvel (gasolina, manutenções, motoristas, rentings/leasings quando os há) anda próximo de mil milhões de euros anualmente.
Também todos sabemos que as atribuições de automóveis de serviço pelas empresas privadas e pelas participadas pelo Estado é prática comum. Aqui, o custo é o das viaturas (leasings/rentings) adicionado das manutenções e da gasolina.
Igualmente sabemos que há planos de saúde, poupança-reforma e outros, que são atribuídos aos quadros das empresas como prática corrente (quer a atribuição de automóveis quer estas regalias são remunerações encapotadas).
Conhecido é também o direito que assiste às profissões liberais de terem sede própria, significando com isto que a compra da habitação pode servir como suposta sede empresarial; que as despesas correntes, desde água a condomínio passando por reparações são custos dedutíveis nestas empresas, assim como a aquisição de automóveis (para usufruto próprio e familiar), respectivas gasolina e manutenção, são tudo custos abatíveis ao rendimento colectável.
Imaginemos agora, porque não custa e sabe bem, que as mordomias no Estado acabavam tendo direito às mesmas só os principais dignitários da Nação, ministros e secretários de estado e que por Camara Municipal haveria uma única viatura e motorista.
Imaginemos ainda que as empresas davam todo o tipo de regalias enunciadas acima aos seus quadros, mas que estas passavam a ser taxadas em sede de IRS (Imposto sobre o Rendimento das Pessoas Singulares).
Imaginemos tudo isto e podemos concluir, deste exercíco imaginativo, que a receita do estado aumentaria substancialmente, que a despesa pública se reduziria substancialmente e que, acima de tudo, se diminuíam fortemente as desigualdades sociais existentes entre aqueles que para terem aquelas regalias as pagam do seu bolso e pagam também impostos, e todos os outros que as tendo não as pagam nunca, nem em impostos nem do bolso. Questão de equidade social.
Se imaginarmos que existe esta vontade de igualizar os direitos e que não se defendem posições de dominancia e favorecimento podemos concluir, com facilidade, que seria possivel baixar a carga fiscal de todos os escalões de rendimentos, com incidencia maior nos rendimentos mais baixos, baixar o IRC para as empresas situadas no interior, criar escalões especiais de IRC para todas as empresas que se venham a instalar e a investir nesse mesmo interior e, assim, dinamizar a economia, pela geração de maior liquidez, aumentando em simultaneo a capacidade de consumir e igualmente a capacidade de poupar.
Lanço um desafio simbólico ao Sr. Engº Medina Carreira (pessoa que muito prezo e com quem concordo em quase tudo, no que diz respeito às necessárias reformas económicas do país e aos erros crassos que temos cometido e estamos preparados para cometer num futuro próximo): prepare umas contas, como muito bem as sabe fazer e, no proximo programa da SICN, conduzido pelo fabuloso jornalista (como a idade é importante no saber) Mário Crespo nos diga, frontalmente como é seu timbre, se adoptando todas aquelas medidas reformistas, assacando responsabilidades ao Estado (que somos todos nós) não é possível o melhor de dois mundos: baixar impostos, aumentar a receita fiscal e incrementar o crescimento económico.
Eu já fiz as contas e estou convicto que é possível.
É na capacidade de prescindir de prerrogativas bacocas e na coragem política de implementação de medidas reformistas das mentalidades, que reside parte do futuro de Portugal.

13.11.09


CrownPower
As escutas que transformaram os ministros políticos num grupo de pressão...
Este processo "Face Oculta", albergando escutas entre o Primeiro-Ministro (PM) e o Vice-Presidente do BCP, José Sócrates e Armando Vara respectivamente, começa a derrapar perigosamente para expedientes verbais extravagantes, que mais não pretendem que adequar uma impossibilidade: a fundamentação do direito à privacidade, com a discussão de temas reais sobre os quais impendem dúvidas judiciais ( a fazer fé nas declarações do PM e outros governantes e o que vem impresso nos jornais, nomeadamente o semanário SOL).
É preocupante a tomada de consciência de que o poder instrumentaliza toda e qualquer fruição, manipulando-a e transformando-a num produto perverso. Já o seria se não houvesse perversidade, mas havendo a situação piora.
Todas as declarações que têm sido produzidas por membros do governo são-no com uma linguagem sob regime de liberdade vigiada: é o discurso e a sua dimensão que obedecem a regras de opressão e de repressão ao nível da retórica e, em simultâneo, subtis ao nível gramatical.
Existe uma mensagem corrompida nos medos, nas intimidações, nas desculpas e nas agressões verbais. Há um vangloriar de posições de poder e de ascendente político, que ao invés de aniquilar as situações de constrangimento legal, se aniquila a ele próprio.
O próprio governo, através de ministros de estado, torna-se num grupo de pressão. Há um vale-tudo inaceitável.
Não é possível ao Primeiro-Ministro "viver fora" da sua função de estado como se esta fosse sistemáticamente um alvo e dentro dessa mesma função, utilizando-a como se fosse uma arma. É um claro caso de estrabismo.
É a imposição de uma grelha, através da qual se pretende mostar transparência numa situação ininteligível.
São os valores que se perdem e a sociedade que se desgoverna, por quebra dos sistemas naturais de vigia: a ética e a moral.
É perversa a visão que se atém aos nossos olhos.
As sociedades têm de se rejuvenescer obrigatoriamente se querem viver, o que é bem diferente de sobreviver. Os medos sociais impedem esta renovação.
À luz do que se passou nas ultimas 24 horas diria que não resta outra solução senão levar o caso das escutas até "ao osso".

11.11.09


Que...

Que os escribas escrevam de verdade.
Que as palavras brotem esfusiantes, aclamantes de uma inteligência reconhecida no alimento da alma.
Que os escritos prendam pela positiva, pela sagacidade, capacidade de incrementar a mente.
Que os acontecimentos, os vários momentos, se sagrem a si próprios.
Que a especulação seja assumidamente fértil, criadora de ideias, de ilusões e sonhos, de certezas tão incertas quanto o pensamento deambula pelas tortuosas vielas de um espírito imaterial, num universo dialéctico.
Que a escrita se consagre como o milagre da comunicação ímpar entre iguais, todos diferentes.
Que a vida seja respeitada, a privacidade um dogma, o silêncio um direito.
Que a comunhão de sentimentos seja partilhada.
Que tudo seja puro: na alma, nos actos, nos intentos, na palavra dita e escrita.
A palavra, a escrutinadora implacável da intenção verdadeira, tem de ser bem gerida, aclamada, mas também, se necessário, omitida.
O silêncio fomentado enraíza na habilidade, na paciência, no tino e sabedoria. Enraíza na idade: das pessoas e instituições.
É um bem a preservar, o silêncio circunspecto, altivo e altaneiro, num mundo abjecto e convulso em desinformação.
É uma lição a retirar, a gestão do silêncio.

10.11.09


StravinskyFountain at Pompidou Modern Art Museum
Questões de seriedade política.....
Se por imperativos legais conversas mantidas pelo Primeiro-Ministro, mesmo não sendo de sua inciativa o contacto, não podem ser gravadas e utilizadas, a menos que estejam autorizadas as escutas e gravações por um tribunal superior, então não são válidas à face da lei. Ponto final parágrafo.
A questão poderia colocar-se ao nível da legitimidade de legislar neste sentido, mas mesmo nesta área tem de haver salvaguarda de quem ocupa funções tão intrincadas e susceptíveis: um Primeiro-Ministro tem direito à sua privacidade, como qualquer cidadão, e não pode ficar na "mão" de ninguém.
Se as conversas versavam sobre a TVI ou não, e versando se continham elementos que indiciassem alguma tentativa de instrumentalização, é também acessório.
O fundamental é perceber como é que num país dito democrático, governado por partiddos ditos democráticos, se instrumentaliza a informação a toda a hora, em todos os media, e se criaram e permitem a existência de ferramentas que o possiblitam.
Ou como é que neste país se esconde o essencial e se fala só no acessório; ou como é que a população no geral é desconsiderada, lendo e ouvindo só o que a classe política, a realpolitik, quer.
Mais do que o conteúdo das conversas, o que custa é a suspeição existente sobre esse conteúdo, demonstrativa de um estado onde todos duvidamos de todos, seja um funcionário das finanças, um empresário manhoso, um secretário de estado, um ministro ou um primeiro-ministro. Mesmo do Presidente da República, como o caso do e-mail veio mostrar....
O que está em causa é a seriedade imputável aos actores políticos em Portugal - não ao desígnio das funções - que parece ser muito pequena nos dias que correm.

9.11.09


Diálogo de Amor….


“Foi aqui que dormimos. Recorda-se?”

“Perfeitamente meu querido. Recordo as conversas, os intermináveis debates, a sua teimosia sempre meiga, mas ainda assim teimosa, nalgumas matérias [riso solto e baixo]”

“ [riso] mas terminava sempre por lhe dar razão…”

“Depois de eu ceder um bocadinho, meu querido [risos]”

“Sim, meu amor, provavelmente. Mas lembra-se dos momentos verdadeiramente memoráveis?”

“Lembro. Todos eles…”

“E dos beijos sem conta, ao acordarmos de manhã….”

“Ao acordar-me de manhã, é o que quer dizer, meu amor [risos]”

“E ainda e sempre muitos beijos, apaixonados, na entrada, no 1º andar, no jardim, no início do Verão, no meio do Inverno…”

“Amor sempre presente nos seus e nos meus lábios, meu amor. E quando me escondia e ficava à sua espera, em silêncio, e depois me encontrava, me enchia de mimo…”

“Muitas vezes com a sua ajuda, minha querida, quando sussurrava “Aqui!”, quando adormecia no meu ombro, ou no meu colo, no jardim, deixando escorregar lentamente o livro que segurava até o amparar na minha mão, enquanto lhe acariciava a fronte”

“ [Riso elegante e levemente desafiante]”

“ [Riso cúmplice]”


E envolveram-se os dois num enorme e terno beijo de amor.
Ele pegou-lhe ao colo, deitou-a na cama e namoraram, e fizeram amor até adormecerem, ela primeiro, ele depois, após profunda e apaixonada contemplação, como sempre fizera.


(Joao H Fernandes)

Noite...

A nau de um deles tinha-se perdido
No mar indefinido.
O segundo pediu licença ao Rei
De, na fé e na lei

Da descoberta, ir em procura
Do irmão no mar sem fim e a névoa escura.
Tempo foi. Nem primeiro nem segundo
Volveu do fim profundo

Do mar ignoto à pátria por quem dera
O enigma que fizera.
Então o terceiro a ElRei rogou
Licença de os buscar, e El-Rei negou.

Como a um cativo, o ouvem a passar
Os servos do solar.
E, quando o vêem, vêem a figura
Da febre e da amargura,

Com fixos olhos rasos de ânsia
Fitando a proibida azul distância.
Senhor, os dois irmãos do nosso Nome
-- O Poder e o Renome--

Ambos se foram pelo mar da idade
À tua eternidade;
E com eles de nós se foi
O que faz a alma poder ser de herói.

Queremos ir buscálos, desta vil
Nossa prisão servil:
É a busca de quem somos, na distância
De nós; e, em febre de ânsia,

A Deus as mãos alçamos.
Mas Deus não dá licença que partamos.

(Fernando Pessoa)

8.11.09


O Tempo...
O tempo tomado de frente embirra no movimento, provoca cansaço e corroi a liberdade e o pensamento. Toma tempo.
O braço apoiado no tempo estagna o movimento, induz à lassidão e corroi a liberdade por um pensamento condicionado pela inação. Mas dá tempo.
O tempo suportando os membros inferiores acelera o movimento, constroi uma falsa liberdade, inibe o pensamento, até ao momento em que atinge o nada, por descontrole da mobilidade. Acelera o tempo.
O tempo apanhado pelas costas facilita o movimento, prolonga a capacidade de esforço, liberta e estimula o pensamento, acelerando e desacelerando a mobilidade de acordo com as necessidades. Controla o tempo.
O tempo é uma ferramenta preciosa, que pode se utlizado de todas as maneiras possíveis; só não pode ser utilizado sempre da mesma maneira.

As habituais trapaças do FMI...sempre com custos elevadíssimos....
"É razoável, depois da crise que vivemos, dizer-se que o sector financeiro, que apresenta mais riscos que os outros sectores económicos, deve pagar parte desses riscos e que não é, de todo, normal que pessoas e instituições assumam riscos desmesurados que depois são os contribuintes a pagar", admitiu o director-geral do FMI.
Admitíu Strauss-Kahn que falava no final da reunião do G20, propondo a criação de um imposto (taxa) sobre as instituições financeiras de acordo com os riscos de crédito que assumam. E admitíu mal, porque o problema não reside no risco das operações mas nos favorecimentos e na corrupção que dilaceram transversalmente todo o sistema, na utilização de liquidez para operações especulativas, por contraponto com a ausência de financiamento a empresas, a ideias e novas empresas, sinónimos de criação de emprego, com todos os riscos inerentes à actividade empresarial.
Na situação económica actual (e na verdade em qualquer situação económica de qualquer país, região ou mesmo a nível mundial) o importante não é fundamentar o imobilismo da capacidade de pensar e da capacidade de agir, mas sim criar um modelo de gestão que se desenvolva no médio e longo prazo. Pretende-se que as pessoas e as ideias cheguem a ter tempo de germinar, de se desenvolver, tudo situações difíceis de acontecer no curto prazo, pelo que todos os projectos, sejam eles quais forem, são efectivamente de risco.
Há a necessidade de saber separar entre o que é a actividade (também o activismo) e a eficácia (os resultados). Ser proactivo significa saber e estar disposto a inventar o futuro que nos espera. Nada disto cabe numa análise de risco, calculado no momento.
É difícil entender a visão do director geral do Fundo Monetário Internacional (FMI).
Apetece glosar uma afirmação de Krishnamurti, adaptando-a à circunstancia: "por favor cavalheiro, rogo-lhe que antes de afirmar o que quer que seja, aprenda a pensar".
O FMI é uma ratoeira onde são apanhados todos os maus economistas. É bom porque segrega pela positiva mas não lhes dêem ouvidos, nem aos que lá estão nem aos que lhes seguem o discurso.

6.11.09

O país que vive em contramão...
Os dados sobre possíveis envolvimentos de figuras e empresas em esquemas corruptivos vão aumentando.
É mau para o país ir-se dando conta destas dúvidas (muito sérias), sobre o regular funcionamento das instituições e do desempenho de cargos públicos ou privados, mas todos com fortes ligações políticas. É mau porque retira confiança ao sistema, retira confiança ao país e traz à liça a discussão sobre a seriedade da condução dos interesses públicos, dos dinheiros públicos, da coisa pública. No princípio, meio e fim quem não resiste a uma sucessão de notícias calamitosas (independentemente de se virem a verificar todos os factos noticiados e sob investigação) é a própria instituição democrática, no seu todo, é o seu funcionamento enquanto sistema político.
Igualmente gravoso é o desvio de atenções para estas matérias, inevitável, que contribuem para uma quebra da vontade de "fazer", de "estar" e "pertencer" a uma sociedade que se rege pela falta de ética, pela ausência de padrões morais, uma sociedade onde não existe lugar para a competencia mas tão somente para os compadrios. Pouco importa o que se trabalha, o que se produz, o que se investiga, o que importa é constatar-se que esta é uma sociedade sem mérito, galvanizada por lobies e alimentada por interesses obscuros.
Este país não pode, não aguenta uma tal pressão, parte-se em mil bocados. É um país onde a desconfiança cresce ao ritmo galopante da falta de objectivos. Esta população já não acredita na bendita democracia, no direito á igualdade e ao trabalho, no direito de oportunidades. Este é o país onde nos vangloriamos porque andamos perto de alguém, que é proximo de outrém, que tem contactos fabulosos e, em simultaneo, jubilamos porque fugimos a uns impostos, como se esse acto em si mesmo prefigura-se algo mais do que uma falha no dever de cidadania; o acto em si configura ter aprendido a "circular pela esquerda, em contramão", estar mais próximo, mesmo que por muito pouco, dos outros, dos poderosos, que o fazem, acumulam riqueza e reconhecimento televisivo (que não social, são coisas distintas. Ainda são).
O país está podre e vai cair como tudo o que apodrece.

2.11.09


Vita
O meu caminho.... (porque a escrita é um alimento fundamental ou nem só de política e economia se vive)
Sigo o caminho que escolhi, estribado na liberdade de respirar pela alma, de caminhar na passada ritmada pela batida de um coração calmo, mas com passo indómito induzido no carácter de uma vontade férrea. Sigo o caminho que quero, feito de noções e de dúvidas, de quereres e de vontades inalcançáveis numa só vida. Sigo o caminho que contraria os demais, o mais difícil, o mais longínquo e por isso também o mais rico de conteúdo, de experiência e de conhecimento. Sigo o caminho solidário comigo, por natural coerência. Sigo o caminho do amor mas também da guerra. Sigo o caminho da felicidade e nunca me desiludo, com nada nem ninguém. Sigo o meu caminho caminhando.

1.11.09

Mais um pedido de falência nos USA....
O CIT Group pedíu a protecção de credores nos USA.
Depois de durante o último ano ter recebido 2,3 mil milhões de dólares de ajudas do estado, o grupo que tinha um empréstimo obrigacionista a vencer-se entre esta segunda e terça-feiras, no valor de 800 milhões de dólares, pedíu a falência ao abrigo do artigo 11.
Assim vai a economia mundial.
A seguir virão mais, porque nada disto está terminado.
Pede-se seriedade e conhecimento a quem escreve mas pede-se, acima de tudo, isenção.
Sem isenção o país continuará enganado.

31.10.09


Eu amo tudo o que foi
Tudo o que já não é
A dor que já não me dói
A antiga e errônea fé
O ontem que a dor deixou
O que deixou alegria
Só porque foi, e voou
E hoje é já outro dia

(Fernando Pessoa)

30.10.09

Estimular a Economia....

Há necessidade de estimular a economia.
Os estímulos passam por aumentar a despesa produtiva do Estado, aumentar as transferencias para as famílias e a diminuição da carga fiscal sobre as empresas e as famílias.
Só assim será possível recuperar a economia, aumentando os outputs através do aumento dos inputs.
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Ah....e há que poupar mais, quer o Estado (despesa não produtiva) quer as famílias.

BarbaraKruger
Os corrompidos serão vítimas do sistema?
A multiplicação da informação banaliza o saber e privilegia a rede. Cai a estrutura piramidal e as decisões são conduzidas por um intricado labirinto; não há um ponto de decisão mas uma panóplia de etapas onde se vai moldando a decisão. É aqui que surgem as novas formas de corrupção: multiplos actores com multiplos objectivos por parte dos corruptores.
O corrompido vê-se como uma espécie de agente social, moderador de um jogo que é jogado de acordo com as suas próprias regras.
Perde-se a noção de interesse público. O excesso de informação é contrário ao interesse de dispor da informação, porque faz com que esta se perca e os agentes, corruptores e corrompidos, ajam de acordo com os seus interesses, supostamente escudados nas ligações de rede de que dispõem e na percepção própria do que é e significa a rede.
A distorção é inevitável e tantas são as vezes em que os expedientes são utilizados que, perdendo-se a noção do interesse público e fomentando regras próprias, se perde a própria coerencia da rede e a informação passa a ser claramente manipulada e forçada.
Reduzem-se substancialmente as opções e escolhem-se saídas (soluções) que nunca se sabe em quanto estão desfasadas da solução natural (a boa solução) e, por tanto, quanto são precárias, legal e publicamente consideradas, as soluções encontradas.
Neste mundo o conhecimento nasce das relações pessoais e da capacidade lobista, muito mais do que da capacidade técnica e do conhecimento em si mesmo. Estar neste segundo grupo significa estar ostracizado.
Quando o interesse público se funde com o interesse privado, a própria designação corrupção carece de uma definição mais cuidada, porquanto o seu significado estrito e usual já não providencia a capacidade de entendimento do fenómeno.
A sociedade que nasce destes pressupostos tem de ser encarada como uma sociedade toda ela corrupta, onde a corrupção conforme a definimos e interiorizamos só será nociva se não estiver generalizada. Se assim é, isto significa um acesso desigual aos "serviços" que a rede pode operar e prestar e deixa de ser uma "remuneração compensatória" normal numa economia de mercado.
É pena que esta "remuneração acessória" não seja depois depositada numa lata de salsichas ou num frasco de vidro de iogurte usados, para que no final do dia possa ser redistribuída por todos os funcionários que fizeram operar o sistema, como num vulgar café se faz, mas a crítica é mais direccionada ao modo de organização do que ao princípio: "interessar" todos pelos resultados obtidos, criando um novo paradigma remuneracional, modernizando o esquema de remunerações da função pública.
A excepção reside na constatação, à posteriori, se as soluções adoptadas o foram para o bem comum ou sómente perseguiram interesses particulares, com desrespeito pelos interesses públicos, ou seja, a constatação de que toda a decisão que é tomada na base da procura da "remuneração adicional" é necessariamente mais fraca, ou pior, do que aquela que não busca essa "remuneração". Constatação: quem procura ser assim "remunerado" não tem legitimidade perante quem não procura essa compensação.
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Perseguir legalmente esta forma "remuneratória", clivando o interessse público do privado, só atrasará o processo corruptivo; qualquer funcionário que tenha à sua disposição uma boa rede de contactos, tratará de passá-la para os privados fazendo-se "remunerar" fortemente por isso.
A remuneração tanto pode ser a crédito, para dias tardios já fora da política e da função pública, como por financiamentos aos partidos e aos políticos, nestas situações em cash.
A morbidez com que os políticos olham a política, fruto do desinteresse das populações na vida política e na ausencia de ideias e ideais políticos, só é comparável ao padre que vê desaparecer os fiéis. Resta, a um e outro, a ilusão de poder.
Porque o reconhecimento social desaparece, essa importante "remuneração" moral, o prestígio, desvanece-se na certeza da mediocridade do funcionamento da administração pública; vista por este prisma, a corrupção pode ser entendida como um acto desesperado mas agradável de convencimento de que o agente público e o político ainda têm algum valor.
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Assim, em lugar de atacar fortemente os actos corruptivos indiscriminadamente, deveríamos todos ter uma atitude caritativa para com os corrompidos e accionar mecanismos de solução, quer ao nível do reconhecimento social quer de acompanhamento psicológico que todos eles necessitam. Estamos a falar de gente que está numa situação desesperada de falta de confiança, muitos a passarem por situações depressionárias medonhas, que só encontram refúgio em actos reprováveis, mas justificáveis face à necessidade imperiosa de se sentirem importantes, valorosos e de valor, poderosos e com poder.
A culpa é da sociedade, dirão estes, e os escandalos nas democracias modernas fruto da consequencia lógica do triunfo do dinheiro sobre os valores, como única medida de sucesso reconhecida.
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Não creio que a solução para esta maionese moral e social passe pela transfromação de políticos de sempre em quadros de empresas privadas, mas talvez pela colocação dos mesmos em ONG´s, pelo mundo fora, para que se sintam, finalmente, portadores de uma razão e justificação para o desempenho de funções que desenboquem finalmente na defesa dos interesses públicos, na defesa dos interesses de todos e, principalmente, dos mais necessitados.
Acaso não haja tantas ONG´s assim, não vejo como resolver a prazo este problema, a não ser pela atribuição à administração pública de uma renovada imagem de credibilidade, de reconhecimento moral e social.
Mas tal cometimento não pode ser feito com os actores actuais......

23.10.09

Não há ninguém no PSD com credibilidade perante o eleitorado....
Do Conselho Nacional do PSD nasceu ( se acaso já não tinha sido parida há muito tempo) a única decisão possível: directas para eleição de um novo líder só depois do debate do Orçamento de Estado (OE) - leia-se consequente aprovação.
A não aprovação do OE implicaria a queda do governo e eleições antecipadas. O PSD sabe que não tem ninguém, um líder, em condições de discutir umas eleições legislativas no prazo de seis meses. Não tem, por tanto necessita que o novo líder tenha tempo de se afirmar.
Pergunto: não é estranho para um partido como o PSD que não haja ninguém capaz de ter incutído, no eleitorado, uma imagem de seriedade, sobriedade, conhecimento político e sentido de Estado capaz de se afirmar de imediato, lendo-se como "imediato" o momento imediatamente após as eleições ?
Pelos vistos não. Qualquer candidato que saia das directas necessitará de tempo de afirmação, quer público, quer no interior do partido o que se torna ainda mais grave.
Se fosse eu a presidir aos destinos do partido, assumiria esse tempo como crucial, mas de todo vos garanto: não iria precisar de mais de seis meses!

22.10.09

António Mendonça um Ministro confiável....
Congratulo-me com a nomeação do prof. Dr. Antonio Mendonça para Ministro.
Será certamente um excelente ministro, assim o executivo lhe permita executar a função como muito bem saberá.
Pessoa de grande inteligencia, com grandes recursos técnicos e humanos, António Mendonça é um dos poucos em Portugal em quem se pode confiar abertamente.
Conheço-o como meu professor de mestrado e reconheço-lhe toda uma panóplia de recursos e capacidades..
A inteligencia que demonstra a todo o momento, aliada a uma concepção económica e sentido de estado (do interesse do estado) definem o Homem sério que é.
Tenho o privilégio de o ter tido cmo professor.
Desejo-lhe a maior das felicidades nesta nova etapa da sua brilhante vida e carreira.

20.10.09

Mau Prós e Contras

Não sei o que está a fazer Fernando Ulrich e Fernando Nobre neste Prós e Contras, porque falam e compreendem uma linguagem muito para além dos restantes intervenientes.
Em sede de indigência intelectual e inteligencia estamos falados...... ou o confronto entre a educação judaico-cristã e o protestantismo. Em ambas as situações, que verificamos neste programa, a tristeza e fraqueza do diálogo e da doutrina é assustadora.

19.10.09

A confusão entre liberalismos: o político e o económico

Há uma direita liberal e uma direita social.

A diferença é doutrinária. A direita liberal acredita nas pessoas como motor da economia; a direita social acredita na economia como ferramenta da criação e consolidação do bem-estar das populações.

Ser liberal não implica, por si só, ser de direita ou de esquerda, nem sequer conservador.

Depois, acresce que há uma separação clara entre liberalismo político e liberalismo económico.

Ainda hoje muitos confundem socialismo com um montão de definições que em nada se prendem com socialismo. Aquela que nos interessa baseia-se no conceito de que socialismo é toda a doutrina intervencionista, que parta da necessidade da existência de acção do Estado na economia para fomentar o desenvolvimento económico e o bem-estar (para citar apenas duas) o que mostra uma enorme confusão de conceitos, porquanto o intervencionismo económico dos poderes públicos, do Estado, surgiu precisamente como forma de colmatar deficiências do liberalismo sem cair no campo do socialismo. Por outras palavras, a direita social intervem na economia para evitar a esquerda socialista.

O perigo reside no intervencionismo político do Estado (não no económico), tal como brilhantemente Tocqueville escrevia: " ...à medida que as condições se tornam cada vez mais iguais num determinado povo, os indivíduos parecem mais pequenos e a sociedade cada vez maior. Aumenta a noção dos privilégios da sociedade enquanto se restringe a dos direitos dos indivíduos. O poder político aparece como mais inteligente e sabedor do que qualquer indivíduo, sendo então sua obrigação como seu direito, pegar na mão de cada cidadão e conduzi-lo".

O próprio preconiza a centralização e o intervencionismo como dois grandes meios que permitem a extensão do despotismo. Quanto ao intervencionismo, Tocqueville vê o seu ponto de partida no aparecimento da grande indústria:" ...o Estado é obrigado a intervir nas relações entre os grandes industriais e os pobres operários, portanto, nas relações sociais, domínio do qual estivera excluído; também deve intervir nas grandes obras públicas, cuja necessidade se faz sentir cada vez mais intensamente e tem um peso enorme na actividade económica do Estado".

Para ultrapassar este perigo recorre a uma noção nova: a solidariedade. Para si "...a ideia de que tanto o dever como o interesse dos homens é tornarem-se úteis aos seus semelhantes [...]uma vida política a cada porção de território, a fim de multiplicar até ao infinito as oportunidades dos cidadãos agirem em conjunto e lhes fazer sentir diariamente que dependem uns dos outros".

Segue-se a célebre fórmula: " As instituições comunais são para a liberdade o que as escolas primárias são para a ciência". É esta fundamentação que deve agitar a administração local.

Mas em nada do que foi escrito transparece a ideia de que deverá existir liberalismo económico. O risco reside no liberalismo político, até porque, e não creio que possa ser sequer refutada a afirmação, o liberalismo é a planta que nasce do individualismo primitivo. Exagerando poder-se-á até afirmar que um liberal é um anarquista que se desconhece e "cuida do nó da gravat" (Maurras) ou que o anarquista é o executivo liberal com o cabelo desgrenhado e aspecto descuidado.

Há contudo bases de suporte à ideia, não a deixando parecer tão exagerada assim: (1) anarquismo dos economistas, liquidador do estado; (2) anarquismo concreto dos radicais anticlericais e; (3) anarquismo filosófico do pai do egotismo.
Por demais evidente é a separação entre o liberalismo político e o liberalismo económico.
O segundo pode levar à intervenção estatal, enquanto o primeiro é garante das liberdades e de uma maior e mais correcta redistribuição dos rendimentos. A solidariedade é a pedra de toque que se exige à sociedade. O liberalismo político não implica liberalismo económico. O Estado não tem de se arrogar o direito de intervir na economia enquanto agente económico, mas tem de satisfazer dus premissas: (a) ser um regulador de facto e; (b) ser um interventor casual sempre que seja absolutamente necessário, ou seja, que esteja em causa a liberdade e respeito do valor solidariedade.



17.10.09

A maioria que, por agora, vai sendo absoluta....

Com a manutenção de Manuela Ferreira Leite na liderança do PSD, tudo aponta que até Maio de 2010, temos duas certezas e uma conclusão: (1) o plano de governo vai ser passar na Assembleia da República e; (2) O Orçamento de Estado para 2010 vai ser aprovado.
A conclusão: o PS vai poder decidir como se tivesse de facto uma maioria absoluta no parlamento, porque o PSD viabilizará sempre qualquer dos documentos, mesmo que a viabilização seja pela abstenção.
Continuamos a brincar à política em Portugal, mas acima de tudo a colocar muito pouca seriedade na sua execução.

14.10.09


Escrito a pensar no Tratado Const. Europeu (TEC) mas actual face ao Tratado de Lisboa...

A questão que hoje se levanta na União Europeia é simples e objectiva: estaremos nós, cidadãos europeus, na disposição de passar de um modelo intergovernamental para um modelo federalista? Sim ou Não?
A questão, como se verifica, é metodológica, no poder e na forma de organizar e gerir a Europa.
É absolutamente abusivo considerar que quem se opõe à federação de estados europeus seja contra a Europa. A argumentação neste sentido é igualmente válida se utilizada por quem defende a actual metodologia, de independência e autonomia dos estados nacionais, face a quem pretende substituir organizações de controle por organizações de comando.
Cabe a cada cidadão decidir por si próprio como se sente mais confortável, face aos valores que defende e à doutrina social que professa. É estranho que os principais partidos políticos nacionais, ao nível dos seus dirigentes e não ao nível das bases e dos simpatizantes, defendam a mesma política federalista.
Porquê?
Porque se coloca a Portugal o desafio de funcionar como "ponte" entre a UE e a CPLP, detendo competencia e capacidade incontestada para o fazer e a possibilidade histórica de um ganho de importância, ao nível da lusofonia e da UE, misto de oportunidade e responsabilidade que não pode ser nem perdida nem alijada.
Não se percebe, então, a tentativa de malbaratar este importante activo defendendo uma dependencia política, validada no normativo constitucional, para um directório de países centrados actualmente no eixo Paris-Bona.
É do Congresso de Haia de 1948 (já por mim referido no artigo " O INVERNO DA IDENTIDADE EUROPEIA"), da luta pelo poder e das diferentes perspectivas para a Europa que falamos.
E desde 1948 o projecto europeu tem avançado, gozando do apoio de todos os países envolvidos, independentemente do espaço Schengen e da zona euro não serem partilhados por todos os membros. Mas esse facto não nos dá o direito de dizer que uns são mais a favor da UE do que os restantes, que uns são mais europeus do que outros.
Se alguém o pretender fazer no mínimo será extremamente redutor.
Depois, parece esquecido pelos acérrimos defensores do Sim, que a discussão sobre o TCE pode e deve ser feita por todos os povos, em todos os países da União. A questão, como já afirmei, é transversal, não só ao nível nacional mas também a nível europeu. E é de transversalidade que falamos versus verticalização de processos.
Cabe a cada um decidir em consciência e, para que tanto seja viável, só com esclarecimentos, com diálogo aberto e franco, esgrimindo argumentos válidos, razões pertinentes sejam elas políticas, ideológicas, sociais, históricas ou económicas.
A matéria é tão abrangente e pertinente, que querer reduzir a discussão a algumas "elites", desconsiderando todas as restantes opiniões, só pode resultar de um exercício de "mau gosto", ou de discursos encomendados.
Na realidade, a questão em Portugal até se colocou sempre ao contrário, com a culpa desta situação a recair sobre os principais partidos, que abraçaram uma mesma posição ab initio.
Porque a discussão deveria ser outra: nós, os que estamos com o NÃO (Tratado de Lisboa agora, TEC antes) conhecemos o caminho até agora trilhado, os seus escolhos e perigos.
Quem quiser modificar as regras do jogo, substituindo o consenso pela imposição normativa e política, depois de terem sido retirados os instrumentos económicos, que se trate de explicar muito bem, porque, à priori, estamos todos contra!
É ao Sim que faltam os argumentos.
O NÃO tem-nos de sobejo!

13.10.09


O PSD tem de mudar...radicalmente...

Apelar à união dentro do PSD é o mesmo que afirmar que nada mudará no PSD, ou seja, que o PSD caminha para um futuro incerto, de expressão eleitoral minimalista.
A leitura não parece directa, porquanto a intenção de união encaminha-nos para uma suposta necessidade bem perceptível: organização interna sem divisões.
Contudo apelar à união no PSD é uma falácia, porquanto pressupõe casar todos com todos.
Mas casados estão todos há muito tempo, todos estes que nos aparecem agora preocupados e a apontar dedos.
Se o partido estivesse bem política e ideológicamente e desavindo quanto à estratégia política, a suposta união existiria e não haveria necessidade de apelos à mesma.
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Mas a união não existe(!) existindo sim um divórcio grande e uma herança pesadíssima (cavaquista).
Assim, apelar à união dentro do PSD é empurrar o problema do partido com a barriga, tentando ganhar tempo enquanto se contam as espingardas.
Não existe união nem desunião. Existem várias linhas dentro do partido que não são compagináveis.
Ou o partido assume uma posição liberal ou assume uma posição social.
Ou o PSD é um partido social-democrata ou é uma força política virada para interesses absolutamente económicos. Na primeira hipótese vai discutir políticas sociais - utilizando a economia como ferramenta - fácilmente confundíveis com centro-esquerda; na segunda irá perder eleitorado à velocidade do crescimento dos problemas das populações.
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O PSD já não é hoje um partido tão popular quanto o foi, mas tão pouco pode ser um partido elitista.
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Há um modelo de sociedade que o partido tem de assumir.
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Enquanto não o fizer definhará até perto de uma dimensão inconciliável com a sua história, acabando por perecer.
Nada é eterno a não ser a dúvida. Afirmar convictamente que o PSD será sempre um grande partido nacional é confiar no coelho da Páscoa e, como sabemos, em tempos de crise não há amendoas.
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Há um problema grave de sucessão no PSD: as possiblidades sérias já foram testadas, as outras que pareciam sérias não o foram (sérias), as possiblidades em aberto são fracas e há políticos que ainda não provaram o suficiente para se projectarem como alternativas.
Os egos vão falar mais alto? Se assim for o partido perderá em toda a linha.
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A geração de políticos que está entre os 60 e os 70 anos estão comprometidos com toda uma má condução política do partido e a geração entre os 40 e os 50 anos é fraca, mal preparada científica e culturalmente e, também, mal politizada. Falta conhecimento a estes e há excesso de débito político nos primeiros.
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É então necessário limpar a casa com novos rostos e novas ideias, e de seguida arrumar o pensamento político, separando economia política da política social, dando primazia a esta e recorrendo à outra como seu fiel instrumento.
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O país, Portugal, é de todos.
Portugal não pertence a elites nem a máquinas partidárias.
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Os partidos existem para que se possam juntar neles homens com amor ao seu país, à causa pública e dispostos a sacrifícios pelos seus objectivos e ideais.
Um político tem de ter ideais e tem de fixar metas, fixar objectivos de curto, médio e longo-prazos; mas estes objectivos não podem ser ordenados por lugares públicos: agora sou presidente da concelhia, amanhã presidente da distrital, depois presidente da camara, talvez ministro mais tarde, primeiro-ministro um dia e, quem sabe, acabe os meus dias na presidencia da República ou tenha uma reforma dourada na União Europeia.
Estes são objectivos válidos mas pessoais e só se atingem se a população nacional perceber que os objectivos primeiros, os primordiais, são os objectivos nacionais.
Os lugares ocupam-se pela capacidade demonstrada, por se considerar que há um capital de confiança em alguém e não por atribuição de um prémio qualquer ou por jogos de favores e de bastidores.
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Há uma política que vale a pena ser feita e conduzida e há uma outra, a política baixa e comezinha, que já não se disfarça em trinta anos de actividade partidária.
O PSD precisa de mudar e muito, porque Portugal precisa de um partido de oposição sério. Mas atenção, o necessitar de um partido que protagonize uma oposição séria não implica que o partido tenha de se chamar PSD.
Preferencialmente assim será, por razões históricas, mas só o será se os políticos de que o PSD se encontra encastoado não desafiarem os deuses.
O PCP mostrou, uma vez mais, a capacidade antiga de arregimentar votos mas acima de tudo de fazer a sua gestão de forma quase perfeita. A eleição para Lisboa de um vereador estava garantida e o apoio a Antonio Costa, por parte de Carvalho da Silva e Carlos do Carmo mostrou que poderia dispensar uns votos à candidatura do PS. Tudo isto sem fazer perigar a eleição de Rubens de carvalho. Máquina bem oleada.
Perdeu contudo quatro camaras.
A historia ensina-nos que os autarcas comunistas não gozam de muita liberdade para "fazer". Contudo, a mesma história ilustra que quando uma camara se perde, o autarca comunista seguinte goza de muito maior liberdade para empreender mudanças e modificações estruturais nos concelhos, mudanças que vão directamente de encontro aos anseios das populações, sem preocupações de mostrarem políticas locais mais vocacionadas para encontros entre autarcas e capital. É então expectável que as camaras agora perdidas possam ser recuperadas e que, depois, as populações possam sentir os ventos da mudança.
Há que referir que dentro de quatro anos o panorama autárquico sofrerá uma enorme mudança. Se se admite que alguns autarcas possam fazer a agulha para outros concelhos, não é provável que na sua esmagadora maioria tenham sucesso, dinâmica de vitória. vai aparecer gente nova e a tendencial supremacia do PSD, de alguma forma já posta em causa este ano, possa ver-se reforçada ou, pelo contrário, invertida. Quais as forças que mais lucrarão com a mudança de "ciclo" é prematuro avançar, mas não é difícil adivinhar que a capacidade de ser conhecido e reconhecido pelas qualidades e capacidade de trabalho junto das populações, possam ser ingredientes fundamentais para o sucesso.
Se acrescermos as camaras independentes que lograram a vitória sempre poderei afirmar que as próximas autárquicas já começaram; só um trabalho a quatro anos de afirmação junto das populações, com candidatos escolhidos judiciosa e atempadamente garantirão o sucesso.

9.10.09

A campanha frouxa das autárquicas....

A campanha eleitoral das autárquicas foi um deserto de ideias, uma demonstração cabal da incompetência crescente da classe política nacional. Por clara inoperancia intelectual, feudalizada a interesses e partidos políticos, o político portugues julga-se seguro da sua "profissão" e protagoniza na expressão máxima o erro crasso da sociedade portuguesa: não é necessário ler e estudar para se poder falar e, pior ainda, fazer.
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Não se discutiram os verdadeiros problemas das cidades; a sua qualidade de vida, a sua economia, as infraestruturas, a competência, a concorrencia intranacional, a carga fiscal, o bem-estar, as migrações, a população activa, os meios de produção, a criação de riqueza, o saneamento básico, as actividades culturais, as escolas e os ciclos de ensino disponibilizados, entre tantos outros temas de que se fazem as vidas que constituem a vida das cidades.
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Optou-se por discutir minudências nuns casos, pessoas noutros, ainda dossiers e toda uma panóplia de assuntos mal amanhados, que só possibilitam uma interpretação correcta: nenhum dos candidatos faz a mínima ideia do que é uma cidade, um município.
Nenhum deles percebe que as autarquias locais são uma extensão desagregada da autarquia central, o governo. Nenhum percebe a importancia das juntas de freguesia, sempre menorizadas no discurso político, como orgãos capazes de estar em contacto directo com a população e serem fieis portadoras dos seus anseios. Nenhum entende que a gestão de um município é uma tarefa que implica "lutar" pelas melhores soluções, para que o"seu" município se torne mais atraente que os outros, para que a sua economia cresça e crrescendo, cresça a qualidade de vida.
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Ideias não as ouvi. Ataques ouvi muitos.
A campanha foi fraquíssima e os candidatos, na sua esmagadora maioria, refugiaram-se na baixa política escondendo a sua incompetencia.
Nada a esperar de novo destas eleições, infelizmente e uma vez mais.

1.10.09


Jean-LoupSieff

A (in)justiça e a asfixia democrática....

Três dias depois das legislativas e de um excelente resultado para o CDS, somos confrontados com uma busca aos escritórios do advogado Vasco Vieira de Almeida que, de acordo com as notícias, demorou 14 horas e teve a ver com o problema da aquisição de dois submarinos ao tempo em que Paulo Portas era ministro da defesa.
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Este caso vem de trás e causa estranheza o timing desta busca: primeiro porque a peça é toda feita com base num facto dado como provado na forma como a notícia é veiculada; a não justificação dentro dos limites do negócio para uma verba a rondar os 30 milhões de euros e, depois, porque enquanto a peça é apresentada e se fala naqueles milhões e nas suspeições, a imagem de Paulo Portas passa ininterruptamente, transversal a toda a peça televisiva.
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Parece evidente a vontade de sujar publicamente, desde logo e desde já, a imagem do líder da terceira maior força política nacional, com ou sem razão, não esquecendo que até agora o tempo tem dado razão a Paulo Portas.
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Mas o problema é bem mais grave do que isto.
O problema é de asfixia democrática, de um estado policial perseguidor dos cidadãos e que deixou de ser um garante das liberdades individuais e cívicas.
Todos nos sentimos coagidos, até no que escrevemos, porque estamos em presença de um estado verdadeiramente policial. Não policial para nos garantir um valor fundamental, a segurança, mas para nos perseguir a nós, cidadãos no geral e, se acaso tivermos visibilidade pública, a coisa piorar substancialmente.
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É coacção pura e dura.
Porque não se discute se há algum envolvimento de Paulo Portas no caso dos submarinos. A haver, a justiça se encarregará de o provar. Isto no caso da justiça ser um bem social, um direito fundamental real. Mas não o é, agora e por agora em Portugal: a justiça tem timings que não se entendem.
A justiça tanto deixa andar processos como o da casa Pia ou dos paquetes da Expo, como arrasta casos como este e outros. E o intuito parece claro: a justiça não é um valor nem um bem, é sim uma arma de arremesso.
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A não justiça permite que, a todo o momento, se franqueie a porta da maledicência, da baixeza, do ataque ao carácter, sempre que é conveniente politica ou negocialmente. Há uma espécie de conspiração contra os visados, que uma vez caídos nas malhas do julgamento popular, são sistemáticamente confrontados com as mesmas questões que teimam em se perpetuar. Há uma utilização mediática da não justiça, encapotada jornalisticamente mas de índole política, que pretende passar a ideia do que não é: procurar-se a verdade, quando o que se fomenta é a intriga.
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Ao visado nada mais resta senão o silêncio, porque é impossível justificar-se a todo o momento. Mas sabemo-lo, o silêncio joga sempre contra. Assim, mesmo não querendo tem de vir à liça, para evitar males maiores.
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A justiça não pode ser excessivamente rápida, porque uma justiça rápida é normalmente uma má justiça, mas também não pode ser uma justiça manipuladora, de tempos infinitos, de aproveitamentos mediáticos, de perseguições pessoais ou institucionais.
Todos queremos saber a verdade das coisas. Aquilo que não queremos são libelos permanentes não justificados, porque essa não é nem será nunca justiça.
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Uma componente fundamental da justiça é a reabilitação do culpado, findo o "pagamento", a pena que se consubstancia no preço a pagar à sociedade. Com esta justiça não há pagamento nem há reabilitação possível. Todos são confrontados com julgamentos temporalizados, de acordo com várias agendas, nada podendo fazer para se defender, porque de nada se podem defender de facto.
Um outro exemplo sobre o qual nunca me referi, porque não quero albergar estes mediatismos encomendados, foi o Freeport que casa na perfeição nesta descrição de não justiça.
Se há alguma coisa, seja o que for contra quem for, tem de se saber em tempo útil e a investigação tem de ser conduzida de forma capaz e muito discreta. Em Portugal a investigação criminal é cada vez menos discreta e as fugas de informação constantes.
Ontem foi vasculhado o mencionado gabinete de advogados, mas já na véspera o Bastonário da Ordem se insurgia contra as buscas constantes em várias firmas de advogados.
Creio, sem o poder provar mas utilizando mera dedução, que muito provavelmente Marinho Pinto já saberia da acção policial de ontem e falou por antecipação.
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Depois seguem-se as insinuações muito pouco sérias, caso do trotskista Louçã, mas com tão pouco de sérias como de imensamente perigosas.
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A tudo isto junta-se o ambiente de crispação entre S.Bento e Belém.
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Junte-se a esta caldeirada a notícia de um processo que estava encerrado e foi reaberto em 2008, mas só agora noticiada a sua reabertura e onde aparece ligado o nome de José Sócrates, e temos o figurino armado.
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Nada disto me agrada, tudo cheira a qualquer coisa menos a democracia.
Este clima de suspeição e de feira em que se tranformou a política nacional é brutal e perigoso.
Tudo muito, muito perigoso!