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16.10.10

O cenário já está... a peça estreia daqui a quatro meses....

O cenário está montado. As pressões que têm caído sobre Passos Coelho forçam o PSD à abstenção, na votação do OE de 2011. O orçamento passa, o governo mantém-se em funções, mas a termo. Assim que se tornarem necessárias novas medidas de austeridade - porque no essencial a despesa do estado não sofre reduções significativas, que garantam o controle da despesa pública, que continua a crescer - e num período após presidenciais, já será possível paresentar uma moção de censura e fazer cair o governo. Cair o governo significa deixar cair os projectos megalómanos presentes no OE 2011, a saber: TGV, aeroporto e terceira travessia do Tejo (projecto associado ao novo aeroporto). É imperioso que o governo caia, antes de deixar as marcas destes investimentos na futura gestão da coisa pública (embora pessoalmente pense que, seja qual for o governo, as obras serão difíceis de travar, especialmente o TGV). Em simultaneo, é quase impensável que, num país à beira do colapso financeiro, obras faraónicas continuem a abrilhantar documentos como o orçamento: estamos de tanga, mas para o lado de S. Bento continuamos teimosos.
Contudo, no meio deste caldeirão de política e finanças públicas, continuo sem perceber porque razão este orçamento tem de passar agora porque não podemos ficar sem governo, mas tres a quatro meses depois, já podemos avançar para eleições e estar uns quantos meses com um governo de gestão. Dir-me-ão que é uma questão de timing, de mostrar ao exterior vontade de resolver o problema em que se transformou a despesa e dívida pública portuguesa. Pois sim, mas como é expectável, as medidas que agora são tomadas só aumentarão a agonia, sendo que mais tarde, daqui a uns meses, a pressão sobre o país terá aumentado e não diminuído. O problema será maior, porque a pressão será maior, a necessidade de fazer sangue maior e o risco de colapso financeiro maior. Acresce que a Europa estará a começar um ciclo de crescimento e nós estaremos em contraciclo, afastando cada vez mais a já inexequível meta da convergencia com a média europeia.
Contudo, parece à primeira vista que nenhum dos problemas actuais o será mais tarde, daqui a uns escassos meses.
O problema residirá na queda do governo e não na sua saída airosa. Pois: em qualquer país democrático e civilizado, este governo já estaria a ser responsabilizado por todas as omissões e falsas verdades, com que tem alimentado o país desde há 5 anos; não seria necessário faze-lo cair para que, ele próprio, caísse de maduro.

11.10.10

"CE autoriza tranferência de fundos do novo aeroporto para o TGV".
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Se acaso estão tão preocupados como querem parecer, com as contas públicas nacionais, autorizem a tranferencia de fundos para fazer face ao buraco das contas públicas.

A necessidade de ir até ao fim......

De acordo com a Senhora que apresenta o prós e contras e representa o aparelho, acaso o OE não seja aprovado, estaremos "num beco sem saída".
Muito provavelmente estaria a pensar em si e em todos que vivem do sistema. Porque para os outros haverá sempre saída, mais ou menos sofrida, mas haverá saída.
Algumas vezes critiquei a postura de Pedro Passos Coelho e assumi essa postura neste espaço; havia alguma fragilidade na postura, alguma transferencia de dúvidas e incertezas que pareciam sedimentar-se na ausencia de uma carreira, carreira mesmo, que sopunham distanciamento em relação aos problemas reais de Portugal, da sua população. Algumas vezes o fiz, porém hoje tenho de assumir que as críticas, por ora, se mostram infundadas. A sua posição é inatacável e as oportunidades que tem são fantásticas, do ponto de vista político.
A questão, para mim, mantém-se na existencia ou não de vontade política para ir até ao fim: não há nenhum abismo ou cataclismo à espera de Portugal, acaso o OE não seja aprovado, desde que haja capacidade para tomar as políticas adequadas e a inteligencia de as defender intransigentemente.
Haverá um período curto de um mês, se chegar a tanto, em que parecerá que o mundo nos irá cair em cima, mas depois o que verdadeiramente interessa é receber o dinheiro emprestado a Portugal, pelo que tudo se tornará inexplicavelmente mais fácil.
Espero que Pedro Passos Coelho não permita a aprovação do Orçamento de Estado, acabando com toda a cabala dos constragimentos fingidos e da irreversibilidade que, forçosamente, se irão abater sobre os portugueses.
A altura é de desmistificação; pede-se que assuma a posição até ao fim. E esta não é, sequer, uma posição de coragem, mas de verticalidade, honestidade e patriotismo.

30.9.10

Estamos entalados.....

Ficámos a saber que não temos alternativa; estamos falidos. Toda a preocupação vai para a gestão de tesouraria, a liquidez do dia-a-dia, pagar atempadamente as obrigações.
O orçamento não se preocupa com o desemprego, com a miséria, com a exclusão social.
O orçamento tem uma única preocupação: tentar salvaguardar os compromissos financeiros diários.
O pior é que as medidas são duras mas insuficientes e, no próximo ano, serão necessárias mais, que terão de passar pela dispensa de funcionários públicos, pela falencia de ainda mais empresas, de aumento implícito do desemprego.
Honestamente, não há condições de aumentar a poupança em Portugal nos próximos anos; o estado come tudo e não deixa nada.
Esta situação cria as condições para a ausencia de soluções nos próximos anos.
E o que custa mais é ouvir, reiteradamente, sempre as mesmas falácias, sempre as meias-verdades e as mentiras puras, as mudanças de discurso sempre dos mesmos, que tanto serviram para afundar o país como agora aparecem como os únicos capazes de o salvar. Também este repetir político concorre para a ausencia de soluções.