2.7.10

Presidente da República dixit:

"Desde que se respeite o quadro legal, o Governo tem todo o direito de utilizar os instrumentos à sua disposição para defender o que considera ser o interesse estratégico de Portugal".
Afirmação hoje do presidente da República,Cavaco Silva, nas primeiras declarações sobre a utilização, da parte do Governo, da ‘golden share' na PT para vetar a venda da Vivo aos espanhóis da Telefónica, aprovada por mais de 70% dos accionistas em assembleia-geral.

"O governo considerou que estava em causa o interesse estratégico de Portugal", disse o Presidente da República.
Não deixa de ser curioso, mesmo um puro exercício de hipocrisia, que o país mais protecionista e lobista da União Europeia venha invocar regras, regulamentos e supostas virtudes europeias de combate aos protecionismos.

30.6.10

Todas as empresas portuguesas são opáveis.
A PT é tanto menos opável quanto maior o peso de capitalização bolsista que tiver.
Vendendo a VIVO, a PT é mais opável. Mais vulnerável.
Oferecer 90% do valor bolsista da PT (que não inclui os 50% de capital na VIVO) por 50% da VIVO mostra o valor desta participação. E continua a crescer.
Os 7,15 mil milhões entravam no país, iam para fundos de pensões e para operações, mas que operações ?
Em África não, porque o tecido jurídico não permite veleidades de investimento baseados em licenças; no Brasil seria trocar uma posição de liderança no mercado por uma outra empresa não líder: estas operações têm um custo elevadíssimo (caso contrário a Telefónica já teria avançado nessa opção).
As Alianças Estratégicas fizeram-se para crescer, ganhar competencias e capacidade financeira, e também para acabarem. Acabam sempre, sendo que a duração média é de cerca de 3 anos e a duração máxima esperada 7 anos. Assim, nada de novo nesta posição da Telefónica.
E nada mais ficcará igual, porque falamos de um mercado importante, de receitas importantes e de um modelo de gestão diferente (que tem sido consensual através de cedencias).
A altura é de procurar parceiros financeiros.
A Questão PT/VIVO.... e Agora o Futuro espera a PT....

A PT não é uma empresa carente tecnologicamente. A PT procurou a Telefónica para ter acesso a recursos financeiros que lhe faltavam e, assim, a parceria surgíu a 50/50 %.
O mercado escolhido foi o Brasil, por razões óbvias: os mercados emergentes e em desenvolvimento apresentam reacções e estímulos que contribuem para um aumento da competitividade e ganhos de mercado impossíveis em mercados maduros.
A escolha do parceiro deverá evitar, também, que um deles tenha uma dimensão muito superior ao outro, para fugir a tendencias de canibalização (como agora pretende a Telefónica).
Mas estará a Telefónica a ser simpática, quando aumenta sucessivamente o valor de aquisição da parte da PT na VIVO ? O último valor oferecido foi de 7,15 mil milhões de piastras.
A resposta é não.
O mercado nacional é pequeno, não elástico, não permitindo taxas de crescimento que alavanquem os recursos e as necessidades das empresas nacionais. Assumindo e verificando esta constatação, percebe-se porque razão a PT está refém do crescimento no exterior - leia-se Brasil - o que não sendo mau, implica uma atenção constante e uma política de alianças continuada, através de operações mistas de capital e competencias, procurando crescer naquelas e minorando até ao zero estas.
O parceiro de capital é sempre silencioso, e quando as empresas estão bem ancoradas nos mercados onde operam, gozam de benefícios de credibilidade, experiencia internacional e condução de negócios através de modelos de gestão reconhecidos, que a experiencia da internacionalização acarreta, os parceiros financeiros avançam, aindaa mais hoje, quando os funods de investimento procuram colocações sólidas dos seus capitais, fazendo face à volatilidade das restantes aplicações.
Contudo existe um risco: a volatilidade dos mercados em desenvolvimento. Mas poderemos hoje, seriamente, apontar o Brasil dentro do negócio específico da VIVO, como um mercado de risco sério para parceiros financeiros ? Não é nas telecomunicações e no México que se encontra o homem mais bem sucedido financeiramente do mundo ?
Qual a dificuldade, então, de encontrar parceiros financeiros que se substituam à Telefónica ?
Porque não parte a PT para a compra da posição da Telefónica, por valor equivalente ao que foi oferecido por esta ? Há ganhos a realizar com a VIVO, empresa que continua a crescer de forma saudável; há um player empenhado - a PT; há procura e desafios.
Vender a participação da PT na VIVO à Telefónica significa a realização de mais-valias mas, igualmente, a perca de presença no mercado brasileiro que tanto custou a ganhar.
Sair de um mercado é sempre mais fácil do que entrar e, uma vez fora, o espaço e quota de mercado são absorvidos, não existindo lugar a segundas oportunidades.
Para a Telefónica, falhar a aquisição da VIVO equivale a abandonar a aliança estratégica com a PT, mas igualmente e de muito maior peso, dispor-se a perder o mercado brasileiro ou a ter de investir, pelo menos, seis vezes o valor que agora oferece para fazer concorrencia à VIVO, com a inerente dificuldade temporal do retorno financeiro.
A PT não pode vender a VIVO.
Os accionistas de referencia têm essa consciencia e só mesmo os especuladores não vêm o que está diante de todos.
O passo seguinte é montar a operação financeira de aquisição da posição da Telefónica na VIVO e passar a lidar com um parceiro estratégico eminentemente financeiro.
§
(baseado no livro: "Alianças Estratégicas Internacionais: critérios de selecção de parceiros estratégicos", Ed. CELTA, de minha autoria)

30.5.10


A liberdade invadida pela política matou a democracia.....
Homens afadigados e eficientes, que não se separam nunca dos seus telemóveis ou computadores portáteis, homens que se transformam no símbolo de um mundo essencialmente relacional. Um mundo de liberdades mas de total ausencia de democracia. A questão não é saber "quem sou ?" mas sim saber "com quem falas ?".
As pedras movimentam-se na construção de imensas catedrais de dinheiro virtual, onde se praticam cultos enraízados na frenética evolução tecnológica, que permite o crescimento impensável das negociações e das inter-relações, num crescendo de mais contactos, mais ligações em rede, mais interconexões.
Este crescendo é acompanhado, obrigatoriamente, por uma mediatização voraz, alucinante, tipificada em sinais: os sinais monetaristas do dinheiro.
Perdem-se os princípios, substituindo-os por modus operandis.
A sociedade operacionalizada está lançada, sem que se saiba bem como e onde vai desembocar. As ideologias foram substituídas por processos, processos que conduzem a maior parte da população ao conformismo, deixando campo aberto para todos os outros, poucos, que funcionam abertamente em rede.
Uns agem impulsionados por todos os outros que com eles se ligam em rede, sem vontade própria, porque já se perdeu o indivíduo, mas como elementos-chave de uma enorme máquina: os outros assistem, amorfos, dando como certo o dinamismo da máquina, a impossibilidade de lhe traçar fronteiras, o princípio "imutável" de que sendo as leis as mesmas, só poderão existir estas e nenhumas mais.
E o Mundo avança para um declive perigoso, arrastando todo o sistema e arrostando grandes percas. O Mundo tem consciencia que é impossível estender a lógica industrial a toda a sua dimensão; o homem sabe que esta lógica de industrialização tem limites, porém insiste em procurá-la, deslocalizando fábricas, produzindo cada vez mais, na assumpção de que haverá sempre quem consuma o que se produz.
Os homens trabalham sem sentido: uns miseravelmente pagos, nas enormes unidades industriais que alimentam o homem regulado, controlado e livre; os outros executando funções que, sabem-no bem, não geram valor mas pressupostamente prestam serviços aos demais homens regulados, controlados e livres.
Curiosamente o comunismo pretendeu dar um sentido ao trabalho de todos os homens, como resolução do conflito que opôs a revolução industrial à incapacidade do homem livre consumir todos os bens que produzía. Mas fracassou e o mundo industrializado foi substituído pelo mundo frenético das novas tecnologias, da mediatização e da especulação financeira - dos serviços. Nem a verdade da relação social entre os homens se explica neste mundo, como verificamos agora bem demais, nem tão pouco se explicava no comunismo.
Temos hoje a noção de que se construíu este mundo sob um chão arenoso, faltando-lhe a consolidação do betão, o mesmo é dizer da criação de riqueza, para que pudesse ser um mundo definitivo. Não é.
Pouco importa se há revanche política em Portugal, hoje em dia, se os actores políticos são garantes de estabilidade, ou de crescimento, ou seja do que for; na realidade nenhum actor político tem a capacidade de alterar o caminho que se abre sob os nossos pés. Percorremos uma ladeira, cada vez mais íngreme, aumentando a velocidade da descida, mesmo sem querermos, mas compelidos pela inclinação e pela gravidade. Já quase corremos, e mesmo olhando à direita e à esquerda, procurando saídas deste trilho único, temos a consciencia de que qualquer saída tem de ser preparada muito antes de ser vislumbrada e, que mesmo assim, é necessário que exista e que se tenha adivinhado qual é.
Vamos tentando diminuir a marcha, dando encontrões no muro que nos limita o caminho e que nos obriga a seguir em frente. Arranhamo-nos, aqui e ali, cada vez com mais frequencia, obrigando a dolorosas passadas conforme avançamos. Existe uma causa comum, que nos une na insatisfação com que descemos a vereda: o reconhecimento de que já não nos reconhecemos no nosso país; que o país que é nosso já não serve os nossos intentos, as mais básicas necessidades; que o caminho que percorremos não é o nosso. Vemos como a miséria grassa, a solidariedade rareia, a segurança desapareceu, as ideias não servem os propósitos e sentimos o desnorte de quem nos disse, anos a fio, que nos colocaria no bom caminho.
Será este um problema de ideias políticas ? A manifestação de ontem em Lisboa mostrou que não: o fim comum a toda aquela gente não era uma contestação específica, de índole política, de receio de perca de garantias, de direitos.
A razão única que unia todos os manifestantes foi a insatisfação para com o seu país, com o seu futuro, próximo e longínquo.
Era ouvi-los a reclamar, disto e daquilo e ainda daquele outro mal que os assola. Não existia um discurso condutor na reclamação: reclamava-se de tudo, por tudo, contra tudo, em suma, reclamava-se com o país.
Não é então de política que se necessita nesta hora; não é de debate político que estamos carenciados. Portanto, não importa se A é estabilizador, se B se quer vingar, se C será melhor Primeiro-Ministro que D, se a direita se une contra a esquerda, se há vários candidatos, se a esquerda escolhe só um, se ganha este ou aquele, ou mesmo se o governo dura um mes, seis meses ou quatro anos.
Estamos em plena ladeira e a solução já não passa pela ideia política, nem pela impossível mas igualmente ineficaz união política, se existe bloco central ou se o bloco é de esguelha.
O caminho é estreito, murado, cada vez mais inclinado e a vista começa a ter dificuldades em encontrar, a tempo, saídas.
O tempo não é de discussão política, porque ineficaz. O tempo tenderá a ser, então, de aprofundamento moral, de consolidação da ética, dos valores éticos e morais aglutinadores de uma Nação.
É da noção de responsabilidade comum a todos, que nascerá o limite de um mundo capaz de circunscrever a ambição dos homens. A questão é ética, acima de tudo.
Esta liberdade invadida pela política fez sossobrar a democracia e "matou" a liberdade. Só libertando a "liberdade" da política será possível fazer renascer a democracia, pela ética e moral. Só em democracia existe verdadeira liberdade.
Este Estado já não é democrático há muito e deixou de ser um estado de liberdade para muitos, quase todos, há muito também. A liberdade actual é só para uns poucos, mas já não "cheira" a liberdade para todos os outros.
Exige-se consciencia onde hoje sobra oportunismo. Exige-se ética (aristotélica) onde hoje só se encontram interesses individualistas. Impõe-se uma razão onde se encontram interesses obscuros, sabedoria que substitua a inconsciencia.
É necessária independencia de espírito e enriquecimento das consciencias.
A ladeira inclina-se, todos os dias, cada vez mais, à nossa vista. O choque é iminente e não se descortinam travões capazes de nos fazer parar.
Vamos bater, violentamente, independentmente dos actores políticos, porque este mundo, o nosso, já não se faz de política, por agora.

29.5.10


E se Bagão Félix avançasse.....
Curiosa a notícia de que o Dr. Bagão Félix poderá ser o candidato presidencial mais "à direita". Curioso, porque este facto significa, por ora, com ou sem candidatura, a existência de uma direita de forte pendor social, não liberal, a direita que se confunde tanto com ela própria como com a esquerda; a direita que coloca o interesse da sociedade à frente do interesse económico, usando este para satisfação daquele.
Mesmo colocando em causa a reeleição do actual Presidente da República, a curiosidade de medir em votos esta direita é grande. Muito grande.

19.5.10


As razões estão todas à vista, mas as mentiras acentuam-se.....e os erros cometem-se à velocidade do avanço do caos económico e social....
§
Paul Krugman escreveu ontem, no New York Times, que ".... os salários nos países periféricos da Europa, como Portugal e Espanha, têm de baixar 30 por cento face à Alemanha". Acrescentou ainda que "... com uma moeda única, um ajustamento a choques requer ajustes nos salários. E como os países periféricos da Europa passaram de um crescimento a uma recessão, o seu ajustamento tem de ser feito em baixa".

Ou seja e por outras palavras: ou se abandona a zona euro, que equivale a dizer que se tem uma arma de política monetária, capacidade de flutuações cambiais, equivalendo ainda a dizer que, ao desvalorizar-se a moeda em 30% (mesmo que por força do abandono da zona euro) se desvalorizam os salários em cerca de 20 % (tem de se contar com o que é produzido em Portugal) e se ganha competitividade ou; os ganhos de competitividade, mantendo-se a zona euro, só se conseguem com salários mais baixos entre 20 a 30% , quando comparados com a média alemã.
Já tinha sido escrito, por mim, aqui e aqui.
E o que dizer das dificuldades de endividamento das instituições financeiras nacionais nos mercados internacionais ?
Bom, se temos que contribuir com uns milhares de milhões, de acordo com o que foi oficialmente anunciado, como parte do pacote de ajuda à Grécia ( que não é para cumprir, de facto, mas é o que está escrito e afirmado aos mercados), como é que os mercados reagem ?

Fácil: se os portugueses não têm dinheiro para eles e terão dificuldades a muito curto prazo para cumprir o seu serviço da dívida, vamos emprestar para que ainda o enterrem na Grécia ? Não, não vamos.

Onde está a competitividade do país ? Onde está a vontade de mudar ? Como se irá comportar uma economia muito fraca, com um aumento da carga fiscal que era, antes de aumentos, já de si insustentável ? Como se estão a comportar as receitas fiscais ? A criação de riqueza ? O dinamismo económico ?
Não se vislumbrando respostas satisfatórias a estas questões, vamos emprestar dinheiro a quem vai, depois, gastá-lo sem que o gasto seja produtivo e, ainda por cima, sendo parte deste dinheiro para aplicar numa economia que está ainda pior.
Não, não vamos. E daqui surgem as dificuldades.
A ser verdade a notícia publicada sobre o tesouro inglês e a passagem de pasta, percebe-se que os ingleses tenham dito não, rotundamente não, a qualquer ajuda à Grécia. Com coragem.
Nós, como estamos sempre de chapéu na mão, assustados com a possiblidade de virmos a necessitar de ajuda identica dentro de muito pouco tempo, dissemos logo que sim.
Esquecemos que nem para a Grécia a ajuda vai ser dada/disponibilizada na totalidade (garantíu para já a solvencia dos problemas em Maio) porque é uma impossibilidade europeia (ver aqui), então muito menos Portugal gozará de qualquer pacote de ajuda.
Mais depressa somos corridos da zona euro, juntamente com gregos e espanhóis, do que entrará uma piastra europeia em Portugal.
Coragem precisa-se.
O país está falido e só é possível encontrar soluções se se conseguirem encarar os problemas; e mesmo assim, a ver vamos.....



6.5.10


BE e PCP a favor das grandes obras públicas.
Será que a esquerda radical e ortodoxa continua convicta que poderá consolidar posições e assumir a condução de Portugal, a partir dos escombros do país, seguindo o mesmo caminho que iniciou em 1975 ?
Será que tantos anos depois ainda não perdeu o objectivo de vista ?
Será que ainda não percebeu que, quando as políticas socialistas falham, a Europa sempre se virou à direita ?
Colocação de dívida portuguesa foi um sucesso ?
Para quem ?
A pagar uma taxa quatro vezes superior à da ultima emissão, há cerca de dois meses ( e toda assumida por bancos nacionais, contrafeitos mas obedientes), não me quer parecer que se possa falar em sucesso, pelo menos para o país.
Anda para aí muito ilusionista......

Poderá a Grécia abandonar a zona euro ? É muito provável que sim....

Os acontecimentos de ontem na Grécia mostram, sem tibiezas, como é difícil senão impossível, estancar o défice público grego através de medidas de austeridade, aumento da carga fiscal e cortes salariais. E estamos a falar tão somente do défice primário, ou por outras palavras, do défice expurgado dos juros da dívida pública.
Por contraposição a esta dureza das políticas orçamentais, restaria a solução de expansão da economia. Mas como pode a Grécia esperar um crescimento económico que poupe os seus cidadãos e acalme a urbe, se o crescimento previsto no plano apresentado é meramente residual ? E como faze-lo sem mecanismos que permitam aumentar a sua competitividade, nos mercados externos ? O instrumento cambial não existe (identico problema se levanta a Portugal, quer no crescimento residual, quer nos instrumentos económicos e na competitividade externa).
A única forma de crescer é aumentando as exportações, forçando a um aumento da produção de bens.
Poderia considerar-se a possibilidade de uma redução de custos internos, mas aí estamos em território de redução de direitos adquiridos, impossivel de implementar, como a situação vivida ontem bem demonstra.
A outra passa por uma desvalorização da moeda, mas esse mecanismo é impossível no espaço euro.
Claro que qualquer demonstração de vontade ou de possibilidade da Grécia abandonar o euro levaria, decerto, a um enorme ataque especulativo à economia grega e à assumpção de um enormíssimo custo.
Mas e se não houver outra solução ?
Claro que o problema de reestruturação da dívida pública subsiste, mas poderia constituir-se numa ajuda preciosa para poupar os cidadãos gregos a um esforço descomunal, sem que se saiba ao certo, sequer, se resultará ou não. Aliás esssa dúvida perene consagra, em grande parte, a pouca disposição para sacrifícios colectivos, somatório de todos os sacrifícios individuais. Ademais, também lá os sinais evidentes de uma classe política corrupta e esbanjadora não deixam grande margem de manobra no plano moral.
Assim, mesmo que o cenário pareça improvável, poderá muito bem ser o cenário possível, porque não é uma situação impossível.
Depois de afastado o impossível, bastas vezes a solução de um problema reside no improvável.
A Grécia abandonar a zona euro perspectiva-se, cada vez mais, como uma hipótese muito real.
Atrás vimos nós, é bom recordar.

30.4.10


Tudo o que sabem mas não Dizem.....
"Teste à zona euro
Para Rui Henrique Alves, as más notícias desta semana representam um “teste à resistência da zona euro”. “O teste está a começar pelas economias mais fracas”, nota o especialista.
O “impasse” em ajudar a Grécia, principalmente por parte da Alemanha, “pode estar a prejudicar a Europa”, repara o economista, realçando que “o mais importante neste momento é salvar a união o monetária”.
É, contudo, “muito cedo” para se pôr a hipótese do “fim da moeda única” e da “expulsão de certos países da união monetária”, acredita Rui Henrique Alves.
Portugal deve “estancar o efeito bola de neve”
Para o economista Nuno Moutinho, os cortes no rating têm dois tipos de impacto no país. “Um impacto directo porque pagamos a nossa dívida mais cara e isso gera défice” e “um impacto indirecto, já que todo o clima económico é afectado, com quedas na Bolsa de Valores, por exemplo”.
Tudo isso pode levar a um efeito bola de neve na economia. Nuno Moutinho, também professor da FEP, considera que é preciso pôr um travão no pessimismo económico.
A reunião entre José Sócrates e Passos Coelho nesta quarta-feira foi um sinal claro deste esforço de “estancar o efeito bola de neve”.
.
Vamos por partes.
A noticia da responsabilidade do Diário Económico merece reparos, absolutamente necessários para se perceber a verdadeira dimensão dos problemas e dos interesses envolvidos.
§
1º: A zona euro não deveria ter "países fracos".
A razão é simples: os países não estão todos no mesmo patamar de desenvolvimento. Não estando, carecem de medidas e soluções económicas diferentes. Pertencer à zona euro implica obedecer, mais, ser regido por parâmetros definidos pela toda poderosa Alemanha, situação a que Grécia, Portugal e Espanha não têm condições de "obedecer".
Não foi por qualque razão que a Inglaterra, conhecedora, não aderíu à zona euro.
§
2º: O impasse não reside na ajuda à Grécia mas na repercussão que terá na soberania alemã. E que me desculpem, mas em questões de soberania não se brinca.
A União Europeia pode funcionar desde que tenha presente que, acima de tudo, a soberania nacional se sobrepõe aos interesses comuns. Não para pobres pedintes como nós portugueses, mas para nações fortes e com enorme capacidade como a Alemã ( e a inglesa).
§
3º Por ultimo, a especulação dos mercados está pior do que aquela que se verificou antes da crise de 2007/2008. Os resultados irão ser piores.
As políticas de ajudas dos estados, sem coragem para articularem um plano de nacinalizações do sector financeiro, temporárias, transformou o esforço dos contribuintes num enorme ATM, onde a banca, através de código, levantou as quantias de que necessitava para recuperar as fortunas pessoais, entretanto drásticamente diminuídas, sem qualquer preocupação de construção de riqueza nacional. Continuam a interessar as mais-valias em detrimento do valor acrescentado.
.
E quanto ao entendimento Sócrates-Passos Coelho, a nível internacional a notícia só interesssa aos colunistas que são subsidiados por Portugal para "fazerem" notícas positivas, para indígena comer.
As agencias de rating comportam-se de outro modo: quanto maior o ganho do investidor maior o ganho da agencia. Simples mas eficaz.

15.4.10


É necessário pugnar pela União Nacional...

Ex-economista chefe FMI:
"Portugal corre risco de falência económica" in Diário Económico de hoje.


Curioso: as conclusões são sempre as mesmas mas, acima de tudo, a gestão com hipocrisia das notícias veiculadas nas reuniões em Bruxelas, os pareceres e comunicações, não pretendem resolver nada mas tão sómente adiar o inevitável.
Hipócrita porque diz-se à boca pequena o que não se tem coragem de assumir frontalmente. Acredita-se que os mercados podem andar distraídos, que as comunicações podem ser apaziguadoras mas, no fim, o que se cria é um clima de suspeição elevadíssima de que as falencias técnicas de alguns países são inevitáveis.
Não há solidariedade na União Europeia, porque não existe união, de facto, muito menos união de facto.
Portugal está mal. Todos o sabemos. Também já se sabia que o PEC iria ser chumbado em Bruxelas, como foi.
Não dizer que não presta mas acrescer que não basta é um sofisma, um atentado à sobrevivenvia económica e financeira de Portugal.
A altura é de seriedade e frontalidade.
Queremos ser todos parte integrantes da recuperação de Portugal.
Com excepção daqueles que cometeram actos ilícitos e dos quais a justiça se deverá ocupar, sinto-me tão próximo do CDS como do BE, desde que nas palavras, atitudes, comportamentos, discursos e ideias, se pugne pela recuperação do país.
A altura é de união, mas de verdadeira união nacional.

9.4.10

Écos.....
Sempre soube que, mais ano menos ano, seria notícia que Portugal tem uma Liga Nacional Contra a Fome. Porquê ? Porque revoluções sem sangue não são revoluções, são oportunismos.

Vem aí a Besta Negra....

2ª feira 12 de Abril será a Besta Negra da Grécia, de Portugal e da zona euro.....
A conversa inalada de Bruxelas é para expelir de imediato... é tóxica.
Cuidado.

Os países vão à falencia mas não fecham......
A necessidade de prover a Grécia de meios financeiros, capazes de sustentar as suas obrigações para com os credores, é inevitável. O problema surge quando não se vislumbra o "como".
O acordo de princípio dos países da zona euro para assumirem a ajuda, com uma suposta flexibilização da posição alemã, não vale mais do que isso mesmo: um acordo de princípio, que inclui a zona euro mas ( e este mas é muito grande) também o FMI (Fundo Monetário Internacional).
A capacidade de obtenção de crédito por parte de um país soberano pode medir-se de várias formas; através do déficite (despesa vs rendimento nacional), dívida pública medida em função do Produto Interno Bruto (PIB) ou do Produto Nacional Bruto (PNB), serviço da dívida em relação às exportações e a prosperidade do país mede-se através da sua capacidade creditícia.
A ausencia de crédito conduz à incapacidade de alcançar crescimento económico. É assim que a Grécia se encontra já e Portugal estará, daqui a uns meses.
Contraindo-se o crédito assiste-se a um aumento incomensurado do declínio económico, muito superior ao verificado pela crise que lhe deu origem. Daí a situação grega ser dramática. Mas para que os países da zona euro possam acudir hoje à Grécia, para acudir amanhã a Portugal e depois, quem sabe, a Espanha, é necessário que os vários operadores soberanos se atravessem com a sua capacidade creditícia, significando a entrega de garantias e a inerente diminuição da sua própria capacidade de obtenção de crédito.
Por outras palavras, uma ajuda da zona euro à Grécia significa uma diminuição da capacidade de obtenção de crédito pela zona euro, com a significante e relevante perca de crescimento económico.
para que as coisas funcionem é necessário acreditar que a Grécia depois de ajudada a obter o crédito de que necessita, enceta um caminho de progresso económico e de crescimento económico. Mas se o dinheiro necessário é para pagar dívida já existente, como é que a ajuda se traduzirá numa multiplicação do dinheiro, promovendo o crescimento ? É necessário muito mais dinheiro, ou seja, muito mais envolvimento dos países da zona euro mas, mesmo assim, seria necessário acreditar que os gregos iriam ser muito diferentes no futuro próximo. E alguém acredita nisso ? Provavelmente só os gregos e não todos.
Daí a entrada do FMI. Mas qual será a lógica da entrada/intervenção do FMI para ajudar a resolver uma questão de dinheiro na zona euro ?
O FMI aparece, como o Banco Mundial, em Bretton Woods como entidades de supervisão mundial. Onde ficaria então situado o Banco Central Europeu (BCE) ? E mais importante, que mensagem passaria a intervenção do FMI para a credibilidade do BCE, primeiro banco central, agente regulador, de índole internacional ? Depois, acresce que o BCE é claramente manipulado pelos interesses alemães, porque quer queiramos quer não, no que ao dinheiro e à capacidade de crédito diz respeito, a soberania nacional continua a ser o motor e não há nenhum país que queira colocar a sua soberania em jogo.
Os países não são empresas.
Porque razão é perigosa a situação na Grécia ? Porque quando o devedor é soberano, os credores de uma forma ou de outra têm mecanismos de cobrança, porque os países devedores terão de pagar até ao limite das suas possibilidades, porque um país pode falir mas não pode fechar. Mas uma crise interna leva ao encerramento de muitas e muitas empresas, a um desemprego elevadíssimo e a um incumprimento insustentável junto do sistema financeiro doméstico, o que conduz a uma situação de ruptura sem capacidade de solução; as empresas abrem falencia.
É por este somatório de razões que, chegada a hora de dar a mão à Grécia, os alemães se vão virar para o entroncamento entre o FMI e as ajudas pontuais dos países da zona euro, preferindo claramente que o FMI assuma toda a despesa, deixando os restantes países caírem umas parcas migalhas. Porque os tempos não são fáceis, a zona euro não é fácil, a moeda única não é fácil e os mercados são difíceis.
E o crédito esbanjado hoje impede o crescimento de amanhã e durante muitos anos.

26.3.10

Requere-se União.....

A hora é de união no PSD.
Com a vitória de Pedro Passos Coelho exige-se uma força e sentido único no PSD. Não há um unico líder que sozinho consiga conduzir os destinos de um grupo, de um partido, de um paaís, de uma sociedade com sucesso.
É necessária a participação dos mais capazes, dos intelectualmente mais capazes, para que estes arrastem outros, façam nascer ideias, desenvolver projectos e projectar Portugal no futuro.
A hora é de união no PSD.
Pedro Passos Coelho é o melhor líder para o PSD no momento: vai ganhar e ganhando ganha, obrigatoriamente o respeito e a confiança de todos os que se reveem no PSD. Mas, acima de tudo, é necessário colocar Portugal no trajecto dos portugueses e, depois, do mundo.
Quanto mais depressa se encetar a mudança de mentalidades no nosso paaís, mais depressa resolveremos os nossos problemas (temos aí para uns vinte anos de trabalhos esforçados). Se não se fizer agora, não se fará mais.
Todas as críticas são possiveis antes de...depois já não.
Haja esperança e que o novel dirigente se saiba escudar no conhecimento, na respeitabilidade, na experiencia e nos bons conselhos de todos, mas acima de tudo que se saiba rodear e que areje, definitivamente, um partido que apresenta sinais evidentes de mofo.

A Oportunida Perdida.....
Manuela Ferreira Leite sai do PSD como entrou; sem ideias, sem projectos, sem discurso, sem intenções de governar.
A estratégia (ausencia de) passou por uma colagem evidente a Belem, por uma liderança apática, hipócrita na forma de lidar com o interior do partido, fraca e titubeante a lidar com o eleitorado e afastada dos problemas nacionais, gravíssimos, na forma muitas vezes desconcertante como deixou fugir-lhe o discurso para o acessório, equivocando-se geralmente no essencial. Padeceu deste problema nos debates com José Socrates para a campanha das legislagtivas, padecendo de todos na forma como nunca interagíu com o país e não deixou aproveitar a força da bancada parlamentar do PSD, dotada de alguns oradores astutos. Aguiar-Branco foi um escudeiro fiel dos seus propósitos, que se reconhecem não terem sido nenhuns. Velejou na política como em dias de vento no mar: à bolina dos interesses de Belem.
Diz que sai de consciencia tranquila. Sai de facto, mas sem poder adjectivar, catalogar ou certificar qualquer tipo de consciencia, porque nada fez de político ou como política, a não ser criar um enorme mar de equívocos dentro do PSD.
Sai como entrou, sem coragem para o combate político. Sai não conseguindo ir contra as expectativas de Belem, mas indo frontalmente contra a vontade do PSD: chumbar o famoso PEC.
Todos sabemos que este PEC de nada serve e só custará uma ainda maior frustração nos mercados e na economia. A derrapagem das contas nacionais nos primeiros dois meses de 2010 é terrível a prenunciar um ano feroz para as contas públicas. O PEC, por seu lado, mostra que este irá ser um ano terrível para todos, mas fundamentalmente para os que estão economicamente carenciados, podendo avançar-se para um número perto dos 8 milhões de portugueses que, directa e indirectamente, sofrem na pele a ausencia de razão política e económica, de coragem política, de paixão política e de amor por Portugal.
Manuela Ferreira Leite teve a possibilidade de sair de cena como alguém que ama o seu país e não teme o necessário e inevitável custo das decisões políticas. Tinha a seu favor o ir sair, pelo que esse custo seria nulo sob um ponto de vista político, que não pessoal. Mas já Jorge Sampaio assumíu o custo pessoal quando demitíu Pedro Santana Lopes e não temeu nem tremeu.
Manuela Ferreira Leite quis agradar a Belem e ser colocada no pedestal da "boa moeda", do seu amigo de sempre, para que este não fosse confrontado com uma crise política (porque a crise económica está cá toda, com ou sem PEC, com ou sem governo). Fez mal.
Até porque ninguém está interessado neste momento em saber quem será o próximo Presidente da República.
Até porque ninguem sabe bem quanto tempo mais temos de euro, de União Europeia, de acesso ao crédito em condições (não a qualquer preço) de não exterminar uma economia já afogada em dívida.
Até porque ninguem sabe ao certo quanto tempo mais este país aguenta esta 3ª Republica, como a desenham desde há 36 anos.

23.3.10



O PSD caíu no conto do vigário....
Ninguém parece dar-se conta do logro que constitui trazer para a praça pública o debate entre candidatos à liderança do PSD.
Toda a gente assiste ao mediatismo da contenda como se fosse algo de natural; e não é.
A discussão entre as propostas dos candidatos é um problema interno do PSD. A discussão deveria fazer-se ao nível das concelhias e distritais e não com exposição pública nacional.
Primeiro, porque só uns milhares (talvez entre 40 e 70 mil) votam nas directas, direito que assiste a quem é militante do partido e tem as quotas em dia. Depois, porque as intenções e oratória próprias destes momentos devem ser canalizados internamente e só internamente.
Quando as eleições se decidiam em Congressos ainda vá, que se assisti-se ao combate político entre moções, uma das formas possíveis de galvanizar quem estava fora da política. Agora que as eleições são directas, o discurso dos candidatos só interessa a quem tem o direito de votar (os tais milhares, poucos).
Aliás, o espectáculo mediático encenado é ímpar na política nacional.
Espremer os candidatos a líderes do PSD frente ás camaras de televisão equivale a um suicídio político destes, mesmo antes de se ir a votos nacionais. Porque a ideia que fica, para quem assiste ou lê/ouve comentários posteriores é a de que já conhece as ideias e linhas programáticas do vencedor, quando esta ilação é falsa. Uma coisa é o debate interno, outra bem diferente o discurso político virado para eleições nacionais.
Porque internamente há coisas que não se explicam por desnecessárias. Porque internamente há zangas, birras e pequenos ódios de estimação, cultivados durante anos de combate político por lugares ao sol, que nestes momentos não se conseguem evitar demonstrar. Porque também há muita coisa que já se sabe, porque se está dentro da máquina partidária e não faz sentido explicar aos militantes. Também porque estes votam por arregimentação das suas vontades, numa lógica partidária de apoios e ascensões internas.
Discutir moções partidárias para eleições partidárias só fustiga os partidos que o façam. É um logro, também porque parece mostrar um partido desunido, com as entrevistas a serem conduzidas numa lógica de uns contra os outros, quando numa luta partidária interna esse é o cenário natural, uns contra os outros. Porque depois sempre aparece a apelar á união, com se de desunião se tratasse. O PSD já teve lutas piores do que esta pelo poder interno e sobreveio sempre o sentimento de unidade em torno do líder.
E depois cai-se na tentação de confundir os militantes votantes nas directas com os eleitores do PSD.
Os primeiros há muito que decidiram em quem votar.
Os segundos, que englobam aqueles mas são incomensuravelmente muotos mais, não votam agora, podendo ou não faze-lo dentro de meses (logo se vê), mas estes debates não configuraram qualquer tipo de campanha eleitoral nem pretendiam contribuir para elucidar o eleitorado. Mas pareceu, aos olhos de muitos pareceu e isso foi mau.

13.3.10


Escrevi há pouco tempo que simpatizava com a candidatura de Paulo Rangel. Alguma razão em especial ? Sim, sem dúvida: diminuir a candidatura de Passos Coelho.
Mas porquê ? Porque Passos Coelho está fortemente apoiado num político fortemente baseado nos conceitos e conhecimentos do que é e como funciona a demagogia política.
Assim, não foi difícil perceber que o discurso de Passos Coelho seria, como foi, forçosamente o melhor, neste Congresso Extraordinário do PPD/PSD.
Mesmo a gaffe relativa a Alberto João Jardim (fora do contexto do discurso que tinha sido preparado detalhada e minuciosamente, como se de um rasgo de inteligencia se tratasse e se tal fosse possivel) não impedíu uma saída triunfal para a vitória final, de Pedro Passos Coelho.
Aguiar-Branco é fraco, embora com muitos anos de política.
Paulo rangel está demasiado fresco, tem pouca ou nenhuma argúcia política, está igualmente encostado a interesses e não procura a ruptura, a não ser em relação a determinados sectores do PPD/PSD que já existiam, mas acima de tudo é um homem medroso, como mostrou no arranque da campanha.
Não tenho dúvidas: Passos Coelho vai ganhar as directas no partido.
Igualmente, não tenho qualquer dúvida que vai ser excepcionalmente bem aconselhado ao nível político.
Tenho todas as dúvidas, direi mais, certezas, de que será um péssimo Primeiro-Ministro, porque será mais do mesmo, do pior que Portugal já viveu na sua História longa e rica.
Igual só D. Manuel I.

11.3.10

O que se diz cá dentro não tem, por norma e como sabemos, correspondencia com o que se entende lá fora.
Um exemplo: muito embora tenha sido apresentado pelo governo o Plano de Estabilidade e Crescimento, que supostamente irá criar condições para reduzir o défice e a dívida pública até 2013, a procura de dívida portuguesa (os credit default swaps) superou a oferta nos mercados, no dia de hoje.
Para bom entendedor......

15.2.10

A Ruptura Fundamental....e Fundamentalista....

As noticias de hoje ( Correio da Manhã) dão-nos conta de supostos pagamentos de Manuel Godinho a um Santana Lopes ou mesmo a dois, de entregas de valores no CDS/PP e de pagamentos efectuados a Narana Coissoró (este afirma que recebeu o montante referido na notícia na forma de honorários, enquanto advogado de Manuel Godinho).
Chamar sucateiro a este homem (Manuel Godinho) parece-me, claramente, uma situação de manifesta descriminação; o homem conhece meio mundo, entregou valores a meio mundo, incluindo partidos políticos, dava-se com a nata (azeda, cada vez mais azeda)) da nossa classe política. Chamar sucateiro a este homem é menosprezá-lo, com intenções claras de descriminação social: quanto muito, o mínimo que se lhe poderá chamar, acaso se venha aprovar alguma coisa na justiça, será mafioso bem relacionado, sucateiro soa a pouco, convenhamos.
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Tenho simpatia por Paulo Rangel: o discurso é inteligente, a postura correcta, o timing certo, as intenções boas e a necessária ruptura que preconiza uma medicação mais do que aconselhada para Portugal.
O problema reside no facto de Paulo Rangel estar inserido no PPD/PSD.
Os partidos políticos em Portugal estão viciados, os intervenientes políticos estão numa grande maioria - como nos vão mostrando os sucessivos casos dádos à estampa - envenenados, desgastados, sem credibilidade e afogados em esquemas permissivos e criminosos.
O PS, o PPD/PSD e as restantes forças políticas, directa ou indirectamente, estão envolvidos em toda a política maléfica materializada nos ultimos 30 anos, no bas-fond económico e financeiro que nos pesa nos ombros, no estropiamento da riqueza nacional e das suas sucessivas gerações, na preocupação generalizada e fundamental de criação de ricos.
Os políticos existentes (muitos deles) estão gastos e profundamente envolvidos na debacle nacional. As máquinas partidárias são coniventes, desde as concelhias até às distritais. E é destes políticos que se faz a política nacional.
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Como o Correio da Manhã pretende ilustrar hoje, os tentáculos do polvo abrangem todos. Abrangendo não deixa margem para dúvidas: mudar um líder político não significa uma melhor política nacional, por muito voluntarioso que esse líder seja.
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Para que Paulo Rangel tenha sucesso, mostre todo o voluntarismo de que se encontra imbuído, é necessária a ruptura, mas uma ruptura total.
Será possível efectuar essa ruptura de forma a limpar o partido dos anti-corpos que o minam ?
É esse o grande desafio, porque faze-lo implica fundar um novo PPD/PSD, porque quase ninguém que lá está, que lá se escuda e lá se governa pode merecer confiança.
Quase ninguém, porque ainda há gente válida, como quero acreditar que seja também o caso de Paulo Rangel.

13.2.10


É possível que a PT tenha pago custos ligados à campanha do PS ?
Ser possível é; torna-se necessário saber se aconteceu e em que circunstancias....
A notícia veiculada no Correio da Manhã de hoje, alegando pagamentos efectuados pela Portugal Telecom (PT) a indivíduos que participaram na campanha a favor do PS e de José Sócrates só pode ter, como consequencia imediata, uma aturada investigação.
A indignação de Francisco Assis quanto à inclusão do nome de Ines Medeiros na manchete do jornal, não elucida nem contribui para o esclarecimento que tem, forçosamente, de ser feito: foram ou não efectuados pagamentos, directa ou indirectamente, a personalidades de vários quadrantes, através da PT, de serviços que residiam tão sómente em apoiar a candidatura de José Sócrates a Primeiro-Ministro de Portugal ?
Se sim, imagino que essas figuras públicas sabiam de onde estavam a receber o dinheiro, porque os imagino a passarem recibos à entidade emissora dos pagamentos. Sabendo não estranharam estar a PT a pagar-lhes serviços dos quais não beneficiava, nem directa nem indirectamente ? E mesmo assim aceitaram o pagamento ?
lamento, mas se assim foi também eles terão de ser chamados à pedra.
Mas, e se não foi a PT a efectuar o pagamento directamente ? A situação, neste caso, prefigura-se muito pior, porque levanta a questão de como saíram esses fundos da tesouraria da PT. Porque conforme saíram estes poderão ter saído muitos mais, para muita gente, sem qualquer tipo de controle.
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Imagine-se a situação hipotética da compra de um quadro, de um Malhoa por exemplo.
Imagine-se que quem o compra o faz com dinheiro alheio, num leilão fora do país.
Imagine-se ainda que o comprador não quer, por razões óbvias, que se saiba e portanto dá instruções para que o envio do quadro seja feito sem identificação de proprietário, com entrega contra documento de compra.
É possível ? Claro que sim, muito embora o leitor pense com razão: "e se acontece alguma coisa ao quadro no caminho?". Bom, aí surge a figura do seguro, que obrigatóriamente teria de ser feito em nome do proprietário, fazendo parte do bilhete de despacho. Estar-se-ia perante uma situação de "gato escondido com rabo de fora".
Porque não se consegue esconder tudo, de facto.
Porque esta situação, repito hipotética, ilustra a possiblidade de fazer sair fundos ligados à PT mas que, forçosamente, deixam rasto.
Há então necessidade de investigar a veracidade da notícia e, sendo verdade, determinar as responsabilidades pelos pagamentos efectuados e de que forma foram efectuados.

Adaptação livre de "Uma Ilha na Lua" de William Blake...

”Vou começar outra vez", disse o Cínico. Cá vai:"Rompeu Sócrates empertigado, Enxuto e de queixo arredondado, dizendo:Que gostaríeis vós de receber?"
E o povo perguntou: " E quem é Sócrates , meu Senhor?"
O Cínico respondeu rapidamente:"É o deus da Medicina, Pintura, Perspectiva, Geometria, Geografia, Astronomia, Química, Mecânica, Táctica, Fraseologia, Mitologia, Astrologia, Osteologia, Somatologia, Teologia, Patologia e até Culinária - numa palavra, todas as artes e ciências são par
a ele como as contas do colar ao pescoço."
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Chegados aqui, o Povo mostrou-se espantado e perguntou ao Cínico se Sócrates percebia também da Arte da Gravura.
Respondeu o Cínico que sim senhor, que sabia.
"Os pagãos na antiguidade costumavam ter deuses que veneravam e a quem faziam sacrifícios. Vocês devem fazer o mesmo com Sócrates agora", rematou o Cínico.
"Ah", disse o Povo, e o Outro, também é tão instruído ?"
"Não", disse o Cínico. "Como é que podes ser tão néscio que penses que é?"
"Oh, eu não penso que ele é – só perguntei se é," disse o Povo.
"Como é possível pensares que não é e perguntares se é?" disse o Cínico.
"Oh não, Senhor. Eu pensava que sim, que ele era, antes de me dizer, mas depois fiquei a pensar que não é."
Diz o Cínico: " Em primeiro lugar pensavas que era, & depois, quando eu disse que não é, já pensavas que não é. Bem, eu sei que – "
"Oh, nada disso Senhor, eu pensava que ele não era, mas perguntei para saber se ele era."
"Como é que isso pode ser?", exclamou o Cínico. "Como é que podes perguntar, & pensar que ele não era?"
"Bem," disse o Povo, "veio-me à cabeça que ele não é."
"Mas porque é que então", insistiu o Cínico, "disseste que ele é?"
"Eu disse isso? Caramba! Não pensava ter dito tal coisa. Mas o que eu quis dizer. Eu – eu – eu não consigo pensar…Caramba! Senhor, bem gostava que me dissesse como é que isto pode ser."
Então o Cínico pôs o queixo na mão & proferiu: "Sempre que pensares, deves pensar por ti mesmo."
"Mas como, Senhor!" exclamou o Povo. "Sempre que penso devo ser eu a pensar? Mas eu penso que sim. Em primeiro lugar – ..."
"Ora, ora!" disse o Cínico. "Não sejas parvo. Pensar por ti mesmo implica ouvir primeiro, sempre, e repetir pensando o que ouviste."
O Cínico então pôs-se a pensar: qualquer burro nato há-de dar um espertalhão, desde que seja devidamente educado. Se depender de mim, o Povo daqui a quatro anos há-de ser um génio muito superior.
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Neste momento fazem a sua entrada os Outros quatro filósofos, (são seis ao todo, contando com o Sócrates e o Outro ) dizendo em uníssono:
"Vamos Povo! Diz lá qualquer coisa."
O Povo começou então:
"Em primeiro lugar penso, eu cá penso em primeiro lugar que Sócrates é muito bom em Medicena, Fologia, Pistinologia, Aridologia, Arografia, Metamorfografia, Focinhografia, Suínogamia, Hinotomia, & a tudo isso”.
E foi assim que saíram todos da sala, & eles não puderam continuar a conversa neste propósito.

11.2.10

A vontade inequívoca de desmontar a cabala em torno da manipulação do estado de direito, da liberdade de informação e do comportamento reprovável de figuras relevantes dentro do cenário político e económico nacinoal deriva, directamente, do receio de que a 3º República se esteja a afundar, inexoravelmente, e com ela os privilégios de todos, todos mesmo, do Bloco de Esquerda ao CDS/PP.
Este receio fundado redunda numa massiva reacção de menorização da situação que se vive no país e, em particular, no caso Face Oculta.
Mas a situação é grave, muito grave, porque a dívida pública continua a crescer, a despesa do estado continua a crescer, o nível de vida dos portugueses continua a cair e a contestação social ameaça as ruas, sendo que esta ameaça não é pequena, bem pelo contrário, consubstancia-se em algo de muito grave.
Porque estas são questões de enorme importancia política, porque a Real Politik já não se faz hoje da política dos bastidores, nem sequer da que nos é oferecida em horário nobre, mas sim das dificuldades sentidas diariamente na sobrevivencia das familias e no futuro estropiado das gerações mais novas e das vindouras.
Porque pela primeira vez na longa história deste país, os pais não vão poder deixar mais aos filhos do que aquilo que receberam; porque as gerações que nos precedem já estão hipotecadas.
Por tudo isto, porque toda a "conversa" e pose política actuais, porque todo o discurso político está definitivamente enterrado, só uma postura política baseada no social, no respeito e na ética será capaz da ruptura que captará a atenção da população.
Ricardo Sá Fernandes, advogado de Paulo Penedos(assessor da PT) afirmava há dias, na televisão, que o seu cliente não via inconveniente na publicação das escutas e que até pretendia mais; que todas as escutas fossem tornadas públicas para que se percebesse, claramente e sem equívocos, que não tinha participado de forma, fosse qual fosse, lesiva e/ou mesmo que prefigurasse algum tipo de crime, na operação tentada do governo controlar a TVI através da Portugal Telecom (PT) (a coisa já devia estar negra para ir buscar um advogado cujos casos são muitíssimo mediáticos).
Parece que com Rui Pedro Soares, administrador na Portugal Telecom, as coisas não se passam exactamente assim.
Parece que ao fim e ao cabo é necessário impedir a divulgação das referidas escutas. Também ontem as coisa mudaram com Henrique Granadeiro e as afirmaç~poes que fez e teria feito anteriormente. Uma grande salganhada a que ninguém escapa.
É claro que não podia ser ninguém directamente ligado ao poder a assumir o "custo" da providencia cautelar, tendo-se utilizado mais um expediente: um administrador da PT (um boy ?) para fazer o serviço.
Entretanto o Procurador-Geral da Republica refugia-se no silencio enquanto o Presidente do Supremo Tribunal de Justiça se afadiga para falar ao país através das televisões.
Enquanto tudo isto se passa, o país não sabe o que aconteceu,o que acontece, quais as reais responsabilidades de cada um, onde acaba a sem-vergonha e começa o crime, ambos más companhias para políticos, empresários, administradores de empresas, jornalistas, causídicos e figuras mais altas da Nação.
É um desgoverno total.
A pergunta que resta: alguma destas personagens (e todas as outras que se debatem com problemas semelhantes e outros, a contas com a justiça) será capaz de continuar a liderar os destinos do País ?
A resposta é clara: NÃO!

4.2.10


Quanto mais tarde mudar mais difícil fica...

Hoje, 4 de Fevereiro, pouco importa na realidade se a Lei das Finanças regionais passa no parlamento, se acaso o Governo se demite das suas funções, se o Presidente da República, dentro do quadro constitucional, convida outros partidos para formar governo ou se convoca eleições.
O que realmente importa é que temos um Orçamento de Estado (OE) que não serve, que agora vai ser apresentado um Programa de Estabilidade e Crescimento (PEC), para estrangeiro ver, que nos provoca uma enorme confusão: se o PEC é diferente do OE para que serve o OE ? Ou para que serve o PEC ? É o OE que é para cumprir ou o PEC ? Se o PEC é para estrangeiro ver (como escrevi anteriormente) do que nos vai servir ? Não vamos chegar ao fm de 2010 piores? Vamos de certeza. E não vamos sofrer as repercussões durante todo o ano ?
Claro que sim; já estamos a sentir. Tudo porque temos um mau OE 2010.
Então porque razão há tanta ansiedade em torno da votação no parlamento da lei das Finanças Regionais ? E da demissão ou não do executivo ?
Não está tudo isto de pantanas ? Que mal virá ao mundo se anteciparmos aquilo que só irá ser feito daqui a uns seis a oito meses ? Não teremos tudo a ganhar se for feito já ?
Mas para fazer tem de ser bem feito, muito bem feito e no actual espectro político não vejo quem, mesmo entrando em conta com os possiveis candidatos à liderança do PSD.
Esta classe política está demasiado atada, por muito conluio, muita convivencia nefasta, por muito afastamento das questões essenciais e muita atenção nas questões pessoais.

A falta de vergonha de que se fai fazendo o dia-a-dia do país....
A proposta de levantamento do sigilo fiscal, por parte dos tres deputados da bancada parlamentar do PS, Strecht Ribeiro, Afonso Candal e Mota Andrade, pode não ter contido nenhuma deslealdade para com o grupo parlamentar do PS e o seu presidente, mas foi fortemente desleal para com todos os portugueses que pagam os seus impostos e não piam. De acordo com a proposta, todos os corruptos que habitam no mesmo espaço económico que nós seríam na prática e no fundo nós próprios, os sérios e probos, expostos publicamente nos seus rendimentos ganhos honestamente, enquanto os verdadeiros corruptos continuariam a gozar das benesses de um sistema permissivo, de uma justiça lenta e que tarda. Rouba-se despudoradamente durante 35 anos e no final dos tempos os cidadãos anónmimos e honestos mereceriam o tratamento de criminosos sem vergonha.
Tenham juízo.
Também a 1º República acabou a discutir com "unhas e dentes" a corrupção.

3.2.10

As velhas falácias.....
Hoje, na SIC Noticias, um Engº. de nome João Picoito representante da Nokia Siemens, foi entrevistado por Mário Crespo.
Com pose de e(go)stado, o tal Dr. Engº. qualquer coisa, acompanhado por imagens da visita de sua majestade o primeiro-ministro desta baiuca ao tal sítio pomposo que se descreve adiante, sempre foi defendendo o investimento naquele que é o 2º maior centro mundial de atendimento a clientes de redes de telecomunicações. O primeiro está sedeado na Índia (já nos vai dizendo alguma coisa).
Inicialmente estavam programados 180 postos de trabalho, mas já vão nos 600.
Entre muito conversa, oratória e emproamento, com bitates como "Headquarter" e "Country Manager", o tal senhor só não aceitou que chamassem "Call Center" ao tal 2º maior qualquer coisa, mas sempre foi arfando que aquela coisa estava cheia de engenheiros e mestres, todos poliglotas e de imenso arcaboiço técnico. Pois, pois.
Faltou a Mário Crespo (que é excelente) perguntar qual o vencimento médio que é pago.
Porque é obra, arrematar uma coisa destas à India.
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Porque levo muito em conta os comentários que recebo e publico, aqui deixo a rectificação. O Dr. Engº. ilustra os egos inflamados deste país.....

31.1.10

A necessária solidariedade dos portugueses para com Portugal....
A catástrofe no Haiti tem sido objecto de acções de solidariedade, esperadas por parte da população portuguesa, dignas do maior registo.
Nós somos assim e ainda bem que o somos.
A transfiguração nacional, perante os desastres, é tal que leva sem qualquer tipo de dúvida a esquemas fraudulentos simples mas eficazes que, a única emoção que exploram, é a solidariedade. Nós somos e sempre seremos solidários. Nós misturamo-nos, convivemos e partilhamos sem vénia nem convénios. Somos assim, ponto: cidadãos do mundo por natureza.
Falamos ingles, frances e chinamarques com a maior das facilidades, mesmo que seja para dizer:
- Atira corda.
- What?
- Do you speak english?
- Yes!
- Então atira a corda porra!
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Somos assim.
A catástrofe no Haiti é visível. Terrível. Impressionante.
A sismologia ainda não consegue distinguir os sintomas. Contra a natureza nada podemos a não ser salvar vidas humanas. A sismologia ainda não o consegue; não é possivel, ainda, distinguir entre um conjunto de estímulos sismológicos e a eminencia de uma verdadeira catástrofe. Infelizmente.
Se tal já fosse possível, como aparentemente a vulcanologia está prestes a conseguir, seria possivel evacuar as populações e salvar milhares de vidas.
A ajuda, contudo, a ajuda humanitária, seria ainda assim necessária, sempre.
Mas a sismologia ainda não o consegue; ainda há pouco tempo a terra tremeu em Lisboa mas, por esse facto, não se justificaria a evacuação de Lisboa. Não se conseguem ligar os factos.
Mas a solidariedade está cá, nós somos solidários.
.
Vale este texto pela comparação possível com a situação que se vive no nosso país, Portugal.
Ao contrário da sismologia existem mecanismos que nos permitem antever o futuro próximo.
O futuro que nos espera é catastrófico e a economia e finanças não se compadecem: mostram-no à evidencia.
Contudo, por estranho que pareça (por razões que sucintamente se explicam à frente) a solidariedade nacional, reconhecida, não surge espontaneamente.
Ninguem acredita na evidencia do desastre, porque não se assume de forma horrenda, desfigurada; porque demora tempo; porque vai carcomendo mas não se mostra de uma só vez; porque é manhosa esta catástrofe, atrofiada no discurso de políticos manhosos, de palavras sedosamente embrulhadas em hipocrisia, interesses pessoais e muita atitude filisteia.
Mas Portugal é hoje uma zona de catástrofe.
Vivemos tempos horrendos, de descriminação sem igual, com um crescimento medonho da pobreza, com uma exclusão social terrível e total ausencia de coesão.
Estamos cada vez mais longe da nobreza obrigatória da nossa história e cada vez mais perto da mendicidade, pródiga nos países sem perspectivas, sem passado e sem futuro.
Portugal só tem presente e mau.
Presente mas mau.
Muito mau este presente.
Temos então que aconchegar fortemente esta ideia, este ideal, no nosso espírito, na nossa mente, na nossa alma: estamos mal e precisamos da solidariedade de todos.
A nossa solidariedade está à prova, nas circunstancias mais difíceis.
Estaremos à altura do desafio de compreendermos e, acima de tudo, percebermos que das nossas decisões de hoje, da nossa solidariedade, dependem as bocas de milhões de portugueses num futuro demasiado próximo ?
A solução reside na união de todos nós em torno de um projecto verdadeiramente nacional, aceite por todos e imposto por poucos como todos os grandes projectos. Projecto o qual nenhum dos actuais actores políticos tem capacidade de concretizar, desde o Presidente da República, passando pelo Primeiro-Ministro até qualquer dos políticos profissionais tranversais a todas as forças políticas conhecidas.
O projecto é de todos, a obrigação da sua implementação corresponde a uns poucos.

28.1.10

Serov
As despesas com pessoal no sub-sector estado, durante o ano de 2009, rondaram os 13 mil milhões de euros.
Custos com a administração pública à volta dos 18 mil milhões de euros no mesmo período.
Somados estes valores obtemos 31 mil milhões de euros (o valor deve ser superior nas contas do INE).
As pensões pagas pelo estado resultam num valor de cerca de 14 mil milhões e estas, sim não podem sofrer alterações (pensões de invalidez, velhice e sobrevivencia).
O défice esperado para 2010 equivale (nas contas do governo e expostas no OE) a 14 mil milhões de euros, o equivalente a uma redução de 40% nos gastos com vencimentos do sub-sector estado e na administração pública.Esta redução levaria o défice a zero. Uma redução de metade implicaria um défice de 4,5%. As contas são fáceis de fazer.
A solução da redução dos gastos do estado passa pela redução de vencimentos dos funcionários publicos (como acontece na actividade privada). Ou há uma redução dos salários na função pública e das despesas públicas, nas administrações central e locais, ou será inevitável a necessidade de despedir funcionários públicos.
É de crer que ninguém, entre uma solução ou outra, opte pelo despedimento de milhares de funcionários públicos (mais de 200 mil trabalhadores).
A coragem política para reduzir a despesa pública é fundamental. Não pode passar pela redução da despesa na saúde, justiça e educação. Tão pouco pode passar pela redução do investimento no saneamento básico, nas condições de vida dos cidadãos e da capacidade de competição dos municípios. Quaisquer dos investimentos mencionados concorrem para o aumento da produtividade, contribuindo para o crescimento da competitividade do país.
É necessário criar uma nova consciencia nacional: já passou o tempo de consumir; agora é chegado o tempo de fazer sacrifícios enquanto estes ainda valham a pena. Depois, bem, depois já será irremediavelmente tarde.
O tempo não é de manifestações de rua, reivindicativas de direitos impossíveis, mas de um profundo sentimento social, de uma assumpção da necessidade de nos protegermos uns aos outros. Temos de fazer sacrifícios, todos sem excepção.
Já não estamos no país dos 1.000 euros (vencimento mais comum nos ultimos anos); já entrámos no país dos 600 euros (para os licenciados, muito perto do salário mínimo nacional). Todos os restantes portugueses, não licenciados, são já parte da enorme mole humana que compõe o desemprego estrutural nacional. Estes, como os demais, necessitam de ser apoiados e, mesmo assim como bem sabemos, terão de fazer exercícios dificílimos de equilíbrio financeiro mensal, para que uma família consiga "viver" com 480 euros mensais.
Coragem política precisa-se.
Ninguém se iluda, estamos mesmo na situação dramática tão bem definida com uma célebre frase de um célebre portugues: estávamos à beira do abismo mas conseguimos dar um passo em frente (desta vez é mesmo assim, mesmo a sério, acaso não se mude tudo - de forma voluntária ou imposta - a começar pelas mentalidades)
É do valor do défice de 2010 que se deverá duvidar....

Pretender que há um empolamento do défice em 2009 para apresentar resultados em 2010 (como se um défice de 8,3% fosse um bom resultado, mesmo que considerado na comparação com o ano anterior) é um disparate. Equivale a afirmar que a República correria um risco de 365 dias, com aumentos de juros sobre a dívida pública, redução da liquidez disponível por consequencia da dificuldade de obter ajuda financeira externa, pressão especulativa sobre os default swaps da dívida, análise ainda mais negativa da governação, com consequente aumento da pressão sobre o serviço da dívida e da capacidade de cumprimento das obrigações nacionais, na expectativa de no final de 2010 apresentar o parco resultado de redução de 1%.
Acresce que as dificuldades que atravessamos são reais e têm origem nos gastos públicos. A exposição internacional dos 9,3% de défice não compensaria nunca a suposta redução de 1% prevista orçamentalmente para 2010.
Pelo contrário, acredito que o número que merece reservas é o referido défice projectado de 8,3% para este ano; quero crer que será muito superior, infelizmente.