4.2.10

Quanto mais tarde mudar mais difícil fica...

Hoje, 4 de Fevereiro, pouco importa na realidade se a Lei das Finanças regionais passa no parlamento, se acaso o Governo se demite das suas funções, se o Presidente da República, dentro do quadro constitucional, convida outros partidos para formar governo ou se convoca eleições.
O que realmente importa é que temos um Orçamento de Estado (OE) que não serve, que agora vai ser apresentado um Programa de Estabilidade e Crescimento (PEC), para estrangeiro ver, que nos provoca uma enorme confusão: se o PEC é diferente do OE para que serve o OE ? Ou para que serve o PEC ? É o OE que é para cumprir ou o PEC ? Se o PEC é para estrangeiro ver (como escrevi anteriormente) do que nos vai servir ? Não vamos chegar ao fm de 2010 piores? Vamos de certeza. E não vamos sofrer as repercussões durante todo o ano ?
Claro que sim; já estamos a sentir. Tudo porque temos um mau OE 2010.
Então porque razão há tanta ansiedade em torno da votação no parlamento da lei das Finanças Regionais ? E da demissão ou não do executivo ?
Não está tudo isto de pantanas ? Que mal virá ao mundo se anteciparmos aquilo que só irá ser feito daqui a uns seis a oito meses ? Não teremos tudo a ganhar se for feito já ?
Mas para fazer tem de ser bem feito, muito bem feito e no actual espectro político não vejo quem, mesmo entrando em conta com os possiveis candidatos à liderança do PSD.
Esta classe política está demasiado atada, por muito conluio, muita convivencia nefasta, por muito afastamento das questões essenciais e muita atenção nas questões pessoais.

A falta de vergonha de que se fai fazendo o dia-a-dia do país....
A proposta de levantamento do sigilo fiscal, por parte dos tres deputados da bancada parlamentar do PS, Strecht Ribeiro, Afonso Candal e Mota Andrade, pode não ter contido nenhuma deslealdade para com o grupo parlamentar do PS e o seu presidente, mas foi fortemente desleal para com todos os portugueses que pagam os seus impostos e não piam. De acordo com a proposta, todos os corruptos que habitam no mesmo espaço económico que nós seríam na prática e no fundo nós próprios, os sérios e probos, expostos publicamente nos seus rendimentos ganhos honestamente, enquanto os verdadeiros corruptos continuariam a gozar das benesses de um sistema permissivo, de uma justiça lenta e que tarda. Rouba-se despudoradamente durante 35 anos e no final dos tempos os cidadãos anónmimos e honestos mereceriam o tratamento de criminosos sem vergonha.
Tenham juízo.
Também a 1º República acabou a discutir com "unhas e dentes" a corrupção.

3.2.10

As velhas falácias.....
Hoje, na SIC Noticias, um Engº. de nome João Picoito representante da Nokia Siemens, foi entrevistado por Mário Crespo.
Com pose de e(go)stado, o tal Dr. Engº. qualquer coisa, acompanhado por imagens da visita de sua majestade o primeiro-ministro desta baiuca ao tal sítio pomposo que se descreve adiante, sempre foi defendendo o investimento naquele que é o 2º maior centro mundial de atendimento a clientes de redes de telecomunicações. O primeiro está sedeado na Índia (já nos vai dizendo alguma coisa).
Inicialmente estavam programados 180 postos de trabalho, mas já vão nos 600.
Entre muito conversa, oratória e emproamento, com bitates como "Headquarter" e "Country Manager", o tal senhor só não aceitou que chamassem "Call Center" ao tal 2º maior qualquer coisa, mas sempre foi arfando que aquela coisa estava cheia de engenheiros e mestres, todos poliglotas e de imenso arcaboiço técnico. Pois, pois.
Faltou a Mário Crespo (que é excelente) perguntar qual o vencimento médio que é pago.
Porque é obra, arrematar uma coisa destas à India.
.
Porque levo muito em conta os comentários que recebo e publico, aqui deixo a rectificação. O Dr. Engº. ilustra os egos inflamados deste país.....

31.1.10

A necessária solidariedade dos portugueses para com Portugal....
A catástrofe no Haiti tem sido objecto de acções de solidariedade, esperadas por parte da população portuguesa, dignas do maior registo.
Nós somos assim e ainda bem que o somos.
A transfiguração nacional, perante os desastres, é tal que leva sem qualquer tipo de dúvida a esquemas fraudulentos simples mas eficazes que, a única emoção que exploram, é a solidariedade. Nós somos e sempre seremos solidários. Nós misturamo-nos, convivemos e partilhamos sem vénia nem convénios. Somos assim, ponto: cidadãos do mundo por natureza.
Falamos ingles, frances e chinamarques com a maior das facilidades, mesmo que seja para dizer:
- Atira corda.
- What?
- Do you speak english?
- Yes!
- Então atira a corda porra!
.
Somos assim.
A catástrofe no Haiti é visível. Terrível. Impressionante.
A sismologia ainda não consegue distinguir os sintomas. Contra a natureza nada podemos a não ser salvar vidas humanas. A sismologia ainda não o consegue; não é possivel, ainda, distinguir entre um conjunto de estímulos sismológicos e a eminencia de uma verdadeira catástrofe. Infelizmente.
Se tal já fosse possível, como aparentemente a vulcanologia está prestes a conseguir, seria possivel evacuar as populações e salvar milhares de vidas.
A ajuda, contudo, a ajuda humanitária, seria ainda assim necessária, sempre.
Mas a sismologia ainda não o consegue; ainda há pouco tempo a terra tremeu em Lisboa mas, por esse facto, não se justificaria a evacuação de Lisboa. Não se conseguem ligar os factos.
Mas a solidariedade está cá, nós somos solidários.
.
Vale este texto pela comparação possível com a situação que se vive no nosso país, Portugal.
Ao contrário da sismologia existem mecanismos que nos permitem antever o futuro próximo.
O futuro que nos espera é catastrófico e a economia e finanças não se compadecem: mostram-no à evidencia.
Contudo, por estranho que pareça (por razões que sucintamente se explicam à frente) a solidariedade nacional, reconhecida, não surge espontaneamente.
Ninguem acredita na evidencia do desastre, porque não se assume de forma horrenda, desfigurada; porque demora tempo; porque vai carcomendo mas não se mostra de uma só vez; porque é manhosa esta catástrofe, atrofiada no discurso de políticos manhosos, de palavras sedosamente embrulhadas em hipocrisia, interesses pessoais e muita atitude filisteia.
Mas Portugal é hoje uma zona de catástrofe.
Vivemos tempos horrendos, de descriminação sem igual, com um crescimento medonho da pobreza, com uma exclusão social terrível e total ausencia de coesão.
Estamos cada vez mais longe da nobreza obrigatória da nossa história e cada vez mais perto da mendicidade, pródiga nos países sem perspectivas, sem passado e sem futuro.
Portugal só tem presente e mau.
Presente mas mau.
Muito mau este presente.
Temos então que aconchegar fortemente esta ideia, este ideal, no nosso espírito, na nossa mente, na nossa alma: estamos mal e precisamos da solidariedade de todos.
A nossa solidariedade está à prova, nas circunstancias mais difíceis.
Estaremos à altura do desafio de compreendermos e, acima de tudo, percebermos que das nossas decisões de hoje, da nossa solidariedade, dependem as bocas de milhões de portugueses num futuro demasiado próximo ?
A solução reside na união de todos nós em torno de um projecto verdadeiramente nacional, aceite por todos e imposto por poucos como todos os grandes projectos. Projecto o qual nenhum dos actuais actores políticos tem capacidade de concretizar, desde o Presidente da República, passando pelo Primeiro-Ministro até qualquer dos políticos profissionais tranversais a todas as forças políticas conhecidas.
O projecto é de todos, a obrigação da sua implementação corresponde a uns poucos.

28.1.10

Serov
As despesas com pessoal no sub-sector estado, durante o ano de 2009, rondaram os 13 mil milhões de euros.
Custos com a administração pública à volta dos 18 mil milhões de euros no mesmo período.
Somados estes valores obtemos 31 mil milhões de euros (o valor deve ser superior nas contas do INE).
As pensões pagas pelo estado resultam num valor de cerca de 14 mil milhões e estas, sim não podem sofrer alterações (pensões de invalidez, velhice e sobrevivencia).
O défice esperado para 2010 equivale (nas contas do governo e expostas no OE) a 14 mil milhões de euros, o equivalente a uma redução de 40% nos gastos com vencimentos do sub-sector estado e na administração pública.Esta redução levaria o défice a zero. Uma redução de metade implicaria um défice de 4,5%. As contas são fáceis de fazer.
A solução da redução dos gastos do estado passa pela redução de vencimentos dos funcionários publicos (como acontece na actividade privada). Ou há uma redução dos salários na função pública e das despesas públicas, nas administrações central e locais, ou será inevitável a necessidade de despedir funcionários públicos.
É de crer que ninguém, entre uma solução ou outra, opte pelo despedimento de milhares de funcionários públicos (mais de 200 mil trabalhadores).
A coragem política para reduzir a despesa pública é fundamental. Não pode passar pela redução da despesa na saúde, justiça e educação. Tão pouco pode passar pela redução do investimento no saneamento básico, nas condições de vida dos cidadãos e da capacidade de competição dos municípios. Quaisquer dos investimentos mencionados concorrem para o aumento da produtividade, contribuindo para o crescimento da competitividade do país.
É necessário criar uma nova consciencia nacional: já passou o tempo de consumir; agora é chegado o tempo de fazer sacrifícios enquanto estes ainda valham a pena. Depois, bem, depois já será irremediavelmente tarde.
O tempo não é de manifestações de rua, reivindicativas de direitos impossíveis, mas de um profundo sentimento social, de uma assumpção da necessidade de nos protegermos uns aos outros. Temos de fazer sacrifícios, todos sem excepção.
Já não estamos no país dos 1.000 euros (vencimento mais comum nos ultimos anos); já entrámos no país dos 600 euros (para os licenciados, muito perto do salário mínimo nacional). Todos os restantes portugueses, não licenciados, são já parte da enorme mole humana que compõe o desemprego estrutural nacional. Estes, como os demais, necessitam de ser apoiados e, mesmo assim como bem sabemos, terão de fazer exercícios dificílimos de equilíbrio financeiro mensal, para que uma família consiga "viver" com 480 euros mensais.
Coragem política precisa-se.
Ninguém se iluda, estamos mesmo na situação dramática tão bem definida com uma célebre frase de um célebre portugues: estávamos à beira do abismo mas conseguimos dar um passo em frente (desta vez é mesmo assim, mesmo a sério, acaso não se mude tudo - de forma voluntária ou imposta - a começar pelas mentalidades)
É do valor do défice de 2010 que se deverá duvidar....

Pretender que há um empolamento do défice em 2009 para apresentar resultados em 2010 (como se um défice de 8,3% fosse um bom resultado, mesmo que considerado na comparação com o ano anterior) é um disparate. Equivale a afirmar que a República correria um risco de 365 dias, com aumentos de juros sobre a dívida pública, redução da liquidez disponível por consequencia da dificuldade de obter ajuda financeira externa, pressão especulativa sobre os default swaps da dívida, análise ainda mais negativa da governação, com consequente aumento da pressão sobre o serviço da dívida e da capacidade de cumprimento das obrigações nacionais, na expectativa de no final de 2010 apresentar o parco resultado de redução de 1%.
Acresce que as dificuldades que atravessamos são reais e têm origem nos gastos públicos. A exposição internacional dos 9,3% de défice não compensaria nunca a suposta redução de 1% prevista orçamentalmente para 2010.
Pelo contrário, acredito que o número que merece reservas é o referido défice projectado de 8,3% para este ano; quero crer que será muito superior, infelizmente.

27.1.10

O que aí vem equivale ao que não queremos.....
Escrevi aqui há muito tempo que o défice seria de 9,4% quando se dizia que pouco passaria dos 5%. reescrevi que o défice seria eese no Programa eleitoral do PPM que redigi sozinho, apresentado em Setembro de 2009.
Leio e ouço agora que é a grande surpresa, a enorme surpresa. Para quem ?
Surpresa, este décife, só para os que andam distraídos ou são aldabrões.
Não há surpresas. Como não há diferenças entre este orçamento e os anteriores, nem mesmo em relação às promessas feitas de reduzir o défice e aumentar o PIB (Produto Interno Bruto); 1% o primeiro; 0,8% o segundo. Compare-se com os numeros apresentados para o orçamento de 2009.
Alguém acredita que seja para cumprir? E mesmo que fosse, para que serviria?
Para a RUA, todos, JÁ !!!
Vamos a cenários:
(1) O que temos certo: Portugal vai incumprir (no serviço da dívida) no 2º semestre de 2010;
(2) A especulação (a minha):
1. Saída da zona euro: o argumento da solidez da zona euro, que servíu para defender a exigencia da nossa entrada não se aguenta com a insolvencia de Grécia e Portugal ( a Espanha pode aproveitar a boleia para garantir o instrumento de política cambial perdido);
2. manutenção na zona euro con redução compulsiva da circulação de euros em Portugal (redução de 1/4 da moeda em circulação). Não necessito de especificar as implicações das duas hipóteses referidas anteriorment;
3. A Espanha aproveita a boleia e sai da zona euro; Portugal adopta a peseta. Porquê ? Porque quem manda numa economia é quem lá tem o dinheiro investido e, acaso ocorra a adopção do escudo podemos contar com uma desvalorização da "piastra" nacional" em cerca de 35%. Se adoptarmos a peseta teremos uma desvalorização à volta dos 20% (do mal o menos).
Estes são os cenários para os quais teremos de nos começar a preocupar desde já, porque o futuro (mau) começa dentro de seis meses.
A menos que alguma coisa mude: gente séria começa a governar o país e os outros vão todos responder pelos seus actos e devolver a riqueza roubada a Portugal.
Os maus políticos, os maus jornalistas, os oportunistas, os vendidos, os que compraram valores, todos estes e todos os outros esconjuro-os, a todos sem excepção.

26.1.10

O continuar de uma política falsa e manipulada; para quando o encarar da realidade ?

Não conheço o orçamento mas não preciso, para saber que não serve.
Um orçamento que aponta para um crescimento de 0,7% do PIB faz-nos acreditar de imediato que o crescimento será de 0% ou mesmo negativo.
A incapacidade de Portugal cumprir com as suas obrigações está garantida, bem como a aproximação à média europeia está definitvamente enterrada.
Eu preferia que não houvesse acordo orçamental, que a situação se partisse de imediato, que a crise social estalasse e que o incumprimento se verificasse; quanto mais depressa se encarar a realidade mais depressa se atacam os problemas.
Mudem-se os tempos, mudem-se as vontades.

22.1.10

A dívida pública nacional mais que triplicou no mês de Dezembro de 2009, quando comparada com o período homólogo de 2008.
Portugal vai ficar de tanga em seis meses, ou seja, vai incumprir no período de seis meses. Estamos de tanga.

23.12.09


Depois de muito recomendado, apanhei-o à procura de todos os familiares, amigos e conhecidos que referenciei.
Votos de um Santo Natal.
A revogação das taxas moderadoras nos internamentos e cirurgias em ambulatório é uma boa medida mas não basta: há que dar a conhecer ao utente o custo exacto que o estado teve de suportar com o apoio, tratamento e cuidados de saúde ministrados. Só desta forma haverá consciencia social do custo que cada um de nós implica para o estado (societário).

20.12.09

Para conferir aqui a veracidade e frontalidade do PCP na questão da CIMPOR, o único partido a assumir uma posição sobre o assunto, sem tibiezas. Porque o interesse nacional está acima das questões partidárias, não importa em que quadrante político nos situamos; importa sim a seriedade com que nos debruçamos sobre as questões nacionais, as que verdadeiramente interessam, não implicando qualquer tipo de concordancia com a linha programática dos comunistas no que a Portugal concerne.....

18.12.09


Dorph
Eles vão comendo tudo......
Afirma-se que a OPA sobre a CIMPOR é bem vinda mas que o preço é baixo.
Claro, para especuladores sem consciencia que devem centenas de milhões (a acreditar nos jornais da especialidade só à CGD deverão 600 milhões de euros) que lhes foram emprestados para especular (quando projectos para criar empresas e empregos eram "chumbados", porque os seus mentores não dispunham de um mínimo de capitais próprios iguais ou superiores a 25% do total dos investimentos em apreciação na banca) só podem estar satisfeitos com a possibilidade de vender, embora o queiram fazer a valores mais altos. Típico de especuladores.
O problema reside, contudo, na forma como a participação no capital das empresas nacionais é encarada. Compram-se acções na expectativa da realização de mais-valias e não numa óptica de garantir a remuneração do capital investido através da distribuição de dividendos, o mesmo é dizer, através da geração de valor acrescentado por parte das empresas (traduzido nos lucros anuais, princípio primeiro para a distribuição de dividendos aos accionistas).
Assim, para o especulador manhoso, errático (porque "pica" em todo o lado, sem uma lógica de aplicação de capitais estruturada num projecto ) e financeiramente "pirata" (porque busca a pilhagem em bolsa de mais-valias, nascidas de euforias bastas vezes induzidas e não de crescimentos sustentados das empresas), pouco importa se as empresas ficam ou não em mãos nacionais, mesmo se estivermos a falar de um dos maiores grupos cimenteiros mundiais (é engraçado como surge uma Siderurgia Nacional brasileira nesta OPA e como nós acabámos com a nossa, como se de um mau negócio se tratasse, havendo contudo tão poucas na Europa. Uma mão cheia chega para as contar todas). Esta falta de consciencia tem norteado a gestão das empresas nacionais, orientada para o interesse imediato do accionista e não para a criação de riqueza na empresa. Há muito tempo escrevi que todas as empresas nacionais são "opáveis", todas sem excepção e que as OPAS´s estariam na ordem do dia, que as empresas nacionais estão fragilizadas e não têm massa crítica (recursos/capacidade de alavancagem financeira). Contudo, perante uma constatação que encaixa no óbvio, o apoio do estado assentou sempre nos especuladores e não nos empreendedores. O tempo de antena foi deixado à sua mercê, foram apresentados como "opinion makers" e até exemplos acabados de vidas carregadas de sucesso escalado a palmo (palmo vertendo suor, lágrimas e sangue de todos os que foram engolidos na voragem dos ganhos fáceis e dos movimentos especulaticos destes tubarões). Num país de faz-de-conta também os investidores não poderiam deixar de ser de outra maneira.
É que há uma enorme diferença no funcionamento dos mercados bolsistas nos países desenvolvidos, por comparação com países atrofiados como o nosso. A dispersão do capital em bolsa naqueles é muito, mesmo muito elevada; em contrapartida, a CIMPOR é detida por accionistas vários (que não são de referencia, ou seja, pequena/média poupança) em cerca de 30%, deixando os restantes 70% nas mãos de potenciais especuladores. Claro que há uma guerra surda entre o núcleo accionista da CIMPOR; claro que nem todos pensam como Berardo, mas basta aos brasileiros da CSN adquirirem 50% mais uma acção para terem o controle efectivo da gestão de uma das maiores empresas nacionais, situada num sector económico sensível.
E assim vai desaparecendo o controle dos portugueses sobre as suas empresas; assim vai diminuindo o peso das decisões nacionais sobre os parceiros económicos situados em território nacional; assim vamos hipotecando o nosso futuro e, pior, deixando o mesmo nas mãos de capitais estrangeiros.
Hoje por hoje, a CIMPOR não vale pela sua fábrica em Portugal, mas sim pela dimensão mundial que atingíu. Acabar com a fábrica da CIMPOR em Portugal é fácil; redirecionar os ganhos da empresa para outro país facílimo, com a consequente perca na Balança de Transacções Correntes, da receita fiscal, da redução do aparelho produtivo e de qualquer projecto sério nacional. Aumentar o custo do cimento em Portugal mais fácil ainda, estrangulando todo o sector da construção civil e obras públicas.
Tudo isto é fácil.
Também é facílimo afirmar que a OPA é bem vinda.
O que é verdadeiramente difícil é engolir estes sapos, é ver publicamente manifestada esta vontade iníqua de destruir a sociedade portuguesa, de reduzir os portugueses a um grupo de pedintes, de constatar a cobertura que estes agentes do mal merecem da sociedade política e civil nacional, porque dão a comer a uma série de gente, porque se alimentam de todos que a troco de migalhas lhes facilitam o caminho e os cumulam de honrarias.
Eu não me contento com menos que a felicidade, o prazer, para mim e todos os outros, com a alegria de poder viver e gozar todos os momentos da vida, bons ou maus.
Porque a honra pode ser imerecida mas a alegria nunca o é.

Santoro
Português Me Assumo

De todos os sítios do mundo
onde podia nascer,
Quis o destino escolher
nascesse neste País profundo!

Profundo na sua história,
Símbolos, figuras míticas.
De epopeias e conquistas,
na fortuna e na glória.

Terra de D.Afonso, D.João,
De sofridas gerações.
De Pessoa... de Camões,
que em poemas nos cantaram.

Éramos grandes, enormes,
Em dimensão e beleza.
Dividíamos o mundo à mesa
Temidos pelos mais fortes!


Novecentos anos contados,
os mais antigos da história,
Perecem com dor, sem glória,
de tanto serem esbanjados!

Daí para cá o deserto,
A ruína, a demência.
A imensa carência
no assomo do incerto.

Tempos conturbados os nossos;
Anos a mais de loucuras,
Remetem as gerações vindouras
para o pior dos invernos!

(João Fernandes)

§
Pessoalmente assumo frequentemente perante os meus filhos, que a minha geração se encarregou de dificultar o futuro da sua. E em tal acredito piamente
posted by papoila : 5:17 PM

16.12.09


Winter
Não à Regionalização de Portugal
[Ao iniciar negociações com a ETA há uns anos atrás (sem efeitos), o governo espanhol acelerou um processo que se colocava há muito: as autonomias regionais].
As autonomias espanholas foram e são boas para nós: constituem-se numa excelente oportunidade para Portugal vir a criar alianças com algumas destas regiões, diminuídas no espaço geográfico, mais ricas na sua maioria mas sem a dimensão (e força) de uma Espanha una e indivisa.
Não tenho qualquer dúvida em afirmar que esta é uma janela de oportunidade para a Nação portuguesa, que terá de ser aproveitada de uma forma inteligente, através de uma política externa forte e capaz, encetando desde já esse caminho, cautelosamente, com objectivos traçados e conhecimento exacto das pretensões e necessidades reconhecidas.
O tempo não oferece oportunidades aos povos de uma forma continuada e nós temos, ao longo da História, provado saber agarrar algumas delas. Que agarremos então esta, como povo uno e indiviso, com quase novecentos anos de fronteiras polítcas e geográficas comuns e com toda a força que essa condição nos permite, naturalmente, usufruir.
Não é a altura de sermos parvos, ou como outros preferem, modernos!
Tudo isto vem a propósito da renovada discussão e vontade de regionalizar Portugal.
Para encarar o problema de frente temos de aceitar um princípio fundamental: uma Naçao não se define por aquilo que não é.
Acima de tudo, os laços que unem os cidadãos de uma nação são o produto do somatório do passado histórico, sempre complexo, e nunca de factores isolados como o social , o religioso ou o racial.
A comunidade nacional é um conjunto de homens reunidos em torno da memória do seu passado e nunca daquilo que são no presente, porque a união é precisamente o resultado da memória colectiva.
É então o destino comum, partilhado, que aglutina os cidadãos com todas as alegrias e tristezas, venturas e desventuras associadas. Porém uma nação não é uma tribo, antes um território perfeitamente definido por fronteiras geográficas e políticas, na concepção aceite de estado europeu. Portugal é o Estado europeu mais antigo, no sentido da sua definição política e geográfica.
Estamos porém a viver tempos em que o nacionalismo (entendido como a construção nacional do séc. XIX) é um fenómeno em queda, subjugado pela óptica da globalização.
A evidencia territorial, actualmente, sobrevive à custa de factores isolados, mesmo que entendidos como um somatório resultante da religião, da raça e da ideologia. Não é de estranhar, então, que hoje as crispações nacionais sejam mais xenófobas que "imperialistas".
Acontece porém que não há qualquer razão para duvidar da História comum de todos os portugueses, acrescendo que não existem razões para divisões sociais, religiosas ou raciais entre nós. Assim sendo, pretender que uma divisão regional de Portugal é uma possibilidade política não passa de um tremendo disparate, com contornos de traição nacional; de traição à História (memória), aos valores e à moral comuns.
A nossa realidade nada tem a ver com a espanhola. Revemo-nos num algarvio como num transmontano. Mas cuidado: quando pensamos dividir o país em regiões iremos provocar diferenças que não existem, divisões que não estão presentes.
As razões são várias mas uma ressalta de todas as outras: a constituição de microeconomias dentro do território nacional; a economia algarvia nada tem a ver com a Alentejana, como a minhota em nada se parece com a transmontana, para citar dois exemplos. A distribuição de verbas nunca será a mesma entre regiões: irão aparecer os primos pobres e os ricos, dentro da enorme pobreza que é o próprio país (quer económica quer intelectual).
Depois há toda uma panóplia de custos associados que não são aceitáveis e todo um número de cargos que não se percebem na utilidade.
Tudo isto são factos, mas o que mais importa (razão pela qual não me alongo por demais nos pormenores) é não ler a necessidade de dividir o país em cinco regiões.
Porquê? Para quê? Favorecendo quem?
Portugal perde, perca drástica, com a regionalização. E depois nenhum português quer a regionalização, a menos que tenha interesses políticos e pessoais a defender; mas estes não são os interesses nacionais.
Não à regionalização.
§
Adicionaria apenas um facto que sempre me incomodou: regionalização implicaria ainda dar mais poder aos autarcas, onde germina a maior corrupção neste país.
posted by papoila : 12:40 AM