30.9.09

Ficou pior do que estava....

A comunicação do PR nada trouxe de novo à questão central do imbróglio: (1) é ou não espionada toda a informação emanada da presidência; (2) sente o Presidente que a sua actividade em Belém está a ser escrutinada por meios ilegais..
O PR fez ainda questão de salientar que duvida da veracidade de conteúdo do mail reproduzido no DN, mas não disse taxativamente que o mail em si mesmo era forjado, preferindo alimentar a suspeição, bem como não se referíu às notícias saídas no jornal Público - a não ser ao nível das fugas de informação e consequente preocupação da presidência. Deixou ficar mal um homem da sua confiança, de novo Fernando de Lima, que o acompanha há mais de vinte anos.
De tudo o que disse nada foi suficientemente esclarecedor e capaz de colocar um ponto final no assunto, a não ser passar uma enorme vontade de abrir guerra com o governo - ou pelo menos de ficar essa ideia - e o Primeiro-Ministro.
Por agora, após a troca de galhardetes a que se assistíu ontem, a imagem que persiste é a de um carro (PR) controlado que embate contra um muro (governo) e que sai mal tratado. Como o carro não vai desgovernado e o impacto é provocado e intencional, não se acredita que a Presidência da República possa ficar quieta e amolgada como ficou (ou será que pode?). Contudo, não se vislumbra como possa agir por agora, a não ser apresentando, a haver, factos concretos, afinal tudo o que faltou ontem.
Dividendos políticos de toda esta situação - desde a sua assunção, ao silêncio posterior, à demissão de Fernando de Lima que provocou o maior dos ruídos na campanha, até ao encerrar do primeiro capítulo ontem - não se vislumbram para o PR (será mesmo assim?).
Portanto das duas uma: ou não foi tudo dito e a ser assim é grave ou; houve um erro político (será de facto?)inadmissível do PR. Em ambas as situações quem sai a ganhar por agora é o governo, na medida em que a imagem do PR está neste momento tocada.
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Que o PR vai empossar o novo executivo não há dúvida. Nem existe razão para que não o faça.
Quais as relações entre um órgão de soberania e outro é que se torna mais difícil de vaticinar. Se Cavaco Silva não pretende fazer segundo mandato as relações serão tensas, difíceis. Se pretende esse mandato, uma atitude cordata irá implicar uma imagem limpa do governo junto da opinião pública.
Pergunto-me como serão encarados os vetos presidenciais, a acontecerem, enquanto existir um clima de crispação institucional, e de como esses vetos serão aproveitados pela máquina de propaganda do PS.
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Esperava-se uma explicação total e um ponto final por parte do PR nesta questão. Ficámos com um discurso redondo que nada trouxe de novo e, quase impensável, abríu ainda outras dúvidas.
Tivemos uma resposta do governo (igualmente pouco esclarecedor o comunicado mas retirando dividendos), no formato de ponto final na conversa (invertendo as posições naturais) e chamando de mentirosa a presidencia.
Tudo muito grave, demasiado grave para que se possa esperar que o tempo seja uma solução viável e possível do problema. A questão é que não vejo outra, a menos que existam provas irrefutáveis de que toda a actividade da presidencia está sob vigilancia do governo. Mas a haver o que acontecerá depois?

29.9.09

Reflexões....

Hoje fala o Senhor Presidente da República.
Fala, mas ou muito me engano ou a montanha vai parir novo rato (seja rato do largo ou não).
O Senhor Presidente tem pecado pelos silêncios, tem pecado quando fala, peca pelas omissões, pelas atitudes e pelos reflexos das atitudes.
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Gostei de ler, ontem, a suposta notícia da hesitação entre o suposto candidato que o PS virá a apoiar nas próximas presidenciais: de acordo com a notícia, não confirmada, o PS estaria dividido entre apoiar Manuel Alegre ou António Costa.
A divisão para as presidenciais no PS já comecou.
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Será que compensa pecar?
Porventura sim, porque como um amigo frequentemente diz: "não sei se há Céu nem onde fica, mas a haver sei onde fica o Inferno; aqui mesmo na Terra".
Ora se é no Inferno que se expiam os pecados...

28.9.09

Algo que vai faltando ao PSD.....

Análises pós-eleitorais são feitas milhentas. Não é, portanto, nesse espiríto que me movimento.
Vou referir, pelo contrário, algumas situações que padecem de falta de profundidade:
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(1) O PCP manteve quase inalterada a sua base de votantes. Com o PSD sucede o mesmo. Estas bases, em valores absolutos de sufrágios estão cristalizadas (Santana Lopes teve mesmo mais 7.000 votos que MFL, em condições muito mais difícieis), pelo que parece sensato pensar que é esta a base de sustentação eleitoral que os partidos dispõem;
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(2) Duas situações podem suceder; ou conseguem subir o eleitorado ou, inevitavelmente, a base de apoio ir-se-á esboroando, mais ou menos lentamente. Assim, parece claro que ambos os partidos correm os mesmos riscos: ou crescem ou definham;
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(3) Nos dois partidos a crise parece semelhante: incapacidade de adaptar o discurso político aos novos desafios, lançados por um PS que tem ocupado, paulatinamente, o centro do pensamento político e por um BE, perigoso, que tem retirado força aos argumentos gastos do PCP;
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(4) Igualmente se nota ausência de renovação nos partidos referidos. As caras são sempre as mesmas e a mensagem política também. No caso do PSD é bem mais grave, pois todos os seus elementos mais visíveis públicamente já tiveram, directa ou indirectamente, responsabilidades no exercício de cargos públicos e governamentais, estando por isso mais expostos à crítica;
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(5) Já não passa pela opinião pública a ideia que o PSD seja um partido recheado de quadros (a reserva de quadros) de valor para o país. O PCP tem o mesmo problema, com a atenuante de que nunca passou essa ideia, em momento algum;
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Acresce que MFL não conseguíu passar ideias concretas para Portugal porque, óbviamente, enquanto tecnocrata oriunda do Banco de Portugal, só encara números, coisas inexpressivas numa folha A4 e não é capaz de assumir um discurso social forte, porque não o sente, não lhe veste a pele.
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Já o disse: a politica actual, a politica social não liberal exige pensamento político fácilmente confundível com a esquerda. O PSD tem de acompanhar a tendência e tornar-se, no discurso e na prática, um partido verdadeiramente social-democrata. Enquanto não o fizer vai deixar-se equivocar por poses que em nada ajudarão à sua recuperação.
Perdeu-se na tentativa de esmagar o CDS, faltando-lhe sempre a coragem de assumir um discurso mais à direita e agora sente dificuldade em impor-se perante o PS, ao conceder-lhe espaço para se posicionar mais ao centro.
Falta espaço e ar ao PSD.

27.9.09

A IMPRESSÃO DIGITAL ESCONDIDA....

Participei de forma activa nesta campanha.
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Elaborei todo o programa eleitoral do PPM, com excepção das páginas consagradas às regiões autónomas (da autoria do Dr. Paulo Estevão, deputado regional do PPM/Açores), elaborei o folheto das 22 medidas para transformar Portugal, redigi o press release e acompanhei o Presidente do PPM em todas as suas intervenções públicas, quer televisivas quer radiofónicas. Fiz campanha de rua.
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Foi da minha responsabilidade o único tempo de antena do PPM na rádio, e dei a cara num dos dois tempos de antena do partido passados na televisão.
Participei a tempo inteiro, empenhado no que fazia como sempre o faço e consagrei a minha atenção em questões fundamentais, sem discursos redondos.
Reganhei uma impressão digital politica, que muito me apraz e que se encontrava só na memória dos que comigo sempre privaram.
A actividade politica iniciei-a há muitos anos, antes de 1974, na Associação Académica do Barreiro ainda muito novo, mesmo muito novo. Depois acompanhei a formação do PPD, cujos fundadores já conhecia da SEDES e das intervenções relatadas na Seara Nova.
Desafiei as forças políticas dominantes em 1975 e só me retirei da actividade politica depois das eleições presidenciais a que concorreu Freitas do Amaral (como as pessoas nos enganam, mas fundamentalmente se enganam a elas próprias).
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Fiz tudo isto, toda esta corrida, sempre por fora sem nunca me ter filiado em qualquer partido. Hoje assim continuo, um homem livre sem filiação partidária.
Não que descarte essa possibilidade mas cedo percebi o caminho que o país tomava e, independentemente dos convites que tive para ingressar em partidos políticos (dois convites do PPD e um do já PSD, um do CDS - ainda CDS - e um outro, talvez inimaginável para mim na altura, que declinei mas do qual me honro, há muitos anos, do PCP ) sempre entendi que me deveria manter de fora, crescer políticamente, perceber e entender a boa vontade e maldade políticas, para que fosse acima de tudo o meu primeiro e mais forte crítico.
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Amadureci o pensamento, relacionei-o com tudo o que aprendi no alforge politico onde nasci, tudo o que li (e foi muito) e todas as conversas e discussões politicas que escutei em casa e em todas as outras em que participei. Aprendi também com o que escrevi.
Tudo isto, junto, forjou o homem e o politico actuais. Ainda bem que assim foi.
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Relato estes factos porque considero pertinente focar o enquadramento que me levou a aceitar o desafio de participar de forma activa nestas legislativas.
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Escrevo esta crónica às 17.19 da tarde de Domingo 27 de Setembro, antes de conhecidos quaisquer resultados eleitorais, mas que só será publicada às 19.00 horas em ponto.
É importante relatar tudo isto para que quem me acompanha e lê perceba a minha posição no ideário politico nacional e na actividade politica em particular.
E acima de tudo a razão de ser da minha decisão: sejam quais forem os resultados obtidos pelo PPM, a minha ligação como independente a este partido cessa hoje.
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Cessando esta ligação não significa que cesse a minha actividade politica.
A impressão digital politica, que em tempos introduzí com força no núcleo social onde me movimentava, e era largo este espectro, e da qual restava a lembrança de alguns que nunca esquecem, foi nestas legislativas recuperada e mostrada claramente.
Existe agora e de novo essa impressão digital, impressão que não irei deixar cair.
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Para tanto terei de ter uma ligação politica a um partido onde me reveja e onde o meu ideário politico e manifesto reformista da politica nacional seja aceite ou, igualmente válido, ligação a um novo partido que aceite estas premissas.
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Agradeço ao PPM e ao seu Presidente a confiança que em mim depositou bem como a oportunidade de ter participado de forma activa numa campanha tão importante como as Legislativas.

24.9.09

O objectivo fundamental reside na fixação de objectivos sociais

Há uma falta, uma lacuna imensa na condução da política em Portugal.
Os objectivos, mal fixados e erráticos, são-no sempre e invariávelmente na esfera económica. Hoje discutem-se as parcerias público-privadas, os grandes investimentos públicos, entre outras medidas como se discutiam antes a construção de auto-estradas, a internacionalização da economia nacional e o arregimentar de Investimento Directo Estrangeiro. Tudo isto resulta de um pensamento virado para as políticas económicas como se estas fossem vitais e mostra, igualmente, uma dispersão perigosa na fixação e condução políticas, como se constata com o falhanço da Auto-Europa por incapacidade de criar um cluster automóvel em Portugal.
Contudo, a visão está distorcida ab initio. Não é a politíca económica que se deverá constituir como o leit motiv da governação.
Um país só tem capacidade de progressão se for capaz de fixar objectivos concretos de política social.
A política económica é fundamental, mas como ciência social é uma ferramenta fundamental para dar corpo ao objectivo da política social fixada, mas nunca será ou poderá ser um fim em si mesma.
A política social ultrapassa a mera aritmética do rendimento, da despesa, do emprego. Como se afirmou em artigos anteriores, a coesão social é muito importante mas não se consubstancia em si mesma no bem-estar. Este requer mais do que o emprego, a melhoria das condições no emprego e a capacidade de conciliar, de forma crescente, a vida profissional com a vida privada.
A qualidade social é também requerida e reve-se no investimento do estado na saúde, na educação, na segurança, no ambiente e na justiça, para mencionar só as mais gritantes.
Um país com qualidade social é um país mais eficiente e produtivo.
Por outras palavras, cada unidade de capital investido gera mais rendimento, aumenta a riqueza económica e o bem-estar social.
A política social é o fim em si, o objectivo dos objectivos; a economia é a ferramenta que possibilita que aquele objectivo seja alcançado.
Fixar metas de política social ultrapassa em muito a fixação de objectivos económicos: sem aquelas não é possível fixar estes correctamente.
Corremos mas deveremos saber para onde corremos e ao que vamos.
Enquanto a filosofia económica for da escola monetarista teremos um país a andar sempre para trás: não se irá estabelecer a etapa, onde começa e acaba, medir os resultados e partir para nova etapa.
Estar-se-á permanentemente a afinar a economia, mas sem saber qual a velocidade a que se avança por falta de objectividade na fixação do critério de avaliação da performance: o critério só pode ser o objectivo social. Fixado este, a economia ganha um novo sentido e folego.
Não sendo este o cenário o desperdício de recursos será continuado e gritante, perdendo-se na linha do horizonte a capacidade de um dia Portugal viver verdadeiramente dias de bem-estar.

22.9.09

A Demissão por Explicar....

O caso das escutas em Belém saltou para a 1ª página do Público e, depois, para a 1ª página do DN.
Num caso e noutro tentou-se introduzir a confusão na campanha, chamando à colação o Presidente da República.
As razões que conduzem à publicação da notícia no Público são de índole informacional e política. Uma situação grave, de suspeita de escutas, baseada num comportamento que se depreende ocasionado por conhecimento de "coisas" que não deviam ser conhecidas, por parte de um assessor do Primeiro-Ministro, leva à dúvida primeira: estamos a ser escutados? Nós e quantos mais? Há quanto tempo? Mandado executar por quem?
Depois sucede-se a notícia do DN, onde se pretende que a dúvida que assolou Belém seja passada propositadamente para a opinião pública por ser, supostamente, interessante em tempo de eleições, mas factualmente fabricada. Esta é a intenção do DN.
A divulgação de um e-mail dúbio no seu conteúdo acresceu a polémica, que já se fazia sentir.
Se houve (e a haver) manipulação de informação do jornal Público, não o foi em menor escala no Diário de Notícias (DN), pelo contrário.
O silêncio do Presidente da República, remetendo todos os esclarecimentos para o período pós eleitoral consubstanciou a posição mais correcta por parte do mais alto dignitário da Nação.
Claro que o silêncio permitia várias leituras, mas nenhuma delas poderia almejar mais do que a mera especulação.
A demissão provocada pelo Presidente da República do seu assessor de imprensa, agora, veio acabar com as possíveis especulações mas interferíu, decisivamente, no julgamento público das acções, com prejuízo maior para o PSD, partido do qual o Presidente se destacou aquando das eleições presidenciais.
Vem igualmente levantar uma questão maior: qual o envolvimento de Cavaco Silva e a sua responsabilidade neste incidente.
Num caso e noutro o silêncio teria sido de ouro. O ruído de Belém veio macular os resultados eleitorais, irremediávelmente.
Se alguma coisa há a dizer terá de ser dito já.
Será este um caso claro de aplicação da teoria de Peter?

18.9.09

(1)ONDE NASCEM AS PREOCUPAÇÕES SOCIAIS.....(2) Não ao Federalismo Europeu

(1)A preocupação com a sociedade, a preocupação SOCIAL, a preocupação em relação aos cidadãos e a forma como estes se revêem na política, como arte de governar uma sociedade organizada, composta de homens, definidos pela sua identificação geográfica, patrimonial, cultural é fundamental para entender o fenómeno político e poder falar de políticas sociais.
Não sendo a solidariedade um dado mensurável e encontrando justificação na limitação espacial, ao substituir-se por interesses económicos, a solidariedade espacial sucumbe, colocando em causa a função essencial da política, bem como o seu lugar no ordenamento da sociedade.

Num mundo onde a riqueza nasce da desmultiplicação das ligações de capital e alianças internacionais há que evitar as perturbações, o imprevisto e o incontrolável. É necessária uma ordem que não sobrevenha, exclusivamente, do poder económico – este não conhece cor, credo, nacionalidade – mas igualmente do reconhecimento das similitudes, do espaço geográfico, dos interesses comuns.É assim que imaginamos a União Europeia ? Nem nos nossos melhores sonhos!

A pretensão de combinar uma multitude de interesses e dimensões – política, cultural, económica e mesmo militar – aprisiona a própria concepção espacial do poder, em virtude do próprio espaço deixar de ser um critério fundamental de avaliação.

(2) Pretende-se federalismo ?
O federalismo clássico nasceu de uma lógica de solidariedade baseada na lógica geográfica: o município pertence à região; a região pertence ao Estado.

É esta pirâmide geográfica que permite organizar, a diferentes níveis, a vida política: os espaços de solidariedade autárquicos de nível local, regional, nacional, fixando os cidadãos em cada um dos diversos níveis, as suas prioridades, os seus anseios, em suma a vontade comum que consubstancia a definição de política em si mesma.

Aos olhos do Mundo, não é o federalismo que se desenha num qualquer tratado constitucional. Aos olhos do Mundo passa a noção do Directório, da centralização do poder económico, da colonização de uns países europeus por outros, poucos em número, enormes em poder. Passará certamente a ideia que o capital se poderá instalar, coligar, absorver e devorar recursos, garantindo, em simultâneo, a riqueza de uns e a desilusão/trabalho de outros.
Espanta que os pequenos países se afadiguem tanto, em torno de ideais colonizantes, dominadores, superior e patriarcalmente apadrinhados pela Alemanha e pelo equivocado poder político francês.

São estes, em meu entender e de forma muito resumida, os sinais claros que a UE, enquanto instituição e jogo de poder quer transmitir.

São estes os sinais claros que os países da UE, na sua maioria, querem passar? A resposta é, claramente, não!

Falta substância à UNIÃO EUROPEIA. Falta-lhe perspicuidade.

17.9.09

RAZÕES PARA BAIXAR A CARGA FISCAL



Quando as famílias percepcionam um aumento constante nos impostos (através de um agravamento das taxas fiscais e/ou da redução das transferências para as famílias), a economia tende a ajustar-se instantaneamente, através de um abaixamento do consumo, sem contudo significar que existam, por essa via, efeitos dinâmicos no capital não havendo, portanto, quaisquer efeitos no PIB (o consumo é substituído pela carga fiscal - o rendimento das famílias não se altera).
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Sem capital não há investimento; sem investimento não há aumento do rendimento; sem aumento do rendimento não há aumento do consumo e da poupança; sem aumento da poupança não há aumento do capital, que baixa, sistematicamente, de período para período devido ao factor depreciação.
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A economia fica cada vez pior e a qualidade de vida ressente-se.
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Cabe ao Estado alterar a situação: BAIXAR A CARGA FISCAL.

NÃO AO TGV


O mesmo princípio de Alcochete se deve aplicar ao TGV.
O investimento é brutal, perto de dois mil milhões de euros e Portugal não pode pagar esta factura tão alta. É um absurdo, um tique de novo-riquismo a que não nos pudemos sujeitar, nem no curto, nem no médio e longo prazo.
Este, mesmo sem ALCOCHETE, constitui-se num custo insuportável para o Estado, bem como numa machadada irreversível na TAP, liquidando por completo a sua capacidade de sobrevivência, pela diminuição drástica nos voos para o Porto, estimando-se uma redução de cerca de 40% no tráfego aéreo e entre Lisboa e Madrid estimando-se essa redução em cerca de 30%, o que equivale a falar em cerca de 500.000 passageiros a menos a utilizar os serviços da TAP e também da Portugália, com quebra da receita bruta da TAP em cerca de 8%. Valores substanciais que poderão afectar a viabilidade económica da transportadora nacional. Depois acresce que o interesse nacional é nulo, em nada representando uma mais-valia estrutural. Não aproxima de forma substancial Madrid de Lisboa, nada que os transportes aéreos não façam e coloca-nos a léguas de Paris (trajecto: Lx-Madrid-Barcelona-Lyon-Paris). Depois, Lisboa não é uma praça financeira forte nem uma plataforma de negócios importante que justifique ligações terra-ar com idênticas performances. Acresce que na comparação entre TGV e Alfa, este sai a ganhar, porque o custo de reposição da linha para melhores resultados do Alfa é insignificante perto do TGV e, também, porque o ganho temporal é ridiculamente baixo para justificar tantos milhares de milhões.
Definitivamente, a resposta clara terá de ser: não ao TGV.

16.9.09



GianpaoloBarbieri

De bradar aos céus.....

Este nosso país é fértil em surpresas e estas, de alguma forma, mantêm-nos num limbo de suspense, porque nunca sabemos, nunca mesmo, o que virá a seguir, qual o próximo acontecimento relevante.
Hoje trago uma de levar às lágrimas (cada um que escolha livremente; se chora ou se ri).
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As médias de entrada nos cursos de medicina implicam que os alunos acabem o secundário com uma nota média final próxima ou mesmo acima dos 19 valores.
Este ano assim foi uma vez mais. Depois do ingresso o que acontece?
Supostamente, como era prática, os alunos tinham de estudar muito e "marrar" ainda mais para passarem de ano e acabarem o curso. Aliás, uma das razões apontadas para um numero clausus tão elevado, justificava-se com a qualidade de ensino; um professor para cerca de dez alunos. Aumentar o número de vagas iria fazer perder esta qualidade fundamental.
O que dizer então do que se passou este ano no curso de medicina, para os alunos do 1º ano? (suponho que todos tenham sido afectados, em todos os anos).
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Perante a exiguidade crescente de médicos no nosso país, a necessidade de os importar e, mesmo assim, a manifesta falta de candidatos a ocupar lugares em especialidades chave, ou tão sómente arranjar profissionais médicos para assumir os cuidados de saúde no interior deste lastimoso Portugal, levou à modificação dos critérios de avaliação dos exames, porque com os critérios anteriores tinham chumbado cerca de 100 alunos no 1º ano, em Santa Maria.
De referir que os critérios de avaliação foram alterados depois dos exames efectuados e as notas saírem!!!!!!
Só depois se alteraram os critérios e, com a alteração, passaram todos os alunos para o 2º ano. Fantástico!!!!
Os exames passaram a valer só um terço da nota, valendo as aulas práticas pelos restantes 70%. Como ninguém chumbou nas práticas, passaram todos. Mais acresce que passou a ser possível passar, mesmo com nota negativa no exame. Grande!!!
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Não podiam chumbar 100 em Stª Maria e mais uns quantos no resto do País.
Daqui a 6 anos não havia médicos para sair que cobrissem tão só a zona da grande Lisboa. Lindo!!!!
Para entrar é necessário ter 19 valores de média; depois de entrar até se pode ter negativa nos exames que se passa na mesma. Entram crâneos e saiem burros. Um milagre da medicina (moderna).
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Fabuloso país este !!!!
Abram o ensino de medicina, permitam a entrada de 10.000 alunos, ou quantos forem. Façam uma seriação lá dentro, de forma séria, encarando o ensino como a ferramenta fundamental de crescimento do país, criem hábitos de aprendizagem constante ao longo da vida, através de critérios de exigência adequados; não façam isto.
Isto nunca!!!

O problema é a DESPESA, o Défice é efeito...


Fale-se muito menos em défice e fale-se muito mais em despesa pública.
O défice é resultante da diferença (que por definição é negativa) entre o rendimento e a despesa.
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Se há uma dificuldade notória em controlar o défice, mesmo com manobras que envolvem aumento da carga fiscal (já pesada), alienação de património público, venda de participações do Estado em empresas e recuperação de passivo fiscal, é porque o Estado não consegue reduzir a despesa.
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A solução passa, então, pela redução da despesa. Porque despesa num País há só uma: a resultante do somatório da despesa do Estado com a das famílias. Quanto mais consome o Estado menos consomem as famílias.
Se em conjunto, ou isoladamente, consumirem demais, de duas uma: ou há um aumento do investimento ou um aumento do endividamento. Como o investimento não entra, só sai, a solução passa pelo endividamento. Então, a necessidade de endividamento conduz à conclusão, fácil, de que cada vez se consome mais
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Verifica-se, então, que o Estado continua a funcionar muito mal, que o Governo não tem soluções (politicamente aceitáveis) para diminuir a sua despesa e que a oposição é frouxa ou má, porque, na realidade, a diferença entre uns e outros acaba onde começam os privilégios da classe política, que nestas coisas de rendimentos e mordomias é muito apolítica.
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Quantos milhares de portugueses que tiveram ou têm ligações a partidos políticos, que foram detentores de cargos públicos e/ou privados continuam a gozar de regalias que ofendem a moral e os princípios? Muitos! Todos eles acumulando reformas de cargos anteriores com remunerações de cargos actuais. E quanto custam estes muitos milhares por ano ao Estado? Muito! E todos os outros que não exercem funções produtivas e se encontram, simplesmente, encostados ao Estado? Muitos também, mais em número que não em custo.
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Tudo isto implica um cabaz de despesas pesadíssimo, que este País já não comporta, acrescido de todas as outras extravagâncias, como viagens, motoristas a torto e direito, secretárias, estudos, parecerem, consultorias, projectos e projectistas. A lista seria infindável.
Fala-se e sempre do défice, como se de uma causa se tratasse. Não é causa, é efeito.
As causas são outras. Acabe-se com estas, que se acabará com o défice não produtivo e, aí, começará uma nova esperança de vida para os portugueses.

15.9.09

As falácias contidas no Programa Eleitoral do Movimento Esperança Portugal (MEP) para conferir aqui:

http://www.slideshare.net/s19yorky/anlise-criao-de-riqueza-proposta-pelo-mep

EllenGallagher
POLÍTICA SOCIAL

A política social tem a ver com o bem-estar, que se consubstancia no acesso ao consumo de bens e serviços, à provisão de serviços sociais e a certos benefícios sociais.

O bem-estar é medido pelo grau de satisfação dos indivíduos, considerados individualmente ou em grupo. Pode ser afectado por factores negativos (direito à vida, direito à privacidade, poluição, restrições à liberdade, insegurança, entre outros) e factores positivos e é ao nível destes factores positivos que encontramos a noção de necessidade (direito á saúde, à educação, á segurança económica, etc.).

São as necessidades consagradas como DIREITOS SOCIAIS, que geram obrigações sociais.
Estas obrigações sociais, o seu reconhecimento social e político obrigam à existência de três elementos essenciais:


(1) Percepção da situação (requer a existência de informação);
(2) Julgamento normativo da situação (juízos de valor, os princípios e critérios de justiça e equidade);
(3) Identificação de possíveis acções sobre os problemas (os meios e a sua adequação).
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Falemos de um exemplo: A EXCLUSÃO SOCIAL releva a não satisfação das necessidades e a sua privação, a não realização de direitos de cidadania e a quebra dramática dos laços sociais. Este é um problema social complexo.

Falemos de um exemplo claro: como avaliar o SNS em termos de equidade (este exemplo é generalizável a outras áreas da política social):

(1) Todos devem ter igual acesso aos cuidados de saúde;
(2) Todos devem ser objecto de tratamento idêntico;
(3) Todos devem ter tratamento no SNS que origine o mesmo nível de resultados;
(4) Quanto à despesa com o SNS temos que;


(a) deve haver equidade na despesa pública;
(b) deve haver equidade no rendimento final (a sua componente gratuita);
(c) deve haver equidade no custo, no sentido de garantir que todos os indivíduos tenham o mesmo custo privado pelo uso do serviço.

Existem novos desafios para a política social, resultantes da transformação radical da sociedade e da economia.

As mudanças operadas pela nova economia, pela crise que nos assola, afectam as condições pessoais e profissionais de todos os cidadãos.

Há um princípio base:
A POLÍTICA SOCIAL DEVE SER ENCARADA COMO UM FACTOR PRODUTIVO.

A maior parte da despesa em saúde e educação representa um investimento em recursos humanos, com efeitos económicos positivos. Há uma relação directa entre o montante dispendido e a produtividade. Pensões e segurança social não contribuem apenas para equilibrar e redistribuir rendimentos através do tempo a grupos sociais, mas também suportam uma melhor qualidade no emprego, com os consequentes benefícios económicos.

É necessária interacção entre economia, emprego e política social e mobilização de todos os actores para trabalharem em conjunto.
A política social deve basear-se na Qualidade social (competitividade, dinamismo – factores de política económica) e na Coesão social (pleno emprego e qualidade no trabalho, factores de política do emprego).

O factor-chave é: conjugar boas condições sociais com elevados níveis de produtividade e qualidade dos bens e serviços.

Potencial empregador:

Portugal tem um potencial empregador grande, entre a população feminina e entre a população masculina na faixa etária situada entre os 55 e os 65 anos. Este potencial tem de ser aproveitado. A taxa de emprego nos homens na faixa etária 55-65 anos é muito baixa e é nesta faixa que reside o conhecimento da experiência.

Existe uma falha de competências: as competências exigidas pela economia e investidores não casam com as competências disponíveis. Esta situação é particularmente notória nas Novas Tecnologias.

Existe desemprego estrutural crescente: 2/3 dos desempregados são-no há mais de um ano.
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Existem marcadas assimetrias regionais; o desemprego está a afectar todo o interior do País, que migrando para os grandes centros urbanos, arrasta consigo e exponencia estas assimetrias.

Os problemas sociais graves derivam de uma péssima política de organização e utilização dos recursos humanos em Portugal.

O governo socialista não consegue resolver estes problemas vitais para o equilíbrio social.

Portugal tem ficado para trás na economia do conhecimento. É necessário cimentar e incrementar conhecimentos, bem como incutir hábitos de aprendizagem ao longo da vida. Estes são valores fundamentais numa economia baseada no conhecimento.
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Cumulativamente, o acesso e a qualidade do ensino e não a quantidade de cursos oferecidos e a experiência são fundamentais para dotar as pessoas com capacidades de lidar com um mundo em rápida transformação, bens essenciais para o desenvolvimento de uma economia baseada no conhecimento.

A modernização dos sistemas de Segurança Social é essencial para uma nova economia, onde as alterações demográficas afectarão fortemente a estrutura do mercado de trabalho e a sua oferta, colocando uma enorme pressão sobre a segurança social e os cuidados de saúde.
Estes problemas requerem uma reflexão séria sobre o papel da imigração, como parte de uma estratégia para combater certas tendências perniciosas para os custos do estado e o funcionamento da segurança social e dos cuidados primários de saúde.

O DESAFIO CHAVE É MUDAR DE UMA AGENDA POLÍTICA VIRADA PARA A EXCLUSÃO SOCIAL PARA UMA OUTRA QUE SE DEBRUCE SOBRE A INCLUSÃO SOCIAL E A COLOQUE NO CENTRO DA DECISÃO POLÍTICA.

O emprego, só por si, não é a chave para acabar com a pobreza.
Aumentar a taxa de emprego, fazendo baixar o desemprego reduzirá significativamente a pobreza e a exclusão social, mas não basta.
É NECESSÁRIO IMPLEMENTAR UMA TÁCTICA QUE PASSE POR:

(1) PROMOVER MAIS POSTOS DE TRABALHO;
(2) AUMENTAR A QUALIDADE NO TRABALHO, através de melhores empregos e melhores maneiras de combinar a vida profissional com a vida privada;
(3) QUALIDADE NA POLÍTICA SOCIAL: criação de um elevado nível de protecção social, bens e serviços sociais disponíveis para todos, oportunidades reais para todos a todos os níveis, bem como a garantia de direitos sociais fundamentais, como a educação, a saúde, o emprego, o direito á família, á liberdade individual à segurança, entre outros.

POLÍTICAS SOCIAIS E DE EMPREGO CORRECTAS SÃO FUNDAMENTAIS PARA INCREMENTAR A PRODUTIVIDADE E FACILITAR A ADAPTAÇÃO À MUDANÇA.

Em resumo é fundamental:

(1) MODERNIZAR E INCREMENTAR A SEGURANÇA SOCIAL;
(2) PROMOVER A INCLUSÃO SOCIAL;
(3) PROMOVER A IGUALDADE ENTRE SEXOS;
(4) REFORÇAR DIREITOS FUNDAMENTAIS E COMBATER A DESCRIMINAÇÃO.

10.9.09

A altura ideal de testar os políticos portugueses, pela mudança estrutural do VOTO....

Os debates prosseguem mornos, sem chama e sem ideias. A oposição coloca-se, sistemáticamente, numa posição envergonhada. O PS e o Primeiro-Ministro jogam com as palavras e apostam na falta de confiança partidária que vai percorrendo o PSD. Enquanto o PCP namora à direita e à esquerda, com falinhas mansas, o BE se enrola na sua própria doutrina e o CDS vai vendo Paulo Portas a fazer o trabalho todo, o PSD parece ter um medo terrível de ganhar as eleições. Ninguém quererá de facto ganhar, para além do ego de José Sócrates ?
É que o próprio PS persiste em dar, aqui e ali com algumas afirmações, tiros no próprio pé.
Estão todos, os que têm andado sistemáticamente na frente, demasiado envolvidos com a calamidade nacional e os erros cometidos, com enorme dificuldade em encontrar uma saída para Portugal. Porque se deixaram enlear nas práticas políticas e nas posturas discursivas, das quais se tornaram reféns. É altura de mudar as caras. Mas as caras são sempre as mesmas......
O tempo é de mudança, não total porque seria tarefa impossível mas parcial, e perceber se algum destes partidos e respectivos líderes sabem, de facto, governar e viver políticamente em democracia.
O voto que mude substancialmente, que os equilíbrios desenhados sejam outros e perceberemos, finalmente, de que forma estamos servidos políticamente.

6.9.09


AlistairLittle

O Jogo da Sedução do PCP ao PS....

O debate ontem promovido, entre Jerónimo de Sousa e José Sócrates, mostrou uma faceta esperada da postura do PCP face às presentes eleições: macieza de diálogo com o PS, pensando já numa possível coligação governamental.
O cuidado colocado no tom, nos temas, na ausência de agrura política transportou-nos, inevitávelmente, para o país das maravilhas, onde o Chapeleiro tenta seduzir Alice com relações inversas (ver o PCP e ouvir as suas ideias não é o mesmo que aceitar as ideias porque se vê o PCP) e esta se deixa envolver na sedução, sem se comprometer, mas também sem dizer não.
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Um outro ponto interessante prendeu-se com o convencimento de José Sócrates de saber, exactamente, o que os espectadores de um jornal nacional querem ou não ver. Foi claro nesta matéria: o Jornal Nacional de Manuela Moura Guedes não servia nem interessava os telespectadores, sendo antes um exercíco de vilipendiação, perseguição e péssimo jornalismo.
O Primeiro-Ministro também sabe do que os portugueses gostam, ou não gostam.
Provavelmente nem seria necessário ir a votos.

5.9.09

Programa Eleitoral PPM legislativas 2009

para conferir aqui o Programa e as Ideias

http://www.slideshare.net/s19yorky/programa-eleitoral-ppm-legislativas-2009
Há dois meses acedi a um honroso convite: escrever o Programa Eleitoral do PPM para as legislativas de 2009.
Não me podia furtar à responsabilidade de o fazer, depois de defender posições políticas e económicas neste espaço.
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Fi-lo, está feito, tem 97 páginas e um conjunto de propostas sérias em várias áreas.
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Depois de aceitar o convite, um novo se me deparou: ser o nº 2 por Lisboa, como independente, nas listas do PPM às Legislativas de 2009. Aceitei por inerência e obrigatoriedade.
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Se escrevia o programa teria, forçosamente, de me rever no que lá estava e nenhuma razão me poderia impedir de aceitar, reforço, como independente novo convite, igualmente honroso.
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Tenho simpatia pela causa monárquica mas comportamento republicano.
Concorro a umas eleições em República, para uma Instituição republicana; a Assembleia da República. Os valores republicanos estão forçosamente presentes, nesta casa do regime.
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O voto no PPM não é um voto para determinar se Portugal deverá ser uma monarquia. Essa opção de voto só se colocaria se um dia a República fosse referendada.
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O voto no PPM é um voto programático, um voto de confiança no programa que é apresentado e na capacidade dos seus representantes se fazerem ouvir.
O Program Eleitoral é sério e a vontade de passar as ideias e ideais políticos e sociais imensa.
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E assim, embora num partido pequeno, concorro pela primeira vez a um lugar público, e logo da importância decorrente de ocupar um lugar na Câmara do Povo: A ASSEMBLEIA.

13.8.09

Como o cego dizia....a ver vamos

Assim, num passe de mágica, o INE com uma estimativa rápida aponta "o início do fim da crise", segundo palavras do próprio Primeiro-Ministro, regressado de férias.
Assim, num ápice, Portugal começa uma recuperação miraculosa, supostamente sustentado numa evolução das economias francesa e alemã. Assim, tipo: já está!
A partir de 15 de setembro vão fechar um montão de empresas; é um dado reconhecido no sector financeiro e para quem acompanha a vida das empresas e, as razões, são fáceis de descortinar.
mas que se lixe; as eleições são a 27 do mesmo mês e o PSD, numa estratégia política muito especial, até conseguíu o feito de não ter ninguém para fazer campanha nas legislativas, ao mesmo tempo que dá uma imagem de partido todo partido.
Será João de Deus Pinheiro a fazer campanha (no intervalo de umas partidas de golfe)? Ou António Preto (em véspera de julgamento)?
Hehehe......a ver vamos, como dizia o cego....
Nota: Krugman afirmou que os EUA bateram no fundo da recessão económica neste mês de Julho. A acreditar, a Europa só quatro a seis meses depois deste facto, começará a sentir os efeitos. Para Portugal, o prazo é de pelo menos um ano. A acreditar na afirmação.

3.7.09

E finalmente, num só dia - o que mostra que não era assim tão difícil - o Ministro da Economia percebeu, por analogia, o estado do país económico: um desastre.

2.7.09

Lastimoso.....e deveras Preocupante....

Inacreditável.
Indesculpável.
Inaceitável.

Os adjectivos poderiam prolongar-se, mas para tanto seria necessário ter a paciência para lidar com situações como a que foi protagonizada pelo Sr. Ministro Manuel Pinho.
Não basta o indecoroso comportamento de alguns deputados, quando se riem desbragadamente ou se ofendem, bastas vezes acrescendo uma péssima utilização da língua pátria. Agora também um Ministro, um homem político cujo cargo acarreta a maior das responsabilidades, dar o exemplo, péssimo exemplo, do estado lastimoso a que a nossa democracia chegou.
Falta de tudo, tudo mesmo, não chega para justificar indecoroso acto e lastimosa atitude.

Um BASTA!, chega para expressar o descontentamento irritantemente repetitivo a que nos remetemos, todos (e são muitos mesmo) os que não campeiam pelos caminhos pantanosos dos favores políticos e do esquadrinhamento das almas há muito corrompidas.
BASTA!

E o Senhor Ministro que SAIA, JÁ!!!
Não chega pedir desculpa. SAIA!!!!

10.6.09

O que o CDS/PP tem de fazer até Outubro....

O crescimento à esquerda nestas eleições, implica uma outra leitura; existe capacidade de crescimento à direita, desde que o discurso verta ideias que não se aproximem abusiva e despropositadamente da Europa, bem como defenda um Estado de política económica não liberal, supervisor mas igualmente interventor.

Manuela Ferreira leite e o PSD têm maior dificuldade em fazê-lo, por razões óbvias.
Paulo Portas e o PP estão mais bem colocados para assumir esse discurso.
Por um lado Portas não é, na sua trajetória política, total e imediatamente identificável com a Europa, por outro, tem condições de injectar no partido caras novas, que defendam aquelas ideias convictamente e que, a par de figuras conhecidas do PP, ajudem a transmitir essa perspectiva política e a vontade de mudança. Se assim o fizer o CDS/PP, sózinho, tem condições de ultrapassar os 12% e formar governo com o PPD/PSD.
Se não tiver coragem política para assumir um discurso mais "fechado", as portas ficam claramente abertas para a chegada de uma nova força política à sua direita, que implicará a canibalização do partido.

HartwigDilling

O pior ainda não passou....

Há uma tendência crescente para considerar que o pior da crise financeira já passou.
Não passou, infelizmente; os mercados são , por natureza, eufóricos e o que hoje valem nada tem a ver com a economia real, pelo que vão continuar a subir e a descer por razões que nada têm a ver com aquela realidade.
A economia real continua a descer, sempre, e continuará por 2010.
Desengane-se quem pensar o contrário.

O BPP é caso encerrado para o Estado..e bem.

O Primeiro-Ministro e o Governo têm razão quando falam de diferenças entre a situação do BPN e do BPP. Quando a crise estalou no primeiro, a generalidade da população estava fortemente afectada psicológicamente com a crise financeira. Qualquer movimentto negativo poderia causar uma reacção de histeria, conducente a uma corrida às poupanças, independentemente das instituições financeiras e da sua credibilidade.
Assim, a atitude a tomar agora com o BPP é a correcta, porque a não intervenção neste banco não acarreta qualquer risco para o sistema financeiro na generalidade.
Fica, contudo, por explicar porque razão a intervenção no BPN foi descurada do ponto de vista dos interesses dos contribuintes, pela forma como se revestíu.

8.6.09

O que espero hoje do dia de ontem...

As eleições para o Parlamento Europeu mostraram uma vez mais o desinteresse que merecem, por parte dos eleitorados dos países que não são, claramente, os mandantes desta Europa de caciques, da Europa dos fortes e dos fracos, uns eternizados fortes e outros eternamente fracos.
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Os eleitores não podem sentir apetência perante um projecto cartelizador de algumas economias, correspondentes a um número reduzido de países, que se constituem num directório imponente e redutor em relação aos interesses dos demais. Assim mesmo percepciona a Europa Durão Barroso, sabedor que está da importância de gozar do apoio de alguns, poucos, para garantir o cargo de presidente da Comissão.
Se é verdade nesta matéria, é verdade em todas, como bem sabemos. Mas este directório até poderia não ser mau se os interesses, como sempre o são por definição, não fossem egoísticos. Para além, claro, da própria organização da União Europeia que até podia ter a mesma moeda, mas comportar-se como uma Zona de Comércio Livre.
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No geral, as políticas despesistas dos governos socialistas foram penalizadas; a primazia do conceito de que a estrutura gasta primeiro e procura as receitas depois, a par de uma atitude passiva para com a economia e os mercados, conduz a crises políticas, sempre aceleradas quando se conjugam com crises económicas e financeiras.
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Por cá ficou claro que o governo perdeu, por ora, a base de apoio que lhe permitiria sustentar algumas decisões polémicas, que começam nas grandes obras públicas e acabam nos chips das matrículas dos automóveis. Se, a meses das eleições, se pede acção governativa e não mera gestão, também se pede contenção na decisão de investimentos que podem esperar algum tempo mais até serem postos em marcha. Estes investimentos, por serem pesados e de difícil ou mesmo impossível recuperação económica, implicam um esforço enorme para as gerações vindouras e para qualquer acção governativa; hipotecar o futuro próximo, mais do que já se encontra, sem saber ainda o custo interno de toda a turbulência financeira e económica mundial é, claramente, um colossal erro de gestão. Pretender avançar com investimentos desta envergadura implica incluí-los no programa eleitoral e sujeitá-los ao voto popular. A meses das eleições não faz sentido que não se meça, pela vontade do voto, a vontade da população em avançar por caminhos megalómanos.
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Os resultados de ontem acresceram à ética que deveria presidir nestas decisões - o adiamento até ao período pós-eleitoral - um outro factor determinante: a falta de legitimidade para empreender investimentos públicos ou, mesmo, tomar medidas impopulares, como sejam os já mencionados chips nas matrículas, expressão menor de uma outra maior: coertar os direitos, as liberdades e garantias consagradas na Constituição.
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O voto de ontem expressa insatisfação com o caminho tomado pela governação em Portugal.
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Ontem não votei Europa: ontem votei para que o partido Socialista fosse travado nas suas intenções. Ontem depositei nas mãos da oposição a responsabilidade de travagem da política socialista suicida. Hoje espero que a oposição faça bom uso do poder que lhe foi conferido, legitimamente e que o Senhor Presidente da República faça a leitura correcta dos resultados eleitorais.
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Ontem não esteve em causa quem é que obtinha mais uns tachos em Bruxelas; ontem esteve em causa a condução política de Portugal e a resposta foi clara: ASSIM NÃO!

16.5.09

Um sociedade livre acarreta responsabilidades políticas

A questão segurança ultrapassa o número de polícias e de esquadras existentes. Não que lhe seja alheio, porque está igualmente dependente da existência destas a solução do problema que aquela acarreta.

Acima de tudo está em equação o modelo de desenvolvimento das cidades e dos erros cometidos. Não fomos capazes, por um lado, de avaliar os erros cometidos por países terceiros e governar de forma a evitá-los. Sempre afirmei que estar atrás, atrasado económicamente, tem desvantagens que todos conhecemos, mas tem a vantagem de permitir evitar os erros cometidos por outros. Por outro lado, não é menos verdade que a segunda e, por vezes, ainda a terceira geração de emigrantes se mostra perfeitamente desenraízada. Esta ausência de valores nacionais conduz, forçosamente, a uma inadaptação social que, ela própria, força a comportamentos criminosos.

Todo o comportamento criminoso é um comportamento anti-social. Todo o indivíduo que não se revê sob um Hino e uma Nação tenderá, forçosamente, a comportamentos anti-socias.

Esta premencia é tanto mais verdade quanto, ao contrário do que se afirma comummente, tal como o faz a Declaração Universal dos Direitos do Homem (mais um daqueles escritos que fica bem, mas só no papel) quando pela primeira vez na história um sistema de valores passsa do princípio para o facto, afirma nas suas primeiras palavras o seguinte:

" Todos os homens nascem livres e iguais".

Locke foi o seu pai, quando separa o civil do natural. Assim, os homens seriam livres e iguais por natureza.

Como fugir, então, às palavras de Rousseau, no Contrato Social: " O homem nasceu livre e por toda a parte encontra-se a ferros ".

Temos de validar, para encarar o problema de frente e de forma justa, que os homens de facto, não nascem livres nem iguais. A liberdade e igualdade não são nem um facto nem um ideal da sociedade, caso contrário seriam difíceis de explicar muitas das medidas políticas adoptadas e assumidas. Não existem mas sim valem pela ideia; não se assumem mas relevam para um possível assumir.
As belas ideias da igualdade não se encontram temporal e espacialmente circunscritas, dirigindo-se acima de tudo ao legislador e à sua forma futura de pensar. São uma espécie de lembrete do que deverá ser, quando for possível ser.

Basta recordar a revolução francesa, para perceber que a igualdade e fraternidade rápidamente sucumbiram à falta de liberdade. E é na falta de liberdade que todo o problema reside: falta na ausência de condições de vida e de trabalho; promessas por cumprir; sonhos por realizar; incapacidade de inserção social (com culpas claras da política governamental, quer central quer local), entre outras questões pertinentes.

Sendo o direito de igualdade um direitro natural, a única defesa possível do homem contra a sua violação pelo estado é um direito igualmente natural, o direito de resistência.

Não é , então, de estranhar que essa resistência se faça sentir.

Compete ao estado assumir esta premissa e combate-la convenientemente.

Quem, de entre os residentes num determinado país, estiver decidido a participar cívicamente na sociedade, na sua construção, com todo o peso e custo que esta postura possa representar, deverá ser apoiado. Caso contrário, se a postura é antagónica a este princípio, deverá ser repatriado.

Não há meio termo, quando falamos de segurança numa sociedade que se quer livre.

25.4.09


Uma data como tantas outras, ou não....

Falar sobre o 25 de Abril tornou-se monótono, desinteressante e, igualmente, ofensivo. Porque de outra forma teremos de falar só da data e essa é tão interesante quanto o 26 de Abril ou o 3 de Julho ou outra qualquer sem significado.
Caso contrário estaremos a falar de significados e consequências e, em relação a estes e aqueles é muito melhor ficarmos calados. Não podemos esquecer, teremos de viver com os dislates, excessos e poucas-vergonhas que cumprem hoje 35 anos de aviltação de uma nação e do seu Povo, mas teremos de pensar de forma positiva, que o que se fez de errado pode ser alterado, penosamente, mas pode.
A começar pela erradicação dos seus "heróis", dos seus falsos significados e dos políticos que nasceram à sombra de uma revolução carregada de pequenez e interesses pessoais.
Transportemos a vontade de mudança para o dia a dia da nossa vivência, com uma atitude de permanente cidadania, exigente nos contornos a traçar deste pequeno mas imensamente capaz Portugal, cuja força reside na força das suas gentes.

24.4.09


Mona

Enganos....

José Manuel Fernandes a propósito do artigo de hoje no Público sobre Otelo: "[...] não perca o retrato do "herói imperfeito" do 25 de Abril, Otelo. Um magnífico texto de Paulo Moura".
Sem questionar a qualidade do texto, que assumo possa ser adjectivado de magnífico, como sugere o José Manuel, já duvido do título do texto, porque Otelo de herói nada tem e de imperfeito tão pouco. A coisa seria mais correcta num registo diferente, como por exemplo: retrato do "crápula perfeito" do 25 de Abril....

HartwigDilling

23.4.09

As contas dos bancos internacionais e da economia no geral...

Agora, mais do que nunca, é necessária uma supervisão forte sobre as contas das instituições financeiras e sobre os relatórios das firmas de auditoria, as Big 4.
Tratar crédito mal-parado, aplicações financeiras que já se sabem estar a ser ruinosas, juros que nunca serão recebidos e antecipar receitas, conduz a bons resultados, mas só no papel. Entretanto as acções vão subindo, há quem venda e realize mais-valias e quem compre e se vá arrepender.
As commodities estão todas em baixo, com excepção do cobre e do ouro. Os derivados financeiros estão uma lástima.
Entretanto a economia real cai, todos os dias.
Em Portugal é o anúncio do crescimento do desemprego, só no mês de Março, em 24%.
Na Irlanda, tantas vezes indicada como paradigma a seguir, é a constatação do óbvio: o Produto Interno Bruto caíu 10% no 1º trimestre anunciando a depressão.
Por cá continua a escamotear-se a crise, a não preparar os portugueses para o inevitável: tempos ainda mais difíceis.
Haja coragem de mudar a política e os políticos. Haja coragem de mudar o discurso, a visão social, o paradigma económico.
Nacionalize-se, temporáriamente, toda a banca e deixe-se cair o BPN, o BPP e outros exemplos de pequenos "bancos" não influentes para a imagem do sector financeiro portugues, quer interna, quer externamente.
Limpe-se a sala para se poder dançar, daqui a uns tempos, com mais tranquilidade.


Jerome

O Homem Invisível....

Durante anos não se ouve falar do Provedor de Justiça.
Agora, o assunto é agenda diária obirgatória. Está mal? Não, neste preciso momento é necessário que o Provedor tenha determinado perfil, o que justifica a "guerra" gerada pela obtenção de um nome que gere consenso. Mas a nomeação do Provedor, por si só, não significa que as razões polítcas que levam a uma discussão diária sobre a sua nomeação sejam atendidas. Porque independentemente do nome e da força política que o indique, poderão sempre ser jogados favores nos bastidores. Mas uma coisa é certa: esta discussão não é vazia de conteúdo político nem a nomeação é pacífica.
No fim, claro, depois de atingidos os objectivos, o Provedor voltará à sua verdadeira função, a interpretação repetida da personagem de H. Wells; o Homem Invisível.

20.4.09


O que deveríamos estar a fazer....

Os políticos, todos eles, andam entretidos à volta de assuntos menores (não pela importancia intrínseca para o País e toda a população, porque são matérias fundamentais, mas pela perca de oportunidades de cativar capitais para Portugal que permitam, posteriormente, através de mecanismos de criação de riqueza, gerar soluções para esses mesmos problemas) como a educação, que está mal e continuará mal, até que se faça uma reforma de fundo. Exemplo: em qualquer país do mundo a primitivação e integrais são dados até ao final do secundário, excepto em Portugal. A saúde que ainda não é para todos e continuará sem ser, enquanto se mantiver uma política de proteccionismo à classe médica, entenda-se, todos aqueles que exercem a profissão baseados na prática da consulta particular e na dificuldade de acesso à carreira. Igualmente a actuação fiscal que não leva em conta os golpes fortíssimos que vai desferindo na, já de si, fraquíssima liquidez do país. A evolução tecnológica, com discussões sobre o Magalhães ou falácias como a Quimonda.
A justiça que é matéria fundamental para arregimentar "boas-vontades" exteriores, igualmente se encontra mal e vê o seu funcionamento deteriorar-se, com noticias difundidas mundialmente, atrasos conhecidos e leis pouco claras, fomentadoras de interpretações várias, afastando investimentos de Portugal por falta de credibilidade. Também a ausência de uma política séria de educação ao nível matemático e económico, deteriora a imagem do país externamente. Por último a ausência de discussão política séria faz pensar, com razoabilidade, que o estado de coisas é para manter.
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Estas são causas, entre muitas outras, que por serem mal conduzidas e discutidas dão a falsa ideia de que, entre governo e oposição, não há diferenças na abordagem dos problemas. E, no entanto, são estes os problemas que os portugueses mais sentem, os mais prementes, a par da deterioração do nível de vida, independentemente de os conseguirem isolar todos ou terem uma visão mais de conjunto.
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A preocupação deveria ser tida na retenção de capitais em Portugal e na angariação de mais liquidez, através de medidas atractivas, abstendo-se Portugal de entrar em discursos demagógicos e defesas quixotescas, de temas que são lançados por outros, por conveniência pública, mas que não pretendem fazer cumprir em nenhum momento - caso das off-shores - por contraponto com os nossos políticos, afadigados na defesa destes temas que a nós nem sequer nos deveriam preocupar, quanto mais merecer-nos qualquer tipo de referência.
A política externa deveria ser agressiva e dotar de meios económicos superiores as Necessidades, para que o corpo diplomático português pudesse agir de forma célere e eficaz e, também, em várias frentes.
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Portugal deveria investir na educação, para garantir a formação de uma geração de ouro daqui a vinte anos, ao mesmo tempo que conduziria recursos, parcos neste momento mas preciosos para nós, para a nossa economia. Deveria ter uma política agressiva face à União Europeia e não subserviente, mostrando distanciamento em relação às políticas monetárias, sociais e fiscais.
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Deveria igualmente assumir posições de inovação no combate às dificuldades do sistema financeiro, mostrando capacidade de engenharia financeira e de ultrapassar paradigmas.
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Deveria revoltar-se, com o discurso projectado externamente através das Embaixadas, tal como toda a propaganda sobre as medidas anunciadas anteriormente, para vender a imagem de um Portugal político mas igualmente económico e financeiro, fraco momentaneamente nestas premissas, mas capaz de responder melhor que países que já foram fortes e que hoje mostram fraquezas preocupantes - caso da Suiça.
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Aproveitar o estar na União Europeia para dar maiores garantias externas e, em simultâneo, distanciar-se das políticas extremistas, económicas e fiscais, através de discurso político forte e convincente, assumidas pela mesma União.
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Fazer-se falar nos aerópagos internacionais e, principalmente, junto daqueles que tendo imensas fortunas têm hoje enormes preocupações. Atestar as vias de comunicação existentes no país e adicionar a vontade histórica do povo em fazer coisas, principalmente grandes cometimentos, em alturas difíceis - jogar com a História. Vivemos numa era em que são necessários grandes cometimentos e enorme coragem, principalmente política.
A economia está em viragem e a política não pode convergir com a economia. A solução passa pela clivagem e por dar a conhecer essa vontade de clivagem.
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Os tempos têm de ser entendidos como de guerra e agir politicamente como nas guerras; esforço unificador interno; políticas de alianças agressivas e egoísticas externamente. São estas as nossas necessidades actuais e, sinceramente, não vislumbro ninguém que as tenha percepcionado ou sequer percebido o seu alcance e sua premência.
Por isso é tão importante virar uma página na classe política portuguesa.

17.4.09



Marrian

causas da corrupção....

As necessidades humanas relativas têm um valor de mercado....aquelas que são condição única para um fim têm um valor intrínseco, a que se chama integridade.
Na corrupção há um exercício causal (valor de mercado) e ausência de moralidade, que é também de liberdade face ao relativismo económico e aos interesses nacionais.
Há ausência de integridade.


Jean-LoupSieff

manifesto...

Eu sou de direita, daquela direita não liberal, a direita que defende o estado social.
Sou de direita, conceptualizada nos seus princípios básicos mas igualmente adoptante de critérios, ideias e práticas políticas fácilmente situáveis em quadrantes políticos mais à esquerda, mesmo esquerda .
Acredito que a economia é um veículo de construção de bem-estar social.
Acredito também na Nação, como valor mais alto e intrínseco à governação política, valor primeiro e orientador das práticas políticas.
Eu sou de direita, não liberal e fortemente social.

16.4.09

Como estamos pobres.....

Ao contrário do que Constancio afirmou, a crise interna é causa maior da crise que a quebra das exportações. Por outras palavras, são mais as empresas nacionais a sofrer por falta do mercado interno do que as outras. A diferença pode ser ainda pequena, mas mostra claramente uma faceta pouco lisonjeira do nosso futuro; o problema é maior internamente, estamos piores que os outros países, nossos parceiros comerciais.
Desta constatação ressalta uma outra: as fragilidades da economia portuguesa são enormes e, mesmo após a passagem da depressão económica, iremos ter uma enorme dificuldade em levantar cabeça. Quando suceder não estaremos a 53 anos de distância no horizonte económico e a cerca de 117 anos de atingir a média do PIB (produto interno bruto) europeu, mas a uns bons 90 anos de distanciamento económico. Ou seja, nunca mais vamos ter condições de vida que possam ser catalogadas como padrão médio. Vamos ser pobres, intrinsecamente pobres.

28.3.09

Gripou o motor da Europa....

Para Angela Merkel, de acordo com entrevista concedida ao Financial Times, a retoma económica baseada na injecção excessiva de dinheiro não será duradoura, rejeitando por isso a hipótese de desbloquear novos fundos públicos para relançar a economia alemã.
A chanceler não tem sido brilhante no desempenho das suas funções. A Alemanha tem aparecido com políticas económicas titubeantes, quer ao nível interno, quer no seio da UE, quer mesmo a nível internacional. O peso da sua economia tem sido aplicado de forma desfocalizada, mostrando ainda enormes dificuldades derivadas do esforço de integração que promoveu.
A possibilidade de não desbloquear novos fundos pode tratar-se, independentemente das razões ou justificativas encontradas, um claro sinal de enfraquecimento da economia alemã, o que damos como certo, mas igualmente de uma má leitura económica.
A injecção de capitais na economia, por parte dos estados, implica conforme já defendemos, uma intervenção directa do estado nas instituições, passando esta intervenção por nacionalização das instituições financeiras, veículos correctos para injectarem dinheiro na economia, para além dos mecanismos de apoio às empresas, directamente defininidos e implementados pelo estado.
Também a proibição, por período prolongado, das operações de short-selling é fundamental.
As economias não recuperam porque são postas umas notícias a circular, as bolsas sobem uns poontos durante uns dias, são realizadas umas mais-valias e esse dinheiro desaparece da circulação, aplicado em ouro, cobre, zinco, diamantes, entre outas commodities.
Assim, o que se pretende averiguar é da capacidade dos estados injectarem a liquidez necessária na economia - têm ou não têm - bem como saber agir após a decisão de injectar. Mas a injecção é sempre necessária e quanto menos liquidez for injectada, maior e mais profunda a depressão.
De qualquer forma uma certeza temos: a máquina alemã está a gripar.

23.3.09



Jean-LoupSieff

Para acabar com a hipocrisia...

É interessante, muito interessante, acompanhar o comportamento bolsista nas várias partes do mundo. Hoje baixam porque há sinais de que as economias estão em profunda recessão (ou ligeira depressão, como preferirem), amanhã sobem porque as medidas governamentais ou a divulgação, pelos media, dos resultados trimestrais das instituições financeiras são entendidas como favoráveis e sinais do fim da crise. Entretanto a Suécia faz saber que vai deixar fechar a Saab (ex-libris do país), a Quimonda encerrou, a Zara deixou de vender e arrasta consigo imensos negócios, a montante e jusante, entre outros exemplos possíveis.
O desemprego continua a subir, em flecha, mesmo em Portugal onde no final do ano estará em cima dos 20%.
Entretanto a bolsa tem dias assim: felizes.
Nada tem a ver com o comportamento das economias, com os interesses sociais, com o crescimento económico desejável. Trata-se, simplesmente, da possibilidade que os governos dão a alguns investidores institucionais de recuperarem de menos-valias desastrosas (caso do capital árabe).
Os grandes depósitos (dinheiro e/ou ouro) continuam a estar sedeados na Europa e nos EUA, ou em off-shores controladas por instituições que têm sede nestas duas economias de referência.
A solução é simples e exige, essencialmente, coragem política: nacionalizem-se as grandes fortunas, deixando uma folga de 500 milhões de dólares para os seus proprietários. Sim, 500 milhões de dólares, que são mais que suficientes para se viverem várias vidas.
Parece-lhes muito ? Olhem que não (há algo que pode parecer de esquerda nesta pretensão, mas acreditem que é a direita no seu melhor): há fortunas em paraísos fiscais que ultrapassam os milhares de milhões de dólares.
Não acabem com as off-shores, não passem tanto tempo a falar deste problema, ao estilo de quem diz "acautelem-se que a gente vai fechar essa treta. Salvaguardem o que possam já"!, passem sim à acção imediata, nacionalizem o capital disperso, pertença de alguns, apliquem-no de onde ele foi tirado, da nossa economia, a real e séria.
Ofereçam cuidados primários de saúde, educação, habitação e comida.
Acabem de uma vez com o short-selling, acabem de uma vez com a hipocrisia.
Está na hora de mudar as mentalidades e os (maus) costumes. Mostrem-nos política, de verdade, devolvam-nos a confiança política, ponham-nos a discutir política.
Permitam por uma vez que o futuro dos nossos filhos seja um sopro de esperança e não de preocupação.

10.3.09

Bernard Madoff vai declarar-se culpado dos 11 crimes de que é acusado, disse o seu advogado ao Tribunal.
A sentença será a prisão perpétua.

7.3.09



PhyllisHall

Basta Pensar em Sentir

Basta pensar em sentir
Para sentir em pensar.
Meu coração faz sorrir
Meu coração a chorar.
Depois de parar de andar,
Depois de ficar e ir,
Hei de ser quem vai chegar
Para ser quem quer partir.

Viver é não conseguir.

(Fernando Pessoa)

5.3.09

Nós por cá todos bem...

A Brooks Bros., 5ª Avenida, New York, está pela primeira vez na história a fazer saldos: vende fatos marcados a $1,900.00 por $399.00.
No Reino Unido há dois mil novos desempregados por dia.
Em todo o mundo a Mapfre, seguradora espanhola, cortou os seguros de crédito a uma enorme maioria de clientes ESPANHÓIS.
Por cá a anestesia política, do governo e da oposição, faz crer aos incautos, ingénuos, distraídos e preguiçosos mentais que a crise é ligeira e que já chegou ao fim. Discutem-se lugares nas listas do Parlamento Europeu, aumentos dos euro-deputados, faz-se crer que as exportações estão a crescer, que o País está a avançar, que não há crise no sistema financeiro.
Os deuses devem estar loucos.