14.3.05

JHF (8.34 am)

Para a Compreensão da História Política Recente de Portugal na Europa (4)
Comércio e pagamentos na Organização Europeia de Cooperação Económica


Três questões assumiram particular importância:

· os pagamentos
· o comércio
· coordenação dos investimentos

As negociações relativas aos dois primeiros tiveram algum êxito no final dos anos 40. Foram abolidas várias restrições ao comércio entre os países membros da OECE e, em1950, foi estabelecido um sistema de pagamentos, a União Europeia de Pagamentos, assente num esquema de câmara de compensação.
A terceira questão nunca ultrapassou os gabinetes de estudos das comissões e a partir do início dos anos 50 começaram a surgir as primeiras divisões entre membros da OECE.

O primeiro sinal foi a constituição da CECA – RFA, Bélgica, França, Itália Luxemburgo e Países Baixos – em 1951.

A divisão da Organização Europeia de Cooperação Económica em dois blocos comerciais

Nos anos seguintes, os membros da CECA – “os seis” – prepararam a constituição da Comunidade Europeia para a Energia Atómica – CEEA ou EURATOM – e uma união aduaneira, a Comunidade Económica Europeia – CEE.

O R. Unido, sem querer afrouxar os laços económicos com os países da Comunidade Britânica, mas sem querer também ficar à margem de um processo que envolvia as outras grandes economias da OECE, promoveu a constituição de uma ZCL, abrangendo, tendencialmente, a totalidade da OECE.

A negociação envolvendo “os seis” conduziram ao Tratado de Roma de 1957.
A iniciativa britânica, fracassada, conduziu a uma nova iniciativa de construção de uma ZCL entre os outros países altamente desenvolvidos da OECE – Áustria, Dinamarca, R. Unido Noruega, Suécia e Suíça, “os outros seis” – ficando Grécia, Irlanda, Islândia, Portugal e Turquia, economias medianamente desenvolvidas, de fora. Portugal conseguiu, contudo, juntar-se aos “outros seis” – “os sete” - como signatário da Convenção de Estocolmo de 1959, que criou a Associação Europeia de Comércio Livre (AECL).

13.3.05


John Arbuckle Posted by Hello
Arte Poética

A poesia do abstracto?
Talvez.
Mas um pouco de calor,
A exaltação de cada momento,
É melhor.
Quando sopra o vento
Há um corpo na lufada;
Quando o fogo alteou
A primeira fogueira,
Apagando-se fica alguma coisa queimada.
É melhor!
Uma ideia,
Só como sangue de problema;
No mais, não,
Não me interessa.
Uma ideia
Vale como promessa,
E prometer é arquear
A grande flecha.
O flanco das coisas só sangrando me comove,
E uma pergunta é dolorida
Quando abre brecha.
Abstracto!
O abstracto é sempre redução,
Secura.
Perde;
E diante de mim o mar que se levanta é verde:
Molha e amplia.
Por isso, não:
Nem o abstracto nem o concreto
São própriamente poesia.
Poesia é outra coisa.
Poesia e abstracto, não.

(Vitorino Nemésio)

Wall Street District, 1936, New York Posted by Hello

12.3.05

JHF (3.28 pm)

O Governo tomou posse e, assim, abríu a época política.
Muito se disse e escreveu sobre a escolha de alguns dos membros deste executivo. Parece-me pertinente, neste exacto momento, voltar a referir Freitas do Amaral como a escolha mais incompreensível de J. Sócrates, atendendo, fundamentalmente, à pasta que lhe foi confiada. As razões prendem-se com as recentes posições assumidas por Freitas contra os EUA e o seu Presidente G. Bush. Sendo os EUA um aliado fundamental para Portugal num cenário de indefinição europeia, em que "aprofundamento europeu" é entendido como instrumento para catapultar alianças regionais, não se entende nem aceita que a escolha para a pasta dos Negócios Estrangeiros tenha recaído numa personalidade tão caustica e crítica - exagerada e a roçar mesmo o fanatismo - em discursos e atitudes pessoais para com a administração americana.
Ouvi "entendidos" políticos referirem que a dimensão de Freitas, enquanto político, lhe permite separar as opiniões pessoais do sentido de estado a que está obrigado enquanto ministro, na defesa e salvaguarda dos interesses nacionais. Não colhe esta posição. É fraca e demonstra pouca ou nenhuma inteligência política e muita, mesmo muita, vontade de agradar e bajular. É que a questão coloca-se ao nível da escolha. Se Freitas fosse um elemento político do PS, poderia entender-se, à luz da lógica político-partidária que fosse escolhido para a pasta dos Negócios Estrangeiros, baseado na experiência internacional, no "jeito" para a coisa pública e seu conhecimento, nas limitações a que estaria condicionado enquanto elemento político activo do partido, independentemente das suas posições pessoais. Era um raciocínio ainda assim enviezado, mas poderia colher. Mas a situação não é essa. Freitas do Amaral é um independente, que vem da democracia-cristã, e só poderá ter sido escolhido, não existindo a lógica político-partidária, pelas suas opções pessoais, pela sua visão, uma vez mais pessoal, do mundo e do fenómeno político da governação. Estamos, portanto, perante uma situação clara em que as atitudes assumidas por Freitas não podem ser escamoteadas da sua escolha, terão obrigatóriamente de ter contribuído activamente para a nomeação, nem permitir que se acredite que poderão ser omitidas por aquele na sua atitude governativa. Senão, porque razão foi Freitas escolhido e não um qualquer membro do PS? Ou, mesmo, qualquer outro português, aceitando, para justificar a capacidade bipolar de Freitas - penso de uma maneira, hajo de outra - que a nomeação de independentes para um elenco governativo não obedece às posições assumidas por esse independente, mas sim ao preenchimento de uma função governativa, que posteriormente implicará a obediência política do independente à lógica política do partido do governo?
Difícil raciocínio este. Será mais fácil pensar que a nomeação de um independente se prende com as ideias que defende para a "pasta" para que é nomeado e, que estas, são coincidentes com as ideias do chefe do governo que o nomeou. Que a política externa de Portugal se irá pautar por um anti-americanismo feroz e primário, com repercurssões negativas para o País, fácilmente entendíveis. A política externa portuguesa anda há 30 anos a ser tratada com os pés e, pelos vistos, nada irá mudar nesse sentido.
Uomo...

Gucci Posted by Hello
Donna...

Ralph Lauren Posted by Hello

11.3.05

Soneto

Acusam-me de mágoa e desalento,
como se toda a pena dos meus versos
não fosse carne vossa, homens dispersos,
e a minha dor a tua, pensamento.

Hei-de cantar-vos a beleza um dia,
quando a luz que não nego abrir o escuro
da noite que nos cerca como um muro,
e chegares a teus reinos alegria.

Entretanto, deixai que não me cale:
até que o muro fenda, a trave estale,
seja a tristeza o vinho da vingança.

A minha voz de morte é a voz da luta:
se quem confia a própria dor perscruta,
maior glória tem em ter esperança.

(Carlos de Oliveira)

William Glackens Posted by Hello

JHF (1.45 pm)

Para a Compreensão da História Política Recente de Portugal na Europa (3)
O Plano Marshall e a Organização Europeia de Cooperação Económica

Até 1947, o auxílio americano à Europa centrava-se na actuação da Administração das UNRRA, regendo-se por critérios casuísticos. Dirigia-se, assim, especialmente para as regiões mais carenciadas – Europa de Leste e Balcãs. Estes critérios levantavam duas objecções:

1. apoiavam países ocupados pela URSS e em vias de se tornarem comunistas (imediatamente a seguir à 2ªGG).
2. não garantiam criação de autonomia, necessitando assim de ajuda externa (americana) prolongada.

Por estas razões os EUA decidem adoptar uma nova política: criar uma Economic Cooperation Administration (ECA) para prestar auxílio, destinado a economias estruturadas capazmente e se comprometessem a cooperar entre si no mesmo sentido. Esta mudança foi anunciada em 5 de Junho de 1947, num discurso pronunciado em Harvard pelo Secretário de Estado George Marshall.

A oferta daquele que ficou conhecido como Plano Marshall, foi efectuada a todos os países exceptuando o governo espanhol, por ter sido auxiliado pelas potências do Eixo na guerra civil de 1936-1939.

Foi contudo aceite por apenas 16 países – Áustria, Bélgica, Dinamarca, França, R. Unido, Grécia, Irlanda, Islândia, Itália, Luxemburgo, Noruega, Países Baixos, Portugal, Suécia, Suíça e Turquia., aos quais se juntaram as zonas ocupadas por ingleses e americanos na Alemanha, que viriam a constituir posteriormente a R. F. Alemanha, bem como a zona de Trieste que viria a integrar-se na Itália.
Rejeitaram a proposta 9 países: Albânia, Bulgária, Checoslováquia, Finlândia, Hungria, Jugoslávia, Polónia, Roménia e União Soviética, bem como a zona alemã ocupada pelos soviéticos, que viria a constituir a R. D. Alemã.

Os países que aceitaram reuniram-se em Paris, na Conferência Económica Europeia, entre Julho e Setembro de 1947, donde saíu a decisão de constituir a OECE. Entretanto, 7 países que tinham rejeitado o Plano Marshall, juntamente com o território ocupado alemão pelos soviéticos, constituíram o COMECON, base de cooperação dos países com Direcção Central. Finlândia e Jugoslávia mantiveram-se à margem, tanto da OECE como do COMECON.
É de referir que Portugal tendo-se candidatado ao Plano Marshall, víu este ser-lhe recusado, na forma e substância como outros países europeus foram beneficiados, por questões meramente políticas, muito embora as razões avançadas se atessem ao facto da nossa economia ser superavitária. Foram então, argumentos económicos, que substanciaram as razões políticas para a fraquíssima ajuda recebida por Portugal. É totalmente falsa a ideia aventada durante anos, que o "ancien regime" não teria recorrido às ajudas consagradas no Plano por vontade própria.

JHF (1.36pm)

Para a Compreensão da História Política Recente de Portugal na Europa (2)
Paralelismo entre a evolução do processo de integração europeia no último ½ século e a participação de Portugal nesse processo:

1. 1947 - 1959 formação da OECE – arranque do processo
· evolução no sentido da formação de dois blocos comerciais : CE e AECL.
· Portugal acompanhou o processo integrando-se primeiro na OECE e depois na AECL

2. 1959 – 1972 gradual hegemonização do processo de integração pelas CE, resultando na secundarização da AECL. Portugal participou inicialmente na AECL e simultaneamente tentou criar uma ZCL com as províncias ultramarinas, assumindo estas linhas orientadoras estratégicas como insersoras na economia mundial. Acabou por ser forçado a negociar a sua participação nas CE ao mesmo tempo que as prov. Ultramarinas entravam em colapso.

3. 1973 – 1985 travagem no processo de integração europeia ( crise mundial ). Portugal aproximou-se gradualmente das CE, primeiro com um reforço da sua associação (1976), depois com o pedido de adesão (1977), com negociações concluídas em 1985.

4. 1986 – 1997 as CE dinamizam o aprofundamento, formalizado sucessivamente na CE e na EU, consubstanciado no processo de UE em 1993 e UM em 1999. Neste período Portugal integrou-se plenamente, tanto nas CE, como na CE e na UE.
Livro de Horas

Aqui, diante de mim,
Eu, pecador me confesso
De ser assim como sou.
Me confesso o bom e o mau
Que vão ao leme da nau
Nesta deriva em que vou.

Me confesso
Possesso
Das virtudes teologais,
Que são três.
E dos pecados mortais,
Que são sete,
Quando a terra não repete
Que são mais.

Me confesso
O dono das minhas horas.
O das facadas cegas e raivosas
E o das ternuras lúcidas e mansas.
E de ser de qualquer modo
Andanças
Do mesmo todo.

Me confesso de ser charco
E luar de charco, à mistura.
De ser a corda do arco
Que atira setas acima
E abaixo da minha altura.

Me confesso de ser tudo
Que possa nascer em mim.
De ter raízes no chão
Desta minha condição.
Me confesso de Abel e Caim.

Me confesso de ser Homem.
De ser um anjo caído
Do tal céu que Deus governa;
De ser um monstro saído
Do buraco mais fundo da caverna.

Me confesso de ser eu,
Eu, tal e qual como vim
Para dizer que sou eu
Aqui, diante de mim!

(Miguel Torga)

10.3.05


Grant Wood Posted by Hello

JHF (6.11 pm)

Para a Compreensão da História Política Recente de Portugal na Europa (1)
Portugal perante o Plano Marshall e a Organização Europeia de Cooperação Económica

Portugal tinha uma Balança de Pagamentos e situação económica muito mais favorável do que a generalidade dos países atingidos pela 2ª G Mundial. Tinha também dúvidas quanto aos efeitos práticos do plano, pensando-se que a atribuição de ajudas acabaria por voltar a ser casuística. Havia dúvidas quanto ao papel dos EUA neste segundo pós-guerra. Estes factos contribuíram para uma posição positiva mas céptica – Portugal participava na recuperação económica europeia, mas não solicitava auxílio americano. Apesar disto, foram tomadas as iniciativas necessárias para incluir Portugal na lista dos países beneficiários da ajuda americana para o 1º ano de execução do Plano, ainda que com verba nula e, de rejeitar o princípio de não aumentar para nenhum país as verbas do segundo ano de execução do Plano. Estas iniciativas foram fundamentais para vir a beneficiar de um pequeno apoio nos restantes anos de execução do Plano.
Portugal na AECL
Portugal temia, simultaneamente, o isolamento e o supranacionalismo, razões de adesão à AECL e não à CEE.

Temia o isolamento porque a sua exclusão de espaços comerciais de relacionamento preferencial, atendendo à importância quantitativa e qualitativa do comércio externo para a sua vida económica, teria repercussões graves nas exportações.

Temia o supranacionalismo, pela dependência das decisões colectivas, a que estaria obrigado a sujeitar-se mesmo que se lhes opusesse, se coabitasse com as grandes potências das Comunidades (CECA + CEEA + CEE).

Igualmente Portugal pretendia reforçar os seus laços económicos com as Províncias Ultramarinas e esse processo não se coadunava com as regras da CEE, sendo contudo compatível com as da AECL. Razões idênticas às do R. Unido.

Acresce ainda as condições especiais ao abrigo do anexo G da Convenção de Estocolmo e acordos separados com cada um dos membros da AECL, que permitiram :

· dilação do prazo de abolição das barreiras aduaneiras para 1975 – restantes membros 1970;
· em determinadas circunstâncias de arranque de novas indústrias, aumentar alguns desses direitos;
· facilidade no comércio de produtos agrícolas – de fora da ZCL na Conv. De Genebra (continua)

9.3.05


Alfred Sisley Posted by Hello
O Desejo

Um corpo há muito um desejo,
Puro e belo, aqui deitado,
Parte d´outro já amado,
Funde-se em estrepitoso beijo.

Lábios vivos envolvidos
Em beijos no corpo bem descoberto,
Soltam a cada momento, decerto,
Prazeres secretos sentidos.

A língua rola macia, ditosa,
Em pele nua e ardente,
Em toda a imensa vertente
Da carne que é bela, amorosa!

Pedaços de corpo inóspitos
Conhece-os a tentação!
A boca é o supremo órgão,
De frémitos locais insólitos.


No leito envolto em paixão,
Estendem-se dois corpos amantes.
Um no outro insinuantes
Beijando-se com sofreguidão!

(João Fernandes)

Gianpaolo Posted by Hello
A OUTRA

Amamos sempre no que temos
O que não temos quando amamos.
O barco pára, largo os remos
E, um a outro, as mãos nos damos.
A quem dou as mãos?
À Outra.

Teus beijos são de mel de boca,
São os que sempre pensei dar,
E agora é minha boca que toca
A boca que eu sonhei beijar.
De quem é a boca?
Da Outra.

Os remos já caíram na água,
O barco faz o que a água quer.
Meus braços vingam minha mágoa
No abraço que enfim podem ter.
Quem abraço?
A Outra.

Bem sei, és bela, és quem desejei...
Não deixe a vida que eu deseje
Mais que o que pode ser teu beijo
E poder ser eu que te beije.
Beijo, e em quem penso?
Na Outra.

Os remos vão perdidos já,
O barco vai não sei para onde.
Que fresco o teu sorriso está,
Ah, meu amor, e o que ele esconde!
Que é do sorriso
Da Outra?

Ah, talvez, mortos ambos nós,
Num outro rio sem lugar
Em outro barco outra vez sós
Possamos nos recomeçar,
Que talvez sejas
A Outra.

Mas não, nem onde essa paisagem
É sob eterna luz eterna
Te acharei mais que alguém na viagem
Que amei com ansiedade terna
Por ser parecida
Com a Outra.

Ah, por ora, idos remo e rumo,
Dá-me as mãos, a boca, o teu ser.
Façamos desta hora um resumo
Do que não poderemos ter.
Nesta hora, a única,
Sê a Outra.

(Fernando Pessoa)

8.3.05


Dali Posted by Hello

JHF (1.23 am)

África (4) trecho final

MEDIDAS DE SUCESSO

Para África a questão que se levanta está baseada em 2 factores fundamentais:
· Vão trocar comercialmente o QUÊ ?
· E se sim , em que CONDIÇÕES ?

A haver produção capaz de penetrar em mercados externos, esta será forçosamente ineficiente, como tal, só possível através de uma enorme protecção exercida através da aplicação de direitos aduaneiros, aplicados sobre os artigos vindos de outras partes do Mundo.

Encaramos assim uma situação típica de Desvio de Comércio.
Para o evitar aplica-se uma política proteccionista ou assiste-se a um total desvio de comércio, sem qualquer hipótese de criação de comércio.

Aliás, uma política proteccionista é absolutamente necessária quando estamos em presença de economias fracas, não produtivas e totalmente ineficientes. Esse proteccionismo deverá subsistir até que as referidas economias estejam em condições de competir com as demais, que noutros períodos históricos gozaram, elas próprias, de mecanismos proteccionistas.

A não ser feito, as dificuldades traduzem-se na perca de poder comercial nos mercados internacionais.
Quota de Mercado das Economias Africanas
Nas Exportações e Importações Mundiais ( % )

Exportações-------------- 1980----------- 1990----------- 1995------------ 1999

África----------------------4,6--------------2,3 -------------1,6 ---------------1,6
Norte África----------------2,2 ------------1,1 -------------0,7 --------------0,7
Sub-Sahariana-------------2,5 ------------1,2 -------------0,9 --------------0,9

Importações

África---------------------3,6 --------------2,4 -------------1,8 --------------1,9
Norte África --------------1,5 --------------1,2 -------------0,9 --------------0,9
Sub-Sahariana------------2,1--------------1,1 -------------0,8 --------------1,0

Verifica- se assim que as exportações africanas caíram de 4,6 % em 1980 para 1,6 % em 1999.
As importações caem igualmente de 3,6 % para 1,9 % em igual período.
Porquê? Porque a estrutura de comércio destes países não se alterou nos últimos 40 anos.

As exportações são fundamentalmente constituídas por matérias-primas.

Composição das Exportações da África Sub – Sahariana
( % do total das exportações )

----------------------1980 --------------1990 --------------1997
Crude ----------------75,6 ---------------61,3 --------------54,7
Outras M-P -----------19,7 ---------------22,8 --------------26,6
Bens Finais ------------4,0 --------------15,5 --------------18,4
Outros ----------------0,7 -----------------0,4 ---------------0,3

Média Anual de Receitas de Exportação de Mercadorias Geradas pelos 3 Principais Itens Exportados

Dados para Países membros dos PALOPS

Angola 91 %

petróleo 84% pedras preciosas 7 %

Moçambique 52 %

peixe 34 % caju 11 % algodão 7 %

S. Tomé e Príncipe 65 %

manteiga cacau 59 % copra 6 %

Dados para outros Países

Kenia 43 %

chá 25 % café 18%

Lesoto 14 % lã

Maurícias 25 % açúcar

Senegal 49 %

peixe 36 % óleos vegetais 13 %

Zimbabwe 31 % tabaco

Existem, contudo, casos de sucesso como o exemplo das Maurícias.
Ao fim de 10 anos, passaram de uma produção baseada na cana-de-açúcar e no turismo, numa zona franca industrial deslocalizada do Sudeste asiático mas ainda de mão-de –obra intensiva, para uma produção actual baseada na tecnologia e na qualificação dos recursos humanos.

A deterioração dos termos de troca acentuou-se nos últimos 20 anos induzindo um outro problema – o de garantir o financiamento necessário para o desenvolvimento do continente africano.

As dificuldades acentuam-se quando analisamos as incapacidades de existência de uma base de trocas inter-regionais e; as dificuldades de obtenção de meios de financiamento.

A quota parte do investimento mundial para África é, como se constata, hoje de – 1%.
África vai ficando casa vez mais marginalizada.

Os problemas de base, estruturais, para o desenvolvimento de África vão-se incrementando, tornando mais difícil a necessária criação de condições económicas e sociais.

O peso do mercado intra-regional tem vindo a perder importância.
Com a diminuição do peso deste mercado, a incapacidade de crescimento da economia é cada vez maior.
Temos assim uma visão pessimista da evolução da situação económica para África, à luz dos conhecimentos e conjuntura actuais.

Mas e se quisermos inverter esta visão pessimista ?
Teremos argumentação suficiente para o discurso da esperança ?
Vejamos:

1º Questões Teóricas
É absurdo analisar África e as organizações africanas à luz do quadro económico teórico ortodoxo, baseado na concorrência perfeita, custo transportes nulos, produtividade e competitividade etc..

A integração económica é importante, sendo assim igualmente importantes as políticas proteccionistas, devendo estas ser assumidas como fase importante para que os países ganhem condições para se abrirem ao comércio internacional, suportando um mínimo de custos de coesão económica.

O calendário, escrupulosamente delineado, deverá ser negociado, sob a égide do proteccionismo – se um sector se encontra em desenvolvimento, então dê-se-lhe um mínimo de 5 a 6 anos de protecção.

Os princípios de Robson e Lipsey não podem ser aplicados a estas organizações.

2º Questões Práticas
A integração económica, embora devendo ser explorada, irá continuar a debater-se com barreiras de índole política e regional.

A capacidade de inverter o retrocesso económico, permitindo taxas sustentadas de crescimento no tempo, bem como a estabilidade política ,são cada vez mais difíceis. Atente-se na Costa do Marfim, que está actualmente dividida em 4 zonas.

Os países tornam-se impraticáveis, acrescidas as ingerências externas, dificultando sobremaneira, o entendimento dentro e entre organizações.

Quais são, então, as perspectivas ?

As dificuldades derivam da incapacidade de promover o crescimento económico dentro dos diversos países. A possibilidade do tratado de Abidjan ser cumprido passa por atitudes internas e externas diferentes das actuais, para com África.
É necessário o apoio e envolvimento da comunidade internacional para que África consiga iniciar a curva de crescimento de que necessita para inverter o ciclo em que se encontra.

Portugal perdeu um "timing" precioso no seu processo de crescimento económico. Se tivesse aproveitado inteligentemente os recursos de que beneficiou, poderia estar num estágio avançado de desenvolvimento económico e, beneficiando da proximidade linguísitca e dos laços de afinidade que mantem com os PALOPS, principalmente no que se refere a Angola, Cabo Verde e São Tomé, países onde a memória da presença portuguesa é muito positiva, incrementar a sua presença, ao mesmo tempo que resolvia problemas estruturais internos. Assim não foi e, num mundo que avança inexorávelmente, assim não será. Infelizmente, repete-se, para todos nós.

Questão pertinente e à parte deste estudo: qual foi o governante que negou por duas vezes a pretensão de Cabo Verde de integrar o espaço económico português com um estatuto equivalente ao da Madeira?

7.3.05

As Ilhas

Navegámos para Oriente -

A longa costa
Era de um verde espesso e sonolento

Um ver imóvel sob nenhum vento
Até à branca praia cor de rosas
Tocada pelas águas transparentes

Então as ilhas luminosas
De um azul tão puro e tão violento
Que excedia o fulgor do firmamento
Navegado por garças milagrosas

E extinguiram-se em nós memória e tempo

(Sophia Mello Breyner)
Bom Dia...

Adolf Fenyes Posted by Hello

6.3.05

JHF (11.10 pm)

Um Governo de maioria absoluta, atípico

Quando no passado dia 20 de Fevereiro, os portugueses decidiram atribuir uma vitória clara ao PS, por maioria absoluta, decidiram-no na convicção de existirem no interior do partido soluções de militância política, em número e qualidade suficientes para constituirem um governo.
Conhecida a composição deste, verifica-se que metade do elenco governativo é "independente", palavra que parece guardar um novo sentido político. Na realidade ser independente significa não pertencer a qualquer agremiação política, não deter qualquer filiação, não viver e respirar a política, não fazer da discussão política e do comportamento político o meio de vida, o que deriva numa dúvida pertinente e a roçar a existencialidade: se os "independentes" são uma nova realidade ao nível governativo, qual o futuro papel dos partidos políticos?
Porque na realidade o voto é político, exara de um modelo de sociedade preconizado, de uma solicitação política temporáriamente ajustada, de opções mais liberais, ou mais sociais, ou mais comunitárias, enfim, de todo o ror de soluções do espectro político.
Ao verificarmos que a nomeação de metade do executivo recai sobre indivíduos sem vivência partidária, que não "respiram" política, duas questões serão pertinentes: i) o PS não tem nos seus quadros gente capaz de arrostar com a responsabilidade governativa, por incapacidade técnica e política ou; ii) o PS virou, de alguma forma, as costas à formação deste governo.
Provávelmente a resposta estará algures entre as duas questões. Défice de qualidade no PS (referido e explicado em "posts" anteriores), que parece inequívoca pela necessidade de recorrer sempre aos mesmos políticos e ex-governantes, sem que se sinta sangue novo no partido e, igualmente, dificuldade de formar governo contando com algumas das figuras gradas do Rato, o que poderia justificar o secretismo na formulação dos convites e formação do executivo (sem deixar de se aplaudir esta medida por outras razões).
De qualquer forma, a situação criada é extremamente desconfortável para todas as forças políticas, com particular destaque para o PS pela imagem de fragilidade que debita para o exterior. Até porque é importante lembrá-lo, o PS ganhou com maioria absoluta, sem necessidade, portanto, de agradar a gregos ou troianos e podendo, assim, formar um governo com figuras políticas do partido, dentro do espírito e da doutrina que advogam e no qual o País votou claramente.
Igualmente porque é mau entregar a coisa pública a tecnocratas. A política tem razão de ser e de existir. O pensamento político é antigo, a discussão política é profícua, a actuação política necessária. Aceita-se um ou dois elementos independentes, por manifesto conhecimento das pastas a tutelar e pela necessidade de introduzir competência técnica nalgumas matérias. Recusa-se o recurso em massa a independentes, por contrariar o sentido que se expressa quando se vota, por esvaziar de conteúdo a necessidade das formações políticas e por diminuir, na opinião pública, a importância da militancia política e a sua capacidade formativa ao nível das competências.
Um governo assim é um "tiro no pé" no PS e na credibilidade política. Mas poderá suceder que este seja um Primeiro Ministro a prazo, que o PS "sentado" na sua maioria absoluta venha, num futuro próximo a constituir um novo executivo, com uma nova liderança, sem necessidade para tal de eleições antecipadas, visto estar legitimado pela referida maioria. A situação actual é diametralmente oposta à do anterior executivo e poderá, quem sabe, passar por aí parte da explicação.

Arkhip-Kuinji Posted by Hello
À Noite

A noite estende-se lânguida, fria,
Convidando a pensares vagarosos,
Mesmo que pecaminosos,
Na alma quente de uma mente já vazia .

Ávida do descanso, do sossego....
Avessa ao rebuliço diário,
Ao corropio secundário
Das exigências do ego.

Agora sim, repousada,
Recomeça a pensar
Na companhia de um gin.

Música... luz ténue... sentada,
Pousa os olhos no ar,
Dá uma fumaçada
Procura, paciente, o seu fim...

(João Fernandes)
A mentira da verdade!
Proclama-se a verdade como se proclama a vida. A vida não se discute, a verdade é, bastas vezes, alegoria.
A verdade não tem dono nem é universal, mas todos a proclamam sua. Nem a científica é certa, quanto mais a pessoal.
Ser-se verdadeiro, falar verdade, só dizer a verdade, destapar a verdade; mas de quantas verdades falamos, se nós próprios aceitamos que a verdade é hoje uma e depois será outra? Onde reside a verdade? Na convicção?
Fraca compensação para acreditar na verdade. Não é a própria convicção uma verdade momentânea? Real ou forjada? Não alteramos o pensar, as ideias, os conceitos? Estaremos convictos de quê: da nossa verdade?; da dos outros?
A verdade é falsa, traiçoeira, manhosa. Em nome da verdade já se cometeram arbítrios, erros, desmandos, injustiças, todos actos justificados à luz de uma razão, de uma ideia ou crença que pareceu verdadeira.
Só uma verdade existe: a realidade da verdade contida na mentira. Só quando mentimos somos verdadeiramente sérios e verdadeiros. Paradoxal? Nem tanto! Ao mentir assumimos o engano, o próprio desiderato de mentindo, crer ser-se verdadeiro. Na indução da mentira reside a verdade dos outros e a nossa própria: porque os outros não a distinguem e para nós é absolutamente verdade termos mentido. Temos consciência da mentira e a verdade nasce da tomada de consciência absoluta de um facto. Repetimos esse facto por o considerarmos verdadeiro, defendendo-o intransigentemente. A mentira repetida torna-se uma verdade absoluta, porque nasce de um propósito, o de mentir, de uma ideia original, a própria mentira, e é transmitida tal qual foi imaginada. É totalmente verdadeira em toda a sua extensão mentirosa.
O conhecimento popular garante-o: "Quem mais jura mais mente".

4.3.05

Cosmocópula

I
Membro a pino
dia é macho
submarino
é entre coxas
teu mergulho
vício de ostras

II
O corpo é praia a boca é a nascente

e é na vulva que a areia é mais sedenta
poro a poro vou sendo o curso da água
da tua língua demasiada e lenta
dentes e unhas rebentam como pinhas
de carnívoras plantas te é meu ventre
abro-te as coxas e deixo-te crescer
duro e cheiroso como o aloendro.

(Natália Correia)
Intimidade

Quando, sorrindo, vais passando, e toda
Essa gente te mira cobiçosa,
és bela - e se te não comparo à rosa, é que a rosa,
bem vês, passou de moda...

Anda-me às vezes a cabeça à roda,
Atrás de ti tambem, flor caprichosa!
Nem pode haver, na multidão ruidosa,
Coisa mais linda, mais absurda e doida.

Mas é na intimidade e no segredo,
Quando tu coras e sorris a medo,
Que me apraz ver-te e que te adoro, flor!

E nao te quero nunca tanto (ouve isto)
Como quando por ti, por mim, por Cristo, Juras
- mentindo - que me tens amor...

(Antero de Quental)

Matisse Posted by Hello
continuação de "posts" anteriores
África (3)
As Organizações Regionais
UAM – Union of the Maghreb
Data Fundação: 1989
Estados Membros: 5
População ( 2000 ): 78 milhões
Área ( km2 ): 7 milhões
COMESA – Common Market for Eastern and Southern Africa
Data da Fundação: 1981/1994
Estados Membros: 20
População (2000): 350 milhões
Área (km2): 12 milhões
Os países do Magreb têm atingido alguns resultados, mercê de uma menor dimensão e da proximidade ao Sul da Europa, permitidindo outro tipo de relações políticas e económicas. Têm beneficiado de um constante apoio da França no seu crescimento.

A COMESA substituíu uma zona preferencial de comércio.
Após a sua formação, aumentou a influência com a entrada do Egipto, tendo-se no entanto verificado algumas “desistências”, como são os casos da Tanzânia, Moçambique e Lesoto.
Madagáscar deverá sair em breve e a Namíbia mantêm-se uma incógnita.
Mesmo nestas condições, a extensão geográfica equivale a 3 vezes a dimensão da Europa.
SADC – Southern African Development Community
Organização de cooperação regional e política.
Compreende toda a África Austral e as Maurícias.
Data Fundação: 1980
Estados Membros: 12
População ( 1995 ): 138 milhões
Área ( km2 ): 6,9 milhões
Na 2ª metade da década de 90 entraram as Seychelles e a Rép. Democrática do Congo, po razões estritamente políticas – fortes pressões de Angola.
Esta é uma organização sobre a qual se têm fundadas esperanças.
A razão subjacente à aludida esperança é sustentada no facto de a África do Sul ser membro da SADC. A comunidade internacional olha assim para esta organização, com base no motor de arranque em que se constitui aquele País.

Os interesses da África do Sul estendem-se do Zimbabwe, Lesoto e Moçambique até ao mercado angolano, onde está a penetrar com forte incidência.
Este avanço constitui um perigo real para a influência de Portugal, enquanto principal fornecedor deste mercado, tendo já ultrapassado Portugal no final de 2003.
Igualmente o investimento sul-africano em Angola está em crescendo, fundamentalmente na recuperação de unidades industriais destruídas e paralisadas. Estes investimentos envolvem todas as áreas de actividade produtiva, desde a pesca, passando pelos plásticos e terminando na saúde.
É a interligação entre a África do Sul, Angola, Moçambique e Zimbabwe que permite encarar com optimismo esta organização, do ponto de vista económico.
SACU – Southern African Customs Union
Data Fundação: 1910/1969
Estados Membros: 5
População ( 2000 ): 50 milhões
Área ( km2 ): 2,7 milhões
A SACU é uma união aduaneira, composta pela Namíbia, Botswana, Suasilândia, África do Sul e Lesoto.
A Namíbia poderá vir a sair da SACU, por motivos de receitas aduaneiras, pois 80 % do seu comércio é com a África do Sul e sendo esta membro....

Zona Monetária Comum ( CMA ), moedas ligadas ao Rand S.A.
É a união aduaneira da África Austral, criada em 1910.
Data da Fundação: 1974
Estados Membros: 4
População (2000): 48 milhões
Área (km2): 2,1 milhões

Nota a salientar: foi aceite a convertibilidade do Rand sul-africano.

Outras Organizações Africanas
Organização Centro Africana
Inclui Angola e Camarões
ECOWAS →→ CDEO
Comunidade de língua francesa, inglesa e portuguesa
CEAO
Colónias de influência francesa
Donna...

Gucci Posted by Hello
Uomo...

Gucci Posted by Hello

3.3.05


Gianpaolo Posted by Hello
A Terra

Também eu quero abrir-te e semear
Um grão de poesia no teu seio!
Anda tudo a lavrar, Tudo a enterrar centeio,
E são horas de eu pôr a germinar
A semente dos versos que granjeio.

Na seara madura de amanhã
Sem fronteiras nem dono,
Há de existir a praga da milhã,
A volúpia do sono
Da papoula vermelha e temporã,
E o alegre abandono
De uma cigarra vã.

Mas das asas que agite,
O poema que cante
Será graça e limite
Do pendão que levante
A fé que a tua força ressuscite!

Casou-nos Deus, o mito!
E cada imagem que me vem
É um gomo teu, ou um grito
Que eu apenas repito
Na melodia que o poema tem.

Terra, minha aliada
Na criação!
Seja fecunda a vessada,
Seja à tona do chão,
Nada fecundas, nada,
Que eu não fermente também de inspiração!

E por isso te rasgo de magia
E te lanço nos braços a colheita
Que hás de parir depois...
Poesia desfeita,
Fruto maduro de nós dois.

Terra, minha mulher!
Um amor é o aceno,
Outro a quentura que se quer
Dentro dum corpo nu, moreno!

A charrua das leivas não concebe
Uma bolota que não dê carvalhos;
A minha, planta orvalhos...
Água que a manhã bebe
No pudor dos atalhos.

Terra, minha canção!
Ode de pólo a pólo erguida
Pela beleza que não sabe a pão
Mas ao gosto da vida!

(Miguel Torga)
To Winter

O Winter! bar thine adamantine doors:
The north is thine; there hast thou built thy dark
Deep-founded habitation. Shake not thy roofs,
Nor bend thy pillars with thine iron car.


He hears me not, but o'er the yawning deep
Rides heavy; his storms are unchain'd; sheathed
In ribbed steel, I dare not lift mine eyes;
For he hath rear'd his sceptre o'er the world.


Lo! now the direful monster, whose skin clings
To his strong bones, strides o'er the groaning rocks:
He withers all in silence, and his hand

Unclothes the earth, and freezes up frail life.

He takes his seat upon the cliffs, the mariner
Cries in vain. Poor little wretch! that deal's
With storms; till heaven smiles, and the monster
Is driv'n yelling to his caves beneath mount Hecla.


(William Blake)
Fim de Tarde...

Alfred Sisley Posted by Hello
continuação da peça África(1) publicada em 2.Março.2005

África (2)
História da Integração Económica

O processo de integração económica, após as independências, herdou a quase totalidade das organizações de integração regional que já existiam nos tempos coloniais.

Qualquer das grandes potências coloniais, Portugal, R. Unido, França, dispunham de organizações regionais.

Em 1963 foi criada a OUA, com sede em Adisabeba, Etiópia.

Entre os vários objectivos da sua constituição destaca-se o seguinte:

· Promover a cooperação económica regional entre países africanos, de forma a permitir o seu desenvolvimento e permitir a criação de um mercado comum africano.
O desempenho das várias organizações nas décadas de 60 e 70 foi praticamente nulo. Foram alvo de utilização eminentemente político, de retórica e discussão mas sem qualquer capacidade de promover a integração.

A transformação estrutural das economias foi secundarizada pelos governos.
Não foi assumida em momento algum a necessidade de renovação das suas economias, tendo contribuído decisivamente para que no final de 1970 África estivesse economicamente ultrapassada.


Em 1980 realizou-se a primeira cimeira extraordinária da OUA – Plano de Lagos, na Nigéria.

O documento, coligindo as determinações da cimeira, afirma, a dado passo, que aquele é um 1º plano de que os Países dispunham, no sentido do desenvolvimento das suas economias num mercado cada vez mais alargado e ciente da necessidade de uma Integração Económica Regional.

O Plano apontava a integração como imprescindível, desenhando temporalmente – ano 2000 – o objectivo de constituição de um Mercado Comum Continental.

No início da década de 1990, na 20ª cimeira da OUA ( 1991), foi aprovado o tratado de Abidjan, que se debruça especificamente sobre a questão da integração da economia africana.

O Plano traçado pretendia ser cumprido em 6 etapas, a saber:

  • 1991 - 1996 reforço das comunidades existentes
  • 1996 - 2004 estabilização dos regimes fiscais no interior das várias zonas
  • 2004 - 2014 cada agrupamento tem de constituir como uma ZC
  • 2014 - 2016 coordenação e harmonização dos regimes tarifários e não tarifários
  • 2016 - 2020 cada agrupamento cria um mercado comum
  • 2020 - 2025 construção final de uma comunidade económica africana

Em 2002, a OUA foi substituída pela UA ( União Africana ).
Foi adoptado um Plano – NEPAD – que pretende assumir-se como um programa aceite por todos e, como tal, promover o envolvimento de empresariado estrangeiro, que a par dos empresários locais, ajudaria ao “take – off “da economia africana.

O NEPAD foi aprovado pelo G-8.
O NEPAD reafirma a necessidade da existência de uma integração económica.

Duas questões se colocam:

  • Qual é o ponto de partida?
  • Que integração económica existe?

Primeira constatação: existem demasiadas integrações regionais.
Ao todo são mais de 100 as organizações, havendo situações, perfeitamente legalizadas, em que um País pode pertencer a 6 ou 7 organizações simultaneamente.

Esta situação dificulta e mesmo impede qualquer pretensão de uma real integração económica.
Qualquer analista apontaria como solução a diminuição do número de organizações existentes. Porém, qualquer recomendação neste sentido, esbarra nos problemas de afirmação e liderança regionais. (continua)

Bom Dia...

Frederic Church (1826-1900) Posted by Hello

2.3.05

As profecias de Cavaco...
Notícia no telejornal da RTP1, no âmbito da visita de Cavaco a Angola: "Cavaco Silva prevê que Angola se irá tornar num dos países mais ricos de África".
O professor tem capacidades intuitivas espantosas. Só mesmo ele para prever um futuro tão risonho a um país pobre, pequeno, parco em riquezas e recursos naturais e densamente povoado.
Esperemos que a previsão profética se concretize a bem daquele pequeno país e da sua imensa mole humana.
Baseados nesta visão do professor, perguntámos ao nosso oráculo para quando, visto o professor não o ter dito. A resposta foi: nunca antes de 2050, válido para todo o continente africano.
Mais espantados ficámos. O professor consegue ver a, pelo menos, 45 anos de distância.
Sendo assim, bem que se percebem os famosos tabus: se Cavaco Silva nos dissesse tudo o que sabe, o futuro não teria piada nenhuma!

Picasso Posted by Hello
Sombras
São sombras. Na corrida diária da existência não esbarramos com elas, mas existem, estão sempre presentes, as sombras. No caminho da escola, do emprego, à hora do almoço e no regresso a casa lá estão elas, as sombras. Não as vemos mas sentimo-las. E nos sonhos, nos nossos medos, aparecem amíude. Existem mas não se vêem. E no dia seguinte, no outro, e ainda no outro. As sombras aparecem, dizem presente.
As sombras nascem das dúvidas, das incertezas, igualmente das certezas, também dos comportamentos e das incapacidades, todas estas em simultâneo, pessoais e colectivas.
Na incapacidade de alterar o "status quo"; na necessidade de adaptar e intuir comportamentalmente o sistema, com vista à própria existência; na certeza das vontades, das leis, normas e condutas com vista à mudança não dependerem de grupos identificados, de vontades colectivas; nas incertezas quanto ao futuro, nosso e dos nossos; nas dúvidas em relação aos caminhos a percorrer e a apontar.
E as sombras lá ficam, estáticas, corporizadas nos excluídos, nos famintos, nos sem-abrigo, nos diáriamente massacrados, nos que se encontram isolados num mundo super-povoado, naqueles que connosco se cruzam diáriamente, que nos fazem doer a alma e nos atormentam a mente, que mostram, cabalmente, a nossa incapacidade individual e colectiva de alterar o rumo. Assaltam-nos as sombras a memória, a mente e a alma. Evitamos os "sinais", afastamos os pensamentos em nome da sanidade fundamental, mas as sombras existem, estão lá, habitam no mesmo espaço e mostram-se, de tempos a tempos.


Cezanne Posted by Hello
Dá-se hoje início a uma série de textos que pretendem, de uma forma simples mas concisa, transmitir a realidade das economias em dois continentes distintos: África e Ásia. O primeiro, por razões sentimentais e de aproximação linguística, fará sempre parte do núcleo restrito de interesse dos empreendedores nacionais. O segundo porque é a economia da moda, a região de que se fala e de quem se espera taxas de crescimento enormes nos próximos 15 anos.
África (1)
Questões relativas ao Continente Africano, ao nível das Agregações Regionais .

África é um complexo sistema geo-político, constituído por 53 países.
Continente de enorme dimensão geográfica, é na sua maioria constituído por países que saíram de uma estrutura colonial recente muito semelhante, com actividades económicas muito viradas para o mercado interno e extremamente incipientes.

As infra-estruturas são quase inexistentes em África, bem como as comunicações, o que aliado à dimensão do continente tem colocado problemas difíceis de solucionar.

nota: se para a teoria económica ortodoxa, a assunção dos custos de transporte nulos são base do modelo, fácil será assumir que na construção de um modelo económico para regiões desenvolvidas, casos da Europa e EUA esta assunção é fácil de assumir.
Imagine-se, no reverso da medalha, a dificuldade para a aplicação da teoria em África e para a construção dos respectivos modelos.
As grandes diferenças nas estruturas económicas dos países envolvidos cria grandes dificuldades de integração económica, pois estamos em presença de um número imenso de países subdesenvolvidos e em vias de desenvolvimento.

Basta comparar o desempenho e as realidades locais dos vários países para se perceber claramente como é extremamente difícil encontrar realidades mais ou menos próximas, potenciadoras de uma integração.
A tentativa de encontrar critérios de convergência é assim tarefa quase impossível.

Quando analisados os mapas de Desempenho Económico, verificamos com facilidade os contrastes existentes, a maior ou menor capacidade de criação de riqueza por parte das Nações.
Ao nivel do desempenho económico verificam-se diferenças dramáticas em relação ao PNB, PNBpc, Tx de Crescimento Anual e Tx Média Anual de Inflação, entre países desenvolvidos como o Canadá e os EUA e países africanos como a Tunísia e a África do Sul, sendo que estes dois exemplos são benignos quando considerada a realidade do todo africano.
Problema premente em África é a incapacidade de gerar poupanças, acarretando a incapacidade de gerar investimento.

Esta situação torna a capacidade de atracção de IDE como fundamental para um processo de crescimento das economias africanas.
A capacidade de atrair IDE tem a ver, directamente, com a capacidade de garantir a segurança nos territórios, bem como a existência ou não de externalidades facilmente aproveitáveis.

É contudo de pressupor que as assimetrias tenderão a aumentar, pois que as economias mais carenciadas não têm condições de garantir níveis mínimos de produtividade dos investimentos efectuados, para não falar em ineficiências, pelo que o IDE nestes países não chega para alavancar a economia.

Para o Continente Africano a segurança – e em África leia-se paz – conduz a um crescendo de confiança dos investidores, como se verifica pela análise comportamental do IDE em Países como a África do Sul e Moçambique, que apresentam crescimentos imensos, partindo de situações “nulas”.

Também as Seychelles, na 55ª posição dos países canalizadores de recursos, se apresenta como situação perfeitamente paradigmática.
Mas as ajudas são e continuarão a ser fundamentais, pois que o pouco IDE canalizado é de todo insuficiente.
Assim, ao apresentarem sérias dificuldades para canalizar investimento directo estrangeiro, ao mesmo tempo que não conseguem aceder a financiamentos externos, estes países são forçados a contar com o apoio de países terceiros, chamados “doadores”.

Desde o início da década de 90 que se tem acentuado uma grande pressão da opinião pública no sentido de uma retracção na Ajuda Pública ao Desenvolvimento ( APD ). É difícil, muitas vezes mesmo impossível pela imperceptibilidade das razões junto da opinião pública, justificar transferências de somas avultadas para países subdesenvolvidos, por parte de economias que atravessam igualmente crises económicas e onde se discutem temas quentes como o desemprego, perca do poder de compra, necessidade de aumentar as eficiências económicas.
Em % do PNB a ajuda externa para a África do Sul é de 0,5 %, para Angola é de 9,7 %, Moçambique 27,9 %, Cabo Verde 28,9 % e S. Tomé e Príncipe cerca de 150 %.

Verifica-se assim a extrema dependência da APD para Países como Angola, Moçambique, Cabo Verde e S. Tomé. A situação assume contornos mais ou menos sérios quanto à dependência total destas ajudas, consoante as economias tenham maior, menor ou quase nenhuma capacidade de crescer a médio e longo prazo, dependendo directamente da dimensão e maior ou menor disponibilidade de recursos próprios.
Os valores demonstram cabalmente a incapacidade destes países em mobilizarem poupanças. (continua)
Bom Dia...

Alfred Sisley Posted by Hello

1.3.05

A noite chega...

Van Gogh Posted by Hello
Quero!

Quero a revolução
Quero, a igualdade
Quero, igual oportunidade,
E partilhar o meu pão!

Quero poder dar
Quero, poder receber
Quero, o todo entender,
E a razão clamar!

Quero todos iguais
Quero, pobres e ricos não
Quero, diferenças bastam
Que se mostram fatais!

Quero no amor cimentar
Quero, um mundo mais terno
Quero, sincero e fraterno,
Que possa de facto amar!

(João Fernandes)
Que...
Que os escribas escrevam de verdade.
Que as palavras brotem esfusiantes, aclamantes de uma inteligencia reconhecida no alimento da alma.
Que os escritos prendam pela positiva, pela sagacidade, capacidade de incrementar a mente.
Que os acontecimentos, os vários momentos, se sagrem a si próprios.
Que a escrita transmita humanidade, certeza, rectidão, justiça, equidade.
Que a especulação seja assumidamente fértil, criadora de ideias, de ilusões e sonhos, de certezas tão incertas quanto o pensamento deambula pelas tortuosas vielas de um espírito imaterial, num universo dialéctico.
Que a escrita se consagre como o milagre da comunicação ímpar entre iguais, todos diferentes.
Que a vida seja respeitada, a privacidade um dogma, o silêncio um direito.
Que a comunhão de sentimentos seja partilhada.
Que tudo seja puro: na alma, nos actos, nos intentos, na palavra dita e escrita.
A palavra, a escrutinadora implacável da intenção verdadeira, tem de ser bem gerida, aclamada, mas também, se necessário, omitida.
O silêncio fomentado enraíza na habilidade, na paciência, no tino e sabedoria. Enraíza na idade: das pessoas e instituições.
É um bem a preservar, o silêncio circunspecto, altivo e altaneiro, num mundo abjecto e convulso em desinformação.
É uma lição a retirar, a gestão do silêncio.
Despondency

Deixá-la ir, a ave, a quem roubaram
Ninho e filhos e tudo, sem piedade...
Que a leve o ar sem fim de soledade
Onde as asas partidas a levaram...

Deixá-la ir, a vela, que arrojaram
Os tufões pelo mar, na escuridade,
Quando a noite surgiu da imensidade,
Quando os ventos do Sul se levantaram...

Deixá-la ir, a alma lastimos,
Que perdeu fé e paz e confiança,
À morte queda, à morte silenciosa...

Deixá-la ir, a nota desprendida
Dum canto extremo...e a última esperança...
E a vida...e o amor... deixá-la ir, a vida!

(Antero de Quental)
Bom Dia...

Edward Hopper Posted by Hello
O Andaime

O tempo que eu hei sonhado
Quantos anos foi de vida!
Ah, quanto do meu passado
Foi só vida mentida
De um futuro imaginado!

Aqui à beira do rio
Sossego sem ter razão.
Este seu correr vazio
Figura, anónimo e frio,
A vida vivida em vão.

A sprança que pouco alcança!
Que desejo vale o ensejo?
E uma bola de criança
Sobe mais que a minha sprança,
Rola mais que o meu desejo.

Ondas do rio, tão leves
Que não sois ondas sequer,
Horas, dias, anos, breves
Passam - verduras ou neves
Que o mesmo sol faz morrer.

Gastei tudo que não tinha.
sou mais velho do que sou.
A ilusão, que me mantinha.
Só no palco era rainha:
Despiu-se, e o reino acabou.

Leve som das águas lentas,
Gulosas da margem ida,
Que lembranças sonolentas
De esperanças nevoentas!
Que sonhos o sonho e a vida!

Que fiz de mim? Encontrei-me
Quando estava já perdido.
Impaciente deixei-me
Como a um louco que teime
No que lhe foi desmentido.

Som morto das águas mansas
Que correm por ter que ser,
Leva não só as lembranças,
Mas as mortas esperanças -
Mortas, porque hão-de morrer.

Sou já o morto futuro.
Só um sonho me liga a mim -
O sonho atrasado e obscuro
Do que eu devera ser - muro
Do meu deserto jardim.

Ondas passadas, levai-me
Para o olvido do mar!
Ao que não serei legai-me,
Que cerquei com um andaime
A casa por fabricar.

(Fernando Pessoa)