12.9.11

Os erros do BCE

Os maus da fita, hoje, são os países que não respeitaram o défice, que gastaram o que não podiam, os que não produzem. Por tanto, terão de ser responsabilizados e pagar a factura. O primeiro a preparar-se para fazer face ao custo é a Grécia.

Mas será que todos os males são devidos a estes malandros que, ao contrário da formiga, agiram como a cigarra?
Não creio.

Por pontos: a política do BCE tem sido direccionada, unicamente, para o controle da inflação na zona euro. Na ultima reunião, onde deveria ter baixado a taxa de juro de referência, optou por a manter. Esta política de manutenção da inflação faria sentido, se acaso estivessemos em fase de crescimento económico, porque uma inflação controlada tem os seus efeitos positivos. Mas não, não estamos. Pelo contrário, vivemos tempos de recessão económica, onde a questão inflacionista não se coloca.

Esta constatação conduz-nos a outra: e se tivessemos a nossa própria moeda, o escudo?
Imagine-se o Reino Unido (RU): não concedeu espaço ao euro e manteve a Libra. Acaso se fala na dívida pública inglesa, pelo menos ao nível do que se fala e especula sobre os países da zona euro? Não. Porquê? Porque o RU pode emitir moeda através do seu Banco Central.
Dir-me-ão: cunhagem de moeda conduz a inflação. Respondo: e é grave? Nem de perto, porque em clima de recessão económica nem acredito que a cunhagem de moeda gerasse qualquer tipo de inflação que se visse.

E no espaço euro? Os países perderam a capacidade de cunhar moeda porque perderam a moeda. Quando surgiram os primeiros problemas, derivados da crise financeira internacional, o BCE virou costas aos países do euro e os países viram-se na necessidade de se financiar internamente, através das instituições financeiras locais, que por seu turno se endividaram externamente. Os países endividaram-se também externamente, por ser impossível financiarem-se só internamente, mas entretanto esgotaram o sistema financeiro local.

Onde entra o BCE (Banco Central Europeu) neste imbróglio? O papel do BCE, desde o início da crise, foi marcado pela incompetência. Porquê? Porque ao substituir-se as moedas locais por uma moeda única, os países necessitavam de um Banco Central que agisse de acordo com as necessidades das economias. Como se constata, financiar as várias economias, atempadamente, teria evitado a exaustão do sistema financeiro dos países da zona euro. Por outras palavras, sendo necessário injectar liquidez, o BCE deveria ter comprado dívida aos países, libertando as instituições financeiras locais dessa responsabilidade. Mas não o fez.

Nas duas últimas semanas começou a fazê-lo, mas tardiamente. Mesmo assim, foi criticado e travado por interesses vários e conhecidos. mas como afirmo, já o fez tardiamente, quando já se encontravam esgotadas todas as soluções.
Agora, não resta outro caminho se não continuar a alimentar as várias economias, com a espanhola e italiana à cabeça. É possível? Não creio. Por estas razões, acredito que o sistema económico, como o conhecemos, está por semanas.
Os tempos que se aproximam são uma incógnita, para a Europa e para o Mundo, mas o fim da União Europeia e do euro está próximo.

11.9.11

Hoje.....




Hoje, 11 de Setembro, para lá das memórias que fustigam as almas e horrorizam o espírito, há uma certeza: acabar com o terrorismo implica acabar, de vez, com a lavagem de capital. Por outras palavras, exige acabar com a corrupção e os negócios ilícitos.

Sair, não sair....

Sair ou não sair da zona euro.
Se a Grécia colapsar - como tudo indica - e sair da zona euro, é impensável o colapso dos bancos gregos, porque não importa se a dívida externa grega está fixada na moeda única: pura e simplesmente os gregos não vão pagar nada, durante muito tempo, e irão reestruturar essa mesma dívida. Não esquecer que terão moeda própria e poderão cunhar a quantidade necessária para financiar a sua economia. A paridade com o euro não é fundamental, como não foi para a Argentina, quando decidiu abandonar a paridade em relação ao dólar, atravessando-se à frente do que eram as recomendações do FMI.
O mesmo princípio aplica-se a qualquer um dos países do euro.

6.9.11

Não há perigo de uma NOVA recessão

O Presidente do Banco Mundial afirma que não acredita que o mundo esteja à beira de uma nova recessão. Claro que não. Não está. Os EUA não criaram um único novo posto de trabalho no mês de Agosto (mão-de-obra rural não incluída, como sempre). Em Julho tinham criado 55.000 novos postos de trabalho. Entretanto têm 14 milhões de desempregados. estes são números animadores, sem dúvida nenhuma. Não, o mundo não vai entrar numa nova recessão; o mundo está a viver a mesma recessão desde 2007. Só que a recessão está cada vez pior e, como já passaram mais de 6 meses, teoricamente já podemos falar em depressão. Mas o senhor tem razão: não há o perigo de uma NOVA recessão. Nova nunca.

11.8.11

O homem no seu melhor

Nem comunismo nem neoliberalismo. A economia mundial destruiu o comunismo e está a fazer em escombros o neoliberalismo. É a própria economia, num sistema de auto-regeneração, que se encarrega de desfazer os erros que o homem comete. Porque funciona numa óptica de deve e haver, de equilíbrios entre quem tem e nada tem, porque obedece à lei da oferta e da procura.
Em Portugal - e no mundo - a economia está a ser entendida como um dogma, quando na realidade é um instrumento de bem-estar. As finanças estão a ser encaradas como uma solução, quando na realidade são uma resultante do bem-estar.
Sem bem-estar não há economia nem há finanças, mas só um amontoado de teorias e teoréticos de gabinete, de agentes que procuram mais-valias e satisfação pessoal, especuladores e jogadores. Esta gente no seu conjunto, esmaga o sentido económico da política e esmaga, finalmente, a própria política, fazendo esta ceder a tendências totalitárias.

7.8.11

Pois.....

O Prof. Eduardo Lourenço afirmou hoje que:
"contrariamente à opinião de várias pessoas", pensa que "a saída continua a ser através da Europa".

O Prof. está radicado em Paris.

Mas disse mais: Portugal tem que resolver a crise "em casa" e depois "na casa ainda não comum, mas que se deseja comum no futuro chamada Europa". Vive radicado em França, recordo.

E acrescentou: apontou a sua aldeia como um exemplo das suas palavras: "Esta aldeia nunca viveu tão bem. Era muito mais pobre e nunca ninguém tinha recebido um tostão que viesse do Estado".

Digo eu: POIS!!!

6.8.11

Há gente que está a mais no Parlamento

Assistir a debates parlamentares (como o recente sobre o denominado orçamento rectificativo) é tarefa penosa. Ver deputados lerem, linha a linha, folhas A4 inteiras nas suas intervenções, é o mesmo que dizer ao país que, aqueles seres estranhoa aos interesses nacionais, não perfilham de qualquer opinião política válida e não têm ideias concretas sobre as matérias em discussão. Não é aceitável e são corpos a mais na Assembleia da república.
Aceitam-se as cábulas - do mal o menos - para não se perder o horizonte da intervenção. Não se aceitam discursos escritos por terceiros, ou mesmo pelos próprios, porque o significado é e será sempre o mesmo: impreparação.

5.8.11

O que os comunistas europeus não querem....

Os verdes alemães são giros: defendem tudo aquilo que a Alemanha menos quer agora, a saber: um Ministro das Finanças europeu e as Eurobonds. Não quer, pelo menos enquanto não dominar económica e politicamente toda a Europa, e esse processo vem muito longe, se algum dia chegar. Não quer também, principalmente, enquanto não medir com exactidão a dimensão da tragédia europeia e necessariamente mundial, ao nível financeiro. Por outras palavras, não quer enquanto não souber se o euro se aguenta; mas a resposta que procuram é fácil: não aguenta. E a pressão que estão a sentir dos mercados prende-se com a indefinição ao nível das verbas,que a Alemanha venha a financiar - ainda não financiou um centimo, sublinhe-se, mas a preocupação dos mercados está lá, enquanto não disserem claramente (e vão dizer) que não põem um chavo.
O problema dos verdes, contudo, é outro: têm um medo de morte que a Europa vire toda à direita, mas não uma direita liberal; a outra, a mais dura, a que é social não liberal. Daí os discursos encomendados pelo PCP do sítio e os PCP dos outros sítios todos.

e a Euribor desce, obviamente....

Pretender que o BCE iria subir a taxa de juro da zona euro e, por isso, ter subido ligeiramente a euribor, primeiro, para hoje, obviamente cair, depois de se saber que a taxa de juro do BCE ficaria inalterada, é não perceber nada de economia. Não só a taxa ficou inalterada, como será quase impossível não a fazer descer nas próximas reuniões. Porque o problema na Europa já não é a inflação, mas algo muito pior: a futura deflação (não confundir com desinflação).

Ver mal implica ver menos

As bolsas caem em todo o mundo. A preocupação pelo fraco desempenho económico mundial faz-se sentir. Entretanto, mais de 80% dos americanos, em sondagem, revelam-se insatisfeitos com os cortes orçamentais aceites por Obama, porque sabem que uma desaceleração da despesa produtiva do estado americano, em nada contribuirá para a solução dos 14 milhões de desempregados.
São realidades económicas.
Em Portugal, a cegueira política e económica leva a que se veja sempre menos do que há para ver.

4.8.11

Negócios engraçados: vende-se um jogador por 86 mil euros e pretende-se que foi vendido por 8,6 milhões de euros; diferença pouca. O valor remanescente deverá ser liquidado por uma sociedade que está, neste momento, já falida.
Milhões de treta, de facto, e muito pouca vergonha.

2.8.11

E agora EUA ?

Como vai a economia americana crescer, com a desaceleração económica actual - e a própria economia mundial - se o presidente aceitou fazer cortes extremos na despesa pública? Lá, como cá, há muita decisão económica por explicar, muito erro económico cometido, muita asneira no ar.
Será que no fim só restará a outra via de recuperação económica?

1.8.11

estado e hipocrisia

O estado não pode, os políticos não podem, de acordo com a optica neo-liberal, imiscuir-se na gestão das empresas, halas, mas pode preocupar-se com a forma como são escolhidos aqueles que são despedidos e os que ficam, nas entidades privadas. Santa hipocrisia.

31.7.11

A miopia política nacional

A venda das "Golden Share" é um mau negócio para o estado portugues: (1) porque perde capacidade de intervenção nessas empresas, fundamentais do ponto de vista da autonomia nacional; (2) porque a indecisão mundial é enorme e esta é a pior altura para perder o controle do estado sobre a economia, e as suas actividades core; (3) porque a decisão de alienar vem na pior altura, quando o país e os seus activos são cotados como "lixo"; (4) porque, como resultante, o preço de alienação será sempre muito inferior ao real valor das participações.

A falta de visão continua a ser muito aborrecida. Por vezes parece existir uma completa incapacidade de casar o "tempo" com a "oportunidade", como se um e outra não estivessem intimamente ligados.

29.7.11

Fresh Out of Bailout

Os vários bailouts, empreendidos um pouco por todo o mundo, são irrepetíveis, o que significa que o regresso a 2009 não significa regressar à mesma crise, mas a uma muito maior. Como escrevi aqui e aqui, só para citar alguns exemplos que ilustram como, infelizmente, não teria sido difícil chegar perto da verdade e encetar caminhos de regularização das economias.
Para mal geral, os neo-liberais mantiveram o seu poder de instrumentalização das políticas económicas.
Porque se pode ser liberal e defender ideias liberais: é fundamental contudo, perceber a diferença entre a pertinácia da defesa e a exequibilidade da aplicação da doutrina, conforme aos tempos.

A viagem temporal que ninguém queria fazer

A cada dia que passa, à escala global, estamos mais perto do cenário de 2009.

28.7.11

Paul Krugman e o Euro....

é.......e depois não digam que, aqueles como eu, não têm razão na análise económica do momento. Assistimos a uma enorme incompreensão dos fenómenos económicos, a roçar a incompetência grosseira.

25.7.11

Poeira....

Ao contrário do que parece ser, a verdade é que só o FMI meteu, até agora, dinheiro do primeiro pacote na Grécia (como na Irlanda e em Portugal). Também ao contrário do que parece ser, espera-se que a Grécia falhe no cumprimento dos seus objectivos. Igualmente de sentido contrário às manifestações de alegria, a redução da taxa de juro para 3,5% só se aplica aos capitais vindos do FMI/UE; os outros, captados no mercado, irão continuar em escalada. E acresce, a Alemanha não tem vontade, nem irá proceder a qualquer financiamento aos países em perigo de default. A situação permanece inalterada e as medidas correctivas as mesmas. Prolongar prazos de pagamento alivia a tesouraria, no curto prazo, mas não gera riqueza, nem garante o pagamento da dívida. Até porque as constantes idas ao mercado são feitas com maturidades inalteradas. Poeira, muita poeira.

18.7.11

Rácios Tier 1

O rácio Tier 1, de que tanto se fala nos testes de resistência da banca a prejuízos inesperados (os esperados são contabilisticamente tratados como provisões), mostram uma realidade, no mínimo, escandalosa, quando comparada com a realidade imposta a quem pretende arrancar projectos e, dirigindo-se à banca, se vê confrontado com sistemáticos pedidos de garantias e percentagens de capitais próprios mínimos elevadas (em relação ao investimento total).
Quando um banco apresenta um Rácio Tier 1 de 5,5 ou de 6,3%, o resultado representa a percentagem de capitais próprios envolvidos na operação da instituição, na medida em que os depósitos em dinheiro, nos quais se incluem os depósitos a prazo, têm peso zero no cálculo do Rácio. O mesmo é dizer, que a operação bancária está suportada em 5,5% de capitais próprios e 94,5% de capitais dos depositantes. Avalie agora cada um, como quiser, a moralidade do negócio financeiro e quem lhe garante a sua sustentabilidade; avalie igualmente quem tem tudo a perder, no caso de descalabro financeiro.

7.7.11

A moralidade que deve ser para todos....

Diz o FT (e com razão) que o downgrade retira a possibilidade das economias fragilizadas "comprarem tempo", aumentando significativamente a possibilidade de incumprimento. Não é uma questão de estarem certas ou erradas, é uma questão de exporem já, o que será uma realidade só amanhã. Mas não é isso mesmo que a banca faz com os particulares e as empresas, quando recusam crédito com base na percepção do incumprimento futuro?

6.7.11

O interesse subjacente do rating para o investidor/especulador


As agências de rating avaliam empresas. Contudo é impossível avaliar empresas e bancos sem levar em conta o clima macroeconómico e fazer previsões sobre este.
Porquê? Principalmente porque a instabilidade económica conduz a volatilidade nos resultados esperados das empresas e instituições financeiras.
Na prática falamos de três elementos macro fundamentais: (1) o crescimento da economia real; (2) inflação esperada; (3) taxas de câmbio. Em qual destes vectores de avaliação nos devemos agarrar para condenar uma avaliação negativa da nossa economia?

O 1º é negativo; o 2º joga contra nós, porque é controlado pelo BCE e o aumento de juros da taxa indicadora se é positiva para a Alemanha, é negativa para Portugal (totalmente dependente de capitais alheios), acrescido do efeito euro.
O 3º não temos, dependemos de outros.
Que há capacidade de manobrar ratings há, mas tudo depende da confiança dos investidores nas análises efectuadas, porque no fim quem conta é quem tem o dinheiro. E quando nós tínhamos dinheiro nunca criticámos os ratings e respectivas agências.
Por outro lado fica uma questão: não se avaliam mais os Estados, só as empresas. Mas a prestação de uma economia está directamente ligada à prestação das empresas, das financeiras, do consumo, da poupança, da receita fiscal. Se avaliar empresas é difícil, imagine-se avaliar empresas em ambientes económicos de volatilidade...

O anúncio de fraquíssimas prestações económicas no presente, pode alterar de forma fraca os seus activos actuais, mas afecta dramaticamente as expectativas futuras.
Quando se avaliam resultados futuros, o risco tem de ser considerado algures na análise. Se as preocupações sobre esse futuro são grandes, as taxas de desconto aplicadas sobre os resultados futuros são maiores, reduzindo assim as prestações económicas esperadas, nos estados, e os cash-flows nas empresas.

Finalizando, o dinheiro não é nosso, é de outros e esses querem uma análise que salvaguarde os seus investimentos. Depois, a moeda (a par do ouro) é sempre o instrumento de refúgio por excelência, estando sujeita a pressões especulativas. Quando se imaginam percas em euros, valoriza-se o dólar, o yen e compensa-se; outras vezes é o contrário. A moeda é um jogo de curto-prazo; a longo-prazo qualquer cotação de moeda tende para a estabilidade.
Ninguém pode criticar que, ao avaliarem-se desempenhos de empresas, bancos e países, se introduzam coeficientes de cagaço. A bolha das dotcom rebentou porque se facilitou na avaliação das acções, nas IPO (Ofertas Públicas de Aquisição, aqui na sigla original inglesa), etc..
O mundo financeiro está longe de ser perfeito e há um lado negro nas avaliações, mas por ora é o instrumento que temos de comparação e tem de servir.
Se a Europa não convence, o que leva a taxas de desconto, betas e quejandos a aumentarem, a culpa não é das agencias de rating mas da arrogancia da Europa, incapaz de olhar para si própria e perceber as suas idiossincrasias.

25.6.11

O Senhor Ministro.....

É suposto o executivo falar pouco e trabalhar muito. Bom princípio. É igualmente expectável que o executivo, com o seu trabalho, seja respeitado. Bom resultado. É desejável que as funções políticas sejam levadas a sério: um ministro no meu país tem de ser reconhecido e respeitado enquanto tal. Não quero um senhor Álvaro no governo do meu país; quero um Senhor Ministro.
Nós não vamos fazer o que a Troika afirma ter que ser feito; vamos fazer mais e depois confrontamos a Troika com os resultados. Nós não somos gregos.

23.6.11

É de todo lógico que Portugal só poderá ser considerado como um País responsável, se cumprir com os compromissos que assumiu.
É igualmente lógico, mas lamentável, que cumprindo esses compromissos Portugal mostre que não é possível a sua autonomia, por não ser possível a recuperação económica.
Tente-se cumprir de forma não desmedida e, depois, mostre-se o inevitável: a necessária reestruturação da dívida e a saída da zona euro (não esquecer que o tempo escasseia e os portugueses não são nem bombos, nem de chumbo).

21.6.11

Não poderia ter melhor início esta coligação

Ao contrário do que se pretende, esta coligação governamental começou da melhor forma.
Começar menos bem ou da pior forma seria perceber que, muito embora os eleitores não o pretendessem, estaríamos perante uma maioria absoluta do PSD.
Não foi assim que o eleitorado votou, portanto, esta coligação começou muito bem.

Não foi Deus, foi política séria

David Cameron dá graças a Deus por não estar no euro.
Enorme injustiça: Cameron deveria dar graças ao povo inglês, a Margareth Tatcher, que na devida altura soube caracterizar a União Europeia como ninguém e, com isso, mostrar ao povo inglês o "caminho das pedras" e, last but not least, o seu sucessor, John Major, que lutou politicamente, tal como aquela, contra a integração europeia da Inglaterra ao nível financeiro, social, político e económico e conseguíu condições especiais para os ingleses, na assinatura do Tratado de Maastricht, nomeadamente no que diz respeito à não adopção da moeda única e a não participação na política comum das pescas.
Tony Blair bem se esforçou por conseguir meter a Inglaterra no euro, mas o trabalho estava feito e não foi Deus que o fez mas sim políticos sérios e visionários.

[...] Na sequência do acordo estabelecido entre o Governo e a administração da empresa de telecomunicações que permitiu um encaixe de 2,8 mil milhões de euros, o Estado teria a receber uma tranche de 450 milhões de euros até 20 de Dezembro do corrente ano. E foi precisamente sobre esta tranche que o Ministério das Finanças, liderado por Teixeira dos Santos, montou uma operação financeira com a Caixa Leasing e Factoring, do grupo CGD para antecipar 300 milhões de euros. Uma verba necessária dada a emergência do Estado para fazer face ao pagamento de salários dos funcionários públicos e compromissos internacionais como o pagamento de dívida pública que vencia em Abril. [...]

Já aqui o disse: despesa no país há só uma; a do estado e a das famílias. Quando o estado consome, as famílias consomem menos. Consumindo menos, porque há menor liquidez, significa poupar menos (porque se consome todo o rendimento e, mesmo assim, não chega), o que gera menor capacidade de investimento; se adicionarmos os milhões que saem dos bancos para o estado, percebe-se a incapacidade da economia se financiar, do sufoco das empresas no mercado e da impossibilidade de aparecerem novos projectos. Não há liquidez porque o estado é sôfrego no consumo.

20.6.11

O Nobre que não o é....

Fernando Nobre não foi eleito, por duas vezes. Tinha afirmado que não ficava mas ficou.
A razão pela qual não podia ser eleito reiterou-a na decisão de ficar: fazer o que sempre fez, enquanto candidato a Presidente da Republica, depois de ter feito afirmações contra o carácter dos deputados. Não foi Presidentre antes, para o 1º cargo da Nação, como não foi agora, para a 2ª figura do estado. Mas ficou no Parlamento, com aqueles que diminuíu, e depois de ter tido um comportamento absurdo, de extrema arrogância.

A saída do euro tem de passar a Agenda Política

O Prof. João Ferreira do Amaral vem hoje, em entrevista ao Diário de Notícias, dar conta do inevitável. a saída de Portugal do euro. Dá conta de mais: a saída tem de "ser airosa" (nas suas palavras) e tem de ser feita enquanto há tempo.
Eu acrescento que é pena que só agora se esteja a ver o inevitável. A saída deveria ter sido negociada há muito tempo, mas como diz a boa sabedoria popular, mais vale tarde do que nunca.
Há, contudo, um princípio a respeitar: aproveitar o tempo, o nosso, e sair airosamente, porque como já afirmei diversas vezes, a saída é inevitável, embora seja bem diferente sair pelo nosso pé ou ser "empurrado".

14.6.11

Enquanto houver um português sem trabalho e sem pão é necessário revolucionar a Nação.

13.6.11

Ministério das Finanças: a obrigatória latitude de pensamentos

A viagem faz-se a uma velocidade considerável. Em economia o tempo é uma medida de aceleração. Quando o tempo gasto para tomar decisões ultrapassa o razoável, as decisões por melhores que sejam já não servem, porque o tempo se encarregou de alterar o cenário económico. Por várias razões de lógica pura, mas acima de tudo por esta, a nível económico é melhor uma má decisão que uma não decisão. Depois, acresce que as decisões são passíveis de emendar, rasurar e substituir. O tempo não se substitui; esgota-se.

A viagem é difícil: o próximo ministro das finanças vai precisar de encarar o que é possível, e não o que é desejável. É desejável que Portugal liquide toda a dívida que contraiu, quer a pública quer a privada. Vale, no seu somatório, 245% do PIB. É desejável mas não é possível. Como é que Portugal vai pagar de capital 2,45 vezes o que produz em todo o seu território, acrescido dos juros da dívida? Não vai. A menos que a economia cresça a 8% ao ano. É possível? Nem em sonhos. Portugal não tem condições de crescer a uma taxa destas. Nunca cresceu. Não crescendo a economia definhará inevitavelmente para todos os portugueses, que verão o seu poder de compra reduzido drasticamente, e durante muitas décadas.

As ideias feitas, os discursos supostamente sofisticados, os pareceres do politicamente correcto terão de ser arrumados na gaveta, ad aeternum. O tempo é de acção, de ideias novas e de coragem feito. A teimosia não tem lugar no horizonte nacional: a sensatez, a par da capacidade de alterar o status quo da política nacional e a forma como se encara a União Económica e Monetária será fundamental. Já não se trata de ser europeísta ou euro céptico: essas são designações e discussões guardadas para períodos de crescimento económico e países ricos. Assim como não são tempos de luxos, como a discussão em torno de políticas mais ou menos liberais: pura e simplesmente o país não se pode dar ao luxo de ser liberal. Nem se pode dar ao luxo de reivindicações sindicais descontextualizadas (e aqui cabem todas). E, por favor, não privatizem tudo a eito, porque há sectores que não podem ser privatizados. E porque o país necessitará mais que nunca, de ter ao seu alcance, activos que sirvam de colaterais.
Este país, o nosso país, está falido: quando são aos milhares os desempregados qualificados (não contando com cursos inventados a que ninguém reconhece utilidade); quando num só ano, 2010, emigram mais de trinta mil portugueses, todos mão-de-obra qualificada, o país de origem falíu. O país de origem é o nosso. Estes são indicadores pesados e que não deixam dúvidas.
É absolutamente necessário encarar de frente a realidade que nos espera, e esperar que a economia consiga cumprir não é realidade, é miríade.
Não temos qualquer hipótese de pagar o que pedimos emprestado, nem agora nem nunca.
Formar um governo onde esta linha de pensamento não caiba é coertar a sua capacidade de acção e a sua agilização, perante problemas sérios que irão estar ao virar da esquina.
O ministro das finanças precisa de ter a seu lado assessores que cubram todo o espectro do pensamento económico e defendam todas as posições possíveis; precisa de ter equipas, desde o primeiro dia, a trabalhar em todos os cenários possíveis, incluindo o cenário do incumprimento.
Portugal tem de chegar primeiro aos problemas e não sistematicamente atrasado, como a Grécia; não assumir as rédeas implica ser conduzido, mal, no nosso futuro, que se casa com o nosso destino.

A viagem, felizmente, não é feita totalmente às escuras. Felizmente a Grécia vai à frente. Um anos depois vemos em que situação se encontra este país e aquilo que vemos não nos agrada. Uma Grécia de mão estendida, conduziu o país a uma situação de bancarrota e de extrema dependência, cada vez mais longe da solução europeia. O regresso ao dracma far-se-á, obrigatoriamente, mas não no respeito do timing grego, tão só no interesse dos economicamente fortes, quando estes estiverem a coberto de qualquer surpresa, depois de estudarem aturadamente os cenários. E no dia em que chegarem à óbvia conclusão que os mercados já aceitam, com alívio, a saída da Grécia da zona euro, seguir-se-á Portugal, de forma rápida.
A isto chama-se ser empurrado. Há uma outra forma de sair: a negociada. Mas para atingir esta solução, assim que ela se mostrar necessária (na minha opinião já lá estamos), o trabalho de casa tem de estar feito. Não basta bradar que uma saída do euro seria desastrosa para o país (discurso da moda e dominante por estes dias): é necessário explicar e demonstrar porquê e esta demonstração, nestes termos, não é possível. Porque todos os caminhos mostram, à evidência, que a saída, acompanhada da obrigatória reestruturação, é mais proveitosa que ficar, até que nos chutem para fora.

3.6.11

Alavancar não é pecado...

Desalavancar uma economia alavancada é retirar-lhe a capacidade mínima de recuperação.
Nota: há sempre uma primeira geração de "não-ricos", que geram o dinheiro inicial alavancando as suas actividades, iniciais e posteriores. Com os países acontece o mesmo: ou têm riquezas naturais ou não, mas precisam de alavancar as economias, sempre, para não ficarem totalmente dependentes dos interesses externos.
Desalavancar o que está alavancado é um enorme disparate que acaba, forçosamente, mal.

31.5.11

As cartas falsas

Já vão em 4.000 as cartas passadas indevidamente pela DGV (agora IMTT).
Dizem que são falsas, mas na realidade são verdadeiras; foram passadas indevidamente, a troco de dinheiro, a quem não estava habilitado a conduzir.
Mas, no meio de mais uma história triste da nossa triste sociedade, falta informação: casar os acidentes inexplicáveis, como circular nas auto-estradas em contra-mão e outras bizarrias, com os detentores de licenças de condução compradas através de corrupção. Porque o estado foi lesto a culpar a idade, a alterar o código com novas datas para renovações de licença de condução, com juntas médicas e houve até quem sugerisse que se deveria deixar de ter carta depois dos 80 anos. Asnos, todos.
Agora, devem ser casados todos esses acidentes estranhos e outros igualmente graves, com os condutores a circularem indevida e abusivamente, para se aferir da relevância do acto criminoso, com as mortes criminosas resultantes.
É fácil arranjar desculpas e obrigar os contribuintes a gastarem tempo e dinheiro com processos burocráticos, admitindo em simultâneo uma diferença abusiva de tratamento de acordo com a idade do cidadão, como se idade fosse doença, e não procurar mais fundo, não ir ao cerne da questão: a sociedade que está podre e precisa de ser limpa.
Tem de ser tirada a limpo a relação entre os factos.

30.5.11

Já cheira a reestruturação (para já grega)....

Grécia: privatizar até 2013 e alterar condições de pagamento dos títulos de dívida grega aos credores particulares.
As privatizações já faziam parte do pacote. A novidade está na reestruturação, a que se chama alteração das condições de pagamento. Agora só falta (dêem mais algum tempo) reestruturar e reduzir o montante em dívida, em simultâneo.

27.5.11

Adorava....

Adorava saber como é que Portugal vai fazer face ao desafio da dívida pública, com taxa de juro anual média superior a 6% e crescimento negativo da economia. Adorava saber quando é que a economia portuguesa vai crescer a 3%, quanto mais a 6,8% (e mesmo assim, a 6,8%, só daria para os juros e nunca para amortizar capital).
Adorava saber em que medida estamos melhor que a Grécia, quando a troika afirma que o problema de Portugal é diferente daquele país, porque na Grécia o problema é orçamental e em Portugal é estrutural: toda a economia está alavancada, especialmente o sector financeiro.
Adorava saber como é que, seguindo o plano da troika, saímos da situação de desespero em que nos encontramos.
Adorava saber.

P.S. Já agora - e penso que não é pedir demais - gostava que não nos tratassem como analfabetos e incompetentes, mesmo sabendo que a grande maioria o é. A diferença é que assim, tratados assim, os que são nunca mais deixarão de o ser.

26.5.11

Doutores, jargões, perigos....

Perguntar se é possível os actores políticos não verem o que é por demais evidente, é uma permanente perca de tempo. Não vêem, ponto final.
O que se perfila no seu (curto) horizonte é um misto de medo e irresponsabilidade; aquele impede o discernimento e este apela à passividade.
Não encarar a realidade económica é relegar o país para secundaríssimo plano, e renegar o direito à acção. É aceitar como bom todo e qualquer instrumento de política económica, desde que venha de fora, porque permite a enorme desculpa da imposição, sem cuidar da sua validade.
O ciclo vicioso em que nos encontramos e para o qual a Europa também caminha, não aproveita a ninguém. Claro que uns (portugueses, irlandeses, gregos) acrescidos de possíveis outros (italianos e belgas) e ainda islandeses, sofrerão e muito. Mas todos os outros, sem excepção, terão de pagar o seu quinhão. Se os mercados diminuírem à velocidade da erosão económica - o que sucederá - vende-se o quê a quem? E compra-se onde e a que preço? Porque a Europa não se basta a si própria. E, depois, ainda temos o Leste, a Turquia, o Magrebe, o empobrecimento do médio-oriente e de África.
O caminho seguido pela Europa, a fixação da acção económica no aumento da carga fiscal, conduz inevitavelmente a uma perca de poder de compra, e esta perca de poder de compra espalha-se por todo o mundo, porque é o mundo em si mesmo que se vai contraindo, através da contracção das economias europeias, por via de taxas de juro baixas, que conduzem à desvalorização das moedas (no caso europeu o euro) e porque a recuperação, em parte, desta contracção económica na balança comercial, contagia negativamente todos os outros países no mundo. Por outras palavras, podemos estar a entrar num problema muito mais sério e não a sair de outro problema, já de si sério.
Creio que há muitos doutorados, cheios de jargões, que opinam muito, em muito lado, que de economia na realidade não pescam nada.

25.5.11

Vai ser necessário reestruturar

Um excerto de um artigo de opinião de Paul Krugman no New York Times, publicado hoje por um jornal nacional, afirma o evidente: Portugal não conseguirá honrar os seus compromissos.
Para ler aqui.
Nada que já não tenha sido escrito neste blogue dezenas de vezes, mas como Krugman também eu tenho a certeza que não é o bom senso que governa o mundo.

19.5.11

Falta sempre o fundamental: orgulho e noção de valor extrinseco.....

Foi uma final histórica para o futebol nacional.
Aos olhos de milhões (essencialmente europeus), ontem estava representado o país futebolístico, o país de reconhecidas capacidades técnico-tácticas, o país que tendo orçamentos baixos nos seus clubes consegue atingir patamares de excelencia. Estava representada uma capacidade de: gerar técnicos de futebol de valor mundial; organizar clubes e consolidar modelos de gestão de sucesso; utilizando parcos recursos atingir patamares elevados de valor acrescentado.
Tudo isto esteve representado. Tudo menos a capacidade de utilizar os momentos, ímpares ou não, como arma de propaganda e marketing nacional. Não ver uam bandeira portuguesa envergada por qualquer um dos elementos das duas equipas foi confrangedor, mas ainda mais confrangedor foi assistir à autorização dada pelos dirigentes para que, os seus assalariados, pagos com fundos gerados em Portugal com contratos de trabalho regidos pela lei portuguesa, usurpassem a imagem de uma final portuguesa, com bandeiras dos respectivos países.
Os clubes podem ser "sociedade de nações" no conjunto de atletas que os representam, para dentro de si mesmos, mas para o exterior os clubes representam sempre os países de onde são oriundos. Todos os seus atletas deveriam ter sido cobertos com bandeiras portuguesas, vencedores e vencidos e, assim, passar uma imagem de um Portugal presente, mesmo nos maus momentos, mas sempre presente e mostrarmos que somos os primeiros a acreditar nas nossas capacidades e a orgulharmo-nos de quem somos, de onde vimos e para onde vamos.
Existem culpas e culpados: primeiro, a tacanhez da incapacidade de percepcionar a importância do momento; segundo, a falta de visão estratégica dos dirigentes máximos dos dois clubes; terceiro, o provincianismo de que deram mostras. mas há igualmente responsabilidades da Federação Portuguesa de Futebol (FPF), por não antecipar a importância do momento e não contribuir para a exaltação da imagem nacional, por excelência, a nossa bandeira. Por último, a enorme falta de sentido de estado do Secretário de Estado do Desporto, por não antecipar as enormes vantagens de projectar, em momento tão difícil para Portugal, a imagem do país e, conjuntamente com a FPF e os clubes, terem transformado a final da Liga Europa numa enorme mancha das cores nacionais.
Por estas e por outras é que perdemos a American Cup para Valencia (Espanha) e agora a Ryder Cup para a França. Porque tudo o que fazemos é feito "em cima do joelho" e não há chama, chispa, brio nacional.
Imaginem esta final entre clubes espanhóis..........pois......

12.5.11

O pior Chiado numa abandonada Av. da Liberdade...ou a machadada final...

Av. da Liberdade, Lisboa.
Passear na Avenida da Liberdade é um suplício. Os lojistas têm-se multiplicado em abrir espaços amplos, cuidados, mono-marca e o local da cidade que estaria obrigado a ser um passeio público de qualidade, perde-se nos arrumadores-moedinhas, na miséria de quem tem de esmolar, naqueles que por lá vagueiam sem que ninguém se interesse pelo seu modo de vida: o que fazem, como passam o tempo, o que procuram. Além disto, também a Avenida da Liberdade é um coio de lixo: as obras constantes, a irresponsabilidade dos construtores/remodeladores, a ausência de fiscalização, fazem com que a artéria tenha um aspecto medonho, de dia; imagine-se então de noite. Por um conjunto de razões, Lisboa é uma cidade deserta nos seus passeios, quer durante a semana, quer ao fim-de-semana: a qualquer hora.
Agora acenam-se com quiosques, que irão também ter DJ´s, o que significa música aos berros, sem qualquer utilidade, a não ser transformar a Avenida da Liberdade na miséria em que Santana Lopes transformou o Chiado, quando lá enfiou uns horrorosos altifalantes ( e viu-se a "fauna" que passou a habitar o Chiado).
falo de um espaço fantástico da Cidade de Lisboa, o que percorre toda a zona ribeirinha, entra pelo Chiado ou pela Baixa, sobe até ao Camões e Largo do Rato, ou até ao Parque Eduardo VII. Mancha imensa da Cidade, linda mas muito mal tratada pela edilidade.
Uma vez mais fica provado que nada se faz de forma pensada; tudo obedece a repentismos, a dinâmicas difíceis de compreender. Erros sobre erros.
Pergunto-me: os lojistas que têm investido forte na Av. da Liberdade, estarão na disposição de pagar este custo ( o de puxar para o espaço o seu anti-cliente) acrescido ao custo da crise?
Só faltam as farturas (espero que o sexto quiosque, a abrir mais tarde, lhes seja consagrado), porque minis vazias e pedaços de tudo no chão, gente com calças pelo meio do rabo e muita algazarra, já estão prometidos.

E saem umas taxas para o país do canto....

Financiar fundos a uma taxa perto dos 6% é suicídio.
Os montantes acordados e, supostamente, mutuados até 2013, substituirão outros, que foram negociados na sua maturidade a taxas muito inferiores, abaixo de metade das taxas agora acordadas ou, na pior das hipóteses a 3%.
Substituir empréstimos a 6% para pagar empréstimos captados a 3%, empurra a taxa média actual, de cerca de 4,8%, para uma taxa média perto dos 7,4%.
A nossa economia precisa de ritmos de crescimento impossíveis de alcançar no curto prazo.
O futuro reserva enormes dificuldades para cumprir o serviço da dívida, admitindo a possibilidade de reestruturar a dívida externa. E, pasme-se, a exigência destas taxas manifestamente elevadas, vem da solidariedade europeia e não do FMI. Apetece perguntar: é esta a ante-câmara para a saída do euro? Apontada pelos nossos solidários parceiros europeus? É a leitura possível, no momento.

28.4.11

Problemas de vista....

"O "Financial Times" publica hoje uma carta de protesto de Ricardo Reis e de Luís Garicano, dois conhecidos professores de Economia, contra a exigência da UE e do FMI de um acordo pan-partidário, antes de eleições, em torno do plano de ajuda externa".
Retirado de negócios online.

Quando escrevi sobre o Voto Inútil, tinha as mesmíssimas razões que são agora aventadas por dois ilustres economistas.
O que mais fere neste nosso país é a miopia, o estrabismo e a ausência de lucidez que se instalou.

25.4.11

A inevitabilidade da Moratória

Podem políticos e economistas enfeudados a partidos políticos, afirmar que Portugal não pode pedir a reestruturação da dívida soberana, porque as pessoas de bem - o estado português no caso - pagam as sua dívidas atempadamente. Mesmo que para esse cumprimento se tenha de pedir dinheiro emprestado; mesmo que quem empresta saiba, com toda a certeza, que sem empréstimo o incumprimento é certo - com esta certeza, quem empresta manda de facto e é o único que manda.
Depois, o que se verifica é que a economia é estrangulada com as exigências de quem empresta, cuja preocupação é recuperar o dinheiro emprestado, acrescido dos juros devidos, sem qualquer preocupação de crescimento económico do devedor. Mais tarde, o destino, com empréstimo, é o mesmo que sem empréstimo: o devedor tem de assumir a impossibilidade de cumprir o serviço da dívida, como bem nos mostra a Grécia. Moratórias, reescalonamento da dívida e todas as manobras financeiras possíveis, são colocadas então em prática. Para quê, pergunta-se; nessas condições já o estado parece uma pessoa de bem? Porque primeiro fingíu tentar cumprir, sabendo dessa impossibilidade, e só depois assume que não pode? É uma vez mais só uma questão de mera hipocrisia?
Bom, é que no fim a conclusão é óbvia: estamos todos fartos de mentiras e hipocrisias. Se é por estas razões não vale a pena estarmos a estragar, ainda mais, o cenário.
Portugal está a ser escrutinado, exposto, mal tratado, situações que viveria se assumisse que não podia pagar, por agora. Vive estas situações e sujeita-se a medidas económicas que só o enfraquecem, por não fazer o óbvio, afirmar o inevitável: não pode pagar, não tem condições para honrar as dívidas. Mas, ao contrário do que "doutas" figuras afirmam, Portugal não é o incumpridor: quem incumpre é a classe política que, há 37 anos, expolia Portugal. São os nomes dos incumpridores que se sujeitam à má fama, nunca um país com quase 900 anos de História, nem o seu povo.

19.4.11

O voto inútil....

É interessante acompanhar estes últimos tempos da III República. Temos um conjunto alargado de figuras públicas, incluindo políticos, numa acção deliberada de conseguir, a saber:

(1) Um compromisso nacional entre partidos e instituições, tendo em conta a «credibilidade externa», e uma «maioria [parlamentar] inequívoca», com a intenção de responder à crise;

(2) Segundo os subscritores, esta é uma crise iniciada nos Estados Unidos em 2009 e «a maior recessão global dos últimos 80 anos»: nada de nacional, portanto;

(3) Apelar a «um compromisso entre o Presidente da República, o Governo e os principais partidos, para garantir a capacidade de um plano de acção imediata, que permita assegurar a credibilidade externa e o regular funcionamento da economia»;

(4) Um compromisso para ser alcançado antes das próximas eleições, marcadas para 5 de Junho, segundo os subscritores desta genial ideia.

Por outras palavras, mesmo antes das eleições de 5 de Junho próximo, tudo deverá estar combinado, acertado, assinado, preparado para ser implementado. Por outras palavras, é um bloco central alargado, que inclui os principais partidos políticos, empresários, políticos que desempenham e desempenharam as mais altas funções de Estado, etc.,etc..

O que se pretende é a manutenção do status quo e a sua salvaguarda.
Pergunta-se: se tudo está acertado e negociado para quê eleições?
Mas pergunta-se mais: se o que se pretende é definir o rumo de Portugal, fora e para além da vontade dos votantes, porque razão essa definição é feita pelos mesmos que destruíram a Nação?
Se a democracia é um mito em Portugal e a liberdade de decisão política, através do voto, se transforma numa utopia, porque razão querem ser os mesmos que destruíram, a impor a sua vontade à Nação?
Nestas circunstancias, não tenho qualquer dúvida que prefiro outras gentes, mais capazes e que não estejam sujas pela bancarrota nacional, pelos interesses políticos, pelos favores pessoais e de classe.
A táctica, objectivamente, parece ser a de tirar este "cavalo da chuva" mantendo os cavaleiros, colocando outro "cavalo à chuva" e mantendo o poder. Mas se o poder já não se consagra pelo voto mas por acordos palacianos, melhor será para Portugal que se confirme um outro poder, mais capaz, menos volátil a interesses pessoais, mais nacional e patriótico. E, se acaso, se assume que o voto, por si só, já não resolve nada, acresce a razão para a mudança de protagonistas políticos, porque os actuais contribuíram, decisivamente, para a erosão desse voto, agora considerado inútil.

15.4.11

Interesses privados, opiniões públicas

É natural e normal que o Eng.º Belmiro de Azevedo não vislumbre, sequer, a hipótese de Portugal sair da zona euro.
Muito embora essa decisão passe pela nossa vontade, mas passe igualmente pela vontade só de terceiros, a verdade é que, com a engenharia financeira da Sonae, que passa, também, pelo financiamento externo directo, uma desvalorização do escudo seria problemática, porque a Sonae assenta o grosso da facturação nos serviços e não na indústria.
Percebe-se a posição e respeita-se, mas é uma posição pessoal, fruto de uma estratégia empresarial, e as estratégias empresariais privadas nem sempre são coincidentes com os interesses nacionais. Mas, uma vez mais, todos os problemas têm uma solução, quando existe a capacidade técnica necessária, enaltecida em terceiros, pelo Engº Belmiro de Azevedo.

Recessio, onis .....

Pretender que a Alemanha está disponível para ajudar financeiramente Portugal, a Grécia e a Irlanda, para além do que já foi concedido a estes dois países, é não estar a entender o tabuleiro europeu onde se está a jogar.
Umas vezes através da Áustria, outras da Holanda, da Polónia ou da Finlândia e, mesmo de mote próprio, a Alemanha tem dado sinal do seu descontentamento em disponibilizar fundos para aquelas economias. Quando falo em Alemanha, falo nos alemães, todos, que têm infligido pesadas derrotas à Srª Merkel.
Para a generalidade dos alemães a questão é simples: ou estes países saem do euro, ou se o discurso bate constantemente na estabilização da zona euro, saem eles alemães. A resultante é igual: sem Alemanha não há euro.
Só esta constatação é evidente de que, para o mal, vivemos numa zona euro-marco.
Para o mal porque as economias nada têm a ver umas com as outras, estão em patamares opostos de crescimento económico e só pode ser nefasta a teimosia de manutenção na zona euro, para países como Portugal.
De uma forma ou outra, o euro é já uma miragem, como é uma miragem a recuperação económica de Portugal, durante toda uma geração, se a política económica se mantiver, teimosamente, como está.
O FMI já avançou com datas: vai ficar por cá pelo menos dez anos.
Dez anos de recessão é obra.
Recessão: do lat. "recessio, onis" e designa a acção de recuar.

14.4.11

O Desígnio, o caminho, a solução....

As questões de performance económica prendem-se, na totalidade, com decisões políticas. Por outras palavras, a vontade política define, na totalidade, a capacidade económica de um país ou região. Sendo a premissa verdadeira, convenhamos que o conhecimento económico, por parte da classe política, é fundamental.
Mais ainda: a capacidade de antecipar cenários económicos e financeiros é determinante para a acção política. Existindo aquela, esta corre bem, caso contrário a conclusão é óbvia. Não entra na equação o que não pode entrar: roubo e corrupção. O resto entra, sobressaindo a competência ou incompetência no mencionado resto.
Na difícil situação em que Portugal se encontra - recordemos que Portugal são os portugueses - não é nada fácil, para não dizer impossível, imaginar milhões de concidadãos passarem uma enorme tormenta, na forma de vidas desfeitas, de frustrações vincadamente sociais, pessoais e familiares. Apetece gritar muito alto "Porquê", mas a resposta seria invariavelmente um enorme silêncio para algumas questões, sendo para outras o desfiar de um rol de recriminações , de todos conhecidas.
Estamos na situação que, para mim, é a melhor: eu, que me habituei a encetar algumas recuperações financeiras de vulto, garantindo a estabilidade empresarial de instituições e a manutenção de centenas de postos de trabalho, gosto do "capital de mudança", das inevitabilidades, dos constrangimentos na acção, das tesourarias "a vermelho", algumas entre outras certezas com que sou sempre confrontado, quando assumo responsabilidades de gestão de topo. E gosto, perante todas essas certezas e inevitabilidades, de vencer paradigmas.
Portugal está numa situação em que precisa de se reinventar: de alterar o paradigma.
Sei, como a maioria de nós sabe, quais os problemas que nos afligem; esse conhecer faz parte da análise preliminar. Depois, começa-se de imediato a trabalhar nas soluções; soluções porque nunca existe uma única solução, também porque os problemas, mesmo que pareçam idênticos, exigem sempre tratamento diferente. Ao nível económico e financeiro não existem duas "gripes" iguais.
É este desafio, o desafio da solução, que é empolgante, que galvaniza, que define o líder e conduz as massas, porque estas acreditam nas soluções, porque os fizeram acreditar que existe uma solução. A situação exige uma liderança forte, um objectivo claro traçado e uma enorme capacidade de argumentação, negociação, execução e assertividade. Doa a quem doer.
Não é uma gestão para agradar; é uma gestão para resolver.
Portugal tem, no momento presente, uma enorme questão a resolver: devolver a dignidade e condições de vida à sua população.
Toda a governação tem de se inclinar sobre este desígnio maior. Dele, nascem todos os outros objectivos, fixados claramente, mas desígnio só pode existir um e só existe um, o que foi mencionado.
Atingi-lo exige coragem, determinação e saber. Mas exige, muito principalmente, arrastar todo o país no desígnio nacional, no desígnio que todos, sem excepção, reconhecem como o único possível, o único pelo qual valem todos os sacrifícios. Mas não se pode pedir à população, já em enorme sacrifício, que se habitue à ideia que vai ter de fazer (durante quatro anos, para os optimistas, sete anos para os políticos, ou vinte anos para os mais habituados a fazer contas), sacrifícios ainda maiores. Não pode porque a população não aguenta, porque ninguém pode viver "eternamente" com o credo na boca, porque uma coisa é não poder comprar um carro ou fazer uma viagem e outra, bem diferente, é não ter como pagar os estudos dos filhos e mesmo não ter o que comer. E, contudo, as soluções existem.
Existindo, chega de carpir mágoas, esconder a ineficiência em discursos de retórica, de ataques e contra-ataques, de "diz que disse". A hora é de começar a trabalhar, com o desígnio traçado, os objectivos de curto-prazo fixados e os de médio e longo-prazos ajustados, sistematicamente ajustados.
Tenho escrito sobre o trilho inicial, aquele que tem de ser encetado e dará origem ao restante percurso. O primeiro é a direito; o outro sofrerá ajustamentos obrigatórios de rota. Conheço a concepção primeira do percurso, porque conheço o trilho. Existindo coragem, só exigirá muito trabalho.
Como será expectável, não é possível descrever todo o caminho a percorrer e os resultados esperados, num espaço como este; veja-se este escrito, que já tem léguas.
Mas recorro a exemplos: há uma enorme quantidade de negócios, de indústrias, que não têm qualquer viabilidade económica no Portugal de hoje. Há, igualmente, uma agricultura que não tem saída e umas pescas que estão moribundas. Razões fundamentais: a dimensão nacional é pequena para lutar contra enormes corporações, com enorme capacidade e eficiência produtiva, seja na agricultura e pescas, seja na indústria. Seria impossível, no Portugal de hoje, recriar um grupo químico da dimensão da CUF, uns estaleiros da dimensão da Lisnave ou uma siderurgia da dimensão da SN. Porque é mais barato comprar fora do que produzir internamente, porque não há capacidade de alavancagem financeira de indústrias que consomem enormes recursos financeiros e não porque se tenha perdido conhecimento científico e técnico.
Imagine-se agora, numa escala mais pequena, outras indústrias: embalagens de cartão, por exemplo. Como é possível investir em Portugal, criar postos de trabalho e produzir embalamento para o leite e os sumos, quando somos confrontados com a Tetra Pak? Não é; o investimento está condenado. Todos nos lembraremos agora de negócios e falo de negócios não especulação, sobre os quais já nos debruçámos e chegámos sempre à mesma conclusão: em Portugal não dá: o mercado é pequeno, não elástico e a concorrência feroz.
Imagine-se agora um Portugal diferente, dono da sua moeda, desvalorizada face ao euro, a necessitar de consumir e a ter de pagar preços incomportáveis para o consumidor interno: valerá de novo o investimento nas embalagens de cartão para embalamento (mero exemplo), porque a Tetra Pak já não conseguirá responder ao anseio de preços do seu consumidor, que tem de responder perante o consumidor final interno. E outros negócios, outras indústrias, outras agriculturas e outras pescas se lhe seguirão. O consumo interno cresce, com uma mão-de-obra desvalorizada externamente em 25%, o emprego cresce, as importações são fruto do crescimento do rendimento agregado nacional e, last but not least, as exportações são competitivas, levando a economias de escala, ou seja, a prover o mercado nacional a menores custos e a atacar com força no mercado internacional.
Elementos comuns à estratégia: recurso ao escudo abandonando o euro; utilização do instrumento cambial; cunhagem de moeda; injecção de liquidez na economia; proteger o made in Portugal; reestruturação do sector primário e secundário da economia; reutilização dos recursos humanos do sector terciário nos sectores mencionados anteriormente, incluindo e facilitando a necessária redução de efectivos no estado.
Esta é a solução que defendo e preconizo para Portugal. Este é o trilho que nos conduzirá ao desígnio. Este é o caminho mais curto para a felicidade.

13.4.11

os europeus e os portugueses.....

Curioso, muito curioso: quando se fala dos problemas que se vivem em Portugal, os políticos teimam em afirmar que os problemas são dos portugueses, que quem vai viver pior são os portugueses, que quem vai sofrer com a austeridade são os portugueses. E têm razão: não só os nossos políticos não vão sofrer nada, como de portugueses têm muito pouco ou nada: são todos europeus, seja isso o que for.

10.4.11

Algumas posições que assumo podem ser, com facilidade, confundidas com a esquerda; já anteriormente o tinha escrito.
Que fique também claro que a dicotomia esquerda/direita, tendo perdido em tempos o seu sentido, faz hoje mais sentido que antes. De assinalar, igualmente, que cansaço da classe política e de políticos, não pode significar afastamento e/ou repúdio pelas ideias políticas e acção política: política é, basicamente, ciencia social ancorada em conhecimento e pensamento filosófico.
Por isso me arrogo o direito de me situar no quadrante político da direita, social não liberal. Por isso, algumas das ideias que perfilho possam ser identificadas com a esquerda e me possa identificar com a esquerda nalgumas posições. Mas uma coisa é ser, outra é concordar pontualmente.

7.4.11

O que as contas mostram....

Por partes: qualquer política imposta pelo FMI em Portugal é destrutiva, porque não existe o mecanismo da desvalorização cambial.
Realidades: não sabemos quais são, mas podemos fazer uma ideia (por baixo), a saber:
(vamos trabalhar com números redondos)
(1) Dívida pública soberana= 92% do PIB
(2) Dívida das empresas públicas= 25% do PIB
(3) Dívida com PPP (Parceria público-Privadas)= 30% do PIB

Tudo somado, temos uma dívida, por baixo (não esquecer a "proibição de auditar as contas públicas), de 147% do PIB nacional, o mesmo é dizer, 250 mil milhões de euros. Mas não nos ficamos por aqui: há uma verba mais a acrescer às anteriores: refiro-me à dívida das famílias e empresas, constituída junto da banca nacional, através de financiamentos desta obtidos externamente: este valor é equivalente a 70% do PIB.
Creio que em termos de dívida estamos conversados.
Posto isto, ressalta a pergunta fundamental: a austeridade na despesa pública é fundamental, mas a diminuição da despesa por parte das empresas e das famílias, em função da degradação da capacidade de crédito e diminuição de rendimentos, só irá piorar a situação. Não há solução à vista, dentro dos contornos de qualquer intervenção externa, a que malabaristicamente se chama "ajuda", mas que é de facto uma total ingerência e perca de soberania.
Vale então a pena clamar por esta acintosa ajuda? É óbvio que não.
Os valores que estão na mesa são tão elevados que, das duas uma, ou crescemos e pagamos, ou quem nos emprestou afunda-se nos ratings, connosco. Porque vai ter de dizer que não consegue receber, porque tem de provisionar, porque os rácios baixam, porque a economia começa a sofrer e os cidadãos desses países irão penalizar os respectivos políticos. Mas quem deve dorme descansado; já disse que não podia pagar, nas condições definidas: já nada lhe pode retirar o sono.
Resta ao credor aceitar moratórias, reescalonar a dívida e baixar os juros. O devdor ganha tempo, fôlego, para recuperar economicamente, encetar o tão desejado pagamento e começar a liquidar o que deve.
Para atingir este patamar é fundamental existir o instrumento monetário: regresso ao escudo e abandono do euro.
Ouço as vozes dissonantes: catástrofe; deixar o euro equivale a desvalorizar o escudo em 25%. Pergunto: se devo 250% do PIB ao exterior e essa dívida aumentar em 25%, que mal vem ao país agora? Resposta: nenhum, porque nada é para pagar agora. Depois, com o crescimento económico e o início dos pagamentos, a moeda começa a valorizar, a desvalorização inicial a esfumar-se. Entretanto foi possível cunhar moeda, baseada nas reservas de ouro (que então exerceriam o seu verdadeiro papel), aumentar a produtividade, incrementar o consumo interno, porque o ajustamento dos salários nominais ao escudo seria automático e, ao mesmo tempo, com uma moeda fraca, aumentar exponencialmente as exportações, tornando o país apetecível para o investimento.
Alguma coisa de mal nesta solução: nada, a não ser a falta de coragem, único óbice para que estas políticas sejam postas a funcionar.
E deixem que vos diga: não quero nem saber da Comissão Europeia, dos parceiros europeus, da Senhora Merkel ou do seu mais fiel aliado. Emprestaram e nós torrámos o dinheiro, paciência. Agora há que mudar de vida, mas essa mudança não significa nem miséria, nem perca de soberania, nem sequer subserviência à Alemanha. NUNCA.

6.4.11

Ao entrarmos na CEE cometemos um erro dramático.
Ao entrarmos no euro enterrámos a nossa independencia.
Agora, assumimos no papel e nas intenções a vontade de submissão.
A monumentalidade da dependencia deste país é enorme, perto da monumentalidade de que, supostamente, se sofreria por deixar cair o euro e renegociar a dívida.
Tem de haver outro caminho que não este: não há outro caminho com estas políticas, só com outras.
Temos de mudar as políticas, assumir os riscos, ganhar coragem e recuperar a soberania, a economia, a confiança, o país.
Em 2008 propus uma medida que me parece ser, cada vez mais, fundamental: uma moratória no pagamento das prestações das casas, juros incluídos, até ao final do ano, para todas as famílias, independentemente do rendimento. Esta medida permitiria a libertação de verbas, nuns casos, ou aliviar a pesadíssima carga de encargos, nos outros, alimentando também alguma satisfação e alívio social, ou por outras palavras, uma maior alegria e crença no futuro: trata-se de dar tempo às famílias. Os bancos não receberiam esses valores directamente, mas o aumento do consumo de outros produtos, ou da poupança, iria permitir um equilíbrio final no entra/sai monetário das tesourarias bancárias. A moratória não poderia significar qualquer penalização, ou aumento de encargos.
De qualquer das formas, mesmo sem moratória, um em cada três portugueses já não tem como satisfazer os seus compromissos, ou seja, os bancos já não estão a receber, mas a pressão social é imensa.


5.4.11

Se o FMI entrar, teremos 20 anos de miséria pela frente

Aquilo que peço ao leitor hoje é paciência.
Paciência para seguir as linhas, percorrer o raciocínio, dobrar as esquinas das palavras e entrar no labirinto das leituras entrelinhadas, dos raciocínios lógicos, ultrapassar, em suma, as premissas dos discursos oficiais e as ideias preconcebidas.
O que prometo no fim, é uma maior clarificação do que está hoje em causa em Portugal, para os portugueses e o seu futuro.

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Na crise dos mercados asiáticos, o Fundo Monetário Internacional (FMI) foi chamado a intervir. Dessa intervenção resultou a criação de enormes reservas de liquidez nesses países, por imposição das medidas económicas traçadas pelo FMI.
As reservas de que falamos serviram, mais tarde, como num sistema de vasos comunicantes, para fluírem das economias asiáticas, superavitárias, para os Estados Unidos e a Europa, deficitários; as ligações fortíssimas entre instituições financeiras, os novos instrumentos financeiros, os juros baixos, o boom no crescimento de preços dos activos derivado da facilidade de acesso ao crédito fizeram o resto: a maior crise económica e financeira de que há memória.
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O FMI alega hoje que faltou regulação, acima de tudo, depois de ter contribuído para os excedentes de liquidez dos países asiáticos: do outro lado da barricada, estão aqueles como eu que defendem que os desequilíbrios entre economias foram o rastilho, que proporcionou a crise financeira.
O FMI defende, hoje, a criação de mecanismos de regulação, não das instituições mas da própria actividade, independentemente do nome das instituições, bancos, edge funds, private equities.
Infelizmente e uma vez mais, há como que uma enorme incongruência no que o FMI pretende e tem vindo a apresentar nas reuniões do G20, e a realidade da acção quotidiana.
A questão não é de regulação por si só mas, acima de tudo, tentar adivinhar de que forma os banqueiros e para-banqueiros irão conseguir iludir aos instrumentos regulatórios, sejam eles quais forem. Parece que a solução agora proposta teria impedido a crise que se vive, mas não há como ter a certeza se evitará outra qualquer crise futura, de contornos diferentes. No fundo é o velho ditado: "depois de casa assaltada [....]. Este é o princípio que rege o funcionamento do FMI: medidas retardadas para problemas presentes, com enormes repercussões futuras.
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No fim do dia fica a moral: quando o FMI entra, alguma coisa sai prejudicada.
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Fala-se agora, mais do que nunca, numa necessária entrada do FMI em cena, em Portugal.
O problema que se pretende resolver é o da falta de capacidade de solvência nacional, por outras palavras, da capacidade de pagar os seus compromissos para com terceiros. Para efectuar estes pagamentos, Portugal precisa de se endividar ainda mais, num lado, para poder pagar dívida, no outro. Ao mesmo tempo necessita de reduzir o défice público, como forma de reduzir drasticamente a despesa do estado; falamos da despesa não produtiva.
Só assim será possível ir reduzindo o défice público anual e a consequente necessidade de empréstimos. Mas uma pergunta salta à vista: estando-se a pagar com dinheiro que se pede emprestado, acaso a economia nacional não aumente a produtividade, como se irá pagar o que agora se pede?

Porque o FMI irá fornecer fundos para Portugal efectuar pagamentos unilaterais, sendo claro e certo que os custos associados à entrada de capitais e gestão do FMI em Portugal, ultrapassa em muito os benefícios esperados. Não entram recursos na economia portuguesa; entram capitais para entregar a terceiros que esperam pelos seus pagamentos.
As razões, apontadas pelo FMI, que justificam a crise portuguesa: despesa pública descontrolada, alavancagem exagerada de particulares e empresas e política fiscal desadequada. Recomendações: austeridade na despesa, redução dos rendimentos das famílias, restrições no acesso ao crédito de famílias e empresas e aumento da carga fiscal, directa e indirecta.
Estas medidas têm uma leitura imediata e um nome claro: recessão e, posteriormente, depressão (passa-se muito rapidamente de um estado ao outro).
É de esperar uma queda de 10% no Produto Interno Bruto (PIB) nos primeiros 18 meses de medidas do pacote FMI. Esta é uma situação de depressão profunda e clara. Ademais, surge um problema: mesmo com um controle desmedido sobre a despesa pública, esta tenderá a subir, pelo agravamento dos juros da dívida soberana. Por outro lado, a recessão / depressão, conduzirão a uma crescente diminuição da receita do estado, pelo que a redução da despesa pública (sem juros da dívida) não será tão impactante quanto o necessário.
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Portugal está refém de uma espiral de dívida, esta mesma reflectida nos sucessivos cortes de rating da República. Não é possível recuperar o país economicamente através de políticas de austeridade constantes, sejam fiscais, sejam de consumo, sejam de cortes no investimento público (não há necessidade de construir o TGV, ruínoso, nem sequer o novo aeroporto, por falta de verbas,mas há necessidade de incrementar a economia - várias medidas possíveis - de investir no conhecimento, de formar matemáticos, de educar economicamente a população).
É minha convicção que Portugal estaria em melhores condições de encarar o seu futuro económico, rejeitando toda e qualquer ajuda do FMI e negociando moratórias para a sua dívida, embora reconheça que este caminho também comporta riscos: mas uma coisa são os riscos inerentes à nossa própria política económica; outra são os riscos das políticas económicas impostas por terceiros.
A aplicação duma política de moratórias, permitiria aplicar os fundos gerados na economia, no crescimento da própria economia, até que atingisse um crescimento sustentado. Exigir-se-ia uma intervenção directa do estado no reavivar da actividade económica, não podendo este ficar à espera do investimento privado, nacional ou estrangeiro, para dar início às políticas económicas reformistas.
Sei que medidas deveriam ser tomadas, mas não cabe neste artigo a sua enumeração, nem o faria com essa ligeireza.

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No essencial, o que se pede politicamente é a capacidade de , a par de uma política dirigida aos mais carenciados, traçar um plano capaz de reavivar a produção e o consumo, princípios fundamentais para qualquer recuperação económica.
Se o FMI entrar em Portugal, estaremos condenados a 20 anos de miséria.





1.4.11

Despesa (défice é resultante)....

A diferença de pontos de vista, fulcral para a solução de todos os problemas. Recuperação de um texto de 2009, aqui....

31.3.11

Recordando escritos (muito actuais)

Depois, em Outubro de 2009, o Sr. Ministro dizia que o défice seria de 8% e eu escrevi que não, e expliquei aqui

O medo e a incompetencia....

Primeiro não tiveram competência, agora não têm legitimidade.
Défice de 8,6% em 2010. Adicionem a redução conseguida com a incorporação do Fundo de Pensões da PT e chegam a um valor superior a 2009. Já com políticas de austeridade.
É escusado fazerem o discurso do poder vitimizado.
A arrogância, ignorância e incompetencia têm limites.
Recordo-me quando escrevi, aqui, em Julho de 2009, depois do Ministro Teixeira dos Santos vir afirmar que o défice em 2009 seria de 5,6%, que após ter feito algumas contas, tinha chegado à conclusão de que seria de 9,4%.
Sei fazer contas, mas não sou só eu; a diferença é que sou honesto nas contas que faço, no que digo e no que escrevo. Também não sou o único honesto: a questão, grande questão, é que os honestos na escrita e na palavra, os intelectualmente honestos e tecnicamente capazes não têm espaço, porque o palco político e executivo foi tomado de assalto pelos outros.

29.3.11

Onde ?

Hora séria, de sugerir um local que fique para a História, como Tordesilhas:
qual a localidade portuguesa onde deverá ser assinado o Tratado, que dividirá Portugal entre brasileiros e angolanos?

Rebuçados em Badajoz....

Ex-membro da comissão de avaliação das parcerias público-privadas (PPP) está hoje a ser ouvido no Parlamento.

"Os consultores dizem o que as pessoas que fazem as encomendas querem ouvir e como tal, os estudos não são credíveis" Avelino Jesus dixit.

Na resposta, Ana Paula Vitorino disse que "pôr em causa todo o trabalho técnico parece-me excessivo. E conheço bem a credibilidade dos técnicos portugueses, por isso não posso concordar".

Claro, aliás, a reputação dos técnicos portugueses que ganham imensas fortunas a elaborar estudos e pareceres, baseia-se, fundamentalmente, na verdade. De resto, quando um cliente, seja o estado seja um privado, apresenta intenções de avançar para um projecto de investimento, recorrendo a fundos, com ou sem intenções políticas, é bastas vezes aconselhado a não avançar nos ditos investimentos, por serem inviáveis ou ruinosos.
É assim, como todos sabemos, que os estudos e os consultores se pagam regiamente. A escrever a verdade, numa folha em branco que, recorde-se, aceita tudo o que lhe escrevem, seja letras, seja números (faz igualmente parte da profissão mais velha do mundo, a folha em branco).
Má reputação e fraquíssima preparação técnica e profissional têm as grandes consultoras americanas, os seus consultores, que durante anos maquilharam balanços e demonstrações de resultados. A Arthur Andersen fechou por incompetência dos seus técnicos. Ainda se tivessem utilizado técnicos portugueses, mas não, insistiram nos americanos.
Por cá somos todos boa gente. As intenções são sempre políticas.
Mas deixem que pergunte: 4,7 milhões de passageiros só no primeiro ano? Acredito.
Ainda se vendem rebuçados em Badajoz? Se sim, prevejo que a procura possa ser maior.

28.3.11

Cosméticas e pesadelos...

Há assuntos que são, muito claramente, tabu na sociedade política portuguesa.
A recente disposição de não auditar as contas públicas é um desses temas. Não se ouviu uma palavra, só assobios para o ar.
A cosmética aplicada na contabilidade pública rivaliza, estou certo, com a Lady Gaga.
Os sacrifícios são pedidos, mas a realidade não pode ser conhecida: nem por nós, nem pelos parceiros, grandes amigos, que temos na União Económica e Monetária. Porque se essa realidade se sabe, bom, o mundo desaba e esse mundo chama-se Portugal.
Mas será que o encobrimento da cosmética que encobre a realidade crua - esta que vivemos ainda está retocada, como percebemos - evita o desabamento que se teme? Numa situação de abundância de capitais, talvez, em escassez não. Forçosamente, mais cedo ou mais tarde, os buracos na pele, o acne e pontos negros irão aparecer, de nada valendo o sigilo sobre as manobras contabilísticas efectuadas.
Apetece evocar um paradoxo interessante: porque razão há maior preocupação com a pele do que com a moral: porque as manchas na alma limpam-se, sendo as do acne mais difíceis.
Assim, não é de estranhar a inexistência de moral na sociedade política e económica portuguesa, mas haja uma enorme preocupação com o acne e borbulhas na sua pele, exigindo esta constantes manobras de cosmética.
Neste caminho que se faz de embustes e favores, o país vai definhando falido, os portugueses vivem sem futuro visível e a democracia não passa de um sonho.
Entretanto vivemos um pesadelo e deixamos, como herança, um pesadelo.

24.3.11

O draconiano Pacto para o Euro....

A cimeira europeia que hoje começa, promete tornar-se numa verdadeira dor de cabeça para as economias do vetusto continente europeu.
Se a adaptação da idade de reforma, de acordo com a esperança média de vida, me parece correcta - nem sequer imagino como se pode pensar parar de trabalhar tão cedo, para além das consequências óbvias para a sustentabilidade do sistema de segurança social - outras há que são difíceis de compreender e digerir.
A saber:
(1) Controlo do custo dos salários: há nesta medida uma clara ingerência nacional, por meio de medidas impostas pelos países que compõem o núcleo duro da União Europeia. A medida visa fomentar a igualização por baixo; se o país é pobre, os salários são parcos, o poder de compra baixo, a economia pouco desenvolvida ao nível da procura agregada. Os países nesta situação ficam sujeitos a baixos salários e vocacionados, contra natura económica, para as exportações, o mesmo é dizer, para a satisfação de necessidades internas dos países ricos. Criar pequenas Chinas dentro da União Europeia, parece ser o alcance desta medida.
(2) Limites ao endividamento público: não há separação de águas, entre despesa primária e despesa de investimento. Existirá um limite de endividamento consagrado na lei do país e ponto. Cabe aos governos estimular a economia, existindo vários instrumentos possíveis, cabendo entre estes o investimento público. Limitar o endividamento a países que já estão sobre-endividados, significa não investir; para países não endividados, a limitação existe ao nível do Produto Interno Bruto; o princípio é básico: se és rico rico serás, se és remediado, remediado ficarás.
(3) Harmonização dos impostos sobre as empresas: os impostos são calculados sobre os resultados após encargos financeiros, provisões e amortizações. As empresas que apresentem maiores lucros pagarão mais impostos, numa base absoluta, porque numa óptica relativa, o percentual fiscal é o mesmo. Estas são as empresas de maior dimensão, situadas nos maiores mercados, onde existe poder de consumo interno. Assim, imagine-se que o IRC é o nosso: 25%. Se uma empresa tem de resultado 100 paga 25. Se outra tem 50 de resultado paga 12,5. No fim, a liquidez resultante é de 75 no primeiro caso e de 37,5 no segundo. A capacidade de investir, de alavancar a actividade por meios próprios é claramente superior para a primeira empresa, que no período seguinte ganhará, suponha-se, 85 enquanto a segunda terá de resultado líquido, porventura 39,5. A diferença aumentará incomensuravelmente ao longo do tempo, tornando impensável o crescimento de umas, sem que as outras cresçam muito mais. A prazo, a economia é dominada pelas grandes corporações, não havendo espaço para a média empresa, a não ser nos mercados desinteressantes para as grandes dimensões. Acresce que a dimensão dos mercados nacionais impele a dimensão das próprias empresas; se aduzido ao limite do custo dos salários, a conclusão é fácil de tirar.
Esta Europa, este Directório de países, prepara-se para dar uma estocada final nas pequenas economias.
Esta União Europeia, esta União Económica e Monetária são ilusões criadas por políticos hábeis na intenção de colonizar economicamente o espaço europeu. A falta de coragem política dos pequenos países, a par dos lugares cativos prometidos aos decisores políticos nacionais afundam, irremediavelmente, a soberania nacional, o orgulho nacional.
Adicionem-se a moeda única, as imposições de Bruxelas, o Tratado de Lisboa e o cenário está criado.
Compreendem-se as manifestações, mesmo que por variadas razões, que se fazem sentir hoje em Bruxelas.
Percebe-se, também, o porquê do fim da União Europeia, do euro, de uma ideia de Europa unificada numa impossível Federação de Estados.
Nem Orwell almejaria ser tão draconiano.

22.3.11

menos com menos....

A Fitch não altera o rating da República porque já o alterou, levando em conta a má prestação da contenção da despesa primária, por parte do governo.
A questão central é essa mesma: a crise não existe porque o PEC não é aprovado; a crise existe porque a despesa primária não desce em conformidade com as necessidades do país. Mais, a despesa com capital sobe assustadoramente, sendo de cerca de um milhão de euros/hora dejuro, neste momento.
Pedir sacrifícios de nada serve se a despesa é imparável. Depois, uma economia recessiva joga do mesmo lado da despesa: menos com menos dá menos.

21.3.11

Imbecilidades..

Hans-Werner Sinn

“Portugal precisa de um aumento radical de impostos”

A justificativa é que só assim, Portugal conseguirá reduzir o défice público e chegar a um excedente.
Este iluminado é presidente do IFO-instituto de investigação económica.
Estou farto destes iluminados, destes azelhas que chegam aos lugares sem saber ler nem escrever.
Estou cansado das conveniencias políticas, da mediocridade, das danças das cadeiras, dos discursos encomendados. Mais cansado ainda, por cada um dos imbecis que ocupam estes cargos, se arvorar o direito de emitir opiniões sobre o meu país. E más opiniões, péssimos conselhos, aberrantes raciocínios.
Para este hipócrita, redução da despesa do estado, nem pensar - ele próprio vive da despesa de vários estados - mas aumento dos impostos sim, porque as gentes deste país (ou doutro qualquer) descobriram a árvore das patacas; quanto mais pagarem em impostos maior capacidade terão de pagar mais, e mais, e mais, porque a fonte de rendimento não se esgota.