21.11.11

Medidas macroeconómicas

Tomando o PIB de 2010, uma desvalorização esperada da economia portuguesa de 15% em 2012, bem como uma retracção económica de 2% em 2011 e 3% em 2012, poder-se-á afirmar que a nossa dívida externa (estatal) passará de 120% em 2010 para 140% em 2012.
Pergunto-me se estas são, efectivamente, medidas de cariz macroeconómico.

11.11.11

Desvalorizar a economia não é o caminho

O Governo corta nos subsídios, diminui e reduz as pensões em valor e em número, aumenta os impostos directos e indirectos, até pode decretar que a redução salarial abrange toda a economia e não, tão só, a função pública. Por um lado pretende reduzir a sua própria despesa, por outro conformar os salários ao nível da competitividade, considerada necessária, para a recuperação económica. Por outras palavras, é um jogo de desvalorização interna.

Se o Governo beneficia do lado da despesa, quando paga menos, o que acontece do lado da receita ? O Governo recebe menos na cobrança dos impostos sobre o rendimento. Quando aumenta os impostos, reduz o poder de compra, reduzindo a actividade económica e ,assim, a colecta de impostos baixa.Os preços caem internamente, pela redução da procura, originando um aumento da dívida junto dos credores, medida em unidades de produção interna.

Esta desvalorização interna, baseia-se na esperança que o aumento da dívida em termos de unidades produzidas, seja compensada por um aumento da produção com preços mais baixos (pela redução do custo do factor mão-de-obra), que valerá um aumento da receita fiscal através das empresas e de uma poupança nos custos sociais do Estado.
Mas será plausível esperar esta situação, em economias com problemas estruturais como a nossa ? Ou a grega ?

Este é o programa que nos é imposto externamente. Infelizmente, este programa de ajustamentos, afecta sempre de forma grosseira e vertiginosa, os países mais fracos. 
Com medidas mais ou menos draconianas, de ajustamento do balanço fiscal, os Governos debater-se-ão sempre com problemas de deflação, derivados das medidas fiscais impostas.
Em conclusão, sem uma intervenção decidida e conjunta da Zona Euro, para a correcção dos desequilíbrios orçamentais dos países fiscalmente debilitados, as medidas de nada servirão, senão para atrasar ainda mais as respectivas economias, colocando de forma premente a necessidade de adopção de um Plano B, que considere o crescimento económico dos países mais fracos, através do aumento de investimento dos países mais fortes. 

Caso contrário (sem crescimento económico sustentado), por cada euro pago a menos, pode grosseiramente considerar-se que a dívida nacional aumenta, em termos reais, na proporção exacta do percentual de desvalorização interna.
É então falacioso, considerar-se que se está a caminho da virtualização das contas públicas, quando na realidade, mais não se faz que aumentar essa dívida, pela desvalorização da economia interna que foi provocada.




anuncia-se o fim de uma era; a Zona Euro

Como referi variadissimas vezes, o euro só não colapsaria se os países core da UE estivessem na disposição de injectar liquidez nos países em dificuldades: o princípio é de vasos comunicantes, e só este sustenta o grande argumento para a existência do euro: a coesão económica.
Claro que essa injecção levaria à emissão de moeda pelo Banco Central Europeu (BCE). Aqui chegados, os temores recairam sempre sobre a inflação. Temores injustificados, porque em economias recessivas a inflação não chega a assustar. 
Defendi que o BCE deveria baixar a taxa de juro até zero. Nada foi feito e nada será feito, porque nunca houve vontade e percepção do perigo; porque o temor inflacionista falou sempre mais alto.
Agora chega ao fim a aventura do euro, a menos que mudem as políticas alemãs, a sua forma de encarar a Zona Euro, forçando à mudança da política do BCE (porque só a Alemanha pode garantir a confiabilidade na emissão de mais moeda). Alguém acredita nisso ? Não creio.
Sempre detestei as meias-coisas.É preferível uma conceptualização rápida da nova Europa e partir para a solução dos problemas, que ficar neste limbo que pára as Nações e os povos no tempo e lhes limita o espaço.
Para conferir aqui a opinião de P. Krugman.

O quê ???

Procurador-Geral da República abre inquérito a Otelo, se houver golpe de Estado. 
Desculpe, diga lá outra vez?
Só pode ser brincadeira.....

3.11.11

O modelo económico (des)elegante para o País

O Primeiro-Ministro (PM) tornou claro ontem, uma vez mais fora do País, que o acordo com a Troika requer uma nova conceptualização, reafirmado hoje, aliás, pelo próprio Presidente da República (PR).
O Pm fez notar, para nosso conhecimento, que as verbas acordadas com a Troika são suficientes para fazer face à despesa do estado, mas que Portugal necessita de financiar igualmente a sua economia. Fez notar ainda que a taxa de juro, de colocação de dívida a dois anos, já ultrapassava os 20%.
Temos então um estado que estará, supostamente, financiado e uma economia que, para se financiar, tem de recorrer a empréstimos com taxas de juro superiores a 20%. É esta economia que garante o equilíbrio do Balanço Fiscal, com que o estado conta para fazer face à dívida externa. Por outras palavras, se o desempenho económico for inferior ao esperado, a capacidade de cumprimento do serviço da dívida está em causa.
Vejamos o que significa a taxa de juro mencionada:
  • O prémio de risco percebido pelos mercados, em relação a Portugal, é elevado. Por outras palavras, o perigo de default enorme.
  • Uma economia capitalizada a um juro superior a 20% ao ano, exige uma taxa interna de rentabilidade (TIR) superior a 30%, caso contrário não gera riqueza (se a TIR for igual ao juro é indiferente);
  • Mas, acaso a TIR seja inferior à taxa de juro, a economia está condenada (falamos da TIR da economia no seu todo).
Afinal, do que é que estamos a falar ? De uma economia, a portuguesa que para ser viável, necessita de aplicar os capitais que vai buscar, a uma TIR a roçar os 30%.

É este pressuposto verosímil ? A resposta parece fácil: não.
Não sendo, as perguntas acumulam-se: (a) como se irá pagar o que estamos agora a dever? (b) como pagar os novos financiamentos?; (c) como fazer descolar o país economicamente, tirando-o da recessão onde se encontra mergulhado?; (d) como reduzir a dívida externa?
Como fazer tudo isto no presente modelo económico, que inclui as imposições negociadas?

25.10.11

PNB vs PIB

As diferenças entre PNB (Produto Nacional Bruto), GNP em inglês e PIB (Produto Interno Bruto), GDP naquela língua, fazem toda a diferença na altura de "olhar" os números.

O artigo de P. Krugman de hoje, no NYT, salienta-o muitíssimo bem.

A vontade de que tudo corra de acordo com as nossas pretensões colide, bastas vezes, com a realidade e a capacidade de análise dos mais distraídos.






21.10.11

Esquece muito....

Curioso que o Primeiro-Ministro não dê pistas de como pretende incentivar a criação de postos de trabalho, através de políticas macroeconómicas, obrigação do governo e não dos privados, mas foque o discurso na obrigatória redução de salários no privado e, igualmente, no desemprego crescente (no privado que não no Estado). Engraçado porque evidencia o mal maior deste governo (e de todos os anteriores): não têm resposta adequada à crise e sabem, bem, que as medidas tomadas só a acentuam (justificar despedimentos e baixos salários com aumento de competitividade é uma monstruosidade económica; na realidade, baixos salários e taxas de juro altas (através dos spreads) reduzem, drasticamente, a competitividade, por força de um menor esforço de investimento em bens de equipamento e, uma aposta clara, na força de trabalho braçal. A competitividade não se mede só pelos preços, mas acima de tudo pela relação preço/qualidade. Se assim não fosse, há muito que, por exemplo, empresas como a Bayer ou a ENI teriam soçobrado, perante o poderio chinês (só que a qualidade não é a mesma, em desfavor da China)....

30.9.11

O Euro no centro da crise.....

Muito embora os países periféricos da Zona Euro (ZE) não tenham feito tudo bem feito, as injecções de capitais e as paragens súbitas desses mesmos inflows, empurraram-nos para a crise financeira.
A esta luz, parece claro que ao invés dos enormes "buracos" serem resultado directo de uma política financeira e fiscal desastrosa ou de consumo excessivo, os défices observados são a contrapartida necessária e inevitável desses enormes fluxos de capitais externos, provenientes dos países mais poderosos da ZE. Igualmente, ao invés de preocupações com taxas de inflação acima da média e deterioração da competitividade desses países, serem sinais de laxismo fiscal e de ineficiências laborais, a valorização do euro, inevitável, é a principal causa das ineficiências, pelos mecanismos que levaram à criação destes défices nas contas-correntes dos países mais fracos na ZE.

Sem retirar culpas próprias - a crise é tão grande que há espaço para todos e tudo - a verdade é que, uma vez adoptado o euro como moeda comum, várias forças se conjugaram no sentido de empurrar as economias mais fracas para situações de crise financeira extrema, independentemente da gestão da coisa pública por parte dos governos.
Mais do que a irresponsabilidade governativa, a moeda comum é, ela própria, a base da crise actual.

12.9.11

Os erros do BCE

Os maus da fita, hoje, são os países que não respeitaram o défice, que gastaram o que não podiam, os que não produzem. Por tanto, terão de ser responsabilizados e pagar a factura. O primeiro a preparar-se para fazer face ao custo é a Grécia.

Mas será que todos os males são devidos a estes malandros que, ao contrário da formiga, agiram como a cigarra?
Não creio.

Por pontos: a política do BCE tem sido direccionada, unicamente, para o controle da inflação na zona euro. Na ultima reunião, onde deveria ter baixado a taxa de juro de referência, optou por a manter. Esta política de manutenção da inflação faria sentido, se acaso estivessemos em fase de crescimento económico, porque uma inflação controlada tem os seus efeitos positivos. Mas não, não estamos. Pelo contrário, vivemos tempos de recessão económica, onde a questão inflacionista não se coloca.

Esta constatação conduz-nos a outra: e se tivessemos a nossa própria moeda, o escudo?
Imagine-se o Reino Unido (RU): não concedeu espaço ao euro e manteve a Libra. Acaso se fala na dívida pública inglesa, pelo menos ao nível do que se fala e especula sobre os países da zona euro? Não. Porquê? Porque o RU pode emitir moeda através do seu Banco Central.
Dir-me-ão: cunhagem de moeda conduz a inflação. Respondo: e é grave? Nem de perto, porque em clima de recessão económica nem acredito que a cunhagem de moeda gerasse qualquer tipo de inflação que se visse.

E no espaço euro? Os países perderam a capacidade de cunhar moeda porque perderam a moeda. Quando surgiram os primeiros problemas, derivados da crise financeira internacional, o BCE virou costas aos países do euro e os países viram-se na necessidade de se financiar internamente, através das instituições financeiras locais, que por seu turno se endividaram externamente. Os países endividaram-se também externamente, por ser impossível financiarem-se só internamente, mas entretanto esgotaram o sistema financeiro local.

Onde entra o BCE (Banco Central Europeu) neste imbróglio? O papel do BCE, desde o início da crise, foi marcado pela incompetência. Porquê? Porque ao substituir-se as moedas locais por uma moeda única, os países necessitavam de um Banco Central que agisse de acordo com as necessidades das economias. Como se constata, financiar as várias economias, atempadamente, teria evitado a exaustão do sistema financeiro dos países da zona euro. Por outras palavras, sendo necessário injectar liquidez, o BCE deveria ter comprado dívida aos países, libertando as instituições financeiras locais dessa responsabilidade. Mas não o fez.

Nas duas últimas semanas começou a fazê-lo, mas tardiamente. Mesmo assim, foi criticado e travado por interesses vários e conhecidos. mas como afirmo, já o fez tardiamente, quando já se encontravam esgotadas todas as soluções.
Agora, não resta outro caminho se não continuar a alimentar as várias economias, com a espanhola e italiana à cabeça. É possível? Não creio. Por estas razões, acredito que o sistema económico, como o conhecemos, está por semanas.
Os tempos que se aproximam são uma incógnita, para a Europa e para o Mundo, mas o fim da União Europeia e do euro está próximo.

11.9.11

Hoje.....




Hoje, 11 de Setembro, para lá das memórias que fustigam as almas e horrorizam o espírito, há uma certeza: acabar com o terrorismo implica acabar, de vez, com a lavagem de capital. Por outras palavras, exige acabar com a corrupção e os negócios ilícitos.

Sair, não sair....

Sair ou não sair da zona euro.
Se a Grécia colapsar - como tudo indica - e sair da zona euro, é impensável o colapso dos bancos gregos, porque não importa se a dívida externa grega está fixada na moeda única: pura e simplesmente os gregos não vão pagar nada, durante muito tempo, e irão reestruturar essa mesma dívida. Não esquecer que terão moeda própria e poderão cunhar a quantidade necessária para financiar a sua economia. A paridade com o euro não é fundamental, como não foi para a Argentina, quando decidiu abandonar a paridade em relação ao dólar, atravessando-se à frente do que eram as recomendações do FMI.
O mesmo princípio aplica-se a qualquer um dos países do euro.

6.9.11

Não há perigo de uma NOVA recessão

O Presidente do Banco Mundial afirma que não acredita que o mundo esteja à beira de uma nova recessão. Claro que não. Não está. Os EUA não criaram um único novo posto de trabalho no mês de Agosto (mão-de-obra rural não incluída, como sempre). Em Julho tinham criado 55.000 novos postos de trabalho. Entretanto têm 14 milhões de desempregados. estes são números animadores, sem dúvida nenhuma. Não, o mundo não vai entrar numa nova recessão; o mundo está a viver a mesma recessão desde 2007. Só que a recessão está cada vez pior e, como já passaram mais de 6 meses, teoricamente já podemos falar em depressão. Mas o senhor tem razão: não há o perigo de uma NOVA recessão. Nova nunca.

11.8.11

O homem no seu melhor

Nem comunismo nem neoliberalismo. A economia mundial destruiu o comunismo e está a fazer em escombros o neoliberalismo. É a própria economia, num sistema de auto-regeneração, que se encarrega de desfazer os erros que o homem comete. Porque funciona numa óptica de deve e haver, de equilíbrios entre quem tem e nada tem, porque obedece à lei da oferta e da procura.
Em Portugal - e no mundo - a economia está a ser entendida como um dogma, quando na realidade é um instrumento de bem-estar. As finanças estão a ser encaradas como uma solução, quando na realidade são uma resultante do bem-estar.
Sem bem-estar não há economia nem há finanças, mas só um amontoado de teorias e teoréticos de gabinete, de agentes que procuram mais-valias e satisfação pessoal, especuladores e jogadores. Esta gente no seu conjunto, esmaga o sentido económico da política e esmaga, finalmente, a própria política, fazendo esta ceder a tendências totalitárias.

7.8.11

Pois.....

O Prof. Eduardo Lourenço afirmou hoje que:
"contrariamente à opinião de várias pessoas", pensa que "a saída continua a ser através da Europa".

O Prof. está radicado em Paris.

Mas disse mais: Portugal tem que resolver a crise "em casa" e depois "na casa ainda não comum, mas que se deseja comum no futuro chamada Europa". Vive radicado em França, recordo.

E acrescentou: apontou a sua aldeia como um exemplo das suas palavras: "Esta aldeia nunca viveu tão bem. Era muito mais pobre e nunca ninguém tinha recebido um tostão que viesse do Estado".

Digo eu: POIS!!!

6.8.11

Há gente que está a mais no Parlamento

Assistir a debates parlamentares (como o recente sobre o denominado orçamento rectificativo) é tarefa penosa. Ver deputados lerem, linha a linha, folhas A4 inteiras nas suas intervenções, é o mesmo que dizer ao país que, aqueles seres estranhoa aos interesses nacionais, não perfilham de qualquer opinião política válida e não têm ideias concretas sobre as matérias em discussão. Não é aceitável e são corpos a mais na Assembleia da república.
Aceitam-se as cábulas - do mal o menos - para não se perder o horizonte da intervenção. Não se aceitam discursos escritos por terceiros, ou mesmo pelos próprios, porque o significado é e será sempre o mesmo: impreparação.

5.8.11

O que os comunistas europeus não querem....

Os verdes alemães são giros: defendem tudo aquilo que a Alemanha menos quer agora, a saber: um Ministro das Finanças europeu e as Eurobonds. Não quer, pelo menos enquanto não dominar económica e politicamente toda a Europa, e esse processo vem muito longe, se algum dia chegar. Não quer também, principalmente, enquanto não medir com exactidão a dimensão da tragédia europeia e necessariamente mundial, ao nível financeiro. Por outras palavras, não quer enquanto não souber se o euro se aguenta; mas a resposta que procuram é fácil: não aguenta. E a pressão que estão a sentir dos mercados prende-se com a indefinição ao nível das verbas,que a Alemanha venha a financiar - ainda não financiou um centimo, sublinhe-se, mas a preocupação dos mercados está lá, enquanto não disserem claramente (e vão dizer) que não põem um chavo.
O problema dos verdes, contudo, é outro: têm um medo de morte que a Europa vire toda à direita, mas não uma direita liberal; a outra, a mais dura, a que é social não liberal. Daí os discursos encomendados pelo PCP do sítio e os PCP dos outros sítios todos.

e a Euribor desce, obviamente....

Pretender que o BCE iria subir a taxa de juro da zona euro e, por isso, ter subido ligeiramente a euribor, primeiro, para hoje, obviamente cair, depois de se saber que a taxa de juro do BCE ficaria inalterada, é não perceber nada de economia. Não só a taxa ficou inalterada, como será quase impossível não a fazer descer nas próximas reuniões. Porque o problema na Europa já não é a inflação, mas algo muito pior: a futura deflação (não confundir com desinflação).

Ver mal implica ver menos

As bolsas caem em todo o mundo. A preocupação pelo fraco desempenho económico mundial faz-se sentir. Entretanto, mais de 80% dos americanos, em sondagem, revelam-se insatisfeitos com os cortes orçamentais aceites por Obama, porque sabem que uma desaceleração da despesa produtiva do estado americano, em nada contribuirá para a solução dos 14 milhões de desempregados.
São realidades económicas.
Em Portugal, a cegueira política e económica leva a que se veja sempre menos do que há para ver.

4.8.11

Negócios engraçados: vende-se um jogador por 86 mil euros e pretende-se que foi vendido por 8,6 milhões de euros; diferença pouca. O valor remanescente deverá ser liquidado por uma sociedade que está, neste momento, já falida.
Milhões de treta, de facto, e muito pouca vergonha.