2.8.11

E agora EUA ?

Como vai a economia americana crescer, com a desaceleração económica actual - e a própria economia mundial - se o presidente aceitou fazer cortes extremos na despesa pública? Lá, como cá, há muita decisão económica por explicar, muito erro económico cometido, muita asneira no ar.
Será que no fim só restará a outra via de recuperação económica?

1.8.11

estado e hipocrisia

O estado não pode, os políticos não podem, de acordo com a optica neo-liberal, imiscuir-se na gestão das empresas, halas, mas pode preocupar-se com a forma como são escolhidos aqueles que são despedidos e os que ficam, nas entidades privadas. Santa hipocrisia.

31.7.11

A miopia política nacional

A venda das "Golden Share" é um mau negócio para o estado portugues: (1) porque perde capacidade de intervenção nessas empresas, fundamentais do ponto de vista da autonomia nacional; (2) porque a indecisão mundial é enorme e esta é a pior altura para perder o controle do estado sobre a economia, e as suas actividades core; (3) porque a decisão de alienar vem na pior altura, quando o país e os seus activos são cotados como "lixo"; (4) porque, como resultante, o preço de alienação será sempre muito inferior ao real valor das participações.

A falta de visão continua a ser muito aborrecida. Por vezes parece existir uma completa incapacidade de casar o "tempo" com a "oportunidade", como se um e outra não estivessem intimamente ligados.

29.7.11

Fresh Out of Bailout

Os vários bailouts, empreendidos um pouco por todo o mundo, são irrepetíveis, o que significa que o regresso a 2009 não significa regressar à mesma crise, mas a uma muito maior. Como escrevi aqui e aqui, só para citar alguns exemplos que ilustram como, infelizmente, não teria sido difícil chegar perto da verdade e encetar caminhos de regularização das economias.
Para mal geral, os neo-liberais mantiveram o seu poder de instrumentalização das políticas económicas.
Porque se pode ser liberal e defender ideias liberais: é fundamental contudo, perceber a diferença entre a pertinácia da defesa e a exequibilidade da aplicação da doutrina, conforme aos tempos.

A viagem temporal que ninguém queria fazer

A cada dia que passa, à escala global, estamos mais perto do cenário de 2009.

28.7.11

Paul Krugman e o Euro....

é.......e depois não digam que, aqueles como eu, não têm razão na análise económica do momento. Assistimos a uma enorme incompreensão dos fenómenos económicos, a roçar a incompetência grosseira.

25.7.11

Poeira....

Ao contrário do que parece ser, a verdade é que só o FMI meteu, até agora, dinheiro do primeiro pacote na Grécia (como na Irlanda e em Portugal). Também ao contrário do que parece ser, espera-se que a Grécia falhe no cumprimento dos seus objectivos. Igualmente de sentido contrário às manifestações de alegria, a redução da taxa de juro para 3,5% só se aplica aos capitais vindos do FMI/UE; os outros, captados no mercado, irão continuar em escalada. E acresce, a Alemanha não tem vontade, nem irá proceder a qualquer financiamento aos países em perigo de default. A situação permanece inalterada e as medidas correctivas as mesmas. Prolongar prazos de pagamento alivia a tesouraria, no curto prazo, mas não gera riqueza, nem garante o pagamento da dívida. Até porque as constantes idas ao mercado são feitas com maturidades inalteradas. Poeira, muita poeira.

18.7.11

Rácios Tier 1

O rácio Tier 1, de que tanto se fala nos testes de resistência da banca a prejuízos inesperados (os esperados são contabilisticamente tratados como provisões), mostram uma realidade, no mínimo, escandalosa, quando comparada com a realidade imposta a quem pretende arrancar projectos e, dirigindo-se à banca, se vê confrontado com sistemáticos pedidos de garantias e percentagens de capitais próprios mínimos elevadas (em relação ao investimento total).
Quando um banco apresenta um Rácio Tier 1 de 5,5 ou de 6,3%, o resultado representa a percentagem de capitais próprios envolvidos na operação da instituição, na medida em que os depósitos em dinheiro, nos quais se incluem os depósitos a prazo, têm peso zero no cálculo do Rácio. O mesmo é dizer, que a operação bancária está suportada em 5,5% de capitais próprios e 94,5% de capitais dos depositantes. Avalie agora cada um, como quiser, a moralidade do negócio financeiro e quem lhe garante a sua sustentabilidade; avalie igualmente quem tem tudo a perder, no caso de descalabro financeiro.

7.7.11

A moralidade que deve ser para todos....

Diz o FT (e com razão) que o downgrade retira a possibilidade das economias fragilizadas "comprarem tempo", aumentando significativamente a possibilidade de incumprimento. Não é uma questão de estarem certas ou erradas, é uma questão de exporem já, o que será uma realidade só amanhã. Mas não é isso mesmo que a banca faz com os particulares e as empresas, quando recusam crédito com base na percepção do incumprimento futuro?

6.7.11

O interesse subjacente do rating para o investidor/especulador


As agências de rating avaliam empresas. Contudo é impossível avaliar empresas e bancos sem levar em conta o clima macroeconómico e fazer previsões sobre este.
Porquê? Principalmente porque a instabilidade económica conduz a volatilidade nos resultados esperados das empresas e instituições financeiras.
Na prática falamos de três elementos macro fundamentais: (1) o crescimento da economia real; (2) inflação esperada; (3) taxas de câmbio. Em qual destes vectores de avaliação nos devemos agarrar para condenar uma avaliação negativa da nossa economia?

O 1º é negativo; o 2º joga contra nós, porque é controlado pelo BCE e o aumento de juros da taxa indicadora se é positiva para a Alemanha, é negativa para Portugal (totalmente dependente de capitais alheios), acrescido do efeito euro.
O 3º não temos, dependemos de outros.
Que há capacidade de manobrar ratings há, mas tudo depende da confiança dos investidores nas análises efectuadas, porque no fim quem conta é quem tem o dinheiro. E quando nós tínhamos dinheiro nunca criticámos os ratings e respectivas agências.
Por outro lado fica uma questão: não se avaliam mais os Estados, só as empresas. Mas a prestação de uma economia está directamente ligada à prestação das empresas, das financeiras, do consumo, da poupança, da receita fiscal. Se avaliar empresas é difícil, imagine-se avaliar empresas em ambientes económicos de volatilidade...

O anúncio de fraquíssimas prestações económicas no presente, pode alterar de forma fraca os seus activos actuais, mas afecta dramaticamente as expectativas futuras.
Quando se avaliam resultados futuros, o risco tem de ser considerado algures na análise. Se as preocupações sobre esse futuro são grandes, as taxas de desconto aplicadas sobre os resultados futuros são maiores, reduzindo assim as prestações económicas esperadas, nos estados, e os cash-flows nas empresas.

Finalizando, o dinheiro não é nosso, é de outros e esses querem uma análise que salvaguarde os seus investimentos. Depois, a moeda (a par do ouro) é sempre o instrumento de refúgio por excelência, estando sujeita a pressões especulativas. Quando se imaginam percas em euros, valoriza-se o dólar, o yen e compensa-se; outras vezes é o contrário. A moeda é um jogo de curto-prazo; a longo-prazo qualquer cotação de moeda tende para a estabilidade.
Ninguém pode criticar que, ao avaliarem-se desempenhos de empresas, bancos e países, se introduzam coeficientes de cagaço. A bolha das dotcom rebentou porque se facilitou na avaliação das acções, nas IPO (Ofertas Públicas de Aquisição, aqui na sigla original inglesa), etc..
O mundo financeiro está longe de ser perfeito e há um lado negro nas avaliações, mas por ora é o instrumento que temos de comparação e tem de servir.
Se a Europa não convence, o que leva a taxas de desconto, betas e quejandos a aumentarem, a culpa não é das agencias de rating mas da arrogancia da Europa, incapaz de olhar para si própria e perceber as suas idiossincrasias.

25.6.11

O Senhor Ministro.....

É suposto o executivo falar pouco e trabalhar muito. Bom princípio. É igualmente expectável que o executivo, com o seu trabalho, seja respeitado. Bom resultado. É desejável que as funções políticas sejam levadas a sério: um ministro no meu país tem de ser reconhecido e respeitado enquanto tal. Não quero um senhor Álvaro no governo do meu país; quero um Senhor Ministro.
Nós não vamos fazer o que a Troika afirma ter que ser feito; vamos fazer mais e depois confrontamos a Troika com os resultados. Nós não somos gregos.

23.6.11

É de todo lógico que Portugal só poderá ser considerado como um País responsável, se cumprir com os compromissos que assumiu.
É igualmente lógico, mas lamentável, que cumprindo esses compromissos Portugal mostre que não é possível a sua autonomia, por não ser possível a recuperação económica.
Tente-se cumprir de forma não desmedida e, depois, mostre-se o inevitável: a necessária reestruturação da dívida e a saída da zona euro (não esquecer que o tempo escasseia e os portugueses não são nem bombos, nem de chumbo).

21.6.11

Não poderia ter melhor início esta coligação

Ao contrário do que se pretende, esta coligação governamental começou da melhor forma.
Começar menos bem ou da pior forma seria perceber que, muito embora os eleitores não o pretendessem, estaríamos perante uma maioria absoluta do PSD.
Não foi assim que o eleitorado votou, portanto, esta coligação começou muito bem.

Não foi Deus, foi política séria

David Cameron dá graças a Deus por não estar no euro.
Enorme injustiça: Cameron deveria dar graças ao povo inglês, a Margareth Tatcher, que na devida altura soube caracterizar a União Europeia como ninguém e, com isso, mostrar ao povo inglês o "caminho das pedras" e, last but not least, o seu sucessor, John Major, que lutou politicamente, tal como aquela, contra a integração europeia da Inglaterra ao nível financeiro, social, político e económico e conseguíu condições especiais para os ingleses, na assinatura do Tratado de Maastricht, nomeadamente no que diz respeito à não adopção da moeda única e a não participação na política comum das pescas.
Tony Blair bem se esforçou por conseguir meter a Inglaterra no euro, mas o trabalho estava feito e não foi Deus que o fez mas sim políticos sérios e visionários.

[...] Na sequência do acordo estabelecido entre o Governo e a administração da empresa de telecomunicações que permitiu um encaixe de 2,8 mil milhões de euros, o Estado teria a receber uma tranche de 450 milhões de euros até 20 de Dezembro do corrente ano. E foi precisamente sobre esta tranche que o Ministério das Finanças, liderado por Teixeira dos Santos, montou uma operação financeira com a Caixa Leasing e Factoring, do grupo CGD para antecipar 300 milhões de euros. Uma verba necessária dada a emergência do Estado para fazer face ao pagamento de salários dos funcionários públicos e compromissos internacionais como o pagamento de dívida pública que vencia em Abril. [...]

Já aqui o disse: despesa no país há só uma; a do estado e a das famílias. Quando o estado consome, as famílias consomem menos. Consumindo menos, porque há menor liquidez, significa poupar menos (porque se consome todo o rendimento e, mesmo assim, não chega), o que gera menor capacidade de investimento; se adicionarmos os milhões que saem dos bancos para o estado, percebe-se a incapacidade da economia se financiar, do sufoco das empresas no mercado e da impossibilidade de aparecerem novos projectos. Não há liquidez porque o estado é sôfrego no consumo.

20.6.11

O Nobre que não o é....

Fernando Nobre não foi eleito, por duas vezes. Tinha afirmado que não ficava mas ficou.
A razão pela qual não podia ser eleito reiterou-a na decisão de ficar: fazer o que sempre fez, enquanto candidato a Presidente da Republica, depois de ter feito afirmações contra o carácter dos deputados. Não foi Presidentre antes, para o 1º cargo da Nação, como não foi agora, para a 2ª figura do estado. Mas ficou no Parlamento, com aqueles que diminuíu, e depois de ter tido um comportamento absurdo, de extrema arrogância.

A saída do euro tem de passar a Agenda Política

O Prof. João Ferreira do Amaral vem hoje, em entrevista ao Diário de Notícias, dar conta do inevitável. a saída de Portugal do euro. Dá conta de mais: a saída tem de "ser airosa" (nas suas palavras) e tem de ser feita enquanto há tempo.
Eu acrescento que é pena que só agora se esteja a ver o inevitável. A saída deveria ter sido negociada há muito tempo, mas como diz a boa sabedoria popular, mais vale tarde do que nunca.
Há, contudo, um princípio a respeitar: aproveitar o tempo, o nosso, e sair airosamente, porque como já afirmei diversas vezes, a saída é inevitável, embora seja bem diferente sair pelo nosso pé ou ser "empurrado".