29.3.11
Onde ?
qual a localidade portuguesa onde deverá ser assinado o Tratado, que dividirá Portugal entre brasileiros e angolanos?
Rebuçados em Badajoz....
"Os consultores dizem o que as pessoas que fazem as encomendas querem ouvir e como tal, os estudos não são credíveis" Avelino Jesus dixit.
É assim, como todos sabemos, que os estudos e os consultores se pagam regiamente. A escrever a verdade, numa folha em branco que, recorde-se, aceita tudo o que lhe escrevem, seja letras, seja números (faz igualmente parte da profissão mais velha do mundo, a folha em branco).
Má reputação e fraquíssima preparação técnica e profissional têm as grandes consultoras americanas, os seus consultores, que durante anos maquilharam balanços e demonstrações de resultados. A Arthur Andersen fechou por incompetência dos seus técnicos. Ainda se tivessem utilizado técnicos portugueses, mas não, insistiram nos americanos.
Por cá somos todos boa gente. As intenções são sempre políticas.
Mas deixem que pergunte: 4,7 milhões de passageiros só no primeiro ano? Acredito.
Ainda se vendem rebuçados em Badajoz? Se sim, prevejo que a procura possa ser maior.
28.3.11
Cosméticas e pesadelos...
A recente disposição de não auditar as contas públicas é um desses temas. Não se ouviu uma palavra, só assobios para o ar.
A cosmética aplicada na contabilidade pública rivaliza, estou certo, com a Lady Gaga.
Os sacrifícios são pedidos, mas a realidade não pode ser conhecida: nem por nós, nem pelos parceiros, grandes amigos, que temos na União Económica e Monetária. Porque se essa realidade se sabe, bom, o mundo desaba e esse mundo chama-se Portugal.
Mas será que o encobrimento da cosmética que encobre a realidade crua - esta que vivemos ainda está retocada, como percebemos - evita o desabamento que se teme? Numa situação de abundância de capitais, talvez, em escassez não. Forçosamente, mais cedo ou mais tarde, os buracos na pele, o acne e pontos negros irão aparecer, de nada valendo o sigilo sobre as manobras contabilísticas efectuadas.
Apetece evocar um paradoxo interessante: porque razão há maior preocupação com a pele do que com a moral: porque as manchas na alma limpam-se, sendo as do acne mais difíceis.
Assim, não é de estranhar a inexistência de moral na sociedade política e económica portuguesa, mas haja uma enorme preocupação com o acne e borbulhas na sua pele, exigindo esta constantes manobras de cosmética.
Neste caminho que se faz de embustes e favores, o país vai definhando falido, os portugueses vivem sem futuro visível e a democracia não passa de um sonho.
Entretanto vivemos um pesadelo e deixamos, como herança, um pesadelo.
24.3.11
O draconiano Pacto para o Euro....
Se a adaptação da idade de reforma, de acordo com a esperança média de vida, me parece correcta - nem sequer imagino como se pode pensar parar de trabalhar tão cedo, para além das consequências óbvias para a sustentabilidade do sistema de segurança social - outras há que são difíceis de compreender e digerir.
A saber:
(1) Controlo do custo dos salários: há nesta medida uma clara ingerência nacional, por meio de medidas impostas pelos países que compõem o núcleo duro da União Europeia. A medida visa fomentar a igualização por baixo; se o país é pobre, os salários são parcos, o poder de compra baixo, a economia pouco desenvolvida ao nível da procura agregada. Os países nesta situação ficam sujeitos a baixos salários e vocacionados, contra natura económica, para as exportações, o mesmo é dizer, para a satisfação de necessidades internas dos países ricos. Criar pequenas Chinas dentro da União Europeia, parece ser o alcance desta medida.
(2) Limites ao endividamento público: não há separação de águas, entre despesa primária e despesa de investimento. Existirá um limite de endividamento consagrado na lei do país e ponto. Cabe aos governos estimular a economia, existindo vários instrumentos possíveis, cabendo entre estes o investimento público. Limitar o endividamento a países que já estão sobre-endividados, significa não investir; para países não endividados, a limitação existe ao nível do Produto Interno Bruto; o princípio é básico: se és rico rico serás, se és remediado, remediado ficarás.
(3) Harmonização dos impostos sobre as empresas: os impostos são calculados sobre os resultados após encargos financeiros, provisões e amortizações. As empresas que apresentem maiores lucros pagarão mais impostos, numa base absoluta, porque numa óptica relativa, o percentual fiscal é o mesmo. Estas são as empresas de maior dimensão, situadas nos maiores mercados, onde existe poder de consumo interno. Assim, imagine-se que o IRC é o nosso: 25%. Se uma empresa tem de resultado 100 paga 25. Se outra tem 50 de resultado paga 12,5. No fim, a liquidez resultante é de 75 no primeiro caso e de 37,5 no segundo. A capacidade de investir, de alavancar a actividade por meios próprios é claramente superior para a primeira empresa, que no período seguinte ganhará, suponha-se, 85 enquanto a segunda terá de resultado líquido, porventura 39,5. A diferença aumentará incomensuravelmente ao longo do tempo, tornando impensável o crescimento de umas, sem que as outras cresçam muito mais. A prazo, a economia é dominada pelas grandes corporações, não havendo espaço para a média empresa, a não ser nos mercados desinteressantes para as grandes dimensões. Acresce que a dimensão dos mercados nacionais impele a dimensão das próprias empresas; se aduzido ao limite do custo dos salários, a conclusão é fácil de tirar.
Esta Europa, este Directório de países, prepara-se para dar uma estocada final nas pequenas economias.
Esta União Europeia, esta União Económica e Monetária são ilusões criadas por políticos hábeis na intenção de colonizar economicamente o espaço europeu. A falta de coragem política dos pequenos países, a par dos lugares cativos prometidos aos decisores políticos nacionais afundam, irremediavelmente, a soberania nacional, o orgulho nacional.
Adicionem-se a moeda única, as imposições de Bruxelas, o Tratado de Lisboa e o cenário está criado.
Compreendem-se as manifestações, mesmo que por variadas razões, que se fazem sentir hoje em Bruxelas.
Percebe-se, também, o porquê do fim da União Europeia, do euro, de uma ideia de Europa unificada numa impossível Federação de Estados.
Nem Orwell almejaria ser tão draconiano.
22.3.11
menos com menos....
A questão central é essa mesma: a crise não existe porque o PEC não é aprovado; a crise existe porque a despesa primária não desce em conformidade com as necessidades do país. Mais, a despesa com capital sobe assustadoramente, sendo de cerca de um milhão de euros/hora dejuro, neste momento.
Pedir sacrifícios de nada serve se a despesa é imparável. Depois, uma economia recessiva joga do mesmo lado da despesa: menos com menos dá menos.
21.3.11
Imbecilidades..
“Portugal precisa de um aumento radical de impostos”
Este iluminado é presidente do IFO-instituto de investigação económica.
Estou farto destes iluminados, destes azelhas que chegam aos lugares sem saber ler nem escrever.
Estou cansado das conveniencias políticas, da mediocridade, das danças das cadeiras, dos discursos encomendados. Mais cansado ainda, por cada um dos imbecis que ocupam estes cargos, se arvorar o direito de emitir opiniões sobre o meu país. E más opiniões, péssimos conselhos, aberrantes raciocínios.
Para este hipócrita, redução da despesa do estado, nem pensar - ele próprio vive da despesa de vários estados - mas aumento dos impostos sim, porque as gentes deste país (ou doutro qualquer) descobriram a árvore das patacas; quanto mais pagarem em impostos maior capacidade terão de pagar mais, e mais, e mais, porque a fonte de rendimento não se esgota.
16.3.11
Falta de coragem política tem custos, para Portugal....
O problema reside quando se diagnostica, mas não se aplica o tratamento in tempu.
A oposição teve tempo útil para derrubar este governo. Muito tempo. Mas não quis. Esperou, na vã esperança que o primeiro-ministro caísse de podre. Não caíu, até agora.
O primeiro-ministro aposta agora numa certeza: a necessidade do pedido, que irá credibilizar a intenção de recuperação, pedido que , reafirma-se, é só de credibilidade institucional e não de apoio financeiro concreto. Entretanto procura "desculpas" para sair, mantendo-se em funções de gestão. Estratégia: enquanto governo em gestão, assiste à entrada técnica do FMI e/ou do fundo de apoio europeu, clamando em simultâneo que a culpa da "entrada" é de quem o derrubou.
Resultado: um povo que é ingénuo pode dar uma "vitória de Pirro" a Passos Coelho e Paulo Portas, o mesmo é dizer uma votação de, pelo menos, 32% para o PS, impossibilitando qualquer solução governativa.
Quanto mais tarde for tomada a decisão de derrubar o governo, mais o governo e o primeiro-ministro capitalizará, politicamente.
Este país continua a não ter rumo nem coragem política.
14.3.11
Mentiras.....
Faltou-lhe perícia e modus operandi político.....
Mas numa afirmação tem razão: sempre prometeu o seu melhor desempenho, a sua melhor eficácia. Pena que uma e outra sejam tão fracas, mesmo medíocres.
Quanto à crise política, ou estala já ou basta esperar 3 semanas. Mas o país aguenta esta pausa, este lamaçal, esta incerteza no futuro? Não acredito: estamos parados, "mortos", atolados e só saímos, tanto mais depressa saímos, quando houver a coragem política para mudar o rumo.
P.S. quem o ouve parece que chegou ontem a S. Bento.
P.S.S. mentiras aos montes, cada vez mais mentiras. Assusta!
Ironias.....
5.3.11
Entusiasmo pessoal ( e porque não nacional), por fim...
O entusiasmo deriva do facto de se saber que existem 30.000 empregos feitos à medida, por encomenda. Senão vejamos: onde estavam as disciplinas de "estudo acompanhado" e "área de projecto" há meia dúzia de anos atrás?
Se acaso não tivessem sido inventadas estas duas disciplinas, para suportar uma saída avassaladora de licenciados das universidades nacionais, estancando assim, à altura, a mais que certa contestação social, onde estariam empregados estes, agora supostamente sacrificados, 30.000 professores?
No sector privado? Não creio, porque o país desistiu de si mesmo, quando aniquilou o sector primário e secundário (leia-se agricultura e indústria) e se precipitou numa débacle original, acabando com os cursos técnico-profissionais, preenchendo o país formal de doutores e engenheiros.
Onde estariam então estes 30.000 licenciados? Resposta certa: no desemprego.
Na realidade o emprego destes 30.000 (como os de muito mais) nunca existíu; foi-lhes presenteado para os apaziguar, para os calar, para os conformar, mas a sua valia é (e sempre foi) zero; porque as disciplinas não valem por si, curricularmente, nem enquadradas no plano de estudos; porque contribuem decisivamente para tirar tempo aos alunos, tanto no lazer como no estudo.
Assim, é fácil perceber que estes empregos não existem, nem nunca existiram.
E é aqui que nasce o entusiasmo, quase esfuziante, da constatação de que há empregos à medida em Portugal, para todas as medidas e, constatado o facto, todos nós podemos aspirar a ter, um dia, um emprego talhado à nossa medida.
Eu quero o meu já.......
25.2.11
Os erros grosseiros de alguns economistas da moda....
1º erro :Competir no mercado mundial:
Considerar que os países são empresas em concorrencia permanente. O comércio internacional não é competitividade, mas sim trocas beneficamente mútuas. Ademais, o objectivo principal do comércio internacional são as importações e não as exportações, ou por outras palavras, o que um país ganha com o comércio internacional é a capacidade de importar coisas de que necessita; as exportações são uma resultante.
2º erro: Produtividade
Uma produtividade elevada, num país, é benéfica porque permite ao país produzir e, consequentemente, consumir mais e não por ajudar um país a competir com outros países, conceito válido quer numa economia aberta, como numa economia fechada.
3º erro: Sectores de elevado valor acrescentado
Se um país é mais produtivo que outro, sejam quais forem os sectores de actividade considerados, o valor agregado por trabalhador será sempre superior quando comparado com um país onde a produtividade seja menor. Obviamente que a riqueza de um país não depende de se especializar em sectores de actividade de outro(s) país(ses), onde o valor acrescentado seja maior. É tudo uma questão de produtividade, sejam quais forem os sectores em que o país opere.
4º erro: Emprego
O nível de emprego num país é uma questão macroeconómica, dependendo a curto prazo da procura agregada e a longo prazo da taxa natural de desemprego; a microeconomia quase não tem efeitos líquidos. A política comercial tem de ser encarada sobre a perspectiva do seu impacto sobre a eficiência, e não sobre o número de empregos criados ou perdidos.
18.2.11
Algumas das razões onde gostaria de não ter.....razão
Também, por outro lado, atentando ao número crescente de jovens desempregados, a razão volta a saltar, quando escrevia que era um erro acabar com o serviço militar obrigatório, atirando dois anos mais cedo para o mercado de trabalho com todos os jovens deste país, sem que houvesse condições de absorver o aumento da oferta de mão-de-obra daí resultante.
Não gosto de ter razão por estas razões, mas tenho e de há muito tempo.
15.2.11
Viver para o momento.....
Segundo parece, de acordo com as fontes oficiais do costume, as exportações portuguesas aumentaram. Ora este aumento prefigura um paradoxo.
Razões: antes da crise financeira e económica havia uma expectativa de tendência para as exportações (o mesmo é dizer nas importações, porque só há uma coisa havendo outra) no mundo industrializado, casos dos EUA e da Europa.
Para os países que não foram afectados no seu sistema financeiro, as importações desceram cerca de 5% face ao que era esperado (a tendência).
Nos países afectados no sistema financeiro, casos dos EUA e Europa, a queda situou-se em cerca de 25% em média, face aos números esperados nas importações, ou por outras palavras, o comércio internacional caíu, em média, 25%. Nestes países não é expectável que o comércio internacional venha a recuperar nos próximos anos. Assiste-se a uma queda acentuada nos primeiros dois anos da crise e, depois, a uma estagnação, derivada dos problemas com um difícil acesso ao crédito, sobre-endividamento, em suma, as conhecidas dificuldades.
Nós portugueses estamos a importar menos, porque estamos a consumir menos, mas parece estarmos a exportar mais: se os outros estão a importar menos, como é que nós estamos a exportar mais? E, acima de tudo, o que é que estamos a exportar em maior quantidade? Não são automóveis nem bens de equipamento. O que será então?
Clara, claríssima, parece ser a conclusão a tirar: exportámos mais vinho e cortiça e etc., em 2010, porque estávamos a fazer um mau trabalho até aí..... o que não poderíamos ter exportado antes se soubéssemos o que fazer, se fossemos conduzidos por gente capaz, gente que estivesse colocada a todos os níveis, das empresas às associações empresariais, dos institutos públicos aos gabinetes onde se cozinha a governação do país.
Mas não temos essa gente, não somos conduzidos numa perspectiva de eficiência e eficácia. Somos malevolamente empurrados para uma cultura de desresponsabilização, para uma postura de indiferença, para um estado de letargia que nos mata.
Mata-nos a nós e aos que se nos seguem.
9.2.11
As loucuras da nossa sociedade e os tiques de novo-riquismo
O custo de manutenção é de 5.000 euros por dia, o que significa que a autarquia se vê privada de 150.000 euros mensais. Multiplique-se por 12 e veja-se a enormidade que significa para os habitantes de Leiria e a edilidade, que estão privados da aplicação dessa verba no seu bem-estar e desenvolvimento.
Anuncia-se agora a rescisão do contrato de utilização do estádio por parte do União de Leiria; fica a saber-se que deveria pagar 17.500 euros por jogo disputados, (que segundo aparece na imprensa nada pagou esta época) o que significaria, a ser cumprido o contrato, uma receita de 35.000 euros mensais (dois jogos por mês) para a sociedade gestora da infraestrutura, mesmo assim muito longe dos necessários 150.000 acima referidos.
Solução, única possível: a implosão do estádio.
A implosão de uma verba a rondar os 80 milhões de euros (dizem-me).
Implodir é a única saída, mas não pode significar o esquecimento: há que apurar responsabilidades, determinar quem decidiu construir dez estádios quando bastariam oito.
Outro caso lamentável é o estádio do Algarve que não serve rigorosamente para nada, a não ser consumir o erário público.
Todas estas torneiras pingam diariamente, o que se perde é muito e não aproveita a ninguém.
Revisitando: publicado em 15 de Setembro de 2005....
RAZÕES DA MEDIOCRIDADE
Citando Fayga Ostrower:
Citando Miguel Torga:
«Moeu‑me a paciência! Trinta anos, bem medidos, de tenacidade! Cheguei quase a desanimar. Vinha, olhava, tornava a olhar, e nada. Alcandorado no seu trono de penedos e nuvens, com o Douro ajoelhado aos pés e o céu a servir‑lhe de resplendor, o Santo furtava‑se ao retrato poético, de qualquer ângulo que eu apontasse a objectiva. Hoje, porém, de repente, entre duas perdizes, não sei por que carga de água, abriu o rosto e foi ele mesmo que me propôs o instantâneo. / ‑ Mostre lá então as habilidades... ‑ pareceu‑me ouvi‑lo dizer. / Nem escolhi enquadramento. Antes que se arrependesse, travei a espingarda e disparei a imaginação ao calhar, do sítio onde estava. / Na arte fotográfica propriamente dita, à sístole diafragmática segue‑se a revelação da película na câmara escura, rematada por alguns retoques amáveis às imperfeições da obra. No meu caso, não houve película, nem câmara escura, nem retoque nenhum. A imagem saiu como está do acto retentivo. Parecida com o original? Muito longe disso. Os poetas não trasladam feições».
Citando Fayga Ostrower:
«Todo o processo de elaboração e de desenvolvimento abrange um processo dinâmico de transformação, em que a matéria que orienta a acção criativa é transformada pela mesma acção. [...] Transformando‑se, a matéria não é destituída do seu carácter. Pelo contrário, é diferenciada e, ao mesmo tempo, é definida como um modo de ser. Transformando‑se e adquirindo uma nova forma, a matéria adquire unicidade e é reafirmada na sua essência. Ela torna-se matéria configurada, matéria‑forma, e nessa síntese entre o geral e o único é impregnada de significados»
António Ferreira, a Diogo Bernardes, aconselha o amigo:
Não mude ou tire ou ponha, sem primeiro
Vir aos ouvidos do prudente, experto
Amigo, não invejoso ou lisonjeiro.
[...] Per'isto, é bom remédio às vezes ler‑se
A dous ou três amigos; o bom pejo
Honesto ajuda então a melhor ver‑se.
Vitorino Nemésio, no poema «O Bicho Harmonioso» escreve:
Eu gostava de ter um alto destino de poeta,
[...]
Tudo isto seria aquele poeta que não sou,
Feito graça e memória,
Separado de mim e do meu bafo individualmente podre,
Livre das minhas pretensões e desta noite carcomida
Pelo meu ser voraz que se explora e ilumina.
A capacidade que cada um detêm para se afirmar, internamente, com maior ou menor grau de exigência nas suas acções, atribuindo-se satisfação ou pelo contrário criticar-se duramente e nunca ficando satisfeito com a obra realizada advém, com naturalidade, da dualidade surgida da aprendizagem feita da vida vivida com as impressões decalcadas do meio social e cultural onde cresceu e se moldou.
Não significa, forçosamente, que a condicionante social e cultural não possa ver-se melhorada e acrescida quando o indivíduo possui forte espírito crítico e enorme inteligência. A cultura espelhada é o reflexo da imagem das alegrias e frustrações apreendidas e da capacidade interpretativa das mesmas. Se o homem nasce e cresce rodeado de sentimentos pequenos e mesquinhos dificilmente o deixará de ser. O reflexo que projecta é, em grande parte, fruto dos reflexos colhidos de todos os outros com quem privou, que escutou e com os quais concordou ou discordou.
A própria essência do acto de concordar ou discordar é relativa e fortemente condicionada pelo espírito crítico, pela inteligência, capacidade de análise e cultura assimilada, tudo vertentes de um mesmo sólido: a aprendizagem efectuada e constantemente aumentada e reciclada. Estando a aprendizagem inteiramente dependente da transmissão oral e escrita, falhando em parte ou no todo aquela resta a leitura compulsiva e multifacetada para suprir as lacunas do conhecimento. Ficam contudo de fora as acções comportamentais associadas ao meio social onde cresceu e os valores retidos, estes normalmente incutidos pelo processo de transferência familiar.
Não é assim indiferente para a transformação da matéria todo o conjunto de significados apreendidos pelo indivíduo, influindo directamente na maneira de ser e no carácter deste. O maior ou menor grau de exigência que fixamos para nós próprios reflecte-se, directamente, na menor ou maior satisfação que retiramos dos nossos actos e na nossa própria realização. É a diferença entre acertar a bitola por cima ou preferir comparar por baixo.
É então claro que quanto maior o grau de compreensão dos fenómenos, maior o grau de exigência nos comportamentos e acções. Tendencialmente procuraremos os melhores e, ainda assim, viveremos confrontados com a realidade de que o que fazemos, todo o processo criativo fundido no geral e no particular, poderia ser ainda melhor e essa constatação e insatisfação simultânea leva a uma transmissão social e cultural cuidada e atenta, na esperança de que quem nos escuta e nos precede consiga fazer melhor.
Infelizmente para o Portugal político o conhecimento, a exigência individual e a consciência do colectivo foi vencido pela mediocridade no geral. Na mediocridade não há lugar para vozes discordantes só havendo mesmo lugar para os medíocres e os muito medíocres, porque a comparação se faz por baixo. O padrão não comporta significados nem carácter. A essência da coisa reside nos tiques pequeno-burgueses, adicionados a uma forte dose de impreparação cultural, ausência de postura e desconhecimento das regras de comportamento social.
É por culpa do homem político nacional que o País está como está: sem identidade, sem valores, sem história, sem cultura, sem educação. Em suma, sem sentido.
7.2.11
Há cada mente brilhante.....
Vitalino Canas é brilhante, mas brilhantismo político à portuguesa: esquece-se que o espaço político ocupado por PS e PSD sempre foi o mesmo, que o mecanismo político natural faria (fará) com que um partido perca dimensão, irremediável, para o outro; esta mesma dimensão foi percepcionada por Sá Carneiro e Amaro da Costa: a AD teria acabado com o PS.
A batalha política ao centro mantém-se; o PCP tem tudo a ganhar com o fim do PS ou do PSD, porque a franja mais à esquerda será captada pelos comunistas (o BE não é um player neste cenário).
De qualquer forma, não deixo de vincar o carácter brilhante da afirmação de Vitalino Canas, no tal espaço de brilhantismo político nacional.


