22.3.11

menos com menos....

A Fitch não altera o rating da República porque já o alterou, levando em conta a má prestação da contenção da despesa primária, por parte do governo.
A questão central é essa mesma: a crise não existe porque o PEC não é aprovado; a crise existe porque a despesa primária não desce em conformidade com as necessidades do país. Mais, a despesa com capital sobe assustadoramente, sendo de cerca de um milhão de euros/hora dejuro, neste momento.
Pedir sacrifícios de nada serve se a despesa é imparável. Depois, uma economia recessiva joga do mesmo lado da despesa: menos com menos dá menos.

21.3.11

Imbecilidades..

Hans-Werner Sinn

“Portugal precisa de um aumento radical de impostos”

A justificativa é que só assim, Portugal conseguirá reduzir o défice público e chegar a um excedente.
Este iluminado é presidente do IFO-instituto de investigação económica.
Estou farto destes iluminados, destes azelhas que chegam aos lugares sem saber ler nem escrever.
Estou cansado das conveniencias políticas, da mediocridade, das danças das cadeiras, dos discursos encomendados. Mais cansado ainda, por cada um dos imbecis que ocupam estes cargos, se arvorar o direito de emitir opiniões sobre o meu país. E más opiniões, péssimos conselhos, aberrantes raciocínios.
Para este hipócrita, redução da despesa do estado, nem pensar - ele próprio vive da despesa de vários estados - mas aumento dos impostos sim, porque as gentes deste país (ou doutro qualquer) descobriram a árvore das patacas; quanto mais pagarem em impostos maior capacidade terão de pagar mais, e mais, e mais, porque a fonte de rendimento não se esgota.

16.3.11

Falta de coragem política tem custos, para Portugal....

Apontando baterias à realidade, temos de consentir ser inevitável a ajuda externa - esta não se irá consubstanciar em dinheiro vivo mas, tão somente, em acalmia quanto à garantia de não estarmos sós.
O problema reside quando se diagnostica, mas não se aplica o tratamento in tempu.
A oposição teve tempo útil para derrubar este governo. Muito tempo. Mas não quis. Esperou, na vã esperança que o primeiro-ministro caísse de podre. Não caíu, até agora.
O primeiro-ministro aposta agora numa certeza: a necessidade do pedido, que irá credibilizar a intenção de recuperação, pedido que , reafirma-se, é só de credibilidade institucional e não de apoio financeiro concreto. Entretanto procura "desculpas" para sair, mantendo-se em funções de gestão. Estratégia: enquanto governo em gestão, assiste à entrada técnica do FMI e/ou do fundo de apoio europeu, clamando em simultâneo que a culpa da "entrada" é de quem o derrubou.
Resultado: um povo que é ingénuo pode dar uma "vitória de Pirro" a Passos Coelho e Paulo Portas, o mesmo é dizer uma votação de, pelo menos, 32% para o PS, impossibilitando qualquer solução governativa.
Quanto mais tarde for tomada a decisão de derrubar o governo, mais o governo e o primeiro-ministro capitalizará, politicamente.
Este país continua a não ter rumo nem coragem política.

14.3.11

Mentiras.....

Faltou-lhe inteligência e coragem e não significa que as tenha mostrado alguma vez.
Faltou-lhe perícia e modus operandi político.....
Mas numa afirmação tem razão: sempre prometeu o seu melhor desempenho, a sua melhor eficácia. Pena que uma e outra sejam tão fracas, mesmo medíocres.
Quanto à crise política, ou estala já ou basta esperar 3 semanas. Mas o país aguenta esta pausa, este lamaçal, esta incerteza no futuro? Não acredito: estamos parados, "mortos", atolados e só saímos, tanto mais depressa saímos, quando houver a coragem política para mudar o rumo.
P.S. quem o ouve parece que chegou ontem a S. Bento.
P.S.S. mentiras aos montes, cada vez mais mentiras. Assusta!

Ironias.....

A miséria resultante dos pacotes de austeridade impostos pelo governo, este ou outro, vão muito para lá das percas do Produto Interno Bruto, no que diz respeito à economia social e ao seu funcionamento.

5.3.11

Entusiasmo pessoal ( e porque não nacional), por fim...

Entusiasmo. Entusiasmo é o sentimento que nos assola, quando escutamos os "propósitos" sociais-democratas no que respeita aos 30.000 professores que vão (irão mesmo) perder os seus empregos.
O entusiasmo deriva do facto de se saber que existem 30.000 empregos feitos à medida, por encomenda. Senão vejamos: onde estavam as disciplinas de "estudo acompanhado" e "área de projecto" há meia dúzia de anos atrás?
Se acaso não tivessem sido inventadas estas duas disciplinas, para suportar uma saída avassaladora de licenciados das universidades nacionais, estancando assim, à altura, a mais que certa contestação social, onde estariam empregados estes, agora supostamente sacrificados, 30.000 professores?
No sector privado? Não creio, porque o país desistiu de si mesmo, quando aniquilou o sector primário e secundário (leia-se agricultura e indústria) e se precipitou numa débacle original, acabando com os cursos técnico-profissionais, preenchendo o país formal de doutores e engenheiros.
Onde estariam então estes 30.000 licenciados? Resposta certa: no desemprego.
Na realidade o emprego destes 30.000 (como os de muito mais) nunca existíu; foi-lhes presenteado para os apaziguar, para os calar, para os conformar, mas a sua valia é (e sempre foi) zero; porque as disciplinas não valem por si, curricularmente, nem enquadradas no plano de estudos; porque contribuem decisivamente para tirar tempo aos alunos, tanto no lazer como no estudo.
Assim, é fácil perceber que estes empregos não existem, nem nunca existiram.
E é aqui que nasce o entusiasmo, quase esfuziante, da constatação de que há empregos à medida em Portugal, para todas as medidas e, constatado o facto, todos nós podemos aspirar a ter, um dia, um emprego talhado à nossa medida.
Eu quero o meu já.......

25.2.11

Os erros grosseiros de alguns economistas da moda....

Quatro erros fundamentais, de entre outros tantos, que infelizmente vão fazendo a "moda" no discurso económico

1º erro :Competir no mercado mundial:

Considerar que os países são empresas em concorrencia permanente. O comércio internacional não é competitividade, mas sim trocas beneficamente mútuas. Ademais, o objectivo principal do comércio internacional são as importações e não as exportações, ou por outras palavras, o que um país ganha com o comércio internacional é a capacidade de importar coisas de que necessita; as exportações são uma resultante.

2º erro: Produtividade
Uma produtividade elevada, num país, é benéfica porque permite ao país produzir e, consequentemente, consumir mais e não por ajudar um país a competir com outros países, conceito válido quer numa economia aberta, como numa economia fechada.

3º erro: Sectores de elevado valor acrescentado
Se um país é mais produtivo que outro, sejam quais forem os sectores de actividade considerados, o valor agregado por trabalhador será sempre superior quando comparado com um país onde a produtividade seja menor. Obviamente que a riqueza de um país não depende de se especializar em sectores de actividade de outro(s) país(ses), onde o valor acrescentado seja maior. É tudo uma questão de produtividade, sejam quais forem os sectores em que o país opere.

4º erro: Emprego
O nível de emprego num país é uma questão macroeconómica, dependendo a curto prazo da procura agregada e a longo prazo da taxa natural de desemprego; a microeconomia quase não tem efeitos líquidos. A política comercial tem de ser encarada sobre a perspectiva do seu impacto sobre a eficiência, e não sobre o número de empregos criados ou perdidos.

18.2.11

Algumas das razões onde gostaria de não ter.....razão

Não gosto de ter razão pelos piores motivos, mas ela aí está: já ninguém esconde o estado recessivo do país (apeteceria criar uma nova palavra, em linha com "reaccionário" e escrever "receccionário", porque estaria mais conforme com o que se vai passando em Portugal).
Também, por outro lado, atentando ao número crescente de jovens desempregados, a razão volta a saltar, quando escrevia que era um erro acabar com o serviço militar obrigatório, atirando dois anos mais cedo para o mercado de trabalho com todos os jovens deste país, sem que houvesse condições de absorver o aumento da oferta de mão-de-obra daí resultante.
Não gosto de ter razão por estas razões, mas tenho e de há muito tempo.

15.2.11

Viver para o momento.....

Fico sempre espantado com os dados que são emanados pelo governo.
Segundo parece, de acordo com as fontes oficiais do costume, as exportações portuguesas aumentaram. Ora este aumento prefigura um paradoxo.

Razões: antes da crise financeira e económica havia uma expectativa de tendência para as exportações (o mesmo é dizer nas importações, porque só há uma coisa havendo outra) no mundo industrializado, casos dos EUA e da Europa.

Para os países que não foram afectados no seu sistema financeiro, as importações desceram cerca de 5% face ao que era esperado (a tendência).
Nos países afectados no sistema financeiro, casos dos EUA e Europa, a queda situou-se em cerca de 25% em média, face aos números esperados nas importações, ou por outras palavras, o comércio internacional caíu, em média, 25%. Nestes países não é expectável que o comércio internacional venha a recuperar nos próximos anos. Assiste-se a uma queda acentuada nos primeiros dois anos da crise e, depois, a uma estagnação, derivada dos problemas com um difícil acesso ao crédito, sobre-endividamento, em suma, as conhecidas dificuldades.

Nós portugueses estamos a importar menos, porque estamos a consumir menos, mas parece estarmos a exportar mais: se os outros estão a importar menos, como é que nós estamos a exportar mais? E, acima de tudo, o que é que estamos a exportar em maior quantidade? Não são automóveis nem bens de equipamento. O que será então?

Clara, claríssima, parece ser a conclusão a tirar: exportámos mais vinho e cortiça e etc., em 2010, porque estávamos a fazer um mau trabalho até aí..... o que não poderíamos ter exportado antes se soubéssemos o que fazer, se fossemos conduzidos por gente capaz, gente que estivesse colocada a todos os níveis, das empresas às associações empresariais, dos institutos públicos aos gabinetes onde se cozinha a governação do país.
Mas não temos essa gente, não somos conduzidos numa perspectiva de eficiência e eficácia. Somos malevolamente empurrados para uma cultura de desresponsabilização, para uma postura de indiferença, para um estado de letargia que nos mata.
Mata-nos a nós e aos que se nos seguem.
§
Nota fantástica: há sempre uma boa notícia económica para dar, por parte do executivo, mas o desemprego está sempre a crescer; todos os dias cresce.

9.2.11

As loucuras da nossa sociedade e os tiques de novo-riquismo

O Estádio Municipal de Leiria tem de ser demolido.
O custo de manutenção é de 5.000 euros por dia, o que significa que a autarquia se vê privada de 150.000 euros mensais. Multiplique-se por 12 e veja-se a enormidade que significa para os habitantes de Leiria e a edilidade, que estão privados da aplicação dessa verba no seu bem-estar e desenvolvimento.
Anuncia-se agora a rescisão do contrato de utilização do estádio por parte do União de Leiria; fica a saber-se que deveria pagar 17.500 euros por jogo disputados, (que segundo aparece na imprensa nada pagou esta época) o que significaria, a ser cumprido o contrato, uma receita de 35.000 euros mensais (dois jogos por mês) para a sociedade gestora da infraestrutura, mesmo assim muito longe dos necessários 150.000 acima referidos.
Solução, única possível: a implosão do estádio.
A implosão de uma verba a rondar os 80 milhões de euros (dizem-me).
Implodir é a única saída, mas não pode significar o esquecimento: há que apurar responsabilidades, determinar quem decidiu construir dez estádios quando bastariam oito.
Outro caso lamentável é o estádio do Algarve que não serve rigorosamente para nada, a não ser consumir o erário público.
Todas estas torneiras pingam diariamente, o que se perde é muito e não aproveita a ninguém.

Revisitando: publicado em 15 de Setembro de 2005....

RAZÕES DA MEDIOCRIDADE

Citando Fayga Ostrower:

«A natureza criativa do homem nasce do contexto cultural onde se encontra inserido. Todo o indivíduo cresce e desenvolve-se numa determinada realidade social, cujas necessidades e valorizações culturais se moldam aos próprios valores de vida. No indivíduo confrontam‑se, por assim dizer, dois pólos de uma mesma relação: a sua criatividade, que representa as potencialidades de um ser único, e a sua criação, que será a realização dessas potencialidades já dentro do quadro de determinada cultura embebida»

Citando Miguel Torga:

«Moeu‑me a paciência! Trinta anos, bem medidos, de tenacidade! Cheguei quase a desanimar. Vinha, olhava, tornava a olhar, e nada. Alcandorado no seu trono de penedos e nuvens, com o Douro ajoelhado aos pés e o céu a servir‑lhe de resplendor, o Santo furtava‑se ao retrato poético, de qualquer ângulo que eu apontasse a objectiva. Hoje, porém, de repente, entre duas perdizes, não sei por que carga de água, abriu o rosto e foi ele mesmo que me propôs o instantâneo. / ‑ Mostre lá então as habilidades... ‑ pareceu‑me ouvi‑lo dizer. / Nem escolhi enquadramento. Antes que se arrependesse, travei a espingarda e disparei a imaginação ao calhar, do sítio onde estava. / Na arte fotográfica propriamente dita, à sístole diafragmática segue‑se a revelação da película na câmara escura, rematada por alguns retoques amáveis às imperfeições da obra. No meu caso, não houve película, nem câmara escura, nem retoque nenhum. A imagem saiu como está do acto retentivo. Parecida com o original? Muito longe disso. Os poetas não trasladam feições».

Citando Fayga Ostrower:

«Todo o processo de elaboração e de desenvolvimento abrange um processo dinâmico de transformação, em que a matéria que orienta a acção criativa é transformada pela mesma acção. [...] Transformando‑se, a matéria não é destituída do seu carácter. Pelo contrário, é diferenciada e, ao mesmo tempo, é definida como um modo de ser. Transformando‑se e adquirindo uma nova forma, a matéria adquire unicidade e é reafirmada na sua essência. Ela torna-se matéria configurada, matéria‑forma, e nessa síntese entre o geral e o único é impregnada de significados»

António Ferreira, a Diogo Bernardes, aconselha o amigo:

Não mude ou tire ou ponha, sem primeiro
Vir aos ouvidos do prudente, experto
Amigo, não invejoso ou lisonjeiro.

[...] Per'isto, é bom remédio às vezes ler‑se
A dous ou três amigos; o bom pejo
Honesto ajuda então a melhor ver‑se.

Vitorino Nemésio, no poema «O Bicho Harmonioso» escreve:

Eu gostava de ter um alto destino de poeta,
[...]
Tudo isto seria aquele poeta que não sou,

Feito graça e memória,
Separado de mim e do meu bafo individualmente podre,
Livre das minhas pretensões e desta noite carcomida
Pelo meu ser voraz que se explora e ilumina.


A capacidade que cada um detêm para se afirmar, internamente, com maior ou menor grau de exigência nas suas acções, atribuindo-se satisfação ou pelo contrário criticar-se duramente e nunca ficando satisfeito com a obra realizada advém, com naturalidade, da dualidade surgida da aprendizagem feita da vida vivida com as impressões decalcadas do meio social e cultural onde cresceu e se moldou.

Não significa, forçosamente, que a condicionante social e cultural não possa ver-se melhorada e acrescida quando o indivíduo possui forte espírito crítico e enorme inteligência. A cultura espelhada é o reflexo da imagem das alegrias e frustrações apreendidas e da capacidade interpretativa das mesmas. Se o homem nasce e cresce rodeado de sentimentos pequenos e mesquinhos dificilmente o deixará de ser. O reflexo que projecta é, em grande parte, fruto dos reflexos colhidos de todos os outros com quem privou, que escutou e com os quais concordou ou discordou.

A própria essência do acto de concordar ou discordar é relativa e fortemente condicionada pelo espírito crítico, pela inteligência, capacidade de análise e cultura assimilada, tudo vertentes de um mesmo sólido: a aprendizagem efectuada e constantemente aumentada e reciclada. Estando a aprendizagem inteiramente dependente da transmissão oral e escrita, falhando em parte ou no todo aquela resta a leitura compulsiva e multifacetada para suprir as lacunas do conhecimento. Ficam contudo de fora as acções comportamentais associadas ao meio social onde cresceu e os valores retidos, estes normalmente incutidos pelo processo de transferência familiar.

Não é assim indiferente para a transformação da matéria todo o conjunto de significados apreendidos pelo indivíduo, influindo directamente na maneira de ser e no carácter deste. O maior ou menor grau de exigência que fixamos para nós próprios reflecte-se, directamente, na menor ou maior satisfação que retiramos dos nossos actos e na nossa própria realização. É a diferença entre acertar a bitola por cima ou preferir comparar por baixo.

É então claro que quanto maior o grau de compreensão dos fenómenos, maior o grau de exigência nos comportamentos e acções. Tendencialmente procuraremos os melhores e, ainda assim, viveremos confrontados com a realidade de que o que fazemos, todo o processo criativo fundido no geral e no particular, poderia ser ainda melhor e essa constatação e insatisfação simultânea leva a uma transmissão social e cultural cuidada e atenta, na esperança de que quem nos escuta e nos precede consiga fazer melhor.

Infelizmente para o Portugal político o conhecimento, a exigência individual e a consciência do colectivo foi vencido pela mediocridade no geral. Na mediocridade não há lugar para vozes discordantes só havendo mesmo lugar para os medíocres e os muito medíocres, porque a comparação se faz por baixo. O padrão não comporta significados nem carácter. A essência da coisa reside nos tiques pequeno-burgueses, adicionados a uma forte dose de impreparação cultural, ausência de postura e desconhecimento das regras de comportamento social.

É por culpa do homem político nacional que o País está como está: sem identidade, sem valores, sem história, sem cultura, sem educação. Em suma, sem sentido.



7.2.11

Há cada mente brilhante.....

Vitalino Canas;"O PCP sempre se manifestou disponível para censurar governos do PS e sempre esteve disponível para derrubar governos do PS mesmo que isso tenha como hipotética consequência um regresso das forças de direita ao Governo".
Vitalino Canas é brilhante, mas brilhantismo político à portuguesa: esquece-se que o espaço político ocupado por PS e PSD sempre foi o mesmo, que o mecanismo político natural faria (fará) com que um partido perca dimensão, irremediável, para o outro; esta mesma dimensão foi percepcionada por Sá Carneiro e Amaro da Costa: a AD teria acabado com o PS.
A batalha política ao centro mantém-se; o PCP tem tudo a ganhar com o fim do PS ou do PSD, porque a franja mais à esquerda será captada pelos comunistas (o BE não é um player neste cenário).
De qualquer forma, não deixo de vincar o carácter brilhante da afirmação de Vitalino Canas, no tal espaço de brilhantismo político nacional.

3.2.11

A alavancagem financeira, instrumento fundamental de criação de riqueza

Desde o início da crise (2007) que paira no ar uma ideia errada; que um dos males maiores que assolou as economias, as empresas e as pessoas foi o sobre-endividamento destas e a alavancagem financeira das outras, ou dito de outra maneira, que os estados e as empresas só podem investir dentro de determinados parâmetros de equilíbrio, entre capitais próprios e alheios.
Desta ilação, que começa a tornar-se perigosamente um paradigma, resulta uma outra muito perturbante: se os países são ricos ficarão cada vez mais ricos, se as empresas são ricas ficarão cada vez mais ricas e todos os outros, que não tiverem capitais próprios, ficarão para sempre condenados a ser "pobres", resulte a definição no que tiver de resultar.
O mesmo é dizer: se uma família dispuser de dinheiro continuará a dispor, a menos que o esbanje ou invista mal mas, todos os outros que não tiverem "prata", nem sequer dispõem das más opções mencionadas. O mesmo se passa com os países.
Não conheço criação de riqueza sem alavancagem financeira, quer nas pessoas, quer nos países.
Caso contrário, um país pobre será sempre pobre ou dependente de outro(s), assim como uma pessoa pobre será sempre pobre ou dependente de outra(s).
Se queremos crescer temos de ser financeiramente alavancados; o problema surge quando existe uma enorme incompetencia técnica e executiva, tanto na governação de um país, como no governo de uma empresa. Mas a alavancagem é fundamental.

2.2.11

GOL interessada nas rotas aéreas europeias, por serem lucrativas....

Notícia do semanário "Sol" on-line dá-nos conta que a empresa brasileira de transporte aéreo GOL, poderá estar interessada na privatização da TAP.
A razão é lógica: a GOL só opera no mercado sul-americano e pretenderá rotas lucrativas, como são as rotas europeias. A notícia é esta.
A pergunta que fica: rotas lucrativas para uns geram prejuízos para outros, no caso a TAP?
Alguém que explique por favor.

1.2.11

Jorge Lacão afirma que os administradores das empresas públicas ganham em demasia, quando comparados com o Presidente da República e com o Primeiro-Ministro.
Ponto de situação: não sou gestor público e concordo com a afirmação,senão vejamos: como é possível que os gestores públicos ganhem tanto ou mais que os privados ?
Vamos por partes: (1) os gestores são responsáveis pela boa gestão dos activos que lhes estão confiados; (2) os gestores são responsáveis pelos orçamentos aprovados e pelos resultados obtidos; (3) os gestores são responsáveis pelos endividamentos, tendo de convocar Assembleias Gerais, quando os montantes e a montagem das operações requer a validação dos accionistas; (4) os gestores são responsáveis pelo bom cumprimento fiscal e pagamentos à segurança social.
§
Enumeradas só algumas das responsabilidades que recaem sobre os gestores das empresas, encontramos alguma comparação possível entre gestores públicos e privados ? Nenhuma.
Os gestores públicos não respondem perante o fracasso da gestão dos activos, não respondem pelos orçamentos fixados, não respondem pelos financiamentos (que são autorizados pela tutela), não respondem perante a máquina fiscal ou a segurança social.
Conhecemos n exemplos de gestores privados que são perseguidos pelo fisco, através do direito de reversão. Conhecemos algum caso de gestores públicos?
As empresas públicas têm prejuízos imensos, pagam os salários religiosamente e ainda lhes sobra papel para pagar impostos? Alguém acredita?
Verifique-se e a conclusão será simples.
E os orçamentos?
São constantemente ultrapassados, desrespeitados, sem que haja qualquer tipo de penalização.
Os actuais gestores públicos são inimputáveis, pelos vistos, e como inimputáveis que são não podem ser responsabilizados. Assim sendo, devem, de facto, ganhar muito menos do que ganham.
Claro que pagando menos recebe-se menos; mas assim como assim, se a falta de qualidade já é habitual, que se pague menos.

Uma última palavra para as associações patronais deste país: ou estão cegas ou vendidas.

Cheira a enxofre.....

A facilidade com que determinados cronistas se desenvolvem em palavras de êxtase democrático, a propósito das recentes manifestações populares na Tunísia e no Egipto, espantam por demasiado fúteis e ingénuas. Estamos a falar de oligarquias, de povos que vivem miseravelmente, tudo isto é certo, mas não estamos a falar de regimes fundamentalistas e o que se seguirá é de uma enorme interrogação. Hoje foi a Jordânia, onde o governo caíu por ordem do Rei, depois de manifestações de rua - e na Jordânia já não estamos a falar de tanta miséria. Amanhã qual será o país a implodir ?
Vivemos tempos muito perigosos, infelizmente. Tudo isto se passa num momento em que o "ouro negro" ainda é abundante; imagine-se o que será no dia em que o petróleo escassear para aquelas bandas (se é que esse dia chegará) ou forem substituídos os carburantes na indústria ? O caos, o inferno às portas da Europa, do qual já começamos a sentir o cheiro de enxofre.

26.1.11


AnaMaria

(autora: a minha querida Mãe)

Agora, depois das presidenciais......

As presidenciais acabaram, sem brilho.
Ganhou quem tinha de ganhar, para bem de um equilíbrio fundamental, pelo menos temporário, para encarar tempos difíceis que se avizinham.
Ilações também não há muitas a retirar: o presidente vale o que vale, ao nível de poderes e os votos conseguidos pelos candidatos esgotam-se no encerramento das urnas. O candidato ganhador é legitimado para a função de Presidente e os vencidos valem tanto em votos como valiam no dia anterior à votação, ou seja, zero.
Senão vejamos: se os votos fossem mesmo importantes no pós-eleições, tínhamos um Presidente eleito com 1/5 dos eleitores recenseados e um total de 3/5 de abstencionistas, brancos e nulos. Ou por outras palavras, O presidente não seria legitimado. Mas a legitimação acontece com a vitória nas urnas, independentemente do número de votos. Pela mesma razão que Manuel Alegre não representou durante 5 anos o mais de milhão de votos que obteve em 2006, nem foi sua voz, como Fernando Nobre não valia na 2ª feira os 500 mil votos conseguidos no Domingo, nem é seu porta-voz.
Importante é o que se segue: as legislativas obrigatórias. Estas não necessitam de ser provocadas pelo Presidente; ao contrário, o Presidente vai ser obrigado, por força das circunstancias económicas e financeiras, más, do País, a dissolver o parlamento e a convocar eleições. Basta esperar sentado.
Os resultados que as eleições legislativas acarretam são de análise mais difícil: o Bloco de Esquerda pode manter ou mesmo subir ligeiramente a sua votação (em face do descontentamento popular), razão maior para ter apoiado Alegre, ou por outras palavras, evitar ir contar espingardas nas presidenciais tão em cima de umas legislativas (as espingardas seriam poucas e o resultado nefasto). Óptica diversa tem o Partido Comunista, que, de há umas eleições a esta parte, prefere contar os indefectíveis para depois trabalhar o restante eleitorado.
O partido Socialista também se refugiou em Alegre, evitando o escrutínio a Sócrates, caso aparecesse com candidato próprio. Ainda por cima apareceu à boleia do Bloco, o que deu um enorme jeito.
Contudo, os resultados eleitorais esperados nas próximas legislativas não pressupõem uma maioria absoluta por parte de qualquer dos partidos; há que juntar a variação da abstenção na equação.
Considerando que o Bloco pode chegar aos 14%, os comunistas aos 12%, que os socialistas não farão menos de 30% e que os brancos e nulos serão de 2%, ficam para sociais-democratas e centristas 42% dos votos, insuficientes para qualquer maioria. A importância da abstenção fica relevada pelas contas fáceis que se apresentam. Mas para combater a abstenção e fazer variar sentidos de voto descontentes, é necessário um projecto nacional que galvanize e faça acreditar num futuro possível com esta classe política.
Passos Coelho tem evoluído favoravelmente, aumentando a certeza e assertividade discursiva, gerindo bem timings, assentes numa postura que transmite uma cada vez maior solidez ao candidato. A ausência da bancada parlamentar, por delito de opinião, tem-lhe sido favorável, poupando um desgaste que em nada lhe seria proveitoso: tem aproveitado bem as aparições públicas e consegue ser notícia e, acima de tudo, escutado com a maior atenção. Não conseguiria melhor como tribuno no parlamento.
Aí, no parlamento, o grande trabalho e despesa tem sido feito pelo CDS e Paulo Portas, claramente num plano superior ao PSD. A sua voz e de companheiros de bancada é a única lufada séria num arrazoado de comportamentos que diminuem o plenário e não elevam a democracia. O PSD, por ausência do líder, tem-se mostrado pouco firme e mesmo pouco esclarecido e preparado; compreende-se para que não haja sombra desnecessária a um líder ausente.
O problema reside agora na preparação das legislativas: o PSD precisa de um CDS forte; o CDS precisa de um PSD ganhador. Esta confluência de interesses só é possível num cenário de coligação pré-eleitoral. Sem coligação há divisão e confusão no eleitorado.
Ao contrário do que Miguel Relvas, de forma infeliz afirmou, o PSD não emprestou onze deputados ao CDS; foram os eleitores que entenderam ser o CDS, pelo seu trabalho e intervenção políticas, merecedor do número de deputados que apresenta e, ainda agora, em condições parlamentares difíceis, pelo difícil estado do País, o CDS faz todos os dias por merecer esses deputados. Afirmar o contrário é afirmar a falta de clarividência do eleitor, na hora de depositar o voto na urna. Mas o eleitorado, parte dele, chegadas as próximas legislativas, ficará dividido entre o voto de mérito ao CDS e o voto útil ao PSD. Votar PSD aumenta o número de deputados deste mas fará cair o CDS para quinta força política. Vantagens ? Nenhuma. Por outro lado, por aplicação do método de D´Hondt, o somatório dos votos conjuntos de PSD e CDS gerarão maior número de deputados do que a sua divisão.
Parece evidente a necessidade de um entendimento entre os dois partidos.
Por último, uma palavra a bem do esforço de recuperação nacional, quer económica e financeira, quer acima de tudo de credibilização dos actores políticos: a manutenção de Luis Amado como Ministro dos Negócios Estrangeiros (MNE) será um acto de justiça. É o governante que mostra maior empenho na causa nacional e maior distanciamento das questões político-partidárias. Sendo o papel do MNE tão importante nos areópagos internacionais e sendo Luís Amado estimado e tido como pessoa séria e conhecedora, deveria manter-se na pasta, para garantir a continuidade da política externa portuguesa, atribuindo-lhe um cariz de perenidade.

Consumo de antidepressivos anormal ? Depende do ponto de vista.....

“Aquilo que constatámos era uma prescrição ou, pelo menos, um consumo excessivo de determinados medicamentos antipsicóticos e antidepressivos. Talvez com maior incidência na Região de Lisboa” Ministra da Saúde dixit.....num país anormal, a braços com uma enorme crise e um governo que se pauta por uma postura extremamente optimista, mesmo nas colocações de dívida assumidas oficialmente como se de grandes exportações se tratassem, difícil de compreender para o comum dos mortais é mesmo que não haja aumento no consumo de antidepressivos.....(acredito que não seja essa a tendência nos gabinetes ministeriais, porquanto vai ganhando forma um novo ditado: de ministros e de loucos todos temos um pouco. Projecte-se esta nova definição popular da génese humana nos que o são de facto, et voilá.....)