3.2.11

A alavancagem financeira, instrumento fundamental de criação de riqueza

Desde o início da crise (2007) que paira no ar uma ideia errada; que um dos males maiores que assolou as economias, as empresas e as pessoas foi o sobre-endividamento destas e a alavancagem financeira das outras, ou dito de outra maneira, que os estados e as empresas só podem investir dentro de determinados parâmetros de equilíbrio, entre capitais próprios e alheios.
Desta ilação, que começa a tornar-se perigosamente um paradigma, resulta uma outra muito perturbante: se os países são ricos ficarão cada vez mais ricos, se as empresas são ricas ficarão cada vez mais ricas e todos os outros, que não tiverem capitais próprios, ficarão para sempre condenados a ser "pobres", resulte a definição no que tiver de resultar.
O mesmo é dizer: se uma família dispuser de dinheiro continuará a dispor, a menos que o esbanje ou invista mal mas, todos os outros que não tiverem "prata", nem sequer dispõem das más opções mencionadas. O mesmo se passa com os países.
Não conheço criação de riqueza sem alavancagem financeira, quer nas pessoas, quer nos países.
Caso contrário, um país pobre será sempre pobre ou dependente de outro(s), assim como uma pessoa pobre será sempre pobre ou dependente de outra(s).
Se queremos crescer temos de ser financeiramente alavancados; o problema surge quando existe uma enorme incompetencia técnica e executiva, tanto na governação de um país, como no governo de uma empresa. Mas a alavancagem é fundamental.

2.2.11

GOL interessada nas rotas aéreas europeias, por serem lucrativas....

Notícia do semanário "Sol" on-line dá-nos conta que a empresa brasileira de transporte aéreo GOL, poderá estar interessada na privatização da TAP.
A razão é lógica: a GOL só opera no mercado sul-americano e pretenderá rotas lucrativas, como são as rotas europeias. A notícia é esta.
A pergunta que fica: rotas lucrativas para uns geram prejuízos para outros, no caso a TAP?
Alguém que explique por favor.

1.2.11

Jorge Lacão afirma que os administradores das empresas públicas ganham em demasia, quando comparados com o Presidente da República e com o Primeiro-Ministro.
Ponto de situação: não sou gestor público e concordo com a afirmação,senão vejamos: como é possível que os gestores públicos ganhem tanto ou mais que os privados ?
Vamos por partes: (1) os gestores são responsáveis pela boa gestão dos activos que lhes estão confiados; (2) os gestores são responsáveis pelos orçamentos aprovados e pelos resultados obtidos; (3) os gestores são responsáveis pelos endividamentos, tendo de convocar Assembleias Gerais, quando os montantes e a montagem das operações requer a validação dos accionistas; (4) os gestores são responsáveis pelo bom cumprimento fiscal e pagamentos à segurança social.
§
Enumeradas só algumas das responsabilidades que recaem sobre os gestores das empresas, encontramos alguma comparação possível entre gestores públicos e privados ? Nenhuma.
Os gestores públicos não respondem perante o fracasso da gestão dos activos, não respondem pelos orçamentos fixados, não respondem pelos financiamentos (que são autorizados pela tutela), não respondem perante a máquina fiscal ou a segurança social.
Conhecemos n exemplos de gestores privados que são perseguidos pelo fisco, através do direito de reversão. Conhecemos algum caso de gestores públicos?
As empresas públicas têm prejuízos imensos, pagam os salários religiosamente e ainda lhes sobra papel para pagar impostos? Alguém acredita?
Verifique-se e a conclusão será simples.
E os orçamentos?
São constantemente ultrapassados, desrespeitados, sem que haja qualquer tipo de penalização.
Os actuais gestores públicos são inimputáveis, pelos vistos, e como inimputáveis que são não podem ser responsabilizados. Assim sendo, devem, de facto, ganhar muito menos do que ganham.
Claro que pagando menos recebe-se menos; mas assim como assim, se a falta de qualidade já é habitual, que se pague menos.

Uma última palavra para as associações patronais deste país: ou estão cegas ou vendidas.

Cheira a enxofre.....

A facilidade com que determinados cronistas se desenvolvem em palavras de êxtase democrático, a propósito das recentes manifestações populares na Tunísia e no Egipto, espantam por demasiado fúteis e ingénuas. Estamos a falar de oligarquias, de povos que vivem miseravelmente, tudo isto é certo, mas não estamos a falar de regimes fundamentalistas e o que se seguirá é de uma enorme interrogação. Hoje foi a Jordânia, onde o governo caíu por ordem do Rei, depois de manifestações de rua - e na Jordânia já não estamos a falar de tanta miséria. Amanhã qual será o país a implodir ?
Vivemos tempos muito perigosos, infelizmente. Tudo isto se passa num momento em que o "ouro negro" ainda é abundante; imagine-se o que será no dia em que o petróleo escassear para aquelas bandas (se é que esse dia chegará) ou forem substituídos os carburantes na indústria ? O caos, o inferno às portas da Europa, do qual já começamos a sentir o cheiro de enxofre.

26.1.11


AnaMaria

(autora: a minha querida Mãe)

Agora, depois das presidenciais......

As presidenciais acabaram, sem brilho.
Ganhou quem tinha de ganhar, para bem de um equilíbrio fundamental, pelo menos temporário, para encarar tempos difíceis que se avizinham.
Ilações também não há muitas a retirar: o presidente vale o que vale, ao nível de poderes e os votos conseguidos pelos candidatos esgotam-se no encerramento das urnas. O candidato ganhador é legitimado para a função de Presidente e os vencidos valem tanto em votos como valiam no dia anterior à votação, ou seja, zero.
Senão vejamos: se os votos fossem mesmo importantes no pós-eleições, tínhamos um Presidente eleito com 1/5 dos eleitores recenseados e um total de 3/5 de abstencionistas, brancos e nulos. Ou por outras palavras, O presidente não seria legitimado. Mas a legitimação acontece com a vitória nas urnas, independentemente do número de votos. Pela mesma razão que Manuel Alegre não representou durante 5 anos o mais de milhão de votos que obteve em 2006, nem foi sua voz, como Fernando Nobre não valia na 2ª feira os 500 mil votos conseguidos no Domingo, nem é seu porta-voz.
Importante é o que se segue: as legislativas obrigatórias. Estas não necessitam de ser provocadas pelo Presidente; ao contrário, o Presidente vai ser obrigado, por força das circunstancias económicas e financeiras, más, do País, a dissolver o parlamento e a convocar eleições. Basta esperar sentado.
Os resultados que as eleições legislativas acarretam são de análise mais difícil: o Bloco de Esquerda pode manter ou mesmo subir ligeiramente a sua votação (em face do descontentamento popular), razão maior para ter apoiado Alegre, ou por outras palavras, evitar ir contar espingardas nas presidenciais tão em cima de umas legislativas (as espingardas seriam poucas e o resultado nefasto). Óptica diversa tem o Partido Comunista, que, de há umas eleições a esta parte, prefere contar os indefectíveis para depois trabalhar o restante eleitorado.
O partido Socialista também se refugiou em Alegre, evitando o escrutínio a Sócrates, caso aparecesse com candidato próprio. Ainda por cima apareceu à boleia do Bloco, o que deu um enorme jeito.
Contudo, os resultados eleitorais esperados nas próximas legislativas não pressupõem uma maioria absoluta por parte de qualquer dos partidos; há que juntar a variação da abstenção na equação.
Considerando que o Bloco pode chegar aos 14%, os comunistas aos 12%, que os socialistas não farão menos de 30% e que os brancos e nulos serão de 2%, ficam para sociais-democratas e centristas 42% dos votos, insuficientes para qualquer maioria. A importância da abstenção fica relevada pelas contas fáceis que se apresentam. Mas para combater a abstenção e fazer variar sentidos de voto descontentes, é necessário um projecto nacional que galvanize e faça acreditar num futuro possível com esta classe política.
Passos Coelho tem evoluído favoravelmente, aumentando a certeza e assertividade discursiva, gerindo bem timings, assentes numa postura que transmite uma cada vez maior solidez ao candidato. A ausência da bancada parlamentar, por delito de opinião, tem-lhe sido favorável, poupando um desgaste que em nada lhe seria proveitoso: tem aproveitado bem as aparições públicas e consegue ser notícia e, acima de tudo, escutado com a maior atenção. Não conseguiria melhor como tribuno no parlamento.
Aí, no parlamento, o grande trabalho e despesa tem sido feito pelo CDS e Paulo Portas, claramente num plano superior ao PSD. A sua voz e de companheiros de bancada é a única lufada séria num arrazoado de comportamentos que diminuem o plenário e não elevam a democracia. O PSD, por ausência do líder, tem-se mostrado pouco firme e mesmo pouco esclarecido e preparado; compreende-se para que não haja sombra desnecessária a um líder ausente.
O problema reside agora na preparação das legislativas: o PSD precisa de um CDS forte; o CDS precisa de um PSD ganhador. Esta confluência de interesses só é possível num cenário de coligação pré-eleitoral. Sem coligação há divisão e confusão no eleitorado.
Ao contrário do que Miguel Relvas, de forma infeliz afirmou, o PSD não emprestou onze deputados ao CDS; foram os eleitores que entenderam ser o CDS, pelo seu trabalho e intervenção políticas, merecedor do número de deputados que apresenta e, ainda agora, em condições parlamentares difíceis, pelo difícil estado do País, o CDS faz todos os dias por merecer esses deputados. Afirmar o contrário é afirmar a falta de clarividência do eleitor, na hora de depositar o voto na urna. Mas o eleitorado, parte dele, chegadas as próximas legislativas, ficará dividido entre o voto de mérito ao CDS e o voto útil ao PSD. Votar PSD aumenta o número de deputados deste mas fará cair o CDS para quinta força política. Vantagens ? Nenhuma. Por outro lado, por aplicação do método de D´Hondt, o somatório dos votos conjuntos de PSD e CDS gerarão maior número de deputados do que a sua divisão.
Parece evidente a necessidade de um entendimento entre os dois partidos.
Por último, uma palavra a bem do esforço de recuperação nacional, quer económica e financeira, quer acima de tudo de credibilização dos actores políticos: a manutenção de Luis Amado como Ministro dos Negócios Estrangeiros (MNE) será um acto de justiça. É o governante que mostra maior empenho na causa nacional e maior distanciamento das questões político-partidárias. Sendo o papel do MNE tão importante nos areópagos internacionais e sendo Luís Amado estimado e tido como pessoa séria e conhecedora, deveria manter-se na pasta, para garantir a continuidade da política externa portuguesa, atribuindo-lhe um cariz de perenidade.

Consumo de antidepressivos anormal ? Depende do ponto de vista.....

“Aquilo que constatámos era uma prescrição ou, pelo menos, um consumo excessivo de determinados medicamentos antipsicóticos e antidepressivos. Talvez com maior incidência na Região de Lisboa” Ministra da Saúde dixit.....num país anormal, a braços com uma enorme crise e um governo que se pauta por uma postura extremamente optimista, mesmo nas colocações de dívida assumidas oficialmente como se de grandes exportações se tratassem, difícil de compreender para o comum dos mortais é mesmo que não haja aumento no consumo de antidepressivos.....(acredito que não seja essa a tendência nos gabinetes ministeriais, porquanto vai ganhando forma um novo ditado: de ministros e de loucos todos temos um pouco. Projecte-se esta nova definição popular da génese humana nos que o são de facto, et voilá.....)

21.1.11

As presidenciais passam e não deixam nada, a não ser um sentimento de vazio numa campanha sem um sentido e um presidente eleito, seja qual for, irremediavelmente tocado, ferido na asa.

15.1.11

Excerto de notícia no semanário Sol, edição digital, sobre a actual situação política na Tunísia:

"Num país onde o ditador Ben Ali e a sua família ainda controlam a economia [...], o trabalho está reservado àqueles que têm sorte ou aos que gozam de relações privilegiadas com a diminuta e poderosa elite de Tunes. Na Tunísia, como em outros tantos países, não são as qualificações ou o mérito que determinam o sucesso. É antes o nome, o casamento ou a filiação partidária."


Exceptuando o nome de Ben Ali, o restante é expressão de uma realidade que todos conhecemos, bem demais, em Portugal.
A nossa sociedade, liberdades e garantias são iguais a tantas outras - como por exemplo na Tunísia.

12.1.11

Produção para quando ?

Um sucesso a emissão de dívida a 10 anos.....somos campeões bem sucedidos de colocação de emissões de dívida. Bem visto pelo Ministro das Finanças. Um sucesso.
Tenho uma dúvida: quando é que começamos a produzir ?

7.1.11

Que....o quê..... onde ?

O novo desenvolvimento sobre o BPN e a SLN cheira a corrupção, a burla, a abuso de poder, a peculato, a..... como aliás todo o processo. No mínimo é o que nos parece a todos. No máximo, será mais um caso para arquivar, em que todos os envolvidos são inocentes cordeiros imolados no altar da 3ª República. Tão exigente se mostra esta 3ª República....

11.12.10

A posição do eixo franco-alemão é clara.....


"O problema não é só os défices, também há fraquezas estruturais nas nossas economias [da zona euro] que temos de resolver", disse Angela Merkel, a chanceler alemã à margem da cimeira bilateral na cidade de Friburgo na Alemanha. Os dois países (n.a.: Alemanha e França) estão "determinados a colocá-las [essas fragilidades] na mesa" para "superar as diferenças de competitividade. Isto não é uma questão para a próxima [cimeira na] sexta-feira mas para o futuro", explicou.

Superar as diferenças de competitividade, sem alimentar financeiramente as economias visadas, resolvem-se de uma única maneira: saída dos países visados da zona euro. Sem mais e tão só.

O futuro mencionado está próximo: chama-se 2011.

A questão para nós portugueses, cobardes politicamente por natureza e seguidistas de Bruxelas por conveniências muito pessoais, é clara: ou nos passa a cobardia e negociamos a saída do euro airosamente, ou somos corridos.
Repito: prefiro a primeira, só porque a segunda não deixa qualquer margem de manobra.

10.12.10

Um vislumbre da desagregação nacional....

Inadmissível é um adjectivo possível; inaudito seria outro; inaceitável seria a palavra certa para definir o estado de espírito que me assola, como estou certo, tomará o espírito de milhões de portugueses. Medidas que são tomadas pela Assembeia da República não são acatadas em todo o território nacional ? E o Primeiro-Ministro só duvida da constitucionalidade da decisão do Governo Regional dos Açores - por sinal do PS - mas apressa-se a afirmar que respeita a decisão ?
Que país é este ? Um todo ou um conjunto de partes ? E depois ouço "doutos" burros defenderem a regionalização: que nos salvem depressa desta conjura, desta loucura politicamente colectiva em que se transformou Portugal.
Regionalizar para quê ? Para amanhã todas as regiões terem interesses específicos, que nada têm a ver com o todo, perdendo-se um bem incalculável: a união e coesão nacional, uma única visão social e as obrigatórias coerencia e direito natural.
Há um desequilíbrio intelectual em Portugal que conduzirá, a não ser travado, a um aumento do ódio e a uma redução drástica da propensão ao sacrifício em nome da solidariedade nacional, de um povo que sempre foi uno e indiviso. Chega de falar e escrever sobre o que não se sabe nem conhece; não queremos um país que continue a servir de balão de ensaio a não-pensadores, estadistas burros, governantes impróprios e opinion makers pagos para darem azo à sua propensão natural para o disparate. Este é um barrete que serve a todos, sem excepcionar niguém, a começar pelo PSD que hoje considera inadmissível a posição dos Açores (e bem) mas defende a regionalização (bem mal).
Este incidente gravíssimo com os Açores, mostra uma pequena dimensão do desastre em que se transformaria a regionalização de Portugal. Acaso os Açores não são Portugal ? Claro que são e sendo, as leis, decretos, decisões políticas e solidariedade nacionalsão as mesmas, sem excepção.
Ao contrário do Primeiro-Ministro não respeito a posição assumida nos Açores: repudio-a total e frontalmente.

7.12.10

E como é que comem ?

Assange e a Wikileaks tornaram-se, por estes dias, um fenómeno de mediatismo, depois de já anteriormente terem dado nas vistas pelas mesmas razões; a saber, ataques continuados contra os Estados Unidos da América, através da divulgação de documentação secreta, trocada por canais diplomáticos agora, por canais militares antes, por política externa americana, sempre. É curioso verificar que aos olhos da Wikileaks, todo o veneno das obscuras relações políticas e diplomáticas geradas no mundo têm e são de origem americana; porque ainda não vi qualquer publicação sobre qualquer outro país. É igualmente curioso constatar que as movimentações diplomáticas de sempre, que fazem parte integrante da História Universal, cruzando-se com intenções políticas e militares, sempre foram escrutinadas anos depois, permitindo a avaliação possível, dentro dos parâmetros normais: os vencedores fazem a história. A razão é simples: dos derrotados não reza a história.

No caso concreto da divulgação continuada e mais prometida, de informações diplomáticas norte-americanas, que como todas as informações e opiniões diplomático-políticas são de enorme sensibilidade, estas processam-se antes ainda de sabermos onde reside a vitória, quem são os gloriosos arautos da verdade histórica: temos o 11 de Setembro, os atentados de Madrid e Londres, as cartas armadilhadas, temos toda uma estrutura terrorista que parece, agora, muitíssimo abalada, incapaz de perpetrar algo, mesmo que distante, do hediondo crime de 11 de Setembro, mas temos uma estrutura que ainda não está aniquilada. Por outras palavras, a vitória ainda não pode ser cantada, porque ainda não é certa. Ou ainda, se nos parece agora enfraquecida, nada nos garante que não renasça tal como Phoenix, do fogo e para o fogo e sangue. Falta muito caminho para andar mas, como em tudo, sabotar esforços para apagar o fogo insere-se numa estratégia, ela própria terrorista. Depois acresce, que se não estamos a falar só de terrorismo, estamos seguramente também a falar de capacidade económica, de poder económico. Esse poder económico que permite ao Irão e à Coreia do Norte terem investimentos colossais em poder nuclear, armamento, coacção. Numa situação de crise, económica, política e de equilíbrio mundial, é muito natural que os próprios parceiros sejam escrutinados, que haja uma opinião formada sobre os líderes que têm capacidade de mobilização de recursos, sejam eles económicos, físicos ou investigatórios. O facto de se analisarem amigos não pressupõe menor amizade mas tão somente uma preocupação fundada sobre esses amigos; e os amigos são os povos e não os líderes que os conduzem em determinados momentos da história: Chamberlain, víu o que quis, Estaline assinou o que quis, Mussolini uniu-se a quem quis, Hitler agíu como quis e, contudo, nada disto nos diz o que quer que seja sobre os respectivos povos. Nada de novo então. E hoje: o que se passará com a China, com a Índia, com o Irão e Paquistão, com a Rússia, Argélia e Arábia Saudita, só para citar alguns sem qualquer intenção de relevar importâncias: alguém sabe ? Não, ninguém, a não ser os inconfessáveis corredores de poder desses mesmos estados soberanos. Então porquê os Estados Unidos e porquê agora ?

Por serem poderosos economicamente, militarmente, por serem aliados dos judeus e de Israel, por terem um presidente negro, por estarem no Afeganistão, às portas do Irão, por terem estado no Iraque ? Porquê ?

Não sei responder a esta questão, embora possa calcular que a razão reside, em parte, em tudo o que foi enumerado e no restante, no que não foi.

Agora há uma questão pertinente que me assalta e para a qual não encontro resposta: quem alimenta Assange, todos os seus colaboradores, a Wilileaks ? Donde vem o dinheiro que permite a esta gente aceder a informação que teve de ser bem paga, quem lhes sustenta os vícios e necessidades (Assange estava em Londres, que não é propriamente uma cidade barata para se viver), o custo dos servidores, a propaganda, as conferencias de imprensa, em suma, toda a actividade terrorista a que se dedicam ? Quem sustenta ? Porque a intenção também parece clara e não oferecer dúvidas: enfraquecimento dos canais diplomáticos (leia-se espionagem), divisão entre os aliados ocidentais, formação errónea da opinião pública, manipulação da política e da economia a nível global. Terrorismo puro e duro.

P.S. Será bom recordar, porque a memória não sendo curta é por vezes traiçoeira, que numa operação semelhante ao 11 de Setembro de 2001, em 7 de Dezembro de 1941 os japoneses empurraram os americanos para a guerra, tendo o seu enorme esforço económico, em homens e equipamento, invertido o curso de uma ocupação territorial que só os ingleses teimavam em combater.


1.12.10

facilitismo na crítica à classe política ? Onde ? Como ?

Criticar a classe política não configura ceder a uma tentação, como pretende o Senhor Presidente da República, mas antes constatar um facto: Portugal está insolvente por inteira responsabilidade da classe política e dos clientelismos políticos; por toda a impunidade que sobreveio com a classe política e o desaforo com que foi exercido o poder, somente numa optica pessoal, sem levar em conta o interesse nacional. Mas compreende-se; também o Senhor Presidente, que se perfila hoje tão distante dessa coisa que é a política partidária, já foi, ele próprio, um activo político com as maiores responsabilidades na condução do país.

28.11.10

Sem dúvidas....

A Alemanha já o disse: fechou a torneira a mais ajudas. A Irlanda é um caso muito especial; está na zona Libra e, acaso necessite, o regresso a esta será sempre menos penoso que o regresso, por exemplo, de Portugal ao escudo.
Mas a Alemanha também afirmou que não vislumbra qualqer interesse, em que economias euro abandonem esta moeda: seria a diminuição da produção, da exportação, o desemprego para os alemães; cabe adicionar que essa preocupação, a ser verdadeira - porque em política, o primeiro sinal de interesse surge, por norma, pela negação - só diz respeito aos países com dimensão de marcado, capaz de afectar a performance económica alemã. Será esse o nosso caso ? Claramente não. Por outro lado é interessante verificar pela leitura das palavras, que o interesse na manutenção do euro, para os países que estão na zona euro, é tão mais importante, quanto maior for a economia envolvida, caso da Alemanha. É o nosso caso ? Obviamente não.
Estamos hoje mais longe da necessidade de uma ajuda financeira ? Não. Estaremos amanhã ? Menos ainda. Teremos a Europa para ajudar ? Não.
São demasiadas certezas para que subsistam dúvidas. Dúvidas sobre o nosso futuro próximo e longínquo.

16.11.10

A Áustria (discurso encomendado) veio agora afirmar que vetará, com enorme probabilidade, qualquer nova transferencia de fundos do fundo de emergencia europeu, aprovado aquando da eclosão da crise grega, por entender que a injecção de liquidez na Grécia provou ser ineficaz. Ou seja, o dinheiro da União Europeia está a ser mal gasto, se for para aplicar nas economias da zona euro em dificuldades.
Nada de novo, já o esperavamos, os fundos iniciais para ajudar a Grécia destinaram-se, exclusivamente, a ganhar tempo. O tempo foi ganho, nada mais há a ganhar mas tudo a perder, neste caso, o dinheiro dos contribuintes de economias mais sólidas e diferentes nas suas capacidades.

from New York Times....

Paul Krugman


Ireland’s Big Mistake
I’ve been thinking about the ongoing Irish mess, and I suddenly realized the true nature of Ireland’s big mistake.
It should have been Texas.
Think about it: the savings and loan crisis was about runaway banks, which had to be bailed out at (huge) taxpayer expense. And as best I can figure, about half the taxpayer cost came from just one state: Texas. Yet the burden was borne nationally. So it was as if the European Union as a whole were taking responsibility for Anglo Irish etc., which would of course make the whole Irish situation much less serious.
The Irish just picked the wrong continent on which to engage in crony capitalism.
§
Sem qualquer sombra de dúvidas. A União Europeia não presta como união, mas tão somente como bastião dos interesses franco-alemães.