1.12.10

facilitismo na crítica à classe política ? Onde ? Como ?

Criticar a classe política não configura ceder a uma tentação, como pretende o Senhor Presidente da República, mas antes constatar um facto: Portugal está insolvente por inteira responsabilidade da classe política e dos clientelismos políticos; por toda a impunidade que sobreveio com a classe política e o desaforo com que foi exercido o poder, somente numa optica pessoal, sem levar em conta o interesse nacional. Mas compreende-se; também o Senhor Presidente, que se perfila hoje tão distante dessa coisa que é a política partidária, já foi, ele próprio, um activo político com as maiores responsabilidades na condução do país.

28.11.10

Sem dúvidas....

A Alemanha já o disse: fechou a torneira a mais ajudas. A Irlanda é um caso muito especial; está na zona Libra e, acaso necessite, o regresso a esta será sempre menos penoso que o regresso, por exemplo, de Portugal ao escudo.
Mas a Alemanha também afirmou que não vislumbra qualqer interesse, em que economias euro abandonem esta moeda: seria a diminuição da produção, da exportação, o desemprego para os alemães; cabe adicionar que essa preocupação, a ser verdadeira - porque em política, o primeiro sinal de interesse surge, por norma, pela negação - só diz respeito aos países com dimensão de marcado, capaz de afectar a performance económica alemã. Será esse o nosso caso ? Claramente não. Por outro lado é interessante verificar pela leitura das palavras, que o interesse na manutenção do euro, para os países que estão na zona euro, é tão mais importante, quanto maior for a economia envolvida, caso da Alemanha. É o nosso caso ? Obviamente não.
Estamos hoje mais longe da necessidade de uma ajuda financeira ? Não. Estaremos amanhã ? Menos ainda. Teremos a Europa para ajudar ? Não.
São demasiadas certezas para que subsistam dúvidas. Dúvidas sobre o nosso futuro próximo e longínquo.

16.11.10

A Áustria (discurso encomendado) veio agora afirmar que vetará, com enorme probabilidade, qualquer nova transferencia de fundos do fundo de emergencia europeu, aprovado aquando da eclosão da crise grega, por entender que a injecção de liquidez na Grécia provou ser ineficaz. Ou seja, o dinheiro da União Europeia está a ser mal gasto, se for para aplicar nas economias da zona euro em dificuldades.
Nada de novo, já o esperavamos, os fundos iniciais para ajudar a Grécia destinaram-se, exclusivamente, a ganhar tempo. O tempo foi ganho, nada mais há a ganhar mas tudo a perder, neste caso, o dinheiro dos contribuintes de economias mais sólidas e diferentes nas suas capacidades.

from New York Times....

Paul Krugman


Ireland’s Big Mistake
I’ve been thinking about the ongoing Irish mess, and I suddenly realized the true nature of Ireland’s big mistake.
It should have been Texas.
Think about it: the savings and loan crisis was about runaway banks, which had to be bailed out at (huge) taxpayer expense. And as best I can figure, about half the taxpayer cost came from just one state: Texas. Yet the burden was borne nationally. So it was as if the European Union as a whole were taking responsibility for Anglo Irish etc., which would of course make the whole Irish situation much less serious.
The Irish just picked the wrong continent on which to engage in crony capitalism.
§
Sem qualquer sombra de dúvidas. A União Europeia não presta como união, mas tão somente como bastião dos interesses franco-alemães.

5.11.10

Diferenças que matam....

O presidente chinês parou em França para comprar, entre bens de equipamento e produtos energéticos, algo como 14 mil milhões de euros.
Vai parar igualmente Sábado em Portugal, onde Sócrates espera vender-lhe dívida pública nacional.
De repente sinto um misto de agonia, nojo e azia.....

4.11.10

e tudo na mesma....

Os juros da dívida pública portuguesa continuam a subir, apesar do Orçamento de Estado de 2011 ter sido aprovado. Parece claro que os mercados se regem por padrões de comportamento diferentes, dos que são ventilados pelos nossos políticos e muitos economistas que pululam as televisões, mas que de economia pouco percebem, ou fingem não perceber para se permitirem dizer os maiores disparates.

28.10.10


até quando ?

E agora andamos todos numa fona, afadigadamente verborreicos sobre um Orçamento, sobre a despesa do Estado, sobre o futuro do País, e criamos a ilusão de que alguma coisa está a mudar, mas não está; gostaria de dizer que no fim ficamos na mesma, mas também não posso. No fim estamos pior, até quando não sei. Esta é a pergunta para a qual não tenho resposta no imediato, mas uma coisa sei: não ficamos assim para sempre e essa certeza é o meu conforto.

A inveja também constrange e impede o desenvolvimento....

Antonio Borges, numa conferencia hoje em Lisboa, avaliou o investimento nas ultimas decadas como de fraquíssima qualidade. Nada que espante.
Há responsabilidade da banca concerteza, mas existem questões muito mais profundas para a inexistencia de qualidade na hora de decidir investimentos, a saber:
(1) Impreparação económica, na generalidade da população, que atinge valores dramáticos: só 3% da população é culta no que diz respeito a conceitos económicos;
(2) Um medo de morte de falhar: a sociedade portuguesa não premeia o erro, bem pelo contrário, pune-o. É sabido que, quanto maior a ambição, maior a probabilidade de falhar. Mas errar é aprender e quando se cria uma cultura anti-erro, cria-se uma cultura anti- aprendizagem na prática, porque não se aproveita o conhecimento que advém de um simples falhar. Em Portugal é impossível pensar em falir; só a palavra fere e mata, mas é nas falencias, quando sucedem, que os empresários aprendem a tornear os golpes dos mercados e ganham nova pujança. É impossível pedir que exista uma geração de empresários virados para o exterior, quando a probabilidade de errar é grande, e se vive num país que castiga o erro.
.....
O problema é nosso, uma vez mais, desta vez na formação das ideias, na filiação dos juízos a valores ridículos, que acima de tudo mostram à evidencia o maior dos nossos pecadilhos: a inveja.
A mentalidade empresarial não foge, igualmente, a esta realidade: a inveja discute, palmo a palmo, com o desígnio nacional, o futuro de todos nós há muitos anos.

27.10.10


Uma ou outra.....

Se as empresas sentem necessidade de se capitalizarem e não o fazem por via de uma redução das contribuições socias e fiscais, irão faze-lo por via do congelamento das admissões de pessoal, ou mesmo pela redução dos efectivos. Se não se capitalizam fecham.

Tudo tem de fazer sentido, mesmo quando parece não fazer ou não ter

Tudo tem de fazer sentido, mesmo quando parece não fazer ou não ter.
Este OE para 2011 é fundamental: A banca vai começar a financiar a economia ? A população vai viver melhor ? O crescimento económico será um facto ? O país vai diminuir as suas necessidades de endividamento externo ? A agricultura e a indústria serão pilares fundamentais do país ?
Tantas perguntas seriam possíveis e, como estas, todas mereceriam a mesma resposta: NÃO.
Se assim é, porque razão é fundamental o OE para 2011, nas bases em que o PS o quer viabilizar ?
"O país vai mergulhar numa séria crise financeira ?". Mas já não está ?
Não ter OE "é um luxo que Portugal não pode pagar". E o que é que Portugal pode pagar agora ? Nada, sem que lhe emprestem dinheiro sucessivamente. Vai faltar verba para liquidar os vencimentos de Outubro e/ou Novembro no estado ? Talvez sim, talvez não, mas a incerteza resulta de uma certeza: Portugal não produz para os gastos que tem, dependendo de terceiros para cumprir as suas obrigações. Esta nem seria uma constatação grave, se a diferença entre os gastos do estado e as suas receitas não fosse tão díspare; todos os meses somos forçados a contrair dívida para fazer face a despesa corrente e a juros de dívida já existente, constatando-se facilmente o endividamento galopante que daqui resulta. Para um país que pretende ver aprovado um Orçamento recessivo, meça-se o impacto profundo de uma diminuição das parcas receitas, perante um galopar das despesas de capital e da quase manutenção das despesas correntes.
"Ajuste de contas" e "higienização democrática" para fazer ? Não, existe a necessidade de endireitar as finanças do estado, reduzindo-as drásticamente. Um exemplo: terminar com o fundo de desemprego; há uma troca económica entre o agente que aceita trabalho, por encaixe de um salário e a obrigatória cedencia que aquele faz, em termos de ócio, ou por outras palavras, a utilidade da troca de gozo de tempo pela remuneração. Tem tudo a ver com o ganho que o agente reconhece nesta troca; quando o agente encontra um mercado de baixos salários, quase sem inflação, tende a não fazer a troca intertemporal do lazer pelo trabalho. Acabe-se com o subsídio de desemprego e termina, por necessidade, a comparação lazer/salário. Mas este é um exemplo entre muitos, exaustivamente abordados, da forma como o estado gasta mal os seus recursos.
A verdade é que o governo tem as contas públicas descontroladas e não sabe o que terá de fazer daqui a tres meses. Não abdica igualmente das grandes obras públicas e tem dificuldade em cortar nas despesas, por ser incapaz de projectar as implicações dos cortes, razão que subjaze ao descontrole anteriormente mencionado. Depois, acresce que haverá, com certeza, muita despesa que não é do conhecimento público e que representa certamente uma enorme dor de cabeça, por existir, por se situar no futuro próximo, por ser crescente, derivada de todas as obras que se foram fazendo, durante anos, sem que para tanto houvesse capacidade.
"Delírio político" o fim das negociações ? Nem de perto, mas tem graça que semelhante afirmação venha de um actor político mas igualmente gestor. O seu partido já anunciou a intenção de votar contra, mas o PSD delira quando não passa um cheque em branco.
Na mesma linha da UGT, que vai participar na mega manifestação agendada para Novembro mas vem apelar à aprovação do orçamento; não esquecer que a manifestação agendada para dia 24 de Novembro destina-se a mostrar o desagrado dos trabalhadores, pelo pacote de austeridade que lhes é exigido por esse mesmo orçamento.
Assim, parece claro que ninguém tem ideias sobre o que fazer, o que é bem pior do que não saber como fazer.
Precisamos de ferramentas económicas, agora mais, a saber: moeda e inflação.
Não temos uma nem outra enquanto estivermos no euro. Parece-me um optimo ponto de partida para começar a fazer, mostrando saber o que se deve fazer: abandonar a zona euro (a dívida portuguesa está nas mãos da Alemanha, mas esta não se incomodará com uma eventual saída de Portugal, bem pelo contrário).
Claro que se estará perante uma situação de recompensa dos esbanjadores, das cigarras, (exigirá sacrifícios à Alemanha) mas ninguém disse, nunca, que a economia se rege por princípios de moralidade.

Uma nova ordem económica nacional é absolutamente necessária.....

Um déficite de 4,6% no final de 2011 é totalmente impossível, em qualquer cenário. Mesmo com cortes maiores na despesa do estado e com a manutenção do aumento da receita fiscal, a meta para o déficite fixada pelo governo para 2011 obrigaria a aumentar de novo os impostos, não se sabe como por estarmos já para além do admissível e do possível.
Esta é uma meta impossível e que não merece credibilidade. Uma renegociação do valor limite do déficite e cortes maiores na despesa pública poderão atingir resultados benéficos para a economia, diminuindo o custo da crise sobre as famílias e as empresas. Retirar capacidade de gerar rendimento e poupança equivale a diminuir a receita fiscal; para além disso, taxas como o IVA, fixadas a 23%, contribuem fortemente para um aumento da economia paralela, reforçando aquele sinal.
É necessária uma nova ordem económica nacional.

Vale tudo menos mexer a sério na despesa do estado....e nas grandes obras públicas

Em Inglaterra, os cortes na despesa orçamental intermédia começou, com a medida anunciada, de dispensa de meio milhão de funcionários públicos, a que se seguirão outras.
Em Portugal o esforço de contenção orçamental recai sobretudo sobre as famílias e as empresas, acabando drásticamente com a possibilidade de recuperação da economia portuguesa, que todos os quadrantes já afirmaram ser uma política recessiva.
Se particulares e empresas têm de fazer esforços, o estado é o primeiro a ter de se mostrar duplamente esforçado e sacrificado. Todos sabemos que o nosso estado é "gordo".
A partir de hoje este orçamento é responsabilidade do PS, tão só da responsabilidade do PS. A questão da abstenção do PSD em relação ao documento ainda está em aberto, mas a responsabilidade já não lhe cabe.
Quem governa é o PS; quem se deve responsabilizar é o PS.
Reafirmo a minha posição: mesmo que a reacção dos mercados seja má (e será) essa reacção é temporária, como tudo na vida e a minha convicção mantém-se: o orçamento deveria ser chumbado.

19.10.10

Parecia entalado......

Passos Coelho sacou o "coelho da cartola".
Aquilo que pede é mínimo, de impacto reduzido, mas implica cedencias que um partido a governar em minoria tem de aprender a aceitar. Agora, se o PS fugir da governação é porque claramente não quer, não pode nem sabe ser governo. Se o PS fugir agora é a segunda vez que o faz e será penalizado; mas Sócrates está tão agarrado ao poder que não fugirá e o PSD terá chamado a si o protagonismo político, através da cedencia governamental....

Compensa.....

José Sá Fernandes perdeu agora para a Bragaparques na suposta tentativa de corrupção do senhor vereador, como já tinha perdido para a providencia cautelar sobre o Túnel do Marquês, antes de ser vereador.
Entretanto já deixou o Bloco para, romanticamente, abraçar a Rosa.

16.10.10

O cenário já está... a peça estreia daqui a quatro meses....

O cenário está montado. As pressões que têm caído sobre Passos Coelho forçam o PSD à abstenção, na votação do OE de 2011. O orçamento passa, o governo mantém-se em funções, mas a termo. Assim que se tornarem necessárias novas medidas de austeridade - porque no essencial a despesa do estado não sofre reduções significativas, que garantam o controle da despesa pública, que continua a crescer - e num período após presidenciais, já será possível paresentar uma moção de censura e fazer cair o governo. Cair o governo significa deixar cair os projectos megalómanos presentes no OE 2011, a saber: TGV, aeroporto e terceira travessia do Tejo (projecto associado ao novo aeroporto). É imperioso que o governo caia, antes de deixar as marcas destes investimentos na futura gestão da coisa pública (embora pessoalmente pense que, seja qual for o governo, as obras serão difíceis de travar, especialmente o TGV). Em simultaneo, é quase impensável que, num país à beira do colapso financeiro, obras faraónicas continuem a abrilhantar documentos como o orçamento: estamos de tanga, mas para o lado de S. Bento continuamos teimosos.
Contudo, no meio deste caldeirão de política e finanças públicas, continuo sem perceber porque razão este orçamento tem de passar agora porque não podemos ficar sem governo, mas tres a quatro meses depois, já podemos avançar para eleições e estar uns quantos meses com um governo de gestão. Dir-me-ão que é uma questão de timing, de mostrar ao exterior vontade de resolver o problema em que se transformou a despesa e dívida pública portuguesa. Pois sim, mas como é expectável, as medidas que agora são tomadas só aumentarão a agonia, sendo que mais tarde, daqui a uns meses, a pressão sobre o país terá aumentado e não diminuído. O problema será maior, porque a pressão será maior, a necessidade de fazer sangue maior e o risco de colapso financeiro maior. Acresce que a Europa estará a começar um ciclo de crescimento e nós estaremos em contraciclo, afastando cada vez mais a já inexequível meta da convergencia com a média europeia.
Contudo, parece à primeira vista que nenhum dos problemas actuais o será mais tarde, daqui a uns escassos meses.
O problema residirá na queda do governo e não na sua saída airosa. Pois: em qualquer país democrático e civilizado, este governo já estaria a ser responsabilizado por todas as omissões e falsas verdades, com que tem alimentado o país desde há 5 anos; não seria necessário faze-lo cair para que, ele próprio, caísse de maduro.