9.4.10

Os países vão à falencia mas não fecham......
A necessidade de prover a Grécia de meios financeiros, capazes de sustentar as suas obrigações para com os credores, é inevitável. O problema surge quando não se vislumbra o "como".
O acordo de princípio dos países da zona euro para assumirem a ajuda, com uma suposta flexibilização da posição alemã, não vale mais do que isso mesmo: um acordo de princípio, que inclui a zona euro mas ( e este mas é muito grande) também o FMI (Fundo Monetário Internacional).
A capacidade de obtenção de crédito por parte de um país soberano pode medir-se de várias formas; através do déficite (despesa vs rendimento nacional), dívida pública medida em função do Produto Interno Bruto (PIB) ou do Produto Nacional Bruto (PNB), serviço da dívida em relação às exportações e a prosperidade do país mede-se através da sua capacidade creditícia.
A ausencia de crédito conduz à incapacidade de alcançar crescimento económico. É assim que a Grécia se encontra já e Portugal estará, daqui a uns meses.
Contraindo-se o crédito assiste-se a um aumento incomensurado do declínio económico, muito superior ao verificado pela crise que lhe deu origem. Daí a situação grega ser dramática. Mas para que os países da zona euro possam acudir hoje à Grécia, para acudir amanhã a Portugal e depois, quem sabe, a Espanha, é necessário que os vários operadores soberanos se atravessem com a sua capacidade creditícia, significando a entrega de garantias e a inerente diminuição da sua própria capacidade de obtenção de crédito.
Por outras palavras, uma ajuda da zona euro à Grécia significa uma diminuição da capacidade de obtenção de crédito pela zona euro, com a significante e relevante perca de crescimento económico.
para que as coisas funcionem é necessário acreditar que a Grécia depois de ajudada a obter o crédito de que necessita, enceta um caminho de progresso económico e de crescimento económico. Mas se o dinheiro necessário é para pagar dívida já existente, como é que a ajuda se traduzirá numa multiplicação do dinheiro, promovendo o crescimento ? É necessário muito mais dinheiro, ou seja, muito mais envolvimento dos países da zona euro mas, mesmo assim, seria necessário acreditar que os gregos iriam ser muito diferentes no futuro próximo. E alguém acredita nisso ? Provavelmente só os gregos e não todos.
Daí a entrada do FMI. Mas qual será a lógica da entrada/intervenção do FMI para ajudar a resolver uma questão de dinheiro na zona euro ?
O FMI aparece, como o Banco Mundial, em Bretton Woods como entidades de supervisão mundial. Onde ficaria então situado o Banco Central Europeu (BCE) ? E mais importante, que mensagem passaria a intervenção do FMI para a credibilidade do BCE, primeiro banco central, agente regulador, de índole internacional ? Depois, acresce que o BCE é claramente manipulado pelos interesses alemães, porque quer queiramos quer não, no que ao dinheiro e à capacidade de crédito diz respeito, a soberania nacional continua a ser o motor e não há nenhum país que queira colocar a sua soberania em jogo.
Os países não são empresas.
Porque razão é perigosa a situação na Grécia ? Porque quando o devedor é soberano, os credores de uma forma ou de outra têm mecanismos de cobrança, porque os países devedores terão de pagar até ao limite das suas possibilidades, porque um país pode falir mas não pode fechar. Mas uma crise interna leva ao encerramento de muitas e muitas empresas, a um desemprego elevadíssimo e a um incumprimento insustentável junto do sistema financeiro doméstico, o que conduz a uma situação de ruptura sem capacidade de solução; as empresas abrem falencia.
É por este somatório de razões que, chegada a hora de dar a mão à Grécia, os alemães se vão virar para o entroncamento entre o FMI e as ajudas pontuais dos países da zona euro, preferindo claramente que o FMI assuma toda a despesa, deixando os restantes países caírem umas parcas migalhas. Porque os tempos não são fáceis, a zona euro não é fácil, a moeda única não é fácil e os mercados são difíceis.
E o crédito esbanjado hoje impede o crescimento de amanhã e durante muitos anos.

26.3.10

Requere-se União.....

A hora é de união no PSD.
Com a vitória de Pedro Passos Coelho exige-se uma força e sentido único no PSD. Não há um unico líder que sozinho consiga conduzir os destinos de um grupo, de um partido, de um paaís, de uma sociedade com sucesso.
É necessária a participação dos mais capazes, dos intelectualmente mais capazes, para que estes arrastem outros, façam nascer ideias, desenvolver projectos e projectar Portugal no futuro.
A hora é de união no PSD.
Pedro Passos Coelho é o melhor líder para o PSD no momento: vai ganhar e ganhando ganha, obrigatoriamente o respeito e a confiança de todos os que se reveem no PSD. Mas, acima de tudo, é necessário colocar Portugal no trajecto dos portugueses e, depois, do mundo.
Quanto mais depressa se encetar a mudança de mentalidades no nosso paaís, mais depressa resolveremos os nossos problemas (temos aí para uns vinte anos de trabalhos esforçados). Se não se fizer agora, não se fará mais.
Todas as críticas são possiveis antes de...depois já não.
Haja esperança e que o novel dirigente se saiba escudar no conhecimento, na respeitabilidade, na experiencia e nos bons conselhos de todos, mas acima de tudo que se saiba rodear e que areje, definitivamente, um partido que apresenta sinais evidentes de mofo.

A Oportunida Perdida.....
Manuela Ferreira Leite sai do PSD como entrou; sem ideias, sem projectos, sem discurso, sem intenções de governar.
A estratégia (ausencia de) passou por uma colagem evidente a Belem, por uma liderança apática, hipócrita na forma de lidar com o interior do partido, fraca e titubeante a lidar com o eleitorado e afastada dos problemas nacionais, gravíssimos, na forma muitas vezes desconcertante como deixou fugir-lhe o discurso para o acessório, equivocando-se geralmente no essencial. Padeceu deste problema nos debates com José Socrates para a campanha das legislagtivas, padecendo de todos na forma como nunca interagíu com o país e não deixou aproveitar a força da bancada parlamentar do PSD, dotada de alguns oradores astutos. Aguiar-Branco foi um escudeiro fiel dos seus propósitos, que se reconhecem não terem sido nenhuns. Velejou na política como em dias de vento no mar: à bolina dos interesses de Belem.
Diz que sai de consciencia tranquila. Sai de facto, mas sem poder adjectivar, catalogar ou certificar qualquer tipo de consciencia, porque nada fez de político ou como política, a não ser criar um enorme mar de equívocos dentro do PSD.
Sai como entrou, sem coragem para o combate político. Sai não conseguindo ir contra as expectativas de Belem, mas indo frontalmente contra a vontade do PSD: chumbar o famoso PEC.
Todos sabemos que este PEC de nada serve e só custará uma ainda maior frustração nos mercados e na economia. A derrapagem das contas nacionais nos primeiros dois meses de 2010 é terrível a prenunciar um ano feroz para as contas públicas. O PEC, por seu lado, mostra que este irá ser um ano terrível para todos, mas fundamentalmente para os que estão economicamente carenciados, podendo avançar-se para um número perto dos 8 milhões de portugueses que, directa e indirectamente, sofrem na pele a ausencia de razão política e económica, de coragem política, de paixão política e de amor por Portugal.
Manuela Ferreira Leite teve a possibilidade de sair de cena como alguém que ama o seu país e não teme o necessário e inevitável custo das decisões políticas. Tinha a seu favor o ir sair, pelo que esse custo seria nulo sob um ponto de vista político, que não pessoal. Mas já Jorge Sampaio assumíu o custo pessoal quando demitíu Pedro Santana Lopes e não temeu nem tremeu.
Manuela Ferreira Leite quis agradar a Belem e ser colocada no pedestal da "boa moeda", do seu amigo de sempre, para que este não fosse confrontado com uma crise política (porque a crise económica está cá toda, com ou sem PEC, com ou sem governo). Fez mal.
Até porque ninguém está interessado neste momento em saber quem será o próximo Presidente da República.
Até porque ninguem sabe bem quanto tempo mais temos de euro, de União Europeia, de acesso ao crédito em condições (não a qualquer preço) de não exterminar uma economia já afogada em dívida.
Até porque ninguem sabe ao certo quanto tempo mais este país aguenta esta 3ª Republica, como a desenham desde há 36 anos.

23.3.10



O PSD caíu no conto do vigário....
Ninguém parece dar-se conta do logro que constitui trazer para a praça pública o debate entre candidatos à liderança do PSD.
Toda a gente assiste ao mediatismo da contenda como se fosse algo de natural; e não é.
A discussão entre as propostas dos candidatos é um problema interno do PSD. A discussão deveria fazer-se ao nível das concelhias e distritais e não com exposição pública nacional.
Primeiro, porque só uns milhares (talvez entre 40 e 70 mil) votam nas directas, direito que assiste a quem é militante do partido e tem as quotas em dia. Depois, porque as intenções e oratória próprias destes momentos devem ser canalizados internamente e só internamente.
Quando as eleições se decidiam em Congressos ainda vá, que se assisti-se ao combate político entre moções, uma das formas possíveis de galvanizar quem estava fora da política. Agora que as eleições são directas, o discurso dos candidatos só interessa a quem tem o direito de votar (os tais milhares, poucos).
Aliás, o espectáculo mediático encenado é ímpar na política nacional.
Espremer os candidatos a líderes do PSD frente ás camaras de televisão equivale a um suicídio político destes, mesmo antes de se ir a votos nacionais. Porque a ideia que fica, para quem assiste ou lê/ouve comentários posteriores é a de que já conhece as ideias e linhas programáticas do vencedor, quando esta ilação é falsa. Uma coisa é o debate interno, outra bem diferente o discurso político virado para eleições nacionais.
Porque internamente há coisas que não se explicam por desnecessárias. Porque internamente há zangas, birras e pequenos ódios de estimação, cultivados durante anos de combate político por lugares ao sol, que nestes momentos não se conseguem evitar demonstrar. Porque também há muita coisa que já se sabe, porque se está dentro da máquina partidária e não faz sentido explicar aos militantes. Também porque estes votam por arregimentação das suas vontades, numa lógica partidária de apoios e ascensões internas.
Discutir moções partidárias para eleições partidárias só fustiga os partidos que o façam. É um logro, também porque parece mostrar um partido desunido, com as entrevistas a serem conduzidas numa lógica de uns contra os outros, quando numa luta partidária interna esse é o cenário natural, uns contra os outros. Porque depois sempre aparece a apelar á união, com se de desunião se tratasse. O PSD já teve lutas piores do que esta pelo poder interno e sobreveio sempre o sentimento de unidade em torno do líder.
E depois cai-se na tentação de confundir os militantes votantes nas directas com os eleitores do PSD.
Os primeiros há muito que decidiram em quem votar.
Os segundos, que englobam aqueles mas são incomensuravelmente muotos mais, não votam agora, podendo ou não faze-lo dentro de meses (logo se vê), mas estes debates não configuraram qualquer tipo de campanha eleitoral nem pretendiam contribuir para elucidar o eleitorado. Mas pareceu, aos olhos de muitos pareceu e isso foi mau.

13.3.10


Escrevi há pouco tempo que simpatizava com a candidatura de Paulo Rangel. Alguma razão em especial ? Sim, sem dúvida: diminuir a candidatura de Passos Coelho.
Mas porquê ? Porque Passos Coelho está fortemente apoiado num político fortemente baseado nos conceitos e conhecimentos do que é e como funciona a demagogia política.
Assim, não foi difícil perceber que o discurso de Passos Coelho seria, como foi, forçosamente o melhor, neste Congresso Extraordinário do PPD/PSD.
Mesmo a gaffe relativa a Alberto João Jardim (fora do contexto do discurso que tinha sido preparado detalhada e minuciosamente, como se de um rasgo de inteligencia se tratasse e se tal fosse possivel) não impedíu uma saída triunfal para a vitória final, de Pedro Passos Coelho.
Aguiar-Branco é fraco, embora com muitos anos de política.
Paulo rangel está demasiado fresco, tem pouca ou nenhuma argúcia política, está igualmente encostado a interesses e não procura a ruptura, a não ser em relação a determinados sectores do PPD/PSD que já existiam, mas acima de tudo é um homem medroso, como mostrou no arranque da campanha.
Não tenho dúvidas: Passos Coelho vai ganhar as directas no partido.
Igualmente, não tenho qualquer dúvida que vai ser excepcionalmente bem aconselhado ao nível político.
Tenho todas as dúvidas, direi mais, certezas, de que será um péssimo Primeiro-Ministro, porque será mais do mesmo, do pior que Portugal já viveu na sua História longa e rica.
Igual só D. Manuel I.

11.3.10

O que se diz cá dentro não tem, por norma e como sabemos, correspondencia com o que se entende lá fora.
Um exemplo: muito embora tenha sido apresentado pelo governo o Plano de Estabilidade e Crescimento, que supostamente irá criar condições para reduzir o défice e a dívida pública até 2013, a procura de dívida portuguesa (os credit default swaps) superou a oferta nos mercados, no dia de hoje.
Para bom entendedor......

15.2.10

A Ruptura Fundamental....e Fundamentalista....

As noticias de hoje ( Correio da Manhã) dão-nos conta de supostos pagamentos de Manuel Godinho a um Santana Lopes ou mesmo a dois, de entregas de valores no CDS/PP e de pagamentos efectuados a Narana Coissoró (este afirma que recebeu o montante referido na notícia na forma de honorários, enquanto advogado de Manuel Godinho).
Chamar sucateiro a este homem (Manuel Godinho) parece-me, claramente, uma situação de manifesta descriminação; o homem conhece meio mundo, entregou valores a meio mundo, incluindo partidos políticos, dava-se com a nata (azeda, cada vez mais azeda)) da nossa classe política. Chamar sucateiro a este homem é menosprezá-lo, com intenções claras de descriminação social: quanto muito, o mínimo que se lhe poderá chamar, acaso se venha aprovar alguma coisa na justiça, será mafioso bem relacionado, sucateiro soa a pouco, convenhamos.
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Tenho simpatia por Paulo Rangel: o discurso é inteligente, a postura correcta, o timing certo, as intenções boas e a necessária ruptura que preconiza uma medicação mais do que aconselhada para Portugal.
O problema reside no facto de Paulo Rangel estar inserido no PPD/PSD.
Os partidos políticos em Portugal estão viciados, os intervenientes políticos estão numa grande maioria - como nos vão mostrando os sucessivos casos dádos à estampa - envenenados, desgastados, sem credibilidade e afogados em esquemas permissivos e criminosos.
O PS, o PPD/PSD e as restantes forças políticas, directa ou indirectamente, estão envolvidos em toda a política maléfica materializada nos ultimos 30 anos, no bas-fond económico e financeiro que nos pesa nos ombros, no estropiamento da riqueza nacional e das suas sucessivas gerações, na preocupação generalizada e fundamental de criação de ricos.
Os políticos existentes (muitos deles) estão gastos e profundamente envolvidos na debacle nacional. As máquinas partidárias são coniventes, desde as concelhias até às distritais. E é destes políticos que se faz a política nacional.
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Como o Correio da Manhã pretende ilustrar hoje, os tentáculos do polvo abrangem todos. Abrangendo não deixa margem para dúvidas: mudar um líder político não significa uma melhor política nacional, por muito voluntarioso que esse líder seja.
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Para que Paulo Rangel tenha sucesso, mostre todo o voluntarismo de que se encontra imbuído, é necessária a ruptura, mas uma ruptura total.
Será possível efectuar essa ruptura de forma a limpar o partido dos anti-corpos que o minam ?
É esse o grande desafio, porque faze-lo implica fundar um novo PPD/PSD, porque quase ninguém que lá está, que lá se escuda e lá se governa pode merecer confiança.
Quase ninguém, porque ainda há gente válida, como quero acreditar que seja também o caso de Paulo Rangel.

13.2.10


É possível que a PT tenha pago custos ligados à campanha do PS ?
Ser possível é; torna-se necessário saber se aconteceu e em que circunstancias....
A notícia veiculada no Correio da Manhã de hoje, alegando pagamentos efectuados pela Portugal Telecom (PT) a indivíduos que participaram na campanha a favor do PS e de José Sócrates só pode ter, como consequencia imediata, uma aturada investigação.
A indignação de Francisco Assis quanto à inclusão do nome de Ines Medeiros na manchete do jornal, não elucida nem contribui para o esclarecimento que tem, forçosamente, de ser feito: foram ou não efectuados pagamentos, directa ou indirectamente, a personalidades de vários quadrantes, através da PT, de serviços que residiam tão sómente em apoiar a candidatura de José Sócrates a Primeiro-Ministro de Portugal ?
Se sim, imagino que essas figuras públicas sabiam de onde estavam a receber o dinheiro, porque os imagino a passarem recibos à entidade emissora dos pagamentos. Sabendo não estranharam estar a PT a pagar-lhes serviços dos quais não beneficiava, nem directa nem indirectamente ? E mesmo assim aceitaram o pagamento ?
lamento, mas se assim foi também eles terão de ser chamados à pedra.
Mas, e se não foi a PT a efectuar o pagamento directamente ? A situação, neste caso, prefigura-se muito pior, porque levanta a questão de como saíram esses fundos da tesouraria da PT. Porque conforme saíram estes poderão ter saído muitos mais, para muita gente, sem qualquer tipo de controle.
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Imagine-se a situação hipotética da compra de um quadro, de um Malhoa por exemplo.
Imagine-se que quem o compra o faz com dinheiro alheio, num leilão fora do país.
Imagine-se ainda que o comprador não quer, por razões óbvias, que se saiba e portanto dá instruções para que o envio do quadro seja feito sem identificação de proprietário, com entrega contra documento de compra.
É possível ? Claro que sim, muito embora o leitor pense com razão: "e se acontece alguma coisa ao quadro no caminho?". Bom, aí surge a figura do seguro, que obrigatóriamente teria de ser feito em nome do proprietário, fazendo parte do bilhete de despacho. Estar-se-ia perante uma situação de "gato escondido com rabo de fora".
Porque não se consegue esconder tudo, de facto.
Porque esta situação, repito hipotética, ilustra a possiblidade de fazer sair fundos ligados à PT mas que, forçosamente, deixam rasto.
Há então necessidade de investigar a veracidade da notícia e, sendo verdade, determinar as responsabilidades pelos pagamentos efectuados e de que forma foram efectuados.

Adaptação livre de "Uma Ilha na Lua" de William Blake...

”Vou começar outra vez", disse o Cínico. Cá vai:"Rompeu Sócrates empertigado, Enxuto e de queixo arredondado, dizendo:Que gostaríeis vós de receber?"
E o povo perguntou: " E quem é Sócrates , meu Senhor?"
O Cínico respondeu rapidamente:"É o deus da Medicina, Pintura, Perspectiva, Geometria, Geografia, Astronomia, Química, Mecânica, Táctica, Fraseologia, Mitologia, Astrologia, Osteologia, Somatologia, Teologia, Patologia e até Culinária - numa palavra, todas as artes e ciências são par
a ele como as contas do colar ao pescoço."
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Chegados aqui, o Povo mostrou-se espantado e perguntou ao Cínico se Sócrates percebia também da Arte da Gravura.
Respondeu o Cínico que sim senhor, que sabia.
"Os pagãos na antiguidade costumavam ter deuses que veneravam e a quem faziam sacrifícios. Vocês devem fazer o mesmo com Sócrates agora", rematou o Cínico.
"Ah", disse o Povo, e o Outro, também é tão instruído ?"
"Não", disse o Cínico. "Como é que podes ser tão néscio que penses que é?"
"Oh, eu não penso que ele é – só perguntei se é," disse o Povo.
"Como é possível pensares que não é e perguntares se é?" disse o Cínico.
"Oh não, Senhor. Eu pensava que sim, que ele era, antes de me dizer, mas depois fiquei a pensar que não é."
Diz o Cínico: " Em primeiro lugar pensavas que era, & depois, quando eu disse que não é, já pensavas que não é. Bem, eu sei que – "
"Oh, nada disso Senhor, eu pensava que ele não era, mas perguntei para saber se ele era."
"Como é que isso pode ser?", exclamou o Cínico. "Como é que podes perguntar, & pensar que ele não era?"
"Bem," disse o Povo, "veio-me à cabeça que ele não é."
"Mas porque é que então", insistiu o Cínico, "disseste que ele é?"
"Eu disse isso? Caramba! Não pensava ter dito tal coisa. Mas o que eu quis dizer. Eu – eu – eu não consigo pensar…Caramba! Senhor, bem gostava que me dissesse como é que isto pode ser."
Então o Cínico pôs o queixo na mão & proferiu: "Sempre que pensares, deves pensar por ti mesmo."
"Mas como, Senhor!" exclamou o Povo. "Sempre que penso devo ser eu a pensar? Mas eu penso que sim. Em primeiro lugar – ..."
"Ora, ora!" disse o Cínico. "Não sejas parvo. Pensar por ti mesmo implica ouvir primeiro, sempre, e repetir pensando o que ouviste."
O Cínico então pôs-se a pensar: qualquer burro nato há-de dar um espertalhão, desde que seja devidamente educado. Se depender de mim, o Povo daqui a quatro anos há-de ser um génio muito superior.
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Neste momento fazem a sua entrada os Outros quatro filósofos, (são seis ao todo, contando com o Sócrates e o Outro ) dizendo em uníssono:
"Vamos Povo! Diz lá qualquer coisa."
O Povo começou então:
"Em primeiro lugar penso, eu cá penso em primeiro lugar que Sócrates é muito bom em Medicena, Fologia, Pistinologia, Aridologia, Arografia, Metamorfografia, Focinhografia, Suínogamia, Hinotomia, & a tudo isso”.
E foi assim que saíram todos da sala, & eles não puderam continuar a conversa neste propósito.

11.2.10

A vontade inequívoca de desmontar a cabala em torno da manipulação do estado de direito, da liberdade de informação e do comportamento reprovável de figuras relevantes dentro do cenário político e económico nacinoal deriva, directamente, do receio de que a 3º República se esteja a afundar, inexoravelmente, e com ela os privilégios de todos, todos mesmo, do Bloco de Esquerda ao CDS/PP.
Este receio fundado redunda numa massiva reacção de menorização da situação que se vive no país e, em particular, no caso Face Oculta.
Mas a situação é grave, muito grave, porque a dívida pública continua a crescer, a despesa do estado continua a crescer, o nível de vida dos portugueses continua a cair e a contestação social ameaça as ruas, sendo que esta ameaça não é pequena, bem pelo contrário, consubstancia-se em algo de muito grave.
Porque estas são questões de enorme importancia política, porque a Real Politik já não se faz hoje da política dos bastidores, nem sequer da que nos é oferecida em horário nobre, mas sim das dificuldades sentidas diariamente na sobrevivencia das familias e no futuro estropiado das gerações mais novas e das vindouras.
Porque pela primeira vez na longa história deste país, os pais não vão poder deixar mais aos filhos do que aquilo que receberam; porque as gerações que nos precedem já estão hipotecadas.
Por tudo isto, porque toda a "conversa" e pose política actuais, porque todo o discurso político está definitivamente enterrado, só uma postura política baseada no social, no respeito e na ética será capaz da ruptura que captará a atenção da população.
Ricardo Sá Fernandes, advogado de Paulo Penedos(assessor da PT) afirmava há dias, na televisão, que o seu cliente não via inconveniente na publicação das escutas e que até pretendia mais; que todas as escutas fossem tornadas públicas para que se percebesse, claramente e sem equívocos, que não tinha participado de forma, fosse qual fosse, lesiva e/ou mesmo que prefigurasse algum tipo de crime, na operação tentada do governo controlar a TVI através da Portugal Telecom (PT) (a coisa já devia estar negra para ir buscar um advogado cujos casos são muitíssimo mediáticos).
Parece que com Rui Pedro Soares, administrador na Portugal Telecom, as coisas não se passam exactamente assim.
Parece que ao fim e ao cabo é necessário impedir a divulgação das referidas escutas. Também ontem as coisa mudaram com Henrique Granadeiro e as afirmaç~poes que fez e teria feito anteriormente. Uma grande salganhada a que ninguém escapa.
É claro que não podia ser ninguém directamente ligado ao poder a assumir o "custo" da providencia cautelar, tendo-se utilizado mais um expediente: um administrador da PT (um boy ?) para fazer o serviço.
Entretanto o Procurador-Geral da Republica refugia-se no silencio enquanto o Presidente do Supremo Tribunal de Justiça se afadiga para falar ao país através das televisões.
Enquanto tudo isto se passa, o país não sabe o que aconteceu,o que acontece, quais as reais responsabilidades de cada um, onde acaba a sem-vergonha e começa o crime, ambos más companhias para políticos, empresários, administradores de empresas, jornalistas, causídicos e figuras mais altas da Nação.
É um desgoverno total.
A pergunta que resta: alguma destas personagens (e todas as outras que se debatem com problemas semelhantes e outros, a contas com a justiça) será capaz de continuar a liderar os destinos do País ?
A resposta é clara: NÃO!

4.2.10


Quanto mais tarde mudar mais difícil fica...

Hoje, 4 de Fevereiro, pouco importa na realidade se a Lei das Finanças regionais passa no parlamento, se acaso o Governo se demite das suas funções, se o Presidente da República, dentro do quadro constitucional, convida outros partidos para formar governo ou se convoca eleições.
O que realmente importa é que temos um Orçamento de Estado (OE) que não serve, que agora vai ser apresentado um Programa de Estabilidade e Crescimento (PEC), para estrangeiro ver, que nos provoca uma enorme confusão: se o PEC é diferente do OE para que serve o OE ? Ou para que serve o PEC ? É o OE que é para cumprir ou o PEC ? Se o PEC é para estrangeiro ver (como escrevi anteriormente) do que nos vai servir ? Não vamos chegar ao fm de 2010 piores? Vamos de certeza. E não vamos sofrer as repercussões durante todo o ano ?
Claro que sim; já estamos a sentir. Tudo porque temos um mau OE 2010.
Então porque razão há tanta ansiedade em torno da votação no parlamento da lei das Finanças Regionais ? E da demissão ou não do executivo ?
Não está tudo isto de pantanas ? Que mal virá ao mundo se anteciparmos aquilo que só irá ser feito daqui a uns seis a oito meses ? Não teremos tudo a ganhar se for feito já ?
Mas para fazer tem de ser bem feito, muito bem feito e no actual espectro político não vejo quem, mesmo entrando em conta com os possiveis candidatos à liderança do PSD.
Esta classe política está demasiado atada, por muito conluio, muita convivencia nefasta, por muito afastamento das questões essenciais e muita atenção nas questões pessoais.

A falta de vergonha de que se fai fazendo o dia-a-dia do país....
A proposta de levantamento do sigilo fiscal, por parte dos tres deputados da bancada parlamentar do PS, Strecht Ribeiro, Afonso Candal e Mota Andrade, pode não ter contido nenhuma deslealdade para com o grupo parlamentar do PS e o seu presidente, mas foi fortemente desleal para com todos os portugueses que pagam os seus impostos e não piam. De acordo com a proposta, todos os corruptos que habitam no mesmo espaço económico que nós seríam na prática e no fundo nós próprios, os sérios e probos, expostos publicamente nos seus rendimentos ganhos honestamente, enquanto os verdadeiros corruptos continuariam a gozar das benesses de um sistema permissivo, de uma justiça lenta e que tarda. Rouba-se despudoradamente durante 35 anos e no final dos tempos os cidadãos anónmimos e honestos mereceriam o tratamento de criminosos sem vergonha.
Tenham juízo.
Também a 1º República acabou a discutir com "unhas e dentes" a corrupção.

3.2.10

As velhas falácias.....
Hoje, na SIC Noticias, um Engº. de nome João Picoito representante da Nokia Siemens, foi entrevistado por Mário Crespo.
Com pose de e(go)stado, o tal Dr. Engº. qualquer coisa, acompanhado por imagens da visita de sua majestade o primeiro-ministro desta baiuca ao tal sítio pomposo que se descreve adiante, sempre foi defendendo o investimento naquele que é o 2º maior centro mundial de atendimento a clientes de redes de telecomunicações. O primeiro está sedeado na Índia (já nos vai dizendo alguma coisa).
Inicialmente estavam programados 180 postos de trabalho, mas já vão nos 600.
Entre muito conversa, oratória e emproamento, com bitates como "Headquarter" e "Country Manager", o tal senhor só não aceitou que chamassem "Call Center" ao tal 2º maior qualquer coisa, mas sempre foi arfando que aquela coisa estava cheia de engenheiros e mestres, todos poliglotas e de imenso arcaboiço técnico. Pois, pois.
Faltou a Mário Crespo (que é excelente) perguntar qual o vencimento médio que é pago.
Porque é obra, arrematar uma coisa destas à India.
.
Porque levo muito em conta os comentários que recebo e publico, aqui deixo a rectificação. O Dr. Engº. ilustra os egos inflamados deste país.....

31.1.10

A necessária solidariedade dos portugueses para com Portugal....
A catástrofe no Haiti tem sido objecto de acções de solidariedade, esperadas por parte da população portuguesa, dignas do maior registo.
Nós somos assim e ainda bem que o somos.
A transfiguração nacional, perante os desastres, é tal que leva sem qualquer tipo de dúvida a esquemas fraudulentos simples mas eficazes que, a única emoção que exploram, é a solidariedade. Nós somos e sempre seremos solidários. Nós misturamo-nos, convivemos e partilhamos sem vénia nem convénios. Somos assim, ponto: cidadãos do mundo por natureza.
Falamos ingles, frances e chinamarques com a maior das facilidades, mesmo que seja para dizer:
- Atira corda.
- What?
- Do you speak english?
- Yes!
- Então atira a corda porra!
.
Somos assim.
A catástrofe no Haiti é visível. Terrível. Impressionante.
A sismologia ainda não consegue distinguir os sintomas. Contra a natureza nada podemos a não ser salvar vidas humanas. A sismologia ainda não o consegue; não é possivel, ainda, distinguir entre um conjunto de estímulos sismológicos e a eminencia de uma verdadeira catástrofe. Infelizmente.
Se tal já fosse possível, como aparentemente a vulcanologia está prestes a conseguir, seria possivel evacuar as populações e salvar milhares de vidas.
A ajuda, contudo, a ajuda humanitária, seria ainda assim necessária, sempre.
Mas a sismologia ainda não o consegue; ainda há pouco tempo a terra tremeu em Lisboa mas, por esse facto, não se justificaria a evacuação de Lisboa. Não se conseguem ligar os factos.
Mas a solidariedade está cá, nós somos solidários.
.
Vale este texto pela comparação possível com a situação que se vive no nosso país, Portugal.
Ao contrário da sismologia existem mecanismos que nos permitem antever o futuro próximo.
O futuro que nos espera é catastrófico e a economia e finanças não se compadecem: mostram-no à evidencia.
Contudo, por estranho que pareça (por razões que sucintamente se explicam à frente) a solidariedade nacional, reconhecida, não surge espontaneamente.
Ninguem acredita na evidencia do desastre, porque não se assume de forma horrenda, desfigurada; porque demora tempo; porque vai carcomendo mas não se mostra de uma só vez; porque é manhosa esta catástrofe, atrofiada no discurso de políticos manhosos, de palavras sedosamente embrulhadas em hipocrisia, interesses pessoais e muita atitude filisteia.
Mas Portugal é hoje uma zona de catástrofe.
Vivemos tempos horrendos, de descriminação sem igual, com um crescimento medonho da pobreza, com uma exclusão social terrível e total ausencia de coesão.
Estamos cada vez mais longe da nobreza obrigatória da nossa história e cada vez mais perto da mendicidade, pródiga nos países sem perspectivas, sem passado e sem futuro.
Portugal só tem presente e mau.
Presente mas mau.
Muito mau este presente.
Temos então que aconchegar fortemente esta ideia, este ideal, no nosso espírito, na nossa mente, na nossa alma: estamos mal e precisamos da solidariedade de todos.
A nossa solidariedade está à prova, nas circunstancias mais difíceis.
Estaremos à altura do desafio de compreendermos e, acima de tudo, percebermos que das nossas decisões de hoje, da nossa solidariedade, dependem as bocas de milhões de portugueses num futuro demasiado próximo ?
A solução reside na união de todos nós em torno de um projecto verdadeiramente nacional, aceite por todos e imposto por poucos como todos os grandes projectos. Projecto o qual nenhum dos actuais actores políticos tem capacidade de concretizar, desde o Presidente da República, passando pelo Primeiro-Ministro até qualquer dos políticos profissionais tranversais a todas as forças políticas conhecidas.
O projecto é de todos, a obrigação da sua implementação corresponde a uns poucos.

28.1.10

Serov
As despesas com pessoal no sub-sector estado, durante o ano de 2009, rondaram os 13 mil milhões de euros.
Custos com a administração pública à volta dos 18 mil milhões de euros no mesmo período.
Somados estes valores obtemos 31 mil milhões de euros (o valor deve ser superior nas contas do INE).
As pensões pagas pelo estado resultam num valor de cerca de 14 mil milhões e estas, sim não podem sofrer alterações (pensões de invalidez, velhice e sobrevivencia).
O défice esperado para 2010 equivale (nas contas do governo e expostas no OE) a 14 mil milhões de euros, o equivalente a uma redução de 40% nos gastos com vencimentos do sub-sector estado e na administração pública.Esta redução levaria o défice a zero. Uma redução de metade implicaria um défice de 4,5%. As contas são fáceis de fazer.
A solução da redução dos gastos do estado passa pela redução de vencimentos dos funcionários publicos (como acontece na actividade privada). Ou há uma redução dos salários na função pública e das despesas públicas, nas administrações central e locais, ou será inevitável a necessidade de despedir funcionários públicos.
É de crer que ninguém, entre uma solução ou outra, opte pelo despedimento de milhares de funcionários públicos (mais de 200 mil trabalhadores).
A coragem política para reduzir a despesa pública é fundamental. Não pode passar pela redução da despesa na saúde, justiça e educação. Tão pouco pode passar pela redução do investimento no saneamento básico, nas condições de vida dos cidadãos e da capacidade de competição dos municípios. Quaisquer dos investimentos mencionados concorrem para o aumento da produtividade, contribuindo para o crescimento da competitividade do país.
É necessário criar uma nova consciencia nacional: já passou o tempo de consumir; agora é chegado o tempo de fazer sacrifícios enquanto estes ainda valham a pena. Depois, bem, depois já será irremediavelmente tarde.
O tempo não é de manifestações de rua, reivindicativas de direitos impossíveis, mas de um profundo sentimento social, de uma assumpção da necessidade de nos protegermos uns aos outros. Temos de fazer sacrifícios, todos sem excepção.
Já não estamos no país dos 1.000 euros (vencimento mais comum nos ultimos anos); já entrámos no país dos 600 euros (para os licenciados, muito perto do salário mínimo nacional). Todos os restantes portugueses, não licenciados, são já parte da enorme mole humana que compõe o desemprego estrutural nacional. Estes, como os demais, necessitam de ser apoiados e, mesmo assim como bem sabemos, terão de fazer exercícios dificílimos de equilíbrio financeiro mensal, para que uma família consiga "viver" com 480 euros mensais.
Coragem política precisa-se.
Ninguém se iluda, estamos mesmo na situação dramática tão bem definida com uma célebre frase de um célebre portugues: estávamos à beira do abismo mas conseguimos dar um passo em frente (desta vez é mesmo assim, mesmo a sério, acaso não se mude tudo - de forma voluntária ou imposta - a começar pelas mentalidades)
É do valor do défice de 2010 que se deverá duvidar....

Pretender que há um empolamento do défice em 2009 para apresentar resultados em 2010 (como se um défice de 8,3% fosse um bom resultado, mesmo que considerado na comparação com o ano anterior) é um disparate. Equivale a afirmar que a República correria um risco de 365 dias, com aumentos de juros sobre a dívida pública, redução da liquidez disponível por consequencia da dificuldade de obter ajuda financeira externa, pressão especulativa sobre os default swaps da dívida, análise ainda mais negativa da governação, com consequente aumento da pressão sobre o serviço da dívida e da capacidade de cumprimento das obrigações nacionais, na expectativa de no final de 2010 apresentar o parco resultado de redução de 1%.
Acresce que as dificuldades que atravessamos são reais e têm origem nos gastos públicos. A exposição internacional dos 9,3% de défice não compensaria nunca a suposta redução de 1% prevista orçamentalmente para 2010.
Pelo contrário, acredito que o número que merece reservas é o referido défice projectado de 8,3% para este ano; quero crer que será muito superior, infelizmente.

27.1.10

O que aí vem equivale ao que não queremos.....
Escrevi aqui há muito tempo que o défice seria de 9,4% quando se dizia que pouco passaria dos 5%. reescrevi que o défice seria eese no Programa eleitoral do PPM que redigi sozinho, apresentado em Setembro de 2009.
Leio e ouço agora que é a grande surpresa, a enorme surpresa. Para quem ?
Surpresa, este décife, só para os que andam distraídos ou são aldabrões.
Não há surpresas. Como não há diferenças entre este orçamento e os anteriores, nem mesmo em relação às promessas feitas de reduzir o défice e aumentar o PIB (Produto Interno Bruto); 1% o primeiro; 0,8% o segundo. Compare-se com os numeros apresentados para o orçamento de 2009.
Alguém acredita que seja para cumprir? E mesmo que fosse, para que serviria?
Para a RUA, todos, JÁ !!!
Vamos a cenários:
(1) O que temos certo: Portugal vai incumprir (no serviço da dívida) no 2º semestre de 2010;
(2) A especulação (a minha):
1. Saída da zona euro: o argumento da solidez da zona euro, que servíu para defender a exigencia da nossa entrada não se aguenta com a insolvencia de Grécia e Portugal ( a Espanha pode aproveitar a boleia para garantir o instrumento de política cambial perdido);
2. manutenção na zona euro con redução compulsiva da circulação de euros em Portugal (redução de 1/4 da moeda em circulação). Não necessito de especificar as implicações das duas hipóteses referidas anteriorment;
3. A Espanha aproveita a boleia e sai da zona euro; Portugal adopta a peseta. Porquê ? Porque quem manda numa economia é quem lá tem o dinheiro investido e, acaso ocorra a adopção do escudo podemos contar com uma desvalorização da "piastra" nacional" em cerca de 35%. Se adoptarmos a peseta teremos uma desvalorização à volta dos 20% (do mal o menos).
Estes são os cenários para os quais teremos de nos começar a preocupar desde já, porque o futuro (mau) começa dentro de seis meses.
A menos que alguma coisa mude: gente séria começa a governar o país e os outros vão todos responder pelos seus actos e devolver a riqueza roubada a Portugal.
Os maus políticos, os maus jornalistas, os oportunistas, os vendidos, os que compraram valores, todos estes e todos os outros esconjuro-os, a todos sem excepção.

26.1.10

O continuar de uma política falsa e manipulada; para quando o encarar da realidade ?

Não conheço o orçamento mas não preciso, para saber que não serve.
Um orçamento que aponta para um crescimento de 0,7% do PIB faz-nos acreditar de imediato que o crescimento será de 0% ou mesmo negativo.
A incapacidade de Portugal cumprir com as suas obrigações está garantida, bem como a aproximação à média europeia está definitvamente enterrada.
Eu preferia que não houvesse acordo orçamental, que a situação se partisse de imediato, que a crise social estalasse e que o incumprimento se verificasse; quanto mais depressa se encarar a realidade mais depressa se atacam os problemas.
Mudem-se os tempos, mudem-se as vontades.

22.1.10

A dívida pública nacional mais que triplicou no mês de Dezembro de 2009, quando comparada com o período homólogo de 2008.
Portugal vai ficar de tanga em seis meses, ou seja, vai incumprir no período de seis meses. Estamos de tanga.

23.12.09


Depois de muito recomendado, apanhei-o à procura de todos os familiares, amigos e conhecidos que referenciei.
Votos de um Santo Natal.
A revogação das taxas moderadoras nos internamentos e cirurgias em ambulatório é uma boa medida mas não basta: há que dar a conhecer ao utente o custo exacto que o estado teve de suportar com o apoio, tratamento e cuidados de saúde ministrados. Só desta forma haverá consciencia social do custo que cada um de nós implica para o estado (societário).

20.12.09

Para conferir aqui a veracidade e frontalidade do PCP na questão da CIMPOR, o único partido a assumir uma posição sobre o assunto, sem tibiezas. Porque o interesse nacional está acima das questões partidárias, não importa em que quadrante político nos situamos; importa sim a seriedade com que nos debruçamos sobre as questões nacionais, as que verdadeiramente interessam, não implicando qualquer tipo de concordancia com a linha programática dos comunistas no que a Portugal concerne.....

18.12.09


Dorph
Eles vão comendo tudo......
Afirma-se que a OPA sobre a CIMPOR é bem vinda mas que o preço é baixo.
Claro, para especuladores sem consciencia que devem centenas de milhões (a acreditar nos jornais da especialidade só à CGD deverão 600 milhões de euros) que lhes foram emprestados para especular (quando projectos para criar empresas e empregos eram "chumbados", porque os seus mentores não dispunham de um mínimo de capitais próprios iguais ou superiores a 25% do total dos investimentos em apreciação na banca) só podem estar satisfeitos com a possibilidade de vender, embora o queiram fazer a valores mais altos. Típico de especuladores.
O problema reside, contudo, na forma como a participação no capital das empresas nacionais é encarada. Compram-se acções na expectativa da realização de mais-valias e não numa óptica de garantir a remuneração do capital investido através da distribuição de dividendos, o mesmo é dizer, através da geração de valor acrescentado por parte das empresas (traduzido nos lucros anuais, princípio primeiro para a distribuição de dividendos aos accionistas).
Assim, para o especulador manhoso, errático (porque "pica" em todo o lado, sem uma lógica de aplicação de capitais estruturada num projecto ) e financeiramente "pirata" (porque busca a pilhagem em bolsa de mais-valias, nascidas de euforias bastas vezes induzidas e não de crescimentos sustentados das empresas), pouco importa se as empresas ficam ou não em mãos nacionais, mesmo se estivermos a falar de um dos maiores grupos cimenteiros mundiais (é engraçado como surge uma Siderurgia Nacional brasileira nesta OPA e como nós acabámos com a nossa, como se de um mau negócio se tratasse, havendo contudo tão poucas na Europa. Uma mão cheia chega para as contar todas). Esta falta de consciencia tem norteado a gestão das empresas nacionais, orientada para o interesse imediato do accionista e não para a criação de riqueza na empresa. Há muito tempo escrevi que todas as empresas nacionais são "opáveis", todas sem excepção e que as OPAS´s estariam na ordem do dia, que as empresas nacionais estão fragilizadas e não têm massa crítica (recursos/capacidade de alavancagem financeira). Contudo, perante uma constatação que encaixa no óbvio, o apoio do estado assentou sempre nos especuladores e não nos empreendedores. O tempo de antena foi deixado à sua mercê, foram apresentados como "opinion makers" e até exemplos acabados de vidas carregadas de sucesso escalado a palmo (palmo vertendo suor, lágrimas e sangue de todos os que foram engolidos na voragem dos ganhos fáceis e dos movimentos especulaticos destes tubarões). Num país de faz-de-conta também os investidores não poderiam deixar de ser de outra maneira.
É que há uma enorme diferença no funcionamento dos mercados bolsistas nos países desenvolvidos, por comparação com países atrofiados como o nosso. A dispersão do capital em bolsa naqueles é muito, mesmo muito elevada; em contrapartida, a CIMPOR é detida por accionistas vários (que não são de referencia, ou seja, pequena/média poupança) em cerca de 30%, deixando os restantes 70% nas mãos de potenciais especuladores. Claro que há uma guerra surda entre o núcleo accionista da CIMPOR; claro que nem todos pensam como Berardo, mas basta aos brasileiros da CSN adquirirem 50% mais uma acção para terem o controle efectivo da gestão de uma das maiores empresas nacionais, situada num sector económico sensível.
E assim vai desaparecendo o controle dos portugueses sobre as suas empresas; assim vai diminuindo o peso das decisões nacionais sobre os parceiros económicos situados em território nacional; assim vamos hipotecando o nosso futuro e, pior, deixando o mesmo nas mãos de capitais estrangeiros.
Hoje por hoje, a CIMPOR não vale pela sua fábrica em Portugal, mas sim pela dimensão mundial que atingíu. Acabar com a fábrica da CIMPOR em Portugal é fácil; redirecionar os ganhos da empresa para outro país facílimo, com a consequente perca na Balança de Transacções Correntes, da receita fiscal, da redução do aparelho produtivo e de qualquer projecto sério nacional. Aumentar o custo do cimento em Portugal mais fácil ainda, estrangulando todo o sector da construção civil e obras públicas.
Tudo isto é fácil.
Também é facílimo afirmar que a OPA é bem vinda.
O que é verdadeiramente difícil é engolir estes sapos, é ver publicamente manifestada esta vontade iníqua de destruir a sociedade portuguesa, de reduzir os portugueses a um grupo de pedintes, de constatar a cobertura que estes agentes do mal merecem da sociedade política e civil nacional, porque dão a comer a uma série de gente, porque se alimentam de todos que a troco de migalhas lhes facilitam o caminho e os cumulam de honrarias.
Eu não me contento com menos que a felicidade, o prazer, para mim e todos os outros, com a alegria de poder viver e gozar todos os momentos da vida, bons ou maus.
Porque a honra pode ser imerecida mas a alegria nunca o é.

Santoro
Português Me Assumo

De todos os sítios do mundo
onde podia nascer,
Quis o destino escolher
nascesse neste País profundo!

Profundo na sua história,
Símbolos, figuras míticas.
De epopeias e conquistas,
na fortuna e na glória.

Terra de D.Afonso, D.João,
De sofridas gerações.
De Pessoa... de Camões,
que em poemas nos cantaram.

Éramos grandes, enormes,
Em dimensão e beleza.
Dividíamos o mundo à mesa
Temidos pelos mais fortes!


Novecentos anos contados,
os mais antigos da história,
Perecem com dor, sem glória,
de tanto serem esbanjados!

Daí para cá o deserto,
A ruína, a demência.
A imensa carência
no assomo do incerto.

Tempos conturbados os nossos;
Anos a mais de loucuras,
Remetem as gerações vindouras
para o pior dos invernos!

(João Fernandes)

§
Pessoalmente assumo frequentemente perante os meus filhos, que a minha geração se encarregou de dificultar o futuro da sua. E em tal acredito piamente
posted by papoila : 5:17 PM

16.12.09


Winter
Não à Regionalização de Portugal
[Ao iniciar negociações com a ETA há uns anos atrás (sem efeitos), o governo espanhol acelerou um processo que se colocava há muito: as autonomias regionais].
As autonomias espanholas foram e são boas para nós: constituem-se numa excelente oportunidade para Portugal vir a criar alianças com algumas destas regiões, diminuídas no espaço geográfico, mais ricas na sua maioria mas sem a dimensão (e força) de uma Espanha una e indivisa.
Não tenho qualquer dúvida em afirmar que esta é uma janela de oportunidade para a Nação portuguesa, que terá de ser aproveitada de uma forma inteligente, através de uma política externa forte e capaz, encetando desde já esse caminho, cautelosamente, com objectivos traçados e conhecimento exacto das pretensões e necessidades reconhecidas.
O tempo não oferece oportunidades aos povos de uma forma continuada e nós temos, ao longo da História, provado saber agarrar algumas delas. Que agarremos então esta, como povo uno e indiviso, com quase novecentos anos de fronteiras polítcas e geográficas comuns e com toda a força que essa condição nos permite, naturalmente, usufruir.
Não é a altura de sermos parvos, ou como outros preferem, modernos!
Tudo isto vem a propósito da renovada discussão e vontade de regionalizar Portugal.
Para encarar o problema de frente temos de aceitar um princípio fundamental: uma Naçao não se define por aquilo que não é.
Acima de tudo, os laços que unem os cidadãos de uma nação são o produto do somatório do passado histórico, sempre complexo, e nunca de factores isolados como o social , o religioso ou o racial.
A comunidade nacional é um conjunto de homens reunidos em torno da memória do seu passado e nunca daquilo que são no presente, porque a união é precisamente o resultado da memória colectiva.
É então o destino comum, partilhado, que aglutina os cidadãos com todas as alegrias e tristezas, venturas e desventuras associadas. Porém uma nação não é uma tribo, antes um território perfeitamente definido por fronteiras geográficas e políticas, na concepção aceite de estado europeu. Portugal é o Estado europeu mais antigo, no sentido da sua definição política e geográfica.
Estamos porém a viver tempos em que o nacionalismo (entendido como a construção nacional do séc. XIX) é um fenómeno em queda, subjugado pela óptica da globalização.
A evidencia territorial, actualmente, sobrevive à custa de factores isolados, mesmo que entendidos como um somatório resultante da religião, da raça e da ideologia. Não é de estranhar, então, que hoje as crispações nacionais sejam mais xenófobas que "imperialistas".
Acontece porém que não há qualquer razão para duvidar da História comum de todos os portugueses, acrescendo que não existem razões para divisões sociais, religiosas ou raciais entre nós. Assim sendo, pretender que uma divisão regional de Portugal é uma possibilidade política não passa de um tremendo disparate, com contornos de traição nacional; de traição à História (memória), aos valores e à moral comuns.
A nossa realidade nada tem a ver com a espanhola. Revemo-nos num algarvio como num transmontano. Mas cuidado: quando pensamos dividir o país em regiões iremos provocar diferenças que não existem, divisões que não estão presentes.
As razões são várias mas uma ressalta de todas as outras: a constituição de microeconomias dentro do território nacional; a economia algarvia nada tem a ver com a Alentejana, como a minhota em nada se parece com a transmontana, para citar dois exemplos. A distribuição de verbas nunca será a mesma entre regiões: irão aparecer os primos pobres e os ricos, dentro da enorme pobreza que é o próprio país (quer económica quer intelectual).
Depois há toda uma panóplia de custos associados que não são aceitáveis e todo um número de cargos que não se percebem na utilidade.
Tudo isto são factos, mas o que mais importa (razão pela qual não me alongo por demais nos pormenores) é não ler a necessidade de dividir o país em cinco regiões.
Porquê? Para quê? Favorecendo quem?
Portugal perde, perca drástica, com a regionalização. E depois nenhum português quer a regionalização, a menos que tenha interesses políticos e pessoais a defender; mas estes não são os interesses nacionais.
Não à regionalização.
§
Adicionaria apenas um facto que sempre me incomodou: regionalização implicaria ainda dar mais poder aos autarcas, onde germina a maior corrupção neste país.
posted by papoila : 12:40 AM

15.12.09


Contemplação

Sonho de olhos abertos, caminhando
Não entre as formas já e as aparências,
Mas vendo a face imóvel das essências,
Entre idéias e espíritos pairando...

Que é o mundo ante mim? fumo ondeando,
Visões sem ser, fragmentos de existencias...
Uma névoa de enganos e impotências
Sobre vácuo insondável rastejando...

E d'entre a névoa e a sombra universais
Só me chega um murmúrio, feito de ais...
É a queixa, o profundíssimo gemido

Das coisas, que procuram cegamente
Na sua noite e dolorosamente
Outra luz, outro fim só presentido...

(Antero de Quental)

DonaldFraser
Questões de agendamento político Pessoais....
A clarividencia cristalina de Antonio Vitorino ontem na RTP1 permitíu compreender (aos mais distraídos) que o país é governado por agendas políticas muito pessoais (não confundir com nacionais). De acordo com o reputado comentador, Cavaco Silva não tem condições de "ir à guerra" com o actual executivo, porque se lhe apresenta um segundo mandato para executar e qualquer clivagem institucional representa um sério risco na gestão da imagem política e concomitantes votos na urna. Percebe-se claramente o à vontade de Jorge Sampaio quando lidou com Pedro Santana Lopes: aquele já estava no ultimo mandato e não poderia ser reeleito.

14.12.09

Se a oposição continuar a fazer o seu papel - o ser oposição - para o qual foi aliás votada, o governo ameaça com uma saída antecipada. Chantagem política baixa.
Resta perguntar: quem tem medo de ir a votos ? O primeiro a ter medo irá ceder. É esta a política actual do governo e do PS. Mas será esta a polítca que interessa a Portugal ? Certamente que não.

WilliamFeron
"A Pátria não se discute"
É uma imensa trapalhada tudo o que o PS e o governo pretendem passar, como mensagem política. O país não tem condições de responder a aumentos de receitas orçamentais e necessita, urgentemente, de ver reduzida a sua participação no despautério em que se transformou a despesa pública. O governo tem de reduzir a despesa pública; o problema, uma vez mais afirmo, situa-se ao nível da dívida pública que é monstruosa, e acaso suceda um aumento das taxas de juro, o serviço da dívida será um pesadelo para este pequeno país. A verdade é que estamos falidos técnicamente.
Por outro lado, não existe nenhuma tramoia, nenhuma conspiração política da esquerda à direita: existe sim uma conspiração do governo socialista, que pretende governar em minoria como se dispusesse de uma maioria confortável, tentando convencer o povo de que sem o PS e Sócrates não há solução para Portugal e que a oposição, de forma intencional e maleficamente pensada, tenta acabar com essa solução única.
O PS ganhou as eleições com minoria relativa e aceitou formar governo; cabe aos portugueses "lerem" correctamente a situação do país e as desculpas esfarrapadas que se lhes apresentam.
O governo tem uma responsabilidade: governar. A oposição tem uma obrigação: não defraudar os votantes. Uns e outros têm de cumprir com a sua obrigação.
Pretender que os partidos da oposição estão coligados de forma imprópria e estranha é surrealista, porque iria contra os respectivos programas (já o afirmei antes).
Igualmente e de forma equivalente, ganhar as eleições não obrigava o PS a formar governo. Se o programa do PS e a sua política (a de Sócrates e o seu estilo de governação) obrigava a uma maioria absoluta tinham dito, sem margem para dúvidas ao eleitorado, que só seriam governo acaso dispusessem de maioria absoluta.
À regras que têm de ser cumpridas. A governação não se faz através de exercícios nas "paralelas" nem nas "argolas" (de jogadas parelelas e argoladas estamos fartos). A governação faz-se de frente, sem temores e sem apego ao poder; faz-se com profundo sentido nacional. A Pátria não se discute.

Ver as imagens de Berlusconi ferido, sangrando, mostram uma outra imagem, uma outra visão: a loucura imediata que se apossa de alguns, manipulados por outros, que através da palavra incitam à acção criminosa. Os problemas são muitos, os problemas sociais graves, mas o pior dos cenários é traçado pela manipulação dos signos que passam pela linguagem utilizada cirurgicamente, e que é interpretada por cada um à sua maneira e de acordo com o seu próprio equilíbrio intelectual e emocional. As pessoas são viradas umas contra as outras e, espera-se, haverá sempre alguém que deixa de pensar de forma clara para se emocionar numa atmosfera de discurso colectivo ou que fica a remoer a emoção e age posteriormente.
Os valores são desrespeitados e a democracia vira-se contra ela própria, criando os mecanismos que permitem que seja vilipendiada.
Aquela visão sangrenta é comparável ao fim dos tempos.
E vem de trás, não é nova, só aumenta no risco.

10.12.09


AnnabelGosling
A verdade recompensa, mesmo quando é MÁ....
Qual é a razão que nos impede de querer ouvir más notícias ? As más notícias são "más" porque mostram claramente falhas detectadas no sistema, e ninguém gosta de admitir que falhou.
Contudo, as más notícias providenciam uma informação preciosa: que existem problemas que têm que ser resolvidos antes que se tornem maiores. Assim, perante os líderes (sejam políticos ou empresariais) dever-se-á apresentar os problemas mal eles surjam e estes deverão recompensar quem assim o faz.
Este princípio é válido, totalmente válido, para a governação.
Um país informado reage positivamente perante os problemas e recompensa os seus dirigentes, ao contrário de um país enganado que, num jogo de "faz de conta", se deixa enlear pelas tropelias das mentiras e, quando se dá conta, já é tarde para "emendar a mão". Neste último e dantesco cenário um país deverá punir severamente os seus líderes políticos.
Quanto mais cedo os problemas são conhecidos, mais cedo poderemos utilizar mecanismos de reacção, utilizando os recursos mais apropriados.
Hoje é a Grécia que se discute. Amanhã, mesmo amanhã será Portugal. Quantos mais países na União Europeia estão falidos ? Quantos mais ?

7.12.09

À falta de ideias não se chama maioria oposicionista, chama-se falta de ideias...
O Ministro Jorge Lacão vem falar em medidas propostas pelo PSD (alterações orçamentais) incompatíveis com as finanças do estado, alegando falta de responsabilidade de estado por parte deste partido.
o bom do Dr. Antonio Vitorino vem especular sobre uma maioria absoluta de oposição, contrária aos interesses do governo e do estado, vincando em simultâneo o papel não-conciliador do Presidente da República e colocando-o perante um desafio difícil (como se a actuação até ao momento de Cavaco Silva tivesse algo a ver, mesmo infimamente, com o papel que Sampaio desempenhou no derrube do governo Santana Lopes).
Ambos esquecem o mais importante e o que é de facto fundamental: nem é possível ao PSD fazer passar as alterações que bem entende porque não tem maioria parlamentar; bem como não é possível considerar, sequer em tese, que quatro partidos tão distintos, no pensamento e no espectro político, se entendam com tanta facilidade (ir do BE até ao CDS ainda é uma viagem e tanto).
Se o que o PSD defende (orçamentalmente) merecer a maioria da votação na Assembleia da República, então estaremos perante medidas que não chocam qualquer dos eleitorados desses quatro partidos e, assim sendo, são clara vontade da maioria dos cidadãos votantes, ou seja, são bem ou mal as medidas que a maioria dos portugueses quer ver a funcionar no terreno.
Igual raciocínio é válido para todas as iniciativas parlamentares socialistas e chumbadas pelos restantes partidos representados no hemiciclo: a maioria dos portugueses não se revê nessas medidas.
É uma enorme falsidade pretender que há uma maioria oposicionista.
O que existe é um governo e um primeiro-ministro que não sabem que medidas adoptar perante este país transformado num pantano; faltam as ideias e os objectivos; falta a vontade de mudar atitudes e práticas despesistas; falta humildade para encarar a realidade: este é um país muito pobre.
Perante a ausencia de ideias e perspectivas, baseada a governação na demagogia, despesismo e autoritarismo autista é fácil para esta oposição tão heterogénea entender-se na Assembleia da República.
A solução existe mas requer coragem, verdade e sacrifícios: uma política nacional de carácter social, com investimentos virados para a valorização do cidadão e das condições essenciais ao bem-estar social, com uma política económica encarada como ferramenta e não um fim.

2.12.09


A mentira é válida...o aproveitamento político não....(no pensar do "poder")

Ficámos hoje a saber, pelo sound bite que nos chegou da Assembelia da República, que nesta república das bananas não é importante determinar se o Primeiro-Ministro (PM) mentíu na Assembleia da República (ao fim e ao cabo a Assembleia Nacional) quando em Junho de 2009 disse nada saber sobre o negócio Prisa/PT, mas sim se a líder da oposição tinha utilizado informação que prefigure fuga de informação para fazer combate político, nessa data, chamando-o de "mentiroso".
Num país onde o PM pode mentir impunemente sem que ninguém questione a sua idoneidade para exercer o cargo, penso que até se deveria ir mais longe; não só utilizar as fugas de informação como publicar tudo o que se sabe e se pode provar.

27.11.09

As Maiorias Negativas (para quem?)
A resultante verbal, por parte do Ministro das Finanças, outros Ministros e máquina socialista, da votação contrária aos interesses do governo na Assembleia da República foi má e dissonante, a mostrar desespero, se atentarmos na recente propaganda política que o mesmo se tem encarregado de difundir:
(1) Afinal sempre havia aumento da carga fiscal com o novo Codigo Contributivo; de acordo com as contas do Ministro das Finanças, o atraso na entrada em vigor do diploma acarreta uma perca de receita fiscal de 80 milhões de euros. Estimo que fosse bem mais que isso, mas os 80 milhões já chegam para provar o ponto de vista;
(2) A preocupação não está centrada na redução da despesa pública mas no aumento da receita fiscal. O curioso é que o aumento da receita para uns (o estado) representa um aumento de despesa para os outros (as empresas). No estado em que as empresas se encontram já é necessária muita coragem para se ser empresário; aumentando a carga fiscal começa a assumir laivos de insanidade. O dinheiro que se liberta na actividade económica não dá para tudo. Como é que vai ser quando os juros que incidem sobre a divída pública aumentarem, por via dos ratings manhosos a que Portugal se vai sujeitando? Aumentam-se os impostos até quando? Creio que não há a mínima noção do limite para esse aumento, caso contrário já se estaria numa política de contenção extrema na despesa pública não produtiva, e de alavancagem da economia através do aligeirar da pressão fiscal sobre os contribuintes.
(Repito que os défices não são todos maus. Maus são aqueles que temos);
(3) O Pagamento Especial por Conta (PEC) nunca deveria ter sido criado. Foi uma péssima invenção de Manuela Ferreira Leite com custos insuportáveis para as empresas, todas elas, independentemente da dimensão, e não passou de um expediente menor na capacidade de controlar o défice, porque saíu de um raciocínio obtuso identico ao do Ministro das Finanças actual: onde é que vamos buscar mais dinheiro ? (assim mesmo, da forma mais singela possível);
(4) A desculpa de que o défice de 2010 está descontrolado é bacoca e insustentável; sem nenhuma das medidas novas e com o PEC a funcionar o défice de 2009 já está descontrolado. Qual a diferença em relação a 2010? Ah... a diferença está no endividamento externo que está em cima do total do PIB, ou seja, em valor absoluto 100% do Produto Interno Bruto (PIB) nacional, em contagem crescente diária e com juros crescentes (em virtude do aumento do risco que a dívida externa da República representa).
Nasceu entretanto uma outra adjectivação política nacional: a maioria negativa.
Lindo: maioria negativa.
Os gurus do marketing político não se podem queixar com falta de trabalho.
As terminologias políticas nascem como cogumelos.
Assistimos à invenção das maiorias negativas (data para anotar). Mas onde está essa maioria negativa na perspectiva do governo? (a) na Assembleia da República, resultado do sufrágio directo transformado em votos, ou (b) no número de partidos que concorrem aos respectivos votos? E para quem? (a) para o partido do governo ou (b) para o país?
Se respondeu (a) e (a) tem uma clara percepção da realidade política nacional.
Se respondeu (a) e (b) ou é um indefectível socialista ou ainda procura o seu lugar ao sol.
Se acaso respondeu (b) e (a) é um caso claro de dependencia socrática, de bajulador encartado.