6.10.10

O costume: ou fazemos por nós ou ficamos à mercê....

Se as últimas medidas de austeridade forem aplicadas, a economia portuguesa vai entrar em recessão no próximo ano, contraindo 1,4%.
O aviso foi deixado hoje pelo Fundo Monetário Internacional (FMI) na apresentação do seu World Economic Outlook, em Washington.

(...) Ainda assim, o FMI apoia a decisão do Governo de intensificar os cortes no défice. "Portugal está sob muita pressão e por isso aplaudimos a decisão do Governo", garantiu Dressing. É que Portugal faz parte do grupo de países que não tem margem para fazer uma consolidação mais calma, que lhe permitisse proteger a economia da recessão.


Pois, normal, nada de novo. Há recessão, pois é, nada a fazer, lá terá de ser. Não se pode mesmo fazer mais nada. Portugal está amarrado de pés e mãos; não dispõe de instrumentos económicos, nomeadamente o instrumento cambial.
Nada a fazer senão viver em recessão.
O FMI é muito vivo e ladino nas suas conclusões. Se tivessem que aplicar medidas em Portugal fariam exactamente o mesmo, porque na realidade, na situação actual, nada mais pode ser feito. Não se trata aqui de determinar saídas para a nossa complicadissíma, frustrante e dramática situação económica; trata-se de salvaguardar as finanças públicas, as nossas responsabilidades para com o exterior, diminuir os factores de contágio para a zona euro e quanto ao crescimento económico, enfim, se nós não conseguimos nada em 36 anos porque razão deverá o FMI preocupar-se com isso agora; nem sequer faz parte das suas atribuições: são chamados para situações de aperto de tesouraria (exemplo Argentina, México, etc.) e nunca para opinarem quanto a eventuais soluções económicas.

4.10.10

Documento:

Os 100 Anos de República Monárquica

aqui:http://www.slideshare.net/s19yorky/os-100-anos-da-repblica-monrquica

É fundamental mudar.....

A pescadinha vai de rabo na boca.


Aumento de impostos, directa e indirectamente, redução dos salários reais, directa e indirectamente, diminuição do poder de compra, redução da actividade conómica, por redução do consumo, da poupança, do investimento, rendimento nacional a diminuir, menos impostos a cobrar significando menor receita, diminuição da despesa mas insuficiente para fazer face ao deficite crescente, implicando aumento da receita fiscal por aumento de impostos, redução salarial, através demecanismos que actuam directa e indirectamente sobre o rendimento das famílias, provocando diminuição do poder de compra, etc., etc., repetindo-se o ciclo eternamente. E a economia estagna primeiro e apresenta crescimentos negativos depois, período após período até definhar.


Consequencia imediatas: perca total da credibilidade enquanto estado soberano; perca da soberania; saída da zona euro; miséria nas ruas.


Este é o cenário actual, implacável no seu avanço fulminante sobre as demagogias políticas e os discursos de pacotilha.


Solução:


(1) saída da zona euro;


(2) saída da UE;


(3) proposta de criação de uma Zona de Comércio Livre(ZCL) entre a UE e os países da Europa que estão fora da União Europeia.



Esta solução é tão necessária para Portugal como o é para Espanha, Grécia, Itália e irlanda.


Contudo, em sério risco de ser "desqualificados" enquanto estados-membro, Portugal e Grécia estão à cabeça.



A solução impõe-se por várias razões , salientando-se as seguintes :



(a) recuperar o instrumento cambial (moeda);


(b) alterar as disposições actuais no que respeita à capacidade de explorar o comércio internacional, no que concerne a condições mais vantajosas de aquisição de bens e produtos;


(c) aumentar a competitividade das empresas nacionais;


(d) jogar com políticas próprias e não por políticas que nos chegam pela porta de Bruxelas;


(e) facilitar a fixação de investimento, quer nacional quer estrangeiro, através de políticas fiscais agressivas (impossíveis agora no actual quadro comunitário);


(f) ajuda às empresas nacionais (outra necessidade interditada).



Não vejo outro caminho.


A não ser este serão trinta, quarenta, cinquenta anos de puro sofrimento, não vendo bem como, quando e onde se conseguirá debelar a crise, esta crise tão nossa, tão portuguesa.


É necessária a coragem política para deixar o euro, a União Europeia, estabelecer acordos comerciais dentro do espírito de uma ZCL com a União Europeia, criar condições de sustentabilidade da industria pesada, de política de solos e agrária que vá de encontro a parte das nossas necessidades, recriar as pescas, explorar as nossas milhas marítimas tão ricas, enfim, aumentar as exportações diminuindo a dependencia do exterior.
Finalmente e mais importante, criar rápidamente condições de empregabilidade, fazer crescer o produto, diminuir as desigualdades, fomentar o consumo, a poupança e o inerente investimento.


Mas tudo isto só é possível se não estivermos sujeitos ao garrote de Bruxelas e da moeda única.

30.9.10


Estamos entalados.....

Ficámos a saber que não temos alternativa; estamos falidos. Toda a preocupação vai para a gestão de tesouraria, a liquidez do dia-a-dia, pagar atempadamente as obrigações.
O orçamento não se preocupa com o desemprego, com a miséria, com a exclusão social.
O orçamento tem uma única preocupação: tentar salvaguardar os compromissos financeiros diários.
O pior é que as medidas são duras mas insuficientes e, no próximo ano, serão necessárias mais, que terão de passar pela dispensa de funcionários públicos, pela falencia de ainda mais empresas, de aumento implícito do desemprego.
Honestamente, não há condições de aumentar a poupança em Portugal nos próximos anos; o estado come tudo e não deixa nada.
Esta situação cria as condições para a ausencia de soluções nos próximos anos.
E o que custa mais é ouvir, reiteradamente, sempre as mesmas falácias, sempre as meias-verdades e as mentiras puras, as mudanças de discurso sempre dos mesmos, que tanto serviram para afundar o país como agora aparecem como os únicos capazes de o salvar. Também este repetir político concorre para a ausencia de soluções.

29.9.10

A incorporação do fundo de pensões da PT no estado implica que todos os valores que asseguram os planos de pensões regulamentares dos actuais e ex-funcionários, bem como os valores que se destinam a fazer face às responsabilidades dos mencionados fundos de pensões, serão inteiramente destinados a fazer face ao défice doe stado, à despesa efectuada, deixando de garantir coisa nenhuma, valendo peva. Assim, o suposto acordo a fechar com o estado portugues não garante quaisquer termos e/ou condições; não garante nada.
Este acordo significa que já passámos a fase dos aneis e já estamos a disponibilizar dedos, pelo menos de todos os funcionários, actuais e passados, da PT.
Continuamos no caminho das receitas extraordinárias para fazer face a despesas ordinárias; estas mantêm-se, aquelas acabam.
nota: não sou nem nunca fui funcionário da PT ou qualquer afiliada.

Nem aceitável nem admissível.....

Não é aceitável nem admissível, que todos os agentes políticos que viveram e vivem à sombra da péssima condução política que derrotou este país, venham agora dizer, saciada que está a sua fome de protagonismo e de materialização económica, que todos os outros não têm direito a gozar da saúde, da educação, da justiça e da habitação, direitos consagrados na Constituição, que os mesmos se encarregaram de ir propalando que era uma das mais avançadas do mundo.
Não é aceitável nem admissível.

A inevitável necessidade de redução da Despesa Pública.....


Considerar que as deduções à coleta em sede de IRS é um desperdício, como o fez o Senhor Secretário de Estado, constitui-se em si mesma como uma afirmação que desperdiça o "nosso tempo", porque verificamos que o tempo dado ao governo, que é o "nosso tempo", tão necessário para a resolução dos graves problemas que o país atravessa, não é aproveitado pelos governantes.
As deduções à colecta são um factor de justiça na redistribuição dos rendimentos, permitindo em simultaneo um aumento da liquidez disponivel para as famílias. O nível de impostos em Portugal impede as famílias de fazerem qualquer tipo de poupança e, concomitantemente, impossibilita um aumento do consumo, tão necessário para a recuperação económica.
A carga fiscal é pesadíssima e desproporcionada: a classe média é a mais afectada e todos sabemos que um país saudável necessita de uma classe média sólida.
Reduzir as deduções à colecta, aumentar o IVA, em suma aumentar directa e indirectamente a carga fiscal é intolerável para a economia nacional; alimentar um estado gordo à custa de uma população magra é um erro fatal.
É precisamente na Despesa Pública que os cortes têm de ser efectuados.
Cortar na despesa pública não implica cortar na Saúde e na Educação em si mesmas.
Implica, sim, cortes em todos os gastos estúpidos, burocráticos, de má prática de gestão, de uma frota automóvel inacreditável (mil milhões de euros de custos anuais), de salários de milhares de funcionários públicos que nada produzem, pagos através de todo o aparelho estatal, todas as empresas estatais, todas as fundações, institutos públicos, scuts (custaram e ainda custam uma barbaridade por ano) e todas as restantes empresas onde o estado está presente indirectamente, bem todos os subsídios que contribuem para a manutenção de uma situação de laxismo na sociedade.
A empregabilidade criada pelo estado disfarçou, durante anos, a ausencia de competitividade de Portugal, encapotou o encerramento de empresas importantes para a nossa economia . industria pesada - e a falencia do sector agrícola. Durante anos viveu-se uma mentira do tamanho do mundo, resguardada também por todos os valores que entraram via Bruxelas, que todos teimaram em chamar de subsídios, mas que de facto não se trataram senão de indemnizações.
Cortar na despesa é fundamental e a única política possível de controlo orçamental; qualquer outra - aumento de impostos - contribui directamente para a retracção económica, para o avolumar das dificuldades do país, das famílias, do desemprego, aumento da miséria do Estado.
É fundamental que o estado deixe de comer, em despesa corrente (a despesa não produtiva) um pouco mais do que metade de toda a riqueza nacional.
Mas não é este o cenário que se nos apresenta; pelo contrário, o deficite público será em 2010 superior ao de 2009: pelas contas actuais, o deficite deverá chegar aos 10,3% contra os anteriores 9,4% (e já estou a considerar uma redução no 13º mes).
§
A sensação que tenho - sensação ? - é que ninguém sabe mais o que fazer deste país. É uma sensação estranha, arrepiante, perigosa, assustadora.

27.9.10

Opiniões e conselhos....

Todo e qualquer tasco já tem opinião sobre o que se há-de fazer em Portugal. Não importa se a opinião é válida, o que importa é ter opinião.
Todos têm uma opinião, boa ou má, menos os políticos portugueses: esses não sabem, simplesmente, o que fazer.
Agora foi a vez da OCDE. Entre as medidas preconizadas encontra-se: "Estes cortes ao montante de imposto total a pagar - que se podem fazer através da apresentação de despesas com a saúde, a educação ou a habitação, por exemplo - "beneficiam mais os contribuintes com rendimentos mais elevados", garante a OCDE".
Pois, estes rendimentos mais elevados (e a definição de elevado em Portugal é muito subjectiva) são os mesmos que não beneficiam do estado em situação nenhuma: nem na educação, nem na saúde, nem na habitação, simplesmente porque pagam do seu bolso, integralmente, todas estas despesas. Aquilo que deduzem, perto do que consomem, é ridículo, mas é a estes que se quer supostamente retirar regalias: não é não; o que se pretende é tirar regalias a quem realmente necessita delas, mas joga-se o argumento dos rendimentos mais elevados para tapar o Sol com a peneira.
Não se fala sério em Portugal há mais de trinta anos. Não há coragem política há mais de trinta anos. Há muito compadrio, muita cacicagem, muitos favores há mais de trinta anos e, todos estes mais, têm morto Portugal, a sua economia, as suas gentes.

26.9.10

Há boas e más notícias.

Primeiro as boas: Portugal já não está em crise.

Agora as más: Portugal está morto, morreu e não ressuscita em três dias.

15.7.10

O baixar sucessivamente do rating da República portuguesa, por parte de agencias, como sucedeu esta semana com a Moody´s, mostra claramente que o mundo financeiro não acredita nem no governo, nem na possível oposição como governo.
A proposta de Paulo Portas só pode ser lida e contextualizada neste sentido: união nacional política en torno dos problemas nacionais, como resposta à desconfiança.
O problema reside na falta de arejamento político tão necessário: é que os actores todos, e são muitos, são sempre os mesmos. Mesmo com uma coligação alargada de governo, duvido que a opinião internacional se alterasse.
§
Não sei quais os bancos que poderão falhar o teste de stress, ou mesmo se algum falhará, mas o BPI não falha certamente.

9.7.10

Note-se que tudo o que é escrito nada tem a ver com pessoas, mas com conceitos. Assim, a referencia a nomes advem da crítica ao pensamento e não à seriedade que cada um incute nas suas próprias opiniões. No caso concreto da PT/VIVO o que se discute é a noção de estratégico, face ao interesse do país, como no passado se discutíu o interesse estratégico da industria pesada em Portugal. Na altura considerou-se estrategicamente desnecessário e acabaram-se com grandes unidades (CUF/Quimigal, Siderurgia Nacional, Mague, entre muitas outras) que hoje se mostrariam cruciais para o arranque do país (nem estaríamos como estamos, economicamente falando, acaso a industria pesada existisse em Portugal).
§
Entretanto as acções da PT estão a deslizar: nada de novo; vamos lá comprar em baixa para realizar mais valias no curto prazo. Para aqueles que definem o market value das empresas, as acções da PT só estariam bem se fosse possível encaixar uns milhões da Telefónica, não porque a PT ficasse bem, mas porque os títulos iriam permitir uma enormíssima especulação, momentanea, que permitiria aos fundos de investimento encaixarem uns milhões e deixarem os pequenos aforradores em maus lençois, quando o valor das acções começasse a cair, em virtude da perca de performance, leia-se resultados, da PT derivada da ausencia de uma operação brasileira chamada VIVO.

8.7.10

Na Quadratura do Círculo, esta noite, José Pacheco Pereira, falando sobre o negócio da PT/VIVO, pretende não ter formação jurídica para se pronunciar sobre uma decisão tomada pelo Presidente da Assembleia Geral da PT, mas pretende ter competencias económico-financeiras para falar sobre o negócio. Porque razão não falou sobre questões de índole e carácter jurídico ? Tem tantas competencias nesta matéria como sobre as outras referidas. Mas não esteve sozinho nas referencias erradas, Lobo Xavier fez-lhe companhia.
A razão para a existencia de alianças internacionais, internacionalizações, tem a ver com dois factores fundamentais: capacidade financeira e, igualmente, capacidade e modelo de gestão.
Um dia o Brasil não necessitará, nalgumas áreas de negócio, da participação de empresas portuguesas ou espanholas. Mas até lá necessita, como a EDP para se internacionalizar na América do Sul necessitou de um parceiro chileno. Porque tem mais competencias técnicas ? Não. Porque conhece o mercado como a EDP não conhece.
Se é importante estratégicamente a posição da PT no Brasil ? Claro que sim, fundamental mesmo.
Nota final: o comportamento bolsista não se rege por resultados e performances económicas e financeiras das empresas, mas por impulsos, por momentos de euforia seguidos de depressão, que nada têm a ver com a performance das empresas ou do comportamento das economias onde estão inseridas. São atitudes meramente especulativas: se assim não fosse, não haveria risco associado à bolsa (excepto o risco mínimo de análise das contas e da sua correcção e fiabilidade).Mas deixem-me ainda perguntar: não sendo fundamental para Portugal estar presente no mercado brasileiro, porque será para a Telefónica (leia-se Espanha) assim tão fundamental ? E não foi a Administração da PT que garantíu ao governo que tinha o núcleo duro contra a venda ?

2.7.10

Presidente da República dixit:

"Desde que se respeite o quadro legal, o Governo tem todo o direito de utilizar os instrumentos à sua disposição para defender o que considera ser o interesse estratégico de Portugal".
Afirmação hoje do presidente da República,Cavaco Silva, nas primeiras declarações sobre a utilização, da parte do Governo, da ‘golden share' na PT para vetar a venda da Vivo aos espanhóis da Telefónica, aprovada por mais de 70% dos accionistas em assembleia-geral.

"O governo considerou que estava em causa o interesse estratégico de Portugal", disse o Presidente da República.
Não deixa de ser curioso, mesmo um puro exercício de hipocrisia, que o país mais protecionista e lobista da União Europeia venha invocar regras, regulamentos e supostas virtudes europeias de combate aos protecionismos.

30.6.10

Todas as empresas portuguesas são opáveis.
A PT é tanto menos opável quanto maior o peso de capitalização bolsista que tiver.
Vendendo a VIVO, a PT é mais opável. Mais vulnerável.
Oferecer 90% do valor bolsista da PT (que não inclui os 50% de capital na VIVO) por 50% da VIVO mostra o valor desta participação. E continua a crescer.
Os 7,15 mil milhões entravam no país, iam para fundos de pensões e para operações, mas que operações ?
Em África não, porque o tecido jurídico não permite veleidades de investimento baseados em licenças; no Brasil seria trocar uma posição de liderança no mercado por uma outra empresa não líder: estas operações têm um custo elevadíssimo (caso contrário a Telefónica já teria avançado nessa opção).
As Alianças Estratégicas fizeram-se para crescer, ganhar competencias e capacidade financeira, e também para acabarem. Acabam sempre, sendo que a duração média é de cerca de 3 anos e a duração máxima esperada 7 anos. Assim, nada de novo nesta posição da Telefónica.
E nada mais ficcará igual, porque falamos de um mercado importante, de receitas importantes e de um modelo de gestão diferente (que tem sido consensual através de cedencias).
A altura é de procurar parceiros financeiros.
A Questão PT/VIVO.... e Agora o Futuro espera a PT....

A PT não é uma empresa carente tecnologicamente. A PT procurou a Telefónica para ter acesso a recursos financeiros que lhe faltavam e, assim, a parceria surgíu a 50/50 %.
O mercado escolhido foi o Brasil, por razões óbvias: os mercados emergentes e em desenvolvimento apresentam reacções e estímulos que contribuem para um aumento da competitividade e ganhos de mercado impossíveis em mercados maduros.
A escolha do parceiro deverá evitar, também, que um deles tenha uma dimensão muito superior ao outro, para fugir a tendencias de canibalização (como agora pretende a Telefónica).
Mas estará a Telefónica a ser simpática, quando aumenta sucessivamente o valor de aquisição da parte da PT na VIVO ? O último valor oferecido foi de 7,15 mil milhões de piastras.
A resposta é não.
O mercado nacional é pequeno, não elástico, não permitindo taxas de crescimento que alavanquem os recursos e as necessidades das empresas nacionais. Assumindo e verificando esta constatação, percebe-se porque razão a PT está refém do crescimento no exterior - leia-se Brasil - o que não sendo mau, implica uma atenção constante e uma política de alianças continuada, através de operações mistas de capital e competencias, procurando crescer naquelas e minorando até ao zero estas.
O parceiro de capital é sempre silencioso, e quando as empresas estão bem ancoradas nos mercados onde operam, gozam de benefícios de credibilidade, experiencia internacional e condução de negócios através de modelos de gestão reconhecidos, que a experiencia da internacionalização acarreta, os parceiros financeiros avançam, aindaa mais hoje, quando os funods de investimento procuram colocações sólidas dos seus capitais, fazendo face à volatilidade das restantes aplicações.
Contudo existe um risco: a volatilidade dos mercados em desenvolvimento. Mas poderemos hoje, seriamente, apontar o Brasil dentro do negócio específico da VIVO, como um mercado de risco sério para parceiros financeiros ? Não é nas telecomunicações e no México que se encontra o homem mais bem sucedido financeiramente do mundo ?
Qual a dificuldade, então, de encontrar parceiros financeiros que se substituam à Telefónica ?
Porque não parte a PT para a compra da posição da Telefónica, por valor equivalente ao que foi oferecido por esta ? Há ganhos a realizar com a VIVO, empresa que continua a crescer de forma saudável; há um player empenhado - a PT; há procura e desafios.
Vender a participação da PT na VIVO à Telefónica significa a realização de mais-valias mas, igualmente, a perca de presença no mercado brasileiro que tanto custou a ganhar.
Sair de um mercado é sempre mais fácil do que entrar e, uma vez fora, o espaço e quota de mercado são absorvidos, não existindo lugar a segundas oportunidades.
Para a Telefónica, falhar a aquisição da VIVO equivale a abandonar a aliança estratégica com a PT, mas igualmente e de muito maior peso, dispor-se a perder o mercado brasileiro ou a ter de investir, pelo menos, seis vezes o valor que agora oferece para fazer concorrencia à VIVO, com a inerente dificuldade temporal do retorno financeiro.
A PT não pode vender a VIVO.
Os accionistas de referencia têm essa consciencia e só mesmo os especuladores não vêm o que está diante de todos.
O passo seguinte é montar a operação financeira de aquisição da posição da Telefónica na VIVO e passar a lidar com um parceiro estratégico eminentemente financeiro.
§
(baseado no livro: "Alianças Estratégicas Internacionais: critérios de selecção de parceiros estratégicos", Ed. CELTA, de minha autoria)

30.5.10


A liberdade invadida pela política matou a democracia.....
Homens afadigados e eficientes, que não se separam nunca dos seus telemóveis ou computadores portáteis, homens que se transformam no símbolo de um mundo essencialmente relacional. Um mundo de liberdades mas de total ausencia de democracia. A questão não é saber "quem sou ?" mas sim saber "com quem falas ?".
As pedras movimentam-se na construção de imensas catedrais de dinheiro virtual, onde se praticam cultos enraízados na frenética evolução tecnológica, que permite o crescimento impensável das negociações e das inter-relações, num crescendo de mais contactos, mais ligações em rede, mais interconexões.
Este crescendo é acompanhado, obrigatoriamente, por uma mediatização voraz, alucinante, tipificada em sinais: os sinais monetaristas do dinheiro.
Perdem-se os princípios, substituindo-os por modus operandis.
A sociedade operacionalizada está lançada, sem que se saiba bem como e onde vai desembocar. As ideologias foram substituídas por processos, processos que conduzem a maior parte da população ao conformismo, deixando campo aberto para todos os outros, poucos, que funcionam abertamente em rede.
Uns agem impulsionados por todos os outros que com eles se ligam em rede, sem vontade própria, porque já se perdeu o indivíduo, mas como elementos-chave de uma enorme máquina: os outros assistem, amorfos, dando como certo o dinamismo da máquina, a impossibilidade de lhe traçar fronteiras, o princípio "imutável" de que sendo as leis as mesmas, só poderão existir estas e nenhumas mais.
E o Mundo avança para um declive perigoso, arrastando todo o sistema e arrostando grandes percas. O Mundo tem consciencia que é impossível estender a lógica industrial a toda a sua dimensão; o homem sabe que esta lógica de industrialização tem limites, porém insiste em procurá-la, deslocalizando fábricas, produzindo cada vez mais, na assumpção de que haverá sempre quem consuma o que se produz.
Os homens trabalham sem sentido: uns miseravelmente pagos, nas enormes unidades industriais que alimentam o homem regulado, controlado e livre; os outros executando funções que, sabem-no bem, não geram valor mas pressupostamente prestam serviços aos demais homens regulados, controlados e livres.
Curiosamente o comunismo pretendeu dar um sentido ao trabalho de todos os homens, como resolução do conflito que opôs a revolução industrial à incapacidade do homem livre consumir todos os bens que produzía. Mas fracassou e o mundo industrializado foi substituído pelo mundo frenético das novas tecnologias, da mediatização e da especulação financeira - dos serviços. Nem a verdade da relação social entre os homens se explica neste mundo, como verificamos agora bem demais, nem tão pouco se explicava no comunismo.
Temos hoje a noção de que se construíu este mundo sob um chão arenoso, faltando-lhe a consolidação do betão, o mesmo é dizer da criação de riqueza, para que pudesse ser um mundo definitivo. Não é.
Pouco importa se há revanche política em Portugal, hoje em dia, se os actores políticos são garantes de estabilidade, ou de crescimento, ou seja do que for; na realidade nenhum actor político tem a capacidade de alterar o caminho que se abre sob os nossos pés. Percorremos uma ladeira, cada vez mais íngreme, aumentando a velocidade da descida, mesmo sem querermos, mas compelidos pela inclinação e pela gravidade. Já quase corremos, e mesmo olhando à direita e à esquerda, procurando saídas deste trilho único, temos a consciencia de que qualquer saída tem de ser preparada muito antes de ser vislumbrada e, que mesmo assim, é necessário que exista e que se tenha adivinhado qual é.
Vamos tentando diminuir a marcha, dando encontrões no muro que nos limita o caminho e que nos obriga a seguir em frente. Arranhamo-nos, aqui e ali, cada vez com mais frequencia, obrigando a dolorosas passadas conforme avançamos. Existe uma causa comum, que nos une na insatisfação com que descemos a vereda: o reconhecimento de que já não nos reconhecemos no nosso país; que o país que é nosso já não serve os nossos intentos, as mais básicas necessidades; que o caminho que percorremos não é o nosso. Vemos como a miséria grassa, a solidariedade rareia, a segurança desapareceu, as ideias não servem os propósitos e sentimos o desnorte de quem nos disse, anos a fio, que nos colocaria no bom caminho.
Será este um problema de ideias políticas ? A manifestação de ontem em Lisboa mostrou que não: o fim comum a toda aquela gente não era uma contestação específica, de índole política, de receio de perca de garantias, de direitos.
A razão única que unia todos os manifestantes foi a insatisfação para com o seu país, com o seu futuro, próximo e longínquo.
Era ouvi-los a reclamar, disto e daquilo e ainda daquele outro mal que os assola. Não existia um discurso condutor na reclamação: reclamava-se de tudo, por tudo, contra tudo, em suma, reclamava-se com o país.
Não é então de política que se necessita nesta hora; não é de debate político que estamos carenciados. Portanto, não importa se A é estabilizador, se B se quer vingar, se C será melhor Primeiro-Ministro que D, se a direita se une contra a esquerda, se há vários candidatos, se a esquerda escolhe só um, se ganha este ou aquele, ou mesmo se o governo dura um mes, seis meses ou quatro anos.
Estamos em plena ladeira e a solução já não passa pela ideia política, nem pela impossível mas igualmente ineficaz união política, se existe bloco central ou se o bloco é de esguelha.
O caminho é estreito, murado, cada vez mais inclinado e a vista começa a ter dificuldades em encontrar, a tempo, saídas.
O tempo não é de discussão política, porque ineficaz. O tempo tenderá a ser, então, de aprofundamento moral, de consolidação da ética, dos valores éticos e morais aglutinadores de uma Nação.
É da noção de responsabilidade comum a todos, que nascerá o limite de um mundo capaz de circunscrever a ambição dos homens. A questão é ética, acima de tudo.
Esta liberdade invadida pela política fez sossobrar a democracia e "matou" a liberdade. Só libertando a "liberdade" da política será possível fazer renascer a democracia, pela ética e moral. Só em democracia existe verdadeira liberdade.
Este Estado já não é democrático há muito e deixou de ser um estado de liberdade para muitos, quase todos, há muito também. A liberdade actual é só para uns poucos, mas já não "cheira" a liberdade para todos os outros.
Exige-se consciencia onde hoje sobra oportunismo. Exige-se ética (aristotélica) onde hoje só se encontram interesses individualistas. Impõe-se uma razão onde se encontram interesses obscuros, sabedoria que substitua a inconsciencia.
É necessária independencia de espírito e enriquecimento das consciencias.
A ladeira inclina-se, todos os dias, cada vez mais, à nossa vista. O choque é iminente e não se descortinam travões capazes de nos fazer parar.
Vamos bater, violentamente, independentmente dos actores políticos, porque este mundo, o nosso, já não se faz de política, por agora.