13.2.10

Adaptação livre de "Uma Ilha na Lua" de William Blake...

”Vou começar outra vez", disse o Cínico. Cá vai:"Rompeu Sócrates empertigado, Enxuto e de queixo arredondado, dizendo:Que gostaríeis vós de receber?"
E o povo perguntou: " E quem é Sócrates , meu Senhor?"
O Cínico respondeu rapidamente:"É o deus da Medicina, Pintura, Perspectiva, Geometria, Geografia, Astronomia, Química, Mecânica, Táctica, Fraseologia, Mitologia, Astrologia, Osteologia, Somatologia, Teologia, Patologia e até Culinária - numa palavra, todas as artes e ciências são par
a ele como as contas do colar ao pescoço."
.
Chegados aqui, o Povo mostrou-se espantado e perguntou ao Cínico se Sócrates percebia também da Arte da Gravura.
Respondeu o Cínico que sim senhor, que sabia.
"Os pagãos na antiguidade costumavam ter deuses que veneravam e a quem faziam sacrifícios. Vocês devem fazer o mesmo com Sócrates agora", rematou o Cínico.
"Ah", disse o Povo, e o Outro, também é tão instruído ?"
"Não", disse o Cínico. "Como é que podes ser tão néscio que penses que é?"
"Oh, eu não penso que ele é – só perguntei se é," disse o Povo.
"Como é possível pensares que não é e perguntares se é?" disse o Cínico.
"Oh não, Senhor. Eu pensava que sim, que ele era, antes de me dizer, mas depois fiquei a pensar que não é."
Diz o Cínico: " Em primeiro lugar pensavas que era, & depois, quando eu disse que não é, já pensavas que não é. Bem, eu sei que – "
"Oh, nada disso Senhor, eu pensava que ele não era, mas perguntei para saber se ele era."
"Como é que isso pode ser?", exclamou o Cínico. "Como é que podes perguntar, & pensar que ele não era?"
"Bem," disse o Povo, "veio-me à cabeça que ele não é."
"Mas porque é que então", insistiu o Cínico, "disseste que ele é?"
"Eu disse isso? Caramba! Não pensava ter dito tal coisa. Mas o que eu quis dizer. Eu – eu – eu não consigo pensar…Caramba! Senhor, bem gostava que me dissesse como é que isto pode ser."
Então o Cínico pôs o queixo na mão & proferiu: "Sempre que pensares, deves pensar por ti mesmo."
"Mas como, Senhor!" exclamou o Povo. "Sempre que penso devo ser eu a pensar? Mas eu penso que sim. Em primeiro lugar – ..."
"Ora, ora!" disse o Cínico. "Não sejas parvo. Pensar por ti mesmo implica ouvir primeiro, sempre, e repetir pensando o que ouviste."
O Cínico então pôs-se a pensar: qualquer burro nato há-de dar um espertalhão, desde que seja devidamente educado. Se depender de mim, o Povo daqui a quatro anos há-de ser um génio muito superior.
.
Neste momento fazem a sua entrada os Outros quatro filósofos, (são seis ao todo, contando com o Sócrates e o Outro ) dizendo em uníssono:
"Vamos Povo! Diz lá qualquer coisa."
O Povo começou então:
"Em primeiro lugar penso, eu cá penso em primeiro lugar que Sócrates é muito bom em Medicena, Fologia, Pistinologia, Aridologia, Arografia, Metamorfografia, Focinhografia, Suínogamia, Hinotomia, & a tudo isso”.
E foi assim que saíram todos da sala, & eles não puderam continuar a conversa neste propósito.

11.2.10

A vontade inequívoca de desmontar a cabala em torno da manipulação do estado de direito, da liberdade de informação e do comportamento reprovável de figuras relevantes dentro do cenário político e económico nacinoal deriva, directamente, do receio de que a 3º República se esteja a afundar, inexoravelmente, e com ela os privilégios de todos, todos mesmo, do Bloco de Esquerda ao CDS/PP.
Este receio fundado redunda numa massiva reacção de menorização da situação que se vive no país e, em particular, no caso Face Oculta.
Mas a situação é grave, muito grave, porque a dívida pública continua a crescer, a despesa do estado continua a crescer, o nível de vida dos portugueses continua a cair e a contestação social ameaça as ruas, sendo que esta ameaça não é pequena, bem pelo contrário, consubstancia-se em algo de muito grave.
Porque estas são questões de enorme importancia política, porque a Real Politik já não se faz hoje da política dos bastidores, nem sequer da que nos é oferecida em horário nobre, mas sim das dificuldades sentidas diariamente na sobrevivencia das familias e no futuro estropiado das gerações mais novas e das vindouras.
Porque pela primeira vez na longa história deste país, os pais não vão poder deixar mais aos filhos do que aquilo que receberam; porque as gerações que nos precedem já estão hipotecadas.
Por tudo isto, porque toda a "conversa" e pose política actuais, porque todo o discurso político está definitivamente enterrado, só uma postura política baseada no social, no respeito e na ética será capaz da ruptura que captará a atenção da população.
Ricardo Sá Fernandes, advogado de Paulo Penedos(assessor da PT) afirmava há dias, na televisão, que o seu cliente não via inconveniente na publicação das escutas e que até pretendia mais; que todas as escutas fossem tornadas públicas para que se percebesse, claramente e sem equívocos, que não tinha participado de forma, fosse qual fosse, lesiva e/ou mesmo que prefigurasse algum tipo de crime, na operação tentada do governo controlar a TVI através da Portugal Telecom (PT) (a coisa já devia estar negra para ir buscar um advogado cujos casos são muitíssimo mediáticos).
Parece que com Rui Pedro Soares, administrador na Portugal Telecom, as coisas não se passam exactamente assim.
Parece que ao fim e ao cabo é necessário impedir a divulgação das referidas escutas. Também ontem as coisa mudaram com Henrique Granadeiro e as afirmaç~poes que fez e teria feito anteriormente. Uma grande salganhada a que ninguém escapa.
É claro que não podia ser ninguém directamente ligado ao poder a assumir o "custo" da providencia cautelar, tendo-se utilizado mais um expediente: um administrador da PT (um boy ?) para fazer o serviço.
Entretanto o Procurador-Geral da Republica refugia-se no silencio enquanto o Presidente do Supremo Tribunal de Justiça se afadiga para falar ao país através das televisões.
Enquanto tudo isto se passa, o país não sabe o que aconteceu,o que acontece, quais as reais responsabilidades de cada um, onde acaba a sem-vergonha e começa o crime, ambos más companhias para políticos, empresários, administradores de empresas, jornalistas, causídicos e figuras mais altas da Nação.
É um desgoverno total.
A pergunta que resta: alguma destas personagens (e todas as outras que se debatem com problemas semelhantes e outros, a contas com a justiça) será capaz de continuar a liderar os destinos do País ?
A resposta é clara: NÃO!

4.2.10


Quanto mais tarde mudar mais difícil fica...

Hoje, 4 de Fevereiro, pouco importa na realidade se a Lei das Finanças regionais passa no parlamento, se acaso o Governo se demite das suas funções, se o Presidente da República, dentro do quadro constitucional, convida outros partidos para formar governo ou se convoca eleições.
O que realmente importa é que temos um Orçamento de Estado (OE) que não serve, que agora vai ser apresentado um Programa de Estabilidade e Crescimento (PEC), para estrangeiro ver, que nos provoca uma enorme confusão: se o PEC é diferente do OE para que serve o OE ? Ou para que serve o PEC ? É o OE que é para cumprir ou o PEC ? Se o PEC é para estrangeiro ver (como escrevi anteriormente) do que nos vai servir ? Não vamos chegar ao fm de 2010 piores? Vamos de certeza. E não vamos sofrer as repercussões durante todo o ano ?
Claro que sim; já estamos a sentir. Tudo porque temos um mau OE 2010.
Então porque razão há tanta ansiedade em torno da votação no parlamento da lei das Finanças Regionais ? E da demissão ou não do executivo ?
Não está tudo isto de pantanas ? Que mal virá ao mundo se anteciparmos aquilo que só irá ser feito daqui a uns seis a oito meses ? Não teremos tudo a ganhar se for feito já ?
Mas para fazer tem de ser bem feito, muito bem feito e no actual espectro político não vejo quem, mesmo entrando em conta com os possiveis candidatos à liderança do PSD.
Esta classe política está demasiado atada, por muito conluio, muita convivencia nefasta, por muito afastamento das questões essenciais e muita atenção nas questões pessoais.

A falta de vergonha de que se fai fazendo o dia-a-dia do país....
A proposta de levantamento do sigilo fiscal, por parte dos tres deputados da bancada parlamentar do PS, Strecht Ribeiro, Afonso Candal e Mota Andrade, pode não ter contido nenhuma deslealdade para com o grupo parlamentar do PS e o seu presidente, mas foi fortemente desleal para com todos os portugueses que pagam os seus impostos e não piam. De acordo com a proposta, todos os corruptos que habitam no mesmo espaço económico que nós seríam na prática e no fundo nós próprios, os sérios e probos, expostos publicamente nos seus rendimentos ganhos honestamente, enquanto os verdadeiros corruptos continuariam a gozar das benesses de um sistema permissivo, de uma justiça lenta e que tarda. Rouba-se despudoradamente durante 35 anos e no final dos tempos os cidadãos anónmimos e honestos mereceriam o tratamento de criminosos sem vergonha.
Tenham juízo.
Também a 1º República acabou a discutir com "unhas e dentes" a corrupção.

3.2.10

As velhas falácias.....
Hoje, na SIC Noticias, um Engº. de nome João Picoito representante da Nokia Siemens, foi entrevistado por Mário Crespo.
Com pose de e(go)stado, o tal Dr. Engº. qualquer coisa, acompanhado por imagens da visita de sua majestade o primeiro-ministro desta baiuca ao tal sítio pomposo que se descreve adiante, sempre foi defendendo o investimento naquele que é o 2º maior centro mundial de atendimento a clientes de redes de telecomunicações. O primeiro está sedeado na Índia (já nos vai dizendo alguma coisa).
Inicialmente estavam programados 180 postos de trabalho, mas já vão nos 600.
Entre muito conversa, oratória e emproamento, com bitates como "Headquarter" e "Country Manager", o tal senhor só não aceitou que chamassem "Call Center" ao tal 2º maior qualquer coisa, mas sempre foi arfando que aquela coisa estava cheia de engenheiros e mestres, todos poliglotas e de imenso arcaboiço técnico. Pois, pois.
Faltou a Mário Crespo (que é excelente) perguntar qual o vencimento médio que é pago.
Porque é obra, arrematar uma coisa destas à India.
.
Porque levo muito em conta os comentários que recebo e publico, aqui deixo a rectificação. O Dr. Engº. ilustra os egos inflamados deste país.....

31.1.10

A necessária solidariedade dos portugueses para com Portugal....
A catástrofe no Haiti tem sido objecto de acções de solidariedade, esperadas por parte da população portuguesa, dignas do maior registo.
Nós somos assim e ainda bem que o somos.
A transfiguração nacional, perante os desastres, é tal que leva sem qualquer tipo de dúvida a esquemas fraudulentos simples mas eficazes que, a única emoção que exploram, é a solidariedade. Nós somos e sempre seremos solidários. Nós misturamo-nos, convivemos e partilhamos sem vénia nem convénios. Somos assim, ponto: cidadãos do mundo por natureza.
Falamos ingles, frances e chinamarques com a maior das facilidades, mesmo que seja para dizer:
- Atira corda.
- What?
- Do you speak english?
- Yes!
- Então atira a corda porra!
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Somos assim.
A catástrofe no Haiti é visível. Terrível. Impressionante.
A sismologia ainda não consegue distinguir os sintomas. Contra a natureza nada podemos a não ser salvar vidas humanas. A sismologia ainda não o consegue; não é possivel, ainda, distinguir entre um conjunto de estímulos sismológicos e a eminencia de uma verdadeira catástrofe. Infelizmente.
Se tal já fosse possível, como aparentemente a vulcanologia está prestes a conseguir, seria possivel evacuar as populações e salvar milhares de vidas.
A ajuda, contudo, a ajuda humanitária, seria ainda assim necessária, sempre.
Mas a sismologia ainda não o consegue; ainda há pouco tempo a terra tremeu em Lisboa mas, por esse facto, não se justificaria a evacuação de Lisboa. Não se conseguem ligar os factos.
Mas a solidariedade está cá, nós somos solidários.
.
Vale este texto pela comparação possível com a situação que se vive no nosso país, Portugal.
Ao contrário da sismologia existem mecanismos que nos permitem antever o futuro próximo.
O futuro que nos espera é catastrófico e a economia e finanças não se compadecem: mostram-no à evidencia.
Contudo, por estranho que pareça (por razões que sucintamente se explicam à frente) a solidariedade nacional, reconhecida, não surge espontaneamente.
Ninguem acredita na evidencia do desastre, porque não se assume de forma horrenda, desfigurada; porque demora tempo; porque vai carcomendo mas não se mostra de uma só vez; porque é manhosa esta catástrofe, atrofiada no discurso de políticos manhosos, de palavras sedosamente embrulhadas em hipocrisia, interesses pessoais e muita atitude filisteia.
Mas Portugal é hoje uma zona de catástrofe.
Vivemos tempos horrendos, de descriminação sem igual, com um crescimento medonho da pobreza, com uma exclusão social terrível e total ausencia de coesão.
Estamos cada vez mais longe da nobreza obrigatória da nossa história e cada vez mais perto da mendicidade, pródiga nos países sem perspectivas, sem passado e sem futuro.
Portugal só tem presente e mau.
Presente mas mau.
Muito mau este presente.
Temos então que aconchegar fortemente esta ideia, este ideal, no nosso espírito, na nossa mente, na nossa alma: estamos mal e precisamos da solidariedade de todos.
A nossa solidariedade está à prova, nas circunstancias mais difíceis.
Estaremos à altura do desafio de compreendermos e, acima de tudo, percebermos que das nossas decisões de hoje, da nossa solidariedade, dependem as bocas de milhões de portugueses num futuro demasiado próximo ?
A solução reside na união de todos nós em torno de um projecto verdadeiramente nacional, aceite por todos e imposto por poucos como todos os grandes projectos. Projecto o qual nenhum dos actuais actores políticos tem capacidade de concretizar, desde o Presidente da República, passando pelo Primeiro-Ministro até qualquer dos políticos profissionais tranversais a todas as forças políticas conhecidas.
O projecto é de todos, a obrigação da sua implementação corresponde a uns poucos.

28.1.10

Serov
As despesas com pessoal no sub-sector estado, durante o ano de 2009, rondaram os 13 mil milhões de euros.
Custos com a administração pública à volta dos 18 mil milhões de euros no mesmo período.
Somados estes valores obtemos 31 mil milhões de euros (o valor deve ser superior nas contas do INE).
As pensões pagas pelo estado resultam num valor de cerca de 14 mil milhões e estas, sim não podem sofrer alterações (pensões de invalidez, velhice e sobrevivencia).
O défice esperado para 2010 equivale (nas contas do governo e expostas no OE) a 14 mil milhões de euros, o equivalente a uma redução de 40% nos gastos com vencimentos do sub-sector estado e na administração pública.Esta redução levaria o défice a zero. Uma redução de metade implicaria um défice de 4,5%. As contas são fáceis de fazer.
A solução da redução dos gastos do estado passa pela redução de vencimentos dos funcionários publicos (como acontece na actividade privada). Ou há uma redução dos salários na função pública e das despesas públicas, nas administrações central e locais, ou será inevitável a necessidade de despedir funcionários públicos.
É de crer que ninguém, entre uma solução ou outra, opte pelo despedimento de milhares de funcionários públicos (mais de 200 mil trabalhadores).
A coragem política para reduzir a despesa pública é fundamental. Não pode passar pela redução da despesa na saúde, justiça e educação. Tão pouco pode passar pela redução do investimento no saneamento básico, nas condições de vida dos cidadãos e da capacidade de competição dos municípios. Quaisquer dos investimentos mencionados concorrem para o aumento da produtividade, contribuindo para o crescimento da competitividade do país.
É necessário criar uma nova consciencia nacional: já passou o tempo de consumir; agora é chegado o tempo de fazer sacrifícios enquanto estes ainda valham a pena. Depois, bem, depois já será irremediavelmente tarde.
O tempo não é de manifestações de rua, reivindicativas de direitos impossíveis, mas de um profundo sentimento social, de uma assumpção da necessidade de nos protegermos uns aos outros. Temos de fazer sacrifícios, todos sem excepção.
Já não estamos no país dos 1.000 euros (vencimento mais comum nos ultimos anos); já entrámos no país dos 600 euros (para os licenciados, muito perto do salário mínimo nacional). Todos os restantes portugueses, não licenciados, são já parte da enorme mole humana que compõe o desemprego estrutural nacional. Estes, como os demais, necessitam de ser apoiados e, mesmo assim como bem sabemos, terão de fazer exercícios dificílimos de equilíbrio financeiro mensal, para que uma família consiga "viver" com 480 euros mensais.
Coragem política precisa-se.
Ninguém se iluda, estamos mesmo na situação dramática tão bem definida com uma célebre frase de um célebre portugues: estávamos à beira do abismo mas conseguimos dar um passo em frente (desta vez é mesmo assim, mesmo a sério, acaso não se mude tudo - de forma voluntária ou imposta - a começar pelas mentalidades)
É do valor do défice de 2010 que se deverá duvidar....

Pretender que há um empolamento do défice em 2009 para apresentar resultados em 2010 (como se um défice de 8,3% fosse um bom resultado, mesmo que considerado na comparação com o ano anterior) é um disparate. Equivale a afirmar que a República correria um risco de 365 dias, com aumentos de juros sobre a dívida pública, redução da liquidez disponível por consequencia da dificuldade de obter ajuda financeira externa, pressão especulativa sobre os default swaps da dívida, análise ainda mais negativa da governação, com consequente aumento da pressão sobre o serviço da dívida e da capacidade de cumprimento das obrigações nacionais, na expectativa de no final de 2010 apresentar o parco resultado de redução de 1%.
Acresce que as dificuldades que atravessamos são reais e têm origem nos gastos públicos. A exposição internacional dos 9,3% de défice não compensaria nunca a suposta redução de 1% prevista orçamentalmente para 2010.
Pelo contrário, acredito que o número que merece reservas é o referido défice projectado de 8,3% para este ano; quero crer que será muito superior, infelizmente.

27.1.10

O que aí vem equivale ao que não queremos.....
Escrevi aqui há muito tempo que o défice seria de 9,4% quando se dizia que pouco passaria dos 5%. reescrevi que o défice seria eese no Programa eleitoral do PPM que redigi sozinho, apresentado em Setembro de 2009.
Leio e ouço agora que é a grande surpresa, a enorme surpresa. Para quem ?
Surpresa, este décife, só para os que andam distraídos ou são aldabrões.
Não há surpresas. Como não há diferenças entre este orçamento e os anteriores, nem mesmo em relação às promessas feitas de reduzir o défice e aumentar o PIB (Produto Interno Bruto); 1% o primeiro; 0,8% o segundo. Compare-se com os numeros apresentados para o orçamento de 2009.
Alguém acredita que seja para cumprir? E mesmo que fosse, para que serviria?
Para a RUA, todos, JÁ !!!
Vamos a cenários:
(1) O que temos certo: Portugal vai incumprir (no serviço da dívida) no 2º semestre de 2010;
(2) A especulação (a minha):
1. Saída da zona euro: o argumento da solidez da zona euro, que servíu para defender a exigencia da nossa entrada não se aguenta com a insolvencia de Grécia e Portugal ( a Espanha pode aproveitar a boleia para garantir o instrumento de política cambial perdido);
2. manutenção na zona euro con redução compulsiva da circulação de euros em Portugal (redução de 1/4 da moeda em circulação). Não necessito de especificar as implicações das duas hipóteses referidas anteriorment;
3. A Espanha aproveita a boleia e sai da zona euro; Portugal adopta a peseta. Porquê ? Porque quem manda numa economia é quem lá tem o dinheiro investido e, acaso ocorra a adopção do escudo podemos contar com uma desvalorização da "piastra" nacional" em cerca de 35%. Se adoptarmos a peseta teremos uma desvalorização à volta dos 20% (do mal o menos).
Estes são os cenários para os quais teremos de nos começar a preocupar desde já, porque o futuro (mau) começa dentro de seis meses.
A menos que alguma coisa mude: gente séria começa a governar o país e os outros vão todos responder pelos seus actos e devolver a riqueza roubada a Portugal.
Os maus políticos, os maus jornalistas, os oportunistas, os vendidos, os que compraram valores, todos estes e todos os outros esconjuro-os, a todos sem excepção.

26.1.10

O continuar de uma política falsa e manipulada; para quando o encarar da realidade ?

Não conheço o orçamento mas não preciso, para saber que não serve.
Um orçamento que aponta para um crescimento de 0,7% do PIB faz-nos acreditar de imediato que o crescimento será de 0% ou mesmo negativo.
A incapacidade de Portugal cumprir com as suas obrigações está garantida, bem como a aproximação à média europeia está definitvamente enterrada.
Eu preferia que não houvesse acordo orçamental, que a situação se partisse de imediato, que a crise social estalasse e que o incumprimento se verificasse; quanto mais depressa se encarar a realidade mais depressa se atacam os problemas.
Mudem-se os tempos, mudem-se as vontades.

22.1.10

A dívida pública nacional mais que triplicou no mês de Dezembro de 2009, quando comparada com o período homólogo de 2008.
Portugal vai ficar de tanga em seis meses, ou seja, vai incumprir no período de seis meses. Estamos de tanga.

23.12.09


Depois de muito recomendado, apanhei-o à procura de todos os familiares, amigos e conhecidos que referenciei.
Votos de um Santo Natal.
A revogação das taxas moderadoras nos internamentos e cirurgias em ambulatório é uma boa medida mas não basta: há que dar a conhecer ao utente o custo exacto que o estado teve de suportar com o apoio, tratamento e cuidados de saúde ministrados. Só desta forma haverá consciencia social do custo que cada um de nós implica para o estado (societário).

20.12.09

Para conferir aqui a veracidade e frontalidade do PCP na questão da CIMPOR, o único partido a assumir uma posição sobre o assunto, sem tibiezas. Porque o interesse nacional está acima das questões partidárias, não importa em que quadrante político nos situamos; importa sim a seriedade com que nos debruçamos sobre as questões nacionais, as que verdadeiramente interessam, não implicando qualquer tipo de concordancia com a linha programática dos comunistas no que a Portugal concerne.....

18.12.09


Dorph
Eles vão comendo tudo......
Afirma-se que a OPA sobre a CIMPOR é bem vinda mas que o preço é baixo.
Claro, para especuladores sem consciencia que devem centenas de milhões (a acreditar nos jornais da especialidade só à CGD deverão 600 milhões de euros) que lhes foram emprestados para especular (quando projectos para criar empresas e empregos eram "chumbados", porque os seus mentores não dispunham de um mínimo de capitais próprios iguais ou superiores a 25% do total dos investimentos em apreciação na banca) só podem estar satisfeitos com a possibilidade de vender, embora o queiram fazer a valores mais altos. Típico de especuladores.
O problema reside, contudo, na forma como a participação no capital das empresas nacionais é encarada. Compram-se acções na expectativa da realização de mais-valias e não numa óptica de garantir a remuneração do capital investido através da distribuição de dividendos, o mesmo é dizer, através da geração de valor acrescentado por parte das empresas (traduzido nos lucros anuais, princípio primeiro para a distribuição de dividendos aos accionistas).
Assim, para o especulador manhoso, errático (porque "pica" em todo o lado, sem uma lógica de aplicação de capitais estruturada num projecto ) e financeiramente "pirata" (porque busca a pilhagem em bolsa de mais-valias, nascidas de euforias bastas vezes induzidas e não de crescimentos sustentados das empresas), pouco importa se as empresas ficam ou não em mãos nacionais, mesmo se estivermos a falar de um dos maiores grupos cimenteiros mundiais (é engraçado como surge uma Siderurgia Nacional brasileira nesta OPA e como nós acabámos com a nossa, como se de um mau negócio se tratasse, havendo contudo tão poucas na Europa. Uma mão cheia chega para as contar todas). Esta falta de consciencia tem norteado a gestão das empresas nacionais, orientada para o interesse imediato do accionista e não para a criação de riqueza na empresa. Há muito tempo escrevi que todas as empresas nacionais são "opáveis", todas sem excepção e que as OPAS´s estariam na ordem do dia, que as empresas nacionais estão fragilizadas e não têm massa crítica (recursos/capacidade de alavancagem financeira). Contudo, perante uma constatação que encaixa no óbvio, o apoio do estado assentou sempre nos especuladores e não nos empreendedores. O tempo de antena foi deixado à sua mercê, foram apresentados como "opinion makers" e até exemplos acabados de vidas carregadas de sucesso escalado a palmo (palmo vertendo suor, lágrimas e sangue de todos os que foram engolidos na voragem dos ganhos fáceis e dos movimentos especulaticos destes tubarões). Num país de faz-de-conta também os investidores não poderiam deixar de ser de outra maneira.
É que há uma enorme diferença no funcionamento dos mercados bolsistas nos países desenvolvidos, por comparação com países atrofiados como o nosso. A dispersão do capital em bolsa naqueles é muito, mesmo muito elevada; em contrapartida, a CIMPOR é detida por accionistas vários (que não são de referencia, ou seja, pequena/média poupança) em cerca de 30%, deixando os restantes 70% nas mãos de potenciais especuladores. Claro que há uma guerra surda entre o núcleo accionista da CIMPOR; claro que nem todos pensam como Berardo, mas basta aos brasileiros da CSN adquirirem 50% mais uma acção para terem o controle efectivo da gestão de uma das maiores empresas nacionais, situada num sector económico sensível.
E assim vai desaparecendo o controle dos portugueses sobre as suas empresas; assim vai diminuindo o peso das decisões nacionais sobre os parceiros económicos situados em território nacional; assim vamos hipotecando o nosso futuro e, pior, deixando o mesmo nas mãos de capitais estrangeiros.
Hoje por hoje, a CIMPOR não vale pela sua fábrica em Portugal, mas sim pela dimensão mundial que atingíu. Acabar com a fábrica da CIMPOR em Portugal é fácil; redirecionar os ganhos da empresa para outro país facílimo, com a consequente perca na Balança de Transacções Correntes, da receita fiscal, da redução do aparelho produtivo e de qualquer projecto sério nacional. Aumentar o custo do cimento em Portugal mais fácil ainda, estrangulando todo o sector da construção civil e obras públicas.
Tudo isto é fácil.
Também é facílimo afirmar que a OPA é bem vinda.
O que é verdadeiramente difícil é engolir estes sapos, é ver publicamente manifestada esta vontade iníqua de destruir a sociedade portuguesa, de reduzir os portugueses a um grupo de pedintes, de constatar a cobertura que estes agentes do mal merecem da sociedade política e civil nacional, porque dão a comer a uma série de gente, porque se alimentam de todos que a troco de migalhas lhes facilitam o caminho e os cumulam de honrarias.
Eu não me contento com menos que a felicidade, o prazer, para mim e todos os outros, com a alegria de poder viver e gozar todos os momentos da vida, bons ou maus.
Porque a honra pode ser imerecida mas a alegria nunca o é.

Santoro
Português Me Assumo

De todos os sítios do mundo
onde podia nascer,
Quis o destino escolher
nascesse neste País profundo!

Profundo na sua história,
Símbolos, figuras míticas.
De epopeias e conquistas,
na fortuna e na glória.

Terra de D.Afonso, D.João,
De sofridas gerações.
De Pessoa... de Camões,
que em poemas nos cantaram.

Éramos grandes, enormes,
Em dimensão e beleza.
Dividíamos o mundo à mesa
Temidos pelos mais fortes!


Novecentos anos contados,
os mais antigos da história,
Perecem com dor, sem glória,
de tanto serem esbanjados!

Daí para cá o deserto,
A ruína, a demência.
A imensa carência
no assomo do incerto.

Tempos conturbados os nossos;
Anos a mais de loucuras,
Remetem as gerações vindouras
para o pior dos invernos!

(João Fernandes)

§
Pessoalmente assumo frequentemente perante os meus filhos, que a minha geração se encarregou de dificultar o futuro da sua. E em tal acredito piamente
posted by papoila : 5:17 PM

16.12.09


Winter
Não à Regionalização de Portugal
[Ao iniciar negociações com a ETA há uns anos atrás (sem efeitos), o governo espanhol acelerou um processo que se colocava há muito: as autonomias regionais].
As autonomias espanholas foram e são boas para nós: constituem-se numa excelente oportunidade para Portugal vir a criar alianças com algumas destas regiões, diminuídas no espaço geográfico, mais ricas na sua maioria mas sem a dimensão (e força) de uma Espanha una e indivisa.
Não tenho qualquer dúvida em afirmar que esta é uma janela de oportunidade para a Nação portuguesa, que terá de ser aproveitada de uma forma inteligente, através de uma política externa forte e capaz, encetando desde já esse caminho, cautelosamente, com objectivos traçados e conhecimento exacto das pretensões e necessidades reconhecidas.
O tempo não oferece oportunidades aos povos de uma forma continuada e nós temos, ao longo da História, provado saber agarrar algumas delas. Que agarremos então esta, como povo uno e indiviso, com quase novecentos anos de fronteiras polítcas e geográficas comuns e com toda a força que essa condição nos permite, naturalmente, usufruir.
Não é a altura de sermos parvos, ou como outros preferem, modernos!
Tudo isto vem a propósito da renovada discussão e vontade de regionalizar Portugal.
Para encarar o problema de frente temos de aceitar um princípio fundamental: uma Naçao não se define por aquilo que não é.
Acima de tudo, os laços que unem os cidadãos de uma nação são o produto do somatório do passado histórico, sempre complexo, e nunca de factores isolados como o social , o religioso ou o racial.
A comunidade nacional é um conjunto de homens reunidos em torno da memória do seu passado e nunca daquilo que são no presente, porque a união é precisamente o resultado da memória colectiva.
É então o destino comum, partilhado, que aglutina os cidadãos com todas as alegrias e tristezas, venturas e desventuras associadas. Porém uma nação não é uma tribo, antes um território perfeitamente definido por fronteiras geográficas e políticas, na concepção aceite de estado europeu. Portugal é o Estado europeu mais antigo, no sentido da sua definição política e geográfica.
Estamos porém a viver tempos em que o nacionalismo (entendido como a construção nacional do séc. XIX) é um fenómeno em queda, subjugado pela óptica da globalização.
A evidencia territorial, actualmente, sobrevive à custa de factores isolados, mesmo que entendidos como um somatório resultante da religião, da raça e da ideologia. Não é de estranhar, então, que hoje as crispações nacionais sejam mais xenófobas que "imperialistas".
Acontece porém que não há qualquer razão para duvidar da História comum de todos os portugueses, acrescendo que não existem razões para divisões sociais, religiosas ou raciais entre nós. Assim sendo, pretender que uma divisão regional de Portugal é uma possibilidade política não passa de um tremendo disparate, com contornos de traição nacional; de traição à História (memória), aos valores e à moral comuns.
A nossa realidade nada tem a ver com a espanhola. Revemo-nos num algarvio como num transmontano. Mas cuidado: quando pensamos dividir o país em regiões iremos provocar diferenças que não existem, divisões que não estão presentes.
As razões são várias mas uma ressalta de todas as outras: a constituição de microeconomias dentro do território nacional; a economia algarvia nada tem a ver com a Alentejana, como a minhota em nada se parece com a transmontana, para citar dois exemplos. A distribuição de verbas nunca será a mesma entre regiões: irão aparecer os primos pobres e os ricos, dentro da enorme pobreza que é o próprio país (quer económica quer intelectual).
Depois há toda uma panóplia de custos associados que não são aceitáveis e todo um número de cargos que não se percebem na utilidade.
Tudo isto são factos, mas o que mais importa (razão pela qual não me alongo por demais nos pormenores) é não ler a necessidade de dividir o país em cinco regiões.
Porquê? Para quê? Favorecendo quem?
Portugal perde, perca drástica, com a regionalização. E depois nenhum português quer a regionalização, a menos que tenha interesses políticos e pessoais a defender; mas estes não são os interesses nacionais.
Não à regionalização.
§
Adicionaria apenas um facto que sempre me incomodou: regionalização implicaria ainda dar mais poder aos autarcas, onde germina a maior corrupção neste país.
posted by papoila : 12:40 AM

15.12.09


Contemplação

Sonho de olhos abertos, caminhando
Não entre as formas já e as aparências,
Mas vendo a face imóvel das essências,
Entre idéias e espíritos pairando...

Que é o mundo ante mim? fumo ondeando,
Visões sem ser, fragmentos de existencias...
Uma névoa de enganos e impotências
Sobre vácuo insondável rastejando...

E d'entre a névoa e a sombra universais
Só me chega um murmúrio, feito de ais...
É a queixa, o profundíssimo gemido

Das coisas, que procuram cegamente
Na sua noite e dolorosamente
Outra luz, outro fim só presentido...

(Antero de Quental)

DonaldFraser
Questões de agendamento político Pessoais....
A clarividencia cristalina de Antonio Vitorino ontem na RTP1 permitíu compreender (aos mais distraídos) que o país é governado por agendas políticas muito pessoais (não confundir com nacionais). De acordo com o reputado comentador, Cavaco Silva não tem condições de "ir à guerra" com o actual executivo, porque se lhe apresenta um segundo mandato para executar e qualquer clivagem institucional representa um sério risco na gestão da imagem política e concomitantes votos na urna. Percebe-se claramente o à vontade de Jorge Sampaio quando lidou com Pedro Santana Lopes: aquele já estava no ultimo mandato e não poderia ser reeleito.

14.12.09

Se a oposição continuar a fazer o seu papel - o ser oposição - para o qual foi aliás votada, o governo ameaça com uma saída antecipada. Chantagem política baixa.
Resta perguntar: quem tem medo de ir a votos ? O primeiro a ter medo irá ceder. É esta a política actual do governo e do PS. Mas será esta a polítca que interessa a Portugal ? Certamente que não.

WilliamFeron
"A Pátria não se discute"
É uma imensa trapalhada tudo o que o PS e o governo pretendem passar, como mensagem política. O país não tem condições de responder a aumentos de receitas orçamentais e necessita, urgentemente, de ver reduzida a sua participação no despautério em que se transformou a despesa pública. O governo tem de reduzir a despesa pública; o problema, uma vez mais afirmo, situa-se ao nível da dívida pública que é monstruosa, e acaso suceda um aumento das taxas de juro, o serviço da dívida será um pesadelo para este pequeno país. A verdade é que estamos falidos técnicamente.
Por outro lado, não existe nenhuma tramoia, nenhuma conspiração política da esquerda à direita: existe sim uma conspiração do governo socialista, que pretende governar em minoria como se dispusesse de uma maioria confortável, tentando convencer o povo de que sem o PS e Sócrates não há solução para Portugal e que a oposição, de forma intencional e maleficamente pensada, tenta acabar com essa solução única.
O PS ganhou as eleições com minoria relativa e aceitou formar governo; cabe aos portugueses "lerem" correctamente a situação do país e as desculpas esfarrapadas que se lhes apresentam.
O governo tem uma responsabilidade: governar. A oposição tem uma obrigação: não defraudar os votantes. Uns e outros têm de cumprir com a sua obrigação.
Pretender que os partidos da oposição estão coligados de forma imprópria e estranha é surrealista, porque iria contra os respectivos programas (já o afirmei antes).
Igualmente e de forma equivalente, ganhar as eleições não obrigava o PS a formar governo. Se o programa do PS e a sua política (a de Sócrates e o seu estilo de governação) obrigava a uma maioria absoluta tinham dito, sem margem para dúvidas ao eleitorado, que só seriam governo acaso dispusessem de maioria absoluta.
À regras que têm de ser cumpridas. A governação não se faz através de exercícios nas "paralelas" nem nas "argolas" (de jogadas parelelas e argoladas estamos fartos). A governação faz-se de frente, sem temores e sem apego ao poder; faz-se com profundo sentido nacional. A Pátria não se discute.

Ver as imagens de Berlusconi ferido, sangrando, mostram uma outra imagem, uma outra visão: a loucura imediata que se apossa de alguns, manipulados por outros, que através da palavra incitam à acção criminosa. Os problemas são muitos, os problemas sociais graves, mas o pior dos cenários é traçado pela manipulação dos signos que passam pela linguagem utilizada cirurgicamente, e que é interpretada por cada um à sua maneira e de acordo com o seu próprio equilíbrio intelectual e emocional. As pessoas são viradas umas contra as outras e, espera-se, haverá sempre alguém que deixa de pensar de forma clara para se emocionar numa atmosfera de discurso colectivo ou que fica a remoer a emoção e age posteriormente.
Os valores são desrespeitados e a democracia vira-se contra ela própria, criando os mecanismos que permitem que seja vilipendiada.
Aquela visão sangrenta é comparável ao fim dos tempos.
E vem de trás, não é nova, só aumenta no risco.

10.12.09


AnnabelGosling
A verdade recompensa, mesmo quando é MÁ....
Qual é a razão que nos impede de querer ouvir más notícias ? As más notícias são "más" porque mostram claramente falhas detectadas no sistema, e ninguém gosta de admitir que falhou.
Contudo, as más notícias providenciam uma informação preciosa: que existem problemas que têm que ser resolvidos antes que se tornem maiores. Assim, perante os líderes (sejam políticos ou empresariais) dever-se-á apresentar os problemas mal eles surjam e estes deverão recompensar quem assim o faz.
Este princípio é válido, totalmente válido, para a governação.
Um país informado reage positivamente perante os problemas e recompensa os seus dirigentes, ao contrário de um país enganado que, num jogo de "faz de conta", se deixa enlear pelas tropelias das mentiras e, quando se dá conta, já é tarde para "emendar a mão". Neste último e dantesco cenário um país deverá punir severamente os seus líderes políticos.
Quanto mais cedo os problemas são conhecidos, mais cedo poderemos utilizar mecanismos de reacção, utilizando os recursos mais apropriados.
Hoje é a Grécia que se discute. Amanhã, mesmo amanhã será Portugal. Quantos mais países na União Europeia estão falidos ? Quantos mais ?

7.12.09

À falta de ideias não se chama maioria oposicionista, chama-se falta de ideias...
O Ministro Jorge Lacão vem falar em medidas propostas pelo PSD (alterações orçamentais) incompatíveis com as finanças do estado, alegando falta de responsabilidade de estado por parte deste partido.
o bom do Dr. Antonio Vitorino vem especular sobre uma maioria absoluta de oposição, contrária aos interesses do governo e do estado, vincando em simultâneo o papel não-conciliador do Presidente da República e colocando-o perante um desafio difícil (como se a actuação até ao momento de Cavaco Silva tivesse algo a ver, mesmo infimamente, com o papel que Sampaio desempenhou no derrube do governo Santana Lopes).
Ambos esquecem o mais importante e o que é de facto fundamental: nem é possível ao PSD fazer passar as alterações que bem entende porque não tem maioria parlamentar; bem como não é possível considerar, sequer em tese, que quatro partidos tão distintos, no pensamento e no espectro político, se entendam com tanta facilidade (ir do BE até ao CDS ainda é uma viagem e tanto).
Se o que o PSD defende (orçamentalmente) merecer a maioria da votação na Assembleia da República, então estaremos perante medidas que não chocam qualquer dos eleitorados desses quatro partidos e, assim sendo, são clara vontade da maioria dos cidadãos votantes, ou seja, são bem ou mal as medidas que a maioria dos portugueses quer ver a funcionar no terreno.
Igual raciocínio é válido para todas as iniciativas parlamentares socialistas e chumbadas pelos restantes partidos representados no hemiciclo: a maioria dos portugueses não se revê nessas medidas.
É uma enorme falsidade pretender que há uma maioria oposicionista.
O que existe é um governo e um primeiro-ministro que não sabem que medidas adoptar perante este país transformado num pantano; faltam as ideias e os objectivos; falta a vontade de mudar atitudes e práticas despesistas; falta humildade para encarar a realidade: este é um país muito pobre.
Perante a ausencia de ideias e perspectivas, baseada a governação na demagogia, despesismo e autoritarismo autista é fácil para esta oposição tão heterogénea entender-se na Assembleia da República.
A solução existe mas requer coragem, verdade e sacrifícios: uma política nacional de carácter social, com investimentos virados para a valorização do cidadão e das condições essenciais ao bem-estar social, com uma política económica encarada como ferramenta e não um fim.

2.12.09


A mentira é válida...o aproveitamento político não....(no pensar do "poder")

Ficámos hoje a saber, pelo sound bite que nos chegou da Assembelia da República, que nesta república das bananas não é importante determinar se o Primeiro-Ministro (PM) mentíu na Assembleia da República (ao fim e ao cabo a Assembleia Nacional) quando em Junho de 2009 disse nada saber sobre o negócio Prisa/PT, mas sim se a líder da oposição tinha utilizado informação que prefigure fuga de informação para fazer combate político, nessa data, chamando-o de "mentiroso".
Num país onde o PM pode mentir impunemente sem que ninguém questione a sua idoneidade para exercer o cargo, penso que até se deveria ir mais longe; não só utilizar as fugas de informação como publicar tudo o que se sabe e se pode provar.

27.11.09

As Maiorias Negativas (para quem?)
A resultante verbal, por parte do Ministro das Finanças, outros Ministros e máquina socialista, da votação contrária aos interesses do governo na Assembleia da República foi má e dissonante, a mostrar desespero, se atentarmos na recente propaganda política que o mesmo se tem encarregado de difundir:
(1) Afinal sempre havia aumento da carga fiscal com o novo Codigo Contributivo; de acordo com as contas do Ministro das Finanças, o atraso na entrada em vigor do diploma acarreta uma perca de receita fiscal de 80 milhões de euros. Estimo que fosse bem mais que isso, mas os 80 milhões já chegam para provar o ponto de vista;
(2) A preocupação não está centrada na redução da despesa pública mas no aumento da receita fiscal. O curioso é que o aumento da receita para uns (o estado) representa um aumento de despesa para os outros (as empresas). No estado em que as empresas se encontram já é necessária muita coragem para se ser empresário; aumentando a carga fiscal começa a assumir laivos de insanidade. O dinheiro que se liberta na actividade económica não dá para tudo. Como é que vai ser quando os juros que incidem sobre a divída pública aumentarem, por via dos ratings manhosos a que Portugal se vai sujeitando? Aumentam-se os impostos até quando? Creio que não há a mínima noção do limite para esse aumento, caso contrário já se estaria numa política de contenção extrema na despesa pública não produtiva, e de alavancagem da economia através do aligeirar da pressão fiscal sobre os contribuintes.
(Repito que os défices não são todos maus. Maus são aqueles que temos);
(3) O Pagamento Especial por Conta (PEC) nunca deveria ter sido criado. Foi uma péssima invenção de Manuela Ferreira Leite com custos insuportáveis para as empresas, todas elas, independentemente da dimensão, e não passou de um expediente menor na capacidade de controlar o défice, porque saíu de um raciocínio obtuso identico ao do Ministro das Finanças actual: onde é que vamos buscar mais dinheiro ? (assim mesmo, da forma mais singela possível);
(4) A desculpa de que o défice de 2010 está descontrolado é bacoca e insustentável; sem nenhuma das medidas novas e com o PEC a funcionar o défice de 2009 já está descontrolado. Qual a diferença em relação a 2010? Ah... a diferença está no endividamento externo que está em cima do total do PIB, ou seja, em valor absoluto 100% do Produto Interno Bruto (PIB) nacional, em contagem crescente diária e com juros crescentes (em virtude do aumento do risco que a dívida externa da República representa).
Nasceu entretanto uma outra adjectivação política nacional: a maioria negativa.
Lindo: maioria negativa.
Os gurus do marketing político não se podem queixar com falta de trabalho.
As terminologias políticas nascem como cogumelos.
Assistimos à invenção das maiorias negativas (data para anotar). Mas onde está essa maioria negativa na perspectiva do governo? (a) na Assembleia da República, resultado do sufrágio directo transformado em votos, ou (b) no número de partidos que concorrem aos respectivos votos? E para quem? (a) para o partido do governo ou (b) para o país?
Se respondeu (a) e (a) tem uma clara percepção da realidade política nacional.
Se respondeu (a) e (b) ou é um indefectível socialista ou ainda procura o seu lugar ao sol.
Se acaso respondeu (b) e (a) é um caso claro de dependencia socrática, de bajulador encartado.

24.11.09


Há que mudar o pensamento político e social em Portugal....

Avizinham-se tempos ainda mais difíceis.
O desemprego em Portugal está nos 13% actualmente mas pior, existe um desemprego estrutural que não irá ficar abaixo dos 8%.
As soluções de quem tem a responsabilidade de governar ou não existem, ou são irresponsáveis. Perdeu-se o sentido de estado, no seu significado mais directo, puro e duro: perdeu-se o sentido das coisas.
Não existe uma consciencia social, impedindo a existencia de politicas sociais que obrigam a perspectivar politicas economicas focadas em objectivos sociais.
Quem governa não o sabe fazer, enredando-se em problemas e confundindo estes com as soluções. Exemplo: o investimento publico deveria ser todo canalizado para a educação, a saúde, a justiça e a modernização da maquina fiscal e do estado (desburocratização e redução da despesa precisam-se urgentemente).
Os impostos são elevados mas a falácia perpetua-se: não se é capaz de reduzir a despesa do estado (a dívida pública per se, consome o que já não temos) como ainda se garante por palavras o que não se pratica por actos: o aumento da carga fiscal por efeito do novo Código Contributivo é inegável. Como o é o aumento do défice em 2009, muito mal explicado pelo Ministro das Finanças que, uma vez mais, através de linguagem falaciosa quis dizer o impossível; que em Março de 2009 não era possível prever o estado da economia em Dezembro do mesmo ano.
O défice não vai ser de 8%; o défice em 31 de Dezembro de 2009 vai ser de 9,4%.
O crescimento da despesa pública faz-se a um ritmo de 50 milhões de euros diários. É a grande loucura, em estilo político medíocre, economicamente paupérrimo e objectivamente suicidário.
O governo está mal e vai mal; acabaram-se as veleidades de pretender que se está a fazer alguma coisa (nunca se esteve, foi sempre de mal a pior mas iam-se escondendo as mazelas) e as cicatrizes da má condução política e económica das ultimas décadas estão aí com toda a força.
O problema nacional não é conjuntural, é estrutural. Com ou sem crise o problema estava aí; a crise internacional acelerou o processo.
Não conseguimos fazer, não sabemos fazer. Não temos uma cultura de seriedade, de trabalho, de conhecimento e de humildade. Não estudamos, não nos questionamos, nunca temos dúvidas e raramente nos enganamos.
É este o nosso drama; somos pobres de espírito e não sabemos tirar proveito das nossas melhores qualidades porque nos afundamos nos nossos piores vícios: somos arrogantes na forma como encaramos a vida e os outros.
Admitimos que existem uns que tudo têm que suportar, enquanto para outros só existem direitos naturais (quase divinos).
Fazemos do engano uma escola, da mentira uma virtude.
E a oposição não vai melhor.
Nada a esperar do que aí vem do PSD. Dois cenários possíveis numa realidade indisfarçável: mais do mesmo (Aguiar Branco) ou menos de mais para um partido oposicionista (Passos Coelho) que está, indelevelmente, fragmentado (como venenosamente - mas de forma séria - e cheio de oportunidade Marcelo Rebelo de Sousa fez notar).
A política nacional foi canibalizada por várias gerações muito fraquinhas, muito pouco preparadas, enredadas em questões pessoais e problemas partidários (que passaram sempre por preocupações pessoais) que não lhes permitiram conhecer e participar, de forma activa, na vida e problemas das sociedades modernas e, em particular, dos problemas da sociedade portuguesa.
Uma rede de estradas, uns mini-computadores e um ou dois investimentos de referencia são foguetório que não dão para um país viver.
Estamos a pagar uma factura demasiado elevada e que não merecíamos. Ninguém pedíu as nacionalizações em 1975.
Ninguém referendou a descolonização e a forma como foi conduzida.
Ninguém requereu as reformas educativas nem a facilidade de acesso ao crédito.
Ninguém percebeu a necessidade de acabar com empresas nacionais viáveis (Mague, Siderurgia, Lisnave, CUF, para citar só algumas) e substituir durante anos - para esconder o Sol com a peneira - o empregador privado pelo empregador Estado.
Ninguém pedíu uma integração galopante e profunda na União Europeia (a integração na CEE era desígnio antigo que data de 1961).
Ninguém imaginou que estivessemos a ser colonizados em 2009 por Angola, com todos os riscos inerentes a esse processo.
Ninguém quis que o nosso principal parceiro a Grã-Bretanha (GB) perdesse influencia política e económica (que historicamente sempre teve) e fosse substituído, durante muitos anos pela França, assim como ninguém quer agora estar dependente nas nossas exportações quase a 30% do mercado espanhol e a quase 80% do mercado europeu.
Novas ideias políticas são mais do que necessárias; são fundamentais.
Arejar a política nacional é fundamental.
O bafio que se sente quando olhamos para o conjunto de partidos políticos com assento parlamentar, só encontra equivalente na vergonhosa condução dos interessses nacionais. Um e outra têm de ser limpas, arejadas repito, levadas por caminhos sérios e pensados para o bem-estar que todos merecemos.
Muito poucos delapidaram o património de milhões. E continuam a delapidar.
Muito poucos, como sempre, iludiram uns milhões com promessas inviáveis. E continuam a iludir prometendo o que sabem não poder cumprir.
Muito poucos são os que necessitam ser substituídos. E terão de o ser.
Serem muito poucos apresenta uma vantagem; são todos conhecidos.
Resta empreender o movimento de substituição.
Novas caras, novas ideias, seriedade, motivação e empenho.
Acima de tudo pensar Portugal e os portugueses (os que cá estão e os que estão fora de Portugal).
Novas políticas e novas formas de encarar a política. Menor dependencia do pensamento atávico político e social nacional; arrojo, criatividade, desempenho máximos são absolutamente necessários.
Acreditar em Portugal é fundamental.
Acreditar que é possível mudar é fundamental.
Participar da mudança é fundamental.
A inacção explora primeiro e mata de seguida.

19.11.09

Pergunta...

Os dispositos de comunicação utilizados pelos árbitros também recebem chamadas telefónicas ?

17.11.09


Kippenberger
Desafio Simbólico ao Professor Medina Carreira
Já escrevi, uma vez, que os gastos do Estado com a frota automóvel (gasolina, manutenções, motoristas, rentings/leasings quando os há) anda próximo de mil milhões de euros anualmente.
Também todos sabemos que as atribuições de automóveis de serviço pelas empresas privadas e pelas participadas pelo Estado é prática comum. Aqui, o custo é o das viaturas (leasings/rentings) adicionado das manutenções e da gasolina.
Igualmente sabemos que há planos de saúde, poupança-reforma e outros, que são atribuídos aos quadros das empresas como prática corrente (quer a atribuição de automóveis quer estas regalias são remunerações encapotadas).
Conhecido é também o direito que assiste às profissões liberais de terem sede própria, significando com isto que a compra da habitação pode servir como suposta sede empresarial; que as despesas correntes, desde água a condomínio passando por reparações são custos dedutíveis nestas empresas, assim como a aquisição de automóveis (para usufruto próprio e familiar), respectivas gasolina e manutenção, são tudo custos abatíveis ao rendimento colectável.
Imaginemos agora, porque não custa e sabe bem, que as mordomias no Estado acabavam tendo direito às mesmas só os principais dignitários da Nação, ministros e secretários de estado e que por Camara Municipal haveria uma única viatura e motorista.
Imaginemos ainda que as empresas davam todo o tipo de regalias enunciadas acima aos seus quadros, mas que estas passavam a ser taxadas em sede de IRS (Imposto sobre o Rendimento das Pessoas Singulares).
Imaginemos tudo isto e podemos concluir, deste exercíco imaginativo, que a receita do estado aumentaria substancialmente, que a despesa pública se reduziria substancialmente e que, acima de tudo, se diminuíam fortemente as desigualdades sociais existentes entre aqueles que para terem aquelas regalias as pagam do seu bolso e pagam também impostos, e todos os outros que as tendo não as pagam nunca, nem em impostos nem do bolso. Questão de equidade social.
Se imaginarmos que existe esta vontade de igualizar os direitos e que não se defendem posições de dominancia e favorecimento podemos concluir, com facilidade, que seria possivel baixar a carga fiscal de todos os escalões de rendimentos, com incidencia maior nos rendimentos mais baixos, baixar o IRC para as empresas situadas no interior, criar escalões especiais de IRC para todas as empresas que se venham a instalar e a investir nesse mesmo interior e, assim, dinamizar a economia, pela geração de maior liquidez, aumentando em simultaneo a capacidade de consumir e igualmente a capacidade de poupar.
Lanço um desafio simbólico ao Sr. Engº Medina Carreira (pessoa que muito prezo e com quem concordo em quase tudo, no que diz respeito às necessárias reformas económicas do país e aos erros crassos que temos cometido e estamos preparados para cometer num futuro próximo): prepare umas contas, como muito bem as sabe fazer e, no proximo programa da SICN, conduzido pelo fabuloso jornalista (como a idade é importante no saber) Mário Crespo nos diga, frontalmente como é seu timbre, se adoptando todas aquelas medidas reformistas, assacando responsabilidades ao Estado (que somos todos nós) não é possível o melhor de dois mundos: baixar impostos, aumentar a receita fiscal e incrementar o crescimento económico.
Eu já fiz as contas e estou convicto que é possível.
É na capacidade de prescindir de prerrogativas bacocas e na coragem política de implementação de medidas reformistas das mentalidades, que reside parte do futuro de Portugal.

13.11.09


CrownPower
As escutas que transformaram os ministros políticos num grupo de pressão...
Este processo "Face Oculta", albergando escutas entre o Primeiro-Ministro (PM) e o Vice-Presidente do BCP, José Sócrates e Armando Vara respectivamente, começa a derrapar perigosamente para expedientes verbais extravagantes, que mais não pretendem que adequar uma impossibilidade: a fundamentação do direito à privacidade, com a discussão de temas reais sobre os quais impendem dúvidas judiciais ( a fazer fé nas declarações do PM e outros governantes e o que vem impresso nos jornais, nomeadamente o semanário SOL).
É preocupante a tomada de consciência de que o poder instrumentaliza toda e qualquer fruição, manipulando-a e transformando-a num produto perverso. Já o seria se não houvesse perversidade, mas havendo a situação piora.
Todas as declarações que têm sido produzidas por membros do governo são-no com uma linguagem sob regime de liberdade vigiada: é o discurso e a sua dimensão que obedecem a regras de opressão e de repressão ao nível da retórica e, em simultâneo, subtis ao nível gramatical.
Existe uma mensagem corrompida nos medos, nas intimidações, nas desculpas e nas agressões verbais. Há um vangloriar de posições de poder e de ascendente político, que ao invés de aniquilar as situações de constrangimento legal, se aniquila a ele próprio.
O próprio governo, através de ministros de estado, torna-se num grupo de pressão. Há um vale-tudo inaceitável.
Não é possível ao Primeiro-Ministro "viver fora" da sua função de estado como se esta fosse sistemáticamente um alvo e dentro dessa mesma função, utilizando-a como se fosse uma arma. É um claro caso de estrabismo.
É a imposição de uma grelha, através da qual se pretende mostar transparência numa situação ininteligível.
São os valores que se perdem e a sociedade que se desgoverna, por quebra dos sistemas naturais de vigia: a ética e a moral.
É perversa a visão que se atém aos nossos olhos.
As sociedades têm de se rejuvenescer obrigatoriamente se querem viver, o que é bem diferente de sobreviver. Os medos sociais impedem esta renovação.
À luz do que se passou nas ultimas 24 horas diria que não resta outra solução senão levar o caso das escutas até "ao osso".

11.11.09


Que...

Que os escribas escrevam de verdade.
Que as palavras brotem esfusiantes, aclamantes de uma inteligência reconhecida no alimento da alma.
Que os escritos prendam pela positiva, pela sagacidade, capacidade de incrementar a mente.
Que os acontecimentos, os vários momentos, se sagrem a si próprios.
Que a especulação seja assumidamente fértil, criadora de ideias, de ilusões e sonhos, de certezas tão incertas quanto o pensamento deambula pelas tortuosas vielas de um espírito imaterial, num universo dialéctico.
Que a escrita se consagre como o milagre da comunicação ímpar entre iguais, todos diferentes.
Que a vida seja respeitada, a privacidade um dogma, o silêncio um direito.
Que a comunhão de sentimentos seja partilhada.
Que tudo seja puro: na alma, nos actos, nos intentos, na palavra dita e escrita.
A palavra, a escrutinadora implacável da intenção verdadeira, tem de ser bem gerida, aclamada, mas também, se necessário, omitida.
O silêncio fomentado enraíza na habilidade, na paciência, no tino e sabedoria. Enraíza na idade: das pessoas e instituições.
É um bem a preservar, o silêncio circunspecto, altivo e altaneiro, num mundo abjecto e convulso em desinformação.
É uma lição a retirar, a gestão do silêncio.

10.11.09


StravinskyFountain at Pompidou Modern Art Museum
Questões de seriedade política.....
Se por imperativos legais conversas mantidas pelo Primeiro-Ministro, mesmo não sendo de sua inciativa o contacto, não podem ser gravadas e utilizadas, a menos que estejam autorizadas as escutas e gravações por um tribunal superior, então não são válidas à face da lei. Ponto final parágrafo.
A questão poderia colocar-se ao nível da legitimidade de legislar neste sentido, mas mesmo nesta área tem de haver salvaguarda de quem ocupa funções tão intrincadas e susceptíveis: um Primeiro-Ministro tem direito à sua privacidade, como qualquer cidadão, e não pode ficar na "mão" de ninguém.
Se as conversas versavam sobre a TVI ou não, e versando se continham elementos que indiciassem alguma tentativa de instrumentalização, é também acessório.
O fundamental é perceber como é que num país dito democrático, governado por partiddos ditos democráticos, se instrumentaliza a informação a toda a hora, em todos os media, e se criaram e permitem a existência de ferramentas que o possiblitam.
Ou como é que neste país se esconde o essencial e se fala só no acessório; ou como é que a população no geral é desconsiderada, lendo e ouvindo só o que a classe política, a realpolitik, quer.
Mais do que o conteúdo das conversas, o que custa é a suspeição existente sobre esse conteúdo, demonstrativa de um estado onde todos duvidamos de todos, seja um funcionário das finanças, um empresário manhoso, um secretário de estado, um ministro ou um primeiro-ministro. Mesmo do Presidente da República, como o caso do e-mail veio mostrar....
O que está em causa é a seriedade imputável aos actores políticos em Portugal - não ao desígnio das funções - que parece ser muito pequena nos dias que correm.

9.11.09


Diálogo de Amor….


“Foi aqui que dormimos. Recorda-se?”

“Perfeitamente meu querido. Recordo as conversas, os intermináveis debates, a sua teimosia sempre meiga, mas ainda assim teimosa, nalgumas matérias [riso solto e baixo]”

“ [riso] mas terminava sempre por lhe dar razão…”

“Depois de eu ceder um bocadinho, meu querido [risos]”

“Sim, meu amor, provavelmente. Mas lembra-se dos momentos verdadeiramente memoráveis?”

“Lembro. Todos eles…”

“E dos beijos sem conta, ao acordarmos de manhã….”

“Ao acordar-me de manhã, é o que quer dizer, meu amor [risos]”

“E ainda e sempre muitos beijos, apaixonados, na entrada, no 1º andar, no jardim, no início do Verão, no meio do Inverno…”

“Amor sempre presente nos seus e nos meus lábios, meu amor. E quando me escondia e ficava à sua espera, em silêncio, e depois me encontrava, me enchia de mimo…”

“Muitas vezes com a sua ajuda, minha querida, quando sussurrava “Aqui!”, quando adormecia no meu ombro, ou no meu colo, no jardim, deixando escorregar lentamente o livro que segurava até o amparar na minha mão, enquanto lhe acariciava a fronte”

“ [Riso elegante e levemente desafiante]”

“ [Riso cúmplice]”


E envolveram-se os dois num enorme e terno beijo de amor.
Ele pegou-lhe ao colo, deitou-a na cama e namoraram, e fizeram amor até adormecerem, ela primeiro, ele depois, após profunda e apaixonada contemplação, como sempre fizera.


(Joao H Fernandes)

Noite...

A nau de um deles tinha-se perdido
No mar indefinido.
O segundo pediu licença ao Rei
De, na fé e na lei

Da descoberta, ir em procura
Do irmão no mar sem fim e a névoa escura.
Tempo foi. Nem primeiro nem segundo
Volveu do fim profundo

Do mar ignoto à pátria por quem dera
O enigma que fizera.
Então o terceiro a ElRei rogou
Licença de os buscar, e El-Rei negou.

Como a um cativo, o ouvem a passar
Os servos do solar.
E, quando o vêem, vêem a figura
Da febre e da amargura,

Com fixos olhos rasos de ânsia
Fitando a proibida azul distância.
Senhor, os dois irmãos do nosso Nome
-- O Poder e o Renome--

Ambos se foram pelo mar da idade
À tua eternidade;
E com eles de nós se foi
O que faz a alma poder ser de herói.

Queremos ir buscálos, desta vil
Nossa prisão servil:
É a busca de quem somos, na distância
De nós; e, em febre de ânsia,

A Deus as mãos alçamos.
Mas Deus não dá licença que partamos.

(Fernando Pessoa)

8.11.09


O Tempo...
O tempo tomado de frente embirra no movimento, provoca cansaço e corroi a liberdade e o pensamento. Toma tempo.
O braço apoiado no tempo estagna o movimento, induz à lassidão e corroi a liberdade por um pensamento condicionado pela inação. Mas dá tempo.
O tempo suportando os membros inferiores acelera o movimento, constroi uma falsa liberdade, inibe o pensamento, até ao momento em que atinge o nada, por descontrole da mobilidade. Acelera o tempo.
O tempo apanhado pelas costas facilita o movimento, prolonga a capacidade de esforço, liberta e estimula o pensamento, acelerando e desacelerando a mobilidade de acordo com as necessidades. Controla o tempo.
O tempo é uma ferramenta preciosa, que pode se utlizado de todas as maneiras possíveis; só não pode ser utilizado sempre da mesma maneira.