6.9.09


AlistairLittle

O Jogo da Sedução do PCP ao PS....

O debate ontem promovido, entre Jerónimo de Sousa e José Sócrates, mostrou uma faceta esperada da postura do PCP face às presentes eleições: macieza de diálogo com o PS, pensando já numa possível coligação governamental.
O cuidado colocado no tom, nos temas, na ausência de agrura política transportou-nos, inevitávelmente, para o país das maravilhas, onde o Chapeleiro tenta seduzir Alice com relações inversas (ver o PCP e ouvir as suas ideias não é o mesmo que aceitar as ideias porque se vê o PCP) e esta se deixa envolver na sedução, sem se comprometer, mas também sem dizer não.
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Um outro ponto interessante prendeu-se com o convencimento de José Sócrates de saber, exactamente, o que os espectadores de um jornal nacional querem ou não ver. Foi claro nesta matéria: o Jornal Nacional de Manuela Moura Guedes não servia nem interessava os telespectadores, sendo antes um exercíco de vilipendiação, perseguição e péssimo jornalismo.
O Primeiro-Ministro também sabe do que os portugueses gostam, ou não gostam.
Provavelmente nem seria necessário ir a votos.

5.9.09

Programa Eleitoral PPM legislativas 2009

para conferir aqui o Programa e as Ideias

http://www.slideshare.net/s19yorky/programa-eleitoral-ppm-legislativas-2009
Há dois meses acedi a um honroso convite: escrever o Programa Eleitoral do PPM para as legislativas de 2009.
Não me podia furtar à responsabilidade de o fazer, depois de defender posições políticas e económicas neste espaço.
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Fi-lo, está feito, tem 97 páginas e um conjunto de propostas sérias em várias áreas.
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Depois de aceitar o convite, um novo se me deparou: ser o nº 2 por Lisboa, como independente, nas listas do PPM às Legislativas de 2009. Aceitei por inerência e obrigatoriedade.
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Se escrevia o programa teria, forçosamente, de me rever no que lá estava e nenhuma razão me poderia impedir de aceitar, reforço, como independente novo convite, igualmente honroso.
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Tenho simpatia pela causa monárquica mas comportamento republicano.
Concorro a umas eleições em República, para uma Instituição republicana; a Assembleia da República. Os valores republicanos estão forçosamente presentes, nesta casa do regime.
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O voto no PPM não é um voto para determinar se Portugal deverá ser uma monarquia. Essa opção de voto só se colocaria se um dia a República fosse referendada.
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O voto no PPM é um voto programático, um voto de confiança no programa que é apresentado e na capacidade dos seus representantes se fazerem ouvir.
O Program Eleitoral é sério e a vontade de passar as ideias e ideais políticos e sociais imensa.
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E assim, embora num partido pequeno, concorro pela primeira vez a um lugar público, e logo da importância decorrente de ocupar um lugar na Câmara do Povo: A ASSEMBLEIA.

13.8.09

Como o cego dizia....a ver vamos

Assim, num passe de mágica, o INE com uma estimativa rápida aponta "o início do fim da crise", segundo palavras do próprio Primeiro-Ministro, regressado de férias.
Assim, num ápice, Portugal começa uma recuperação miraculosa, supostamente sustentado numa evolução das economias francesa e alemã. Assim, tipo: já está!
A partir de 15 de setembro vão fechar um montão de empresas; é um dado reconhecido no sector financeiro e para quem acompanha a vida das empresas e, as razões, são fáceis de descortinar.
mas que se lixe; as eleições são a 27 do mesmo mês e o PSD, numa estratégia política muito especial, até conseguíu o feito de não ter ninguém para fazer campanha nas legislativas, ao mesmo tempo que dá uma imagem de partido todo partido.
Será João de Deus Pinheiro a fazer campanha (no intervalo de umas partidas de golfe)? Ou António Preto (em véspera de julgamento)?
Hehehe......a ver vamos, como dizia o cego....
Nota: Krugman afirmou que os EUA bateram no fundo da recessão económica neste mês de Julho. A acreditar, a Europa só quatro a seis meses depois deste facto, começará a sentir os efeitos. Para Portugal, o prazo é de pelo menos um ano. A acreditar na afirmação.

3.7.09

E finalmente, num só dia - o que mostra que não era assim tão difícil - o Ministro da Economia percebeu, por analogia, o estado do país económico: um desastre.

2.7.09

Lastimoso.....e deveras Preocupante....

Inacreditável.
Indesculpável.
Inaceitável.

Os adjectivos poderiam prolongar-se, mas para tanto seria necessário ter a paciência para lidar com situações como a que foi protagonizada pelo Sr. Ministro Manuel Pinho.
Não basta o indecoroso comportamento de alguns deputados, quando se riem desbragadamente ou se ofendem, bastas vezes acrescendo uma péssima utilização da língua pátria. Agora também um Ministro, um homem político cujo cargo acarreta a maior das responsabilidades, dar o exemplo, péssimo exemplo, do estado lastimoso a que a nossa democracia chegou.
Falta de tudo, tudo mesmo, não chega para justificar indecoroso acto e lastimosa atitude.

Um BASTA!, chega para expressar o descontentamento irritantemente repetitivo a que nos remetemos, todos (e são muitos mesmo) os que não campeiam pelos caminhos pantanosos dos favores políticos e do esquadrinhamento das almas há muito corrompidas.
BASTA!

E o Senhor Ministro que SAIA, JÁ!!!
Não chega pedir desculpa. SAIA!!!!

10.6.09

O que o CDS/PP tem de fazer até Outubro....

O crescimento à esquerda nestas eleições, implica uma outra leitura; existe capacidade de crescimento à direita, desde que o discurso verta ideias que não se aproximem abusiva e despropositadamente da Europa, bem como defenda um Estado de política económica não liberal, supervisor mas igualmente interventor.

Manuela Ferreira leite e o PSD têm maior dificuldade em fazê-lo, por razões óbvias.
Paulo Portas e o PP estão mais bem colocados para assumir esse discurso.
Por um lado Portas não é, na sua trajetória política, total e imediatamente identificável com a Europa, por outro, tem condições de injectar no partido caras novas, que defendam aquelas ideias convictamente e que, a par de figuras conhecidas do PP, ajudem a transmitir essa perspectiva política e a vontade de mudança. Se assim o fizer o CDS/PP, sózinho, tem condições de ultrapassar os 12% e formar governo com o PPD/PSD.
Se não tiver coragem política para assumir um discurso mais "fechado", as portas ficam claramente abertas para a chegada de uma nova força política à sua direita, que implicará a canibalização do partido.

HartwigDilling

O pior ainda não passou....

Há uma tendência crescente para considerar que o pior da crise financeira já passou.
Não passou, infelizmente; os mercados são , por natureza, eufóricos e o que hoje valem nada tem a ver com a economia real, pelo que vão continuar a subir e a descer por razões que nada têm a ver com aquela realidade.
A economia real continua a descer, sempre, e continuará por 2010.
Desengane-se quem pensar o contrário.

O BPP é caso encerrado para o Estado..e bem.

O Primeiro-Ministro e o Governo têm razão quando falam de diferenças entre a situação do BPN e do BPP. Quando a crise estalou no primeiro, a generalidade da população estava fortemente afectada psicológicamente com a crise financeira. Qualquer movimentto negativo poderia causar uma reacção de histeria, conducente a uma corrida às poupanças, independentemente das instituições financeiras e da sua credibilidade.
Assim, a atitude a tomar agora com o BPP é a correcta, porque a não intervenção neste banco não acarreta qualquer risco para o sistema financeiro na generalidade.
Fica, contudo, por explicar porque razão a intervenção no BPN foi descurada do ponto de vista dos interesses dos contribuintes, pela forma como se revestíu.

8.6.09

O que espero hoje do dia de ontem...

As eleições para o Parlamento Europeu mostraram uma vez mais o desinteresse que merecem, por parte dos eleitorados dos países que não são, claramente, os mandantes desta Europa de caciques, da Europa dos fortes e dos fracos, uns eternizados fortes e outros eternamente fracos.
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Os eleitores não podem sentir apetência perante um projecto cartelizador de algumas economias, correspondentes a um número reduzido de países, que se constituem num directório imponente e redutor em relação aos interesses dos demais. Assim mesmo percepciona a Europa Durão Barroso, sabedor que está da importância de gozar do apoio de alguns, poucos, para garantir o cargo de presidente da Comissão.
Se é verdade nesta matéria, é verdade em todas, como bem sabemos. Mas este directório até poderia não ser mau se os interesses, como sempre o são por definição, não fossem egoísticos. Para além, claro, da própria organização da União Europeia que até podia ter a mesma moeda, mas comportar-se como uma Zona de Comércio Livre.
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No geral, as políticas despesistas dos governos socialistas foram penalizadas; a primazia do conceito de que a estrutura gasta primeiro e procura as receitas depois, a par de uma atitude passiva para com a economia e os mercados, conduz a crises políticas, sempre aceleradas quando se conjugam com crises económicas e financeiras.
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Por cá ficou claro que o governo perdeu, por ora, a base de apoio que lhe permitiria sustentar algumas decisões polémicas, que começam nas grandes obras públicas e acabam nos chips das matrículas dos automóveis. Se, a meses das eleições, se pede acção governativa e não mera gestão, também se pede contenção na decisão de investimentos que podem esperar algum tempo mais até serem postos em marcha. Estes investimentos, por serem pesados e de difícil ou mesmo impossível recuperação económica, implicam um esforço enorme para as gerações vindouras e para qualquer acção governativa; hipotecar o futuro próximo, mais do que já se encontra, sem saber ainda o custo interno de toda a turbulência financeira e económica mundial é, claramente, um colossal erro de gestão. Pretender avançar com investimentos desta envergadura implica incluí-los no programa eleitoral e sujeitá-los ao voto popular. A meses das eleições não faz sentido que não se meça, pela vontade do voto, a vontade da população em avançar por caminhos megalómanos.
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Os resultados de ontem acresceram à ética que deveria presidir nestas decisões - o adiamento até ao período pós-eleitoral - um outro factor determinante: a falta de legitimidade para empreender investimentos públicos ou, mesmo, tomar medidas impopulares, como sejam os já mencionados chips nas matrículas, expressão menor de uma outra maior: coertar os direitos, as liberdades e garantias consagradas na Constituição.
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O voto de ontem expressa insatisfação com o caminho tomado pela governação em Portugal.
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Ontem não votei Europa: ontem votei para que o partido Socialista fosse travado nas suas intenções. Ontem depositei nas mãos da oposição a responsabilidade de travagem da política socialista suicida. Hoje espero que a oposição faça bom uso do poder que lhe foi conferido, legitimamente e que o Senhor Presidente da República faça a leitura correcta dos resultados eleitorais.
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Ontem não esteve em causa quem é que obtinha mais uns tachos em Bruxelas; ontem esteve em causa a condução política de Portugal e a resposta foi clara: ASSIM NÃO!

16.5.09

Um sociedade livre acarreta responsabilidades políticas

A questão segurança ultrapassa o número de polícias e de esquadras existentes. Não que lhe seja alheio, porque está igualmente dependente da existência destas a solução do problema que aquela acarreta.

Acima de tudo está em equação o modelo de desenvolvimento das cidades e dos erros cometidos. Não fomos capazes, por um lado, de avaliar os erros cometidos por países terceiros e governar de forma a evitá-los. Sempre afirmei que estar atrás, atrasado económicamente, tem desvantagens que todos conhecemos, mas tem a vantagem de permitir evitar os erros cometidos por outros. Por outro lado, não é menos verdade que a segunda e, por vezes, ainda a terceira geração de emigrantes se mostra perfeitamente desenraízada. Esta ausência de valores nacionais conduz, forçosamente, a uma inadaptação social que, ela própria, força a comportamentos criminosos.

Todo o comportamento criminoso é um comportamento anti-social. Todo o indivíduo que não se revê sob um Hino e uma Nação tenderá, forçosamente, a comportamentos anti-socias.

Esta premencia é tanto mais verdade quanto, ao contrário do que se afirma comummente, tal como o faz a Declaração Universal dos Direitos do Homem (mais um daqueles escritos que fica bem, mas só no papel) quando pela primeira vez na história um sistema de valores passsa do princípio para o facto, afirma nas suas primeiras palavras o seguinte:

" Todos os homens nascem livres e iguais".

Locke foi o seu pai, quando separa o civil do natural. Assim, os homens seriam livres e iguais por natureza.

Como fugir, então, às palavras de Rousseau, no Contrato Social: " O homem nasceu livre e por toda a parte encontra-se a ferros ".

Temos de validar, para encarar o problema de frente e de forma justa, que os homens de facto, não nascem livres nem iguais. A liberdade e igualdade não são nem um facto nem um ideal da sociedade, caso contrário seriam difíceis de explicar muitas das medidas políticas adoptadas e assumidas. Não existem mas sim valem pela ideia; não se assumem mas relevam para um possível assumir.
As belas ideias da igualdade não se encontram temporal e espacialmente circunscritas, dirigindo-se acima de tudo ao legislador e à sua forma futura de pensar. São uma espécie de lembrete do que deverá ser, quando for possível ser.

Basta recordar a revolução francesa, para perceber que a igualdade e fraternidade rápidamente sucumbiram à falta de liberdade. E é na falta de liberdade que todo o problema reside: falta na ausência de condições de vida e de trabalho; promessas por cumprir; sonhos por realizar; incapacidade de inserção social (com culpas claras da política governamental, quer central quer local), entre outras questões pertinentes.

Sendo o direito de igualdade um direitro natural, a única defesa possível do homem contra a sua violação pelo estado é um direito igualmente natural, o direito de resistência.

Não é , então, de estranhar que essa resistência se faça sentir.

Compete ao estado assumir esta premissa e combate-la convenientemente.

Quem, de entre os residentes num determinado país, estiver decidido a participar cívicamente na sociedade, na sua construção, com todo o peso e custo que esta postura possa representar, deverá ser apoiado. Caso contrário, se a postura é antagónica a este princípio, deverá ser repatriado.

Não há meio termo, quando falamos de segurança numa sociedade que se quer livre.

25.4.09


Uma data como tantas outras, ou não....

Falar sobre o 25 de Abril tornou-se monótono, desinteressante e, igualmente, ofensivo. Porque de outra forma teremos de falar só da data e essa é tão interesante quanto o 26 de Abril ou o 3 de Julho ou outra qualquer sem significado.
Caso contrário estaremos a falar de significados e consequências e, em relação a estes e aqueles é muito melhor ficarmos calados. Não podemos esquecer, teremos de viver com os dislates, excessos e poucas-vergonhas que cumprem hoje 35 anos de aviltação de uma nação e do seu Povo, mas teremos de pensar de forma positiva, que o que se fez de errado pode ser alterado, penosamente, mas pode.
A começar pela erradicação dos seus "heróis", dos seus falsos significados e dos políticos que nasceram à sombra de uma revolução carregada de pequenez e interesses pessoais.
Transportemos a vontade de mudança para o dia a dia da nossa vivência, com uma atitude de permanente cidadania, exigente nos contornos a traçar deste pequeno mas imensamente capaz Portugal, cuja força reside na força das suas gentes.

24.4.09


Mona

Enganos....

José Manuel Fernandes a propósito do artigo de hoje no Público sobre Otelo: "[...] não perca o retrato do "herói imperfeito" do 25 de Abril, Otelo. Um magnífico texto de Paulo Moura".
Sem questionar a qualidade do texto, que assumo possa ser adjectivado de magnífico, como sugere o José Manuel, já duvido do título do texto, porque Otelo de herói nada tem e de imperfeito tão pouco. A coisa seria mais correcta num registo diferente, como por exemplo: retrato do "crápula perfeito" do 25 de Abril....

HartwigDilling

23.4.09

As contas dos bancos internacionais e da economia no geral...

Agora, mais do que nunca, é necessária uma supervisão forte sobre as contas das instituições financeiras e sobre os relatórios das firmas de auditoria, as Big 4.
Tratar crédito mal-parado, aplicações financeiras que já se sabem estar a ser ruinosas, juros que nunca serão recebidos e antecipar receitas, conduz a bons resultados, mas só no papel. Entretanto as acções vão subindo, há quem venda e realize mais-valias e quem compre e se vá arrepender.
As commodities estão todas em baixo, com excepção do cobre e do ouro. Os derivados financeiros estão uma lástima.
Entretanto a economia real cai, todos os dias.
Em Portugal é o anúncio do crescimento do desemprego, só no mês de Março, em 24%.
Na Irlanda, tantas vezes indicada como paradigma a seguir, é a constatação do óbvio: o Produto Interno Bruto caíu 10% no 1º trimestre anunciando a depressão.
Por cá continua a escamotear-se a crise, a não preparar os portugueses para o inevitável: tempos ainda mais difíceis.
Haja coragem de mudar a política e os políticos. Haja coragem de mudar o discurso, a visão social, o paradigma económico.
Nacionalize-se, temporáriamente, toda a banca e deixe-se cair o BPN, o BPP e outros exemplos de pequenos "bancos" não influentes para a imagem do sector financeiro portugues, quer interna, quer externamente.
Limpe-se a sala para se poder dançar, daqui a uns tempos, com mais tranquilidade.


Jerome

O Homem Invisível....

Durante anos não se ouve falar do Provedor de Justiça.
Agora, o assunto é agenda diária obirgatória. Está mal? Não, neste preciso momento é necessário que o Provedor tenha determinado perfil, o que justifica a "guerra" gerada pela obtenção de um nome que gere consenso. Mas a nomeação do Provedor, por si só, não significa que as razões polítcas que levam a uma discussão diária sobre a sua nomeação sejam atendidas. Porque independentemente do nome e da força política que o indique, poderão sempre ser jogados favores nos bastidores. Mas uma coisa é certa: esta discussão não é vazia de conteúdo político nem a nomeação é pacífica.
No fim, claro, depois de atingidos os objectivos, o Provedor voltará à sua verdadeira função, a interpretação repetida da personagem de H. Wells; o Homem Invisível.

20.4.09


O que deveríamos estar a fazer....

Os políticos, todos eles, andam entretidos à volta de assuntos menores (não pela importancia intrínseca para o País e toda a população, porque são matérias fundamentais, mas pela perca de oportunidades de cativar capitais para Portugal que permitam, posteriormente, através de mecanismos de criação de riqueza, gerar soluções para esses mesmos problemas) como a educação, que está mal e continuará mal, até que se faça uma reforma de fundo. Exemplo: em qualquer país do mundo a primitivação e integrais são dados até ao final do secundário, excepto em Portugal. A saúde que ainda não é para todos e continuará sem ser, enquanto se mantiver uma política de proteccionismo à classe médica, entenda-se, todos aqueles que exercem a profissão baseados na prática da consulta particular e na dificuldade de acesso à carreira. Igualmente a actuação fiscal que não leva em conta os golpes fortíssimos que vai desferindo na, já de si, fraquíssima liquidez do país. A evolução tecnológica, com discussões sobre o Magalhães ou falácias como a Quimonda.
A justiça que é matéria fundamental para arregimentar "boas-vontades" exteriores, igualmente se encontra mal e vê o seu funcionamento deteriorar-se, com noticias difundidas mundialmente, atrasos conhecidos e leis pouco claras, fomentadoras de interpretações várias, afastando investimentos de Portugal por falta de credibilidade. Também a ausência de uma política séria de educação ao nível matemático e económico, deteriora a imagem do país externamente. Por último a ausência de discussão política séria faz pensar, com razoabilidade, que o estado de coisas é para manter.
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Estas são causas, entre muitas outras, que por serem mal conduzidas e discutidas dão a falsa ideia de que, entre governo e oposição, não há diferenças na abordagem dos problemas. E, no entanto, são estes os problemas que os portugueses mais sentem, os mais prementes, a par da deterioração do nível de vida, independentemente de os conseguirem isolar todos ou terem uma visão mais de conjunto.
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A preocupação deveria ser tida na retenção de capitais em Portugal e na angariação de mais liquidez, através de medidas atractivas, abstendo-se Portugal de entrar em discursos demagógicos e defesas quixotescas, de temas que são lançados por outros, por conveniência pública, mas que não pretendem fazer cumprir em nenhum momento - caso das off-shores - por contraponto com os nossos políticos, afadigados na defesa destes temas que a nós nem sequer nos deveriam preocupar, quanto mais merecer-nos qualquer tipo de referência.
A política externa deveria ser agressiva e dotar de meios económicos superiores as Necessidades, para que o corpo diplomático português pudesse agir de forma célere e eficaz e, também, em várias frentes.
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Portugal deveria investir na educação, para garantir a formação de uma geração de ouro daqui a vinte anos, ao mesmo tempo que conduziria recursos, parcos neste momento mas preciosos para nós, para a nossa economia. Deveria ter uma política agressiva face à União Europeia e não subserviente, mostrando distanciamento em relação às políticas monetárias, sociais e fiscais.
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Deveria igualmente assumir posições de inovação no combate às dificuldades do sistema financeiro, mostrando capacidade de engenharia financeira e de ultrapassar paradigmas.
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Deveria revoltar-se, com o discurso projectado externamente através das Embaixadas, tal como toda a propaganda sobre as medidas anunciadas anteriormente, para vender a imagem de um Portugal político mas igualmente económico e financeiro, fraco momentaneamente nestas premissas, mas capaz de responder melhor que países que já foram fortes e que hoje mostram fraquezas preocupantes - caso da Suiça.
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Aproveitar o estar na União Europeia para dar maiores garantias externas e, em simultâneo, distanciar-se das políticas extremistas, económicas e fiscais, através de discurso político forte e convincente, assumidas pela mesma União.
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Fazer-se falar nos aerópagos internacionais e, principalmente, junto daqueles que tendo imensas fortunas têm hoje enormes preocupações. Atestar as vias de comunicação existentes no país e adicionar a vontade histórica do povo em fazer coisas, principalmente grandes cometimentos, em alturas difíceis - jogar com a História. Vivemos numa era em que são necessários grandes cometimentos e enorme coragem, principalmente política.
A economia está em viragem e a política não pode convergir com a economia. A solução passa pela clivagem e por dar a conhecer essa vontade de clivagem.
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Os tempos têm de ser entendidos como de guerra e agir politicamente como nas guerras; esforço unificador interno; políticas de alianças agressivas e egoísticas externamente. São estas as nossas necessidades actuais e, sinceramente, não vislumbro ninguém que as tenha percepcionado ou sequer percebido o seu alcance e sua premência.
Por isso é tão importante virar uma página na classe política portuguesa.

17.4.09



Marrian

causas da corrupção....

As necessidades humanas relativas têm um valor de mercado....aquelas que são condição única para um fim têm um valor intrínseco, a que se chama integridade.
Na corrupção há um exercício causal (valor de mercado) e ausência de moralidade, que é também de liberdade face ao relativismo económico e aos interesses nacionais.
Há ausência de integridade.


Jean-LoupSieff

manifesto...

Eu sou de direita, daquela direita não liberal, a direita que defende o estado social.
Sou de direita, conceptualizada nos seus princípios básicos mas igualmente adoptante de critérios, ideias e práticas políticas fácilmente situáveis em quadrantes políticos mais à esquerda, mesmo esquerda .
Acredito que a economia é um veículo de construção de bem-estar social.
Acredito também na Nação, como valor mais alto e intrínseco à governação política, valor primeiro e orientador das práticas políticas.
Eu sou de direita, não liberal e fortemente social.

16.4.09

Como estamos pobres.....

Ao contrário do que Constancio afirmou, a crise interna é causa maior da crise que a quebra das exportações. Por outras palavras, são mais as empresas nacionais a sofrer por falta do mercado interno do que as outras. A diferença pode ser ainda pequena, mas mostra claramente uma faceta pouco lisonjeira do nosso futuro; o problema é maior internamente, estamos piores que os outros países, nossos parceiros comerciais.
Desta constatação ressalta uma outra: as fragilidades da economia portuguesa são enormes e, mesmo após a passagem da depressão económica, iremos ter uma enorme dificuldade em levantar cabeça. Quando suceder não estaremos a 53 anos de distância no horizonte económico e a cerca de 117 anos de atingir a média do PIB (produto interno bruto) europeu, mas a uns bons 90 anos de distanciamento económico. Ou seja, nunca mais vamos ter condições de vida que possam ser catalogadas como padrão médio. Vamos ser pobres, intrinsecamente pobres.

28.3.09

Gripou o motor da Europa....

Para Angela Merkel, de acordo com entrevista concedida ao Financial Times, a retoma económica baseada na injecção excessiva de dinheiro não será duradoura, rejeitando por isso a hipótese de desbloquear novos fundos públicos para relançar a economia alemã.
A chanceler não tem sido brilhante no desempenho das suas funções. A Alemanha tem aparecido com políticas económicas titubeantes, quer ao nível interno, quer no seio da UE, quer mesmo a nível internacional. O peso da sua economia tem sido aplicado de forma desfocalizada, mostrando ainda enormes dificuldades derivadas do esforço de integração que promoveu.
A possibilidade de não desbloquear novos fundos pode tratar-se, independentemente das razões ou justificativas encontradas, um claro sinal de enfraquecimento da economia alemã, o que damos como certo, mas igualmente de uma má leitura económica.
A injecção de capitais na economia, por parte dos estados, implica conforme já defendemos, uma intervenção directa do estado nas instituições, passando esta intervenção por nacionalização das instituições financeiras, veículos correctos para injectarem dinheiro na economia, para além dos mecanismos de apoio às empresas, directamente defininidos e implementados pelo estado.
Também a proibição, por período prolongado, das operações de short-selling é fundamental.
As economias não recuperam porque são postas umas notícias a circular, as bolsas sobem uns poontos durante uns dias, são realizadas umas mais-valias e esse dinheiro desaparece da circulação, aplicado em ouro, cobre, zinco, diamantes, entre outas commodities.
Assim, o que se pretende averiguar é da capacidade dos estados injectarem a liquidez necessária na economia - têm ou não têm - bem como saber agir após a decisão de injectar. Mas a injecção é sempre necessária e quanto menos liquidez for injectada, maior e mais profunda a depressão.
De qualquer forma uma certeza temos: a máquina alemã está a gripar.

23.3.09



Jean-LoupSieff

Para acabar com a hipocrisia...

É interessante, muito interessante, acompanhar o comportamento bolsista nas várias partes do mundo. Hoje baixam porque há sinais de que as economias estão em profunda recessão (ou ligeira depressão, como preferirem), amanhã sobem porque as medidas governamentais ou a divulgação, pelos media, dos resultados trimestrais das instituições financeiras são entendidas como favoráveis e sinais do fim da crise. Entretanto a Suécia faz saber que vai deixar fechar a Saab (ex-libris do país), a Quimonda encerrou, a Zara deixou de vender e arrasta consigo imensos negócios, a montante e jusante, entre outros exemplos possíveis.
O desemprego continua a subir, em flecha, mesmo em Portugal onde no final do ano estará em cima dos 20%.
Entretanto a bolsa tem dias assim: felizes.
Nada tem a ver com o comportamento das economias, com os interesses sociais, com o crescimento económico desejável. Trata-se, simplesmente, da possibilidade que os governos dão a alguns investidores institucionais de recuperarem de menos-valias desastrosas (caso do capital árabe).
Os grandes depósitos (dinheiro e/ou ouro) continuam a estar sedeados na Europa e nos EUA, ou em off-shores controladas por instituições que têm sede nestas duas economias de referência.
A solução é simples e exige, essencialmente, coragem política: nacionalizem-se as grandes fortunas, deixando uma folga de 500 milhões de dólares para os seus proprietários. Sim, 500 milhões de dólares, que são mais que suficientes para se viverem várias vidas.
Parece-lhes muito ? Olhem que não (há algo que pode parecer de esquerda nesta pretensão, mas acreditem que é a direita no seu melhor): há fortunas em paraísos fiscais que ultrapassam os milhares de milhões de dólares.
Não acabem com as off-shores, não passem tanto tempo a falar deste problema, ao estilo de quem diz "acautelem-se que a gente vai fechar essa treta. Salvaguardem o que possam já"!, passem sim à acção imediata, nacionalizem o capital disperso, pertença de alguns, apliquem-no de onde ele foi tirado, da nossa economia, a real e séria.
Ofereçam cuidados primários de saúde, educação, habitação e comida.
Acabem de uma vez com o short-selling, acabem de uma vez com a hipocrisia.
Está na hora de mudar as mentalidades e os (maus) costumes. Mostrem-nos política, de verdade, devolvam-nos a confiança política, ponham-nos a discutir política.
Permitam por uma vez que o futuro dos nossos filhos seja um sopro de esperança e não de preocupação.

10.3.09

Bernard Madoff vai declarar-se culpado dos 11 crimes de que é acusado, disse o seu advogado ao Tribunal.
A sentença será a prisão perpétua.

7.3.09



PhyllisHall

Basta Pensar em Sentir

Basta pensar em sentir
Para sentir em pensar.
Meu coração faz sorrir
Meu coração a chorar.
Depois de parar de andar,
Depois de ficar e ir,
Hei de ser quem vai chegar
Para ser quem quer partir.

Viver é não conseguir.

(Fernando Pessoa)

5.3.09

Nós por cá todos bem...

A Brooks Bros., 5ª Avenida, New York, está pela primeira vez na história a fazer saldos: vende fatos marcados a $1,900.00 por $399.00.
No Reino Unido há dois mil novos desempregados por dia.
Em todo o mundo a Mapfre, seguradora espanhola, cortou os seguros de crédito a uma enorme maioria de clientes ESPANHÓIS.
Por cá a anestesia política, do governo e da oposição, faz crer aos incautos, ingénuos, distraídos e preguiçosos mentais que a crise é ligeira e que já chegou ao fim. Discutem-se lugares nas listas do Parlamento Europeu, aumentos dos euro-deputados, faz-se crer que as exportações estão a crescer, que o País está a avançar, que não há crise no sistema financeiro.
Os deuses devem estar loucos.

2.3.09

Porque razão é necessário nacionalizar o sector financeiro...

Todos os dias o status quo muda.
Hoje é anunciada mais uma injecção no AIG (American International Group) no valor de $30 mil milhões (biliões americanos).

As ajudas inserem-se numa tentativa de frustrar a escassez de meios do mercado financeiro e, em simultâneo, tentar (e só tentar) não aumentar o pânico social.

Se, por um lado, esta injecção é reflexo da aprendizagem com a Grande depressão e procura manter os níveis de desenvolvimento, em pólos geográficos considerados fundamentais, não é menos certo que muito provávelmente se estará a cometer outro erro profundo: ao não intervencionar as instituições financeiras, nacionalizando-as, em nome do não-intervencionismo estatal na economia - pecha antiga do pensamento político misturado com o pensamento económico, não fazendo uma ponte clara, entre o que são os interesses fundamentais do estado e a erradíssima política do controle do estado sobre tudo e sobre todos - perde-se uma oportunidade soberana .
A capacidade e possibilidade únicas, de interagir, estruturar e pôr-em-marcha toda uma política concertada entre os EUA e a União Europeia.

A razão para esta pecha é simples: as administrações das instituições financeiras são muitas, com muitos membros e com uma enorme dificuldade de agir em rede, não sendo possível uma concertação de políticas, sequer internas, quanto mais a nível internacional e a esta dimensão.
Se acaso as instituições fossem nacionalizadas, ao contrário do que se pretende, o pânico diminuiría, seria possível fomentar políticas comuns (bastaria sentar à mesma mesa os ministros das finanças da UE com o homólogo secretário de estado norte-americano, sendo possível sentar todos, literalmente, na mesma mesa - não me refiro aos governadores do FED e do BCE por me parecerem, ambos, igualmente incapazes) e a aplicação de capitais públicos, do estado, de todos nós, teria resultados, certamente, muitíssimo superiores.
Assim, duvido que surtam o efeito desejado a não ser esgotar a capacidade de intervenção pública e, depois, "deixar correr o marfim", até o sistema bater no fundo. Sem capitais para injectar, com um sistema falido e um desemprego galopante, a ruína espera-nos, como esperou por todos os que viveram entre 1929 e 1941.

Coragem política exige-se, agora e já, exigindo-se capacidade de antecipação das necessidades e não, tão-só, recorrer ao passado, emendando a mão mas não inovando.

27.2.09


Os números já lá estão....os políticos ainda não....

New York Times, hoje:
"In Revision, G.D.P. Shrank at 6.2% Rate at End of 2008".

Os elementos económicos referentes à grande depressão, apontam para os seguintes valores de retracção do Produto Interno Bruto (PIB) americano, designação equivalente ao inglês GDP (Gross Domestic Product):
1. 1930 -8.6%
2. 1931 -6.4%
3. 1932 -13%
4. 1933 -1.3%.

Parece então evidente que o último trimestre de 2008 já foi vivido em depressão, nos EUA.

Atente-se no valor anual de 1931 e verifica-se que é equivalente à retracção anunciada no NYT.

Acresce que um dos erros fundamentais, apontados à política económica de então, foi a incapacidade de leitura da necessidade de injecções de capital nas economias, nomeadamente a americana, impedindo a oferta de moeda e fazendo cair a liquidez dos mercados em cerca de 30%.

Durante a Grande Depressão, o desemprego atingíu os 25% e os salários caíram cerca de 40%. O comércio mundial regrediu 65%.

Hoje as economias têm injectado milhares de milhões de unidades monetárias no sistema financeiro, não cometendo o erro do passado, de deixar secar a liquidez nos mercados. Contudo, verifica-se que os números económicos já são os da depressão.

O ano de 2010 vai ser muito mau e só resta aguardar.

Convém lembrar que o desemprego nos EUA, depois da Grande Depressão, se manteve nos dois dígitos até 1941, altura em que os EUA entraram na II GG, tendo-se criado um vasto número de empregos relacionados com a defesa e o esforço de guerra.


11.2.09

Questões de Política Económica, Seriedade e Planeamento...

Actualmente, o tema decorrente passa pela discussão da economia, das economias dos diversos espaços geográficos e sociais, da força e fraqueza dessas economias e das respectivas moedas.



Considero pertinente, dentro do contexto actual, deixando para trás tanto revivalismos como estigmas, e assumindo uma postura forçosamente contrária a qualquer leitura ingénua-romanesca da revolução dos cravos, cravar uma lança do pensamento económico do antes 25 de Abril.

Penso que, desta forma, poderei contribuir para o clarificar de algumas nebulosas que se mantêm persistentes e, persistentemente, têm sido muletas de desculpas idiotas.



A política económica do estado-novo é duramente criticada pela atitude reservada, que sempre mostrou, em relação àquilo que se costuma designar por grandes investimentos estruturantes nacionais.

Costuma apontar-se-lhe provincianismo, na leitura dos fenómenos económicos. Também se lhe aponta ausência de motivação na vontade de modernizar o país. Enfim, o provincianismo no seu melhor.

Utiliza-se ainda, abusivamente, um pensamento - "orgulhosamente sós" - descontextualizando-o, quando o mesmo só faz sentido se inserido na negação, nunca escrita mas factual por omissão de resposta positiva , à pretensão portuguesa de entrar na CEE, no início da década de 60, por parte dos membros, à altura, desta comunidade (na mesma altura foi também negada a entrada à Grã-Bretanha, dando origem à chamada "crise da cadeira". Aliás, o propósito português de adesão fora eco da pretensão inglesa).



A questão que se levanta é, então, com propriedade, tentar saber se: (i) foi puro provincianismo, baseado na defesa que essa postura política significava para a segurança do regime, ou; (ii) tratava-se de uma política económica pensada a longo-prazo.



Se verificarmos o que aconteceu a Portugal, nos anos que se seguiram ao 25 de Abril, percebemos o esforço para imprimir ao país um cariz e uma impressão modernizante, dotando-o de vias de comunicação várias cobrindo todo o território, abrindo as fronteiras ao investimento estrangeiro, aderindo à CEE e a todas as suas evoluções e derivações e muitas outras, supostamente demonstrativas de um Portugal moderno e aberto.

Facilitou-se a vida às famílias liberalizando o crédito, ao mesmo tempo que se liberalizava totalmente a economia.



Voltemos atrás no tempo: um Portugal, supostamente fechado ao exterior, atrasado e atrófico nas vozes discordantes do regime, apresentava várias vantagens das quais destaco duas: contas públicas controladas e moeda forte.

A segunda era função da primeira.

Se por um lado o estado não gastava mais do que podia, igualmente a moeda forte era garantia primeira de um direito de consciência nacional; a consciência de que o país não era rico, conduzia à conclusão de que a população tampouco o era.

Sendo Portugal na altura (hoje ainda mais) dependente do exterior para bens essenciais, porque nunca se conseguíu produzir para a auto-suficiência, enfraquecer a moeda significaria, forçosamente, enfraquecer a carteira dos portugueses, diminuindo-lhes a pouca qualidade de vida.

Não havia abundância, mas também não existia pobreza extrema ou exclusão social sistémica.

Contudo, existiam planos de fomento. Foram executados os três primeiros, com êxito assinalável - bem demonstrado pela capacidade nacional de resistir à primeira crise petrolífera - tendo ficado por executar o quarto, o mais ambicioso.

Assinale-se assim o facto incontornável de termos uma política económica pensada, e mais importante, executada de acordo com as possibilidades nacionais, no que se poderia classificar comummente como "não dar o passo maior que a perna".

Tinha o país à altura uma indústria forte - metalúrgica, siderúrgica, naval e química - e uma agricultura que, muito embora insuficiente para as necessidades nacionais, contribuía para um aliviar da pressão sobre a Balança de Transacções Correntes, no orçamento de estado português.



Volvidos todos estes anos verificamos que, actualmente, não há controle sobre a despesa pública, a exclusão social existe, bem como a pobreza extrema, crescendo todos os anos e nada tendo a ver com a recente crise económica.
A insatisfação social é presença permanente e premente e o país não está, longe disso, entre os países modernizados da Europa (uma rede de auto-estradas e outras vias de circulação rápida não são sinais de modernidade, aparentando muito mais sinais de despesismo, porque não estão ligadas umbilicalmente a investimentos importantes na economia, esses sim capazes de ser realmente sedimentadores e relevantes estruturalmente).


Seguindo a linha de raciocínio, que nos conduz a conclusões sobre o estado das economias actualmente, verificamos que, a par de uma sofreguidão em aumentar a capacidade de produção, promovendo e incrementando o consumo obrigatório que satisfizesse a oferta, através de uma redução do custo de produção (leia-se deslocalização - mão-de-obra barata - e robótica - desemprego supostamente absorvido pelos serviços) e facilitismo de acesso ao crédito, as economias ( os políticos e os "opinion makers") esqueceram-se de uma verdade muito simples: não se encontravam, as economias, todas no mesmo degrau e, bastaria esta razão, para que as medidas aplicadas numa não pudessem ser generalizadas a todas as outras. Por outras palavras, a estádios económicos diferentes, correspondem medidas económicas de e para crescimento diferentes.


Não foi isto que se passou. Fez-se tábua rasa das diferenças, aplicou-se a fórmula em todas, por falta clara de pensamento político e económico e os problemas de uns passaram a ser os problemas de todos, agravados consoante as economias se apresentassem, congénitamente, mais débeis.


Não é então de estranhar o problema endémico que assola Portugal: utilizando medicação errada, a economia portuguesa, saída de uma crise política e económica profunda (1975-1982), piorou consistentemente, até um estado pré-comático, moribundo, que verificamos agora, na ausência de ideias, de discursos mobilizadores, quer do governo (cada vez pior na sua actuação e arrogância, insuportáveis e inaceitáveis em tempos muito difíceis) quer de uma oposição que parece siderada com os acontecimentos que se sucedem diáriamente.


Não será possível, ao nível da intelectualidade e da honestidade inerente, considerar que o alinhavar de umas ideias escritas, por melhor sustentadas que estejam, permitem retirar conclusões indiscutíveis (desse mal também padecemos, o das conclusões rápidas). Filosóficamente é impossível, porque a conclusão conduz, forçosamente à dúvida, mas deduções, termo de sentido mais suave, concerteza que serão.


Resta-me então deduzir, para o pós-25 abril:


(1) toda a política económica portuguesa foi um fiasco, estando o país a pagar claramente a factura;
(2) a promiscuidade entre a coisa pública e privada é aviltante;
(3) não tínhamos condições para sustentar a despesa futura, que o despesismo em obras públicas nos vários consulados políticos, forçou;
(4) nem fomos capazes de empreender investimentos que capitalizassem esses mega-investimentos.


Por outro lado, e de novo à luz do conhecimento actual, parece possível intuir que o estado-novo tinha:

(1) preocupações sociais, impedindo o crescimento da pobreza e a exclusão, através de políticas económicas que passavam pela educação (os seus custos), pela alimentação (contenção dos preços), pela saúde (João Semana) e pela habitação (habitação económica - HE), tudo através de olíticas económicas controladas;
(2) reconhecimento social das profissões (ser chefe-de-oficina ou funcionário do estado, para não falar dos bancos, dava estatuto);
(3) opção por um crescimento económico lento mas sustentado e planeado (assiste-se hoje ao descalabro das políticas de crescimento económico acelerado e não programado/pensado);
(4) defesa da indústria nacional e em geral de tudo o que significava "made in Portugal" (é claro, hoje, que são crescentes os movimentos de proteccionismo nas várias economias. Estes movimentos aproveitam as economias fortes e são fatais para as economias fracas, como a nossa).


Por isto e aquilo parece-me claro que, no plano nacional, estaríamos hoje melhor com uma política económica ao estilo estado-novo, do que a economia político-colonial da nossa elite partidária.

E nada disto tem a ver com liberdades, direitos e garantias.....ou terá tudo a ver.

9.2.09

É de moda que se trata hoje, aqui....


Tendências de moda este Inverno, em New York, recuperando os anos 20 e 30, de grandes golas, estilizando-as e adaptando-as à actualidade, para conferir aqui:


http://www.nytimes.com/interactive/2009/02/08/fashion/20090208-street-feature/index.html

E Nacionalize-se a Banca....

Escreveu Bruno Proença, no Diário Económico, que a crise arrasou por completo a credibilidade dos economistas.
É absolutamente verdade (com excepção deste economista que anda há muito a alertar para o que veio e para o que aí ainda vem).
De facto, os economistas falharam na avaliação da crise, na importância que lhe deram e igualmente nas origens e impactos da mesma.
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As economias há muito que deixaram de crescer a taxas que justificassem os investimentos absurdos na capacidade de produção das empresas, bem como na necessidade da deslocalização dos meios de produção e consequente deslocalização de capitais.
Hoje assiste-se a um fraccionar brutal do sistema económico e, consequentemente, a uma ruptura total no sistema financeiro.
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Os exemplos enunciados no Diário Económico, como soluções preconizadas por Stiglitz (Prémio Nobel da Economia em 2001) e Krugman (prémio Nobel da Economia em 2008) são antagónicos.
O primeiro assevera que o estado norte-americano deverá deixar cair todas as instituições financeiras, para que tudo comece de novo e limpo, enquanto o segundo defende a nacionalização total da banca.
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Olhemos para Krugman. O seu pensamento desenvolve-se em volta de um conjunto de questões, a saber:
(1)Espaço - global e desagregação espacial
(2)Sectores - nomenclatura, nível de desagregação, grau de cobertura
(3)Tempo - período de análise
(4)Variável - produção, emprego, VAB, etc...
(5) Indicadores económicos
(6) Espaço e Sector Padrão - termo de comparação
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Todos eles deverão ser considerados como indicadores gerais e terão de ser complementares e não substitutos.
Na análise tradicional, todas as regiões são consideradas iguais. Mas as regiões distinguem-se entre si por múltiplas características, sendo que a mais importante é o grau de centralidade económica, ou por outras palavras, o potencial de mercado.
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Olhando para a geografia económica europeia, três questões-chave se levantam, no que diz respeito à especialização dos países:
(i) qual o grau de especialização dos respectivos países?
(ii) qual o grau de similitude entre estruturas produtivas de diferentes países?
(iii) quais as características das indústrias localizadas em cada um dos países?
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Os resultados apontam para que, em média, entre 1970 e 1983 tenha havido uma maior semelhança entre as estruturas produtivas dos vários países.
Após 1983 a situação inverteu-se.
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Por países, verifica-se que de 1970 a 1983, 10 países tornaram-se menos especializados, apresentando menor divergência face à UE.
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Entre 1983 e 1997, 13 países acentuaram a divergência face á UE (maior especialização), com excepção da Holanda e, que apesar disso, entre 1981 e 1997, 4 países tornaram-se menos especializados, a saber: França, R. Unido, Holanda e Portugal.
Estas tendências mantiveram-se quase inalteradas.
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Em relação a Portugal, especificamente entre 1983 e 1997, verificou-se um aumento da divergência da estrutura produtiva portuguesa face a todos os seus parceiros da UE.
Acresce que Portugal apresenta os valores mais baixos ao nível tecnológico e de economias de escala, o que implica uma forte especialização em indústrias de baixo nível tecnológico, com mão-de-obra pouco qualificada e pouco peso do trabalho "não-manual".
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Surge então a questão "centro-periferia", estando Portugal irremediavelmente na periferia.
Acresce que embora se verifique um aumento do peso de Portugal na indústria europeia, entre 1973 e 1997, o aumento é menor que o peso populacional, logo vivem todos piores (nós os portugueses).

Convém recordar, a propósito de periferias, as quatro características apntadas por Samir Amin (economista de linha marxista) que definem um país periférico:

(1) predominância de capitalismo agrário (nós este nem temos, o que nos torna num país periférico dos periféricos);

(2)Formação de uma classe burguesa dependente de capitais externos, especialmente no sector do comércio (temos disto em fartura)

(3)tendência para a burocratização (palavras para quê...)

(4) formas específicas mas incompletas de proletarização da força do trabalho (também temos...)


Somos assim um país periférico, quer pelas regras da geografia económica, quer pelas regras do marxismo não ortodoxo.

Coloca-se agora a questão: será que a localização de indústrias terá ligação com tipos particulares de países?
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Os indicadores apontam nesse sentido; indústrias de alta tecnologia tendem a localizar-se em países centrais; indústrias de baixa tecnologia em países de periferia (e isto explica muita coisa).
Verifica-se então que, com a liberalização do comércio, seria expectável uma maior concentração geográfica das indústrias, sendo que esta especialização se verificaria tanto ao nível dos países de centro como de periferia.
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Em Portugal, como sabemos, esta tendência não se verifica, pelo que só podemos intuir uma explicação, para a discrepância entre as razões do modelo e a nossa falha: incompetência governativa acumulada durante anos, para fazer funcionar o país, nas vertentes cultural, científica, formação, direitos, legislação, funcionamento da justiça, desburocratização, etc., etc., etc..
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Complexo? Não, nem por isso.
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Basta atentar nas causas actuais da crise, para se perceber que esta é uma crise que começa por ser económica - há quantos anos a Alemanha não cresce a 5% ao ano ou os EUA não crescem mais do que 2,5% ? - que alastra ao sector financeiro, por necessidades políticas, de política económica e industrial, por necessidades de consumo - veja-se o caso Islândia - e que rebenta no sector financeiro, por este andar a fazer omeletes (muitas omeletes) sem ovos. Quando a pirâmide invertida começa a esboroar-se, a economia colapsa.
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E o que tem tudo isto a ver com as teses antagónicas de Stiglitz e de Krugman?
TUDO!!!!
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Se a economia dos EUA se apresenta, como os números comprovam, com uma centralidade económica-geográfica muito superior à Europeia, definida nos termos citados, deixar cair a banca significa deixar cair esta centralidade, para reiniciar tudo de novo.
Para que os EUA recuperem depressa, recuperando todos nós com a devida déchalage, não podem em caso algum os americanos perder a vantagem decorrente de uma geografia económica forte.
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Por isso e por isto, Paul Krugman tem razão. Intervenção total na banca será fundamental.
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Por cá, na Europa, o mesmo se deverá passar, obrigatóriamente. Aliás, já deveria ter sido feito, por todos (os franceses, pelo seu presidente, quiseram-no fazer em Dezembro, mas a Comissão não deixou).

28.1.09



DominiqueSalmer

Que percam o que indevidamente investiram...

Citando o Diário de Notícias:
Segundo o DN apurou, estes accionistas - onde se inclui a Teixeira Duarte, Joe Berardo, Manuel Fino, o Banco Privado Português (BPP), a Moniz da Maia, a Logoplaste, a Têxtil Manuel Gonçalves e João Pereira Coutinho - terão contraído empréstimos junto da banca portuguesa para comprar acções do BCP, nomeadamente durante a "guerra" para o controlo do banco em 2007.
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Entretanto estas acções caíram de valor e aquilo que foi um favor bancário, absolutamente indecoroso, transformou-se num pesadelo, para estes especuladores de pacotilha e para os próprios bancos e seus responsáveis.
Por dívidas infinitésimamente menores, há famílias que vêm acções interpostas em tribunal, compelindo-as a abandonar as suas habitações, único activo de que dispõem.
Estes senhores enriquecem de forma ilícita - vão buscar dinheiro para especular, aos mesmos bancos que negam financiamentos para empreendedores com novas ideias, ou outros que procuram incrementar os seus negícios - arriscam o dinheiro de terceiros e, quando as coisas correm mal, pretendem ser ressarcidos a todo o custo, independentemente dos sacrifícios que exigem e dos interesses nacionais. Claro, quando correm bem, enbolsam os ganhos, apresentam lucros e são glorificados como grandes empresários.
Empresários de pacotilha, sem qualquer valor, que não sabem criar riqueza mas tão só mais-valias, que vivem à sombra do estado, defendidos pelo estado, os media a quem remuneram bem e um conjunto de políticos que transversalmente cobrem o espectro político nacional.
Em suma; estão bem e querem estar sempre assim, independentemente das asneiras e da ganância que demonstram.
Pois que paguem agora e, se para tanto tiverem de vender o que têm e desaparecer de cena, afirmo, será uma sorte, porque não se tratam de industriais mas tão sómente de especuladores e, destes, está o País cheio.

27.1.09

Ministro Pedro Silva Pereira na SIC, e de acordo com a notícia da TSF, defende que, sem querer «comentar enredos», alertou para aquilo que disse ser a prova da «maior mentira» que estará a ser contada e que se prende com a alegada relação entre a Declaração de Impacto Ambiental do projecto Freeport e alteração dos limites da Zona de Protecção Especial do Estuário do Tejo. Isto porque a Declaração de Impacto Ambiental data de 14 de Março de 2002 e o decreto-lei que altera os limites da Zona de Protecção Especial é de 20 de Maio do mesmo ano.
Ambos são publicados no Diário da República e só entram em vigor, ou seja, têm efectiva aplicação legal, após publicação.
ESCOLHA QUAL GOSTARIA DE VER PUBLICADO PRIMEIRO.

26.1.09

Chapéus há muitos....

Mário Crespo acabou de "torrar" mais um (eu diria que com sorte nossa dois).
Parabéns. Imperdível e a seguir.

20.1.09

Sinais...

Torço por Obama, para que a sua presidência seja saudável, de conciliação e de avanço resoluto no sentido da pacificação social.
Temo por sinais negativos, por maus conselheiros, por "falta" de certa cultura:
(1) Wall Street sofre maior queda do ano, no dia em que;
(2) Barack Obama ajuramenta sobre Bíblia de Lincoln.