27.9.08

Condições de sobrevivência....

Por ora a negação do plano Paulson impede o sacrifício de 700 mil milhões de dólares que se poderão mostrar de enorme importância na hora da recuperação económica, mas que seriam redundantes agora, na hora do colapso económico.
Toda a enorme turbulência económica actual e a futura queda dos mercados deve-se, não ao sistema capitalista per si, que tem muito de positivo e é fundamental para o crescimento e desenvolvimento económicos, mas essencialmente à vontade política das democracias de abraçarem o liberalismo económico, o laissez-faire económico. A atitude do Estado perante a economia, a sua capacidade interventora depois de esgotada a capacidade reguladora, é fundamental para um bom desempenho económico das nações e do mundo. É, então, fundamental abandonar a triste condução política baseada na boa-vontade do capital.
Acreditar no capital, como ser etéreo capaz de se regular autonomamente e pensar socialmente, é o mesmo que acreditar no coelho da Páscoa.
Ao Estado exige-se que considere o capital um parceiro, um aliado, sujeito a regras e supervisão, condicionado pelo interesse social e económico das nações e dos espaços económicos. Defender posições contrárias, arremetendo para a concorrência regional transcontinental existente no mundo, é o mesmo que desistir das obrigações e arvorar a bandeira da incompetência. Há a necessidade de pensar a economia por clusters regionais, criando e alimentando pólos de desenvolvimento que se satisfaçam e satisfaçam os investidores, o capital.
Os instrumentos serão a redução da burocracia, o aumento cultural das populações e das suas competências, a concorrência fiscal, um bom funcionamento das instituições jurídicas e aplicabilidade das leis, um desenvolvimento regional sustentado, infraestruturas capazes, entre outras condições mais, das quais se terá de destacar uma política externa forte e constante (independentemente das cores políticas do momento).
Não é possível considerar um Estado governável, se os actores políticos defenderem o liberalismo económico. Acaso os ouçamos defender este princípio, saberemos de imediato que não sabem do que falam nem ao que vêm e, por consequencia, serão maus governantes do Estado, péssimos depositários da Coisa Pública.

25.9.08

Imagens de outros tempos


JacquesLartigue

Queixa das almas jovens censuradas...

Dão-nos um lírio e um canivete
e uma alma para ir à escola
mais um letreiro que promete
raízes, hastes e corola

Dão-nos um mapa imaginário
que tem a forma de uma cidade
mais um relógio e um calendário
onde não vem a nossa idade

Dão-nos a honra de manequim
para dar corda à nossa ausência.
Dão-nos um prémio de ser assim
sem pecado e sem inocência

Dão-nos um barco e um chapéu
para tirarmos o retrato
Dão-nos bilhetes para o céu
levado à cena num teatro

Penteiam-nos os crâneos ermos
com as cabeleiras das avós
para jamais nos parecermos
connosco quando estamos sós

Dão-nos um bolo que é a história
da nossa historia sem enredo
e não nos soa na memória
outra palavra que o medo

Temos fantasmas tão educados
que adormecemos no seu ombro
somos vazios despovoados
de personagens de assombro

Dão-nos a capa do evangelho
e um pacote de tabaco
dão-nos um pente e um espelho
pra pentearmos um macaco

Dão-nos um cravo preso à cabeça
e uma cabeça presa à cintura
para que o corpo não pareça
a forma da alma que o procura

Dão-nos um esquife feito de ferro
com embutidos de diamante
para organizar já o enterro
do nosso corpo mais adiante

Dão-nos um nome e um jornal
um avião e um violino
mas não nos dão o animal
que espeta os cornos no destino

Dão-nos marujos de papelão
com carimbo no passaporte
por isso a nossa dimensão
não é a vida, nem é a morte

Natália Correia

23.9.08



MarkDeamsteader

Ainda agora começou....

Tudo o que sucedeu na passada semana, no mundo financeiro, é tão sómente o início do turbilhão aqui aventado, vezes sem conta e de há muito tempo.
A injecção de capital no sistema financeiro dos EUA, que aguarda pela respectiva aprovação, no valor de 700 mil milhões de dólares, não pretende mais do que tentar estancar o colapso do sistema financeiro global.

Os números são razoávelmente fáceis de perceber:

(1) valor real da crise imobiliária nos EUA: 3 biliões de dólares (10^12)

(2) valor injectado no sistema financeiro até agora: cerca de 1 bilião de dólares;

(3) Valor do mercado de derivados de risco: 15 biliões de dólares;

(4) Intervenções no mercado financeiro: (i) AIG - 85 mil milhões de dólares; outros - 200 mil milhões (já não houve liquidez para salvar o Bear Stearns e o Lheman, porque se esperava pelo colapso da AIG e da Merryl Linch, acabando este por ser, momentaneamente resguardado pelo Bank of America. Havia ainda que intervir na Mae e na Mac e o pano é cada vez mais curto);
(ii) total destas intervenções: cerca de 300 mil milhões de dólares.

Ou seja, o valor até agora injectado não cobre metade do valor real da crise. Injectando mais 700 mil milhões irá cobrir 2/3 da crise e fica esgotada a possibilidade de intervenções futuras. E ainda terão de agradecer aos EUA pelo enorme sacrifício (estão a esgotar reservas preciosas. Sempre afirmei que os EUA seriam a economia que melhor resistiria a esta crise - sofrendo o primeiro embate, óbviamente - e que primeiro sairía dela. Em meu entender, desnecessáriamente, estão a tornar mais difícil essa tarefa, porque irão recuperar primeiro sim, mas levarão mais tempo e tempo para o resto do mundo significa fome, porque nada será alterado; a "máquina" já está a rolar e nada a fará parar, antes do sistema estar razoávelmente expurgado).

O sistema financeiro mundial está "seco", estas ajuda têm o propósito de aguentar os mercados, mas as empresas e os particulares estão financeiramente exauridos. Tenderão a realizar liquidez e a recolocar os recursos em activos pretensamente mais seguros que os actuais e é aqui que a crise vai estalar por completo. Os 15 biliões de dólares atrás referidos vão faltar (cerca de 4/5 do valor é fictício, mas o restante 1/5 vai valer muito menos que o valor real) fazendo rebentar a "bolha" que separa a recessão (actual) da depressão.

No caso do nosso País, já deveríamos ter utilizado todos os fundos comunitários à nossa disposição, bem como deveríamos estar a proceder, desde o início do ano, a um aumento (possível, permitido) dos financiamentos externos. O dinheiro vai perder valor e quem o tiver, mesmo valendo muito menos, estará melhor colocado.

Recordo quando em 2006 fiz referência à alteração da lei das falências nos EUA. A referida alteração era o prenúncio de que a liquidez na maior economia do mundo já não era a mesma e que os tempos de facilidades estavam a acabar. Escrevi aqui sobre o tema e sobre o seu significado.

15.9.08

A rapidez do processo....

"Lehman Brothers, the storied Wall Street securities firm, announced on its Web site early Monday that it will file for Chapter 11 bankruptcy protection".NYTimes.

É tudo muito rápido, mas igualmente certo, no mundo financeiro e ainda agora começou. E era previsível, sem necessidade de recorrer a dotes de adivinhação.
Até se podem assacar "culpas" a Alan Greenspan, alguns já o fizeram, pelo modelo que utilizou na gestão do FED. Não concordo mas, independentemente desta querela sem sentido, havia uma política virada para a taxa de desemprego e, na sua substituição, a política do FED virou-se para a taxa de inflação. Hoje o desemprego eestá nos 7% (nunca ultrapassava os 3%) e a inflação está nos 6% (nunca chegava a 3%).

Depois temos todos os outros, que perante os sinais evidentes em Agosto de 2007, não os perceberam. nestes inclui-se toda a Europa (BCE incluído). A nível nacional os cromossomas do governo e da oposição impossibilitam, ainda, uma leitura dos acontecimentos. Mas também, quando a voz de referência nestas matérias, por parte do PSD, é António Borges (lembram-se de uma entrevista ao Expresso, onde dissecava a crise do imobiliário e fazia conjecturas sobre o futuro? Foi de levar às lágrimas), perante as suas afirmações sempre me pergunto: este homem sabe alguma coisa de economia e finanças? Vive em Londres? É político? É que se acaso é mesmo tudo isto não parece nada.

10.9.08

"Rough times are coming fast"

A Lehman Brothers anunciou percas no 3º trimestre fiscal de 3,9 mil milhões de dólares. Com 157 anos de história prepara-se para a falência, depois da Bear Stearns em Março.
Também a UBS, ao decidir dividir a sua actividade bancária em três actividades distintas, corporizadas em três instituições independentes jurídicamente, tenta salvar alguns dedos, adquirido que está que já perdeu os anéis; mesmo assim dificilmente terá salvação.
E, assim, desta forma se inicia a má conjuntura que irá colocar sobre pressão o mercado de derivados de risco, conduzindo o mundo ocidental, infectado financeiramente, para a depressão.

5.9.08


RichardPikesley

Pensar a Economia....

O presidente do Morgan Stanley Asia, Stephen Roach, alertou hoje os mercados de que o declínio económico global ainda se encontra na sua fase inicial, encontrando-se os EUA já em recessão e notando que o impacto da crise de crédito ainda está por se fazer sentir na sua totalidade.

"Estamos na fase inicial do abrandamento nos EUA e do ciclo de negócios global", disse Roach, adiantando que "ao mesmo tempo que o consumidor norte-americano entra numa depressão pós-bolha, os exportadores asiáticos e europeus irão sofrer um abrandamento nas exportações, condicionando o crescimento económico global".

Afirmações feitas há dois dias.
Acaso algo foi dito agora que não tenha sido aqui, neste espaço, afirmado há muito, muito, tempo?
Nada! Pelo contrário, ainda peca por alguma reserva. Prova-se assim que:
É possível pensar a economia com antecedência.

A tristeza do desconhecimento...

É interessante mas, infelizmente, fortemente preocupante, verificar como os economistas em Portugal, aqueles que são escutados públicamente, estão tão longe da realidade económica mundial.
Quando aqui afirmei que a economia europeia iria sofrer mais e durante um período de tempo maior, as consequências de uma crise económica e financeira que só agora começou, todos se afadigavam a afirmar que a crise era mais dos EUA do que da União Europeia.
Agora que a OCDE vem afirmar o que aqui disse e tenho reiterado, assiste-se ao início de tomadas de posição tímidas, mas consensuais com aquela perspectiva.
Verifica-se, assim, que não existe verdadeiramente análise económica no nosso país e, que, as afirmações e os escritos são feitos com base em relatórios internacionais, ou seja, diz-se aquilo que todo o mundo quer que seja dito, em cada momento, conduzindo esta faceta muito negativa dos pressupostos sábios macroeconómicos, a uma impossibilidade endémica de Portugal estar preparado para os grandes desafios que se lhe vão colocar nos próximos anos.
Ninguém pensa a verdade e, não pensando, ninguém descobre caminhos.

27.8.08


MarkDemsteader

A espera...

Vamos esperar até 7 de setembro para ouvir a oposição, leia-se PSD?
Acaso o país não se move todos os dias?
A oposição deixou de ser feita pelos líderes políticos?
Tantas dúvidas, tantas certezas...

Redundâncias...

"O membro do Conselho de Governadores do Banco Central Europeu Axel Weber afirmou hoje que a autoridade monetária europeia "não tem margem" para efectuar uma descida dos juros, tendo mesmo dado a entender que estes podem vir a subir no futuro".
É óbvio: com a desvalorização monetária futura, a subida dos juros é uma consequência inevitável.

Factos incontornáveis...

A situação no Caúcaso é deliberada e foi estudada ao pormenor.
A situação na Polónia é deliberada e foi estudada ao pormenor.
A posição francesa é conhecida da História, de outras histórias.
A posição da ONU ainda não é conhecida, mas é fácilmente perceptível.
A posição dos EUA, seja qual for o presidente eleito em Novembro, será sempre a mesma.
A economia, essa, não pára e continua a descer a encosta.

A importância fundamental da organização detalhada....

Na 2ª feira dois jovens foram expulsos, por desacatos continuados, de uma composição ferroviária na estação de Boliqueime. De seguida abordam dois turistas alemães, não para aprenderem a língua de Goethe, mas para os saquearem; um dos homens oferece resistência e é baleado na cabeça. Os jovens estão a monte.
Pergunto: acaso vivessemos num país organizado, onde o respeito fosse um valor fundamental, a notícia seria outra?
Afirmo: evidentemente! E passo a citar: na 2ª feira dois jovens foram expulsos, por desacatos continuados, de uma composição ferroviária na estação de Boliqueime, tendo sido detidos de imediato pela GNR, que aguardava a chegada da composição.
Esta seria a notícia, num país sério, responsável e de direito e o turista alemão estaria a gozar o Sol do Algarve.

O Ministro que já se deveria ter demitido...

É um paradoxo que tem de ser vencido na sociedade política portuguesa: a nomeação para cargos públicos ser aceite com fins de projecção pessoal, mas ser ajuramentada para servir a coisa pública.
Quando um ministro não tem condições de cumprir com as suas funções e, em simultâneo, reconhece não dispor dos meios, deveria, pela primeira razão, pela segunda ou pelo somatório das duas, resignar ao cargo que ocupa, demitindo-se e prestando os esclarecimentos devidos, acautelando as razões da demissão. Acaso não o faça, não serve como ministro, porque não serve a coisa pública.
O Ministro da Administração Interna já se deveria ter demitido, porque não tem condições de cumprir com as suas funções e, também, porque não dispõe dos meios e das verbas que lhe permitam intitular-se Ministro, quer no sentido lato, quer no estrito.
Mas lá está; os cargos públicos são utilizados como trampolins pessoais, não cabendo na sua esfera o serviço público.

1.8.08

A importância da América....

A taxa de desemprego nos EUA subíu, em Julho, para 5,7%, em virtude de 51.000 americanos terem perdido os seus empregos. Mesmo assim, a expectativa era de um aumento maior do que o efectivamente verificado. Mas vai aumentar, muito mais.
Vai ser interessante perceber (os efeitos já se fazem sentir) na expressão de todos aqueles que têm sido anti-americanos primários e, mesmo, secundários, a importância que o americano médio, tão criticado, tem na economia mundial e, sobretudo, na economia europeia. Quando se acentuar o declínio da classe média americana e se deixarem de vender nos EUA, em definitivo e por um período largo de tempo, os electrodomésticos Bosch, os automóveis Mercedes e BMW, a Valentino, todos os tipos de bolachas e também salsichas, veremos então a importância da América no estilo e modo de vida dos europeus

31.7.08


GustavKlimt

O país que não se cansa de apanhar....sorrindo.

Portugal está mal. Vai ficar ainda pior. Vamos ficar todos piores.
Temos o pior PIB per capita da Europa dos 27; temos uma justiça que não funciona, e não funcionando, afasta os investimentos; temos empresários que ganham dinheiro mas as suas empresas só têm prejuízos; não temos cultura; temos iniquidades na educação; falta-nos ambição e vontade de Fazer.
Abastece-se o país de compadrios, de tolos e discursos ôcos. Fala-se em obras públicas porque não se sabe mais o que fazer, não se sabe o que dizer.
Temos o pior governo dos últimos 365 dias, antes deste tinha sido o anterior, antes desse o outro e por aí fora.
A emigração é um facto que já não se consegue esconder. Emigração um pouco mais letrada (supostamente, que esta coisa do conhecimento tem muito que se lhe diga) que a anterior, da década de 60. Mas está lá toda, no número, na falta de oportunidades, na imensa ambição de sair de um Portugal em estertor.
Que país, merecedor desse nome, se permite não dar esperança aos seus filhos? Só os terceiro-mundistas, que me recorde. E agora estamos a caminho de ficar na mão de Angola. Lutámos para fugir aos espanhóis e vamos ficar na mão dos angolanos. Os primeiros eram maus, os segundos são péssimos.
A banca está revirada; nos bancos, na política, nos costumes, na moral, na segurança, na saúde, na educação. Está revirada no direito.
Éramos todos iguais, sendo todos diferentes; hoje somos todos diferentes, sendo todos egoístas.
Contudo cá estamos, sempre cantando, mesmo que em surdina, a esperança.
Este escrito é um seu exemplo, como se escrevendo algo mudasse, alguém ouvisse, Portugal saísse do estertor de morte e encontrasse o seu caminho.
Não merecíamos. Não merecemos. Devemos exigir mais, todos nós. E quem sabe, mostrando outra força, outra vontade, outro querer, um dia encontramos o caminho perdido. O nosso caminho.

13.7.08

Inevitabilidades....

Sempre foi e sempre assim será: quanto mais se falar de paz, mais se adivinha a guerra.

9.7.08

Lá vamos a caminho da pontinha..... do fim


"The Standard & Poor's 500-stock index fell 29.01 points, or 2.3 percent, entering its first official bear market since 2002. The Dow Jones industrials finished down 236.77 points, or 2.1 percent."
(New York Times)
Como tem piada e ao mesmo tempo assume contornos de drama, ouvir e ler os mais diversos colunistas económicos, os mais distintos banqueiros e os mais selectos intelectuais divagarem sobre a recuperação da economia mundial. Tudo política (má) e desconhecimento (péssimo) ou, mesmo, um misto de interesses privados (usual).

28.6.08






















A expansão das alianças estratégicas internacionais motivou o livro. Analisa os riscos e discute os critérios de selecção de parceiros estratégicos, partindo da análise de empresas portuguesas empenhadas em processos de internacionalização

Quantos carros compra a Presidência da República?

O que fará um BMW 760 Li, comprado pela Presidencia da República (PR), com matricula de Janeiro de 2007, com cerca de 19.000 km feitos e cujo custo rondou os 210.000 euros, à venda num stand de usados em Lisboa, por 110.000 euros?

21.6.08


CharlesWillmott
"Fundos da UE a zeros. Até agora, dos mil milhões de euros recebidos, as únicas verbas gastas serviram para pôr em funcionamento a ‘máquina’ administrativa do QREN". (edição on-line SOL).

Mil milhões recebidos? Até agora? E é isto comunicação social? Não é! Nem comunicação, nem social, nem as duas coisas, muito menos séria.

Em 2007 deveriam ter entrado 7 mil milhões que não entraram. Em 2008 já deveriam ter entrado, no mínimo 5 milhões, que também não constam por estas bandas.
Entretanto o País está de tanga, sem liquidez, com a banca à míngua e os rácios a baixarem inexorávelmente, as taxas de juro dos overnights a crescerem e o "rating" do país a diminuir.

Onde está a política governativa? Onde está a acção governativa? Onde estão os projectos estratégicos (não venham com obras públicas, que só esbanjam e nada acrescem)?

Depois Manuela Ferreira Leite afirma: está na hora de cabar com o quero, posso e mando do primeiro-ministro. Infeliz afirmação!
Que quer o primeiro-ministro? Que pode o primeiro-ministro? Que manda o primeiro-ministro? NADA!!!!
Chamou a si os dossiers abrangidos pelo QREN - de acordo com notícias, muito propagandeadas, no final do ano passado. E que se passou entretanto? NADA!!!

Estamos a meio de 2008 e que se passa com os projectos? Há projectos? Quais? Onde? Para quê?

Manuela Ferreira Leite deveria ter afirmado: está na hora de colocar o primeiro-ministro em sentido e perguntar: porque razão ainda não entraram em Portugal os milhares de milhões do QREN? De passagem respondia: por total ineficácia e incompetência política do PM e dos seus governantes, que se preocupam com a pose do "quero, posso e mando", que politicamente poderia estar correcta, a ser verdade, em tempo de crise, mas na realidade escondem, naquela postura, uma outra, essa sim verdadeira, muito menos interessante e muito mais devastadora para a economia nacional: a incompetência política e a incapacidade de namorarem e seduzirem os grandes investimentos, económicamente estruturantes, quer a nível dos actores económicos nacionais, quer dos actores internacionais (menos interessantes, mas importantes na conjuntura actual de imobilismo). isto deveria ter sido perguntado e afirmado por Manuela Ferreira Leite.
Quem anda há muitos anos na política em Portugal sofre de, pelo menos, três males: (1) tem pés de barro; (2) está comprometida; (3) está viciada no raciocínio.

Assim não vamos lá nunca!

19.6.08


FranzUnterberger

Sociedade e futebol..tão idênticos...tão mal

Elementar: num país de oportunistas, de fraquíssima formação e fortíssima falta de carácter, onde a moral e a intelectualidade andam arredias, sobressaem os menos capazes mas que são, em simultâneo, os mais atrevidos e afoitos, que esta coisa de chegar à frente tem quase tudo a ver com desplante e muita falta de cultura - só os burros (sem qualquer achincalhamento para os animais própriamente ditos)se sentem compelidos para dizer e agir, de toda e qualquer forma, tudo o que lhes passa pela cabeça. É assim no Portugal de hoje; está cheio de gente afoita.

Se no geral é um facto, no futebol, caso particular, essa afoiteza parece ser uma virtude. Para lá de todas as peripécias que se têm dito e escrito sobre jogos, resultados, clubes, árbitros e corrupção, muito gostaria que me explicassem porque razão, aquando da primeira decisão de exclusão do FCP da "Champions League", todos os grandes clubes europeus se colocaram ao lado do FCP e, dois clubes portugueses, embora com posturas diferentes, aparecessem de mansinho, dizendo uns (SLB) que em nada alterariam a preparação da nova época futebolística e, outros (VFC, vulgo Guimarães), afirmassem que a concretizar-se seria "mau para o futebol português".

Ambos estavam imbuídos de uma convicção clara: que a decisão da UEFA era inalterável (por ser incomum aquele orgão tomar uma decisão e, posteriormente, voltar atrás na decisão tomada). Ao verificar-se um volte-face na situação, deparamo-nos com posturas antagónicas quando comparadas com as incialmente (e hipócritamente) tomadas: agora sentem-se os dois clubes expoliados de um direito (não sei qual) que aparentemente parecem julgar merecer (não percebo porquê).
A posição que ocupavam na classificação do campeonato e a concomitante presença europeia atingida, mantêm-se. O facto do FCP não ser excluído da prova acima referida, não alterou em nada o direito de participação nas competições europeias, que a respectiva classificação obtida proporciona.
Aqui chegados, só um raciocínio é válido, para a verificação de uma mudança radical de atitude: não se trata de mais ou menos verdade desportiva, trata-se isso sim do bom e velho dinheiro. E é aqui que as pontas se juntam: a todos os níveis da sociedade portuguesa os afoitos se alcandoraram e, ao invés de pugnarem pelos interesses nacionais - se o fizessem não teriam as características dos afoitos - pugnam tão sómente pelos interesses particulares.

Aponte-se, de novo, o caso do futebol: quando em toda a Europa, os grandes clubes europeus estão solidários com o FCP, os ataques surgem do próprio país, de clubes que jogam no mesmo campeonato, de gente que fala a mesma lingua (aqui duvido que a lingua desta gente seja a minha, não só pelos actos, mas também pelas palavras; muitas das vezes não os percebo). Esta situação é repugnante em si mesma e verdadeiramente desmoralizante, ao nível do país. Por dinheiro tudo vale, inclusivé arrastar o nome de agremiações centenárias para o descrédito.
Pergunto-me: qual a imagem que o SLB passa neste momento em todo o mundo do futebol? Pergunto-me mais: sendo o SLB uma marca com reconhecimento mundial, qual o verdadeiro custo de imagem para a marca Benfica, de toda esta arruaça que criou e alimenta, desde que a decisão de exclusão do FCP foi suspensa pela UEFA?

Sinais desta era destemperada. Já vai longe o tempo de dirigentes como Pinto de Magalhães ou Borges Coutinho. Eram outros os tempos, tempos de Senhores.
Hoje, de forma ostenciva, a falta de qualidade impõe o seu estilo. No futebol, como no geral da sociedade portuguesa (aliás, uma situação não seria possível sem a outra, porque são fruto do mesmo ventre, perfeitamente compagináveis).
...
P.S. a ausência de escrúpulos, a má retórica, o oportunismo e uma enorme necessidade das direcções dos clubes envolvidos, (no caso do SLB também como forma de camuflar uma péssima época, onde numa equipa de 25 elementos o melhor jogador tinha 36 anos) por presumíveis recursos financeiros (os clubes de futebol não são excepção no clima de abrandamento económico em que vivemos) ,mas também, e principalmente, por ser recorrente todo este conjunto de comportamentos malévolos, na sociedade portuguesa no geral, que só pretendem esconder realidades através da criação de "cortinas de fumo", tudo isto, dizia, foi motivação suficiente para o presente texto.

17.6.08

wait and see....

A falta de soluções conduz a discursos aberrantes.
Para lá do que possa ser dito noutros países membros da UE, interessa-me sobretudo o que é dito no meu país, e o que ouço é confrangedor. À falta de discurso mobilizador,junta-se a idiossincrática pecha da ausência de ideias.
Que fazer com o NÃO irlandês? E agora? Que caminho para esta (des)economia?
Nenhum cenário encaixa no perfil dos economistas-monetaristas que persistem na nossa política, muito menos nos lobistas sectoriais. Agora até já se pode pensar numa UE sem Irlanda, ou pretender que este país realize referendos - talvez quatro ou cinco - até que a população cansada diga SIM; ou que o governo desconsidere o resultado do referendo, fruto da pressão da Ue e se decida pela ractificação parlamentar.
Julgam que estão a falar de franceses e da sua pseudo-filosofia humanista, democrática e libertadora. Mas não estão; no Reino Unido pratica-se a democracia mais antiga e genuína do mundo. O respeito pelos outros é uma realidade indissociável da noção de cidadania, da maneira de ser britânica.

Wait and see....

14.6.08

A verdade da mentira...

Cavaco Silva: "(....)um erro os Estados-Membros referendarem tratados internacionais (....) a existência de problemas internos ou governos impopulares, por exemplo, acaba sempre por se reflectir nos resultados dos referendos (...). Os tratados internacionais nunca deveriam ser objecto de referendo e tivemos agora a prova disso".

José Sócrates: " (....) aqueles países que ainda não tenham ratificado o Tratado continuem com o processo de ratificação, (....) aguardo pela reunião do Conselho europeu da próxima semana para discutir uma solução que responda ao problema agora criado pelo voto irlandês".
.
Porque a política só é entendível pelos políticos. As populações não têm condições de decidir sobre política externa; seja por ignorância, seja por "revanchismo". Na política interna não dá jeito nenhum fazer qualquer referência, embora pensem exactamente o mesmo.
.
A população não presta para opinar, o mesmo é dizer para pensar e emitir opinião politica sobre uma qualquer matéria.
Falam em problemas internos ou governos impopulares, como causa para referendos que contrariam a vontade dos políticos; na Irlanda? Estranho, estranhíssimo. Só mesmo para quem não conhece a realidade e o ambiente que se vive actualmente no país, ou seja, todos nós, a população, que não podemos referendar um tratado porque somos ignorantes (não vemos quanto é benéfico este tratado) e votaríamos NÃO por "revanchismo" (e não teríamos toda a razão para o fazer?). Não por vingança política, mas por ausência de soluções internas que justifiquem um mergulho crescente na "nomenklatura" europeia, mesmo que à custa da perca da soberania nacional e de prerrogativas com que nos acenaram (já de si más, mas que agora desaparecem), quando era conveniente fazê-lo.
.
Depois, sendo referendado num único país, pode afirmar-se que é esse país que tem de resolver o problema da ractificação do tratado, porquanto, em princípio, todos os restantes 26 estarão de acordo, desde que não haja um único referendo e a aprovação continue a processar-se ao ritmo da mentira política; no parlamento, com o voto dos políticos poltrões.
.
Acaso o tratado tivesse sido referendado, quantos "NÃOS" teríamos nesta altura?
.
Subsiste contudo uma dúvida, que torna pertinente a vontade de que o processo de ractificação continue: a posição inglesa. Quando em Inglaterra, no 10 de Downing St., está o inquilino que dos últimos residentes mais se apresenta como uma "enguia", com um discurso interno e outro externo, assumindo sempre várias faces, a dúvida é pertinente: continuará Gordon Brown o processo de ractificação parlamentar (difícil, muito difícil com os ingleses), parará o processo agarrando-se ao não do vizinho irlandês ou, aproveitando o balanço, defenderá a necessidade de referendar o Tratado?
Os cenários são possíveis, mas apresentam maior probabilidade o segundo e o terceiro.
.
O Tratado de Lisboa, ao contrário do Constitucional, ainda não está morto, mas só um golpe de magia e cedências imensas impedirão que isso suceda.
A surgirem cedências pergunto: porque razão não referendámos também o tratado? Não temos nada para (re)negociar? Não temos nada a (re)ganhar?
.
Porque razão temos de estar na crista da onda do aprofundamento europeu, mas sempre no último lugar nas condições de vida, no crescimento, sustentabilidade e desenvolvimento económico?
.
Querem que acreditemos nestes políticos de pacotilha que nos atiram estas atoardas, como se de verdades absolutas se tratassem?
É fundamental o Tratado de Lisboa? Para quê?
É necessária a UE? Para quê?
Aproximem a Europa dos 27 de uma Zona de Comércio Livre e todos saíremos a ganhar. Levem-na para o aprofundamento económico e político e, daqui a uns anos, nada restará dessa integração, a não ser amargos de boca e situações de dependência política e económica.

11.6.08

O governo dificilmente não cairá....qualquer um. Tempo: daqui a 6 meses, 1 ano, ano e meio...

A crise é grave. Os agricultores ameaçam juntar-se aos camionistas.
Se o governo não cede, cai. Se cede, tem mais do mesmo e cai.
Cai sempre, porque o descontentamento é geral. Prometeram muito, os políticos pós-Abril; mas as condições de vida deterioraram-se. Viveu-se acima das possibilidades, durante muito tempo, quando a confiança no sistema levava a descurar as preocupações com o futuro. O sistema desmorona-se a uma velocidade imensa, as preocupações com o futuro assumem proporções gigantescas; entretanto toda a população está com falta de liquidez ou, mesmo, falida.
O futuro, feito presente, passa a ser uma hidra, com sete cabeças, a saber: trabalho, educação, saúde, qualidade de vida, futuro incerto, dinheiro e dividas, bens essenciais. A estas juntam-se duas mais: falta de soluções políticas e prepotência do estado.
É necessário mudar, muito. É necessário voltar a acreditar, muito.
.
A crise está à porta, mas atenção: o pior ainda não chegou!

10.6.08


SuzanneDaynesGrassot

Uma pequena brincadeira...com raças.

O BE exigiu, esta segunda-feira, explicações ao Presidente da República por ter-se referido ao 10 de Junho como «dia da raça», recuperando uma expressão conotada com o Antigo Regime. A posição bloquista foi entretanto partilhada pelo PCP.
.
Concordo inteiramente; não podia concordar mais. Senão vejamos:
(1) no tempo da "velha senhora", a raça a que se aludia ou era conotada, para alguns muitos, com patriotismo ou, para outros menos, com anti-comunismo, mas por aqui nos ficávamos;
.
(2) hoje a coisa é mais complexa: temos, para uns, a "raça dos políticos execráveis"; para outros a "raça de malandros", que inclui também políticos mas é mais lata; para outros ainda a "raça de corruptos" ainda mais ampla; temos ainda a "corja de bandidos" que pode ser entendida como uma raça, onde se incluiem a DGF, a ASAE, ainda e sempre os políticos e o patronato capitalista. E existem ainda as "raças" patriotas e as anti-comunistas.
.
Muitas mais, mesmo assim, poderiam ser aventadas (nem tocámos no futebol). Considero, assim, pertinente uma explicação concisa se o dia 10 de Junho é o dia de todas as raças.
.
Porque a questão é mais profunda do que parece. A posição do BE e do PCP é inteiramente coincidente com a sua postura e filosofia políticas. A construção da ideia (posição) baseada na dialéctica pressupõe a reflexão de uma coisa em relação com outras. Se, contudo, a corrente de pensamento for essencialista, a reflexão da coisa é feita em si mesma, ou seja, não implica nem pressupõe comparações, revelando-se em si própria.
.
Se, como penso, o PR aludia a raça no princípio filosófico essencialista, as raças estão lá todas. Caso contrário, há que determinar quais as raças, que em discussão e confronto com outras, merecem ser mencionadas no 10 de Junho.

Vai baixar para o mínimo histórico....

Pode ter caído muito bem, a muita gente e a alguns sectores do PPD/PSD, a vitória de Manuela Ferreira Leite, mas cada vez mais me convenço que será um desastre eleitoral.

4.6.08


MikeBernard

Estamos todos fartos...

O governo anuncia que a taxa de desemprego para 2008 será de 7,9% e que esta se manterá em 2009.

Primeiro: o desemprego actual é muito superior a 7,9%. O valor real ronda os 16%, ou seja, considerando a população activa, 1 em cada 6 portugueses está desempregado.
Segundo: a crise económica está em crescendo. A tendência para 2009 apresenta um cenário pior do que 2008. Sendo Portugal um país fracamente preparado para enfrentar crises, aconselha a prudência considerar um aumento no desemprego, inerente ao encerramento de actividades económicas e à redução crescente do investimento, quer o investimento directo estrangeiro (vulgo IDE), quer o interno. Por questões de somatório, sabendo que menos com menos dá menos, o desemprego em 2009 será, forçosamente, superior ao de 2008.
.
Para quem pretende fazer da educação uma bandeira, utilizar a propaganda política direccionando-a para os menos preparados, sem preocupação de seriedade intelectual, demonstra que tudo não passa de uma enorme manipulação política, encetada por gentes que não são desta terra..
.
Ver as gentes anónimas do meu País afirmarem, em crescendo, que se fossem mais novas emigrariam, tolhe-me a alma, vidra-me os olhos, cerra-me os punhos.
Espero, consciente e consistentemente, poder contribuir para a alteração da anemia nacional.
Espero a oportunidade de poder acreditar num conjunto de pessoas e fazer política séria.
Espero que a classe política nacional seja substituída por outra, mais capaz, na qual me inclúo. Espero que ainda seja este o tempo de salvaguardar Portugal de algumas tormentas.
Temo que as demais sejam já maiores que Portugal.

2.6.08

O sofisma das palavras....

O presidente do BCE, Jean-Claude Trichet, garante que se os privados não assegurarem estabilidade “estaremos perante um caso de regulação pública”.

Já o escrevemos vezes sem conta. Perante o ambiente económico volatilizado impõe-se uma cada vez maior intervenção do estado na economia. Os modelos liberais, o "laissez-faire" económico está morto, a economia no geral moribunda. Defender liberalismos económicos é desconhecer o estado actual do mundo económico. É a subversão da política; esta não tem peso algum (o que se passa actualmente) e apanha "boleias" da permitida liberdade económica, ou por outras palavras, vai a reboque. É, claramente, uma actuação e filosofia que nada interessa à sociedade; o que importa, acima de tudo, é obter através do estado uma garantida de bem-estar, exigida pelas horas de trabalho que são roubadas ao ócio e que, muito embora remuneradas, consentem ainda uma carga fiscal afecta à remuneração, supondo a troca de vantagens sociais presentes por benefícios futuros.
Só assim se justifica o estado-previdência. Mas para tanto é necessário existir capacidade de intervenção.

O que Trichet quer dizer é simples: vamos ter de intervir junto dos agentes económicos. Chama-lhe regulação, em nome das políticas liberais tão queridas à sofisticada nomenklatura política europeia e aos interesses económicos das transnacionais, como lhe poderia chamar "paulada pública", expressão, aliás, mais adequada aos tempos que correm, não fosse volátil inimigo de estabilidade.
Façamos então algo mais, intervindo politicamente, na esperança de evitar a intervenção social.

§
Apesar dos discursos e a propósito das recentes eleições no PPD/PSD, ficou claro que nenhum dos candidatos reconhece os perigosos tempos que vivemos. Acresce que em dois deles, por teimosia e por desconhecimento, a prática política acarretará (acarretaria) uma acentuação da actual deriva política, não concorrendo em nada de bom para a preocupante situação nacional. Pergunto-me: onde está o "conhecimento" no PPD/PSD ? Perdeu-se nas brumas do cavaquismo ? Onde anda a capacidade regeneradora do partido ? Como conseguirá cativar novas ideias ? Quando será assumida a coragem de se posicionar, de forma clara, politicamente à direita do PS, obrigando a uma inflexão maior do CDS/PP ? Ou será que ainda ninguém no partido percebeu que hoje, assumir posições de direita implica defender ideias de esquerda ? Para quando a certeza que o discurso político passa pela preocupação com o indivíduo, enquanto parte integrante do equilíbrio societário, promovendo a aproximação dos interesses colectivos à ganancia especuladora dos interesses particulares ?
§
Se a geração de políticos no PPD/PSD e respectivas ideias políticas, gerada nos últimos trinta anos, resultou em Coelhos, o partido terá de se habituar a viver na toca durante muitos anos.
§
Infelizmente, nenhum dos outros partidos, ou líderes, está melhor preparado ou coadjuvado. Temos um primeiro-ministro cansativo, gasto no discurso e sem caminho político, apoiado num partido incoerente, perdido na falta de liquidez e meios nacional e mundial que obrigam a inaugurar "serraderos" e "carpinterías" como se de grandes investimentos se tratassem. É este o Portugal moderno ? É esta a sociedade igualitária tão prometida, primeiro com a falácia dos cravos e depois com a aceitação da União Europeia ? Será ?

15.5.08

Intendência...

Já saíu há uns meses.
Um amigo insiste em que devo publicitar e os argumentos, que sistemáticamente apresenta, derrotaram a minha proverbial postura de contenção.
Fica aqui um dos possiveis links, garantindo eu a colocação da capa um destes dias neste sítio...
http://www.livapolo.pt/index.php?action=search&pag=1&tipo=1&expressao=26099&seq=1

14.5.08


E nada mudará....

No PSD, os candidatos que o eram continuam a ser, agora sem rábulas.
Todos, sem excepção são liberais, defensores do laissez-faire, querendo desposicionar-se do PS, ou do centro, como lhe queiram chamar.
Nenhum deles entende o que é ser liberal; se entendessem não o eram!
Nenhum entende o laissez-faire económico; se entendessem não o defendiam na actual situação económica.
Em suma estão todos mal preparados, inaptos para fazerem oposição, quanto mais governação. São os candiatos dos chavões, das ideias pré-feitas, dos discursos gastos e da política oca.

Mas perguntem aos que criticam se querem mudar assim tanto o partido? A resposta será não, se forem intelectualmente sérios.
Porquê? Porque são avessos a mudanças? Não!
Porque não querem perder o status quo, a influência, o poder sobranceiro.

E, assim, se vai fazendo o mesmo e cansativo PSD de há 20 anos.

UE: Portugal lidera quebra na produção industrial em Março

E há coisas contra as quais nem vale a pena tecer grandes comentários.

Não compensa sequer indicar os números, fazer comparações, dar qualquer tipo de justificações ou proceder a ataques económicamente ferozes. Muito haveria para dizer, mas não compensa, já não compensa.

Tudo o que pode e deve ser dito passa pela constatação, sistemática, de que os números e estatísticas económicas nos são, sempre, profundamente negativas e penalisadoras. Vale a pena dizer que a sofisticação económica actual, aliada à enorme volatilidade dos mercados, impede qualquer raciocínio que passe pelas palavras recuperação, conjuntural, momentâneo ou outras semelhantes. Tudo o que não se faz hoje não é recuperável amanhã; todo o caminho que se perde hoje é irrecuperável amanhã; todo o atraso que se acumula em relação a terceiros hoje, é irremediavelmente o marco que definirá e limitará o amanhã.
Somos e seremos, cada vez mais, uma nação pobre, de pobres gentes, com um atraso enorme em relação à Europa e ao Mundo. O atraso não é imutável mas crescente; o crescimento é proporcional às capacidades, pelo que o fosso ver-se-á aumentado a cada ano.
Nada nos resta, nem mesmo a mudança política, porque será igual, exactamente igual; a política não manda, obedece. Quem verdadeiramente define as regras é a economia e os nossos políticos, sem excepção, não estão preparados para lidar com a nova face económica.
Acresce que perdemos âncoras fundamentais - o Ultramar - gastámos à barba-longa - rede de estradas megalómana, expo 98, euro 2004, desvios de fundos comunitários (formação), entre muitos outros exemplos - e nos preparamos para despesismos politicos grandiloquentes - novo aeroporto, TGV, travessia do Tejo (somos campeões das obras-públicas) - concorrendo para um aumento da deriva.
Em 2013 tocaremos no fundo. Resta começar a treinar a apneia e atingir costa noutro qualquer lugar.
Portugal está prestes a acabar.

21.4.08


Recessão ou Depressão Económicas....

DEFINIÇÕES:

(1) Uma recessão é uma queda significativa na atividade económica espalhada por toda a economia, com duração superior a dois meses e visível no PIB real, no rendimento das famílias, na produção industrial e nas vendas.;

(2) Uma depressão económica é caracterizada por um estado agravado de recessão, ou seja, um longo período de desemprego em massa, falência de empresas, baixos níveis de produção e investimentos, desvalorização dos títulos, ações e derivados nas bolsas de valores, conduzindo a consequências muitíssimo negativas para a economia mundial.
§
Nomeadas as situações e definidas convenientemente, convinha agora perguntar qual a que escolhe (não tem outras alternativas): claro que a escolha recairia sobre a primeira (do mal o menos). Mas não, desengane-se, não tem escolha. Já escolheram por si há muito tempo: é a segunda, sem apelo nem agravo.

7.4.08

Luis Filipe Menezes e a caça às rolas...

Luis Filipe Menezes (LFM) continua a dar umas boas calinadas, mesmo quando pretende ser demagógicamente eleitoralista.

A terceira travessia sobre o Tejo não pretende ser uma obra para satisfação dos lisboetas, mas sim uma obra que encete a resolução de questões de densidade de tráfego graves e qualidade dos transportes urbanos para todos que, não trabalhando em Lisboa, para aqui se têm de deslocar diáriamente.
Para diminuir o tráfego viário na cidade de Lisboa é necessário dotar os transportes urbanos e sub-urbanos com a qualidade e rapidez necessárias, para que se tornem alternativas viáveis para as deslocações diárias, empreendidas por centenas de milhares de portugueses, para e de Lisboa.

Pouco falta para que a ponte Vasco da Gama comece a ficar saturada.
O desenvolvimento urbano de Alcochete será uma enorme realidade, antes mesmo de ficar concluída a infraestrutura aeroportuária.

A Grande Lisboa (GL) carece de uma especial atenção; está previsto que, dentro de cerca de 2o anos, perto de 55% da população nacional habite naquela zona. É então necessário contribuir, decisivamente e já, para o crescimento económico das vilas e cidades situadas no perímetro da GL, procurando atempadamente diminuir o crescimento, inevitável, da pobreza e da exclusão social, que uma migração tão forte ao nível de indivíduos forçosamente tenderá a acarretar.
Esquecer estas questões é provincianismo puro. E demagogia política. E falta de seriedade. E falta de conhecimentos.
LFM já nos habituou, infelizmente, a discursos marcados pelo circunstancialismo e aproveitamento de matérias fracturantes, a cada momento político. Tenha-se em conta a falta de honestidade política e a tremenda demagogia (estupidificante e mentalmente redutora) latentes na promessa de baixa de impostos, colocando Portugal ao nível espanhol, caso fosse governo em 2009 -claro que, como bom caçola, diria ao jeito de Sócrates que não poderia cumprir, por desconhecer em quão mau estado iria encontrar o País.

Felizmente não vai ganhar as eleições (infelizmente para o PPD/PSD e para o país) e, com alguma sorte nem as disputará, mas começo a ficar farto que os políticos que se pretendem apresentar a eleições prometam e prometam, tendo como base da hipótese real, o facto do incumprimento poder ser justificado pelo desconhecimento. Se não conhecem, como é que raio começam por ser candidatos?
Quero políticos que pensem o meu País, não quero quem o desconheça.
LFM já está a pensar nas eleições, nos eleitores de Lisboa, quando faz semelhantes afirmações com relação à 3ª travessia do Tejo. Ou estará a pensar em interesses escondidos. Não sei responder...
Mas uma coisa sei: falar em Algés-Trafaria para os lisboetas é tão importante como foi recebida a notícia no Montijo de que a ponte seria Chelas-Barreiro, ou seja, importância nenhuma.
LFM anda aos "tiros às rolas", mas não tem pontaria nenhuma. Não haverá quem lhe explique que o cano tem de estar virado para cima?
Caçar votos entre os mouros, nova estratégia de LFM. Será que mouros são só os lisboetas ?
Por último gostaria de ver satisfeita uma curiosidade: o que será o "fontismo provinciano" ?
Acaso terá paralelismo com os governos de Cavaco Silva ?
O que será?
"Felizmente não vai ganhar as eleições (infelizmente para o PPD/PSD e para o país) e, com alguma sorte nem as disputará [...]"

Bem sabe que eu não poderia estar mais de acordo. Só é pena que o PSD em geral - e os sociais-democratas elitistas, sulistas e liberais em particular - não tenha percebido isso há três meses atrás, quando elegeu LFM para lí­der :)

MCM

6.4.08






Faleceu Charlton Heston, aos 84 anos de idade.

Galardoado com um Oscar de melhor actor em 1950, pela sua interpretação em "Ben-Hur" na famosa corrida de quadrigas, interpretou igualmente papeis de enorme importancia em filmes que marcaram a industria cinematográfia, como Moises, Michelangelo, El Cid entre outras figuras épicas retratadas em Hollywood, nas décadas de 50 e 60.

31.3.08


Mike Bernard

A Pedrada no Charco...

O desrespeito pelas instituições e seus representantes é uma realidade conhecida por todos nós, há muito tempo.
A total falta de educação, civismo e cidadania é igualmente apanágio de toda a estrutura social pós-25 de Abril.
O aumento da criminalidade violenta (denunciada neste sítio nos idos de 2006) e não violenta, fruto directo da ausência de valores, enfraquecimento do poder policial, judiciário e filha do pantanoso sistema político, dito democrático, em que vivemos, é filha directa e dileta da estúpida política de urbanização dos municípios (dos grandes municípios), que cometeram erros conhecidos de outros lugares e com muitos anos - a construção de guetos.
Igualmente contribuitiva, a política errática migratória que começou por permitir a entrada no nosso País de cidadãos com alguma formação, mas que de há muito tempo a esta parte fez ouvidos e pensamento moucos a uma outra realidade: sendo a imigração inicialmente proveniente de espaços que entretanto foram incluídos no espaço comunitário, passaram estes nossos parceiros a oferecer aos seus cidadãos opções de vida muito melhores do que aquelas que nós lhes poderemos oferecer agora (se nem para os nossos temos oferta), ficando sujeitos, a partir do momento da criação da expectativa UE, à entrada no País da escória que não tem cabimento na reconstrução dos mencionados parceiros comunitários.

Tudo isto é verdade e contribui, com sinal negativo, para um acumular de tensões e crispações que geram manifestações de natureaza variada.
Entre estas conta-se a "violência" escolar, o desrespeito pela instituição escola e pelos seus representantes, os professores. Não está generalizado mas está suficientemente difundido para se tornar preocupante. Claro está que não é assunto de polícia, a menos que se verifiquem agressões e maus tratos físicos, que nem os verbais aqui terão cabimento. O ensino tem mecanismos para lidar com estas situações, desde que não sejam extremas, que passam da repreensão oral até à expulsão pura e dura do faltoso.

Porém, como em tudo na vida, é necessário saber fazer uso do poder e legitimidade de que se está imbuído.
Analisado o caso que se passou no Carolina Michaelis, que até PG da República e PR já meteu, verifica-se que se está perante uma situação que alberga comportamentos reprováveis, sendo porém estes comportamentos reprováveis, quer por parte da aluna envolvida, quer da própria professora.
Analisando: (1) a aluna fere um princípio de respeito óbvio ao utilizar o seu telemóvel na sala de aula; (2) reage mal, muito mal, à apreensão do telemóvel pela professora, excedendo em muito o limite do possível no que ao comportamento e educação diz respeito, merecendo castigo pesado pela sua atitude; (3) a professora tem mecanismos para castigar a prevaricadora: dar ordem de saída imediata da sala de aula, por mau comportamento, à aluna, esperando que esta acate a sua decisão. Não acatando, a professora pede a ajuda de um auxiliar escolar para se fazer obedecer ou, em extremo, sai da própria sala de aula, fazendo recair o peso desta absurda necessidade sobre toda a turma, por passividade ou mesmo conluio com a aluna duplamente prevaricadora. E por aqui se ficava a história, sem contornos nacionais e sensacionalistas, sem you tube, sem nada...

Mas não, a professora deixou de ser professora, perdeu a noção do poder e legitimidade de que se encontra investida e reagíu como uma mãe: tirou o telemóvel à "filha" e insistíu, quando percebeu que a "filha" se rebelava, e voltou a insistir e a insistir, sem poder contudo, porque não é mãe, impor essa condição ou indo mais longe, dar os dois tabefes que se apropriavam à circunstancia.
Porque um telemóvel é hoje, para a maioria dos jovens, muito mais que um mero telefone - o telemóvel funciona como diário, um registo, quer de chamadas quer de sms, sendo portanto um instrumento muito pessoal - desperta, claramente, um sentido profundo de propriedade.
O que a professora fez naquele momento foi apropriar-se, indevidamente, de propriedade alheia, exorbitando o seu poder na sala de aula. Em suma, não soube exercer o poder que a institução lhe delega quando se encontra no interior de uma escola ou num raio de 200 metros dessa escola.

As culpas estão repartidas, mas este não é, nem pode ser, caso de polícia. É um caso para ser tratado na escola, para ser maduramente pensado, do qual se podem tirar ilações sobre a natureza do poder e a capacidade de o exercer, sobre os comportamentos, a sua evolução e as medidas quer preventivas quer prossecutórias.

A professora descansa em casa, provávelmente até ao fim do ano, por se encontrar abalada psicológicamente. Acreditamos que esteja fragilizada, mas pensamos que deveria estar em casa em recuperação e, simultâneamente, a aguardar o resultado do inquérito que deveria ter sido movido de imediato, quer à aluna e respectivos colegas, quer à professora, para análise exaustiva das condutas verificadas naquele dia, naquela sala de aula daquele estabelecimento de ensino.

§
Para que se perceba o alcance do valor do telemóvel (de todas as novas tecnologias no geral ) reproduzo parte de uma peça da autoria da empresa de soluções de segurança para sistemas de comunicação unificados:
esta empresa "... sublinha o facto de muitas companhias não reconhecerem a utilização dos serviços de mensagens instantâneas como ferramentas de trabalho e lembra que isso não evita a sua utilização. Recomenda o reconhecimento destas ferramentas de comunicação e a sua integração nas políticas de segurança das empresas, a par com o controlo da informação que é veiculada por esta via".

Ou seja, adaptando à nossa situação: quando tomamos posse de um telemóvel que não é nosso, podemos tomar conhecimento da informação ali guardada - quer recebida quer transmitida.
§
Não sabemos que tipo de informação poderia conter o telemóvel apreendido pela professora à aluna, no Carolina Michaelis, nem ninguém saberá, mas todos convimos que será do foro estritamente pessoal e privado da aluna e que a privacidade se poderia perder, acaso a professora ficasse com o aparelho apreendido. Justificaria a informação, os sms, a atitude semi-tresloucada da aluna? Não o cremos, mas se quisermos ser totalmente imparciais teremos de afirmar: não o sabemos.

O que sabemos é que não se justifica um adulto, com responsabilidades, fazer finca-pé pela posse de um telemóvel numa sala de aula.
Até poderia insensatamente tentar, mas vendo a reacção intempestiva, devolvia-o de imediato e dava uma ordem firme e segura de expulsão da sala de aula à aluna prevaricadora.
Esta seria a aitude normal de um adulto maduro, professor, com responsabilidades perante 30 alunos, numa sala de aula.

12.3.08

E para quando seriedade?

É já evidente que as instituições financeiras nacionais perderam imensa liquidez com a crise do sub-prime. Alguém se importa de dizer quanto é que se perdeu e como pensam ultrapassar o problema? E as provisões?, vão afectar os resultados de 2009? É que já deviam ter afectado os resultados de 2008. O que dirá, na altura em que a castanha estalar, o BdP e o seu douto Governador? E as consultoras e auditoras? E os revisores de contas? E os administradoes dos bancos? E o governo?

Não basta dizer que não vai haver dinheiro para crédito este ano. Há que dizer que não vai haver por falta de liquidez no sistema financeiro.
Não basta dizer que o dinheiro que gira no sistema interbancário está mais caro. É preciso dizer que a credibilidade das instituições financeiras está afectada, havendo quebra de confiança dos agentes económicos externos.


Keith Dunkley

Os problemas europeus...

Como aqui foi dito e redito, a preocupação após sub-prime não é a economia americana mas sim a europeia.

Com o petróleo a aumentar, mas indexado ao dólar e com o dólar a desvalorizar face ao euro, não pode ser a esta luz que o problema da inflação na Europa se deverá colocar (mas será o problema da inflação um verdadeiro problema? Não é!).

Bom, não sendo à luz do custo do petróleo, basta atentar nas razões que levam a um aumento dos preços, para perceber quais os problemas económicos do espaço único europeu. Problemas só europeus, que carecem de solução no espaço europeu.

10.3.08



Herbert Richter

Como é que não importa se há ou não RAZÃO ?

Sobre as razões e contornos da mega-manifestação de Sábado dia 8, interligadas com outros sinais de descontentamento, ler aqui.

Sobre a resposta política do actual governo, é desolador verificar que o primeiro-ministro se esconde atrás da ministra e que esta, a despeito de ter toda uma classe profissional contestatária, assume o discurso da redução da razão ou sua ausência a um mero exercício de retórica, colocando o ênfase nas reformas.
Será então possível levar a governação de um país dito democrático a sério, quando os seus governantes assumem uma postura de rotura com a população, persistindo em caminhos que desagradam e que, feitas as contas, não introduzem a tão necessária reforma de que o país necessita?
O problema coloca-se ao nível da educação, da saúde, da inserção social, do emprego, da capitalização, do crescimento económico, da diminuição das desigualdades, da repartição do rendimento......
O problema é tão vasto que tem tudo a ver com a concepção política e económica de Portugal, não sendo uma questão que se restrinja à educação, mas a toda a sociedade.
Estiveram em manifestação 100.000, poderiam ter estado 5 milhões.
Esta é a verdadeira questão: todos, sem excepção, têm razões de queixa de sobejo, para se manifestarem em todas as cidades, vilas e aldeias de Portugal. Todos, com razões locais e nacionais, têm o direito à indignação. O serem 100.000 (muitos, mesmo muitos atendendo tratar-se de uma única classe profissional) exigiria uma resposta séria por parte do governo. Porque de contrário temos garantido que tivessem sido 5 milhões e a resposta seria a mesma: não importa de que lado está a razão, importa sim continuar o caminho traçado pelo governo.

Já ouvi este discurso, com uma enorme diferença: reconhecia muito maior competência a quem o fazia e não andava enrolado na falácia das palavras - não vivíamos em democracia.

5.3.08


PANINI, Giovanni Paolo
1691 - 1765

Que venha Hillary Rhodam Clinton...

Hillary Clinton ganha no Ohio e no Texas, dois circulos eleitorais chave para a corrida à presidência. Resta esperar pela diferença e número de delegados eleitos.
Parece, contudo, que nesta recta final das primárias, os eleitores americanos democratas optaram pela segurança do conhecido, à demagogia mal fundamentada e estruturada de Obama (a excepção é Vermont, mas este não tem peso).

Assim, dependendo dos resultados finais e número de delegados (Hillary tem NY, California e Texas e conta, de acordo com a última sondagem - entre 11 e 15 Fev - com 190.5 votos de superdelegados contra 148.5 votos para Obama) tudo aponta para uma corrida McCain (já garantido) vs Hillary.

De uma forma ou de outra temos certezas: a política externa não sofrerá alterações; a política interna tão pouco, talvez com uma ligeiríssima diferença: assim que os tempos o permitam, se McCain ganhar, a política económica poderá ver aumentado o seu cariz liberal; com Hillary a política económica será sempre alvo de maior intervenção governamental (diferença que nos próximos tempos não se fará notar, por razões económicas actuais óbvias).

Embora afirmando que a política externa não sofrerá qualquer alteração ou, mesmo, interrupção, McCain transmite maior confiança na capacidade de assumir decisões difíceis. Mas Hillary goza da experiência da Casa Branca (dois mandatos de Bill) e não deixará de ser interessante ver uma senhora à frente dos destinos norte-americanos.
Recordo que o melhor primeiro-ministro britânico dos últimos 40 anos foi uma senhora, que ficou conhecida por Dama de Ferro e que gritou bem alto: " não permitiremos que o socialismo entre na Grã-Bretanha pela porta de Bruxelas ". Foi, igualmente, a mentora do famoso cheque nas contrapartidas económicas ao sector agrícola inglês, em contraponto com as enormes ajudas que França recebe.

Por tudo isto afirmo: venha então Hillary e veremos o que a sensibilidade, força e experiência femininas arrostam de novidade nestes tempos conturbados.

3.3.08



Renoir

Chelas-Barreiro e o resto são estórias....

Reza a notícia:
"Terceira Travessia: Estudo de Viegas demonstra superioridade de Beato-Montijo em 14 dos 15 critérios analisados. A construção da terceira travessia do Tejo no eixo Beato-Montijo, exclusivamente ferroviária, está orçada em 1.150 milhões de euros.
Por seu turno, a construção da terceira travessia do Tejo no eixo Chelas-Barreiro está orçada em 1.700 milhões de euros, dos quais 600 milhões serão para a alta velocidade e 500 milhões para o tabuleiro rodoviário. A ponte terá duas vias para a alta velocidade, duas para a rede convencional e duas vias laterais com três faixas cada uma para o tráfego rodoviário".

Dos 15 critérios analisados, Chelas-Barreiro perde em 14; ganha no critério do tempo de ligação dos comboios suburbanos a Lisboa. Pudera, estamos a falar do Barreiro; neste critério nunca poderia perder.
Segundo Viegas, "O estudo demonstra que há grandes ganhos de valor de tempo e apresenta um melhor enquadramento na rede viária e no transporte de mercadorias". Acrescenta ainda que, "O desenvolvimento extenso da solução resolve de forma definitiva todas as dúvidas que havia sobre a viabilidade física da solução Beato-Montijo".
E pronto, está dito!
Este Viegas é um pândego; a coberto da defesa da solução Alcochete pretende, agora, enfiar a solução Beato-Montijo. O interesse, como sempre, é meramente nacional.
Mas pergunta-se: como é que uma solução que só prevê travessia ferroviária é superior a uma rodo-ferroviária, quando a ponte sobre o Tejo está lotada entre as 07.30 da manhã e as 20.30 da noite e a ponte Vasco da Gama vai ser sobrecarregada com o aeroporto em Alcochete?
Como é que, nestas circunstancias, se defende um melhor enquadramento na rede viária e, igualmente, "ganhos de valor de tempo" - aguardo pela publicação pública do estudo para perceber o que significam estes ganhos.

A única solução séria e possivel já foi indicada pelo Governo; Chelas-Barreiro.
O resto são manobras de diversão, com desígnios insondáveis.
As afirmações reproduzidas da notícia são semelhantes ao já famoso "jamais, jamais", mais sofisticadas, nada merendadas, mas exactamente iguais nas certezas: 14 em 15 critérios desfavorecem a solução e; "o desenvolvimento extenso da solução resolve de forma definitiva todas as dúvidas que havia sobre a viabilidade física da solução Beato-Montijo" equivale a dizer o mesmo, "jamais, jamais".
Um pândego este Viegas.

Depois acresce algo que nunca percebi convenientemente: como é que o Barreiro foi bandeira durante tantos anos e, com o advento do 25 de Abril, passou a localidade esquecida.
Ou percebo mas não quero acreditar.
Que há sempre alguém disposto a prejudicar o Barreiro é um facto, a começar pela gestão do camarário comunista, durante longos e nefastos anos, mas a bem da verdade se deverá dizer que o Barreiro também nunca gozou da disponibilidade política dos vários governos e primeiro-ministros.