23.12.08

A economia russa está em agonia.
Há afirmações que valem exactamente pelo valor das palavras utilizadas e outras que valem pelo peso dessas palavras e pelas entrelinhas.
A afirmação de Putin em relação ao preço do gás inclui-se, claramente, na segunda categoria.

19.12.08

Cenário para 2009...

Cenários para 2009:
(1) debacle do sistema económico e financeiro como o conhecemos;
(2) agitação social;
(3) desemprego massivo;
(4) perigo de guerra.

Sinais necessários....

É urgente que os bancos não esperem pelos períodos consagrados contratualmente, para revisão das taxas sobre o crédito à habitação em Portugal, fazendo reflectir imeditamente o abaixamento da euribor nas prestações mensais.
É necessário prever mecanismos de suspensão do serviço da dívida - a exemplo do que irá ser feito em Itália - por forma a aliviar o orçamento das famílias e permitir o consumo de bens. O dinheiro pode não entrar na forma de pagamento dos empréstimos habitação, mas entra na forma de depósitos das empresas. É pior se as famílias estiverem exauridas e não pagarem por um lado e, por outro, também não consumirem. Estes sim são sinais de confiança que se podem passar para o mercado.
O Citi bank tem um passivo não recuperável de cerca de 35 mil milhões de dólares.
O Citi vai para a falência.
A pergunta que fica: quem irá arrastar?
A resposta mais óbvia: todos!
Por mero conselho, que vale o que vale, sempre diria que provávelmente valerá a pena guardar algum à mão, para os dias de Inverno.

O plano de contenção, a breve trecho, de um colapso anunciado...

O anúncio, pela Administração americana, de injecção de capital na indústria automóvel é um mero paliativo.
Não só a verba é insuficiente, como as empresas não têm capacidade de sobrevivência; estão preparadas para produzir milhares de unidades e não há, hoje, capacidade de absorção dessa produção, por ausência de poder aquisitivo das empresas e das famílias.

A reconversão é obrigatória e, essa reconversão, irá obrigar à redução de 1,5 milhões de postos de trabalho, só nos EUA, durante 2009.

A economia americana irá viver dias difíceis, a partir de Junho de 2009. Toda a economia mundial irá viver dias penosos. A visibilidade é reduzida, a navegação à vista, a liquidez escassa e os recursos dos estados limitados.

5.12.08

Estes tempos loucos....

Estranhos tempos estes
Quando se requer que os políticos e respectiva postura sejam sérios, empenhados, claros no discurso e na acção, surgem situações e afirmações que, mais do que preocupar, mostram os sinais de desorientação crescente naquela classe, que é a classe que, hoje por hoje e fruto da turbulência económica sobreposta à hecatombe financeira, nos dirige os destinos.
Atente-se no caso BPN, nas afirmações proferidas, no discurso contraditório e no ridículo das alegações; quantos de nós se atreveriam a apostar que um dia, um político reconhecido, afirmasse levianamente que a fortuna acumulada o tinha sido em momento posterior à execução de funções políticas; que um reconhecido especulador viesse afirmar necessitar do apoio (a nível pessoal) do estado para as suas percas; que um banco se visse a braços com a primeira situação de insolvência, provocada pela crise financeira, e que essa insolvência fosse motivo de constrangimento no pensamento, na acção e contradição do poder político e do regulador do sector; que o próprio regulador estivessse a ser alvo de contestação pelas piores razões; que o Presidente da República, em nome de uma solidariedade que se aprova - caso contrário estaria a julgar públicamente e de forma prematura uma acção e actuação que se desconhece e que tem de se presumir correcta e cautelosa - se visse forçado a desmentir um Vice-Governador do banco Central.
Aposto que ninguém.
Tão pouco seria de esperar que no mesmo dia em que o Primeiro-Ministro afirma que a vida vai ser mais fácil, para todos os portugueses, no ano de 2009, o Ministro das Fianaças nesse mesmo dia afirme o contrário - o executivo está em sisntonia? Não parece.
Dias depois o mesmo PM afirma que 2009 vai ser o "Cabo das Tormentas". Uns meros dias depois......sei que as coisas se estão a alterar a uma velocidade impressionate, mas não tanto que não seja possível prever os acontecimentos com razoável distância.
Estamos mal governados e, pior, iremos continuar.

O tempo passa...

Pela primeira vez falhei um mês intewiro de escrita. Não quis acreditar quando hoje me apercebi.
Sinais (maus) do tempo, que passa voando sobre nós.

27.10.08

Small is beautiful...

Ao contrário do que foi anunciado há muitos anos, por vendilhões de teorias em todo o mundo - incluindo "doutos" economistas portugueses, que ao abrigo de funções políticas se vestiam (e ainda vestem) de roupagens discursivas pretensamente sofisticadas, falando para audiências de políticos, empresários e advogados, impreparados económicamente - defendiam o "big is beautiful" e anunciavam a morte do pequeno e médio negócio, ao contrário destes vendilhões percebe-se, agora, a preocupação por parte dos governos em tentar evitar o inevitável: declínio da pequena e média empresa, a queda da classe média.
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Vendilhões de pacotilha, todos sem excepção, que compram todos os best-seller que saiem dos pretensamente gurus económicos, adaptam o que lêem e repetem sem pensar.
A todos esses há que dizer agora (a alguns, tão cheios de si e empertigados que são, será mesmo necessário gritar): big is necessary but, SMALL IS BEAUTIFUL.

22.10.08



AlbrechtDürer

O que tem de ser feito para mudar...

Há um problema no discurso político grave: nos temas que verdadeiramente interessam actualmente, as soluções de uns terão de ser iguais às soluções de outros. Ou seja e por outras palavras: governo e oposições terão de estar de acordo em relação às matérias fundamentais, porque os problemas que se colocam dependem muito do exterior e, só em parte, da acção política interna.
No restante, nas questões de pormenor, há espaço para a divergência política.
O problema reside nas grandes questões e na agenda política de cada um. Aqui chegados aparecem as grandes diferenças: se o discurso tem de ser o mesmo, ganha politicamente quem conseguir soletrar as reformas primeiro ou mesmo, sendo bastante, quem as conhecer e souber aplicar.
É uma questão de gritar: cheguei primeiro!
Mas porque onde falta a vontade política de aceitar as igualdades, sobeja o medo político, assistimos ao caricato de discutir candidatos autárquicos a um ano de distância, a silêncios e enfados, a arrogâncias e, acima de tudo, a muitas asneiras políticas, a cedências e a promiscuidades inaceitáveis.
Exige-se classe política à classe política. Exige-se inteligência, respeito e rapidez. Exige-se que governo e oposição se compenetrem que nos representam a todos, que em conjunto representam o Estado e que o Estado somos todos nós.

O peso e cor das Palavras....

Primeiro não era nada; depois era um problema americano, para ser resolvido por americanos; de seguida era qualquer coisita mas nada de preocupante; posteriormente seria um princìpio de recessâo, como os inìcios de gripe, mas estaria tudo bem rápidamente, como as gripes; finalmente poderia ser uma recessão, lá para o distante 2009.
HOJE é uma recessão global, apelidada por alguns, muitos, analistas como severa: recessão severa.
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Será uma recessão severa uma depressão ligeira (hoje) ? E amanhã o que será?
Maniqueísmos.
Chamem-lhe e classifiquem-na como quiserem mas ponham as economias a funcionar, para que o túnel onde irá aparecer a luz comece a ser uma realidade.

20.10.08



AlistairLittle

Certezas...

Como vai ser a época das festas este ano para o comércio? Muito pouco favorável.
Como irá ser o próximo ano ao nível do turismo? Fraco, garantidamente fraco.
Como vão estar as exportações? Mal na certa.
Como vai estar a economia? Em perca.
Quando entramos em recessão? Já entrámos, independentemente da cosmética dos números, já lá estamos.

19.10.08



FranzUnterberger
Crise financeira: Governo holandês injectou 10 mil ME no ING, um dos maiores bancos do mundo.

Trichet acredita que situação bancária está em «vias de normalização».

Entendam-se......

Há coisas que têm de ser ditas quando se ocupam cargos com responsabilidade política...há outras que se dizem quando essa responsabilidade não existe. Para os segundos há liberdade de palavra e acção; aos primeiros exige-se moderação no comentário político mas acção concertada com a situação, ou seja, diz-se uma coisa mas finta-se o discurso com acção efectiva diferente.
Espero que Trichet esteja a agir em conformidade, mas sinceramente não acredito, pelo passado próximo e longínquo. A acção do governador é pautada pelos interesses alemães, que neste momento são sombrios, nebulosos e, na generalidade, andam à deriva... a procura de uma zona de influência geográfica com os custos de consolidação da Alemanha parecem, neste momento, contraditórios.

16.10.08



PaddyBurrow

Alterar impostos de forma indirecta, mas muito mais interessante....

Alterar os impostos sobre as empresas é errado e não traz benefícios reais à economia, mas tão sómente ao capital investido, na forma de aumento dos dividendos.
Correctamente, dever-se-ia considerar a formulação de uma política capaz de conduzir ao investimento, através da alteração de outros instrumentos, capazes de capitalizarem as empresas e, em simultâneo, reduzirem o imposto a pagar, sem que para tal fosse necessário baixar a taxa de IRC. Assim teremos:
(1) aumento das taxas de Amortização de activos, corpóreos e incorpóreos - esta medida permite aumentar os custos, diminuir a carga fiscal pelo aumento dos custos e, ao mesmo tempo, capitalizar as empresas, porque as amortizações são custos na conta de Ganhos e Percas, mas são fundos que subsistem em tesouraria;
(2) acabar com o pagamento por conta do imposto sobre os rendimentos;
(4) receber o IVA efectivamente cobrado e não o IVA "facturado". A máquina fiscal tem instrumentos capazes de, hoje, controlar quem pagou o quê e a quem.
Com estas alterações, criavam-se condições de aumentar as vantagens competitivas do país na captação de investimento, nacional e estrangeiro, ao mesmo tempo que se conduzia a política económica no sentido da criação de riqueza nas empresas.
Estas são medidas fáceis e possíveis.
Baixar taxas de imposto são medidas que não conduzem a nada de positivo, mas são fáceis políticamente.
O que se pede são medidas eficazes económicamente; se estas forem tomadas a política e o país saiem a ganhar.

Ainda não estamos lá...

É fácil perceber que não basta anunciar injecções de capital; primeiro, porque o capital a injectar é insuficiente; segundo, porque a economia real já começou a resvalar; terceiro, porque não há dinheiro que valha aos derivados de risco.
As subidas que vão animando as bolsas devem-se a movimentos especulativos - short-selling.
As descidas são fruto da situação económica real - falta de liquidez e confiança nos mercados.
A intervenção estatal é necessária, mas não basta intervir ao nível das instituições financeiras; é necessário nacionalizar parte das grandes fortunas (mesmo grandes fortunas) acumuladas em ouro, em diamamantes, em cobre, ou seja, parte de todo aquele dinheiro que serve de reserva pessoal e não está aplicado em actividades produtivas. Só com a coragem de repor parte dos ganhos com a sistematização da especulação, será possível remendar o sistema económico e disponibilizar liquidez para os meios de produção e para o consumo.
Mas é necessário atentar que ninguém, mas mesmo ninguém, precisa de comprar só por comprar; é necessário consolidar o que se está a produzir, deixando que a investigação avance mas a incorporação das inovações se faça de uma forma mais compacta, para que as mudanças sejam grandes e justifiquem a troca comercial do bem por dinheiro e não, como hoje acontece, se troquem objectos não por necessidade mas por novidade.

13.10.08

Paul Krugman

Finalmente Paul Krugman obtem a distinção e reconhecimento mundial há muito merecido.
Krugman é um economista que funciona fora do "stablishement" há muitos anos. Defendeu várias posições polémicas e demorou a ser aceite como autor e economista consagrado por ser difícil, por ter um discurso discordante....
É o pai da geografia económica, cujos princípios deveriam ter sido seguidos há muitos anos pelo nosso país.

8.10.08

Farto de teimosias....

Porquê a insistência na manutenção e mesmo aumento das taxas de juro, para depois, num dia, baixar a taxa 1/2 ponto percentual. Porquê a teimosia do Banco Central Europeu, se era previsível que um abaixamento da taxa de juro era, definitivamente, necessária e económicamente fundamental. Porquê tanta teimosia do sr. Trichet?
Baixar quando é inevitável, acarreta menor obtenção de ganhos do que baixar quando se percebe que esse é o caminho, porque nos adiantamos e fazendo-o, mostramos estar melhor preparados para perceber as envolventes, os reflexos e as consequências.
O mundo financeiro está cheio de gente que só tem "ar", que se dá ares, mas que de economia e finanças pouco ou nada percebe.
E serve de alguma coisa, o abaixamento? Não, porque o problema, agora, é de falta de liquidez e o dinheiro, consequentemente, vê aumentado o seu custo, mesmo que a taxa do BCE baixe.