31.3.08

A Pedrada no Charco...

O desrespeito pelas instituições e seus representantes é uma realidade conhecida por todos nós, há muito tempo.
A total falta de educação, civismo e cidadania é igualmente apanágio de toda a estrutura social pós-25 de Abril.
O aumento da criminalidade violenta (denunciada neste sítio nos idos de 2006) e não violenta, fruto directo da ausência de valores, enfraquecimento do poder policial, judiciário e filha do pantanoso sistema político, dito democrático, em que vivemos, é filha directa e dileta da estúpida política de urbanização dos municípios (dos grandes municípios), que cometeram erros conhecidos de outros lugares e com muitos anos - a construção de guetos.
Igualmente contribuitiva, a política errática migratória que começou por permitir a entrada no nosso País de cidadãos com alguma formação, mas que de há muito tempo a esta parte fez ouvidos e pensamento moucos a uma outra realidade: sendo a imigração inicialmente proveniente de espaços que entretanto foram incluídos no espaço comunitário, passaram estes nossos parceiros a oferecer aos seus cidadãos opções de vida muito melhores do que aquelas que nós lhes poderemos oferecer agora (se nem para os nossos temos oferta), ficando sujeitos, a partir do momento da criação da expectativa UE, à entrada no País da escória que não tem cabimento na reconstrução dos mencionados parceiros comunitários.

Tudo isto é verdade e contribui, com sinal negativo, para um acumular de tensões e crispações que geram manifestações de natureaza variada.
Entre estas conta-se a "violência" escolar, o desrespeito pela instituição escola e pelos seus representantes, os professores. Não está generalizado mas está suficientemente difundido para se tornar preocupante. Claro está que não é assunto de polícia, a menos que se verifiquem agressões e maus tratos físicos, que nem os verbais aqui terão cabimento. O ensino tem mecanismos para lidar com estas situações, desde que não sejam extremas, que passam da repreensão oral até à expulsão pura e dura do faltoso.

Porém, como em tudo na vida, é necessário saber fazer uso do poder e legitimidade de que se está imbuído.
Analisado o caso que se passou no Carolina Michaelis, que até PG da República e PR já meteu, verifica-se que se está perante uma situação que alberga comportamentos reprováveis, sendo porém estes comportamentos reprováveis, quer por parte da aluna envolvida, quer da própria professora.
Analisando: (1) a aluna fere um princípio de respeito óbvio ao utilizar o seu telemóvel na sala de aula; (2) reage mal, muito mal, à apreensão do telemóvel pela professora, excedendo em muito o limite do possível no que ao comportamento e educação diz respeito, merecendo castigo pesado pela sua atitude; (3) a professora tem mecanismos para castigar a prevaricadora: dar ordem de saída imediata da sala de aula, por mau comportamento, à aluna, esperando que esta acate a sua decisão. Não acatando, a professora pede a ajuda de um auxiliar escolar para se fazer obedecer ou, em extremo, sai da própria sala de aula, fazendo recair o peso desta absurda necessidade sobre toda a turma, por passividade ou mesmo conluio com a aluna duplamente prevaricadora. E por aqui se ficava a história, sem contornos nacionais e sensacionalistas, sem you tube, sem nada...

Mas não, a professora deixou de ser professora, perdeu a noção do poder e legitimidade de que se encontra investida e reagíu como uma mãe: tirou o telemóvel à "filha" e insistíu, quando percebeu que a "filha" se rebelava, e voltou a insistir e a insistir, sem poder contudo, porque não é mãe, impor essa condição ou indo mais longe, dar os dois tabefes que se apropriavam à circunstancia.
Porque um telemóvel é hoje, para a maioria dos jovens, muito mais que um mero telefone - o telemóvel funciona como diário, um registo, quer de chamadas quer de sms, sendo portanto um instrumento muito pessoal - desperta, claramente, um sentido profundo de propriedade.
O que a professora fez naquele momento foi apropriar-se, indevidamente, de propriedade alheia, exorbitando o seu poder na sala de aula. Em suma, não soube exercer o poder que a institução lhe delega quando se encontra no interior de uma escola ou num raio de 200 metros dessa escola.

As culpas estão repartidas, mas este não é, nem pode ser, caso de polícia. É um caso para ser tratado na escola, para ser maduramente pensado, do qual se podem tirar ilações sobre a natureza do poder e a capacidade de o exercer, sobre os comportamentos, a sua evolução e as medidas quer preventivas quer prossecutórias.

A professora descansa em casa, provávelmente até ao fim do ano, por se encontrar abalada psicológicamente. Acreditamos que esteja fragilizada, mas pensamos que deveria estar em casa em recuperação e, simultâneamente, a aguardar o resultado do inquérito que deveria ter sido movido de imediato, quer à aluna e respectivos colegas, quer à professora, para análise exaustiva das condutas verificadas naquele dia, naquela sala de aula daquele estabelecimento de ensino.

§
Para que se perceba o alcance do valor do telemóvel (de todas as novas tecnologias no geral ) reproduzo parte de uma peça da autoria da empresa de soluções de segurança para sistemas de comunicação unificados:
esta empresa "... sublinha o facto de muitas companhias não reconhecerem a utilização dos serviços de mensagens instantâneas como ferramentas de trabalho e lembra que isso não evita a sua utilização. Recomenda o reconhecimento destas ferramentas de comunicação e a sua integração nas políticas de segurança das empresas, a par com o controlo da informação que é veiculada por esta via".

Ou seja, adaptando à nossa situação: quando tomamos posse de um telemóvel que não é nosso, podemos tomar conhecimento da informação ali guardada - quer recebida quer transmitida.
§
Não sabemos que tipo de informação poderia conter o telemóvel apreendido pela professora à aluna, no Carolina Michaelis, nem ninguém saberá, mas todos convimos que será do foro estritamente pessoal e privado da aluna e que a privacidade se poderia perder, acaso a professora ficasse com o aparelho apreendido. Justificaria a informação, os sms, a atitude semi-tresloucada da aluna? Não o cremos, mas se quisermos ser totalmente imparciais teremos de afirmar: não o sabemos.

O que sabemos é que não se justifica um adulto, com responsabilidades, fazer finca-pé pela posse de um telemóvel numa sala de aula.
Até poderia insensatamente tentar, mas vendo a reacção intempestiva, devolvia-o de imediato e dava uma ordem firme e segura de expulsão da sala de aula à aluna prevaricadora.
Esta seria a aitude normal de um adulto maduro, professor, com responsabilidades perante 30 alunos, numa sala de aula.

12.3.08

E para quando seriedade?

É já evidente que as instituições financeiras nacionais perderam imensa liquidez com a crise do sub-prime. Alguém se importa de dizer quanto é que se perdeu e como pensam ultrapassar o problema? E as provisões?, vão afectar os resultados de 2009? É que já deviam ter afectado os resultados de 2008. O que dirá, na altura em que a castanha estalar, o BdP e o seu douto Governador? E as consultoras e auditoras? E os revisores de contas? E os administradoes dos bancos? E o governo?

Não basta dizer que não vai haver dinheiro para crédito este ano. Há que dizer que não vai haver por falta de liquidez no sistema financeiro.
Não basta dizer que o dinheiro que gira no sistema interbancário está mais caro. É preciso dizer que a credibilidade das instituições financeiras está afectada, havendo quebra de confiança dos agentes económicos externos.


Keith Dunkley

Os problemas europeus...

Como aqui foi dito e redito, a preocupação após sub-prime não é a economia americana mas sim a europeia.

Com o petróleo a aumentar, mas indexado ao dólar e com o dólar a desvalorizar face ao euro, não pode ser a esta luz que o problema da inflação na Europa se deverá colocar (mas será o problema da inflação um verdadeiro problema? Não é!).

Bom, não sendo à luz do custo do petróleo, basta atentar nas razões que levam a um aumento dos preços, para perceber quais os problemas económicos do espaço único europeu. Problemas só europeus, que carecem de solução no espaço europeu.

10.3.08



Herbert Richter

Como é que não importa se há ou não RAZÃO ?

Sobre as razões e contornos da mega-manifestação de Sábado dia 8, interligadas com outros sinais de descontentamento, ler aqui.

Sobre a resposta política do actual governo, é desolador verificar que o primeiro-ministro se esconde atrás da ministra e que esta, a despeito de ter toda uma classe profissional contestatária, assume o discurso da redução da razão ou sua ausência a um mero exercício de retórica, colocando o ênfase nas reformas.
Será então possível levar a governação de um país dito democrático a sério, quando os seus governantes assumem uma postura de rotura com a população, persistindo em caminhos que desagradam e que, feitas as contas, não introduzem a tão necessária reforma de que o país necessita?
O problema coloca-se ao nível da educação, da saúde, da inserção social, do emprego, da capitalização, do crescimento económico, da diminuição das desigualdades, da repartição do rendimento......
O problema é tão vasto que tem tudo a ver com a concepção política e económica de Portugal, não sendo uma questão que se restrinja à educação, mas a toda a sociedade.
Estiveram em manifestação 100.000, poderiam ter estado 5 milhões.
Esta é a verdadeira questão: todos, sem excepção, têm razões de queixa de sobejo, para se manifestarem em todas as cidades, vilas e aldeias de Portugal. Todos, com razões locais e nacionais, têm o direito à indignação. O serem 100.000 (muitos, mesmo muitos atendendo tratar-se de uma única classe profissional) exigiria uma resposta séria por parte do governo. Porque de contrário temos garantido que tivessem sido 5 milhões e a resposta seria a mesma: não importa de que lado está a razão, importa sim continuar o caminho traçado pelo governo.

Já ouvi este discurso, com uma enorme diferença: reconhecia muito maior competência a quem o fazia e não andava enrolado na falácia das palavras - não vivíamos em democracia.

5.3.08


PANINI, Giovanni Paolo
1691 - 1765

Que venha Hillary Rhodam Clinton...

Hillary Clinton ganha no Ohio e no Texas, dois circulos eleitorais chave para a corrida à presidência. Resta esperar pela diferença e número de delegados eleitos.
Parece, contudo, que nesta recta final das primárias, os eleitores americanos democratas optaram pela segurança do conhecido, à demagogia mal fundamentada e estruturada de Obama (a excepção é Vermont, mas este não tem peso).

Assim, dependendo dos resultados finais e número de delegados (Hillary tem NY, California e Texas e conta, de acordo com a última sondagem - entre 11 e 15 Fev - com 190.5 votos de superdelegados contra 148.5 votos para Obama) tudo aponta para uma corrida McCain (já garantido) vs Hillary.

De uma forma ou de outra temos certezas: a política externa não sofrerá alterações; a política interna tão pouco, talvez com uma ligeiríssima diferença: assim que os tempos o permitam, se McCain ganhar, a política económica poderá ver aumentado o seu cariz liberal; com Hillary a política económica será sempre alvo de maior intervenção governamental (diferença que nos próximos tempos não se fará notar, por razões económicas actuais óbvias).

Embora afirmando que a política externa não sofrerá qualquer alteração ou, mesmo, interrupção, McCain transmite maior confiança na capacidade de assumir decisões difíceis. Mas Hillary goza da experiência da Casa Branca (dois mandatos de Bill) e não deixará de ser interessante ver uma senhora à frente dos destinos norte-americanos.
Recordo que o melhor primeiro-ministro britânico dos últimos 40 anos foi uma senhora, que ficou conhecida por Dama de Ferro e que gritou bem alto: " não permitiremos que o socialismo entre na Grã-Bretanha pela porta de Bruxelas ". Foi, igualmente, a mentora do famoso cheque nas contrapartidas económicas ao sector agrícola inglês, em contraponto com as enormes ajudas que França recebe.

Por tudo isto afirmo: venha então Hillary e veremos o que a sensibilidade, força e experiência femininas arrostam de novidade nestes tempos conturbados.

3.3.08



Renoir

Chelas-Barreiro e o resto são estórias....

Reza a notícia:
"Terceira Travessia: Estudo de Viegas demonstra superioridade de Beato-Montijo em 14 dos 15 critérios analisados. A construção da terceira travessia do Tejo no eixo Beato-Montijo, exclusivamente ferroviária, está orçada em 1.150 milhões de euros.
Por seu turno, a construção da terceira travessia do Tejo no eixo Chelas-Barreiro está orçada em 1.700 milhões de euros, dos quais 600 milhões serão para a alta velocidade e 500 milhões para o tabuleiro rodoviário. A ponte terá duas vias para a alta velocidade, duas para a rede convencional e duas vias laterais com três faixas cada uma para o tráfego rodoviário".

Dos 15 critérios analisados, Chelas-Barreiro perde em 14; ganha no critério do tempo de ligação dos comboios suburbanos a Lisboa. Pudera, estamos a falar do Barreiro; neste critério nunca poderia perder.
Segundo Viegas, "O estudo demonstra que há grandes ganhos de valor de tempo e apresenta um melhor enquadramento na rede viária e no transporte de mercadorias". Acrescenta ainda que, "O desenvolvimento extenso da solução resolve de forma definitiva todas as dúvidas que havia sobre a viabilidade física da solução Beato-Montijo".
E pronto, está dito!
Este Viegas é um pândego; a coberto da defesa da solução Alcochete pretende, agora, enfiar a solução Beato-Montijo. O interesse, como sempre, é meramente nacional.
Mas pergunta-se: como é que uma solução que só prevê travessia ferroviária é superior a uma rodo-ferroviária, quando a ponte sobre o Tejo está lotada entre as 07.30 da manhã e as 20.30 da noite e a ponte Vasco da Gama vai ser sobrecarregada com o aeroporto em Alcochete?
Como é que, nestas circunstancias, se defende um melhor enquadramento na rede viária e, igualmente, "ganhos de valor de tempo" - aguardo pela publicação pública do estudo para perceber o que significam estes ganhos.

A única solução séria e possivel já foi indicada pelo Governo; Chelas-Barreiro.
O resto são manobras de diversão, com desígnios insondáveis.
As afirmações reproduzidas da notícia são semelhantes ao já famoso "jamais, jamais", mais sofisticadas, nada merendadas, mas exactamente iguais nas certezas: 14 em 15 critérios desfavorecem a solução e; "o desenvolvimento extenso da solução resolve de forma definitiva todas as dúvidas que havia sobre a viabilidade física da solução Beato-Montijo" equivale a dizer o mesmo, "jamais, jamais".
Um pândego este Viegas.

Depois acresce algo que nunca percebi convenientemente: como é que o Barreiro foi bandeira durante tantos anos e, com o advento do 25 de Abril, passou a localidade esquecida.
Ou percebo mas não quero acreditar.
Que há sempre alguém disposto a prejudicar o Barreiro é um facto, a começar pela gestão do camarário comunista, durante longos e nefastos anos, mas a bem da verdade se deverá dizer que o Barreiro também nunca gozou da disponibilidade política dos vários governos e primeiro-ministros.

2.3.08


O perigoso caminho do PSD...

A ler atentamente:
§
Porque na altura da eleição de Luis Filipe Menezes defendi a mudança, por necessária face à dificuldade de afirmação política de Marques Mendes, também agora, como sempre procuro, dou a mão à palmatória verificando que a tal mudança, necessária, não o foi no sentido esperado, o da melhoria interventiva de um partido crucial ao regular funcionamento da democracia , facto comprovado e afirmado perante a divagação e deriva política muito perigosas que Luis Filipe Menezes encetou, por manifesta incapacidade de se impor através de ideias e projectos nacionais, seguindo raciocínios facilitistas, de linhas de orientação política baseadas na boleia dos temas quentes e fracturantes do momento e, assim, conduzindo o PSD para caminhos seguramente pantanosos.
Porque tudo isto é verdade, porque ainda há quem pense e se mostre capaz de raciocinar dentro do partido; porque o PSD sendo um partido onde as bases sempre contaram, é, igualmente, um partido onde os "quadros" fazem a diferença, por tudo isto se reproduzem aqui, na hiperligação aconselhada, as afirmações de J. Pacheco Pereira, que subscrevo por inteiro.


On Broadway

John Noott

Soneto do Prazer Maior

Amar dentro do peito uma donzela;
Jurar-lhe pelos céus a fé mais pura;
Falar-lhe, conseguindo alta ventura,
Depois da meia-noite na janela:

Fazê-la vir abaixo, e com cautela
Sentir abrir a porta, que murmura;
Entrar pé ante pé, e com ternura
Apertá-la nos braços casta e bela:

Beijar-lhe os vergonhosos, lindos olhos,
E a boca, com prazer o mais jucundo,
Apalpar-lhe de leve os dois pimpolhos:

Vê-la rendida enfim a Amor fecundo;
Ditoso levantar-lhe os brancos folhos;
É este o maior gosto que há no mundo.

(M.M. Barbosa du Bocage)

Meu Ser Evaporei na Luta Insana

Meu ser evaporei na luta insana
Do tropel de paixões que me arrastava:
Ah! cego eu cria, ah! mísero eu sonhava
Em mim quasi imortal a essência humana!

De que inúmeros sóis a mente ufana
Existência falaz me não dourava!
Mas eis sucumbe Natureza escrava
Ao mal, que a vida em sua origem dana.

Prazeres, sócios meus, e meus tiranos!
Esta alma, que sedenta em si não coube,
No abismo vos sumiu dos desenganos

Deus, ó Deus!... quando a morte a luz me roube,
Ganhe um momento o que perderam anos,
Saiba morrer o que viver não soube.


(M.M. Barbosa du Bocage)

27.2.08

Alexander galt

A mensagem simples....

Para Belmiro de Azevedo a mensagem é simples e clara:
1) aliviem a pressão fiscal, para que algum do dinheiro que os grupos económicos nacionais têm no estrangeiro possa regressar e, em simultâneo, que a população possa gastar e poupar um pouco mais, ainda por cima quando se sabe que os gastos do estado são, na totalidade, despesas correntes;
2) que a caminhar neste sentido, a economia portuguesa acabará com a classe média, sofrida pela carga fiscal, carestia de vida e juros bancários elevadíssimos;
3) que sem classe média a Sonae não tem negócio;
4) que sem negócio vêm para a rua, entenda-se desemprego, 40.000 portugueses que trabalham na Sonae.

A mensagem é clara. Já foi passada em privado e agora é, de forma ainda algo contida, "broadcasted" para o País.
Leia e aja quem saiba ler e agir.

Como é possível?

Como é possível que analistas económicos afirmem que nos EUA se vive à beira de uma recessão, enquanto na Europa as coisas parecem ir bem, no próprio dia em que o euro atinge um valor ligeiramente superior a 1,5 dólares.
Aqui, no escritório onde me encontro, no centro de Lisboa, ouço a máquina alemã a parar. Será que sou só eu que ouço?

22.1.08

Diferenças...

O comissário europeu para os Assuntos económicos e monetários, Joaquin Almunia, apelou hoje aos Estados Unidos para que reduzam os défices, o do orçamento e o das contas correntes, vendo neles a causa "principal" da crise financeira actual.
.
Há uma enorme diferença entre a Europa e os EUA. Estes só dependem deles próprios; os primeiros dependem de terceiros. Depois ainda há uma outra diferença: nos EUA percebe-se de economia; na UE não. Não esquecer que estamos em tempo de crise.

A política económica que os EUA estão a seguir neste momento é conhecida como os défices de Reagan (paradoxo económico).
Dizem as teorias económicas que a um aumento da despesa pública (i.e., esforço de guerra) e a um abaixamento de impostos, corresponde um aumento acelerado do défice do estado, provocando diminuição da poupança nacional.
Assim sendo, e por outras palavras, um acréscimo no défice provoca uma redução na poupança; uma redução na poupança implica aumento da taxa de juro; ao aumento na taxa de juro corresponde uma diminuição no investimento.

O que os EUA fazem é totalmente diferente: injectam dinheiro na economia e baixam a taxa de juro e, de seguida dizem o que Keynes já tinha dito: consumam, tenham confiança que o problema é conjuntural, limitado no tempo e quanto mais consumirem mais depressa se resolve a questão.

No final vão estar, os EUA, folgados e a UE, com a sua política monetarista e liberal, irá estar com gravíssimos problemas económico-sociais.

19.12.07


Carol Satriani

Desmistificações...ou o Natal de Dante...

Vejo o Banco Central Europeu (BCE) muito preocupado com a inflacção.
Vejo o nosso Presidente da República preocupado com o fenómeno desemprego - como é que se apelida o desemprego de fenómeno, nos nossos dias, é um mistério que fica por deslindar.
Vejo tudo isto e penso: em 2003 foi feita, pela União Europeia (UE), uma reavaliação da sua política monetária, sendo um dos objectivos clarificar a noção de estabilidade de preços. Estabeleceu-se, então, que a taxa de inflação se deverá manter num nível inferior, embora próximo, de 2%, claramente demonstrativo das preocupações do BCE em relação à estabilidade dos preços, ao mesmo tempo que se tenta resguardar contra uma possivel situação de deflação.
A deflação é um problema sério, uma vez que está sempre associada a grave crise económica (veja-se o caso do Japão).
Estaremos então a salvo com uma taxa de inflacção de 2%? A resposta é não! Mesmo 2% de inflação pode ser perigosamente baixo, sendo que provávelmente a melhor resposta seria fixar nos 3%, ou mesmo 4%.
Há, contudo, uma questão que permanece inalterada: existe uma inflação mínima para cada país que tem um efeito estabilizador para a economia, a inflação como instrumento de alteração dos preços relativos. Esta premissa implica outra: a medida não pode ser igual para todos os países.

...
No caso da UE, verifica-se ainda o mito da moeda forte, que é um conceito puramente ideológico. Se isso não se traduzir num maior bem-estar para os cidadãos não serve de nada ter uma moeda forte.
Recordo-me, também, da “Carta Magna para a Competitividade” onde se estabelece o objectivo de no prazo de 10 anos Portugal estar entre os 10 países mais desenvolvidos da Europa. Este objectivo era e é puramente demagógico e completamente irreal. Só política para português ver.
Vejamos:
(i) A taxa média de crescimento da economia portuguesa entre 1954 e 1997 foi de 4,6% (taxa secular de crescimento);
(ii) No período de adesão à UE – entre 1985 e 1997 – foi de 4,1%. A taxa de crescimento da Irlanda entre 1985 e 1997 foi de 6,8% e a da Alemanha, no mesmo período, foi de 3,1%.
Imaginando cenários hipotéticos para a economia portuguesa, quando é que o rendimento per capita português seria igual ao alemão?
1) Cenário tigre – se a economia portuguesa crescer à taxa da Irlanda o rendimento per capita português estaria ao nível do alemão em 2028.
2) Cenário de adesão – se a economia portuguesa crescer à taxa de 4,1% o rendimento per capita português estaria ao nível do alemão em 2077.
3) Cenário secular – se a economia portuguesa crescer à taxa de 4,6% o rendimento per capita português estaria ao nível do alemão em 2051.
4) Cenário de esgotamento – se a economia portuguesa crescer entre 4,1% e 3,1% o rendimento per capita português estaria ao nível do alemão muito para lá de 2077.

Se só crescemos 1% acima da Alemanha no período de adesão à UE em que beneficiámos dos fundos europeus, o que acontecerá no futuro quando já não tivermos direito aos fundos estruturais?
Estamos a crescer 1% acima da taxa de crescimento alemã? Não estamos.
E os cenários? Dantescos.

23.11.07

Scolari merece o meu apreço...

Nunca neste espaço se fala de futebol - com a excepção de um apontamento sobre fair-play, há quase dois anos, a que a FIFA veio há pouco tempo dar inteira razão - não porque não se goste, mas sim porque já se vê, se fala e escreve muito sobre o assunto (e dantes é que havia os três F´s).
Vem contudo a propósito pegar no tema, porque não se entende a reacção da imprensa, dando como de costume a ideia que é veículo transmissor da opinião pública, quando não é, "batendo" em Felipe Scolari, imediatamente após um difícil apuramento para o campeonato da Europa a realizar em 2008.
Ao invés de fazer do tempo festa, a imprensa faz a guerra, o foguetório com que vende os jornais, não cabendo nesta agenda feita de interesses o bom-senso.
Recordo um mundial em 1966, depois outro em 1982 (de má memória) e um europeu em 1986. Depois, só em 1996 repetimos uma ida à fase final de um europeu. Ou seja: antes de 1966 népia; entre 66 e 96 (trinta anos) quatro participações. Se pensarmos que estamos a falar de um tempo em que a maioria dos países, que hoje discutem apuramentos, ainda jogavam com bolas quadradas, podemos aquilitar da fraquíssima prestação ao nível de selecção que tivemos durante todo esse tempo.
Depois veio Carlos Queiróz e um planeamento sério, feito pela primeira vez em Portugal, no sector da formação a nível de selecções (só agora os clubes aparecem com "Academias").
Depois de 1996, falhámos 1998 ( com Queiróz o mundial) e estivemos no europeu de 2000 com Humberto Coelho.
De seguida estivemos no mundial de 2002, no europeu de 2004, no mundial de 2006 e, agora, vamos estar no europeu de 2008. Por outras palavras, nos últimos onze anos 5 presenças e preparamos agora a sexta.
Destas 6 presenças (passadas e futuras), três são com Scolari, seguidas e, acima de tudo, bem preparadas e organizadas - com Scolari ganhámos a capacidade de discutir calendários de jogos, de preparação atempada dos trabalhos da selecção, em suma organização e preparação conveniente. depois do trabalho de formação veio o trabalho de organização.
Se a Federação Portuguesa de Futebol tiver capacidade de memória futura, o ciclo fechou-se agora e poderá render muitos frutos no futuro próximo e longínquo.
Porque o futebol é um desporto, como tantos outros, de paixões, porque cada um de nós ainda é um treinador, é natural que existam divergências, aqui e acolá, com as tácticas, os jogadores, as substituições (faz parte do divertimento), mas não pode haver nunca falta de memória.
Agora habituei-me a ver Portugal nas fases finais, quando antes torcia pelo Brasil nos mundiais e por Inglaterra nos europeus. Estou melhor agora.
Scolari fez um bom trabalho. Pena é que não vá ficar mais. Até porque é saudável vê-lo a afrontar os ditos jornalistas (repórteres de baboseiras, que escrevem e dizem sempre o mesmo, aliás como a esmagadora maioria dos órgãos de comunicação nacionais).
Espero que quem lhe suceda tenha a capacidade de liderar e disciplinar o balneário, de enfrentar as críticas com a convicção de quem sabe o que faz e nada teme e, sobretudo, saiba vencer os medos e a pequenez que nos é peculiar e, ultimamente, nos vem crescendo no sangue.
A selecção não pode, nunca, ser o refúgio do orgulho do povo, mas pode ser um bom motivo de entretenimento e de exaltação, como sempre foram todos os jogos, mesmo os mais dramáticos como os do coliseu romano.


Charles Spencelayh

O equlíbrio orçamental do estado gordo...feito por incompetentes!

Querer, obsessivamente, mostrar resultados tanto em Bruxelas como no país, conduz inevitávelmente a dislates e acções precipitadas. Equilibrar o orçamento de um estado gordo passa pela banda gástrica e não por esconder o açucar dentro das bolachas de água e sal.
Pretender equilibrar o OE de 2007 através de engenharia financeira, que passa pela exclusão da EP dos custos orçamentais, dotando-a por obrigatoriedade das contas públicas, de autonomia financeira, implicou anunciar antecipadamente a intenção de entregar à Brisa a exploração das auto-estradas nacionais por 75 anos, sem acautelar primeiro - não havia tempo nem dinheiro.
Espertezas de equilíbrio, a que estamos habituados desde Manuela Ferreira Leite.
Os resultados estão à vista: a Abertis atacou e prepara-se para um take-over hostil. E o que tem mais piada é que o estado espanhol apoia todas estas iniciativas, através de linhas de crédito; a diferença entre ter e poder e não ter, nem saber fazer e, nem sequer, saber fingir e ganhar tempo.
Já o escrevi variadíssimas vezes: não há uma única empresa nacional que não seja opável.
Somos pobres e estamos todos descapitalizados, a começar pelo estado, que além de pobre é burro.
A estratégia é errada e irreparável, se não mudarmos de modo de acção.

22.11.07

Mas algum deles sabe o que é desejável? Pensaram nisso a sério?

«É desejável que o sistema de IRS tenha três taxas de tributação e abatimentos, deduções e benefícios fiscais reduzidos ao mínimo dos mínimos», disse João Amaral Tomaz no debate na especialidade em plenário do orçamento do Estado para 2008.

Esta proposta equivale a dizer, de imediato, o seguinte: o sistema assim é bom, porque permite arrecadar mais e, assim sendo, gastar no mínimo o mesmo. Por outras palavras ainda; eles cada vez têm menos para contribuir, portanto vamos lá aproximar a ainda classe média, única que tem os rendimentos afectados directamente pela conjuntura económica e não tem capacidade multiplicativa desses rendimentos, da classe de portugueses muito desfavorecidos, que já não têm como contribuir com mais.

Mas a questão é outra:
O sistema de IRS pode até ser um sistema com três, quatro, cinco, seis ou sete taxas de tributação, como existe actualmente, mas nunca será ideal enquanto fôr cego ao desempenho da economia.
O sistema ideal de IRS terá de assentar na capacidade de medir os resultados económicos trimestralmente e, aplicar subidas ou descidas de taxas, consoante os indicadores económicos apontem para crescimento ou retracção económica. Porque o estado não tem direito a consumir sempre o mesmo (por alminha de quem), sendo forçados os cidadãos a consumir menos em períodos de retracção e um pouco mais em períodos de expansão. O estado terá de sentir esses mesmos efeitos e consumir de acordo com as possibilidades do momento. Ademais, acresce a este propósito a necessidade do estado orçamentar com muito maior cuidado as suas despesas e dispor de instrumentos de ajuste orçamentais céleres.
Enquanto o sistema não contemplar o desempenho económico, o estado será o consumidor privilegiado e despreocupado e o cidadão o consumidor penalizado e preocupado.
Mas este raciocínio simples "is too much complex" e pouco apelativo para uma classe política que não pensa, executa mal mas se trata muito bem.

21.11.07

O que se diz e se quer dizer....

A nomeação do PGR já é política.
O que Pinto Monteiro pretende é ir mais longe do que a leitura política das suas palavras e alertar, neste momento, para um fenómeno novo na sociedade portuguesa: a perseguição política. Esta perseguição assume-se quer através do MP, quer do Fisco, quer no interior dos partidos políticos. O receio de falar, actuar, dizer ou escrever existe e acentua-se. Ainda é recente, mas já ultrapasou o estado larvar.

9.11.07



Gosto da pintura de Gauguin, mas que beleza, para além da cor, do traço forte e característico, pode existir neste quadro?
O título é sugestivo:
"Te Poipoi (De manhã)".
Por mim, não tenho qualquer dúvida. Se o quadro fosse mais escuro, poderia ser "Ao anoitecer".

Reflexão....

Se é aceitável, sem suscitar qualquer tipo de discussão para os padrões de comportamento políticamente correcto adoptado hoje em dia, que uma ditadura possa ser derrubada para que surja em sua substituição uma democracia, porque razão não é aceitável em democracia derrubar os actores políticos, mantendo-se a democracia e substituindo-se as caras?
É que de outra forma, de que serve a democracia, se não existe a figura do discurso e pensamento subversivo?

Só asneiras...

NÃO FAÇAM ASNEIRA!!!!
Acabar com o sigilo bancário, mesmo que em parte, mas de forma oficial é o mesmo que dizer: tirem a vossa liquidez do País.
É um disparate completo. Portugal necessita de liquidez como pão para a boca. O sigilo bancário faz parte do egrégio funcionamento da banca, em qualquer parte do Mundo.
Ademais, todos sabemos que oficiosamente o sigilo já não é o mesmo. Para quê, então, oficializar o que já se faz pela porta do cavalo?

8.11.07

Fraquezas no PSD...Forças no CDS

No fim de mais uma discussão politico-orçamental, para lá, muito para lá, da concordância ou não com os números, os métodos, os objectivos e a política inscritos no OE 2008, ficou algo de muito preocupante; o fraco desempenho e a ausência de leitura política do PPD/PSD. Assim e a saber:
i) O CDS/PP apresentou-se muito bem preparado para a discussão política mais que orçamental esperada, sabido antecipadamente que o OE estava, per se, aprovado pela maioria absoluta PS tirando largo proveito do anunciado frente-a-frente S. Lopes/J.Sócrates, para ter, às cavalitas destes, um número inusitadamente alargado de ouvintes;
ii) Tem o CDS/PP o mérito, ainda, de ter preparado um discurso político maduro, numa mistura de verdade e realidade (com alguns salpicos demagogos), fundamentais na discussão de ideias, provando conhecimento do "terreno" e tocando nas dificuldades nacionais. Acresce que os quadros humanos do partido são, reconhecidamente, escassos, projectando-se assim uma certeza indesmentível: esta discussão do OE 2008 deu muito trabalho a muito poucos;
(iii) Do outro lado, a estranheza de verificar quão mal preparado se apresentou o PPD/PSD. Vazio no discurso político, sem ideias, com dificuldade em se afirmar na discussão, o partido mostrou estar em grande convulsão;
(iv) A falta de ideias do PPD/PSD não pode advir da ausência de capital humano, que até é reconhecidamente mais rico do que aquele de que dispõe o PS. Se naõ é por falta de capital intelectual só pode ser por um somatório de razões, entre as quais se destacarão as divisões internas, o cansaço de uns, o fastio de outros, a verificação das políticas erráticas e, ainda, pela convicção interna, gerada atabalhoadamente pela direcção do partido, nas expectativas colocadas no desempenho do Presidente da República, redundando num espírito de cria abandonada;
(v) Foi assim, com a imagem de cão abandonado à chuva, que o PPD/PSD se apresentou, de nada valendo o recurso a um tribuno reconhecido como Pedro Santana Lopes. Porque a hora não era de improviso nem de verbo eleitoral; a hora era feita de saber, de estudo, de preparação séria, de leitura atenta de todo o OE e, igualmente, de aproveitamento das fraquezas discursivas do Primeiro-Ministro, que há muito padece do mal de gostar mais de se ouvir do que escutar (esteve muito bem P. Portas). O PPD/PSD não fez o trabalho de casa e mais não se podia pedir a Santana Lopes. Mais, não fazendo o partido o tpc, Santana ficava forçosamente exposto, como ficou, dando ainda de si uma ideia de fragilidade política, que fácilmente se casa com o passado recente. Tem muito que pensar Pedro Santana Lopes: a calçada está poída e inclinada. É bom que veja onde e como pisa.
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A solução era pegar na vaidade e na repetição discursiva do PM e enveredar por discurso inovador. Foi o que fez o CDS/PP. Foi o que fez Paulo Portas.
Tivesse Portas metade dos ícones que orbitam no PPD/PSD e pergunto-me onde chegaria o CDS/PP.

6.11.07

Leilão para "hiper-prime", sem gosto...



A “Liz’’ de Warhol, na imagem, pertença de Hugh Grant, vai a leilão na Christie´s por um valor na minha opinião absurdo, porque a pintura de Warhol sempre me fez desconfiar da verdadeira acepção da palavra arte, quando aplicada ao seu trabalho, pela génese da criação passar por aquele que terá sido o primeiro "viveiro" de papel e telas. Mas os especialistas dizem que esta "Liz" é muito forte, muito mais colorida do que as outras doze que também pintou, justificando-se assim o seu valor e aquisição.
De qualquer forma fica a informação: Novembro, 13, vai à praça o trabalho de Andy Warhol, de Título "Liz", 1963, com um valor estimado de venda entre dólares $25 milhões a $30 milhões.

1.11.07



Blue House
A outra margem.
Barreiro

Falácias....políticas

Vital Moreira escreve no "Causa Nossa" que a haver referendo deveria perguntar-se se "Portugal deve sair da Europa", a questão essencial e não referendar o acessório: o "Tratado de Lisboa".
Por outras palavras, pretende Vital Moreira que, a não se perguntar o óbvio e pertinente, não faz sentido referendar o secundário. Nada mais falso!
Referendar a permanência de Portugal na UE implica mais do que a simples pergunta, implica a existência de solução alternativa: saber-se o que se quer, como se chega e quem serão os parceiros de viagem. Esta trilogia é impossível de avaliar presentemente, pelo que a pergunta não poderá ser colocada.
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Uma outra seria possível: deverá Portugal permanecer na zona euro ou não? Esta tem uma implicação directa: controle sobre a política monetária e utilização da ferramenta económica, ou não!
A esta possível pergunta, neste preciso momento e perante todo o circunstancialismo político que vivemos, respondo claramente e sem titubear que também não é possível qualquer referendo, porque seria totalmente irresponsável sair neste momento da zona euro e deixar a política monetária na mão da incompetência política.
Quem me conhece e lê sabe que sou, desde a primeira hora, contrário à adesão á zona euro, bem como sou a favor de uma Zona de Comércio Livre na Europa e não a uma União Europeia. Mas há momentos e há momentos e não podemos apagar o que foi feito.
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Voltamos então à primeira forma: faz sentido referendar o Tratado de Lisboa? Faz todo o sentido.
Ao referendar o Tratado, referenda-se o aprofundamento e aqui subjaz a questão: já lá estamos, será que nos queremos comprometer ainda mais?
Ademais quando sabemos que a este aprofundamento do comprometimento, acresce a perca de prerrogativas e a diminuição do peso político, tudo somado contribuindo para uma redução brutal da capacidade de intervenção ao nível económico e social, o mesmo é dizer, da capacidade de defender os nossos interesses (está implícita na afirmação a capacidade de regeneração política do País, trazendo um acréscimo decisivo de ideias e discussões de que o País urge).
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Torna-se assim claro que a pergunta a referendar é simples, nada tendo a ver com a complexidade do Tratado (aliás a pergunta é tão mais simples de formular, quanto mais complexo se constatar ser o texto a referendar, porque a complexidade advém exactamente do aprofundamento acima referido, pela dificuldade de politicamente se explicar).
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Igualmente não colhem as opiniões de quem defende que um referendo destes acaba, sempre, como um referendo muito mais sobre as questões nacionais que nos inquietam - o desemprego, as condições de vida e outras preocupações legítimas - do que aos tratados e ao projecto europeu.
Porquê? Porque uma situação não está separada da outra: quando um País perde todas as ferramentas de controle económico e segue políticas ditadas por aerópagos externos, a responsabilidade da conjuntura interna é, igualmente, responsabilidade do espaço político/económico a que pertence. Quando digo que Portugal não tem condições de providenciar melhores condições aos seus filhos, estou a dizer que a Europa não serve, nos moldes actuais, a Portugal. Uma acção não está separada da outra.
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Faz todo o sentido perguntar se nos queremos empenhar ainda mais no projecto europeu, ainda por cima com acréscimo de custos, perca de poderes e de soberania.
Não faz sentido perguntar se queremos ficar na UE, porque, por ora, não temos alternativa.
Falácias....

30.10.07

Para seguir a Discovery na viagem à estação espacial internacional

http://www.nasa.gov/multimedia/nasatv/index.html

Agora, infelizmente, menos céu e pés na Terra...

Lista dos 55 países e regiões estudadas pelo IMD e incluídos no livro: "IMD World Competitiveness Yearbook 2007":
Argentina
Australia
Austria
Belgium
Brazil
Bulgaria
Canada
Chile
China Mainland
China Hong Kong
Colombia
Croatia
Czech Republic
Denmark
Estonia
Finland
France
Germany
Greece
Hungary
Iceland
India
Indonesia
Ireland
Israel
Italy
Japan
Jordan
Korea
Lithuania
Luxembourg
Malaysia
Mexico
Netherlands
New Zealand
Norway
Philippines
Poland
Portugal
Romania
Russia
Singapore
Slovak Republic
Slovenia
South Africa
Spain
Sweden
Switzerland
Taiwan
Thailand
Turkey
Ukraine
United Kingdom
USA
Venezuela
§
Garanto que não me levantei mal-disposto ou zangado.
Lamento se acaso o leitor até estava bem-disposto, de bom-humor e, depois de levar com estes dados, se vai zangar com a vida ou pensar que o andam a gozar. Pois é; parece, segundo dizem (que eu não sou de intrigas) que mais de 90% das notícias em Portugal são pagas/encomendadas. Será possível? Não acredito!!!
Verdade mesmo é que o discurso político tem muito pouco de real ou mesmo de demagogo, em Portugal: é mentira pura mesmo. Mais grave, todos mentem.
E depois, sempre aparecem uns brincalhões, enxofrados por se desdizer o que o(s) partido(s) afirma(m), a querer dar lições sobre regiões, autonomias e outras confusões, enfim, a panóplia do costume, comprada nos telejornais e media em geral, que passam opiniões como se vendem artigos nas lojas dos trezentos: quantidade alguma, qualidade nenhuma. Para esses, aqui vão muito poucos dados sobre a nossa economia (porque os tenho todos mas são caros e só interessam para aqueles que não se satisfazem com as poses e discursos institucionais, dou conta dos que estão disponíveis on-line), sobre o nível de vida, sobre as infraestruturas, sobre os direitos e a educação dos cidadãos, entre outros indicadores utilizados para aferir o desempenho dos países e regiões.
Os indicadores são divididos em 4 categorias, a saber:

Economic Performance (79 criteria) Macro-economic evaluation of the domestic economy: Domestic Economy, International Trade, International Investment, Employment and
Prices.
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Government Efficiency (72 criteria) Extent to which government policies are conducive to competitiveness: Public Finance, Fiscal Policy, Institutional Framework, Business Legislation
and Societal Framework.
.
Business Efficiency (71 criteria) Extent to which the national environmnent encourages enterprises to perform in an innovative, profitable and responsible manner: Productivity and Efficiency, Labor Market, Finance, Management Practices and Attitudes and Values.
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Infrastructure (101 criteria) Extent to which basic, technological, scientific and human resources meet the needs of business: Basic Infrastructure, Technological Infrastructure, Scientifi c Infrastructure, Health and Environment and Education.
(clicar na imagem para aumentar)

Como se constata, no crescimento do PNB (produto nacional bruto) em 2006, somos fáceis de encontrar.

Repare-se como a Espanha aumenta, em termos relativos, 3 vezes o PNB, quando comparado com o nosso País. A fase seguinte é simples: consideramos em termos absolutos e ficamos siderados.

Em 2007 a Espanha irá ter um superávite de 1,5% e nós um déficite (gerado por despesas correntes!) de 3,5%. Como nestas circunstâncias soma, temos um diferencial de 5%. Lindo!!

(clicar na imagem para aumentar) ...........É curioso verificar a evolução de Portugal, tanto a nível geral como, particularmente, a nível dos indicadores de desempenho económico, ao fim e ao cabo aqueles que mais nos importam (período comparado: 2003-2007). O 48º lugar (em 55) no desempenho económico em 2007 é muito interessante!!!

28.10.07

Não à regionalização. Não ao PSD....

Questionado sobre se o PSD pretende «discutir ou fazer» a regionalização já em 2008, Ribau Esteves respondeu: «Discuti-la para a fazer, para a fazer bem».

A regionalização de Portugal é o maior disparate político possível de defender, no pós-colonização.
A dimensão do País, a noção de espaço político-geográfico comum e que remonta a quase 900 anos de História, bem como a mais elementar questão de solidariedade entre indivíduos nascidos sob uma mesma bandeira e num mesmo território, impede qualquer pensamento de regionalização, leia-se divisão, do espaço político-económico. A defesa da regionalização, baseada em pressupostos de aumento de rendimentos intra-espaciais através de mecanismos concorrenciais, é uma enorme falácia.
O que de facto se pretende é alijar responsabilidades de condução do País, tornando-o sistemática e coerentemente pobre.
Mais acresce, se levado em conta o desconforto unitário da vizinha Espanha.
Defender uma regionalização em Portugal, quando em simultâneo a Galiza formaliza a vontade de adesão ao espaço da Portugalidade, assemelha-se em tudo a um golpe-de-estado, a alta traição.
A regionalização é um acto de cobardia política.
O PSD não pode defender a regionalização em nenhuma circunstância.
Acaso o faça deixará de ser credível e nacional. Deixará de ser o caminho de voto de milhares de portugueses e, se assim fôr, que avance já a nova força política na forja.

19.10.07

Hillary cada vez mais presidente....

Retirado, com a devida vénia do, The New York Times, edição de hoje.
"Hillary Clinton leads the Democratic field with 51 percent of the vote.
She beats Barack Obama by 24 percentage points among black Democrats.
She is projected now to beat Giuliani – or at the very least to be in a statistical dead heat with him in the general election.
........
This wasn’t supposed to happen. According to the received wisdom of those in-the-know here in Washington, Hillary was supposed to be divisive, unelectable, “radioactive.”
........
(“I think the one thing we know about Hillary, the one thing we absolutely know, bottom line, [is] she can`t win, right?” is how MSNBC host Tucker Carlson once put it to New Republic editor-at-large Peter Beinart. “She is unelectable.”).
.........
The “we” world of Tucker Carlson knew what they knew about Hillary Clinton — right up until about this week, I think — because they spend an awful lot of time talking to, socializing with and interviewing one another.
What they don’t do all that much is venture outside of a certain set of zip codes to get a feel for the way most people are actually living. They don’t sign up for adjustable rate mortgages, visit emergency rooms to get their primary health care, leave their children in unlicensed day care or lose their jobs because they have to drive their mothers home from the hospital after hip replacement surgery.
Hillary Clinton’s supporters, it turns out, do.
§
E é esta a grande verdade. Não há discursos políticos (que têm forçosamente de ser demagogos) que aguentem a dura realidade diária.
Vamos ver, aqui e lá fora nessa Europa perdida, quanto tempo aguenta a Europa com a flexisegurança, ou quanto tempo aguenta esta, sem se perder a noção ridícula de Europa (acaso a "flexi" não seja só um instrumento vocal político, destinado a ser sorvido pelo papel).

18.10.07

Quem é ele?

Ao contrário daqueles que gostam de ver pelo canudo dos outros, eu gosto de ver Menezes e Santana no assalto à verdadeira oposição. Sócrates que se cuide porque o combate político começou e, como qualquer combate político, não tem de ser limpo.
Aliás, a esse propósito, ainda não ouvi ninguém a fazer referência ao curriculum académico de L.F. Menezes nem ao facto de estar em Paris, como ilustre investigador e médico pediatra. Nem qualquer realce às suas vitórias políticas.
Quem os ouvir há-de pensar: "...o homem é um arrivista sectário, pretencioso, mas de pouca ou nenhuma valia prática". Mas que homem???

SIM às "Chinatowns"

Espanto-me com as razões invocadas para a saída de Maria José Nogueira Pinto do projecto baixa-Chiado.
Espanto-me ainda mais com o silêncio de uns quantos que, por tudo e por nada, empunham espadas e desafiam dragões.
Então a criação de uma "Chinatown" em Lisboa é censurável? Só na cabeça do demagogo J. Sá Fernandes, que já trocou o BE por um apetecível lugar nas próximas listas do PS a Lisboa (ele até é independente) e de um António Costa, presidente, que talvez, e acentúo o talvez, tenha guardado o silêncio por um qualquer comprometimento político que não descortino. Porque, enfim, sempre é ele que manda e que garantirá a permanência de JSF na Câmara de Lisboa nas listas do PS.
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Acaso desconhecem estes senhores o número de chineses disponíveis a mudarem-se de armas e bagagens para todo o mundo? Acaso desconhecem a realidade de outras metrópoles (essas sim, grandes) que tiveram e cedo o perceberam, a necessidade de criar núcleos de comércio residencial para os cidadãos chineses? Acaso esuqeceram que estamos a falar de mais de 1/4 da população mundial?
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Já estiveram em Évora recentemente? Já deram conta como numa cidade linda como aquela, a existência de 4 ou 5 lojas chinesas desvirtua toda a beleza e enquadramento histórico?
Acaso ainda não perceberam que os chineses, aqueles que abrem "lojas chinesas" de ocidentais nada têm?
Já se deram conta que para os arrendatários tanto se lhes dá? Já terão percebido que, quando se trata de construção civil (pato bravo e não só) o proprietário é sempre arrivista quando se trata do interesse nacional?
Deste ponto estou convencido que sim, tal a a ferocidade com que o capital normalmente é atacado. Ataca-se o capital mas depois dá-se-lhe rédea solta?
Não entendo.
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Lanço um repto: a criação de uma petição a favor da criação de uma "Chinatown" em todas as cidades portuguesas, a começar por Lisboa, a passar pelo Porto e a acabar em Faro, que exija a desmaterialização das actuais instalações e a sua recolocação em espaço próprio, consignado para o efeito, dentro das cidades mas perfeitamente reconhecido e enquadrado.

A questão da Flexisegurança, tão má e irremediavelmente necessária...

A questão central que traz milhares a Lisboa, pela mão da CGTP é, supostamente a flexisegurança, ou seja, o aumento da precariedade no trabalho e a redução dos salários. Não se discute a sua necessidade nesta Europa errática (não por falta de um qualquer Tratado salvador) por culpa de governos e governantes que tentam conjugar os interesses particulares com os interesses colectivos - sejam aqueles pessoais ou nacionais e estes empresariais ou supranacionais.
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A verdadeira razão da intervenção deveria ser mais a da cobrança política, do que a da discussão da necessidade.
O que os cidadãos de toda a Europa em geral se têm de perguntar é, acaso as promessas políticas tivessem sido realistas e profundamente verdadeiras, seriam estes (leia-se todos os que até agora exerceram funções políticas e opinion makers) os políticos escolhidos e o modelo escolhido?
Creio firmemente que não!
Estamos a pagar o preço demagógico de ter transformado um modelo de gestão económica possível (zona de comércio livre) num modelo político ingovernável (federação de estados).

10.10.07

Até sempre....



Há uns anos, aquando de uma subida de divisão da Académica, apanhámos, literalmente, um banho de espumante no restaurante onde nos encontrávamos, banho no qual se incluíu também Jaime Cortesão e que foi preparado pelos jogadores do clube, sem qualquer aviso prévio. Naquela noite, no regresso a Lisboa, ria sózinho de um dia e noite cheios, passado entre amigos.
Conhecia-o há 14 anos e, do Fausto, ocorre-me dizer que era uma amizade que se entranha. Agora, fica o estranho sentimento feito certeza da saudade, demasiado óbvia e demasiado precoce, demasiado tudo para ser contido em palavras.
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Nos idos de Agosto, um outro amigo, amigo de ambos, se ausentou para onde alfa e ómega se juntam. Imagino-os juntos, agora, à conversa como tantas e repetidas vezes o fizeram.

6.9.07

Fred Thompson....


é candiato às presidenciais norte-americanas.

O actor de Hollywood e antigo senador afirmou ontem na NBC que está na corrida à Casa Branca.

Pavarotti morreu....

Faleceu Luciano Pavarotti.

Mais do que um extraordinário tenor, constituíu-se no standard inquestionável dos tenores actuais.

30.7.07

A derrapagem que se anuncia...

O combate à evasão fiscal é necessário e, em simultâneo, salutar, criando novos hábitos de cidadania.
O que se pede, contudo, vai mais além desse combate: redução da despesa pública não-produtiva, ou por outras palavras, redução do défice económicamente maligno. Se assim se proceder, garante-se um ajustamento das receitas (pelo aumento) às despesas (pela sua redução).
A recuperação de dívidas fiscais atrasadas serviria para descomplicar um pouco situações já vividas e não situações presentes. Doutra forma; procurar equilíbrios através da recuperação de valores devidos e vencidos não tranquiliza, porque deixa no ar a pergunta: quando tudo o que estiver atrasado fôr cobrado (o que é cobrável e nunca a totalidade da dívida existente), como se equilibram as contas públicas?
A resposta é simples: não se equilibram! Mas então com uma agravante: já não haverá receitas extraordinárias ou recuperações de impostos a efectuar e a derrapagem será fatal.

20.7.07



Nassau Street - Financial District, NYC

Política Monetária....

Que o BCE gere a taxa de juro da zona euro, através do recurso ao indicador inflacção, é um dado conhecido. É uma das possibilidades de gestão monetária/económica.
Que os Bancos nacionais, caso do BdP, perderam capacidade de intervenção, por variadas razões, é igualmente sabido. Não é, contudo, obrigatório que se mantenham mudos quanto à condução da política monetária do BCE. Atentos, mas interventores é o que se pede.
Por mim preferia que, o indicador base para a definição da taxa de juro a aplicar na zona euro, fosse a taxa de desemprego.

Que o pequeno e fraco faça dos predicados, depreciativos, forças....

Mário Soares considera que devia ter sido a chanceler alemã a conduzir as negociações até ao fim. O ex-chefe de Estado esclarece que o peso de Angela Merkel e da Alemanha ajudariam a concluir o processo.
Soares diz ainda que os alemães se limitaram a passar o dossier a um país "pequeno e relativamente fraco".
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Pequeno e relativamente fraco Dr Soares? E por culpa de quem?
Recorda-se quando éramos grandes e fortes? Imperiais?
Recorda-se da abastança que lhe permitíu o exílio dourado em Paris? Outros tempos em que o Sr. seu pai tinha e movia influências, no tal País grande e forte.
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E quem lhe diz que o Tratado é bom para Portugal? A menos que, como bom socialista, veja no Tratado uma excelente oportunidade de reduzir, ainda mais, a dimensão deste País, fomentando em definitivo a construção da Ibéria, tão querida aos socialistas de lá e cá.
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E porque razão, Dr Soares, deveria ter sido a Alemanha a concluir o processo? Por ser um País grande e muito forte? Mais ajuda, Dr Soares, à ideia feita certeza que o Tratado trata, só e de facto, de um directório de uns pouco fortes, exercendo domínio, perdão, colonialismo económico, sobre os demais fracos.
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Num ponto estamos de acordo, Dr Soares: se a pequena dimensão e a fraqueza de Portugal contribuírem para o flop do Tratado e, se este flop, contribuir para o fim da UE, como prevê, abençoado País pequeno e fraco e abençoadas gentes, que poderão almejar algo de melhor do que o que lhes foi propagandeado, durante anos por si, Dr Soares!

19.7.07


Fim aos barões e baronetes: o PSD e o CDS/PP acabaram como soluções credíveis...

Já o escrevi por variadíssimas vezes.
Reafirmo-o agora, perante a premência da situação: Portugal, toda a Nação necessita, urgentemente, de uma nova força política que congregue a direita e o centro-direita sociais, que defenda os valores humanos e o direito à igualdade e combata o liberalismo, sinónimo de capitalismo feroz.
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Portugal precisa de uma direita que repense o sistema fiscal, de uma Instituição financeira nacional - Banco de Portugal - objectiva e coerente.
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Portugal necessita de alterações fiscais ao nível do IRS, do IRC e do IVA.
Portugal precisa que o IRS seja revisto em alta ou baixa, trimestralmente, acompanhando os ciclos económicos.
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Portugal precisa de estabelecer uma taxa máxima de remuneração, através de dividendos, do capital investido (12% é o que proponho). Necessita de escalonar o IRC como o IRS (a desenvolver em posterior post).
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Portugal está obrigado a modificar o sistema de pagamento do IVA, cobrando o estado o IVA efectivamente já cobrado pelas empresas e não o prometido cobrar (peso enorme ao nível da liquidez das tesourarias e dos custos financeiros).
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Portugal urge por uma nova política, eminentemente social e de crescimento. Urge, igualmente, duma política de contenção de gastos.
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Portugal necessita urgentemente de um novo Partido que assuma a Direita e Centro-Direita.

17.7.07

Questão de número....

É claro que a questão é de volume. Noutras situações, os figurantes teriam passado despercebidos, mas no Domingo não estava lá ninguém!!!

Tiques e imitações de fraca qualidade...

Durante anos, após a abrilada e nos vinte anos seguintes, ouvimos todos que l´ancien regime utilizava o expediente excursionista para encher praças e comícios.
Durante anos foi o que ouvimos e, igualmente, o que constatámos na nouvelle democracie, que desde sempre utilizou os mesmos tiques para as demonstrações de força política (qualquer força sem excepção, tendo como principal e pioneiro exemplo o PCP).
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Não consta que alguma vez o Professor Oliveira Salazar tenha utilizado esse expediente para comemorar a nomeação de um qualquer presidente de Câmara. É claro que não me esqueço que a escolha dos presidentes de Câmara não seguia exactamente o modelo actual.
Mas será verosímil imaginar que, numa democracia ocidental, berrada fervorosamente aos quatro ventos, um partido político (PS) se encarregue de encher um terreiro com gentes de outras terras, para comemorar a eleição de um autarca que nada lhes diz? Como verificámos, muitos nem sabiam ao que vinham, nem se identificavam com a bandeira rosa.
É este o sinal de modernidade na governação democrática de Portugal ?
Claramente não!
Ouvem-se as trombetas do desatino, as arruadas da tacanhez, os arautos da irresponsabilidade e, acima destes, a enorme vontade de governar sobre tudo e todos, sem respeito pelos mais elementares direitos, pelo povo e pela inteligência nacional.
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É um filme bera, que já conhecemos, mas com muitíssima pior realização e condução de actores e figurantes. A ter que viver com o original ou o remake, inclino-me claramente para o primeiro. Contudo, quero crer que não será necessário chegar tão longe e que aparecerá algum líder político inspirado e inspirador, que dentro do respeito do Povo e da Nação, nos coloque no caminho, perdido, do amor-próprio.

16.7.07

Os resultados esperados....

António Costa ganhou sem maioria e sem surpresa.
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Carmona Rodrigues ficou em segundo, igualmente sem surpresa, como já tinha referido uns posts atrás.
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Também, sem qualquer surpresa, se assiste ao definhar da direita e centro-direita (recorrendo a velhas dicotomias), na política nacional, - porque o fenómeno não é só local.
Enquanto os partidos, situados nesta área do pensamento político, não interiorizarem a necessidade de abandonarem o modelo económico do laissez-faire, da economia liberal e não se consagrarem, em definitivo, a um modelo que privilegie as preocupações sociais, o peso político e a erosão no eleitorado serão crescentes.
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Não é só o CDS/PP que está em sérias dificuldades. O PPD/PSD está a começar a vive-las e, bem pode Marques Mendes falar em vitórias, que das três que mencionou só uma é, inteiramente, fruto da influência do partido: as autárquicas. Nas restantes, Presidência da República e Madeira, o mérito do partido é nulo, porque qualquer dos candidatos ganhava, com ou sem o apoio do PPD/PSD (nas presidenciais o PPD/PSD só podia ir a reboque de Cavaco Silva, por se encontrar totalmente refém desta figura).
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Marques Mendes é fraco líder e Paulo Portas regressou mal, por caminhos demasiado tortuosos e fora de tempo.

13.7.07


Até parece inocente...

A entrevista que veio a calhar....

Luis Filipe Vieira foi entrevistado, ontem, por Judite de Sousa, no programa Grande Entrevista.
A entrevista não prestou, como se esperava, porque o entrevistado tem pouco para dizer, não sendo o tema futebol motivo para grandes considerandos, quando considerado no âmbito de um programa com aquele cariz, sem desprimor para o desporto em geral e futebol em particular, ou sequer para com o presidente do SLB, que em matéria de futebol saberá, com certeza, muito.
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O que entristece e retira credibilidade à entrevista, à entrevistadora e à máquina político-propangandística do nosso País, é a forma vergonhosa como a entrevista é conduzida, deixando passar em claro, com sorriso de complacência, a afirmação de um presidente de uma SAD, que tem responsabilidades para com accionistas, a afirmação que na viagem à China o presidente da SAD tratou de assuntos que são públicos e outros que são secretos (perdão!? Numa sociedade aberta, o presidente tem assuntos da sociedade que são vedados ao conhecimento dos accionistas?), mas em simultâneo se afadiga em procurar saber qual o sentido de voto que o entrevistado vai seguir, nas eleições para Lisboa.
Afanosamente, LFV apressou-se em dizer que, na qualidade de presidente do SLB nada podia dizer, mas enquanto cidadão o faria. E fez, dizendo qual o sentido de voto.
Mas em que qualidade estava LFV naquela entrevista? Como cidadão? Poupem-me!!! Como presidente do SLB, óbviamente (sendo que esse facto já seria suficientemente mau).
E depois ainda querem que acreditemos que há alguma coisa séria em Portugal, seja ela qual fôr.
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E tudo isto porquê? Porque Eusébio tem aparecido ao lado de Fernando Negrão!
Era necessário um contragolpe na "nação" benfiquista.
Que foi feito, a coberto da televisão pública.
O Estado está podre!! E os seus agentes, directos e indirectos, também!!