5.9.08

A tristeza do desconhecimento...

É interessante mas, infelizmente, fortemente preocupante, verificar como os economistas em Portugal, aqueles que são escutados públicamente, estão tão longe da realidade económica mundial.
Quando aqui afirmei que a economia europeia iria sofrer mais e durante um período de tempo maior, as consequências de uma crise económica e financeira que só agora começou, todos se afadigavam a afirmar que a crise era mais dos EUA do que da União Europeia.
Agora que a OCDE vem afirmar o que aqui disse e tenho reiterado, assiste-se ao início de tomadas de posição tímidas, mas consensuais com aquela perspectiva.
Verifica-se, assim, que não existe verdadeiramente análise económica no nosso país e, que, as afirmações e os escritos são feitos com base em relatórios internacionais, ou seja, diz-se aquilo que todo o mundo quer que seja dito, em cada momento, conduzindo esta faceta muito negativa dos pressupostos sábios macroeconómicos, a uma impossibilidade endémica de Portugal estar preparado para os grandes desafios que se lhe vão colocar nos próximos anos.
Ninguém pensa a verdade e, não pensando, ninguém descobre caminhos.

27.8.08


MarkDemsteader

A espera...

Vamos esperar até 7 de setembro para ouvir a oposição, leia-se PSD?
Acaso o país não se move todos os dias?
A oposição deixou de ser feita pelos líderes políticos?
Tantas dúvidas, tantas certezas...

Redundâncias...

"O membro do Conselho de Governadores do Banco Central Europeu Axel Weber afirmou hoje que a autoridade monetária europeia "não tem margem" para efectuar uma descida dos juros, tendo mesmo dado a entender que estes podem vir a subir no futuro".
É óbvio: com a desvalorização monetária futura, a subida dos juros é uma consequência inevitável.

Factos incontornáveis...

A situação no Caúcaso é deliberada e foi estudada ao pormenor.
A situação na Polónia é deliberada e foi estudada ao pormenor.
A posição francesa é conhecida da História, de outras histórias.
A posição da ONU ainda não é conhecida, mas é fácilmente perceptível.
A posição dos EUA, seja qual for o presidente eleito em Novembro, será sempre a mesma.
A economia, essa, não pára e continua a descer a encosta.

A importância fundamental da organização detalhada....

Na 2ª feira dois jovens foram expulsos, por desacatos continuados, de uma composição ferroviária na estação de Boliqueime. De seguida abordam dois turistas alemães, não para aprenderem a língua de Goethe, mas para os saquearem; um dos homens oferece resistência e é baleado na cabeça. Os jovens estão a monte.
Pergunto: acaso vivessemos num país organizado, onde o respeito fosse um valor fundamental, a notícia seria outra?
Afirmo: evidentemente! E passo a citar: na 2ª feira dois jovens foram expulsos, por desacatos continuados, de uma composição ferroviária na estação de Boliqueime, tendo sido detidos de imediato pela GNR, que aguardava a chegada da composição.
Esta seria a notícia, num país sério, responsável e de direito e o turista alemão estaria a gozar o Sol do Algarve.

O Ministro que já se deveria ter demitido...

É um paradoxo que tem de ser vencido na sociedade política portuguesa: a nomeação para cargos públicos ser aceite com fins de projecção pessoal, mas ser ajuramentada para servir a coisa pública.
Quando um ministro não tem condições de cumprir com as suas funções e, em simultâneo, reconhece não dispor dos meios, deveria, pela primeira razão, pela segunda ou pelo somatório das duas, resignar ao cargo que ocupa, demitindo-se e prestando os esclarecimentos devidos, acautelando as razões da demissão. Acaso não o faça, não serve como ministro, porque não serve a coisa pública.
O Ministro da Administração Interna já se deveria ter demitido, porque não tem condições de cumprir com as suas funções e, também, porque não dispõe dos meios e das verbas que lhe permitam intitular-se Ministro, quer no sentido lato, quer no estrito.
Mas lá está; os cargos públicos são utilizados como trampolins pessoais, não cabendo na sua esfera o serviço público.

1.8.08

A importância da América....

A taxa de desemprego nos EUA subíu, em Julho, para 5,7%, em virtude de 51.000 americanos terem perdido os seus empregos. Mesmo assim, a expectativa era de um aumento maior do que o efectivamente verificado. Mas vai aumentar, muito mais.
Vai ser interessante perceber (os efeitos já se fazem sentir) na expressão de todos aqueles que têm sido anti-americanos primários e, mesmo, secundários, a importância que o americano médio, tão criticado, tem na economia mundial e, sobretudo, na economia europeia. Quando se acentuar o declínio da classe média americana e se deixarem de vender nos EUA, em definitivo e por um período largo de tempo, os electrodomésticos Bosch, os automóveis Mercedes e BMW, a Valentino, todos os tipos de bolachas e também salsichas, veremos então a importância da América no estilo e modo de vida dos europeus

31.7.08


GustavKlimt

O país que não se cansa de apanhar....sorrindo.

Portugal está mal. Vai ficar ainda pior. Vamos ficar todos piores.
Temos o pior PIB per capita da Europa dos 27; temos uma justiça que não funciona, e não funcionando, afasta os investimentos; temos empresários que ganham dinheiro mas as suas empresas só têm prejuízos; não temos cultura; temos iniquidades na educação; falta-nos ambição e vontade de Fazer.
Abastece-se o país de compadrios, de tolos e discursos ôcos. Fala-se em obras públicas porque não se sabe mais o que fazer, não se sabe o que dizer.
Temos o pior governo dos últimos 365 dias, antes deste tinha sido o anterior, antes desse o outro e por aí fora.
A emigração é um facto que já não se consegue esconder. Emigração um pouco mais letrada (supostamente, que esta coisa do conhecimento tem muito que se lhe diga) que a anterior, da década de 60. Mas está lá toda, no número, na falta de oportunidades, na imensa ambição de sair de um Portugal em estertor.
Que país, merecedor desse nome, se permite não dar esperança aos seus filhos? Só os terceiro-mundistas, que me recorde. E agora estamos a caminho de ficar na mão de Angola. Lutámos para fugir aos espanhóis e vamos ficar na mão dos angolanos. Os primeiros eram maus, os segundos são péssimos.
A banca está revirada; nos bancos, na política, nos costumes, na moral, na segurança, na saúde, na educação. Está revirada no direito.
Éramos todos iguais, sendo todos diferentes; hoje somos todos diferentes, sendo todos egoístas.
Contudo cá estamos, sempre cantando, mesmo que em surdina, a esperança.
Este escrito é um seu exemplo, como se escrevendo algo mudasse, alguém ouvisse, Portugal saísse do estertor de morte e encontrasse o seu caminho.
Não merecíamos. Não merecemos. Devemos exigir mais, todos nós. E quem sabe, mostrando outra força, outra vontade, outro querer, um dia encontramos o caminho perdido. O nosso caminho.

13.7.08

Inevitabilidades....

Sempre foi e sempre assim será: quanto mais se falar de paz, mais se adivinha a guerra.

9.7.08

Lá vamos a caminho da pontinha..... do fim


"The Standard & Poor's 500-stock index fell 29.01 points, or 2.3 percent, entering its first official bear market since 2002. The Dow Jones industrials finished down 236.77 points, or 2.1 percent."
(New York Times)
Como tem piada e ao mesmo tempo assume contornos de drama, ouvir e ler os mais diversos colunistas económicos, os mais distintos banqueiros e os mais selectos intelectuais divagarem sobre a recuperação da economia mundial. Tudo política (má) e desconhecimento (péssimo) ou, mesmo, um misto de interesses privados (usual).

28.6.08






















A expansão das alianças estratégicas internacionais motivou o livro. Analisa os riscos e discute os critérios de selecção de parceiros estratégicos, partindo da análise de empresas portuguesas empenhadas em processos de internacionalização

Quantos carros compra a Presidência da República?

O que fará um BMW 760 Li, comprado pela Presidencia da República (PR), com matricula de Janeiro de 2007, com cerca de 19.000 km feitos e cujo custo rondou os 210.000 euros, à venda num stand de usados em Lisboa, por 110.000 euros?

21.6.08


CharlesWillmott
"Fundos da UE a zeros. Até agora, dos mil milhões de euros recebidos, as únicas verbas gastas serviram para pôr em funcionamento a ‘máquina’ administrativa do QREN". (edição on-line SOL).

Mil milhões recebidos? Até agora? E é isto comunicação social? Não é! Nem comunicação, nem social, nem as duas coisas, muito menos séria.

Em 2007 deveriam ter entrado 7 mil milhões que não entraram. Em 2008 já deveriam ter entrado, no mínimo 5 milhões, que também não constam por estas bandas.
Entretanto o País está de tanga, sem liquidez, com a banca à míngua e os rácios a baixarem inexorávelmente, as taxas de juro dos overnights a crescerem e o "rating" do país a diminuir.

Onde está a política governativa? Onde está a acção governativa? Onde estão os projectos estratégicos (não venham com obras públicas, que só esbanjam e nada acrescem)?

Depois Manuela Ferreira Leite afirma: está na hora de cabar com o quero, posso e mando do primeiro-ministro. Infeliz afirmação!
Que quer o primeiro-ministro? Que pode o primeiro-ministro? Que manda o primeiro-ministro? NADA!!!!
Chamou a si os dossiers abrangidos pelo QREN - de acordo com notícias, muito propagandeadas, no final do ano passado. E que se passou entretanto? NADA!!!

Estamos a meio de 2008 e que se passa com os projectos? Há projectos? Quais? Onde? Para quê?

Manuela Ferreira Leite deveria ter afirmado: está na hora de colocar o primeiro-ministro em sentido e perguntar: porque razão ainda não entraram em Portugal os milhares de milhões do QREN? De passagem respondia: por total ineficácia e incompetência política do PM e dos seus governantes, que se preocupam com a pose do "quero, posso e mando", que politicamente poderia estar correcta, a ser verdade, em tempo de crise, mas na realidade escondem, naquela postura, uma outra, essa sim verdadeira, muito menos interessante e muito mais devastadora para a economia nacional: a incompetência política e a incapacidade de namorarem e seduzirem os grandes investimentos, económicamente estruturantes, quer a nível dos actores económicos nacionais, quer dos actores internacionais (menos interessantes, mas importantes na conjuntura actual de imobilismo). isto deveria ter sido perguntado e afirmado por Manuela Ferreira Leite.
Quem anda há muitos anos na política em Portugal sofre de, pelo menos, três males: (1) tem pés de barro; (2) está comprometida; (3) está viciada no raciocínio.

Assim não vamos lá nunca!

19.6.08


FranzUnterberger

Sociedade e futebol..tão idênticos...tão mal

Elementar: num país de oportunistas, de fraquíssima formação e fortíssima falta de carácter, onde a moral e a intelectualidade andam arredias, sobressaem os menos capazes mas que são, em simultâneo, os mais atrevidos e afoitos, que esta coisa de chegar à frente tem quase tudo a ver com desplante e muita falta de cultura - só os burros (sem qualquer achincalhamento para os animais própriamente ditos)se sentem compelidos para dizer e agir, de toda e qualquer forma, tudo o que lhes passa pela cabeça. É assim no Portugal de hoje; está cheio de gente afoita.

Se no geral é um facto, no futebol, caso particular, essa afoiteza parece ser uma virtude. Para lá de todas as peripécias que se têm dito e escrito sobre jogos, resultados, clubes, árbitros e corrupção, muito gostaria que me explicassem porque razão, aquando da primeira decisão de exclusão do FCP da "Champions League", todos os grandes clubes europeus se colocaram ao lado do FCP e, dois clubes portugueses, embora com posturas diferentes, aparecessem de mansinho, dizendo uns (SLB) que em nada alterariam a preparação da nova época futebolística e, outros (VFC, vulgo Guimarães), afirmassem que a concretizar-se seria "mau para o futebol português".

Ambos estavam imbuídos de uma convicção clara: que a decisão da UEFA era inalterável (por ser incomum aquele orgão tomar uma decisão e, posteriormente, voltar atrás na decisão tomada). Ao verificar-se um volte-face na situação, deparamo-nos com posturas antagónicas quando comparadas com as incialmente (e hipócritamente) tomadas: agora sentem-se os dois clubes expoliados de um direito (não sei qual) que aparentemente parecem julgar merecer (não percebo porquê).
A posição que ocupavam na classificação do campeonato e a concomitante presença europeia atingida, mantêm-se. O facto do FCP não ser excluído da prova acima referida, não alterou em nada o direito de participação nas competições europeias, que a respectiva classificação obtida proporciona.
Aqui chegados, só um raciocínio é válido, para a verificação de uma mudança radical de atitude: não se trata de mais ou menos verdade desportiva, trata-se isso sim do bom e velho dinheiro. E é aqui que as pontas se juntam: a todos os níveis da sociedade portuguesa os afoitos se alcandoraram e, ao invés de pugnarem pelos interesses nacionais - se o fizessem não teriam as características dos afoitos - pugnam tão sómente pelos interesses particulares.

Aponte-se, de novo, o caso do futebol: quando em toda a Europa, os grandes clubes europeus estão solidários com o FCP, os ataques surgem do próprio país, de clubes que jogam no mesmo campeonato, de gente que fala a mesma lingua (aqui duvido que a lingua desta gente seja a minha, não só pelos actos, mas também pelas palavras; muitas das vezes não os percebo). Esta situação é repugnante em si mesma e verdadeiramente desmoralizante, ao nível do país. Por dinheiro tudo vale, inclusivé arrastar o nome de agremiações centenárias para o descrédito.
Pergunto-me: qual a imagem que o SLB passa neste momento em todo o mundo do futebol? Pergunto-me mais: sendo o SLB uma marca com reconhecimento mundial, qual o verdadeiro custo de imagem para a marca Benfica, de toda esta arruaça que criou e alimenta, desde que a decisão de exclusão do FCP foi suspensa pela UEFA?

Sinais desta era destemperada. Já vai longe o tempo de dirigentes como Pinto de Magalhães ou Borges Coutinho. Eram outros os tempos, tempos de Senhores.
Hoje, de forma ostenciva, a falta de qualidade impõe o seu estilo. No futebol, como no geral da sociedade portuguesa (aliás, uma situação não seria possível sem a outra, porque são fruto do mesmo ventre, perfeitamente compagináveis).
...
P.S. a ausência de escrúpulos, a má retórica, o oportunismo e uma enorme necessidade das direcções dos clubes envolvidos, (no caso do SLB também como forma de camuflar uma péssima época, onde numa equipa de 25 elementos o melhor jogador tinha 36 anos) por presumíveis recursos financeiros (os clubes de futebol não são excepção no clima de abrandamento económico em que vivemos) ,mas também, e principalmente, por ser recorrente todo este conjunto de comportamentos malévolos, na sociedade portuguesa no geral, que só pretendem esconder realidades através da criação de "cortinas de fumo", tudo isto, dizia, foi motivação suficiente para o presente texto.

17.6.08

wait and see....

A falta de soluções conduz a discursos aberrantes.
Para lá do que possa ser dito noutros países membros da UE, interessa-me sobretudo o que é dito no meu país, e o que ouço é confrangedor. À falta de discurso mobilizador,junta-se a idiossincrática pecha da ausência de ideias.
Que fazer com o NÃO irlandês? E agora? Que caminho para esta (des)economia?
Nenhum cenário encaixa no perfil dos economistas-monetaristas que persistem na nossa política, muito menos nos lobistas sectoriais. Agora até já se pode pensar numa UE sem Irlanda, ou pretender que este país realize referendos - talvez quatro ou cinco - até que a população cansada diga SIM; ou que o governo desconsidere o resultado do referendo, fruto da pressão da Ue e se decida pela ractificação parlamentar.
Julgam que estão a falar de franceses e da sua pseudo-filosofia humanista, democrática e libertadora. Mas não estão; no Reino Unido pratica-se a democracia mais antiga e genuína do mundo. O respeito pelos outros é uma realidade indissociável da noção de cidadania, da maneira de ser britânica.

Wait and see....