Reza a notícia:
"Terceira Travessia: Estudo de Viegas demonstra superioridade de Beato-Montijo em 14 dos 15 critérios analisados. A construção da terceira travessia do Tejo no eixo Beato-Montijo, exclusivamente ferroviária, está orçada em 1.150 milhões de euros.
Por seu turno, a construção da terceira travessia do Tejo no eixo Chelas-Barreiro está orçada em 1.700 milhões de euros, dos quais 600 milhões serão para a alta velocidade e 500 milhões para o tabuleiro rodoviário. A ponte terá duas vias para a alta velocidade, duas para a rede convencional e duas vias laterais com três faixas cada uma para o tráfego rodoviário".
Dos 15 critérios analisados, Chelas-Barreiro perde em 14; ganha no critério do tempo de ligação dos comboios suburbanos a Lisboa. Pudera, estamos a falar do Barreiro; neste critério nunca poderia perder.
Segundo Viegas, "O estudo demonstra que há grandes ganhos de valor de tempo e apresenta um melhor enquadramento na rede viária e no transporte de mercadorias". Acrescenta ainda que, "O desenvolvimento extenso da solução resolve de forma definitiva todas as dúvidas que havia sobre a viabilidade física da solução Beato-Montijo".
E pronto, está dito!
Este Viegas é um pândego; a coberto da defesa da solução Alcochete pretende, agora, enfiar a solução Beato-Montijo. O interesse, como sempre, é meramente nacional.
Mas pergunta-se: como é que uma solução que só prevê travessia ferroviária é superior a uma rodo-ferroviária, quando a ponte sobre o Tejo está lotada entre as 07.30 da manhã e as 20.30 da noite e a ponte Vasco da Gama vai ser sobrecarregada com o aeroporto em Alcochete?
Como é que, nestas circunstancias, se defende um melhor enquadramento na rede viária e, igualmente, "ganhos de valor de tempo" - aguardo pela publicação pública do estudo para perceber o que significam estes ganhos.
A única solução séria e possivel já foi indicada pelo Governo; Chelas-Barreiro.
O resto são manobras de diversão, com desígnios insondáveis.
As afirmações reproduzidas da notícia são semelhantes ao já famoso "jamais, jamais", mais sofisticadas, nada merendadas, mas exactamente iguais nas certezas: 14 em 15 critérios desfavorecem a solução e; "o desenvolvimento extenso da solução resolve de forma definitiva todas as dúvidas que havia sobre a viabilidade física da solução Beato-Montijo" equivale a dizer o mesmo, "jamais, jamais".
Um pândego este Viegas.
Depois acresce algo que nunca percebi convenientemente: como é que o Barreiro foi bandeira durante tantos anos e, com o advento do 25 de Abril, passou a localidade esquecida.
Ou percebo mas não quero acreditar.
Que há sempre alguém disposto a prejudicar o Barreiro é um facto, a começar pela gestão do camarário comunista, durante longos e nefastos anos, mas a bem da verdade se deverá dizer que o Barreiro também nunca gozou da disponibilidade política dos vários governos e primeiro-ministros.




















