19.6.08

Sociedade e futebol..tão idênticos...tão mal

Elementar: num país de oportunistas, de fraquíssima formação e fortíssima falta de carácter, onde a moral e a intelectualidade andam arredias, sobressaem os menos capazes mas que são, em simultâneo, os mais atrevidos e afoitos, que esta coisa de chegar à frente tem quase tudo a ver com desplante e muita falta de cultura - só os burros (sem qualquer achincalhamento para os animais própriamente ditos)se sentem compelidos para dizer e agir, de toda e qualquer forma, tudo o que lhes passa pela cabeça. É assim no Portugal de hoje; está cheio de gente afoita.

Se no geral é um facto, no futebol, caso particular, essa afoiteza parece ser uma virtude. Para lá de todas as peripécias que se têm dito e escrito sobre jogos, resultados, clubes, árbitros e corrupção, muito gostaria que me explicassem porque razão, aquando da primeira decisão de exclusão do FCP da "Champions League", todos os grandes clubes europeus se colocaram ao lado do FCP e, dois clubes portugueses, embora com posturas diferentes, aparecessem de mansinho, dizendo uns (SLB) que em nada alterariam a preparação da nova época futebolística e, outros (VFC, vulgo Guimarães), afirmassem que a concretizar-se seria "mau para o futebol português".

Ambos estavam imbuídos de uma convicção clara: que a decisão da UEFA era inalterável (por ser incomum aquele orgão tomar uma decisão e, posteriormente, voltar atrás na decisão tomada). Ao verificar-se um volte-face na situação, deparamo-nos com posturas antagónicas quando comparadas com as incialmente (e hipócritamente) tomadas: agora sentem-se os dois clubes expoliados de um direito (não sei qual) que aparentemente parecem julgar merecer (não percebo porquê).
A posição que ocupavam na classificação do campeonato e a concomitante presença europeia atingida, mantêm-se. O facto do FCP não ser excluído da prova acima referida, não alterou em nada o direito de participação nas competições europeias, que a respectiva classificação obtida proporciona.
Aqui chegados, só um raciocínio é válido, para a verificação de uma mudança radical de atitude: não se trata de mais ou menos verdade desportiva, trata-se isso sim do bom e velho dinheiro. E é aqui que as pontas se juntam: a todos os níveis da sociedade portuguesa os afoitos se alcandoraram e, ao invés de pugnarem pelos interesses nacionais - se o fizessem não teriam as características dos afoitos - pugnam tão sómente pelos interesses particulares.

Aponte-se, de novo, o caso do futebol: quando em toda a Europa, os grandes clubes europeus estão solidários com o FCP, os ataques surgem do próprio país, de clubes que jogam no mesmo campeonato, de gente que fala a mesma lingua (aqui duvido que a lingua desta gente seja a minha, não só pelos actos, mas também pelas palavras; muitas das vezes não os percebo). Esta situação é repugnante em si mesma e verdadeiramente desmoralizante, ao nível do país. Por dinheiro tudo vale, inclusivé arrastar o nome de agremiações centenárias para o descrédito.
Pergunto-me: qual a imagem que o SLB passa neste momento em todo o mundo do futebol? Pergunto-me mais: sendo o SLB uma marca com reconhecimento mundial, qual o verdadeiro custo de imagem para a marca Benfica, de toda esta arruaça que criou e alimenta, desde que a decisão de exclusão do FCP foi suspensa pela UEFA?

Sinais desta era destemperada. Já vai longe o tempo de dirigentes como Pinto de Magalhães ou Borges Coutinho. Eram outros os tempos, tempos de Senhores.
Hoje, de forma ostenciva, a falta de qualidade impõe o seu estilo. No futebol, como no geral da sociedade portuguesa (aliás, uma situação não seria possível sem a outra, porque são fruto do mesmo ventre, perfeitamente compagináveis).
...
P.S. a ausência de escrúpulos, a má retórica, o oportunismo e uma enorme necessidade das direcções dos clubes envolvidos, (no caso do SLB também como forma de camuflar uma péssima época, onde numa equipa de 25 elementos o melhor jogador tinha 36 anos) por presumíveis recursos financeiros (os clubes de futebol não são excepção no clima de abrandamento económico em que vivemos) ,mas também, e principalmente, por ser recorrente todo este conjunto de comportamentos malévolos, na sociedade portuguesa no geral, que só pretendem esconder realidades através da criação de "cortinas de fumo", tudo isto, dizia, foi motivação suficiente para o presente texto.

17.6.08

wait and see....

A falta de soluções conduz a discursos aberrantes.
Para lá do que possa ser dito noutros países membros da UE, interessa-me sobretudo o que é dito no meu país, e o que ouço é confrangedor. À falta de discurso mobilizador,junta-se a idiossincrática pecha da ausência de ideias.
Que fazer com o NÃO irlandês? E agora? Que caminho para esta (des)economia?
Nenhum cenário encaixa no perfil dos economistas-monetaristas que persistem na nossa política, muito menos nos lobistas sectoriais. Agora até já se pode pensar numa UE sem Irlanda, ou pretender que este país realize referendos - talvez quatro ou cinco - até que a população cansada diga SIM; ou que o governo desconsidere o resultado do referendo, fruto da pressão da Ue e se decida pela ractificação parlamentar.
Julgam que estão a falar de franceses e da sua pseudo-filosofia humanista, democrática e libertadora. Mas não estão; no Reino Unido pratica-se a democracia mais antiga e genuína do mundo. O respeito pelos outros é uma realidade indissociável da noção de cidadania, da maneira de ser britânica.

Wait and see....

14.6.08

A verdade da mentira...

Cavaco Silva: "(....)um erro os Estados-Membros referendarem tratados internacionais (....) a existência de problemas internos ou governos impopulares, por exemplo, acaba sempre por se reflectir nos resultados dos referendos (...). Os tratados internacionais nunca deveriam ser objecto de referendo e tivemos agora a prova disso".

José Sócrates: " (....) aqueles países que ainda não tenham ratificado o Tratado continuem com o processo de ratificação, (....) aguardo pela reunião do Conselho europeu da próxima semana para discutir uma solução que responda ao problema agora criado pelo voto irlandês".
.
Porque a política só é entendível pelos políticos. As populações não têm condições de decidir sobre política externa; seja por ignorância, seja por "revanchismo". Na política interna não dá jeito nenhum fazer qualquer referência, embora pensem exactamente o mesmo.
.
A população não presta para opinar, o mesmo é dizer para pensar e emitir opinião politica sobre uma qualquer matéria.
Falam em problemas internos ou governos impopulares, como causa para referendos que contrariam a vontade dos políticos; na Irlanda? Estranho, estranhíssimo. Só mesmo para quem não conhece a realidade e o ambiente que se vive actualmente no país, ou seja, todos nós, a população, que não podemos referendar um tratado porque somos ignorantes (não vemos quanto é benéfico este tratado) e votaríamos NÃO por "revanchismo" (e não teríamos toda a razão para o fazer?). Não por vingança política, mas por ausência de soluções internas que justifiquem um mergulho crescente na "nomenklatura" europeia, mesmo que à custa da perca da soberania nacional e de prerrogativas com que nos acenaram (já de si más, mas que agora desaparecem), quando era conveniente fazê-lo.
.
Depois, sendo referendado num único país, pode afirmar-se que é esse país que tem de resolver o problema da ractificação do tratado, porquanto, em princípio, todos os restantes 26 estarão de acordo, desde que não haja um único referendo e a aprovação continue a processar-se ao ritmo da mentira política; no parlamento, com o voto dos políticos poltrões.
.
Acaso o tratado tivesse sido referendado, quantos "NÃOS" teríamos nesta altura?
.
Subsiste contudo uma dúvida, que torna pertinente a vontade de que o processo de ractificação continue: a posição inglesa. Quando em Inglaterra, no 10 de Downing St., está o inquilino que dos últimos residentes mais se apresenta como uma "enguia", com um discurso interno e outro externo, assumindo sempre várias faces, a dúvida é pertinente: continuará Gordon Brown o processo de ractificação parlamentar (difícil, muito difícil com os ingleses), parará o processo agarrando-se ao não do vizinho irlandês ou, aproveitando o balanço, defenderá a necessidade de referendar o Tratado?
Os cenários são possíveis, mas apresentam maior probabilidade o segundo e o terceiro.
.
O Tratado de Lisboa, ao contrário do Constitucional, ainda não está morto, mas só um golpe de magia e cedências imensas impedirão que isso suceda.
A surgirem cedências pergunto: porque razão não referendámos também o tratado? Não temos nada para (re)negociar? Não temos nada a (re)ganhar?
.
Porque razão temos de estar na crista da onda do aprofundamento europeu, mas sempre no último lugar nas condições de vida, no crescimento, sustentabilidade e desenvolvimento económico?
.
Querem que acreditemos nestes políticos de pacotilha que nos atiram estas atoardas, como se de verdades absolutas se tratassem?
É fundamental o Tratado de Lisboa? Para quê?
É necessária a UE? Para quê?
Aproximem a Europa dos 27 de uma Zona de Comércio Livre e todos saíremos a ganhar. Levem-na para o aprofundamento económico e político e, daqui a uns anos, nada restará dessa integração, a não ser amargos de boca e situações de dependência política e económica.

11.6.08

O governo dificilmente não cairá....qualquer um. Tempo: daqui a 6 meses, 1 ano, ano e meio...

A crise é grave. Os agricultores ameaçam juntar-se aos camionistas.
Se o governo não cede, cai. Se cede, tem mais do mesmo e cai.
Cai sempre, porque o descontentamento é geral. Prometeram muito, os políticos pós-Abril; mas as condições de vida deterioraram-se. Viveu-se acima das possibilidades, durante muito tempo, quando a confiança no sistema levava a descurar as preocupações com o futuro. O sistema desmorona-se a uma velocidade imensa, as preocupações com o futuro assumem proporções gigantescas; entretanto toda a população está com falta de liquidez ou, mesmo, falida.
O futuro, feito presente, passa a ser uma hidra, com sete cabeças, a saber: trabalho, educação, saúde, qualidade de vida, futuro incerto, dinheiro e dividas, bens essenciais. A estas juntam-se duas mais: falta de soluções políticas e prepotência do estado.
É necessário mudar, muito. É necessário voltar a acreditar, muito.
.
A crise está à porta, mas atenção: o pior ainda não chegou!

10.6.08


SuzanneDaynesGrassot

Uma pequena brincadeira...com raças.

O BE exigiu, esta segunda-feira, explicações ao Presidente da República por ter-se referido ao 10 de Junho como «dia da raça», recuperando uma expressão conotada com o Antigo Regime. A posição bloquista foi entretanto partilhada pelo PCP.
.
Concordo inteiramente; não podia concordar mais. Senão vejamos:
(1) no tempo da "velha senhora", a raça a que se aludia ou era conotada, para alguns muitos, com patriotismo ou, para outros menos, com anti-comunismo, mas por aqui nos ficávamos;
.
(2) hoje a coisa é mais complexa: temos, para uns, a "raça dos políticos execráveis"; para outros a "raça de malandros", que inclui também políticos mas é mais lata; para outros ainda a "raça de corruptos" ainda mais ampla; temos ainda a "corja de bandidos" que pode ser entendida como uma raça, onde se incluiem a DGF, a ASAE, ainda e sempre os políticos e o patronato capitalista. E existem ainda as "raças" patriotas e as anti-comunistas.
.
Muitas mais, mesmo assim, poderiam ser aventadas (nem tocámos no futebol). Considero, assim, pertinente uma explicação concisa se o dia 10 de Junho é o dia de todas as raças.
.
Porque a questão é mais profunda do que parece. A posição do BE e do PCP é inteiramente coincidente com a sua postura e filosofia políticas. A construção da ideia (posição) baseada na dialéctica pressupõe a reflexão de uma coisa em relação com outras. Se, contudo, a corrente de pensamento for essencialista, a reflexão da coisa é feita em si mesma, ou seja, não implica nem pressupõe comparações, revelando-se em si própria.
.
Se, como penso, o PR aludia a raça no princípio filosófico essencialista, as raças estão lá todas. Caso contrário, há que determinar quais as raças, que em discussão e confronto com outras, merecem ser mencionadas no 10 de Junho.

Vai baixar para o mínimo histórico....

Pode ter caído muito bem, a muita gente e a alguns sectores do PPD/PSD, a vitória de Manuela Ferreira Leite, mas cada vez mais me convenço que será um desastre eleitoral.

4.6.08


MikeBernard

Estamos todos fartos...

O governo anuncia que a taxa de desemprego para 2008 será de 7,9% e que esta se manterá em 2009.

Primeiro: o desemprego actual é muito superior a 7,9%. O valor real ronda os 16%, ou seja, considerando a população activa, 1 em cada 6 portugueses está desempregado.
Segundo: a crise económica está em crescendo. A tendência para 2009 apresenta um cenário pior do que 2008. Sendo Portugal um país fracamente preparado para enfrentar crises, aconselha a prudência considerar um aumento no desemprego, inerente ao encerramento de actividades económicas e à redução crescente do investimento, quer o investimento directo estrangeiro (vulgo IDE), quer o interno. Por questões de somatório, sabendo que menos com menos dá menos, o desemprego em 2009 será, forçosamente, superior ao de 2008.
.
Para quem pretende fazer da educação uma bandeira, utilizar a propaganda política direccionando-a para os menos preparados, sem preocupação de seriedade intelectual, demonstra que tudo não passa de uma enorme manipulação política, encetada por gentes que não são desta terra..
.
Ver as gentes anónimas do meu País afirmarem, em crescendo, que se fossem mais novas emigrariam, tolhe-me a alma, vidra-me os olhos, cerra-me os punhos.
Espero, consciente e consistentemente, poder contribuir para a alteração da anemia nacional.
Espero a oportunidade de poder acreditar num conjunto de pessoas e fazer política séria.
Espero que a classe política nacional seja substituída por outra, mais capaz, na qual me inclúo. Espero que ainda seja este o tempo de salvaguardar Portugal de algumas tormentas.
Temo que as demais sejam já maiores que Portugal.

2.6.08

O sofisma das palavras....

O presidente do BCE, Jean-Claude Trichet, garante que se os privados não assegurarem estabilidade “estaremos perante um caso de regulação pública”.

Já o escrevemos vezes sem conta. Perante o ambiente económico volatilizado impõe-se uma cada vez maior intervenção do estado na economia. Os modelos liberais, o "laissez-faire" económico está morto, a economia no geral moribunda. Defender liberalismos económicos é desconhecer o estado actual do mundo económico. É a subversão da política; esta não tem peso algum (o que se passa actualmente) e apanha "boleias" da permitida liberdade económica, ou por outras palavras, vai a reboque. É, claramente, uma actuação e filosofia que nada interessa à sociedade; o que importa, acima de tudo, é obter através do estado uma garantida de bem-estar, exigida pelas horas de trabalho que são roubadas ao ócio e que, muito embora remuneradas, consentem ainda uma carga fiscal afecta à remuneração, supondo a troca de vantagens sociais presentes por benefícios futuros.
Só assim se justifica o estado-previdência. Mas para tanto é necessário existir capacidade de intervenção.

O que Trichet quer dizer é simples: vamos ter de intervir junto dos agentes económicos. Chama-lhe regulação, em nome das políticas liberais tão queridas à sofisticada nomenklatura política europeia e aos interesses económicos das transnacionais, como lhe poderia chamar "paulada pública", expressão, aliás, mais adequada aos tempos que correm, não fosse volátil inimigo de estabilidade.
Façamos então algo mais, intervindo politicamente, na esperança de evitar a intervenção social.

§
Apesar dos discursos e a propósito das recentes eleições no PPD/PSD, ficou claro que nenhum dos candidatos reconhece os perigosos tempos que vivemos. Acresce que em dois deles, por teimosia e por desconhecimento, a prática política acarretará (acarretaria) uma acentuação da actual deriva política, não concorrendo em nada de bom para a preocupante situação nacional. Pergunto-me: onde está o "conhecimento" no PPD/PSD ? Perdeu-se nas brumas do cavaquismo ? Onde anda a capacidade regeneradora do partido ? Como conseguirá cativar novas ideias ? Quando será assumida a coragem de se posicionar, de forma clara, politicamente à direita do PS, obrigando a uma inflexão maior do CDS/PP ? Ou será que ainda ninguém no partido percebeu que hoje, assumir posições de direita implica defender ideias de esquerda ? Para quando a certeza que o discurso político passa pela preocupação com o indivíduo, enquanto parte integrante do equilíbrio societário, promovendo a aproximação dos interesses colectivos à ganancia especuladora dos interesses particulares ?
§
Se a geração de políticos no PPD/PSD e respectivas ideias políticas, gerada nos últimos trinta anos, resultou em Coelhos, o partido terá de se habituar a viver na toca durante muitos anos.
§
Infelizmente, nenhum dos outros partidos, ou líderes, está melhor preparado ou coadjuvado. Temos um primeiro-ministro cansativo, gasto no discurso e sem caminho político, apoiado num partido incoerente, perdido na falta de liquidez e meios nacional e mundial que obrigam a inaugurar "serraderos" e "carpinterías" como se de grandes investimentos se tratassem. É este o Portugal moderno ? É esta a sociedade igualitária tão prometida, primeiro com a falácia dos cravos e depois com a aceitação da União Europeia ? Será ?

15.5.08

Intendência...

Já saíu há uns meses.
Um amigo insiste em que devo publicitar e os argumentos, que sistemáticamente apresenta, derrotaram a minha proverbial postura de contenção.
Fica aqui um dos possiveis links, garantindo eu a colocação da capa um destes dias neste sítio...
http://www.livapolo.pt/index.php?action=search&pag=1&tipo=1&expressao=26099&seq=1

14.5.08


E nada mudará....

No PSD, os candidatos que o eram continuam a ser, agora sem rábulas.
Todos, sem excepção são liberais, defensores do laissez-faire, querendo desposicionar-se do PS, ou do centro, como lhe queiram chamar.
Nenhum deles entende o que é ser liberal; se entendessem não o eram!
Nenhum entende o laissez-faire económico; se entendessem não o defendiam na actual situação económica.
Em suma estão todos mal preparados, inaptos para fazerem oposição, quanto mais governação. São os candiatos dos chavões, das ideias pré-feitas, dos discursos gastos e da política oca.

Mas perguntem aos que criticam se querem mudar assim tanto o partido? A resposta será não, se forem intelectualmente sérios.
Porquê? Porque são avessos a mudanças? Não!
Porque não querem perder o status quo, a influência, o poder sobranceiro.

E, assim, se vai fazendo o mesmo e cansativo PSD de há 20 anos.

UE: Portugal lidera quebra na produção industrial em Março

E há coisas contra as quais nem vale a pena tecer grandes comentários.

Não compensa sequer indicar os números, fazer comparações, dar qualquer tipo de justificações ou proceder a ataques económicamente ferozes. Muito haveria para dizer, mas não compensa, já não compensa.

Tudo o que pode e deve ser dito passa pela constatação, sistemática, de que os números e estatísticas económicas nos são, sempre, profundamente negativas e penalisadoras. Vale a pena dizer que a sofisticação económica actual, aliada à enorme volatilidade dos mercados, impede qualquer raciocínio que passe pelas palavras recuperação, conjuntural, momentâneo ou outras semelhantes. Tudo o que não se faz hoje não é recuperável amanhã; todo o caminho que se perde hoje é irrecuperável amanhã; todo o atraso que se acumula em relação a terceiros hoje, é irremediavelmente o marco que definirá e limitará o amanhã.
Somos e seremos, cada vez mais, uma nação pobre, de pobres gentes, com um atraso enorme em relação à Europa e ao Mundo. O atraso não é imutável mas crescente; o crescimento é proporcional às capacidades, pelo que o fosso ver-se-á aumentado a cada ano.
Nada nos resta, nem mesmo a mudança política, porque será igual, exactamente igual; a política não manda, obedece. Quem verdadeiramente define as regras é a economia e os nossos políticos, sem excepção, não estão preparados para lidar com a nova face económica.
Acresce que perdemos âncoras fundamentais - o Ultramar - gastámos à barba-longa - rede de estradas megalómana, expo 98, euro 2004, desvios de fundos comunitários (formação), entre muitos outros exemplos - e nos preparamos para despesismos politicos grandiloquentes - novo aeroporto, TGV, travessia do Tejo (somos campeões das obras-públicas) - concorrendo para um aumento da deriva.
Em 2013 tocaremos no fundo. Resta começar a treinar a apneia e atingir costa noutro qualquer lugar.
Portugal está prestes a acabar.

21.4.08


Recessão ou Depressão Económicas....

DEFINIÇÕES:

(1) Uma recessão é uma queda significativa na atividade económica espalhada por toda a economia, com duração superior a dois meses e visível no PIB real, no rendimento das famílias, na produção industrial e nas vendas.;

(2) Uma depressão económica é caracterizada por um estado agravado de recessão, ou seja, um longo período de desemprego em massa, falência de empresas, baixos níveis de produção e investimentos, desvalorização dos títulos, ações e derivados nas bolsas de valores, conduzindo a consequências muitíssimo negativas para a economia mundial.
§
Nomeadas as situações e definidas convenientemente, convinha agora perguntar qual a que escolhe (não tem outras alternativas): claro que a escolha recairia sobre a primeira (do mal o menos). Mas não, desengane-se, não tem escolha. Já escolheram por si há muito tempo: é a segunda, sem apelo nem agravo.

7.4.08

Luis Filipe Menezes e a caça às rolas...

Luis Filipe Menezes (LFM) continua a dar umas boas calinadas, mesmo quando pretende ser demagógicamente eleitoralista.

A terceira travessia sobre o Tejo não pretende ser uma obra para satisfação dos lisboetas, mas sim uma obra que encete a resolução de questões de densidade de tráfego graves e qualidade dos transportes urbanos para todos que, não trabalhando em Lisboa, para aqui se têm de deslocar diáriamente.
Para diminuir o tráfego viário na cidade de Lisboa é necessário dotar os transportes urbanos e sub-urbanos com a qualidade e rapidez necessárias, para que se tornem alternativas viáveis para as deslocações diárias, empreendidas por centenas de milhares de portugueses, para e de Lisboa.

Pouco falta para que a ponte Vasco da Gama comece a ficar saturada.
O desenvolvimento urbano de Alcochete será uma enorme realidade, antes mesmo de ficar concluída a infraestrutura aeroportuária.

A Grande Lisboa (GL) carece de uma especial atenção; está previsto que, dentro de cerca de 2o anos, perto de 55% da população nacional habite naquela zona. É então necessário contribuir, decisivamente e já, para o crescimento económico das vilas e cidades situadas no perímetro da GL, procurando atempadamente diminuir o crescimento, inevitável, da pobreza e da exclusão social, que uma migração tão forte ao nível de indivíduos forçosamente tenderá a acarretar.
Esquecer estas questões é provincianismo puro. E demagogia política. E falta de seriedade. E falta de conhecimentos.
LFM já nos habituou, infelizmente, a discursos marcados pelo circunstancialismo e aproveitamento de matérias fracturantes, a cada momento político. Tenha-se em conta a falta de honestidade política e a tremenda demagogia (estupidificante e mentalmente redutora) latentes na promessa de baixa de impostos, colocando Portugal ao nível espanhol, caso fosse governo em 2009 -claro que, como bom caçola, diria ao jeito de Sócrates que não poderia cumprir, por desconhecer em quão mau estado iria encontrar o País.

Felizmente não vai ganhar as eleições (infelizmente para o PPD/PSD e para o país) e, com alguma sorte nem as disputará, mas começo a ficar farto que os políticos que se pretendem apresentar a eleições prometam e prometam, tendo como base da hipótese real, o facto do incumprimento poder ser justificado pelo desconhecimento. Se não conhecem, como é que raio começam por ser candidatos?
Quero políticos que pensem o meu País, não quero quem o desconheça.
LFM já está a pensar nas eleições, nos eleitores de Lisboa, quando faz semelhantes afirmações com relação à 3ª travessia do Tejo. Ou estará a pensar em interesses escondidos. Não sei responder...
Mas uma coisa sei: falar em Algés-Trafaria para os lisboetas é tão importante como foi recebida a notícia no Montijo de que a ponte seria Chelas-Barreiro, ou seja, importância nenhuma.
LFM anda aos "tiros às rolas", mas não tem pontaria nenhuma. Não haverá quem lhe explique que o cano tem de estar virado para cima?
Caçar votos entre os mouros, nova estratégia de LFM. Será que mouros são só os lisboetas ?
Por último gostaria de ver satisfeita uma curiosidade: o que será o "fontismo provinciano" ?
Acaso terá paralelismo com os governos de Cavaco Silva ?
O que será?
"Felizmente não vai ganhar as eleições (infelizmente para o PPD/PSD e para o país) e, com alguma sorte nem as disputará [...]"

Bem sabe que eu não poderia estar mais de acordo. Só é pena que o PSD em geral - e os sociais-democratas elitistas, sulistas e liberais em particular - não tenha percebido isso há três meses atrás, quando elegeu LFM para lí­der :)

MCM

6.4.08






Faleceu Charlton Heston, aos 84 anos de idade.

Galardoado com um Oscar de melhor actor em 1950, pela sua interpretação em "Ben-Hur" na famosa corrida de quadrigas, interpretou igualmente papeis de enorme importancia em filmes que marcaram a industria cinematográfia, como Moises, Michelangelo, El Cid entre outras figuras épicas retratadas em Hollywood, nas décadas de 50 e 60.