4.6.08


MikeBernard

Estamos todos fartos...

O governo anuncia que a taxa de desemprego para 2008 será de 7,9% e que esta se manterá em 2009.

Primeiro: o desemprego actual é muito superior a 7,9%. O valor real ronda os 16%, ou seja, considerando a população activa, 1 em cada 6 portugueses está desempregado.
Segundo: a crise económica está em crescendo. A tendência para 2009 apresenta um cenário pior do que 2008. Sendo Portugal um país fracamente preparado para enfrentar crises, aconselha a prudência considerar um aumento no desemprego, inerente ao encerramento de actividades económicas e à redução crescente do investimento, quer o investimento directo estrangeiro (vulgo IDE), quer o interno. Por questões de somatório, sabendo que menos com menos dá menos, o desemprego em 2009 será, forçosamente, superior ao de 2008.
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Para quem pretende fazer da educação uma bandeira, utilizar a propaganda política direccionando-a para os menos preparados, sem preocupação de seriedade intelectual, demonstra que tudo não passa de uma enorme manipulação política, encetada por gentes que não são desta terra..
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Ver as gentes anónimas do meu País afirmarem, em crescendo, que se fossem mais novas emigrariam, tolhe-me a alma, vidra-me os olhos, cerra-me os punhos.
Espero, consciente e consistentemente, poder contribuir para a alteração da anemia nacional.
Espero a oportunidade de poder acreditar num conjunto de pessoas e fazer política séria.
Espero que a classe política nacional seja substituída por outra, mais capaz, na qual me inclúo. Espero que ainda seja este o tempo de salvaguardar Portugal de algumas tormentas.
Temo que as demais sejam já maiores que Portugal.

2.6.08

O sofisma das palavras....

O presidente do BCE, Jean-Claude Trichet, garante que se os privados não assegurarem estabilidade “estaremos perante um caso de regulação pública”.

Já o escrevemos vezes sem conta. Perante o ambiente económico volatilizado impõe-se uma cada vez maior intervenção do estado na economia. Os modelos liberais, o "laissez-faire" económico está morto, a economia no geral moribunda. Defender liberalismos económicos é desconhecer o estado actual do mundo económico. É a subversão da política; esta não tem peso algum (o que se passa actualmente) e apanha "boleias" da permitida liberdade económica, ou por outras palavras, vai a reboque. É, claramente, uma actuação e filosofia que nada interessa à sociedade; o que importa, acima de tudo, é obter através do estado uma garantida de bem-estar, exigida pelas horas de trabalho que são roubadas ao ócio e que, muito embora remuneradas, consentem ainda uma carga fiscal afecta à remuneração, supondo a troca de vantagens sociais presentes por benefícios futuros.
Só assim se justifica o estado-previdência. Mas para tanto é necessário existir capacidade de intervenção.

O que Trichet quer dizer é simples: vamos ter de intervir junto dos agentes económicos. Chama-lhe regulação, em nome das políticas liberais tão queridas à sofisticada nomenklatura política europeia e aos interesses económicos das transnacionais, como lhe poderia chamar "paulada pública", expressão, aliás, mais adequada aos tempos que correm, não fosse volátil inimigo de estabilidade.
Façamos então algo mais, intervindo politicamente, na esperança de evitar a intervenção social.

§
Apesar dos discursos e a propósito das recentes eleições no PPD/PSD, ficou claro que nenhum dos candidatos reconhece os perigosos tempos que vivemos. Acresce que em dois deles, por teimosia e por desconhecimento, a prática política acarretará (acarretaria) uma acentuação da actual deriva política, não concorrendo em nada de bom para a preocupante situação nacional. Pergunto-me: onde está o "conhecimento" no PPD/PSD ? Perdeu-se nas brumas do cavaquismo ? Onde anda a capacidade regeneradora do partido ? Como conseguirá cativar novas ideias ? Quando será assumida a coragem de se posicionar, de forma clara, politicamente à direita do PS, obrigando a uma inflexão maior do CDS/PP ? Ou será que ainda ninguém no partido percebeu que hoje, assumir posições de direita implica defender ideias de esquerda ? Para quando a certeza que o discurso político passa pela preocupação com o indivíduo, enquanto parte integrante do equilíbrio societário, promovendo a aproximação dos interesses colectivos à ganancia especuladora dos interesses particulares ?
§
Se a geração de políticos no PPD/PSD e respectivas ideias políticas, gerada nos últimos trinta anos, resultou em Coelhos, o partido terá de se habituar a viver na toca durante muitos anos.
§
Infelizmente, nenhum dos outros partidos, ou líderes, está melhor preparado ou coadjuvado. Temos um primeiro-ministro cansativo, gasto no discurso e sem caminho político, apoiado num partido incoerente, perdido na falta de liquidez e meios nacional e mundial que obrigam a inaugurar "serraderos" e "carpinterías" como se de grandes investimentos se tratassem. É este o Portugal moderno ? É esta a sociedade igualitária tão prometida, primeiro com a falácia dos cravos e depois com a aceitação da União Europeia ? Será ?

15.5.08

Intendência...

Já saíu há uns meses.
Um amigo insiste em que devo publicitar e os argumentos, que sistemáticamente apresenta, derrotaram a minha proverbial postura de contenção.
Fica aqui um dos possiveis links, garantindo eu a colocação da capa um destes dias neste sítio...
http://www.livapolo.pt/index.php?action=search&pag=1&tipo=1&expressao=26099&seq=1

14.5.08


E nada mudará....

No PSD, os candidatos que o eram continuam a ser, agora sem rábulas.
Todos, sem excepção são liberais, defensores do laissez-faire, querendo desposicionar-se do PS, ou do centro, como lhe queiram chamar.
Nenhum deles entende o que é ser liberal; se entendessem não o eram!
Nenhum entende o laissez-faire económico; se entendessem não o defendiam na actual situação económica.
Em suma estão todos mal preparados, inaptos para fazerem oposição, quanto mais governação. São os candiatos dos chavões, das ideias pré-feitas, dos discursos gastos e da política oca.

Mas perguntem aos que criticam se querem mudar assim tanto o partido? A resposta será não, se forem intelectualmente sérios.
Porquê? Porque são avessos a mudanças? Não!
Porque não querem perder o status quo, a influência, o poder sobranceiro.

E, assim, se vai fazendo o mesmo e cansativo PSD de há 20 anos.

UE: Portugal lidera quebra na produção industrial em Março

E há coisas contra as quais nem vale a pena tecer grandes comentários.

Não compensa sequer indicar os números, fazer comparações, dar qualquer tipo de justificações ou proceder a ataques económicamente ferozes. Muito haveria para dizer, mas não compensa, já não compensa.

Tudo o que pode e deve ser dito passa pela constatação, sistemática, de que os números e estatísticas económicas nos são, sempre, profundamente negativas e penalisadoras. Vale a pena dizer que a sofisticação económica actual, aliada à enorme volatilidade dos mercados, impede qualquer raciocínio que passe pelas palavras recuperação, conjuntural, momentâneo ou outras semelhantes. Tudo o que não se faz hoje não é recuperável amanhã; todo o caminho que se perde hoje é irrecuperável amanhã; todo o atraso que se acumula em relação a terceiros hoje, é irremediavelmente o marco que definirá e limitará o amanhã.
Somos e seremos, cada vez mais, uma nação pobre, de pobres gentes, com um atraso enorme em relação à Europa e ao Mundo. O atraso não é imutável mas crescente; o crescimento é proporcional às capacidades, pelo que o fosso ver-se-á aumentado a cada ano.
Nada nos resta, nem mesmo a mudança política, porque será igual, exactamente igual; a política não manda, obedece. Quem verdadeiramente define as regras é a economia e os nossos políticos, sem excepção, não estão preparados para lidar com a nova face económica.
Acresce que perdemos âncoras fundamentais - o Ultramar - gastámos à barba-longa - rede de estradas megalómana, expo 98, euro 2004, desvios de fundos comunitários (formação), entre muitos outros exemplos - e nos preparamos para despesismos politicos grandiloquentes - novo aeroporto, TGV, travessia do Tejo (somos campeões das obras-públicas) - concorrendo para um aumento da deriva.
Em 2013 tocaremos no fundo. Resta começar a treinar a apneia e atingir costa noutro qualquer lugar.
Portugal está prestes a acabar.

21.4.08


Recessão ou Depressão Económicas....

DEFINIÇÕES:

(1) Uma recessão é uma queda significativa na atividade económica espalhada por toda a economia, com duração superior a dois meses e visível no PIB real, no rendimento das famílias, na produção industrial e nas vendas.;

(2) Uma depressão económica é caracterizada por um estado agravado de recessão, ou seja, um longo período de desemprego em massa, falência de empresas, baixos níveis de produção e investimentos, desvalorização dos títulos, ações e derivados nas bolsas de valores, conduzindo a consequências muitíssimo negativas para a economia mundial.
§
Nomeadas as situações e definidas convenientemente, convinha agora perguntar qual a que escolhe (não tem outras alternativas): claro que a escolha recairia sobre a primeira (do mal o menos). Mas não, desengane-se, não tem escolha. Já escolheram por si há muito tempo: é a segunda, sem apelo nem agravo.

7.4.08

Luis Filipe Menezes e a caça às rolas...

Luis Filipe Menezes (LFM) continua a dar umas boas calinadas, mesmo quando pretende ser demagógicamente eleitoralista.

A terceira travessia sobre o Tejo não pretende ser uma obra para satisfação dos lisboetas, mas sim uma obra que encete a resolução de questões de densidade de tráfego graves e qualidade dos transportes urbanos para todos que, não trabalhando em Lisboa, para aqui se têm de deslocar diáriamente.
Para diminuir o tráfego viário na cidade de Lisboa é necessário dotar os transportes urbanos e sub-urbanos com a qualidade e rapidez necessárias, para que se tornem alternativas viáveis para as deslocações diárias, empreendidas por centenas de milhares de portugueses, para e de Lisboa.

Pouco falta para que a ponte Vasco da Gama comece a ficar saturada.
O desenvolvimento urbano de Alcochete será uma enorme realidade, antes mesmo de ficar concluída a infraestrutura aeroportuária.

A Grande Lisboa (GL) carece de uma especial atenção; está previsto que, dentro de cerca de 2o anos, perto de 55% da população nacional habite naquela zona. É então necessário contribuir, decisivamente e já, para o crescimento económico das vilas e cidades situadas no perímetro da GL, procurando atempadamente diminuir o crescimento, inevitável, da pobreza e da exclusão social, que uma migração tão forte ao nível de indivíduos forçosamente tenderá a acarretar.
Esquecer estas questões é provincianismo puro. E demagogia política. E falta de seriedade. E falta de conhecimentos.
LFM já nos habituou, infelizmente, a discursos marcados pelo circunstancialismo e aproveitamento de matérias fracturantes, a cada momento político. Tenha-se em conta a falta de honestidade política e a tremenda demagogia (estupidificante e mentalmente redutora) latentes na promessa de baixa de impostos, colocando Portugal ao nível espanhol, caso fosse governo em 2009 -claro que, como bom caçola, diria ao jeito de Sócrates que não poderia cumprir, por desconhecer em quão mau estado iria encontrar o País.

Felizmente não vai ganhar as eleições (infelizmente para o PPD/PSD e para o país) e, com alguma sorte nem as disputará, mas começo a ficar farto que os políticos que se pretendem apresentar a eleições prometam e prometam, tendo como base da hipótese real, o facto do incumprimento poder ser justificado pelo desconhecimento. Se não conhecem, como é que raio começam por ser candidatos?
Quero políticos que pensem o meu País, não quero quem o desconheça.
LFM já está a pensar nas eleições, nos eleitores de Lisboa, quando faz semelhantes afirmações com relação à 3ª travessia do Tejo. Ou estará a pensar em interesses escondidos. Não sei responder...
Mas uma coisa sei: falar em Algés-Trafaria para os lisboetas é tão importante como foi recebida a notícia no Montijo de que a ponte seria Chelas-Barreiro, ou seja, importância nenhuma.
LFM anda aos "tiros às rolas", mas não tem pontaria nenhuma. Não haverá quem lhe explique que o cano tem de estar virado para cima?
Caçar votos entre os mouros, nova estratégia de LFM. Será que mouros são só os lisboetas ?
Por último gostaria de ver satisfeita uma curiosidade: o que será o "fontismo provinciano" ?
Acaso terá paralelismo com os governos de Cavaco Silva ?
O que será?
"Felizmente não vai ganhar as eleições (infelizmente para o PPD/PSD e para o país) e, com alguma sorte nem as disputará [...]"

Bem sabe que eu não poderia estar mais de acordo. Só é pena que o PSD em geral - e os sociais-democratas elitistas, sulistas e liberais em particular - não tenha percebido isso há três meses atrás, quando elegeu LFM para lí­der :)

MCM

6.4.08






Faleceu Charlton Heston, aos 84 anos de idade.

Galardoado com um Oscar de melhor actor em 1950, pela sua interpretação em "Ben-Hur" na famosa corrida de quadrigas, interpretou igualmente papeis de enorme importancia em filmes que marcaram a industria cinematográfia, como Moises, Michelangelo, El Cid entre outras figuras épicas retratadas em Hollywood, nas décadas de 50 e 60.

31.3.08


Mike Bernard

A Pedrada no Charco...

O desrespeito pelas instituições e seus representantes é uma realidade conhecida por todos nós, há muito tempo.
A total falta de educação, civismo e cidadania é igualmente apanágio de toda a estrutura social pós-25 de Abril.
O aumento da criminalidade violenta (denunciada neste sítio nos idos de 2006) e não violenta, fruto directo da ausência de valores, enfraquecimento do poder policial, judiciário e filha do pantanoso sistema político, dito democrático, em que vivemos, é filha directa e dileta da estúpida política de urbanização dos municípios (dos grandes municípios), que cometeram erros conhecidos de outros lugares e com muitos anos - a construção de guetos.
Igualmente contribuitiva, a política errática migratória que começou por permitir a entrada no nosso País de cidadãos com alguma formação, mas que de há muito tempo a esta parte fez ouvidos e pensamento moucos a uma outra realidade: sendo a imigração inicialmente proveniente de espaços que entretanto foram incluídos no espaço comunitário, passaram estes nossos parceiros a oferecer aos seus cidadãos opções de vida muito melhores do que aquelas que nós lhes poderemos oferecer agora (se nem para os nossos temos oferta), ficando sujeitos, a partir do momento da criação da expectativa UE, à entrada no País da escória que não tem cabimento na reconstrução dos mencionados parceiros comunitários.

Tudo isto é verdade e contribui, com sinal negativo, para um acumular de tensões e crispações que geram manifestações de natureaza variada.
Entre estas conta-se a "violência" escolar, o desrespeito pela instituição escola e pelos seus representantes, os professores. Não está generalizado mas está suficientemente difundido para se tornar preocupante. Claro está que não é assunto de polícia, a menos que se verifiquem agressões e maus tratos físicos, que nem os verbais aqui terão cabimento. O ensino tem mecanismos para lidar com estas situações, desde que não sejam extremas, que passam da repreensão oral até à expulsão pura e dura do faltoso.

Porém, como em tudo na vida, é necessário saber fazer uso do poder e legitimidade de que se está imbuído.
Analisado o caso que se passou no Carolina Michaelis, que até PG da República e PR já meteu, verifica-se que se está perante uma situação que alberga comportamentos reprováveis, sendo porém estes comportamentos reprováveis, quer por parte da aluna envolvida, quer da própria professora.
Analisando: (1) a aluna fere um princípio de respeito óbvio ao utilizar o seu telemóvel na sala de aula; (2) reage mal, muito mal, à apreensão do telemóvel pela professora, excedendo em muito o limite do possível no que ao comportamento e educação diz respeito, merecendo castigo pesado pela sua atitude; (3) a professora tem mecanismos para castigar a prevaricadora: dar ordem de saída imediata da sala de aula, por mau comportamento, à aluna, esperando que esta acate a sua decisão. Não acatando, a professora pede a ajuda de um auxiliar escolar para se fazer obedecer ou, em extremo, sai da própria sala de aula, fazendo recair o peso desta absurda necessidade sobre toda a turma, por passividade ou mesmo conluio com a aluna duplamente prevaricadora. E por aqui se ficava a história, sem contornos nacionais e sensacionalistas, sem you tube, sem nada...

Mas não, a professora deixou de ser professora, perdeu a noção do poder e legitimidade de que se encontra investida e reagíu como uma mãe: tirou o telemóvel à "filha" e insistíu, quando percebeu que a "filha" se rebelava, e voltou a insistir e a insistir, sem poder contudo, porque não é mãe, impor essa condição ou indo mais longe, dar os dois tabefes que se apropriavam à circunstancia.
Porque um telemóvel é hoje, para a maioria dos jovens, muito mais que um mero telefone - o telemóvel funciona como diário, um registo, quer de chamadas quer de sms, sendo portanto um instrumento muito pessoal - desperta, claramente, um sentido profundo de propriedade.
O que a professora fez naquele momento foi apropriar-se, indevidamente, de propriedade alheia, exorbitando o seu poder na sala de aula. Em suma, não soube exercer o poder que a institução lhe delega quando se encontra no interior de uma escola ou num raio de 200 metros dessa escola.

As culpas estão repartidas, mas este não é, nem pode ser, caso de polícia. É um caso para ser tratado na escola, para ser maduramente pensado, do qual se podem tirar ilações sobre a natureza do poder e a capacidade de o exercer, sobre os comportamentos, a sua evolução e as medidas quer preventivas quer prossecutórias.

A professora descansa em casa, provávelmente até ao fim do ano, por se encontrar abalada psicológicamente. Acreditamos que esteja fragilizada, mas pensamos que deveria estar em casa em recuperação e, simultâneamente, a aguardar o resultado do inquérito que deveria ter sido movido de imediato, quer à aluna e respectivos colegas, quer à professora, para análise exaustiva das condutas verificadas naquele dia, naquela sala de aula daquele estabelecimento de ensino.

§
Para que se perceba o alcance do valor do telemóvel (de todas as novas tecnologias no geral ) reproduzo parte de uma peça da autoria da empresa de soluções de segurança para sistemas de comunicação unificados:
esta empresa "... sublinha o facto de muitas companhias não reconhecerem a utilização dos serviços de mensagens instantâneas como ferramentas de trabalho e lembra que isso não evita a sua utilização. Recomenda o reconhecimento destas ferramentas de comunicação e a sua integração nas políticas de segurança das empresas, a par com o controlo da informação que é veiculada por esta via".

Ou seja, adaptando à nossa situação: quando tomamos posse de um telemóvel que não é nosso, podemos tomar conhecimento da informação ali guardada - quer recebida quer transmitida.
§
Não sabemos que tipo de informação poderia conter o telemóvel apreendido pela professora à aluna, no Carolina Michaelis, nem ninguém saberá, mas todos convimos que será do foro estritamente pessoal e privado da aluna e que a privacidade se poderia perder, acaso a professora ficasse com o aparelho apreendido. Justificaria a informação, os sms, a atitude semi-tresloucada da aluna? Não o cremos, mas se quisermos ser totalmente imparciais teremos de afirmar: não o sabemos.

O que sabemos é que não se justifica um adulto, com responsabilidades, fazer finca-pé pela posse de um telemóvel numa sala de aula.
Até poderia insensatamente tentar, mas vendo a reacção intempestiva, devolvia-o de imediato e dava uma ordem firme e segura de expulsão da sala de aula à aluna prevaricadora.
Esta seria a aitude normal de um adulto maduro, professor, com responsabilidades perante 30 alunos, numa sala de aula.

12.3.08

E para quando seriedade?

É já evidente que as instituições financeiras nacionais perderam imensa liquidez com a crise do sub-prime. Alguém se importa de dizer quanto é que se perdeu e como pensam ultrapassar o problema? E as provisões?, vão afectar os resultados de 2009? É que já deviam ter afectado os resultados de 2008. O que dirá, na altura em que a castanha estalar, o BdP e o seu douto Governador? E as consultoras e auditoras? E os revisores de contas? E os administradoes dos bancos? E o governo?

Não basta dizer que não vai haver dinheiro para crédito este ano. Há que dizer que não vai haver por falta de liquidez no sistema financeiro.
Não basta dizer que o dinheiro que gira no sistema interbancário está mais caro. É preciso dizer que a credibilidade das instituições financeiras está afectada, havendo quebra de confiança dos agentes económicos externos.


Keith Dunkley

Os problemas europeus...

Como aqui foi dito e redito, a preocupação após sub-prime não é a economia americana mas sim a europeia.

Com o petróleo a aumentar, mas indexado ao dólar e com o dólar a desvalorizar face ao euro, não pode ser a esta luz que o problema da inflação na Europa se deverá colocar (mas será o problema da inflação um verdadeiro problema? Não é!).

Bom, não sendo à luz do custo do petróleo, basta atentar nas razões que levam a um aumento dos preços, para perceber quais os problemas económicos do espaço único europeu. Problemas só europeus, que carecem de solução no espaço europeu.

10.3.08



Herbert Richter

Como é que não importa se há ou não RAZÃO ?

Sobre as razões e contornos da mega-manifestação de Sábado dia 8, interligadas com outros sinais de descontentamento, ler aqui.

Sobre a resposta política do actual governo, é desolador verificar que o primeiro-ministro se esconde atrás da ministra e que esta, a despeito de ter toda uma classe profissional contestatária, assume o discurso da redução da razão ou sua ausência a um mero exercício de retórica, colocando o ênfase nas reformas.
Será então possível levar a governação de um país dito democrático a sério, quando os seus governantes assumem uma postura de rotura com a população, persistindo em caminhos que desagradam e que, feitas as contas, não introduzem a tão necessária reforma de que o país necessita?
O problema coloca-se ao nível da educação, da saúde, da inserção social, do emprego, da capitalização, do crescimento económico, da diminuição das desigualdades, da repartição do rendimento......
O problema é tão vasto que tem tudo a ver com a concepção política e económica de Portugal, não sendo uma questão que se restrinja à educação, mas a toda a sociedade.
Estiveram em manifestação 100.000, poderiam ter estado 5 milhões.
Esta é a verdadeira questão: todos, sem excepção, têm razões de queixa de sobejo, para se manifestarem em todas as cidades, vilas e aldeias de Portugal. Todos, com razões locais e nacionais, têm o direito à indignação. O serem 100.000 (muitos, mesmo muitos atendendo tratar-se de uma única classe profissional) exigiria uma resposta séria por parte do governo. Porque de contrário temos garantido que tivessem sido 5 milhões e a resposta seria a mesma: não importa de que lado está a razão, importa sim continuar o caminho traçado pelo governo.

Já ouvi este discurso, com uma enorme diferença: reconhecia muito maior competência a quem o fazia e não andava enrolado na falácia das palavras - não vivíamos em democracia.