22.11.07

Mas algum deles sabe o que é desejável? Pensaram nisso a sério?

«É desejável que o sistema de IRS tenha três taxas de tributação e abatimentos, deduções e benefícios fiscais reduzidos ao mínimo dos mínimos», disse João Amaral Tomaz no debate na especialidade em plenário do orçamento do Estado para 2008.

Esta proposta equivale a dizer, de imediato, o seguinte: o sistema assim é bom, porque permite arrecadar mais e, assim sendo, gastar no mínimo o mesmo. Por outras palavras ainda; eles cada vez têm menos para contribuir, portanto vamos lá aproximar a ainda classe média, única que tem os rendimentos afectados directamente pela conjuntura económica e não tem capacidade multiplicativa desses rendimentos, da classe de portugueses muito desfavorecidos, que já não têm como contribuir com mais.

Mas a questão é outra:
O sistema de IRS pode até ser um sistema com três, quatro, cinco, seis ou sete taxas de tributação, como existe actualmente, mas nunca será ideal enquanto fôr cego ao desempenho da economia.
O sistema ideal de IRS terá de assentar na capacidade de medir os resultados económicos trimestralmente e, aplicar subidas ou descidas de taxas, consoante os indicadores económicos apontem para crescimento ou retracção económica. Porque o estado não tem direito a consumir sempre o mesmo (por alminha de quem), sendo forçados os cidadãos a consumir menos em períodos de retracção e um pouco mais em períodos de expansão. O estado terá de sentir esses mesmos efeitos e consumir de acordo com as possibilidades do momento. Ademais, acresce a este propósito a necessidade do estado orçamentar com muito maior cuidado as suas despesas e dispor de instrumentos de ajuste orçamentais céleres.
Enquanto o sistema não contemplar o desempenho económico, o estado será o consumidor privilegiado e despreocupado e o cidadão o consumidor penalizado e preocupado.
Mas este raciocínio simples "is too much complex" e pouco apelativo para uma classe política que não pensa, executa mal mas se trata muito bem.

21.11.07

O que se diz e se quer dizer....

A nomeação do PGR já é política.
O que Pinto Monteiro pretende é ir mais longe do que a leitura política das suas palavras e alertar, neste momento, para um fenómeno novo na sociedade portuguesa: a perseguição política. Esta perseguição assume-se quer através do MP, quer do Fisco, quer no interior dos partidos políticos. O receio de falar, actuar, dizer ou escrever existe e acentua-se. Ainda é recente, mas já ultrapasou o estado larvar.

9.11.07



Gosto da pintura de Gauguin, mas que beleza, para além da cor, do traço forte e característico, pode existir neste quadro?
O título é sugestivo:
"Te Poipoi (De manhã)".
Por mim, não tenho qualquer dúvida. Se o quadro fosse mais escuro, poderia ser "Ao anoitecer".

Reflexão....

Se é aceitável, sem suscitar qualquer tipo de discussão para os padrões de comportamento políticamente correcto adoptado hoje em dia, que uma ditadura possa ser derrubada para que surja em sua substituição uma democracia, porque razão não é aceitável em democracia derrubar os actores políticos, mantendo-se a democracia e substituindo-se as caras?
É que de outra forma, de que serve a democracia, se não existe a figura do discurso e pensamento subversivo?

Só asneiras...

NÃO FAÇAM ASNEIRA!!!!
Acabar com o sigilo bancário, mesmo que em parte, mas de forma oficial é o mesmo que dizer: tirem a vossa liquidez do País.
É um disparate completo. Portugal necessita de liquidez como pão para a boca. O sigilo bancário faz parte do egrégio funcionamento da banca, em qualquer parte do Mundo.
Ademais, todos sabemos que oficiosamente o sigilo já não é o mesmo. Para quê, então, oficializar o que já se faz pela porta do cavalo?

8.11.07

Fraquezas no PSD...Forças no CDS

No fim de mais uma discussão politico-orçamental, para lá, muito para lá, da concordância ou não com os números, os métodos, os objectivos e a política inscritos no OE 2008, ficou algo de muito preocupante; o fraco desempenho e a ausência de leitura política do PPD/PSD. Assim e a saber:
i) O CDS/PP apresentou-se muito bem preparado para a discussão política mais que orçamental esperada, sabido antecipadamente que o OE estava, per se, aprovado pela maioria absoluta PS tirando largo proveito do anunciado frente-a-frente S. Lopes/J.Sócrates, para ter, às cavalitas destes, um número inusitadamente alargado de ouvintes;
ii) Tem o CDS/PP o mérito, ainda, de ter preparado um discurso político maduro, numa mistura de verdade e realidade (com alguns salpicos demagogos), fundamentais na discussão de ideias, provando conhecimento do "terreno" e tocando nas dificuldades nacionais. Acresce que os quadros humanos do partido são, reconhecidamente, escassos, projectando-se assim uma certeza indesmentível: esta discussão do OE 2008 deu muito trabalho a muito poucos;
(iii) Do outro lado, a estranheza de verificar quão mal preparado se apresentou o PPD/PSD. Vazio no discurso político, sem ideias, com dificuldade em se afirmar na discussão, o partido mostrou estar em grande convulsão;
(iv) A falta de ideias do PPD/PSD não pode advir da ausência de capital humano, que até é reconhecidamente mais rico do que aquele de que dispõe o PS. Se naõ é por falta de capital intelectual só pode ser por um somatório de razões, entre as quais se destacarão as divisões internas, o cansaço de uns, o fastio de outros, a verificação das políticas erráticas e, ainda, pela convicção interna, gerada atabalhoadamente pela direcção do partido, nas expectativas colocadas no desempenho do Presidente da República, redundando num espírito de cria abandonada;
(v) Foi assim, com a imagem de cão abandonado à chuva, que o PPD/PSD se apresentou, de nada valendo o recurso a um tribuno reconhecido como Pedro Santana Lopes. Porque a hora não era de improviso nem de verbo eleitoral; a hora era feita de saber, de estudo, de preparação séria, de leitura atenta de todo o OE e, igualmente, de aproveitamento das fraquezas discursivas do Primeiro-Ministro, que há muito padece do mal de gostar mais de se ouvir do que escutar (esteve muito bem P. Portas). O PPD/PSD não fez o trabalho de casa e mais não se podia pedir a Santana Lopes. Mais, não fazendo o partido o tpc, Santana ficava forçosamente exposto, como ficou, dando ainda de si uma ideia de fragilidade política, que fácilmente se casa com o passado recente. Tem muito que pensar Pedro Santana Lopes: a calçada está poída e inclinada. É bom que veja onde e como pisa.
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A solução era pegar na vaidade e na repetição discursiva do PM e enveredar por discurso inovador. Foi o que fez o CDS/PP. Foi o que fez Paulo Portas.
Tivesse Portas metade dos ícones que orbitam no PPD/PSD e pergunto-me onde chegaria o CDS/PP.

6.11.07

Leilão para "hiper-prime", sem gosto...



A “Liz’’ de Warhol, na imagem, pertença de Hugh Grant, vai a leilão na Christie´s por um valor na minha opinião absurdo, porque a pintura de Warhol sempre me fez desconfiar da verdadeira acepção da palavra arte, quando aplicada ao seu trabalho, pela génese da criação passar por aquele que terá sido o primeiro "viveiro" de papel e telas. Mas os especialistas dizem que esta "Liz" é muito forte, muito mais colorida do que as outras doze que também pintou, justificando-se assim o seu valor e aquisição.
De qualquer forma fica a informação: Novembro, 13, vai à praça o trabalho de Andy Warhol, de Título "Liz", 1963, com um valor estimado de venda entre dólares $25 milhões a $30 milhões.

1.11.07



Blue House
A outra margem.
Barreiro

Falácias....políticas

Vital Moreira escreve no "Causa Nossa" que a haver referendo deveria perguntar-se se "Portugal deve sair da Europa", a questão essencial e não referendar o acessório: o "Tratado de Lisboa".
Por outras palavras, pretende Vital Moreira que, a não se perguntar o óbvio e pertinente, não faz sentido referendar o secundário. Nada mais falso!
Referendar a permanência de Portugal na UE implica mais do que a simples pergunta, implica a existência de solução alternativa: saber-se o que se quer, como se chega e quem serão os parceiros de viagem. Esta trilogia é impossível de avaliar presentemente, pelo que a pergunta não poderá ser colocada.
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Uma outra seria possível: deverá Portugal permanecer na zona euro ou não? Esta tem uma implicação directa: controle sobre a política monetária e utilização da ferramenta económica, ou não!
A esta possível pergunta, neste preciso momento e perante todo o circunstancialismo político que vivemos, respondo claramente e sem titubear que também não é possível qualquer referendo, porque seria totalmente irresponsável sair neste momento da zona euro e deixar a política monetária na mão da incompetência política.
Quem me conhece e lê sabe que sou, desde a primeira hora, contrário à adesão á zona euro, bem como sou a favor de uma Zona de Comércio Livre na Europa e não a uma União Europeia. Mas há momentos e há momentos e não podemos apagar o que foi feito.
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Voltamos então à primeira forma: faz sentido referendar o Tratado de Lisboa? Faz todo o sentido.
Ao referendar o Tratado, referenda-se o aprofundamento e aqui subjaz a questão: já lá estamos, será que nos queremos comprometer ainda mais?
Ademais quando sabemos que a este aprofundamento do comprometimento, acresce a perca de prerrogativas e a diminuição do peso político, tudo somado contribuindo para uma redução brutal da capacidade de intervenção ao nível económico e social, o mesmo é dizer, da capacidade de defender os nossos interesses (está implícita na afirmação a capacidade de regeneração política do País, trazendo um acréscimo decisivo de ideias e discussões de que o País urge).
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Torna-se assim claro que a pergunta a referendar é simples, nada tendo a ver com a complexidade do Tratado (aliás a pergunta é tão mais simples de formular, quanto mais complexo se constatar ser o texto a referendar, porque a complexidade advém exactamente do aprofundamento acima referido, pela dificuldade de politicamente se explicar).
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Igualmente não colhem as opiniões de quem defende que um referendo destes acaba, sempre, como um referendo muito mais sobre as questões nacionais que nos inquietam - o desemprego, as condições de vida e outras preocupações legítimas - do que aos tratados e ao projecto europeu.
Porquê? Porque uma situação não está separada da outra: quando um País perde todas as ferramentas de controle económico e segue políticas ditadas por aerópagos externos, a responsabilidade da conjuntura interna é, igualmente, responsabilidade do espaço político/económico a que pertence. Quando digo que Portugal não tem condições de providenciar melhores condições aos seus filhos, estou a dizer que a Europa não serve, nos moldes actuais, a Portugal. Uma acção não está separada da outra.
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Faz todo o sentido perguntar se nos queremos empenhar ainda mais no projecto europeu, ainda por cima com acréscimo de custos, perca de poderes e de soberania.
Não faz sentido perguntar se queremos ficar na UE, porque, por ora, não temos alternativa.
Falácias....

30.10.07

Para seguir a Discovery na viagem à estação espacial internacional

http://www.nasa.gov/multimedia/nasatv/index.html

Agora, infelizmente, menos céu e pés na Terra...

Lista dos 55 países e regiões estudadas pelo IMD e incluídos no livro: "IMD World Competitiveness Yearbook 2007":
Argentina
Australia
Austria
Belgium
Brazil
Bulgaria
Canada
Chile
China Mainland
China Hong Kong
Colombia
Croatia
Czech Republic
Denmark
Estonia
Finland
France
Germany
Greece
Hungary
Iceland
India
Indonesia
Ireland
Israel
Italy
Japan
Jordan
Korea
Lithuania
Luxembourg
Malaysia
Mexico
Netherlands
New Zealand
Norway
Philippines
Poland
Portugal
Romania
Russia
Singapore
Slovak Republic
Slovenia
South Africa
Spain
Sweden
Switzerland
Taiwan
Thailand
Turkey
Ukraine
United Kingdom
USA
Venezuela
§
Garanto que não me levantei mal-disposto ou zangado.
Lamento se acaso o leitor até estava bem-disposto, de bom-humor e, depois de levar com estes dados, se vai zangar com a vida ou pensar que o andam a gozar. Pois é; parece, segundo dizem (que eu não sou de intrigas) que mais de 90% das notícias em Portugal são pagas/encomendadas. Será possível? Não acredito!!!
Verdade mesmo é que o discurso político tem muito pouco de real ou mesmo de demagogo, em Portugal: é mentira pura mesmo. Mais grave, todos mentem.
E depois, sempre aparecem uns brincalhões, enxofrados por se desdizer o que o(s) partido(s) afirma(m), a querer dar lições sobre regiões, autonomias e outras confusões, enfim, a panóplia do costume, comprada nos telejornais e media em geral, que passam opiniões como se vendem artigos nas lojas dos trezentos: quantidade alguma, qualidade nenhuma. Para esses, aqui vão muito poucos dados sobre a nossa economia (porque os tenho todos mas são caros e só interessam para aqueles que não se satisfazem com as poses e discursos institucionais, dou conta dos que estão disponíveis on-line), sobre o nível de vida, sobre as infraestruturas, sobre os direitos e a educação dos cidadãos, entre outros indicadores utilizados para aferir o desempenho dos países e regiões.
Os indicadores são divididos em 4 categorias, a saber:

Economic Performance (79 criteria) Macro-economic evaluation of the domestic economy: Domestic Economy, International Trade, International Investment, Employment and
Prices.
.
Government Efficiency (72 criteria) Extent to which government policies are conducive to competitiveness: Public Finance, Fiscal Policy, Institutional Framework, Business Legislation
and Societal Framework.
.
Business Efficiency (71 criteria) Extent to which the national environmnent encourages enterprises to perform in an innovative, profitable and responsible manner: Productivity and Efficiency, Labor Market, Finance, Management Practices and Attitudes and Values.
.
Infrastructure (101 criteria) Extent to which basic, technological, scientific and human resources meet the needs of business: Basic Infrastructure, Technological Infrastructure, Scientifi c Infrastructure, Health and Environment and Education.
(clicar na imagem para aumentar)

Como se constata, no crescimento do PNB (produto nacional bruto) em 2006, somos fáceis de encontrar.

Repare-se como a Espanha aumenta, em termos relativos, 3 vezes o PNB, quando comparado com o nosso País. A fase seguinte é simples: consideramos em termos absolutos e ficamos siderados.

Em 2007 a Espanha irá ter um superávite de 1,5% e nós um déficite (gerado por despesas correntes!) de 3,5%. Como nestas circunstâncias soma, temos um diferencial de 5%. Lindo!!

(clicar na imagem para aumentar) ...........É curioso verificar a evolução de Portugal, tanto a nível geral como, particularmente, a nível dos indicadores de desempenho económico, ao fim e ao cabo aqueles que mais nos importam (período comparado: 2003-2007). O 48º lugar (em 55) no desempenho económico em 2007 é muito interessante!!!

28.10.07

Não à regionalização. Não ao PSD....

Questionado sobre se o PSD pretende «discutir ou fazer» a regionalização já em 2008, Ribau Esteves respondeu: «Discuti-la para a fazer, para a fazer bem».

A regionalização de Portugal é o maior disparate político possível de defender, no pós-colonização.
A dimensão do País, a noção de espaço político-geográfico comum e que remonta a quase 900 anos de História, bem como a mais elementar questão de solidariedade entre indivíduos nascidos sob uma mesma bandeira e num mesmo território, impede qualquer pensamento de regionalização, leia-se divisão, do espaço político-económico. A defesa da regionalização, baseada em pressupostos de aumento de rendimentos intra-espaciais através de mecanismos concorrenciais, é uma enorme falácia.
O que de facto se pretende é alijar responsabilidades de condução do País, tornando-o sistemática e coerentemente pobre.
Mais acresce, se levado em conta o desconforto unitário da vizinha Espanha.
Defender uma regionalização em Portugal, quando em simultâneo a Galiza formaliza a vontade de adesão ao espaço da Portugalidade, assemelha-se em tudo a um golpe-de-estado, a alta traição.
A regionalização é um acto de cobardia política.
O PSD não pode defender a regionalização em nenhuma circunstância.
Acaso o faça deixará de ser credível e nacional. Deixará de ser o caminho de voto de milhares de portugueses e, se assim fôr, que avance já a nova força política na forja.

19.10.07

Hillary cada vez mais presidente....

Retirado, com a devida vénia do, The New York Times, edição de hoje.
"Hillary Clinton leads the Democratic field with 51 percent of the vote.
She beats Barack Obama by 24 percentage points among black Democrats.
She is projected now to beat Giuliani – or at the very least to be in a statistical dead heat with him in the general election.
........
This wasn’t supposed to happen. According to the received wisdom of those in-the-know here in Washington, Hillary was supposed to be divisive, unelectable, “radioactive.”
........
(“I think the one thing we know about Hillary, the one thing we absolutely know, bottom line, [is] she can`t win, right?” is how MSNBC host Tucker Carlson once put it to New Republic editor-at-large Peter Beinart. “She is unelectable.”).
.........
The “we” world of Tucker Carlson knew what they knew about Hillary Clinton — right up until about this week, I think — because they spend an awful lot of time talking to, socializing with and interviewing one another.
What they don’t do all that much is venture outside of a certain set of zip codes to get a feel for the way most people are actually living. They don’t sign up for adjustable rate mortgages, visit emergency rooms to get their primary health care, leave their children in unlicensed day care or lose their jobs because they have to drive their mothers home from the hospital after hip replacement surgery.
Hillary Clinton’s supporters, it turns out, do.
§
E é esta a grande verdade. Não há discursos políticos (que têm forçosamente de ser demagogos) que aguentem a dura realidade diária.
Vamos ver, aqui e lá fora nessa Europa perdida, quanto tempo aguenta a Europa com a flexisegurança, ou quanto tempo aguenta esta, sem se perder a noção ridícula de Europa (acaso a "flexi" não seja só um instrumento vocal político, destinado a ser sorvido pelo papel).

18.10.07

Quem é ele?

Ao contrário daqueles que gostam de ver pelo canudo dos outros, eu gosto de ver Menezes e Santana no assalto à verdadeira oposição. Sócrates que se cuide porque o combate político começou e, como qualquer combate político, não tem de ser limpo.
Aliás, a esse propósito, ainda não ouvi ninguém a fazer referência ao curriculum académico de L.F. Menezes nem ao facto de estar em Paris, como ilustre investigador e médico pediatra. Nem qualquer realce às suas vitórias políticas.
Quem os ouvir há-de pensar: "...o homem é um arrivista sectário, pretencioso, mas de pouca ou nenhuma valia prática". Mas que homem???

SIM às "Chinatowns"

Espanto-me com as razões invocadas para a saída de Maria José Nogueira Pinto do projecto baixa-Chiado.
Espanto-me ainda mais com o silêncio de uns quantos que, por tudo e por nada, empunham espadas e desafiam dragões.
Então a criação de uma "Chinatown" em Lisboa é censurável? Só na cabeça do demagogo J. Sá Fernandes, que já trocou o BE por um apetecível lugar nas próximas listas do PS a Lisboa (ele até é independente) e de um António Costa, presidente, que talvez, e acentúo o talvez, tenha guardado o silêncio por um qualquer comprometimento político que não descortino. Porque, enfim, sempre é ele que manda e que garantirá a permanência de JSF na Câmara de Lisboa nas listas do PS.
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Acaso desconhecem estes senhores o número de chineses disponíveis a mudarem-se de armas e bagagens para todo o mundo? Acaso desconhecem a realidade de outras metrópoles (essas sim, grandes) que tiveram e cedo o perceberam, a necessidade de criar núcleos de comércio residencial para os cidadãos chineses? Acaso esuqeceram que estamos a falar de mais de 1/4 da população mundial?
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Já estiveram em Évora recentemente? Já deram conta como numa cidade linda como aquela, a existência de 4 ou 5 lojas chinesas desvirtua toda a beleza e enquadramento histórico?
Acaso ainda não perceberam que os chineses, aqueles que abrem "lojas chinesas" de ocidentais nada têm?
Já se deram conta que para os arrendatários tanto se lhes dá? Já terão percebido que, quando se trata de construção civil (pato bravo e não só) o proprietário é sempre arrivista quando se trata do interesse nacional?
Deste ponto estou convencido que sim, tal a a ferocidade com que o capital normalmente é atacado. Ataca-se o capital mas depois dá-se-lhe rédea solta?
Não entendo.
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Lanço um repto: a criação de uma petição a favor da criação de uma "Chinatown" em todas as cidades portuguesas, a começar por Lisboa, a passar pelo Porto e a acabar em Faro, que exija a desmaterialização das actuais instalações e a sua recolocação em espaço próprio, consignado para o efeito, dentro das cidades mas perfeitamente reconhecido e enquadrado.

A questão da Flexisegurança, tão má e irremediavelmente necessária...

A questão central que traz milhares a Lisboa, pela mão da CGTP é, supostamente a flexisegurança, ou seja, o aumento da precariedade no trabalho e a redução dos salários. Não se discute a sua necessidade nesta Europa errática (não por falta de um qualquer Tratado salvador) por culpa de governos e governantes que tentam conjugar os interesses particulares com os interesses colectivos - sejam aqueles pessoais ou nacionais e estes empresariais ou supranacionais.
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A verdadeira razão da intervenção deveria ser mais a da cobrança política, do que a da discussão da necessidade.
O que os cidadãos de toda a Europa em geral se têm de perguntar é, acaso as promessas políticas tivessem sido realistas e profundamente verdadeiras, seriam estes (leia-se todos os que até agora exerceram funções políticas e opinion makers) os políticos escolhidos e o modelo escolhido?
Creio firmemente que não!
Estamos a pagar o preço demagógico de ter transformado um modelo de gestão económica possível (zona de comércio livre) num modelo político ingovernável (federação de estados).

10.10.07

Até sempre....



Há uns anos, aquando de uma subida de divisão da Académica, apanhámos, literalmente, um banho de espumante no restaurante onde nos encontrávamos, banho no qual se incluíu também Jaime Cortesão e que foi preparado pelos jogadores do clube, sem qualquer aviso prévio. Naquela noite, no regresso a Lisboa, ria sózinho de um dia e noite cheios, passado entre amigos.
Conhecia-o há 14 anos e, do Fausto, ocorre-me dizer que era uma amizade que se entranha. Agora, fica o estranho sentimento feito certeza da saudade, demasiado óbvia e demasiado precoce, demasiado tudo para ser contido em palavras.
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Nos idos de Agosto, um outro amigo, amigo de ambos, se ausentou para onde alfa e ómega se juntam. Imagino-os juntos, agora, à conversa como tantas e repetidas vezes o fizeram.