23.6.07

A despesa com carência...de inteligencia

«...sustentabilidade orçamental para o Estado português», visto que «a consolidação total do investimento inerente ao projecto não terá grandes repercussões nos primeiros anos»

Palavras grandes na apresentação do modelo de negócio da RAVE (Rede Ferroviária de Alta Velocidade).
Grandes não em todos os sentidos, nem no menos mau dos sentidos. As palavras são "grandes", porque são proféticas. E sabe-se que há profecias péssimas, aterradoras.
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Se de uma profecia se trata, terá de se interpretar o seu sentido, para perceber a mensagem. Essa interpretação não necessita de cabálas nem de recorrer a métodos semelhantes aos enumerados por Dan Brown. Bastará uma leitura do passado recente (SCUTS) e uma coerente aplicação do conhecimento actual para se perceber todo o sentido:
quando os custos não produtivos surgirem, já Sócrates e demais que lhe são próximos estarão a (a) jogar golfe); (b) dirigir um qualquer conselho de administração ou comissão executiva, enquanto jogam golfe ou;(c) à frente de uma qualquer comissão ou alto-secretariado da UE, das NU ou quejando, a viajar pelo MUndo e a jogar golfe:
os meus filhos e os filhos de todos os outros andarão, em 2013, com uma enorme dor de cabeça, a tentarem perceber como é que vão pagar os custos das SCUTS, de uma qulaquer OTA e do TGV, entre todos os outros custos gerados pela Estado.
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Foi fácil não foi?
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Isto das despesas com período de carência são óptimas, quando a responsabilidade de liquidação recai sobre outros que não nós próprios.
Será que posso aplicar o mesmo princípio na aquisição de uma casa em Miami; um veleiro de 20 metros; uma outra casa em Paris (sei exactamente onde) e ainda uma em NY (sei também onde seria); um jacto privado e ainda obter verbas avultadas para subsidiar todas estas despesas?
Vou pensar sériamente no assunto. Se arranjar solução de consumir tudo isto sem me responsabilizar pelo pagamento, prometo escrever, aqui, a solução, desde que não a digam a muita gente.

20.6.07



FulvioMendes

A importancia do depois de amanhã

Errantes estávamos na loucura do pensar, na arquitectura das coisas, desvarios de mentes perturbadas ou entregues a exercícios de loucura, que perdemos a noção do tempo, do espaço, do rigor e da estima.
Queríamos tudo sem querer nada.
Pegávamos com a mesma facilidade com que rejeitávamos.
Vivíamos na ilusão, de uma criação obstipada, entupindo o canal do pensamento e libertando os gostos e odores fétidos da infecção.
Via-mo-nos a nós e a quem estava perante nós, na primeira linha, sofrendo de uma profunda bizarria: não víamos mais nada.
Quem não vê não imagina e, sem imaginar não cria.
Nada criámos então, agora que assentamos ideias, a não ser a convicção que o amanhã não depende sequer do agora, mas acima de tudo do depois de amanhã.
Que assim seja, então, agora que o percebemos: errantes continuamos no desvario e loucura do pensar.

A solução correcta: Portela + 1

Aeroporto: a solução da manutenção da Portela, aproveitando por exemplo Alcochete como apoio é, claramente a melhor solução.
Não hipoteca as próximas gerações de froma significativa e não parte para um precipício fundado no aumento de turismo e tráfego aéreo, que a expressão numérica que nos é apresentada, define claramente como megalómana, senão insana.
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Esta situação faz-me sempre recordar o afanoso empenho, daqueles que viam na Swissair a salvação para o problema financeiro da TAP.
Depois víu-se como foi com a Swissair. E adivinha-se como teria sido com a TAP.

As eleições e os candidatos

Notoriamente, como havia previsto, com a mesma facilidade que qualquer um de vós o fez, a questão aeroporto de Lisboa foi empurrada para as calendas gregas, leia-se após eleições para a CML e Presidência Portuguesa da UE, por forma a facilitar ambas as situações.
O Ministro até já aceita estudos sobre a Portela + 1. Aceita tudo agora, depois de afirmar "jamais, jamais".
Temos levado com cada um (isolado ou grupos) que, por vezes, me ponho a pensar se não será de facto sina nacional este penar, que Luis Vaz tão bem descreveu em relação às paixões.
Porque tem de se estar apaixonado por este pedaço de terra e os seus vultos e História, para nos mantermos fiéis e perseverantes nesta condição, que a todos parece cada vez mais isolada, de cidadão nacional de um Estado-Nação chamado Portugal.
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António Costa tão depressa clama pela Igreja, como aceita que a sua mandatária para a juventude afrime que, acaso seja promolgudada legislação que permita os casamentos homosexuais, tais enlaces se possam realizar no Salão Nobre dos Paços do Concelho, como, até, no dia de S. António. Pasme-se! Casamentos gays no dia do Santo padroeiro de Lisboa, depois de se aludir à Igreja como uma entidade fundamental. Estão todos loucos (foi assim que os romanos acabaram)!
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O debate na Sic Notícias mostrou um António Costa vacilante, uma Helena Roseta firme, um Telmo Correia muito bem, um Negrão a piscar o olho às propostas de Roseta, um Ruben sempre igual, um Zé de que ninguém precisa e um Carmona que aceitou, vezes sem conta, que a palavra suspeição e ausência de gestão saltita-se no debate, sem haver uma reacção verdadeira de repúdio. Sentia-se que Carmona estava diminuído (embora a situação não seja nova).
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Falaram de coisas interessantes, pena é que nenhum de nós acredite que sejam possíveis. Porquê? Porque não vai haver dinheiro para as boas ideias, até falta e muito, e porque sabemos, igualmente, que o betão será, agora e sempre, a alavanca de financiamento desta e das outras Câmaras.
As boas ideias não passam de boas intenções. A realidade, depois, é outra. Infelizmente.
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A cidade tinha tudo a ganhar em tornar-se atractiva, um pólo aglutinador das populações. Tornar-se-ia competitiva, ofereceria saneamento e transportes melhorados, locais de lazer apropriados, cinemas e teatros arranjados, prédios recuperados, face limpa, asseio nas ruas, melhor qualidade de vida, maior rendimento económico, maior poder financeiro.
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Esta cidade branca tem, precisamente, esse defeito: o branco suja muito.
Para manter a bonita luz de Lisboa é necessário gastar muito dinheiro em limpeza a seco.
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Ninguém vai ter maioria absoluta. Vão ter de coabitar. Sei que António Costa vence as eleições. Preferia Roseta ou Negrão. Gostaria que o Zé saísse e pagasse o pesado custo de atraso das obras do Marquês, não só à Câmara, mas igualmente ao pequeno comércio. Carmona vai ficar - vamos ver quantos lisboetas estão de férias em 15 de Julho. Se forem, essencialmente, os bairros sociais e populares a votar, ainda podemos ter surpresa - espero que sem um pelouro importante. Não porque entenda que deva ser penalizado por estar envolvido num qualquer processo, nada está provado e até prova em contrário...mas porque acredito, pelo que vi e vejo, que a questão é do foro da incompetência, muito mais do que qualquer outra razão.

15.6.07

O grandíloquo vaidoso vazio de pensamento

"A Europa necessita de um compromisso sobre o novo Tratado para dar um sinal claro à sua economia, aos seus cidadãos e ao mundo de que o processo europeu vai avançar", disse Sócrates.


Quanto à economia sei quais os resultados práticos do compromisso: mais poder concentrado num directório de 4 a 5 países, com um deles a comandar, claramente, as directrizes de acção e actuação da UE, só podem significar aumento do poder económico das grandes corporações e uma crescente aglutinação do poder financeiro. A isto chama-se strategie du poisson.
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Em relação aos cidadãos, estes revêem-se na política, como arte de governar uma sociedade organizada, composta de homens, definidos pela sua identificação geográfica, patrimonial, cultural. Não sendo a solidariedade um dado mensurável e encontrando justificação na limitação espacial, ao substituir-se por interesses económicos, a solidariedade espacial sucumbe, colocando em causa a função essencial da política, bem como o seu lugar no ordenamento da sociedade.
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Num mundo onde a riqueza nasce da desmultiplicação das ligações de capital e alianças internacionais há que evitar as perturbações, o imprevisto e o incontrolável. É necessária uma ordem que não sobrevenha, exclusivamente, do poder económico - este não conhece cor, credo, nacionalidade - mas igualmente do reconhecimento das similitudes, do espaço geográfico, dos interesses comuns.
É assim que imaginamos a União Europeia ? Nem nos nossos melhores sonhos!


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A pretensão de combinar uma multitude de interesses e dimensões - polítca, cultural, económica e mesmo militar - aprisiona a própria concepção espacial do poder, em virtude do próprio espaço deixar de ser um critério fundamental de avaliação.


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Pretende-se federalismo ?


O federalismo clássico nasceu de uma lógica de solidariedade baseada na lógica geográfica: o município pertence à região; a região pertence ao Estado.


É esta pirâmide geográfica que permite organizar, a diferentes níveis, a vida política: os espaços de solidariedade autárquicos de nível local, regional, nacional, fixando os cidadãos em cada um dos diversos níveis, as suas prioridades, os seus anseios, em suma a vontade comúm que consubstancia a definição de política em si mesma.


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Aos olhos do Mundo, não é o federalismo que se desenha num qualquer tratado constitucional. Aos olhos do Mundo passa a noção do Directório, da centralização do poder económico, da colonização de uns países europeus por outros, poucos em número, enormes em poder. Passará certamente a ideia que o capital se poderá instalar, coligar, absorver e devorar recursos, garantindo, em simultâneo, a riqueza de uns e a desilusão/trabalho de outros.


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Espanta que os pequenos países se afadiguem tanto, em torno de ideais colonizantes, dominadores, superior e patriarcalmente apadrinhados pela Alemanha e pelo equivocado poder político francês.


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São estes, em meu entender e de forma muito resumida, os sinais claros que a UE, enquanto instituição e jogo de poder quer transmitir.


São estes os sinais claros que os países da UE, na sua maioria, querem passar ? A resposta é, claramente, não!


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Falta substância a José Sócrates. Falta-lhe perspicuidade.

O camaleão socialista

"O candidato do PS à CML destacou hoje a importância da Igreja Católica para o futuro da cidade em áreas como a acção social e a defesa do património histórico".

Pergunta a António Costa: enquanto Ministro esteve contra a reordenação do cardeal patriarca de Lisboa - o mesmo é dizer a Igreja - no protocolo do Estado, aquando este tema foi discutido ?

Porque é certo: a considerar o papel da Igreja fundamental em Lisboa, a capital, considera-se fundamental no País, por maioria de razão.
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É António Costa, o mesmo que foi Ministro, que agora afirma/admite que: "...A Igreja Católica é depositária de um valioso património histórico essencial ..." e "...A Igreja Católica conhece a cidade, os seus dramas sociais e tem uma relação profunda com as pessoas. As instituições ligadas à Igreja Católica são parceiras da cidade no acolhimento e na ajuda às populações."
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Se conhece Lisboa, conhece o País, porque a Igreja está em todo o lado, e se está em todo o lado está igualmente nas escolas, onde quase tudo começa, desde o acolhimento, à ajuda e, não menos importante, à transmissão do património histórico.
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Foi igualmente este Governo, no qual Antóinio Costa era o número 2, que deu instruções para a retirada dos crucifixos de todas as escolas do País.
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Já o afirmei antes: num Mundo em decomposição de valores, aceito que se discuta o dogma religioso mas não aceito que se perca o normativo religioso, porque as normas que a Igreja transmite devem, obrigatóriamente, ser seguidas por todos, independentemente de se acreditar ou não no dogma. E porquê? Porque são boas, tanto na essência como no caminho que ilustram e apontam, ao nível do carácter, do comportamento moral, da compreensão e da acção social.
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Alguém, de boa fé, aceita criticar a forma como Jesus é apresentado pela Igreja, a sua maneira de viver, de partilhar, a abnegação constante, a vontade indómita de lutar políticamente contra o poder instituído que considerava iníquo e, igualmente importante, a capacidade de sofrer, aceitando o seu sofrimento como exemplo para todos os outros ?
Foi este conjunto de valores, inscritos nos crucifixos, substantivamente, que o Governo pretendeu erradicar das escolas ?
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São estes os valores a que António Costa apela agora, na altura de cativar votos ?

4.6.07

Atenção às manobras totalitárias...

A ideia, perigosa, de poder obrigar os autarcas (assume-se que outros cargos públicos, por arrastamento) constituídos arguidos em processos, a terem de suspender obrigatóriamente os seus mandatos, é, uma vez mais, um sinal claro de uma tendência totalitária para a arte da governação.
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De acordo com a definição, o arguido presume-se inocente até estar condenado definitivamente (até ter transitado em julgado a sentença que o condenou, isto é, já não ser possível recurso).



Definido o estatuto de arguido, não se percebe a obrigatoriedade da suspensão de mandato.


Aos olhos da opinião pública, ressaltará sempre um sinal de culpa clara, mesmo antes de esta estar formada.


Clara é, igualmente, a situação de evidente exposição pública a que estão sujeitos todos os que optam, pela via política ou outra, por estarem continuadamente na mira das notícias, delas tirando proveito. Esta exposição pública tem coisas de bom, mas tem igualmente muito de mau, pela devassa a que sujeitam as vidas dos visados.


Contudo, argumento por argumento, nenhum se pode sobrepôr ao princípio da presunção de inocência, consagrado na Constituição, e da necessidade de caber a quem acusa o ónus da prova de culpa.
Assim sendo, não tenho qulaquer dúvida em considerar despropositada a medida proposta e, ademais, atentatória dos direitos consagrados na Constituição Portuguesa, por definição, direitos fundamentais.

31.5.07


Razões de Globalização....

Não é consensual que a globalização da produção seja uma realidade.
Alguns autores afirmam que o que se verifica é mais uma regionalização da produção.

Em defesa deste argumento, Oman apresenta duas características do processo de produção actual:

1) a parcela de trabalho pouco qualificado nos custos totais da produção decresceu consideravelmente, reduzindo a importância de relocalizar a produção para áreas com baixos salários;

2) a flexibilidade da produção e a especialização aumentou a importância da proximidade entre produtores e consumidores (localização global) e entre produtores e fornecedores de componentes (regionalização da produção, acentuada pela diminuição das barreiras tarifárias dentro dos blocos regionais).

Wells argumenta que as multinacionais americanas organizam a produção numa base regional, pois os ganhos da produção à escala global são pouco significativos, as economias de escala são igualmente importantes e os sistemas mundialmente integrados de produção são mais difíceis de gerir do que os sistemas à escala regional.

A extensão da globalização da produção depende também da natureza da indústria.
A produção de certos bens (como os automóveis) é mais global que outros (têxteis, comida). Estes últimos estão mais sujeitos ao gosto dos consumidores locais, o que torna a estandardização difícil.

As indústrias ligadas às tecnologias de informação, certos serviços (banca, seguros) são mais globalizáveis do que outras indústrias. As indústrias globais vendem os seus produtos no mundo inteiro e integram as suas actividades ao longo de vários mercados nacionais. A natureza, características e estratégias destas indústrias varia consoante a natureza e estrutura dos seus mercados.
Estas e outras razões, que a serem descritas exaustivamente tornariam este texto enfadonho, explicam porque razão algumas empresas nacionais são mais apetecíveis do que outras, fomentando jogos de especulação e futuros incertos.
§
O recente exemplo do Millenium BCP é caso paradigmático.
A uma estratégia de crescimento induzida pela vontade de aumentar a influência, quer a nível nacional, quer internacional, mas sem defender a autonomia da instituição e deixando-a, claramente, à mercê de avanços externos, contrapõe-se a vontade de quem, tendo construído a instituição, Jardim Gonçalves, não a quer ver derreter no bolso de um grande banco espanhol.
Até podemos pensar que são todos Opus Dei, mas talvez seja igualmente verdade que uns são mais Opus nacional e outros mais Opus original.
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Entre uns e outros, prefiro os nacionais.
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No meio de tudo isto aparece, sempre, a parda figura (não poderia ser figura parda; não tem estudos para isso) de Joe Berardo, que mais não quer que realizar mais-valias, à custa de quem não interessa.
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Um dia gostava de poder aparecer no meu País, dizer que tinha ganho uma fortuna "lá fora" e comprar tudo o que me apetecesse, sem ter o Estado e o fisco à perna. E sem ninguém conhecer a verdadeira proveniência desse dinheiro, nem sequer se ele me pertenceria, de facto.
Que o homem compra muita coisa e muito de tudo, é uma verdade irrefutável.

29.5.07


O que Costa queria...

"O candidato socialista à Câmara de Lisboa, António Costa, criticou hoje o candidato do PSD por trazer para a campanha eleitoral a questão do aeroporto , afirmando que há muitos assuntos de Lisboa para debater até às eleições".
Claro que há, mas este é um deles e muito, muito importante.
Razões: ser Presidente da Câmara de Lisboa é políticamente mais relevante que ser ministro; porque Lisboa é a capital do País e porque é ígualmente o centro político e administrativo da Nação. Se assim não fosse porque razão se teria candidatado Costa à CML quando era ministro no actual governo?
O lugar permite uma exposição mediática constante e não é por mero acaso que Jorge Sampaio já foi Presidente da República tendo sido só, até esse momento e sob um ponto de vista estritamente político, presidente da CML.
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Porque o assunto OTA é de relevância política nacional, mas não o é menos quando indagada a relevância local, é fundamental conhecer as opiniões dos candidatos à presidência da CML.
Mas porque o assunto é confrangedor para Antonio Costa, acérrimo defensor da OTA, dava mais jeito não falar em tal coisa. Se fosse possível assim seria.
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Muito embora a vontade de governar num Estado autocrático seja clara, a verdade é que não estamos (mal ou bem) no tempo do António e, assim, é possível mandar mas não é possível calar, pese uma ou outra situação que aparece como sombra no horizonte da liberdade de expressão.
Assim, Costa vai levar com a OTA todos os dias e, espero, com todos os candidatos de discurso afinado.

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No fim, que a Portela se aguente, que nenhum dos candidatos obtenha maioria absoluta e que a CML não vá a votos com a esmagadora maioria dos votantes oriundos dos bairros populares, senão, porventura teremos uma grande surpresa.

25.5.07



ValentinaD´Amaro

O que falta....

Conhecimento, rigor e disciplina, atributos que vão escasseando no Portugal de hoje.

deve existir

deve existir uma outra
noite
onde caibamos todos.

inocentemente felizes
a comer laranjas
e a discutir problemas de aromas
de flores.

(Francisco Mangas)

Jogo de interesses...

Já todos percebemos que existe mais do que interesse estratégico na obra da OTA; existe interesse económico e não é nacional!

Demita-se o Ministro já! Congele-se a OTA!
A vida fica mais facilitada para António Costa na corrida para Lisboa.

23.5.07



CoventGarden

Porque andei arredio....

Muita coisa mais o novo blogger!!! Mas, para o bem e para o mal, voltei!
Pelo menos para minha satisfação pessoal e intelectual.

Jamais, Jamais....

Aeroporto na margem Sul “jamais”
O ministro das Obras Públicas, Transportes e Comunicações, Mário Lino, criticou hoje violentamente as opções de construção do novo aeroporto numa localização na Margem Sul em detrimento da Ota, afirmando mesmo que, na sua opinião, um aeroporto na margem sul "jamais".

(Alexandra Noronha in Jornal de Negócios)

Num almoço-debate na Ordem dos Economistas, as declarações impensáveis de um ministro impossível.

"Lucy in the Sky...with diamonds"

A margem Sul não tem o quê? Pessoas capazes, hospitais, acessos, condições? É um deserto?

Não tem???

É mentira!! Tem!!! E não é um deserto!

Caso não as tenha de quem é a culpa? E se não são as melhores de quem é a culpa?

Que mal tem a margem Sul?

Servíu, mal, para utilizar políticamente durante anos no tempo da outra senhora.

Servíu, mal, para aproveitar no PREC.

Servíu depois para ostracizar, tanto com governos PS como PSD (o pior terá sido o de Cavaco Silva).

Serve agora para dizer que não presta?

Basta!
Considero que todos os habitantes da margem Sul se deveriam insurgir contra esta argumentação e , pior, este tratamento de 2ª categoria, de lixo, de desigualdade, de iniquidade, impróprio numa sociedade democrática. E falamos de mais de um milhão de habitantes.

Quem estudou Pareto sabe do que falo e porque me irrito.

Quem me conhece sabe que coloco, acima de tudo, a justiça social e a igualdade de direitos e obrigações na sociedade como factores determinantes do seu sucesso. Quem me conhece sabe, também, que sou de direita, direita que se confunde bastas vezes com esquerda (utilizando epítetos já pouco adequados), que resido em Lisboa, mas que nasci e cresci no Barreiro, terra da qual me orgulho e muito, tendo a história da família ligada à história do Barreiro por três gerações.

Quem me conhece sabe ainda que nunca fui sequer socialista; que sem ser filiado em qualquer partido - ainda hoje assim é, por respeitar a minha autonomia - fiz propaganda política pelo PPD em 1975, através da colagem de cartazes no Barreiro, por duas noites, antes das eleições constituintes de 75, numa altura em que o PS pedia autorização ao PCP para colocar propaganda na rua.

Que depois fiz a segurança de Freitas no distrito de Setúbal na primeira vez que concorreu à presidência.

Que saí do Barreiro por discordar e já não me rever no conceito de terra e urbanidade que, entretanto, por erros sucessivos - enormes responsabilidades do PCP - cometidos, transformaram uma urbe onde cultura e política coexistiam, numa outra muito mais desinteressante.

Tudo isto não implica que não mantenha o que tenho defendido: não necessitamos de outro aeroporto. Prolonguem a Portela através de Figo Maduro e utilizem os charters nas pistas de Alverca.

Porque nenhum de nós sabe como vai evoluir o turismo; porque nenhum de nós é garante da verdade quanto ao futuro, mas todos sabemos que somos pobres, que não nos podemos dar ao luxo de consumir o que não temos, principalmente contraindo ainda mais responsabilidades, baseados nos rendimentos das gerações futuras .

Mas, acaso seja cometido esse disparate, o da construção, porque não na margem Sul? Porque não, se se faz um disparate, não se pode fazer aumentando a riqueza de uma região altamente carenciada e dotada de meios, humanos e ainda uns quantos técnicos, desaproveitados, por ausência de actividade fabril?

O sr. ministro é pequeno, quando profere tão absurdas, despropositas quanto deslocadas e injustas afirmações.

O sr. ministro só podia estar num dia mau, numa tarde má, num pós-almoço complicado.

"Lucy in the Sky...with diamonds"



29.3.07



Dominique Salm
A actualização do blog tem sido mais demorada do que inicialmente previra. Vai-se fazendo, faltando agora bem menos. Razão para o prolongado silêncio palavroso, mas do qual não me consigo afastar.

Fim às OTA´s

Quando é que tomamos, todos, uma atitude clara contra a OTA ou outro qualquer aeroporto?
O betão quer a obra, os consultores querem a obra, os engenheiros querem a obra e, finalmente, os políticos anseiam por esta obra, seja na OTA ou Rio Frio ou outro lugar qualquer.
Mas Portugal não precisa da obra, dispensa-a totalmente. Temos obrigação, todos, de acabar com esta loucura.
Desactivem Figo Maduro aproveitando a base aérea do Montijo, prolonguem as pistas e edifícios da Portela. Desviem os charters para Alverca e, se necessário, para Beja.
Resolvam, mas resolvam tendo em atenção os superiores interesses do País e não os interesses superiores de alguns, sempre os mesmos, que têm arrasado a economia nacional.

Questões políticas do PSD

A investida do PSD, a propósito da legislação sobre o aborto, foi total e completamente ineficaz, bem como mostrou um desnorte político inadmissível. O que se referendou foi uma pergunta e, nessa pergunta, em lado algum se referia a necessidade de acompanhamento e aconselhamento.
É necessário ensinar os cidadãos sobre a sua capacidade de inrtervenção cívica e política.
Se o PSD queria referendar algo mais do que foi feito, teria de se demarcar da pergunta, exigindo uma outra. Não foi isso que fez. Deu liberdade de voto, abstendo-se com receio dos custos políticos, e apresentou o seu líder com uma posição que foi declarada como pessoal e não vinculando o partido. Para além de ser difícil esta separação, mostra com clareza que nas questões mais sensíveis, o PSD não tem rumo ou objectivos políticos, mostrando algo mais preocupante: o PSD não conhece o eleitorado de que dispõe, daí o discurso político dúbio e fracamente interventivo.
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Na questão dos impostos esteve bem. Antecipou-se mas, curiosamente, deixou arrefecer o assunto. Reflexos da contestação interna? Se assim foi é um sinal claro de fraqueza de liderança (que não será novidade). Lamenta-se, contudo, que em nome da defesa dos gastos públicos, entenda-se despesa corrente, que o Estado não consegue fazer diminuir, se defenda a penalização constante dos contribuintes.
Em política a falta de memória é grave e paga-se caro. Aumentam-se impostos e reduzem-se os serviços (educação, ensino, tranferencias para as famílias). Pergunto: faz algum sentido? A resposta é óbvia: não faz sentido nenhum.
É sintomático que algumas figuras do PSD defendam a manutenção da carga fiscal (talvez até o seu aumento) sem atentarem na redução dos serviços prestados pelo Estado e sem que se verifiquem reduções na despesa corrente. São os mesmos que criaram a situação (na altura com milhares de funcionários públicos contratados a recibo verde), percebendo-se a dificuldade de defenderem outras posições políticas, diferentes das que tomaram indescriminadamente enquanto foram governo.
Mas não é a política a arte do discurso e da demagogia? Onde está, então, a liderança do PSD, que quando pretende fazer política se vê atacado por todos os lados?
Mas não é esta mesma liderança que aceitou o distanciamento político-partidário de Cavaco enquanto candidato presidencial e, depois, após a eleição se congratulou e se encostou à sua imagem? Tivesse aproveitado para fazer uma limpeza, em vez de distribuir parabéns e, provávelmente, estaria muito mais à-vontade.

É positivo, o regresso de Portas

O regresso de Portas nunca seria pacífico. A "paz" reinante no CDS/PP não é, igualmente, desejável. Paulo Portas trará algo de novo à política nacional.
Lamenta-se a saída de Maria José Nogueira Pinto, principalmente no reflexo induzido na CM de Lisboa.
Mas há, igulamente, um motivo de interesse: Nogueira Pinto irá manter-se na política activa? Se sim, onde?

11.2.07

A não vinculação implica, sempre, novo Referendo

Agora, com 59% dos votantes pelo SIM e 41% dos votantes pelo NÃO, com uma abstenção igual a 56%, ou seja, não vinculativa, há, contudo, que respeitar a maioria expressa nos votos, descriminalizar até às dez semanas e apontar, desde já, novo horizonte temporal de oito anos, para que se promova novo referendo.
Após este período, teremos condições de avaliar os resultados sociais e humanos da modificação que se irá operar na legislação.

8.2.07



David Hughes

NÃO à OTA....

Para além de todas as razões apresentadas por Miguel Sousa Tavares, na passada semana no semanário Expresso, junta-se uma outra, igualmente fundamental, para que se diga NÃO ao novo aeroporto da OTA , o seu custo que se estima em 3 mil milhões de euros.
Mesmo sem derrapagens orçamentais (o que será o mais natural) este valor é, claramente, avassalador para um País carente de tudo. Não nos podemos dar a este imenso luxo e não devemos deixar passar em claro este monumental erro estratégico.
Os possíveis problemas resolvem-se logo de início, para que não cheguem a ser problemas de facto. É nossa obrigação evitar que a OTA se transforme num problema.
Protestos sucessivos, petições, marchas em Lisboa e Porto, todas as manifestações são válidas para impedir este enorme erro.
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O mesmo princípio se deve aplicar ao TGV. Este, mesmo sem OTA, constitui-se igualmente num custo imenso para o Estado, bem como numa machadada irreversível na TAP, liquidando por completo a sua capacidade de sobrevivência.

6.2.07

O meu Não...

Recusando-me a facilitar a vida ao Estado (o mesmo é dizer: a todos nós), certo que estou que a este cabe uma importante função de exemplo responsabilizador, perante as futuras gerações, no próximo Domingo votarei Não.
Votar Sim implicaria conceder que existe uma incapacidade, quase sinistra, de regeneração da sociedade portuguesa, por inércia e incapacidade de alteração do status quo.
Se a sociedade se está a tornar mesquinha, hipócrita e, claramente egoísta, terá de se saber colocar a fasquia das pretensões a uma altura que denote o nível de exigência pretendido. Tenho a certeza que, para o Estado português, a fasquia tem de ser colocada muito alta, pelo que a adopção de práticas facilitadoras em nada contribuirá para a sua regeneração.
Votar Não implica vontade de enfrentar o problema; votar Sim é sacudir a responsabilidade social do Estado.

31.1.07

Ou sai o Ministro ou cai o Governo...

«Portugal é um país competitivo em termos de custos salariais. Os custos salariais são mais baixos do que a média dos países da UE e a pressão para a sua subida é muito menor do que nos países do alargamento»
~
Manuel Pinho dixit, na China, perante empresários e políticos chineses.
E, assim, pela voz do Ministro da Economia, passa uma imagem brutalmente negativa da economia nacional por duas razões, a saber: (i) baixos salários representam baixas qualificações de toda a força activa nacional; (ii) baixos salários significam fraca competência e eficácia do empresário português e da indústria e serviços nacionais.
Estas afirmações são proferidas numa economia pujante, a crescer a um ritmo impressionante e que hoje é noticiada a nível mundial, com enorme repercurssão. Tudo o que lá seja feito ou dito sofre um efeito amplificativo medonho. E o que foi dito é, claramente, que a mão-obra nacional está abaixo, em qualificações, da mão-obra dos países de Leste membros actuais da UE, bem como que a indústria nacional vive de salários baixos e não de produtividades elevadas.
É o pior que pode ser dito sobre um País que é membro da CEE/UE desde 1986. É afirmar, claramente, que somos o terceiro mundo europeu. Há coisas que podem ser pensadas, mas nunca podem ser ditas ou escritas. Mais ainda, se estamos a falar de um Governo que colocou a tónica no desenvolvimento tecnológico.
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Sem qualquer demagogia, antes com elevado sentido de estado, afirmo: Manuel Pinho ou pede a demissão ou deverá ser exonerado. Caso contrário, o governo terá de explicar porque permite este tipo de comentários, numa visita oficial, de um seu ministro e, ainda, se é este, de facto, o pensamento reinante nos nosso actuais governantes. Se fôr, tanto trabalhadores como empresários deverão retirar a confiança política ao governo PS; se não fôr, o ministro está em gravíssima dissonância e deverá sair.
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Pergunta: em que condições e com que autoridade se sentará Manuel Pinho a uma qualquer mesa de concertação social ?
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Eu, como cidadão português, a quem pedem sacrifícios constantes, sem nada dar em troca, após vinte anos de adesão europeia, sinto-me vendido em saldos e duplamente defraudado com esta afirmação de um ministro, por mim e pelo futuro que espera a minha descendência.
Ou o ministro sai ou o governo cai!
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P.S. falar de salários baixos na China é, no mínimo, uma imbecilidade.

26.1.07



Julia Trotter

O problema é a DESPESA, o Défice é efeito...

Fale-se muito menos em défice e fale-se muito mais em despesa pública.
O défice é resultante da diferença (que por definição é negativa) entre o rendimento e a despesa.
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Se há uma dificuldade notória em controlar o défice, mesmo com manobras que envolvem aumento da carga fiscal (já pesada), alienação de património público, venda de participações do Estado em empresas e recuperação de passivo fiscal, é porque o Estado não consegue reduzir a despesa.
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A solução passa, então, pela redução da despesa. Porque despesa num País há só uma: a resultante do somatório da despesa do Estado com a das famílias. Quanto mais consome o Estado menos consomem as famílias.
Se em conjunto, ou isoladamente, consumirem demais, de duas uma: ou há um aumento do investimento ou um aumento do endividamento. Como o investimento não entra, só sai, a solução passa pelo endividamento, como se verifica pelo recente anúncio de nova emissão de títulos do tesouro. Então, a necessidade de endividamente conduz à conclusão, fácil, de que cada vez se consome mais
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Verifica-se, então, que o Estado continua a funcionar muito mal, que o Governo não tem soluções (politicamente aceitáveis) para diminuir a sua despesa e que a oposição é frouxa ou má, porque, na realidade, a diferença entre uns e outros acaba onde começam os privilégios da classe política, que nestas coisas de rendimentos e mordomias é muito apolítica.
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Quantos milhares de portugueses que tiveram ou têm ligações a partidos políticos, que foram detentores de cargos públicos e/ou privados continuam a gozar de regalias que ofendem a moral e os princípios ? Muitos! Todos eles acumulando reformas de cargos anteriores com remunerações de cargos actuais. E quanto custam estes muitos milhares por ano ao Estado ? Muito! E todos os outros que não exercem funções produtivas e se encontram, simplesmente, encostados ao Estado ? Muitos também, mais em número que não em custo.
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Tudo isto implica um cabaz de despesas pesadíssimo, que este País já não comporta, acrescido de todas as outras extravagâncias, como viagens, motoristas a torto e direito, secretárias, estudos, pareceres, consultorias, projectos e projectistas, redecorações de gabinetes. A lista seria infindável. Mas desta despesa ninguém fala, porque todos comem.
Fala-se e sempre do défice, como se de uma causa se tratasse. Não é causa, é efeito.
As causas são outras. Acabe-se com estas, que se acabará com o défice não produtivo e, aí, começará uma nova esperança de vida para os portugueses.

25.1.07



Albuquerque Mendes

Carmona não tem condições para continuar...

Carmona diz e cito: "...não existir qualquer condicionamento legal ou político à normal prossecução do mandato".
Diz Carmona, mas está errado. Falta-lhe o mais importante: a confiança política. Faltando esta falta o capital político e, sem este, não pode prosseguir o mandato. Não é uma questão de dever, é uma questão de poder, e nestas condições não pode.
Mais: acaso estará este mandato a decorrer de uma forma normal ? A resposta é, claramente, não! Desde a mal explicada divergência camarária com Maria J. Nogueira Pinto até à situação actual, tudo são enormes pontos de interrogação nesta gestão autárquica.
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Acaso não estava Carmona na Vice-Presidência da Câmara, quando ocorreram os factos agora geradores de polémica e alvo de investigação ?

Estamos a acabar...devagar

3ª feira, almoço debate. Convidado, Ernani Lopes.
Resumo da alocução: uma enorme caixa de vulgaridades, embrulhada em papel de lustro arrogante.
Debate final; nenhum. Está tudo dito, não está ?
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E este discurso pseudo-sofisticado vazio, falho de sentido, visão e conhecimento, estes vendilhões de que se vai fazendo este País, estas falácias que nunca mais acabam.
Portugal acabou, verdadeiramente, no dia em que Sá Carneiro e Amaro da Costa foram assassinados. E a culpa é de todos nós. Não há inocentes.
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A economia portuguesa está a abrandar. Ao contrário do discurso político, estamos a cair. Bastará comparar este com as medidas que são impostas no terreno.
É isso, a discrepancia está lá, toda.

Singularidades...

A escrita é, simultâneamente, um desafio intelectual entusiasmante e uma ferramenta de perfuração do pensamento. A mim, particularmente, agrada-me escrever. Contudo, últimamente, tenho-o feito menos do que gostaria. Razão: temo que a escrita fique carregada de azedumes, de alguma raiva contida, tantos os dislates que presencio e tal o caminho que o País, económico-socialmente, vem percorrendo. Gosto de escrever, respeito a sua idiossincrasia, agrada-me a contundencia construtiva. Detesto criticar sem elucidar, sem apontar, directa ou enviezadamente, caminhos passíveis de conduzir a soluções.
Tudo o resto não é, exactamente, escrever mas muito mais relatar, descrever.
Mas o que fazer neste Portugal tão pequenino, mais pequeno que aquele que remontando a 1940 se assemelha a um augúrio azedo dos deuses, senão ir descrevendo, penosamente, a bizarria da política nacional, esperançosos não no verbo mas na espada. Vejamos então algumas singularidades:
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1. Câmara Municipal de Lisboa sob investigação e logo em matéria tão delicada como o urbanismo.
Em simultâneo Lisboa está esventrada, imunda, coberta de publicidade asfixiante, pejada de miséria que, na sua larga maioria, nem fala português e, agora, de sinais reguladores de velocidade horríveis e de agentes da autoridade e outros, pseudo agentes semelhantes a hortaliças, que passam multas a torto e direito, mas não nos defendem do importúnio e da insegurança gerada pela galdeiragem mal-cheirosa do Leste (leia-se romenos). Há alguma coisa que se possa acrescentar à descrição ? Nada a não ser dizer, aos responsáveis autárquicos, demitam-se! E vale a pena ? É claro que não. A nossa palavra e representação cívica e política só têm voz e, especialmente, valôr, três semanas de quatro em quatro anos.
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2. A criação de um imposto sobre ofertas pecuniárias de valôr igual ou superior a 500 euros. A legislação já existia, ficámos a saber, só não tinha norma. Agora tem. Se fôr entre familiares directos a oferta só (?!!?) paga imposto de selo. Entre todos os outros pagará, cumulativamente, IRS. Em qualquer dos casos, todos os valores terão de ser declarados.
Esta lei (custa-me chamar-lhe lei, porque à lei associo as noções de justiça e equidade) é abstrusa conquanto: implica mostrar, por declaração, a quantidade de ajuda e apoio monetário recebida, sem que o Estado se esforce, modificando comportamentos, para que essa ajuda deixe de ser necessária, ou sendo-o, seja o próprio Estado a fornecê-la. A este comportamento chamo de voyeurismo baixo. Acresce que a isenção de IRS nas situações de ascendentes e descendentes directos, esquece, para todas as outras situações, um princípio fundamental de qualquer estado de direito democrático, - a Solidariedade. Com esta lei a solidariedade passa a ser taxada, ou melhor, somos instigados a deixar de ser solidários e a tornar-mo-nos nuns egoístas (que já somos) desprovidos de sentimentos. Algo mais a acrescentar? Nada, está descrito. Talvez sugerir, entre dentes: esta não é para cumprir e quem o fizer é parvo!
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3. Assistir na noite de ontem ao debate sobre a Terminologia Linguística para o Ensino Básico e Secundário (vulgo TLEBS) e constatar que a referida terminologia irá ser revista por dois especialistas nomedados pelo Ministério da Educação (exacto dois e não uma comissão mais ampla, como se imporia), sendo que pelo menos um deles acumula as seguintes características:
i) é um defensor acérrimo da TLEBS, constatável através de alguns artigos de sua autoria dados à estampa na imprensa nacional; ii) a sua consorte é co-responsável pela feitura da mencionada TLEBS; iii) é revisor científico da editora responsável pela publicação da nova gramática decorrente da aplicação da TLEBS; iv) colocado perante a quase certeza da sua mais que questionável imparcialidade analítica e da incompreensão da sua nomeação, atendendo ao histórico mencionado e às inevitáveis relações que ferem, mortalmente, qualquer código deontológico e de comportamento exigíveis a um qualquer cidadão sério e honrado, responde, desaforadamente, que a pergunta deverá ser colocada ao Ministério da Educação, entidade que o nomeou.
Também aqui haverá algo a acrescentar ? Nada, só descrever, como foi feito. Talvez um pequeno conselho; somos capazes de um dia destes nos cansarmos, todos, de sermos tomados por parvos, tantos anos seguidos. Ou talvez não e então, para os que ainda têm uma pinga de vergonha e decência na cara, restar-lhes-à emigrar e aconselhar o mesmo a todos os outros que lhes são chegados.
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Pessoalmente preferia a primeira possibilidade, essa mesma, a da porrada, mas se não fôr possível, paciência.

19.1.07

As mudanças sucessivas no ensino...

O Secretário de Estado da Educação informa-nos que não percebe o falatório em redor do TLEBS, porque, inclusivé, existem outras modificações do ensino educativo em curso.
Será suposto ficarmos descansados por conhecermos este facto?
Ou, ao invés, ficarmos ainda mais preocupados?
Tenho a certeza de que deveremos ficar todos muito preocupados.
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As mudanças sucessivas que ocorrem no ensino em Portugal defendem interesses que nada têm a ver com a preparação cultural e técnica de um Povo, mas muito mais com interesses privados, sórdidos na sua dimensão económica e financeira. Pior ainda, a verificação da navegação à vista, à bolina, que continua a fazer parte do nosso dia a dia político.

15.1.07

Pensamento Sentido...

Tenho pena, muita pena, que Zapatero vá perder as eleições.
A esperança, única e ténue, é que o seu legado seja, já, uma questão imutável.
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É que em Portugal temos tantos legados assim; por que não ter esperança em legados vizinhos?
A nova Ferrari 2007


e o novo McLaren 2007

11.1.07



Chris Bennett

O Charme Discreto da Cortesia....

Na sociedade actual, onde abunda a vulgaridade, é absolutamente necessário redescobrir o charme discreto da cortesia.
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De acordo com Marie de Tilly, professora especializada no ensino de boas maneiras em Paris, a avaliação que fazemos dos outros, quando conhecemos as regras, passa por três etapas: nos primeiros 20 segundos somos julgados pela nossa aparência, nos 20 segundos seguintes somos avaliados pelo nosso comportamento e, por fim, nos últimos 20 segundos pelas primeiras palavras proferidas (escolha e utilização da linguagem oral).
Assim sendo, aquilo que mostramos no primeiro minuto é determinante na avaliação que, alguém polido e educado faz da nossa pessoa, bem como é importante na impressão que induzimos junto daqueles que, desconhecedores das boas maneiras, sentem a diferença induzida pelo comportamento, postura e verbo.
No caso dos homens alertaria para a importância do cuidado colocado nos sapatos, mas essencialmente, a todos os níveis, para a necessidade da utilização de palavras de saudação, como bom-dia, e de agradecimento, como obrigado(a), imperativas no correcto relacionamento social e demonstração de respeito por terceiros.
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Há uma razão forte para incrementar as boas maneiras: à medida que a incivilidade vai tomando conta da sociedade, todos nós vamos ficando menos tolerantes à falta de educação e savoir-faire, o que nos torna a todos, baseado o raciocínio neste pressuposto, pouco ou nada tolerantes para com alguns (muitos) comportamentos enraízados neste nosso País.

4.1.07



John Arbuckle

Uma Questão a Rever...

A discussão da questão do aborto não deve ser colocada ao nível dos custos para o Estado, ou mesmo da maior ou menor moralidade associada à matéria.
A questão poderá (deverá) ser equacionada no patamar respeitante ao envelhecimento populacional.
Não faz grande sentido permitir movimentos migratórios e, em simultâneo, discutir aberturas na lei a uma maior flexibilidade na decisão de abortar.
Não faz sentido falar em envelhecimento populacional e liberalizar, para além do que é responsávelmente necessário (liberdade de decisão em casos de violência sexual, ambiente familiar ou mal-formações congénitas, entre outras realidades todas elas passíveis de ser avaliadas), a capacidade de recorrer a serviços abortivos.
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Na Alemanha foi instituído um valor de € 25.000 por cada recém-nascido, por casal, como forma de incentivar ao rejuvenescimento populacional.
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Andamos, uma vez mais, a discutir o sexo dos anjos no momento errado, ou por outras palavras, gastamos o latim com questões que não são, verdadeiramente, importantes.
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Não estará na altura de perceber que há um Mundo que gira à nossa volta, e que só com muito empenho da nossa parte passaremos a girar com ele ?

3.1.07

Escrever

Se eu pudesse havia de... de...
transformar as palavras em clava!
havia de escrever rijamente.
Cada palavra seca, irressonante!
Sem música, como um gesto,
uma pancada brusca e sóbria.
Para quê,
mas para quê todo o artifício
da composição sintáctica e métrica,
este arredondado linguístico?
Gostava de atirar palavras.
Rápidas, secas e bárbaras: pedradas!
Sentidos próprios em tudo.
Amo? Amo ou não amo!
Vejo, admiro, desejo?
Ou não... ou sim.
E, como isto, continuando...

E gostava,
para as infinitamente delicadas coisas do espírito
(quais? mas quais?)
em oposição com a braveza
do jogo da pedrada,
da pontaria às coisas certas e negadas,
gostava...
de escrever com um fio de água!
um fio que nada traçasse...
fino e sem cor... medroso...
Ó infinitamente delicadas coisas do espírito...
Amor que se não tem,
desejo dispersivo,
sofrimento indefinido,
ideia incontornada,
apreços, gostos fugitivos...
Ai, o fio da água,
o próprio fio da água poderia
sobre vós passar, transparentemente...
ou seguir-vos, humilde e tranquilo?

(Irene Lisboa)

2.1.07



Dale Erickson

O Mau Exemplo...

Cinco medidas (5), foram enumeradas como de péssima gestão de aplicação da moeda única num estado comunitário. Todas as cinco dizem respeito a Portugal, apresentado como mau aluno da zona euro. Tudo o que há a evitar, dizem os especialistas.
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Responsáveis: um (o maior) é Presidente da República; outro é Presidente da Comissão Europeia; e o outro é Alto Comissário das Nações Unidas.
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Compensa a mediocridade, no "nosso" (deles) País.
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A quem compensaram, então, para merecer tão altos desígnios?
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A todos, sem excepção, lhes digo: subscrevam o livro de Almeida Santos, esgotem-lhe a edição, emoldurem-no e, principalmente, inspirem-se para escreverem as suas memórias futuras.
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Seria esta, afinal, a "Boa e a Má Moeda" ?

Acabar com o terrorismo....

"ETA «liquidou processo de paz»
O governo espanhol anulou definitivamente todos e quaisquer contactos com o grupo separatista basco ETA, anunciou hoje em conferência de imprensa o ministro da Administração Interna de Espanha, Alfredo Perez Rubalcaba".
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O artigo sairá no Sol.
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Quando Baltazar Garçon se preocupou em inculpar elementos do governo socialista espanhol, pela constituição de "brigadas da morte" cujo objectivo era a liquidação da ETA, a atitude foi aplaudida e os ministros julgados e condenados, e as eleições perdidas.
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É bom que, de uma vez por todas, se interiorize uma verdade absoluta: um terrorista nada mais sabe fazer do que ser terrorista. Por outras palavras, não existe integração social possível para um terrorista.
A um terrorista só se deseja um único destino: a morte. A única forma, possível, de liquidar um terrorista é pela aplicação directa dos seus próprios métodos: o terror.
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Liquidem os terroristas e os que lhe são próximos - algo que o terrorista faz sem que lhe doa a consciência - e os terroristas diminuem, primeiro, e desaparecem depois.
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Foi isto mesmo que fez a Alemanha (ainda Ocidental) e nunca ninguém levantou a voz contra.
Deixemo-nos de hipocrisias. Quando a "tribo" é ameaçada, faz-se frente ao agressor. Fortalece-se a unidade e transmite-se força e poder.
Tudo o resto é assunto de agendas pessoais e interesses obscuros.

14.12.06

Duas notícias em dois dias....

O ministro das Finanças aventa a possibilidade de redução da carga fiscal sobre os particulares.
O Ministro da Saúde pressiona os laboratórios a baixar o preço dos medicamentos (nesta situação há um abaixamento da carga suportada pelo Estado nas comparticipações e, em simultâneo, um abaixamento do preço dos medicamentos junto da população - este preço, seja qual fôr, é visto como um imposto, porque o direito à saúde está consagrado).
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Quando as famílias percepcionam um aumento constante nos impostos (através de um agravamento das taxas fiscais e/ou da redução das transferências para as famílias), a economia tende a ajustar-se instantâneamente, através de um abaixamento do consumo, sem contudo significar que existam, por essa via, efeitos dinâmicos no capital não havendo, portanto, quaisquer efeitos no PIB ( o consumo é substituído pela carga fiscal - o rendimento das famílias não se altera).
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Sem capital não há investimento; sem investimento não há aumento do rendimento; sem aumento do rendimento não há aumento do consumo e da poupança; sem aumento da poupança não há aumento do capital, que baixa, sistemáticamente, de períodod para período devido ao factor depreciação.
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A economia fica cada vez pior e a qualidade de vida ressente-se.
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Cabe ao Estado alterar a situação: daí as afirmações dos ministros. Injecção de confiança na economia.

12.12.06

Donald Frazer

A Senhora é de centro-esquerda

Cavaco Silva tem-se demarcado, ferozmente, do PSD.
Cavaco Silva tem-se aproximado, ferozmente, do PS.
Cavaco Silva tem sido deselegante e políticamente incorrecto para o PSD. Tem sido, igualmente, um péssimo filiado político: o filho que renega a mãe.
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Maria Cavaco Silva afirmou ser de centro-esquerda.
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Temo, sem temer de facto, que Cavaco não goze estes 5 anos de presidência, tão preocupado que está com os próximos 5.
Liberte-se senhor, goze o momento e faça como Soares: 6 meses antes das próximas, de taça de champagne na mão, prepare as eleições - e ganhe-as (é difícil não é, quando nos falta aquele não sei o quê).
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Entretanto, à cause de mouche, caso Cavaco Silva volte a pisar o risco do PSD, com o PSD, mais duas ou três vezes (antes será extemporâneo) não tenho dúvidas do que terá de ser feito: expulsá-lo do partido, sem contemplações.
Assim, o Senhor Presidente ficará livre do compromisso político que tanto parece inquietá-lo.

Oponho-me ao regime...

Há anos que me confronto com a mesma realidade e, agora, uma vez mais a reconheço: a realidade - opositor ao regime; a situação - Chile.
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Não há qualquer situação de que me recorde que, ser opositor ao regime, não comporte um reconhecimento políticio e social difícil de alcançar.
Não importa o regime; não importam as convicções ou crenças; não importa a seriedade: ser "opositor ao regime" é clean, tem charme, reconhecimento e audiências.
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Daqui me proclamo Opositor ao Regime.
Avanço mais: que todos os que concordarem com este estatuto se me juntem, no sentido da formação de um movimento cívico, que não desdenho, possa um dia, assim ajude a dimensão, a transformar-se num partido político.
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Viva a oposição ao regime!!!

O Estado que assusta...

A perseguição criminal, por actos atentatórios do interesse público e/ou privado, é necessária e exigível num estado de direito. As notícias daí resultantes são importantes, para manter informados e alerta os cidadãos servindo, igualmente, para afastar o clima de impunidade que se tem vivido em Portugal nas três últimas décadas.
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Adicionar, a este esforço de clarificação da sociedade onde vivemos e onde educamos os nossos filhos, a perseguição fiscal cega, quase sem regras, a que se assiste é, no mínimo, perigoso, porque retira confiança aos agentes económicos nacionais e estrangeiros - País de gentes pouco sérias e credíveis - e adiciona um factor psicológico muitíssimo negativo: a população com medo do Estado. O Estado somos nós; fará então sentido ter medo do Estado?
Não faz. Aceitável é o contrário.

10.12.06

Morreu Pinochet

O General Augusto Pinochet, que derrubou o governo marxista no Chile e governou durante 17 anos, morreu este Domingo, após complicações de saúde surgidas como consequència de um ataque cardíaco.
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Pinochet foi duramente atacado, depois de perder o poder no Chile, na sequência de eleições livres e, muito especialmente nos últimos anos, pelos crimes cometidos em nome dos (supostos)interesses políticos e sociais do Chile. Foi inclusivé julgado e condenado, em Espanha, por um juíz com uma agenda política nebulosa.
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O Chile é, hoje, o País com melhor welfare de toda a América Central e do Sul.

23.11.06



Marrian

Questão de carácter...

«Compete ao Governo o estabelecimento de medidas preventivas em áreas onde se vão realizar investimentos de carácter nacional».
Afirmação da vereadora da CML, responsável pelo pelouro do urbanismo.
Investimentos de carácter nacional, feitos pela Obriverca, só se a Nação se confina a Alverca (donde deriva o nome da empresa e onde esta tem realizado o fundamental da sua actividade).
A menos que por investimentos de carácter nacional, se deva realizar a possibilidade de aplicação dos 60 milhões de euros, de Norte a Sul do País.
Quem sabe, casas no Algarve e no Minho, passando por Évora e Coimbra. Assim sendo, ninguém colocará em causa o carácter nacional da coisa.

Confusão Estado-CML...

Fala-se tanto de tantas coisas - fisco; futebol; corrupção -mas pouco ou nada se fala dos interesses do betão, daquele betão que não é sério, só interesseiro; que não cria riqueza, cria ricos; que depende de favores pessoais, do conhecimento atempado de situações de utilização de terrenos, seja por modificações de PDM´s, seja pela necessária utilização pública, possibilitando compras por cêntimos e vendas, sem acrescentar valor, por milhões.
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Vem este pensamento a propósito da confusão gerada, entre a aprovação camarária, em Lisboa, de um loteamento e a suposta futura utilização do talhão, onde se irá inscrever o loteamento, para a construção da linha do TGV (que espero, sinceramente, não passe do projecto - o TGV, claro).
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É necessário clarificar as responsabilidades, porque se está em presença de uma possível indemnização de 60 milhões de euros!!, a pagar através do erário público.

19.11.06



Woody Allen meet...

Woody Allen

O Futuro incerto...de Portugal

De acordo com o presidente do Vitória de Setúbal, "o clube e a SAD têm um passivo global de cerca de 11/12 milhões de euros, com encargos bancários equivalentes ao custo da equipa de futebol, que são incomportáveis em termos futuros". Por outro lado, Jorge Santana lembrou que o Vitória de Setúbal já recebeu, por antecipação, grande parte das verbas relativas ao contrato de cedência de exploração do bingo ao Grupo Amorim, por um período de dez anos, e a totalidade das verbas relativas às transmissões televisivas da época desportiva em curso (2006/2007).
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Esta notícia, sobre a situação económica de um clube de futebol nacional, tem muito em comum com a situação da economia nacional.
De receita extraordinária em receita extraordinária, lá vão os diversos governos - de todas as cores - fazendo face às despesas ordinárias (quer por que não são extraordinárias, quer porque se tornam aviltantes) através de processos extraordinários.
E, como acima se lê a propósito de um clube de futebol e dos claros sinais de péssima gestão económico-financeira, as receitas extra acabam e as despesas ordinárias ficam.
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Resta, então: (i) para o clube declarar a insolvência (caso se verifique a fravidade da situação) e (ii) para o País reduzir, drásticamente, a qualidade de vida dos seus cidadãos.
Nada mais resta, de facto!