29.5.07


O que Costa queria...

"O candidato socialista à Câmara de Lisboa, António Costa, criticou hoje o candidato do PSD por trazer para a campanha eleitoral a questão do aeroporto , afirmando que há muitos assuntos de Lisboa para debater até às eleições".
Claro que há, mas este é um deles e muito, muito importante.
Razões: ser Presidente da Câmara de Lisboa é políticamente mais relevante que ser ministro; porque Lisboa é a capital do País e porque é ígualmente o centro político e administrativo da Nação. Se assim não fosse porque razão se teria candidatado Costa à CML quando era ministro no actual governo?
O lugar permite uma exposição mediática constante e não é por mero acaso que Jorge Sampaio já foi Presidente da República tendo sido só, até esse momento e sob um ponto de vista estritamente político, presidente da CML.
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Porque o assunto OTA é de relevância política nacional, mas não o é menos quando indagada a relevância local, é fundamental conhecer as opiniões dos candidatos à presidência da CML.
Mas porque o assunto é confrangedor para Antonio Costa, acérrimo defensor da OTA, dava mais jeito não falar em tal coisa. Se fosse possível assim seria.
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Muito embora a vontade de governar num Estado autocrático seja clara, a verdade é que não estamos (mal ou bem) no tempo do António e, assim, é possível mandar mas não é possível calar, pese uma ou outra situação que aparece como sombra no horizonte da liberdade de expressão.
Assim, Costa vai levar com a OTA todos os dias e, espero, com todos os candidatos de discurso afinado.

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No fim, que a Portela se aguente, que nenhum dos candidatos obtenha maioria absoluta e que a CML não vá a votos com a esmagadora maioria dos votantes oriundos dos bairros populares, senão, porventura teremos uma grande surpresa.

25.5.07



ValentinaD´Amaro

O que falta....

Conhecimento, rigor e disciplina, atributos que vão escasseando no Portugal de hoje.

deve existir

deve existir uma outra
noite
onde caibamos todos.

inocentemente felizes
a comer laranjas
e a discutir problemas de aromas
de flores.

(Francisco Mangas)

Jogo de interesses...

Já todos percebemos que existe mais do que interesse estratégico na obra da OTA; existe interesse económico e não é nacional!

Demita-se o Ministro já! Congele-se a OTA!
A vida fica mais facilitada para António Costa na corrida para Lisboa.

23.5.07



CoventGarden

Porque andei arredio....

Muita coisa mais o novo blogger!!! Mas, para o bem e para o mal, voltei!
Pelo menos para minha satisfação pessoal e intelectual.

Jamais, Jamais....

Aeroporto na margem Sul “jamais”
O ministro das Obras Públicas, Transportes e Comunicações, Mário Lino, criticou hoje violentamente as opções de construção do novo aeroporto numa localização na Margem Sul em detrimento da Ota, afirmando mesmo que, na sua opinião, um aeroporto na margem sul "jamais".

(Alexandra Noronha in Jornal de Negócios)

Num almoço-debate na Ordem dos Economistas, as declarações impensáveis de um ministro impossível.

"Lucy in the Sky...with diamonds"

A margem Sul não tem o quê? Pessoas capazes, hospitais, acessos, condições? É um deserto?

Não tem???

É mentira!! Tem!!! E não é um deserto!

Caso não as tenha de quem é a culpa? E se não são as melhores de quem é a culpa?

Que mal tem a margem Sul?

Servíu, mal, para utilizar políticamente durante anos no tempo da outra senhora.

Servíu, mal, para aproveitar no PREC.

Servíu depois para ostracizar, tanto com governos PS como PSD (o pior terá sido o de Cavaco Silva).

Serve agora para dizer que não presta?

Basta!
Considero que todos os habitantes da margem Sul se deveriam insurgir contra esta argumentação e , pior, este tratamento de 2ª categoria, de lixo, de desigualdade, de iniquidade, impróprio numa sociedade democrática. E falamos de mais de um milhão de habitantes.

Quem estudou Pareto sabe do que falo e porque me irrito.

Quem me conhece sabe que coloco, acima de tudo, a justiça social e a igualdade de direitos e obrigações na sociedade como factores determinantes do seu sucesso. Quem me conhece sabe, também, que sou de direita, direita que se confunde bastas vezes com esquerda (utilizando epítetos já pouco adequados), que resido em Lisboa, mas que nasci e cresci no Barreiro, terra da qual me orgulho e muito, tendo a história da família ligada à história do Barreiro por três gerações.

Quem me conhece sabe ainda que nunca fui sequer socialista; que sem ser filiado em qualquer partido - ainda hoje assim é, por respeitar a minha autonomia - fiz propaganda política pelo PPD em 1975, através da colagem de cartazes no Barreiro, por duas noites, antes das eleições constituintes de 75, numa altura em que o PS pedia autorização ao PCP para colocar propaganda na rua.

Que depois fiz a segurança de Freitas no distrito de Setúbal na primeira vez que concorreu à presidência.

Que saí do Barreiro por discordar e já não me rever no conceito de terra e urbanidade que, entretanto, por erros sucessivos - enormes responsabilidades do PCP - cometidos, transformaram uma urbe onde cultura e política coexistiam, numa outra muito mais desinteressante.

Tudo isto não implica que não mantenha o que tenho defendido: não necessitamos de outro aeroporto. Prolonguem a Portela através de Figo Maduro e utilizem os charters nas pistas de Alverca.

Porque nenhum de nós sabe como vai evoluir o turismo; porque nenhum de nós é garante da verdade quanto ao futuro, mas todos sabemos que somos pobres, que não nos podemos dar ao luxo de consumir o que não temos, principalmente contraindo ainda mais responsabilidades, baseados nos rendimentos das gerações futuras .

Mas, acaso seja cometido esse disparate, o da construção, porque não na margem Sul? Porque não, se se faz um disparate, não se pode fazer aumentando a riqueza de uma região altamente carenciada e dotada de meios, humanos e ainda uns quantos técnicos, desaproveitados, por ausência de actividade fabril?

O sr. ministro é pequeno, quando profere tão absurdas, despropositas quanto deslocadas e injustas afirmações.

O sr. ministro só podia estar num dia mau, numa tarde má, num pós-almoço complicado.

"Lucy in the Sky...with diamonds"



29.3.07



Dominique Salm
A actualização do blog tem sido mais demorada do que inicialmente previra. Vai-se fazendo, faltando agora bem menos. Razão para o prolongado silêncio palavroso, mas do qual não me consigo afastar.

Fim às OTA´s

Quando é que tomamos, todos, uma atitude clara contra a OTA ou outro qualquer aeroporto?
O betão quer a obra, os consultores querem a obra, os engenheiros querem a obra e, finalmente, os políticos anseiam por esta obra, seja na OTA ou Rio Frio ou outro lugar qualquer.
Mas Portugal não precisa da obra, dispensa-a totalmente. Temos obrigação, todos, de acabar com esta loucura.
Desactivem Figo Maduro aproveitando a base aérea do Montijo, prolonguem as pistas e edifícios da Portela. Desviem os charters para Alverca e, se necessário, para Beja.
Resolvam, mas resolvam tendo em atenção os superiores interesses do País e não os interesses superiores de alguns, sempre os mesmos, que têm arrasado a economia nacional.

Questões políticas do PSD

A investida do PSD, a propósito da legislação sobre o aborto, foi total e completamente ineficaz, bem como mostrou um desnorte político inadmissível. O que se referendou foi uma pergunta e, nessa pergunta, em lado algum se referia a necessidade de acompanhamento e aconselhamento.
É necessário ensinar os cidadãos sobre a sua capacidade de inrtervenção cívica e política.
Se o PSD queria referendar algo mais do que foi feito, teria de se demarcar da pergunta, exigindo uma outra. Não foi isso que fez. Deu liberdade de voto, abstendo-se com receio dos custos políticos, e apresentou o seu líder com uma posição que foi declarada como pessoal e não vinculando o partido. Para além de ser difícil esta separação, mostra com clareza que nas questões mais sensíveis, o PSD não tem rumo ou objectivos políticos, mostrando algo mais preocupante: o PSD não conhece o eleitorado de que dispõe, daí o discurso político dúbio e fracamente interventivo.
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Na questão dos impostos esteve bem. Antecipou-se mas, curiosamente, deixou arrefecer o assunto. Reflexos da contestação interna? Se assim foi é um sinal claro de fraqueza de liderança (que não será novidade). Lamenta-se, contudo, que em nome da defesa dos gastos públicos, entenda-se despesa corrente, que o Estado não consegue fazer diminuir, se defenda a penalização constante dos contribuintes.
Em política a falta de memória é grave e paga-se caro. Aumentam-se impostos e reduzem-se os serviços (educação, ensino, tranferencias para as famílias). Pergunto: faz algum sentido? A resposta é óbvia: não faz sentido nenhum.
É sintomático que algumas figuras do PSD defendam a manutenção da carga fiscal (talvez até o seu aumento) sem atentarem na redução dos serviços prestados pelo Estado e sem que se verifiquem reduções na despesa corrente. São os mesmos que criaram a situação (na altura com milhares de funcionários públicos contratados a recibo verde), percebendo-se a dificuldade de defenderem outras posições políticas, diferentes das que tomaram indescriminadamente enquanto foram governo.
Mas não é a política a arte do discurso e da demagogia? Onde está, então, a liderança do PSD, que quando pretende fazer política se vê atacado por todos os lados?
Mas não é esta mesma liderança que aceitou o distanciamento político-partidário de Cavaco enquanto candidato presidencial e, depois, após a eleição se congratulou e se encostou à sua imagem? Tivesse aproveitado para fazer uma limpeza, em vez de distribuir parabéns e, provávelmente, estaria muito mais à-vontade.

É positivo, o regresso de Portas

O regresso de Portas nunca seria pacífico. A "paz" reinante no CDS/PP não é, igualmente, desejável. Paulo Portas trará algo de novo à política nacional.
Lamenta-se a saída de Maria José Nogueira Pinto, principalmente no reflexo induzido na CM de Lisboa.
Mas há, igulamente, um motivo de interesse: Nogueira Pinto irá manter-se na política activa? Se sim, onde?

11.2.07

A não vinculação implica, sempre, novo Referendo

Agora, com 59% dos votantes pelo SIM e 41% dos votantes pelo NÃO, com uma abstenção igual a 56%, ou seja, não vinculativa, há, contudo, que respeitar a maioria expressa nos votos, descriminalizar até às dez semanas e apontar, desde já, novo horizonte temporal de oito anos, para que se promova novo referendo.
Após este período, teremos condições de avaliar os resultados sociais e humanos da modificação que se irá operar na legislação.

8.2.07



David Hughes

NÃO à OTA....

Para além de todas as razões apresentadas por Miguel Sousa Tavares, na passada semana no semanário Expresso, junta-se uma outra, igualmente fundamental, para que se diga NÃO ao novo aeroporto da OTA , o seu custo que se estima em 3 mil milhões de euros.
Mesmo sem derrapagens orçamentais (o que será o mais natural) este valor é, claramente, avassalador para um País carente de tudo. Não nos podemos dar a este imenso luxo e não devemos deixar passar em claro este monumental erro estratégico.
Os possíveis problemas resolvem-se logo de início, para que não cheguem a ser problemas de facto. É nossa obrigação evitar que a OTA se transforme num problema.
Protestos sucessivos, petições, marchas em Lisboa e Porto, todas as manifestações são válidas para impedir este enorme erro.
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O mesmo princípio se deve aplicar ao TGV. Este, mesmo sem OTA, constitui-se igualmente num custo imenso para o Estado, bem como numa machadada irreversível na TAP, liquidando por completo a sua capacidade de sobrevivência.

6.2.07

O meu Não...

Recusando-me a facilitar a vida ao Estado (o mesmo é dizer: a todos nós), certo que estou que a este cabe uma importante função de exemplo responsabilizador, perante as futuras gerações, no próximo Domingo votarei Não.
Votar Sim implicaria conceder que existe uma incapacidade, quase sinistra, de regeneração da sociedade portuguesa, por inércia e incapacidade de alteração do status quo.
Se a sociedade se está a tornar mesquinha, hipócrita e, claramente egoísta, terá de se saber colocar a fasquia das pretensões a uma altura que denote o nível de exigência pretendido. Tenho a certeza que, para o Estado português, a fasquia tem de ser colocada muito alta, pelo que a adopção de práticas facilitadoras em nada contribuirá para a sua regeneração.
Votar Não implica vontade de enfrentar o problema; votar Sim é sacudir a responsabilidade social do Estado.