26.10.06

Ainda a propósito dos Grandes Portugueses...

O grave é que não existe liberdade de facto em Portugal. Os partidos não deixam, os media não deixam, a falta de preparação, cultura e conhecimento não promovido em 32 anos não deixam.
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32 anos depois já não se pode culpar de nada o Estado-Novo.

O "lamento" justificativo da ausência de Salazar, hoje na RTP1...

Assisto, com desencanto, ao programa da RTP 1 que pretende, supostamente, lançar um programa e a sua importância no panorama televisivo português (porque é disso que se trata), bem como ao ressurgimento de uma figura carismática da comunicação falada (mais do que escrita): o programa "Os Grandes Portugueses" e a mentora (copista do modelo inglês) Maria Eliza.
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Neste programa confronta-se a mediocridade de um "gato fedorento" com a erudição do Prof. José Hermano Saraiva.
Para lá da confusão natural que se instala com a heterocedasticidade dos interlocutores presentes, lamenta-se que por interesses óbvios se pretenda justificar o injustificável.
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Terei de elaborar uma opinião estritamente pessoal quanto à iniciativa, antes de mais: considero-o despropositado e desprovido de sentido histórico, porque, acima de tudo, discordo profundamente na bondade de levar a votos a História de um Povo, através da promoção de votos nos seus maiores vultos. A História não vai a votos: faz-se!
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A noite tem sido, assim, muito fraca no diálogo e, concomitantemente, no conteúdo. Mas aguardo, com curiosidade, qual a justificação para que, na primeira lista de grandes portugueses, não tenha surgido o nome de António de Oliveira Salazar.
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Maria Eliza pretende explicá-lo na segunda parte do programa, dando a entender, numa primeira aproximação, que a lista inicialmente elaborada era tão sómente isso, uma primeira lista de sugestões, aberta a alterações.
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Como se explica este facto não sei, vou aguardar. Mas uma coisa sei: olvidar o nome de Salazar nessa primeira lista é escamotear 40 anos de História de Portugal, gostando ou não gostando do político.
Mas sei mais e mais importante: não propor Oliveira Salazar nessa primeira lista significa não saber lidar com a História e, quando não se sabe lidar com o passado histórico, não se tem condições para avançar para um programa televisivo, populista por definição e por razão da definição perigoso, porque se está, à priori, condicionado.
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Se uma Mulher e jornalista como Maria Eliza se sente condiconada, o que dizer da sociedade portuguesa, 32 anos depois da revolução, que garante à evidência a imposição de grilhetas intelectuais. Porque nenhum de nós pensará, por um segundo, que Oliveira Salazar não foi um dos primeiros nomes a sair do saco e debatido à exaustão. Do saco da 1/2 dúzia de cabeças pensantes do programa e do debate, quer histórico, quer polémico que sugeríu. E sendo-o, porque razão não foi incluído, sendo-o só posteriormente em face da pressão exercida.
O problema, repito, é a incapacidade e temor de lidar com a História recente, preocupante numa sociedade que se pretende livre e democrática, mas acima de tudo sem estigmas.
Ao fim e ao cabo sempre existirão, ainda, algo mais que resquícios de complexos, quando vem à liça o nome de Salazar.

25.10.06

Sou o fantasma de um rei

Sou o fantasma de um rei
Que sem cessar percorre
As salas de um palácio abandonado...
Minha história não sei...
Longe em mim, fumo de eu pensá-la, morre
A ideia de que tive algum passado...

Eu não sei o que sou.
Não sei se sou o sonho
Que alguém do outro mundo esteja tendo...
Creio talvez que estou
Sendo um perfil casual de rei tristonho
Numa história que um deus está relendo
...


(Fernando Pessoa)

A Despesa Pública.....

não-produtiva - o estado gordo - é perniciosa porque acarreta, forçosamente, uma consequência: diminuição do consumo privado, ou por outras palavras, o poder de compra de todos os cidadãos, através de dois mecanismos essenciais - necessidade de aumento de receitas públicas através do aumento da carga fiscal e endividamento das gerações futuras pela obrigação de liquidar o endividamento público e os encargos inerentes.
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Exemplo: por cada título emitido pelo tesouro (satisfação da dívida pública) e comprado pelo cidadão, a prever um encaixe financeiro equivalente ao capital investido acrescido da remuneração, estamos, em simultâneo, a endividar as gerações vindouras (alguém tem de pagar, sempre).
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A despesa pública não-produtiva, para um estado pobre como o nosso, apresenta contornos caóticos.

24.10.06

Destruição da Terra ultrapassa a capacidade de Regeneração Natural em 25%....

A destruição de recursos naturais, para fazer face às necessidades do consumo humano, ultrapassa em 25% a capacidade de regeneração do planeta.
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Para conferir aqui http://www.panda.org/index.cfm?uNewsID=83520


Henry Bresson

A Falácia da Diminuição do Imposto Sobre as Empresas....

Falar, políticamente, em baixar o imposto sobre o rendimento das empresas (vulgo IRC) com o propósito de canalizar novos investimentos e aumentar a competitividade do espaço económico português face a outros, é uma falácia, mesmo que o argumento esteja ou venha a ser utilizado políticamente por outras regiões económicas.
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A razão é simples: através do abaixamento do imposto as empresas (leia-se o capital) até poderão ver aumentados ou, pelo menos sustentados, os lucros. Mas a questão essencial, para o capital, passa por obter níveis de lucro semelhantes (a remuneração esperada) ou mesmo ligeiramente inferiores, através da penetração nos mercados, passando a referida penetração por aumentos sucessivos de eficiência/produtividade.
Aumentar os lucros através da redução da carga fiscal (formulação virtual da função lucro) não garante eficiência e promove, forçosamente, diminuição da presença no mercado para as empresas, pela consequência directa da perca temporal das eficiências necessárias à manutenção/aumento da penetração nos mercados onde operam. E estagnar ou perder mercado significa, a prazo, a perda do negócio.
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Só podem defender a solução da diminiução da carga fiscal os empresários que assumem, claramente, ineficiências e incapacidades de lidar com o mercado.
Para os políticos, o discurso passa por ser sofisticado, mas é totalmente desprovido de sentido.

19.10.06
























Jean Loup Sieff

Deixem que a esperança prevaleça sobre a incerteza...

A noite cai, as preocupações adensam-se. É sempre assim e sempre será.
É o lado escuro que acompanha o escuro da noite.
As piores decisões tomam-se à noite. Sem excepção. Ao cansaço natural acumulado no dia, junta-se a certeza do mundo fechar, de nada mudar durante horas e este pensamento, parecendo simples, pode encerrar complexidades mentais que conduzam, no extremo, à turbulência da mente, num desfiar de rosários que se perfilam inexoravelmente como não solúveis.
Não é por acaso que as taxas de suicídio apontam para uma maior verificação destes, entre as primeiras horas da noite e a alvorada.
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Há que ultrapassar o adensar de preocupações noturnas, através da positividade colocada no dia seguinte. Viver cada dia por si e, acreditar, que a possibilidade de melhorar aumenta à medida que os problemas se adensam: ao fim e ao cabo, depois da tempestade vem a bonança.
Neste papel criador de esperança, assumem particular importância os órgãos de informação e o elenco governativo. A palavra de esperança tem de partir de quem tem tempo de antena; no caso concreto de quem tem a informação e de quem a transmite.
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Os portugueses dispensam as guerras em torno da corrupção. Já todos sabemos que vivemos numa sociedade corrompida, transversal e verticalmente. Já todos sabemos que os tempos são de crise. Sabemos igualmente que a justiça está num caos e que o desemprego cresce.
São necessários mecanismos de criação de ânimo, urgentemente.
Boas notícias, como o acordo com a Auto -europa, podem e devem ser badalados até quase a exaustão. A notícia de que um novo modelo, a ser anunciado, poderá criar 3.000 novos postos de trabalho, deverá contrabalançar a certeza que até ao final do ano, pelo menos 7.200 portugueses ligados ao sector automóvel terão perdido os seus empregos.
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Igualmente existe um limite para a subida de impostos. Se o estado entende subir, proporcionalmente, os escalões de IRS e acabar com algumas SCUTS, deverá levar em conta que não pode, em simultâneo, subir os impostos sobre os produtos petrolíferos, porque uns e outros, directos ou indirectos, afectam a população, o contribuinte individual e diminuem-lhe o bem-estar, ou por outras palavras, contribuem para a perca do poder de compra, diminuindo a qualidade de vida.
É que a estas notícias somam-se as outras, do aumento da inflacção, do congelamento dos salários e do aumento das taxas de juro, do crescimento das despesas com a educação e da saúde.
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É tempo de incutir confiança na população, para que essa confiança alastre aos agentes económicos nacionais. É chegado o tempo de apoiar as iniciativas geradoras de emprego, da micro à média empresa. É, provávelmente, chegado o tempo - agora que se conseguíu criar o estigma social do não pagamento de impostos - de aliviar, discretamente, a pressão sobre os contribuintes, até porque quem tinha com que pagar já o fez e as receitas do estado, na recuperação de créditos de imposto, tendencialmente cairão até ao final do ano para valores quase residuais. Não é um ganho, antes uma perca, alimentar um ambiente de suspeição e perseguição continuada sobre os agentes económicos.
Executar bem não passa por executar cegamente. A economia não é uma ciência certa e exige, como tal, navegação à vista. Mudar procedimentos, de acordo com a percepção da economia e do mercado, é um dado fundamental.
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Fundamentalismos no estado conduzem a situações de rotura. Por isto e por isso, percebo claramente o Ministro das Finanças, que não precisava de fazer um mea-culpa em relação às declarações sobre a recuperação da economia portuguesa.
Todos sabemos que os próximos anos são difíceis mas também necessitamos de ouvir, mesmo com um sorriso descrente, que as coisas estão a melhorar.
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Ao fim e ao cabo somos todos humanos e se há característica que define o humano ela é, claramente, o gosto de ser (pela positiva) enganado.
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Em resumo, se acaso a sua situação é de desconforto, quando se apaga o dia e a noite avança, pense maduramente que um novo dia está para acontecer e, que de noite, a não ser beber uns copos e dar umas quecas, nada pode fazer.
Aproveite a noite então e pense nos problemas por resolver quando as possibilidades de solução são maiores -durante o dia.
Em qualquer caso não esqueça: se não tem pais ricos nem lhe saíu a lotaria pode sempre ir ao BES.

Quando se exige sacrifício a sinceridade tem de imperar...

Afirmar que "tarifas dos consumidores só vão crescer 6% a 8%", padece de um erro grave: a palavra "só". A ser verdade que a afirmação é tal e qual, pertença do Ministro da Economia numa entrevista ao semanário Sol, ela encerra um erro de forma que é, em simultâneo, um vício instituído na democracia portuguesa: a utilização abusiva da língua para efeitos de desculpabilização.
Qualquer aumento superior ao aumento verificado nos salários reais é dramático, para pelo menos 90% da população portuguesa. A expressão correcta seria: tarifas dos consumidores ainda terão, infelizmente, de crescer entre 6% a 8%.
Dizer qualquer outra coisa é escamotear a verdade.

Homem de Bem...

Quem é homem de bem,
não trai
O amor que lhe quer
seu bem.
Quem diz muito que vai
não vai,
Assim como não vai
não vem.
Quem de dentro de si
não sai
Vai morrer sem amar
ninguém.
O dinheiro de quem
não dá,
é o trabalho de quem
não tem.
Capoeira que é bom
não cai
E se um dia ele cai
Cai bem!

(Vinicius de Moraes)

Uma economia pujante....

A economia portuguesa cresce, justificando-se as revisões em alta da taxa de crescimento. De facto tudo cresce, ou melhor, sobe. Tudo sobe então e a única excepção só vem , como soi dizer-se, justificar a regra.
A excepção é o nível de vida dos portugueses que só baixa, ou diminui, como quiserem. No resto, não temos qualquer dúvida: tudo sobe ou cresce.

17.10.06

Ciganos

Tudo o que voa é ave.
Desta janela aberta
A pena que se eleva é mais suave
E a folha que plana é mais liberta.

Nos seus braços azuis o céu aquece
Todo o alado movimento.
É no chão que arrefece
O que não pode andar no firmamento.

Outro levante, pois, ciganos!
Outra tenda sem pátria mais além!
Desumanos
São os sonhos, também...

(Miguel Torga)

A Fundamental Dimensão...

No New York Times de hoje:
"Wal-Mart Stores, the largest retailer in the United States, is laying the groundwork to become the biggest foreign chain in China with the $1 billion purchase of a major retailer here, according to people briefed on the deal".
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É tudo uma questão de dimensão. Por isso, Portugal e a sua economia estão destinadas a serem parte do mercado ibérico e o controlo das suas empresas cair, maioritáriamente, na mão de capital estrangeiro. Por isso, por falta de dimensão dos homens em primeiro lugar e, depois, pela inerente falta de dimensão económica, política e social.

16.10.06

A verdade da mentira....

Curiosa a forma como governo e oposição lidam, diáriamente e de há longas semanas, com a questão da "necessária" reforma do estado-previdência.
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Os cortes propostos nas pensões, os benefícios que terminam (caso da viúva ficar com direito a 1/2 da reforma do conjuge, em caso de falecimento deste), implicando uma rotura na expectativa dos benefícios futuros, traz consigo uma enorme contradição: QUANDO SE CRIARAM REFORMAS ONDE ANTES NÃO EXISTIAM quer pela especificidade das funções, quer pelos montantes, quer pelos anos de exercício de funções; QUANDO SE LEGISLOU SOBRE MECANISMOS COMO O SALÁRIO MÍNIMO NACIONAL; QUANDO SE INTRODUZÍU O CONCEITO DE MÍNIMO DE SUBSISTÊNCIA; QUANDO SE AUMENTOU O VALÔR DO SUBSÍDIO DE DESEMPREGO, sempre se julgou que o Estado estaria a consumir proveitos gerados na economia.
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Puro engano. O Estado não estava a gastar rendimentos gerados. O Estado estava a consumir receitas acumuladas durante anos, por todos aqueles que agora vêem as suas pensões de reforma, a dignidade numa provecta idade ameaçada. Estão goradas as expectativas no futuro em todos, os que estão reformados e os que estão no mercado de trabalho. O Estado sucks e os políticos destilam mentiras.
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Acaso não são estes políticos os mesmos que se atribuíram, de há trinta e dois anos, as regalias que os colocaram a salvo de qualquer intempérie? Que força moral têm agora para falar?
Nenhuma! Absolutamente nenhuma.
As reformas são mais do que necessárias (irem a tempo é outra história) mas a estes políticos falta-lhes credibilidade para as empreender.
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Nota de rodapé: a 1ª República, no finzinho, também começou a esbracejar com a corrupção....

9.10.06

A memória curta de Carrapatoso ou os interesses subordinantes...

A memória é curta ? Não! Os interesses é que mudam.
Há uns anos, não muitos, Carrapatoso e a Vodafone (Telecel), vociferavam que dois operadores eram ideais para "trabalhar" o mercado das comunicações móveis em Portugal. Hoje, como sabemos, dois são poucos, três são óptimos, na opinião do douto responsável da Telecel (Vodafone).
Que António Carrapatoso tinha chegado à Vodafone (Telecel) por obra e graça do Espirito Santo, já o sabia. Que lá se tem mantido, acumulando prejuízos, também se conhece.
Não se sabia, contudo, que a certeza de que dois operadores seriam suficientes para Antonio Carrapatoso, se mantinha tão presente.
Porque a estratégia da Vodafone e do seu líder não passa pela manutenção de três operadores, mas pela aquisição de lugar na primeira fila do espectáculo de encerramento da Optimus, por falta de mercado e de capacidade de alavancagem.
Porque esse encerramento é garante da continuidade da TMN, da repartição do mercado que sobrar e, igualmente importante (pela continuação da TMN), da manutenção da necessidade de um interlocutor nacional que faça a ponte com os agentes fronteira, num País onde se continua a privilegiar as relações informais lobbistas.
Caso contrário, com o mercado aberto sem intervenção de monopólios e interesses estatais nas comunicações móveis, nada impede a colocação pela Vodafone de um CEO inglês, mais provável até do que a deslocalização de um gestor americano.
Pelo sim, pelo não,o Compromisso Portugal lá vai cumprindo o seu papel de rampa política, permitindo acalentar ambições nessa área, para quem teme vir a sair a curto prazo de outra.

29.9.06























Faulkner

Princípio de vida...

“Amava e destruía o amor; membro dum grupo literário avançado, deixara-o e ficara só; deslumbrado por um clarão de fé, mergulhara de novo na escuridão da descrença; em vésperas de partida para a vida prática, andava atormentado.
- Feitio excomungado, o teu! Ou te modificas, ou estás desgraçado...
- Mudar, eu?
~
Tinha a impressão de que os anos iam enrijando certas regiões do meu carácter. Era uma espécie de dureza progressiva, contra a qual todos os guilhos da ambiguidade, do convencionalismo, dos interesses e da conivência se quebravam. Esse monolitismo tornava cada vez mais difícil um dia a dia em que os passos bem sucedidos pressupunham maleabilidade, brandura, adaptação. Mas, embora visse claramente as vantagens de ser doutra maneira, sabia que estava condenado a pagar à vida o duro tributo da sinceridade. Nascera inteiriço, continuaria inteiriço, fossem quais fossem as consequências.”
Miguel Torga

O outro lado do Mundo....

Para que uma mulher no Paquistão possa conduzir com sucesso uma queixa de violação, é exigível que 4 homens sejam testemunhas do acto. Por outras palavras, a mulher terá de ser violada por 4 homens que depois endoidecem e confessam; ou por, pelo menos, 5 homens, 4 dos quais se zangam com o quinto e ajudam a vítima, a troco do silêncio, a culpabilizar o quinto elemento, ou o fazem a troco de dinheiro pago pela família da vítima - a modos que gigolos com cheiro acre medieval.
Infere-se asim que ser vítima de violação no Paquistão por um, dois ou três ou mesmo quatro homens é uma desgraça maior para qualquer mulher, do que ser vítima de violação por cinco, seis, sete e por aí fora.
Esta será, certamente e fora de discussão, a razão pela qual o apelido porque são tratados é o da mãe - como saber quem é o pai em tais situações ?
É que, caso a vítima acuse um homem ou conjunto de homens de violação e não tenha as referidas quatro testemunhas (homens) é acusada de mau comportamento moral, de adultério, incorrendo em pena de prisão.
É este o maravilhoso mundo árabe que tantos se afadigam em defender.

Que me desculpem, mas de Espanha nem bom vento, nem bom casamento.....

No debate de 2 feira passada no Prós e Contras, ficou claro que J. M. Aznar fez o seu papel, Manuel Dias Loureiro também e o Prof. Ernani Lopes, afastado há muitos anos da vida política activa, com o distanciamento saudável que o referido afastamento permite, deu-nos uma visão realista e, acima de tudo qualificada, dos perigos próximos que a economia e as empresas portuguesas enfrentam, por incapacidade de consolidação das suas posições económicas nos últimos trinta anos.
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Na realidade, a enorme diferença na capacidade de capitalização das empresas portuguesas, face às congéneres espanholas, coloca-as numa situação de perigo iminente consubstanciada na fragilidade dos recursos financeiros e na decorrente fraca capacidade de alavancagem dos seus negócios.
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Aliar com Espanha (leia-se empresas espanholas) é correr para o abismo, sendo excepções as cimenteiras (cartelizadas) e a indústria de papel (cartelizada), bem como, de alguma forma, os aglomerados de madeira (embora neste caso exista dificuldade idêntica no resto do mundo, onde a dimensão portuguesa é insignificante, quer ao nível dos recursos financeiros, quer da dimensão dos meios de produção.
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Para os petróleos, leia-se Galp, o caminho passa, forçosamente, pela capacidade de arregimentar um pacto estratégico com a Petrobras, única solução para aumentar a sua capacidade exploratória de actuais e novos blocos, usando como factor determinante, o dote constituído pela facilidade de penetração na África portuguesa, pelo razão de ser membro da UE e pelo reconhecido know-how técnico e de gestãoque possui.
Já a EDP terá de sustentar as suas políticas numa manutenção férrea da sua independência, até ao dia em que, impelida pela política geral económica europeia, se constituam as futuras 4 ou 5 grandes famílias energéticas europeias, situação na qual muito dificilmente deixará de pertencer ao grande grupo Ibérico que virá a ser constituído.
~
Para todos so restantes sectores económicos relevantes o futuro será a strategie du poisson. Ou seja, os grandes comem os pequenos; por outras palavras, as OPAS vão estar na ordem do dia e não se espere que sejam as empresas portuguesas a ficar por cima: não existe massa crítica para intentar qualquer acção; existe muita fragilidade para que se tornem apetecíveis ao exterior, leia-se Espanha. Porquê o interesse espanhol ? Porque Portugal e Espanha, em conjunto, significam um mercado superior ao francês e, na lógica da dimensão dos mercados, este é um dado fundamental.
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Não existe solução ?
Uma solução exacta não existe, mas pode-se falar de aproximações à solução, capazes de melhorar e dimiuir, fortemente, a tendência actual. O problema é a crescente falta de tempo.
Os parceirso indicados para as empresas portuguesas na sua estratégia de internacionalização são, preferencialmente, parceiros financeiros, quaisquer que sejam, tenham a origem que tiverem. Estes parceiros não têm know-how, não pretendem implementar ou lutar por modelos de gestão, preocupando-se, essencialmente, com os resultados. A dimensão é um óbice, neste caso, porque o parceiro financeiro só estará disponível até um certo ponto de envolvimento, mas aí terá de entrar a capacidade de montagem de operações com vários agentes, em simultâneo ou temporalmente desfasados. Desta política faz parte, igualmente, a capacidade de alienar activos hipervalorizados para enfrentar novos desafios, com amior capacidade de alavancagem financeira e tecnológica, garantindo as parcerias financeiras, sempre acompanhadas de parceiros locais.
~
Posto isto, fica claro que o mercado europeu é para esuqecder, por parte das empresas portuguesas. O esforço de investimento é incomportável, face às expectativas temporais de retorno do investimento efectuado.
Assim, há que olhar o Atlantico como ponto de partida para a escolha dos mercados a operar, não significando este olhar, um prender da retina exclusivamente em África e no Brasil, mercados apetecíveis mas perigosos, cada um à sua maneira.
~
Sendo assim, o prof. Ernani Lopes tinha razão quando afirmava que fazer parcerias com empresas espanholas para explorar territórios de língua portuguesa é, garantidamente, muito bem visto e apreciado pelas empresas espanholas.

21.9.06

Esta noite na SIC NOTÍCIAS....

O apresentador e 4 representantes do Compromisso Portugal. Intenção: debater e explicar as propostas saídas do segundo encontro do movimento.
Para além do referido apresentador estavam em estúdio um advogado, um administrador do BES, o presidente do BES Investimentos e o presidente da Vodafone Portugal. Quatro ilustres representantes do sector terciário da economia, aquele onde se geram as mais-valias.
Onde estavam representantes do sector primário e secundário ? Onde estavam os representantes dos sectores onde é gerado o valor acrescentado da economia, ou por outras palavras, onde é gerada a sua verdadeira riqueza ?
E o presidente do BES Investimentos afirmava que o País tem conhecido uma espiral de empobrecimento nos últimos anos. Nem poderia ser de outra forma.
Se só os serviços marcam presença na nossa economia ( o sector primário morreu há muito e o secundário está moribundo), sendo estes por definição razão directa da libertação de meios humanos e materiais da agricultura e da indústria (os tais primário e secundário, respectivamente) não é de estranhar que o País definhe.
Um exemplo ? Milhões de telemóveis em Portugal ( a maior taxa de utilização na Europa), com média superior a um telemóvel por cidadão nacional e a eterna questão: como é que se paga ? Com que fundos ?

Sempre a asneirar....num compromisso pessoal

De vez em quando, é preciso dizê-lo, as amarras ideológicas de que padece o socialismo e os partidos que assim se nomeiam, tornam-se instrumentos positivos na sempre difícil relação economia/social.
A proposta do Compromisso Portugal de reformar ou despedir, compulsivamente, 200.000 funcionários públicos só é possível por parte de quem pensa no seu umbigo e nos seus interesses, falando de barriga cheia, depois de realizarem proveitos ao longo dos anos que ainda há pouco tempo, se lhes dissessem, lhes pareceria mentira, sonho irrealizável.
Despedir 200.000 almas é condená-las, sem apelo nem agravo, a uma miséria garantida e a curto prazo. Mas os portugueses há muito que deixaram de contar para o poder que se instalou na esfera económica (alguma, muita, que não toda) e na esfera política (principalmente numa determinada corrente monetarista que tem feito escola no PSD).
Assim, embora tudo o que o PS faça fuja à lógica da razão, sempre existe a excepção que confirma aquela regra.
Existe um compromisso, de facto, mas não é com Portugal: é um compromisso pessoal.
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20.9.06

O branqueamento político de um político reformado...

O que terá dado a Fátima Campos Ferreira para branquear um "morto" político no seu programa Prós e Contras ?
O que terá dado a Pacheco Pereira para aceitar afrontar um "morto" político, em directo e na televisão ? Necessidade de protagonismo ? Sentir-se morto políticamente e apanhar a boleia ? A boleia de um "morto" ? Não faz sentido. Révanche ? Não acredito....
....
Mas atenção: o político "morto" já não aguenta uma campanha de meses mas está para lavar e durar num programa de horas. E Pacheco Pereira que o diga, ciente que ficou dessa realidade.
....
Só não percebo a Fátima. Já sabia que o "morto" era capaz de aguentar umas horas, para mais perante um erudito de tertúlia (nada desprestigiante, bem pelo contrário).
....
Assim nunca mais se faz história. Ou melhor, faz-se, mas só noutras condições....

Hoje basta um F

Primeiro os jogos de futebol, em crescendo de transmissões televisivas. Depois o Apito Dourado e, por fim, o caso Mateus.
Ou como o futebol tem servido nos últimos anos para desviar as atenções do que é verdadeiramente importante.

Fraco Compromisso com Portugal

O Compromisso Portugal é um embuste: porque está cheio de empresários que não são empreendedores; de empresários que já o foram e já não o são; de oportunistas políticos, económicos e fracos gestores; porque a maioria dos seus membros vive directa e exclusivamente de vencimentos e participação nos resultados das empresas onde desempenham funções, tendo em vista o lucro como fim único e não como a remuneração justa do risco do capital investido.
Porque o capital não lhes pertence; porque fazem parte de uma geração de gestores que está a chegar ao fim, nos pressupostos de funcionamento institucional formal e informal (vidé caso dos EUA, onde o modelo está em transformação).
Porque não entendem que o lucro, sendo remuneração, só é aceitável até certo ponto; que ultrapassado esse ponto de remuneração (maior ou menor consoante o risco de capital investido e a necessidade de investimento intensivo, dando-se dois exemplos para simplificar a compreensão e alcance do que se afirma, entre muitos outros possíveis) o capital terá de ter, forçosamente, uma função social.
....
Afirma agora o denominado Compromisso Portugal que o Estado deverá diminuir a sua intervenção na economia, propondo a privatização de uma série de serviços e indústrias que, tradicionalmente, terão de ter, sempre, uma parte importante de controlo por parte do Estado.
....
Porque o Estado somos todos nós; porque os transportes públicos, como outros serviços de interesse público, não podem existir numa óptica pura e dura de obtenção de lucros; porque a energia é vital e deverá ter sempre a possibilidade de ser controlada, em parte, por todos nós - o Estado.
....
O Compromisso Portugal aproveita a hora para fazer valer os mesmos argumentos que são utilizados para fechar maternidades e escolas: a redução de custos do Estado. O Estado está a errar nestes pressupostos, desvalorizando o interior e contribuindo para uma ainda maior desertificação do País.
O Compromisso Portugal, ao fazê-lo, está a prestar um mau serviço ao País e mostra, claramente que o compromisso, a existir, é com o capital e os que dão a cara por este movimento e, nunca, com Portugal.

18.9.06



















Neil Faulkner Posted by Picasa

A INÚTIL DISCUSSÃO QUE SÓ DIVIDE E ENFRAQUECE....

~
Para o Islão, a norma não faz sentido. Não existe uma sociedade suficientemnete organizada no presente e com futuro visível que justifique um sistema normativo elaborado. No Islão respeita-se e vive-se para o dogma. Só este justifica as vicissitudes de uma vida difícil; só o dogma serve de base e sustentáculo à estrita observância da sobrevivência diária.
A razão da vida tem um único propósito: servir o Profeta.
Acaso se as leis de Deus permitissem o auto-sacrifício, algum de nós estaria disposto a cumpri-lo se o mesmo não se encontrasse regulado por um conjunto de normas, usos e costumes ?
A resposta clara é Não!
~
Então o que dizer da intervenção de Bento XVI, senão que constata o óbvio ?
Houve tempos em que os católicos, em nome da sua fé fizeram a guerra aos infiéis, leia-se os árabes. Nesse tempo as razões que inquietaram os espíritos ocidentais cultos e instruídos foi a facilçidade com que a palavra do profeta incitava à morte, ao ódio, em total discordância com a doutrina cristã.
Hoje essa discordância acentuou-se, porque não só se assiste a um recrudescimento do dogmatismo religioso nos países árabes, como pelo lado ocidental, se processou um arrefecimento das convicções religiosas ao longo dos últimos 3 séculos.
A unidade é necessária, agora mais do que nunca - o Irão não parou o seu programa nuclear e isto começa a asemelhar-se, para pior, com a invasão da Checoslováquia e a passividade europeia de então - para colocar um travão no crescimento exacerbado da utilização da religião, no recrutamento de um número cada vez maior de seguidores capazes de empreender o que para eles significa, de facto, uma guerra santa.
Bento XVI, em última instância, quis-nos dizer: evitem atropelos, evitem confrontos mas mantenham-se unidos.
~
Na realidade de pouco valerá a uns quantos iluminados auto-designarem-se de laicos: para o mundo islâmico não são devotos a Maomé, então são infiéis.
E depois esta discussão não difere em nada dos famosos cartoons, ou como diria um amigo, do vinco das calças. Porque quando queremos discutir e verberar, tudo serve.

26.7.06

INFERNO II


















Leslie Worth Posted by Picasa

INACEITÁVEL !

É uma pena que em Portugal os factos, grandes ou pequenos, se saibam a conta-gotas, retirando-lhes dimensão de conjunto. É uma das situações em que a visão da floresta seria bem mais esclarecedora que a visão de cada uma das árvores per si.
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As dúvidas, contudo, mesmo que a conta-gotas, vão-se dissipando, mesmo para aqueles que teimam em não querer ver.
É já hoje difícil não perceber, ou melhor, não entender o porquê da laxidão que tem acompanhado a vida política nacional desde o longínquo ano (paradoxalmente cada vez mais próximo, na razão directa das funestas consequências que, em crescendo, se fazem sentir na vida económica e social do País) de 1974.
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É fácil perceber os silêncios pesados em relação a uma enormidade de matérias, transversal a todas as forças políticas e muitos órgãos de informação.
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É fácil proferir discursos de aperto de cinto, culpabilizar a despesa pública portuguesa (com todas as suas idiossincrasias, que a tornam muitíssimo rígida, o mesmo é dizer, de difícil redução), aumentar impostos, alterar cálculo de taxas e reduzir limites de rendimentos isentos de impostos a todos os que trabalham, no duro, dizendo-lhes, em simultâneo, que o estado-previdência está perto da falência e que dificilmente se poderão garantir pensões de reforma (na sua maioria miserentas), num espaço temporal de 15 a 20 anos.
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É uma pena verificarmos, depois, que de Norte a Sul dos partidos políticos, todos sem excepção, se têm norteado por políticas de compadrio que favorecem directa e descaradamente os seus membros. Todos nos admirámos - porque todas estas situações andam escondidas de há anos - da política de reformas do Banco de Portugal.
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Somos confrontados, agora, com a política de descontos da RDP, empresa pública, que gasta dinheiro público, ou seja, o nosso dinheiro.
E todos nos perguntamos: como é possível que alguém trabalhe 4 ou 5 meses numa entidade pública, seja requisitado para a Assembleia da República para exercer funções de deputado e continue a desfrutar de descontos mensais para a segurança social, como se estivesse no activo. Para que serve a figura da licença sem vencimento ? Não servia, bem sei. Na função pública tem um limite de dez anos.
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Podem dizer-me que a decisão é da entidade patronal, a RDP, ao que eu respondo: NÃO!
A decisão não pode ser da RDP porque esta utiliza dinheiros públicos, utiliza o meu dinheiro e o seu. Não é livre de fazer o que lhe aprouver. E se fosse uma entidade privada: poderia, ou seria aceitável ? Poder, podia. Mas não deixaria de ser caso de polícia, pelo menos até se apurar porque razão um deputado da Nação teria gozado de um tamanho privilégio por parte de uma empresa ou entidade privada.
Ficaria sempre a dúvida, que teria de ser esclarecida: teria havido algum tipo de favorecimento ?
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No caso da RDP o favorecimento é claro: é de índole política, dura desde o 25 de Abril de 1974 e pretende garantir, a este e todos os outros bandidos que se têm aproveitado, com desfaçatez, da promiscuidade entre os interesses pessoais e privados e a coisa pública, a independência financeira, uma velhice confortável e despreocupada. É pena fazerem-no à custa de todos os outros - muitos, mas muitos mais - que têm e terão velhices de miséria.
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E queria Alegre ser Presidente da República.
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Falta de vergonha têm muita, honra não têm nenhuma.
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E é ainda bom rapaz: cumpre a lei que limita a pensão a 1/3. Se não existisse a lei recebia a totalidade. Coisa que irá acontecer daqui a uns anos, em acumulação com a reforma de deputado e, porventura, outras mais, a menos que algo de bom aconteça neste País e as coisas se modifiquem.
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Podem começar por os enviar a todos de volta para Argel - os que lá estiveram e, todos os outros, que não tendo lá estado já fizeram por o merecer.

18.7.06

A repetição das supostas razões....

As palavras políticas mantêm-se inalteradas. Por um lado questiona-se a vontade de um Primeiro-Ministro (PM) em provocar uma vaga de fundo (como agora soi dizer-se) na política nacional, com a eterna dúvida se o partido a que pertence (PS) o permitirá: é a tal história dos dois PS´s.
Por outro lado, um Presidente da República que parece capaz de se entender com o Governo e o PM, salientando-se, neste preciso momento do discurso político, se não se tratará da única vontade de fazer dois mandatos, agindo então claramente no segundo (cínico e hipócrita), ao bom estilo soarista.

Este é o discurso que se repete há uns bons 24 anos.
Para os políticos e analistas políticos este é o discurso que serve às mil maravilhas: estamos no reino da conspiração, da vontade coertada, do querer mas não poder, da infinita capacidade de desculpabilizar, que atravessa a sociedade portuguesa.

Para todos nós, portugueses, a questão coloca-se noutro patamar: são ou não capazes de resolver os problemas que irão atravessar duas gerações de portugueses ?
Não importam as desculpas, os jogos de gabinetes ou, mesmo, as notas de pé de página da crítica política. Ou resolvem ou não, ponto!

Que ninguém procure desculpas.
Aquando de qualquer discussão sobre a capacidade política para fazer face aos desafios que se colocam, a dúvida, como em tudo mais na vida, constitui-se sempre em certeza, pelo que a atitude coerente a tomar, perante a dúvida (desculpa duvidosa) deverá ser, sempre, a de repudiar esta, afirmando claramente o descontentamento e contribuindo, decisivamente, para o desfazer da dúvida, ou noutras palavras, para a mudança.




















Malevich Posted by Picasa

17.7.06

Tertúlia

«Talvez que esse excesso de procura e consciencialização nos afastasse humanamente uns dos outros.

Literatos num sentido polemizante, ficava-nos pouco tempo para reparar no semelhante que vivia ao lado. E eu espantava-me de não ser capaz de encontrar entre aqueles companheiros de inconformismo e de ilusão um amigo, que me desse tanto gosto de ver de vez em quando como o Alvarenga.

Bons camaradas quase todos, tinham, contudo, os defeitos das próprias virtudes.

Intelectualizados da cabeça aos pés, mal tocavam a realidade. Eram platónicos no amor, teóricos no desporto, metafísicos no convívio. A convicção de serem únicos distanciava-os do vulgo, tornando-os incapazes dum contacto permanente com as forças rasteiras da natureza.»

Miguel Torga


Jasper Johns

Desafios ganhos nos últimos 32 anos ? Quais ?

O último grande desafio que Portugal venceu dista já 33 anos; a crise petrolífera de 1973.
Daí para cá perdeu todos os desafios que se colocou e, ademais, deixou passar outros tantos pelos quais nem lutou.

A (i)lógica sindical...

Quando os sindicatos incentivam, através dos delegados que os representam, os trabalhadores a agirem através de formas de luta lesivas dos seus interesses, podemos e devemos questionar o papel dos sindicatos e quais os verdadeiros interesses que os movem.

Se perante o encerramento eminente de uma fábrica, os sindicatos reagem levando a paralizações totais do processo produtivo pergunta-se: qual o objectivo em mente ?
Se o objectivo passa por chamar a atenção do patronato, então a acção desencadeia a ira e a redução das margens negociais e de boa vontade.
Se o objectivo é a retaliação, as posições estremam-se ainda mais, facilitando o fim do diálogo.

Para que a acção sindical pudesse ser positiva e merecedora de encómios, necessário se tornaria que os trabalhadores sindicalizados, mais do que tomada de consciência de classe, fossem capazes de discernir claramente entre conjuntura e os seus próprios interesses, tornando os delegados sindicais em correias transmissoras da vontade dos sindicalizados.
Assim não sendo, os sindicatos tranformam-se, com enorme facilidade, em órgãos de instrumentalização dos trabalhadores e os delegados nas suas consciências, deixando na mão de meia dúzia o destino de muitos milhares.

E, se um dia, os sindicatos de vários países constituirem pactos de entendimento, com redistribuição de riqueza entre eles, tornando-se em enormes máquinas de poder e decisão ?
Com saberemos, nesse dia, quais os interesses que estarão a ser defendidos ?
União ? União Europeia ? Porque não: União Para o Entendimento dos Sindicatos da União Europeia ? Estranho, sem dúvida, mas plausível, na lógica do enriquecimento de uns e da crescente pobreza dos outros; na lógica das conotações políticas, das famílias políticas, dos interesses políticos e projectos pessoais de poder.

Um dos amantes não presta, no leito da realidade nacional...

Quando analisamos a concentração do poder económico/financeiro no pós 25 de Abril, verificamos, sem surpresa, que aquele se encontra no sector composto pelos bancos e demais instituições financeiras e, igualmente, na mão de accionistas que já detinham esse poder antes do 25 de Abril.
A questão coloca-se, então, sómente ao nível político: o capital é o mesmo embora se "deite" com políticos diferentes.
O exercício político tem sido muito mal executado nos últimos 32 anos.
Se o capital, hoje, não serve os superiores interesses da Nação - especulação acima de quaisquer preocupações industriais - a culpa só poderá ser imputada aos políticos. É a classe política que demonstra incapacidade de condução do exercício económico, no sentido da necessidade nacional.
Quando a política não presta e está vendida, não se espere que o capitalista pense de forma generosa: o capitalista será sempre, no que ao capital e ao lucro diz respeito, muitíssimo egoista!

A falência das nações...

O dinheiro vem e vai. Hoje com menos, amanhã com mais, desde que haja condições e capacidade de criar riqueza.

A verdadeira falência de uma nação não se verifica ao nível da liquidez.
A falência de uma nação verifica-se ao nível do conhecimento.
Ao nível do conhecimento Portugal está falido!

11.7.06

Nova carreira, agora como técnico.....

Após o afastamento dos relvados (selecção e Real Madrid), Zinedine Zidane (Zizou para os mais chegados) anunciou querer recomeçar uma nova vida, agora como técnico.
Ainda esta tarde, num anúncio que teve tão de sensacional como de inesperado, o Aposento da Moita garantíu os serviços do novel técnico.

Aos forcados do Aposento e ao seu novo técnico desejamos todas as felicidades.

7.7.06

Herring Snr

Melancolia ou o sinónimo de qualidade....

Estamos a transmitir através dos emissores de .....

Bornes
Braga
Faro
Gardunha
Guarda
Lamego
Lisboa
Lousã
Mendro
Monchique
Montejunto
Portalegre
Porto e
Valença

29.6.06

Não pára e a carruagem nacional não está acoplada...e pior: a linha é só uma.















Dale Erickson Posted by Picasa

A velha questão da eficiência...

Na RTP 1, a propósito da greve/manifestação dos trabalhadores da OPEL-Azambuja, Francisco Louçã (um palhaço mais da política portuguesa) afirmou que, nos últimos 5 anos, 58 multinacionais abandonaram o País.
A par desta afirmação, que não validei e que me limito a transcrever (mas acreditando que até possa pecar por escassa) Jerónimo de Sousa afirmava, a propósito do mesmo acontecimento, que a multinacional tinha de sentir os custos dos seus actos (não sair impune).
Por estas e outras personalidades políticas, em todos os quadrantes, e respectivos discursos propagandistas ocos de conteúdo é que se verifica, em Portugal, uma debandada de capitais (quer nacionais, quer estrangeiros) sem a necessária e urgente substituição/renovação.
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Porque há projectos que chegam ao fim e não justificam a sua continuidade à luz de princípios económicos e financeiros. Mas também os há que podem ver a sua vida prolongada ou, melhor ainda, substituídos por outros que representem um avanço significativo ao nível tecnológico. Porque esse avanço representa uma crescente melhoria na mão-de-obra disponível, ou seja, uma maior qualificação dos quadros, em todos os quadrantes.
Porque não basta dar diplomas mas, acima de tudo, disponibilizar formação, chame-se ela como se chamar - 4ª classe; 9º ano; 12º ano.
Que interessa ao empregador que um funcionário apresente um diploma da 4ª classe ou do 12º ano, se os conhecimentos e preparação do primeiro forem superiores ao do segundo ?
Esta coisa da classificação das qualificações só interessa à corrida da formação, ao nível comparativo das estatísiticas entre países, sem preocupação de construção de riqueza.
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Porque existe uma coisa chamada Geografia Económica que se baseia em dois princípios:
1) endogenização da aglomeração, ou seja, distribuição espacial da actividade económica e;
2)aproximação do equilíbrio geral, baseado nos princípios económicos comummente aceites.
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Estes princípios, para gerarem um bom cozido precisam de dois ingredientes básicos:
1) incremento das economias de escala - internas e, principalmente, externas (spillovers) e;
2) custos de transporte.
Isoladamente nenhum dos ingredientes tem valôr.
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Do ponto de vista empírico o que é que podemos ler nas entrelinhas ?
O bolo formado pelos ordenados acrescido da produtividade provoca o crescimento industrial e; onde estão as externalidades ? Onde foi criado o espaço económico ?
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O terreno que pisamos é comum no que concerne 1) à análise das economias de escala internas; 2) economias de escala externas e; as externalidades (spillovers) que conduzem a 2).
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Portugal vai ser trocado por Espanha. Não é por um qualquer país onde o trabalho é pago às taças de arroz. É por Espanha, onde o salário médio é 3,3 vezes o português e onde o salário mínimo é 1,8 vezes o português.
O binómio salários/produtividade é que faz a diferença, a favor dos espanhois. E, igualmente as externalidades (conjunto de serviços oferecidos por empresas terceiras a um mesmo sector de actividade) que são muiot superiores.
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Porque não basta ter Cacia, Azambuja e Palmela se a oferta de serviços e de produção para o fornecimento de componentes não se tiver desenvolvido um milímetro em anos.
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A maioria das empresas satélites da Auto-Europa já fecharam e, as que se mantêm abertas, não são de capitais nacionais (excepção a uma fábriqueta de estrados de madeira). Todas elas fecham no dia em que a Auto-Europa fechar (porque o investimento está integralmente amortizado e, também, porque não se justifica a sua continuidade - fornecer quem ? ).
Por outras palavras falhou, redondamente, o cluster automóvel.
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E a culpa é de quem ? Minha ? Sua ?
Não!!!!! De toda a medíocre classe política que se apropriou deste País, a começar por Francisco Louçã e todo o PCP (do pulha do Cunhal até Jerónimo de Sousa) até aos medíocres líderes políticos que conduzem, de Estrasburgo, a oposição do País.














Johan de Free Posted by Picasa

A união é a nossa força.....

Ao anunciar, hoje, o início de conversações com a ETA, (no convencimento de que a ETA não voltará a matar!!!!!), Zapatero dá mais um passo decisivo na cisão de Espanha como a conhecemos, escancarando a porta à criação de uma federação de estados.

A questão podia colocar-se ao nível da aceitabilidade de um governo de um estado de direito encetar negociações com uma organização terrorista, com base no pressuposto bondoso de que essa organização não voltará a matar.

Interessa muito mais encarar estas negociações, para nós portugueses, como uma oportunidade de vir a criar laços de aliança, com algumas das autonomias saídas do processo de desagregação espanhol, mais do que discutir a condução das acções do executivo espanhol.

Não tenho qualquer dúvida em afirmar que esta é uma janela de oportunidade para a Nação portuguesa, que terá de ser aproveitada de uma forma inteligente, através de uma política externa forte e capaz, encetando, desde já, esse caminho, cautelosamente mas com objectivos traçados e conhecimento exacto das pretensões e necessidades reconhecidas.

O tempo não oferece oportunidades aos povos de uma forma continuada e nós temos, ao longo daa nossa História, provado saber agarrar algumas delas. Que agarremos, então, esta, como povo uno e indiviso, com quase novecentos anos de fronteiras polítcas e geográficas comuns e com toda a força que essa condição nos permite, naturalmente, usufruir.

Não é a altura de sermos parvos, ou como outros preferem, modernos!

15.6.06

13.6.06
























Johan de Free Posted by Picasa
Recuso a vida como um padrão normativo comportamental.
A vida é a semente que gera e brota a inconsciência inteligente mas, igualmente, emocional.
A emoção é, contudo, muito mais consciente que a inteligência, porque agrupa os sentimentos pela ordem de importância sentimental. A inteligência agrupa pela ordem da razão. E a razão é chata, inconveniente, cinzenta e, acima de tudo, rouba beleza à vida.
Fica o dilema: há uma razão para viver ou; uma vida repleta de razão.
Eu prefiro a primeira e mandar a segunda às urtigas. Contudo, a vida vivo-a preenchida de razões - opto, então claramente, pela segunda. Mas não gosto.
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A política pode fazer-se pela paixão ou pela razão.
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Se fizer política pela razão tenho de ser contido - como na vida - políticamente correcto no que digo e escrevo - como todos os dias.
Se utilizar a paixão digo o que todos querem ouvir, mas serei acusado de perverter o sistema - como na vida.
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E, mais importante, todos quererão ouvir mas nenhum me dará razão - aqui existe uma cambiante definitiva em relação à nossa vida: não precisamos da aprovação dos demais para vivermos de acordo com a nossa paixão; bastamo-nos a nós próprios, pela luta entre a consciência, a moral e a vontade.
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Mas um dia vai ter de mudar. Porque o sistema no seu todo não funciona. Porque a escala de valores foi subvertida. Porque a falta de paixão mata - tanto na vida como na política. Porque a política, fazer política, é um acto de vida, de paixão, de acreditar, de querer fazer.
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Porque não existe vontade política que sobreviva à deseducação dos indivíduos. Os políticos são primeiro homens, depois políticos e nem os primeiros vivem as suas cinzentas vidas com paixão, nem os segundos têm instrumentos de criação de valores que façam renascer paixões. São devorados pelas máquinas partidárias.
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O País está repleto de guetos. Sociais, culturais, económicos, políticos, financeiros, educacionais, jurídicos, policiais, legislativos. Todos eles estão desinseridos do País verdadeiro. Nenhum faz parte da solução; todos fazem parte do problema.
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É, então, necessária uma voz, vontade e paixão aglutinadora, que rearrume, primeiro, e consolide, depois, todas as áreas que afectam directamente a nossa performance. Esse arrumo não se consegue numa democracia como a nossa, porque nenhum de nós vive numa democracia.
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Exemplos ?
Exemplo claro e inequívoco dos desenganos do tempo, do nosso tempo: na saúde, com grávidas portuguesas a caminho de Espanha para darem à luz rebentos nacionais; estou a ver o preenchimento do 1º BI de nacionalidade portuguesa; NATURALIDADE - BADAJOZ!!! Muito mais haveria para dizer quanto à saúde.
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Ainda outro: a Liberdade. Claro, a famosa liberdade. Onde pára a liberdade ? Alguém saberá distinguir essa senhora entre os vários noticiários diários e os jornais nacionais ? A resposta é claramente um rotundo Não! A liberdade já era - dutou entre o dia 25 de Abril e o 1º primeiro de Maio.
Foi manifestamente vilipendiada por todas as forças até que caíu na mão dos media, sendo deturpada até à exaustão (Paulo Portas abríu este caminho). Tomando o freio nos dentes a comunicaçãosocial tomou as ideias de assalto e, hoje por hoje, pensa-se e respira-se o que a comunicação social nos quer vender. A força é tanta que acontecimentos e notícias surgem e caiem à velocidade de um cometa, numa voragem que massifica a informação e destitui o destinatário de capacidade crítica e de análise.
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Outros tempos, outras vontades exigem-se, agora que estamos prestes a receber a última esmola da Europa. O tempo urge e o futuro não espera. Exigem-se mudanças claras, rápidas, se necessário bruscas na função política.
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Entretanto a vida, essa benção que nos é concedida, procuro vivê-la com crescente paixão, substituindo, paulatinamente, a muita razão que a tem pautado.
A cura, na vida, não pode ser brusca, mas paulatinamente também não significa nas calmas. Tudo tem um timing e, chegado o momento, saberei acelerá-lo.
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Se cantasse, talvez o coração
Sossegasse no peito.
Mas vou perdendo o jeito
De cantar.
A vida, devagar,
Leva-nos tudo,
E deixa-nos na boca o gosto de ser mudo.
(Miguel Torga)

3.6.06

Bom Dia...

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A reunião que se deveria ter realizado toda de pé, de tão curta que seria....

Há muito tempo que Portugal perdeu o respeito da comunidade internacional.
As razões são várias: uma descolonização desastrosa em que não cuidámos dos interesses e dignidade dos nossos; uma delapidação, tão brutal quanto incongruente, dos nossos activos; a pior performance dos 12, depois dos 15 e, agora, adivinha-se e avizinha-se, dos nouvel 25.
~
Depois porque permitimos insultos em toda e qualquer parte do mundo, mas, muito principalmente, em nossa própria casa. Recordo, a propósito, uma conferência na Sociedade Nacional de Geografia, um punhado de anos atrás, em que um ilustre conferencista australiano se atreveu, em Lisboa, na nossa própria casa, perante uma audiência supostamente douta, a criticar a política colonialista portuguesa, afirmando despudoradamente que nós teríamos sido os piores colonizadores de toda a história.
~
Não estive presente nessa conferência mas irrita-me, solenemente, o facto de nenhum dos presentes ter apupado o dito senhor, ter forçado ao términus da palestra e ter, acima de tudo, cantado o Hino Nacional na sua cara. Infelizmente, neste nosso País, os símbolos nacionais ficam, cada vez mais, circunscritos ao futebol, podendo acontecer, dentro de pucos anos, que as gerações vindouras ainda se venham a referir à Nossa Bandeira e Hino como símbolos de uma qualquer super-claque da dita selecção.
~
Somos ainda nós razão e fonte de preocupações na raia espanhola, que fazemos as notícias no país vizinho, agora por razões tão tristes como não há lembrança de há 30 anos para cá: as mães portuguesas que têm de dar à luz em Espanha.
Passa pela cabeça de alguém viver semelhante problema? Não creio, mas desafortunadamente, ele existe, de facto e, mais uma vez, somos nós.
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Vêm estes considerandos-desabafos- a propósito das pretensões australianas de ficarem a ditar ordens sobre o contigente militar português. Eles, australianos, que não morrem de amores por nós, colocaram no terreno mais de 2.000 homens. Nós colocamos 120 e com dificuldade.
Razões: não temos dinheiro; não temos efectivos; não temos armamento para contigente maior.
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Há uns anos atrás (largos) teríamos colocado 2.500 homens em cima dos 2.000 australianos.
Agora, depois de termos abandonado as províncias ultramarinas à sua sorte, de andarmos de chapéu na mão a mendigar auxílios, agora dizia, não podemos esperar demonstrações de respeito por parte de nenhum membro da comunidade internacional.
Há uns anos éramos, igualmente, membros de pleno direito da NATO; hoje somos por inerência e existe, nesta situação, uma enorme diferença.
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A posição do MNE português é a única possível (cabe acrescentar que não concordo com as posições assumidas por Freitas do Amaral desde há muito e, que por inerência, deixei de gostar do dito senhor). Pena que não seja possível aumentar o contingente a enviar, como resposta à afronta de que fomos, uma vez mais, alvo. Porque não se trata só de uma questão de força - é essencialmente um problema de dignidade.
A menos, que de tanto sermos achincalhados e ofendidos nas últimas décadas, já poucos percebam o alcance da pretensão australiana. Se assim fôr, melhor seria não enviar ninguém.
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À força de pretender manter este diagrama político distorcido, em que se transformou a democracia política portuguesa, tem sido retirada, conscientemente, pujança aos três ramos das forças armadas. Memórias do 28 de Maio e do 25 de Abril são os motores da acção levada a cabo, ao ponto de não podermos já afirmar que somos um estado soberano, de acordo com a definição comunmente aceite entre os parceiros NATO: capacidade de resistência a invasão do território nacional durante 72 horas - tempo necessário para mobilizar as forças NATO de ajuda.
Espanha, estima-se, demoraria cerca de 8 horas a tomar conta do nosso território.
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Deseja-se fortuna aos 120 militares agora embarcados, porque honrar a sua Bandeira sabemos que o farão seguramente, com enorme orgulho e dignidade.