10.11.06



Donald Frazer

Auto-estradas mal projectadas?

Parece cada vez mais claro que os acidentes em contra-mão nafa têm a ver com questões de idade e dificuldades perceptivas.
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Das duas uma: ou as auto-estradas estão mal projectadas ou os portugueses encontraram uma nova saída para os seus inúmeros problemas pessoais.
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Inclino-me mais para a primeira, porque a segunda não é certa, não é intuitiva e carece de sacrifício isolado.


Picasso

Tudo na mesma...

Na maioria dos países pobres, a ausência de saneamento básico é uma ameaça constante às populações, mais do que os conflitos armados e epidemias e pandemias possíveis.
Por ano, estima-se que a insalubridade da água seja responsável pela morte de 1,8 milhões de crianças, número maior que o das mortes provocadas por malária (1 milhão) e pela tuberculose (1,5 milhões). É, ainda, equivalente a cinco vezes o número de mortes provocadas pela SIDA.
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Estes são dados do Relatório de Desenvolvimento Humano 2006 da responsabilidade da ONU.
De acordo com o mesmo relatório, 1,1 mil milhões de pessoas não dispõem de água doce potável e 2,6 mil milhões não dispõem de qualquer rede de esgoto.
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É este o admirável Mundo Velho!

9.11.06

Questão de Dimensão e Percepção dos Mercados :salvaguarda do Futuro...

A Scottish Power teve uma primeira abordagem para uma possível aquisição, com um valor avançado pelos interessados de 12 mil milhões de Libras para a sua aquisição, de um agente ainda não revelado públicamente, mas que fontes da companhia e analistas identificam como sendo a Iberdrola, cujo valor actual de mercado está avaliado em 20 mil milhões de Libras.
Desta forma, parece clara a estratégia da empresa espanhola com sede em Bilbao: tornar-se suficientemente forte para evitar um takeover futuro de qualquer empresa concorrente europeia. Estamos a falar da segunda empresa energética de Espanha; a primeira é a Endesa.
A Iberdrola já tinha sido ligada a um possível movimento de fusão com o 3º player espanhol: a Union Fenosa.
Acresce que o parceiro da Iberdrola, na possível operação, é de cariz financeiro.
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Este é claramente o caminho a seguir, para as empresas nacionais, conforme o fiz notar aqui http://palavrasinterditas.blogspot.com/2006/09/que-me-desculpem-mas-de-espanha-nem.html

8.11.06



Jean-Loup Sieff

A propósito de planeamento familiar.....

(Natália Correia no Parlamento, perante a afirmação, que se reproduz entre " ", do deputado centrista João Morgado)
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"O Acto Sexual é para Ter Filhos"
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Já que o coito- diz o Morgado -
tem como fim cristalino,
preciso e imaculado
fazer menina ou menino;
e cada vez que o varão
sexual petisco manduca;
temos na procriação
prova que houve truca-truca.
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Sendo pai de um só rebento,
lógica é a conclusão
de que o viril instrumento
só usou - parca ração -
uma vez. E se a função
faz o órgão - diz o ditado -
consumada essa excepção,
ficou capado o Morgado.

Para acompanhar em directo

eleições americanas, aqui http://www.nytimes.com/ref/elections/2006/House.html

6.11.06



Li Dafang

Seria importante

não perder o apoio sunita, minoritário mas poderoso cultural, económica e financeiramente, no mundo árabe.
A razão é hipócrita para defender a não aplicação da pena de morte a Saddam, mas é suficientemente importante para o justificar.
Depender dos xiitas, sem mostrar apreço por sunitas tem um preço muito elevado, como o mostram, claramente, Iraque, Irão, Afeganistão, Líbano, etc..
Utilizar a pressão política, evitando a execução de Saddam, é estender um dedo a quem, neste momento, precisa de uma mão.
Independentemente da opinião que se tenha sobre a pena de morte ou sobre a justeza da condenação, estaremos sempre a falar de um déspota, quando falamos de Saddam.
Mas o Mundo já usou de muito maior hipocrisia, quando fingíu não ver ou ouvir os relatos da gestão governativa de Estaline e, ainda maior despudor, quando ainda hoje branqueia a sua imagem.
Ou a de Fidel.

Para acompanhar

a corrida ao Senado e à Câmara, aqui http://www.nytimes.com/ref/washington/2006ELECTIONGUIDE.html?currentDataSet=senANALYSIS


Ben Sullivan

Questões sérias....

Será aceitável dar como boa a possibilidade do estado suportar as despesas com abortos, efectuados em clínicas privadas, sempre que os hospitais públicos não tiverem condições para os efectuar, quando existem imensas doenças para as quais o estado não disponibiliza, por incapacidade, os recursos financeiros necessários para o seu tratamento ou simples alívio?
(vidé peditório anual da liga contra o cancro).
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Não basta a questão ser premente e/ou fracturante.
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A propósito: se a intenção é liberalizar, faz algum sentido legislar? Para fixar o tempo limite?
O tempo é uma medida certa e, em simultâneo, etérea. O tempo é, acima de tudo, uma medida relativa. Muito ou pouco tempo não existe. Só existe o tempo necessário a (.), que deverá ser escrupulosamente fixado em toda e qualquer ciscunstância. O tempo, assim definido, assume a função planificação. Faz sentido aplicar este tempo na fixação do tempo limite para proceder a um aborto? Em meu entender não. Por isso pergunto: se é a liberalização que se procura, fará sentido legislar?
Não! Acaba-se com a lei que existe e pronto!
A deontologia e a moral que se assumam como alicerces das boas práticas e usos.


Donald Frazer

A Banca vai recorrer....

aos tribunais, para não aplicar a rectroactividade da lei sobre os arredondamentos abusivos aplicados nas taxas de juros à habitação, durante anos.
Numa primeira aproximação, o raciocínio leva-nos à não aplicação de retroactividade na aplicação de uma lei - o jogo joga-se conforme as regras a cada momento.
Contudo, nesta situação específica, a ausência de regulação não justifica a não aplicação retroactiva da lei agora aprovada Porque?
A razão é simples: por mera lógica e respeito de princípios matemáticos.
Pegar num número, por ex. 4,0015 e arredondar este número para 4,2 é, intuitivamente, um disparate e, do ponto de vista matemático, um erro grosseiro.
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Assim, nada mais resta às instituições financeiras, que se pretendem sérias, necessáriamente sérias, senão reconhecer o abuso matemático e devolver os juros cobrados em excesso.
E não falem de retroactividade, nem se refugiem na lógica de que a lei era omissa.

30.10.06

A inevitável concentração energética....

implicará a existência, em alguns anos, de cinco grandes famílias energéticas na Europa: 2 alemãs; 1 francesa; 1 italiana e 1 espanhola.
Tudo o que se disser fora desta realidade é demagogia política, por ignorância ou por interesse actual.

26.10.06

Um Poema...

Não tenhas medo, ouve:

É um poema

Um misto de oração e de feitiço...

Sem qualquer compromisso,

Ouve-o atentamente,

De coração lavado.

Poderás decorá-lo

E rezá-lo

Ao deitar

Ao levantar,

Ou nas restantes horas de tristeza.

Na segura certeza

De que mal não te faz.

E pode acontecer que te dê paz...

(Miguel Torga)



Audrey Flack

Ainda a propósito dos Grandes Portugueses...

O grave é que não existe liberdade de facto em Portugal. Os partidos não deixam, os media não deixam, a falta de preparação, cultura e conhecimento não promovido em 32 anos não deixam.
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32 anos depois já não se pode culpar de nada o Estado-Novo.

O "lamento" justificativo da ausência de Salazar, hoje na RTP1...

Assisto, com desencanto, ao programa da RTP 1 que pretende, supostamente, lançar um programa e a sua importância no panorama televisivo português (porque é disso que se trata), bem como ao ressurgimento de uma figura carismática da comunicação falada (mais do que escrita): o programa "Os Grandes Portugueses" e a mentora (copista do modelo inglês) Maria Eliza.
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Neste programa confronta-se a mediocridade de um "gato fedorento" com a erudição do Prof. José Hermano Saraiva.
Para lá da confusão natural que se instala com a heterocedasticidade dos interlocutores presentes, lamenta-se que por interesses óbvios se pretenda justificar o injustificável.
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Terei de elaborar uma opinião estritamente pessoal quanto à iniciativa, antes de mais: considero-o despropositado e desprovido de sentido histórico, porque, acima de tudo, discordo profundamente na bondade de levar a votos a História de um Povo, através da promoção de votos nos seus maiores vultos. A História não vai a votos: faz-se!
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A noite tem sido, assim, muito fraca no diálogo e, concomitantemente, no conteúdo. Mas aguardo, com curiosidade, qual a justificação para que, na primeira lista de grandes portugueses, não tenha surgido o nome de António de Oliveira Salazar.
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Maria Eliza pretende explicá-lo na segunda parte do programa, dando a entender, numa primeira aproximação, que a lista inicialmente elaborada era tão sómente isso, uma primeira lista de sugestões, aberta a alterações.
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Como se explica este facto não sei, vou aguardar. Mas uma coisa sei: olvidar o nome de Salazar nessa primeira lista é escamotear 40 anos de História de Portugal, gostando ou não gostando do político.
Mas sei mais e mais importante: não propor Oliveira Salazar nessa primeira lista significa não saber lidar com a História e, quando não se sabe lidar com o passado histórico, não se tem condições para avançar para um programa televisivo, populista por definição e por razão da definição perigoso, porque se está, à priori, condicionado.
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Se uma Mulher e jornalista como Maria Eliza se sente condiconada, o que dizer da sociedade portuguesa, 32 anos depois da revolução, que garante à evidência a imposição de grilhetas intelectuais. Porque nenhum de nós pensará, por um segundo, que Oliveira Salazar não foi um dos primeiros nomes a sair do saco e debatido à exaustão. Do saco da 1/2 dúzia de cabeças pensantes do programa e do debate, quer histórico, quer polémico que sugeríu. E sendo-o, porque razão não foi incluído, sendo-o só posteriormente em face da pressão exercida.
O problema, repito, é a incapacidade e temor de lidar com a História recente, preocupante numa sociedade que se pretende livre e democrática, mas acima de tudo sem estigmas.
Ao fim e ao cabo sempre existirão, ainda, algo mais que resquícios de complexos, quando vem à liça o nome de Salazar.