26.7.06

INACEITÁVEL !

É uma pena que em Portugal os factos, grandes ou pequenos, se saibam a conta-gotas, retirando-lhes dimensão de conjunto. É uma das situações em que a visão da floresta seria bem mais esclarecedora que a visão de cada uma das árvores per si.
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As dúvidas, contudo, mesmo que a conta-gotas, vão-se dissipando, mesmo para aqueles que teimam em não querer ver.
É já hoje difícil não perceber, ou melhor, não entender o porquê da laxidão que tem acompanhado a vida política nacional desde o longínquo ano (paradoxalmente cada vez mais próximo, na razão directa das funestas consequências que, em crescendo, se fazem sentir na vida económica e social do País) de 1974.
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É fácil perceber os silêncios pesados em relação a uma enormidade de matérias, transversal a todas as forças políticas e muitos órgãos de informação.
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É fácil proferir discursos de aperto de cinto, culpabilizar a despesa pública portuguesa (com todas as suas idiossincrasias, que a tornam muitíssimo rígida, o mesmo é dizer, de difícil redução), aumentar impostos, alterar cálculo de taxas e reduzir limites de rendimentos isentos de impostos a todos os que trabalham, no duro, dizendo-lhes, em simultâneo, que o estado-previdência está perto da falência e que dificilmente se poderão garantir pensões de reforma (na sua maioria miserentas), num espaço temporal de 15 a 20 anos.
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É uma pena verificarmos, depois, que de Norte a Sul dos partidos políticos, todos sem excepção, se têm norteado por políticas de compadrio que favorecem directa e descaradamente os seus membros. Todos nos admirámos - porque todas estas situações andam escondidas de há anos - da política de reformas do Banco de Portugal.
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Somos confrontados, agora, com a política de descontos da RDP, empresa pública, que gasta dinheiro público, ou seja, o nosso dinheiro.
E todos nos perguntamos: como é possível que alguém trabalhe 4 ou 5 meses numa entidade pública, seja requisitado para a Assembleia da República para exercer funções de deputado e continue a desfrutar de descontos mensais para a segurança social, como se estivesse no activo. Para que serve a figura da licença sem vencimento ? Não servia, bem sei. Na função pública tem um limite de dez anos.
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Podem dizer-me que a decisão é da entidade patronal, a RDP, ao que eu respondo: NÃO!
A decisão não pode ser da RDP porque esta utiliza dinheiros públicos, utiliza o meu dinheiro e o seu. Não é livre de fazer o que lhe aprouver. E se fosse uma entidade privada: poderia, ou seria aceitável ? Poder, podia. Mas não deixaria de ser caso de polícia, pelo menos até se apurar porque razão um deputado da Nação teria gozado de um tamanho privilégio por parte de uma empresa ou entidade privada.
Ficaria sempre a dúvida, que teria de ser esclarecida: teria havido algum tipo de favorecimento ?
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No caso da RDP o favorecimento é claro: é de índole política, dura desde o 25 de Abril de 1974 e pretende garantir, a este e todos os outros bandidos que se têm aproveitado, com desfaçatez, da promiscuidade entre os interesses pessoais e privados e a coisa pública, a independência financeira, uma velhice confortável e despreocupada. É pena fazerem-no à custa de todos os outros - muitos, mas muitos mais - que têm e terão velhices de miséria.
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E queria Alegre ser Presidente da República.
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Falta de vergonha têm muita, honra não têm nenhuma.
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E é ainda bom rapaz: cumpre a lei que limita a pensão a 1/3. Se não existisse a lei recebia a totalidade. Coisa que irá acontecer daqui a uns anos, em acumulação com a reforma de deputado e, porventura, outras mais, a menos que algo de bom aconteça neste País e as coisas se modifiquem.
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Podem começar por os enviar a todos de volta para Argel - os que lá estiveram e, todos os outros, que não tendo lá estado já fizeram por o merecer.

18.7.06

A repetição das supostas razões....

As palavras políticas mantêm-se inalteradas. Por um lado questiona-se a vontade de um Primeiro-Ministro (PM) em provocar uma vaga de fundo (como agora soi dizer-se) na política nacional, com a eterna dúvida se o partido a que pertence (PS) o permitirá: é a tal história dos dois PS´s.
Por outro lado, um Presidente da República que parece capaz de se entender com o Governo e o PM, salientando-se, neste preciso momento do discurso político, se não se tratará da única vontade de fazer dois mandatos, agindo então claramente no segundo (cínico e hipócrita), ao bom estilo soarista.

Este é o discurso que se repete há uns bons 24 anos.
Para os políticos e analistas políticos este é o discurso que serve às mil maravilhas: estamos no reino da conspiração, da vontade coertada, do querer mas não poder, da infinita capacidade de desculpabilizar, que atravessa a sociedade portuguesa.

Para todos nós, portugueses, a questão coloca-se noutro patamar: são ou não capazes de resolver os problemas que irão atravessar duas gerações de portugueses ?
Não importam as desculpas, os jogos de gabinetes ou, mesmo, as notas de pé de página da crítica política. Ou resolvem ou não, ponto!

Que ninguém procure desculpas.
Aquando de qualquer discussão sobre a capacidade política para fazer face aos desafios que se colocam, a dúvida, como em tudo mais na vida, constitui-se sempre em certeza, pelo que a atitude coerente a tomar, perante a dúvida (desculpa duvidosa) deverá ser, sempre, a de repudiar esta, afirmando claramente o descontentamento e contribuindo, decisivamente, para o desfazer da dúvida, ou noutras palavras, para a mudança.




















Malevich Posted by Picasa

17.7.06

Tertúlia

«Talvez que esse excesso de procura e consciencialização nos afastasse humanamente uns dos outros.

Literatos num sentido polemizante, ficava-nos pouco tempo para reparar no semelhante que vivia ao lado. E eu espantava-me de não ser capaz de encontrar entre aqueles companheiros de inconformismo e de ilusão um amigo, que me desse tanto gosto de ver de vez em quando como o Alvarenga.

Bons camaradas quase todos, tinham, contudo, os defeitos das próprias virtudes.

Intelectualizados da cabeça aos pés, mal tocavam a realidade. Eram platónicos no amor, teóricos no desporto, metafísicos no convívio. A convicção de serem únicos distanciava-os do vulgo, tornando-os incapazes dum contacto permanente com as forças rasteiras da natureza.»

Miguel Torga


Jasper Johns

Desafios ganhos nos últimos 32 anos ? Quais ?

O último grande desafio que Portugal venceu dista já 33 anos; a crise petrolífera de 1973.
Daí para cá perdeu todos os desafios que se colocou e, ademais, deixou passar outros tantos pelos quais nem lutou.

A (i)lógica sindical...

Quando os sindicatos incentivam, através dos delegados que os representam, os trabalhadores a agirem através de formas de luta lesivas dos seus interesses, podemos e devemos questionar o papel dos sindicatos e quais os verdadeiros interesses que os movem.

Se perante o encerramento eminente de uma fábrica, os sindicatos reagem levando a paralizações totais do processo produtivo pergunta-se: qual o objectivo em mente ?
Se o objectivo passa por chamar a atenção do patronato, então a acção desencadeia a ira e a redução das margens negociais e de boa vontade.
Se o objectivo é a retaliação, as posições estremam-se ainda mais, facilitando o fim do diálogo.

Para que a acção sindical pudesse ser positiva e merecedora de encómios, necessário se tornaria que os trabalhadores sindicalizados, mais do que tomada de consciência de classe, fossem capazes de discernir claramente entre conjuntura e os seus próprios interesses, tornando os delegados sindicais em correias transmissoras da vontade dos sindicalizados.
Assim não sendo, os sindicatos tranformam-se, com enorme facilidade, em órgãos de instrumentalização dos trabalhadores e os delegados nas suas consciências, deixando na mão de meia dúzia o destino de muitos milhares.

E, se um dia, os sindicatos de vários países constituirem pactos de entendimento, com redistribuição de riqueza entre eles, tornando-se em enormes máquinas de poder e decisão ?
Com saberemos, nesse dia, quais os interesses que estarão a ser defendidos ?
União ? União Europeia ? Porque não: União Para o Entendimento dos Sindicatos da União Europeia ? Estranho, sem dúvida, mas plausível, na lógica do enriquecimento de uns e da crescente pobreza dos outros; na lógica das conotações políticas, das famílias políticas, dos interesses políticos e projectos pessoais de poder.

Um dos amantes não presta, no leito da realidade nacional...

Quando analisamos a concentração do poder económico/financeiro no pós 25 de Abril, verificamos, sem surpresa, que aquele se encontra no sector composto pelos bancos e demais instituições financeiras e, igualmente, na mão de accionistas que já detinham esse poder antes do 25 de Abril.
A questão coloca-se, então, sómente ao nível político: o capital é o mesmo embora se "deite" com políticos diferentes.
O exercício político tem sido muito mal executado nos últimos 32 anos.
Se o capital, hoje, não serve os superiores interesses da Nação - especulação acima de quaisquer preocupações industriais - a culpa só poderá ser imputada aos políticos. É a classe política que demonstra incapacidade de condução do exercício económico, no sentido da necessidade nacional.
Quando a política não presta e está vendida, não se espere que o capitalista pense de forma generosa: o capitalista será sempre, no que ao capital e ao lucro diz respeito, muitíssimo egoista!

A falência das nações...

O dinheiro vem e vai. Hoje com menos, amanhã com mais, desde que haja condições e capacidade de criar riqueza.

A verdadeira falência de uma nação não se verifica ao nível da liquidez.
A falência de uma nação verifica-se ao nível do conhecimento.
Ao nível do conhecimento Portugal está falido!

11.7.06

Nova carreira, agora como técnico.....

Após o afastamento dos relvados (selecção e Real Madrid), Zinedine Zidane (Zizou para os mais chegados) anunciou querer recomeçar uma nova vida, agora como técnico.
Ainda esta tarde, num anúncio que teve tão de sensacional como de inesperado, o Aposento da Moita garantíu os serviços do novel técnico.

Aos forcados do Aposento e ao seu novo técnico desejamos todas as felicidades.

7.7.06

29.6.06

Não pára e a carruagem nacional não está acoplada...e pior: a linha é só uma.















Dale Erickson Posted by Picasa

A velha questão da eficiência...

Na RTP 1, a propósito da greve/manifestação dos trabalhadores da OPEL-Azambuja, Francisco Louçã (um palhaço mais da política portuguesa) afirmou que, nos últimos 5 anos, 58 multinacionais abandonaram o País.
A par desta afirmação, que não validei e que me limito a transcrever (mas acreditando que até possa pecar por escassa) Jerónimo de Sousa afirmava, a propósito do mesmo acontecimento, que a multinacional tinha de sentir os custos dos seus actos (não sair impune).
Por estas e outras personalidades políticas, em todos os quadrantes, e respectivos discursos propagandistas ocos de conteúdo é que se verifica, em Portugal, uma debandada de capitais (quer nacionais, quer estrangeiros) sem a necessária e urgente substituição/renovação.
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Porque há projectos que chegam ao fim e não justificam a sua continuidade à luz de princípios económicos e financeiros. Mas também os há que podem ver a sua vida prolongada ou, melhor ainda, substituídos por outros que representem um avanço significativo ao nível tecnológico. Porque esse avanço representa uma crescente melhoria na mão-de-obra disponível, ou seja, uma maior qualificação dos quadros, em todos os quadrantes.
Porque não basta dar diplomas mas, acima de tudo, disponibilizar formação, chame-se ela como se chamar - 4ª classe; 9º ano; 12º ano.
Que interessa ao empregador que um funcionário apresente um diploma da 4ª classe ou do 12º ano, se os conhecimentos e preparação do primeiro forem superiores ao do segundo ?
Esta coisa da classificação das qualificações só interessa à corrida da formação, ao nível comparativo das estatísiticas entre países, sem preocupação de construção de riqueza.
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Porque existe uma coisa chamada Geografia Económica que se baseia em dois princípios:
1) endogenização da aglomeração, ou seja, distribuição espacial da actividade económica e;
2)aproximação do equilíbrio geral, baseado nos princípios económicos comummente aceites.
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Estes princípios, para gerarem um bom cozido precisam de dois ingredientes básicos:
1) incremento das economias de escala - internas e, principalmente, externas (spillovers) e;
2) custos de transporte.
Isoladamente nenhum dos ingredientes tem valôr.
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Do ponto de vista empírico o que é que podemos ler nas entrelinhas ?
O bolo formado pelos ordenados acrescido da produtividade provoca o crescimento industrial e; onde estão as externalidades ? Onde foi criado o espaço económico ?
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O terreno que pisamos é comum no que concerne 1) à análise das economias de escala internas; 2) economias de escala externas e; as externalidades (spillovers) que conduzem a 2).
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Portugal vai ser trocado por Espanha. Não é por um qualquer país onde o trabalho é pago às taças de arroz. É por Espanha, onde o salário médio é 3,3 vezes o português e onde o salário mínimo é 1,8 vezes o português.
O binómio salários/produtividade é que faz a diferença, a favor dos espanhois. E, igualmente as externalidades (conjunto de serviços oferecidos por empresas terceiras a um mesmo sector de actividade) que são muiot superiores.
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Porque não basta ter Cacia, Azambuja e Palmela se a oferta de serviços e de produção para o fornecimento de componentes não se tiver desenvolvido um milímetro em anos.
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A maioria das empresas satélites da Auto-Europa já fecharam e, as que se mantêm abertas, não são de capitais nacionais (excepção a uma fábriqueta de estrados de madeira). Todas elas fecham no dia em que a Auto-Europa fechar (porque o investimento está integralmente amortizado e, também, porque não se justifica a sua continuidade - fornecer quem ? ).
Por outras palavras falhou, redondamente, o cluster automóvel.
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E a culpa é de quem ? Minha ? Sua ?
Não!!!!! De toda a medíocre classe política que se apropriou deste País, a começar por Francisco Louçã e todo o PCP (do pulha do Cunhal até Jerónimo de Sousa) até aos medíocres líderes políticos que conduzem, de Estrasburgo, a oposição do País.














Johan de Free Posted by Picasa

A união é a nossa força.....

Ao anunciar, hoje, o início de conversações com a ETA, (no convencimento de que a ETA não voltará a matar!!!!!), Zapatero dá mais um passo decisivo na cisão de Espanha como a conhecemos, escancarando a porta à criação de uma federação de estados.

A questão podia colocar-se ao nível da aceitabilidade de um governo de um estado de direito encetar negociações com uma organização terrorista, com base no pressuposto bondoso de que essa organização não voltará a matar.

Interessa muito mais encarar estas negociações, para nós portugueses, como uma oportunidade de vir a criar laços de aliança, com algumas das autonomias saídas do processo de desagregação espanhol, mais do que discutir a condução das acções do executivo espanhol.

Não tenho qualquer dúvida em afirmar que esta é uma janela de oportunidade para a Nação portuguesa, que terá de ser aproveitada de uma forma inteligente, através de uma política externa forte e capaz, encetando, desde já, esse caminho, cautelosamente mas com objectivos traçados e conhecimento exacto das pretensões e necessidades reconhecidas.

O tempo não oferece oportunidades aos povos de uma forma continuada e nós temos, ao longo daa nossa História, provado saber agarrar algumas delas. Que agarremos, então, esta, como povo uno e indiviso, com quase novecentos anos de fronteiras polítcas e geográficas comuns e com toda a força que essa condição nos permite, naturalmente, usufruir.

Não é a altura de sermos parvos, ou como outros preferem, modernos!

13.6.06
























Johan de Free Posted by Picasa
Recuso a vida como um padrão normativo comportamental.
A vida é a semente que gera e brota a inconsciência inteligente mas, igualmente, emocional.
A emoção é, contudo, muito mais consciente que a inteligência, porque agrupa os sentimentos pela ordem de importância sentimental. A inteligência agrupa pela ordem da razão. E a razão é chata, inconveniente, cinzenta e, acima de tudo, rouba beleza à vida.
Fica o dilema: há uma razão para viver ou; uma vida repleta de razão.
Eu prefiro a primeira e mandar a segunda às urtigas. Contudo, a vida vivo-a preenchida de razões - opto, então claramente, pela segunda. Mas não gosto.
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A política pode fazer-se pela paixão ou pela razão.
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Se fizer política pela razão tenho de ser contido - como na vida - políticamente correcto no que digo e escrevo - como todos os dias.
Se utilizar a paixão digo o que todos querem ouvir, mas serei acusado de perverter o sistema - como na vida.
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E, mais importante, todos quererão ouvir mas nenhum me dará razão - aqui existe uma cambiante definitiva em relação à nossa vida: não precisamos da aprovação dos demais para vivermos de acordo com a nossa paixão; bastamo-nos a nós próprios, pela luta entre a consciência, a moral e a vontade.
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Mas um dia vai ter de mudar. Porque o sistema no seu todo não funciona. Porque a escala de valores foi subvertida. Porque a falta de paixão mata - tanto na vida como na política. Porque a política, fazer política, é um acto de vida, de paixão, de acreditar, de querer fazer.
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Porque não existe vontade política que sobreviva à deseducação dos indivíduos. Os políticos são primeiro homens, depois políticos e nem os primeiros vivem as suas cinzentas vidas com paixão, nem os segundos têm instrumentos de criação de valores que façam renascer paixões. São devorados pelas máquinas partidárias.
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O País está repleto de guetos. Sociais, culturais, económicos, políticos, financeiros, educacionais, jurídicos, policiais, legislativos. Todos eles estão desinseridos do País verdadeiro. Nenhum faz parte da solução; todos fazem parte do problema.
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É, então, necessária uma voz, vontade e paixão aglutinadora, que rearrume, primeiro, e consolide, depois, todas as áreas que afectam directamente a nossa performance. Esse arrumo não se consegue numa democracia como a nossa, porque nenhum de nós vive numa democracia.
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Exemplos ?
Exemplo claro e inequívoco dos desenganos do tempo, do nosso tempo: na saúde, com grávidas portuguesas a caminho de Espanha para darem à luz rebentos nacionais; estou a ver o preenchimento do 1º BI de nacionalidade portuguesa; NATURALIDADE - BADAJOZ!!! Muito mais haveria para dizer quanto à saúde.
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Ainda outro: a Liberdade. Claro, a famosa liberdade. Onde pára a liberdade ? Alguém saberá distinguir essa senhora entre os vários noticiários diários e os jornais nacionais ? A resposta é claramente um rotundo Não! A liberdade já era - dutou entre o dia 25 de Abril e o 1º primeiro de Maio.
Foi manifestamente vilipendiada por todas as forças até que caíu na mão dos media, sendo deturpada até à exaustão (Paulo Portas abríu este caminho). Tomando o freio nos dentes a comunicaçãosocial tomou as ideias de assalto e, hoje por hoje, pensa-se e respira-se o que a comunicação social nos quer vender. A força é tanta que acontecimentos e notícias surgem e caiem à velocidade de um cometa, numa voragem que massifica a informação e destitui o destinatário de capacidade crítica e de análise.
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Outros tempos, outras vontades exigem-se, agora que estamos prestes a receber a última esmola da Europa. O tempo urge e o futuro não espera. Exigem-se mudanças claras, rápidas, se necessário bruscas na função política.
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Entretanto a vida, essa benção que nos é concedida, procuro vivê-la com crescente paixão, substituindo, paulatinamente, a muita razão que a tem pautado.
A cura, na vida, não pode ser brusca, mas paulatinamente também não significa nas calmas. Tudo tem um timing e, chegado o momento, saberei acelerá-lo.
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Se cantasse, talvez o coração
Sossegasse no peito.
Mas vou perdendo o jeito
De cantar.
A vida, devagar,
Leva-nos tudo,
E deixa-nos na boca o gosto de ser mudo.
(Miguel Torga)

3.6.06

Bom Dia...

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A reunião que se deveria ter realizado toda de pé, de tão curta que seria....

Há muito tempo que Portugal perdeu o respeito da comunidade internacional.
As razões são várias: uma descolonização desastrosa em que não cuidámos dos interesses e dignidade dos nossos; uma delapidação, tão brutal quanto incongruente, dos nossos activos; a pior performance dos 12, depois dos 15 e, agora, adivinha-se e avizinha-se, dos nouvel 25.
~
Depois porque permitimos insultos em toda e qualquer parte do mundo, mas, muito principalmente, em nossa própria casa. Recordo, a propósito, uma conferência na Sociedade Nacional de Geografia, um punhado de anos atrás, em que um ilustre conferencista australiano se atreveu, em Lisboa, na nossa própria casa, perante uma audiência supostamente douta, a criticar a política colonialista portuguesa, afirmando despudoradamente que nós teríamos sido os piores colonizadores de toda a história.
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Não estive presente nessa conferência mas irrita-me, solenemente, o facto de nenhum dos presentes ter apupado o dito senhor, ter forçado ao términus da palestra e ter, acima de tudo, cantado o Hino Nacional na sua cara. Infelizmente, neste nosso País, os símbolos nacionais ficam, cada vez mais, circunscritos ao futebol, podendo acontecer, dentro de pucos anos, que as gerações vindouras ainda se venham a referir à Nossa Bandeira e Hino como símbolos de uma qualquer super-claque da dita selecção.
~
Somos ainda nós razão e fonte de preocupações na raia espanhola, que fazemos as notícias no país vizinho, agora por razões tão tristes como não há lembrança de há 30 anos para cá: as mães portuguesas que têm de dar à luz em Espanha.
Passa pela cabeça de alguém viver semelhante problema? Não creio, mas desafortunadamente, ele existe, de facto e, mais uma vez, somos nós.
~
Vêm estes considerandos-desabafos- a propósito das pretensões australianas de ficarem a ditar ordens sobre o contigente militar português. Eles, australianos, que não morrem de amores por nós, colocaram no terreno mais de 2.000 homens. Nós colocamos 120 e com dificuldade.
Razões: não temos dinheiro; não temos efectivos; não temos armamento para contigente maior.
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Há uns anos atrás (largos) teríamos colocado 2.500 homens em cima dos 2.000 australianos.
Agora, depois de termos abandonado as províncias ultramarinas à sua sorte, de andarmos de chapéu na mão a mendigar auxílios, agora dizia, não podemos esperar demonstrações de respeito por parte de nenhum membro da comunidade internacional.
Há uns anos éramos, igualmente, membros de pleno direito da NATO; hoje somos por inerência e existe, nesta situação, uma enorme diferença.
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A posição do MNE português é a única possível (cabe acrescentar que não concordo com as posições assumidas por Freitas do Amaral desde há muito e, que por inerência, deixei de gostar do dito senhor). Pena que não seja possível aumentar o contingente a enviar, como resposta à afronta de que fomos, uma vez mais, alvo. Porque não se trata só de uma questão de força - é essencialmente um problema de dignidade.
A menos, que de tanto sermos achincalhados e ofendidos nas últimas décadas, já poucos percebam o alcance da pretensão australiana. Se assim fôr, melhor seria não enviar ninguém.
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À força de pretender manter este diagrama político distorcido, em que se transformou a democracia política portuguesa, tem sido retirada, conscientemente, pujança aos três ramos das forças armadas. Memórias do 28 de Maio e do 25 de Abril são os motores da acção levada a cabo, ao ponto de não podermos já afirmar que somos um estado soberano, de acordo com a definição comunmente aceite entre os parceiros NATO: capacidade de resistência a invasão do território nacional durante 72 horas - tempo necessário para mobilizar as forças NATO de ajuda.
Espanha, estima-se, demoraria cerca de 8 horas a tomar conta do nosso território.
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Deseja-se fortuna aos 120 militares agora embarcados, porque honrar a sua Bandeira sabemos que o farão seguramente, com enorme orgulho e dignidade.

31.5.06

E assim vamos andando...

A Quadratura do Círculo é matéria de alcance estritamente esotérico.
Quando a quadratura é tentada a dois (numa excepção ao número 4, sem qualquer significado no alcance pretendido, a não ser o de justificar quatro convivas bem-falantes, sentados a uma mesa num estúdio da SIC Notícias), então, aí, a quadratura (pretendida) é virtualmente impossível, mesmo no campo cabalístico.

Mas, espantem-se as almas, assistíu-se a um debate interessantíssimo (não me perguntem se foram ditas verdades; direi que talvez algumas, poucas, muito poucas) sobre a questão da corrupção.

José Pacheco Pereira disse algumas coisas acertadas (mais não quis dizer, não porque não as soubesse, mas porque tem de comer todos os dias e não quer tirar nada da reforma de euro-deputado) e Jorge Coelho não sei que disse. Não ouvi!

Há uns meses lancei o repto sobre os terrenos circundantes do imbecil e tão falado projecto do aeroporto da OTA: a quem pertencem os terrenos circundantes? (já sei; a imobiliárias várias, com sócios totalmente desconhecidos mas totalmente virados para a ingrícola - queriam que fosse agrícola não ? E depois caía-me a CAP em cima).

Igualmente a adjudicação da Ponte Vasco da Gama fez soar (tão estridentemente que até a um comum cidadão como eu chegou esse zunido) que teriam sido pagos 8 milhões de contos de luvas para garantir a obra - qual o governo da altura? Lamento não me lembrar agora.

Acaso terei mencionado duas situações - nas quais não acredito nem por nada - que só dizem respeito a decisões do poder central?

A dúvida,melhor, a perplexidade surge-me porque passei o dito programa a ouvir falar da corrupção ao nível local, através de figuras pardas, bacilentas, longe da exposição mediática.

Confusão minha decerto. Ao nível da autarquia central tudo está e esteve sempre bem; o mal está nas autarquias locais que, curiosamente, são ocupadas por detentores de cargos públicos que na sua maioria já passaram pelo Governo ou pela Assembleia da República.

Concordo plenamente consigo, agora que o diz! Os maus hábitos aprendem-se num instante - são uma tentação.
Difícil mesmo é manter, inalteradas, as virtudes! Nem mesmo os supostos doutos, mesmo que a única tentação seja não resistirem às tentações de Bruxelas.

30.5.06

























David Hughes Posted by Picasa

OS VERSOS QUE TE FIZ

Deixa dizer-te os lindos versos raros
Que a minha boca tem pra te dizer!
São talhados em mármore de Paros
Cinzelados por mim pra te oferecer.

Têm dolência de veludos caros,
São como sedas pálidas a arder...
Deixa dizer-te os lindos versos raros
Que foram feitos pra te endoidecer!

Mas, meu Amor, eu não tos digo ainda...
Que a boca da mulher é sempre linda
Se dentro guarda um verso que não diz!

Amo-te tanto! E nunca te beijei...
E nesse beijo, Amor, que eu te não dei
Guardo os versos mais lindos que te fiz!

(Florbela Espanca)

27.5.06

E uma coisa não tem nada a ver com a outra....

Posted by Picasa

Não é discutível nem negociável, por questões de princípio e de conduta...

A Nação portuguesa, o seu povo, os usos e costumes NÃO SÃO LAICOS!
A Nação portuguesa é Católica Apostólica Romana. É assim que se sente o seu povo: católico.
A imagem de Cristo e de Nossa Senhora não poderão, nunca, fazer parte de qualquer temática tendente a melhorar os princípios degradados em que vive a nossa sociedade. Essas imagens poderão, isso sim, ajudar a lembrar princípios fundamentais que regem o pensamento católico.
Aceita-se que haja lugar à discussão do dogma, em qualquer religião. Não se aceita que se discutam as normas, porque essas estão correctas e as imagens de Cristo ou Nossa Senhora fazem-nos, acima de tudo, recordar as normas de conduta defendidas pela Igreja e pelas Leis Sagradas.












Van Gogh Posted by Picasa

Porque o Mundo faço-o eu...

Hei-de ver para além das estrelas,
Para lá do infinito
A vista sempre a bailar,
Hei-de sentir o seu brilhar
Nos olhos vivos de Cristo,
Mas primeiro quero eu vê-las!

(João Fernandes)










Steve Bonner Posted by Picasa

Os tempos que correm e a incredulidade, nas palavras de Ruy Belo...

Digam que foi mentira, que não sou ninguém,
que atravesso apenas ruas da cidade abandonada
fechada como boca onde não encontro nada:
não encontro respostas para tudo o que pergunto nem
na verdade pergunto coisas por aí além
Eu não vivi ali em tempo algum.

(Ruy Belo)

23.5.06




















Roy Barley Posted by Picasa

Carrilho e a polémica do livro...

O Prós e Contras de hoje nada ajudou a esclarecer sobre a manipulação ou capacidade manipulatória dos órgãos de informação e sobre os interesses velados, que supostamente possam existir, entre jornalistas (alguns, muitos, quase todos?), centrais de informação e interesses económicos e políticos vários.

O livro de Manuel Maria Carrilho, sobre o qual se fundamentou o interesse do debate, tão pouco contribui para esse esclarecimento, por ser vago, difuso, enfermar dos males que aponta à classe jornalísitica (como bem salientou José Pacheco Pereira) e soar a mau perder. Ou pelo menos ser apontado como um sinal de mau perdedor. Num País onde todos estão habituados a ficar calados, na expectativa de novas oportunidades, onde a expressão travessia do deserto se tornou moda, a atitude de M. M. Carrilho caíu mal. Mais ainda quando a classe atacada é a jornalísitica.

Comecemos por definir alguns pontos que me parecem cruciais: os jornalistas em Portugal são, na generalidade, muito maus; M.M. Carrilho é muito vaidoso (o que não seria própriamente um pecado), mas acima de tudo é presunçoso (que sem ser um pecado é um enorme defeito - presunção e água benta....); a manipulação jornalísitca é enorme, baseada num princípio tão verdadeiro quanto triste, mesmo dramático para Portugal - a maioria dos portugueses não lêem jornais ( não lêem nada) e os que o fazem perderam o sentido crítico e a capacidade de análise (são incultos, impreparados,comodistas).

Pessoalmente penso - e aqui alerto que não voto em Lisboa, embora aí resida - que M. Maria Carrilho seria,provávlemente, melhor presidente de Câmara que Carmona Rodrigues, porque teria outras preocupações urbanísticas (Carmona prepara-se para rever o PDM em Outubro deste ano, aumentando as áreas urbanizáveis no centro de Lisboa à custa de áreas que estão previstas para equipamentos) , porque Carrilho tem outras ambições políticas, de horizontes mais largos que Carmona.

Esta mesma razão servíu, hás uns meses, para consubstanciar a previsão de derrota que fiz neste blogue de Carrilho, por se apresentar com uma pose desfocada da função a que se candidatava, sendo que esperava, como veio a acontecer, que fosse penalizado pela presunção, somada da vaidade, que colocou em toda a campanha.

Contudo, considero, igualmente, que o caso do filme em família foi desmesuradamente empolado. Será que para a determinação da capacidade de exercer a função de presidente da Câmara de Lisboa era assim tão importante se a mulher e filho de Carrilho tinham ou não aparecido num vídeo de campanha? Pessoalmente penso que não, de todo!

Mas foi fortemente aproveitado por toda a comunicação social. Por outro lado verificou-se uma protecção excessiva, a meu ver, à campanha de Carmona Rodrigues.

Estas são, contudo, águas passadas que hoje vieram forçosamente à memória umas e a terreiro outras, por força do programa acima mencionado.

E aqui chegados fica-nos o final.
Ricardo Costa esteve mal, duplamente mal: primeiro porque trouxe à colação afirmações de Carrilho sobre Morais Sarmento sem mencionar as afirmações que o segundo fizera, anteriormente, do primeiro, não permitindo aquilatar da correcta, ou não, virulência do ataque; segundo, porque não suportou o ataque pessoal que sofreu, mal efectuado e sem tacto político de Carrilho e deixou-se cair, com demasiada facilidade, no ataque suez, diria mesmo achincalhamento político e desfaçatez de nomear Carrilho como a face da derrota política. Ao fazê-lo mostrou, claramente, a vontade, ou pior, a certeza de que, enquanto jornalista, mata e deixa viver a seu bel-prazer, cria e desfaz (ele e a classe a que pertence) conforme lhe aprouver.
Foi triste de ver e, acima de tudo, perigoso constatar este facto.
A derrota política, em democracia, é tão natural quanto a vitória. Atacar um político atirando-lhe à cara uma derrota é atacar a própria democracia, brincar perigosamente com ela.
Mas mais, soou quase (ainda digo quase) como um epitáfio, ou por outras palavras: estás feito (ou quase) Carrilho!

Há que pedir então a M. Maria Carrilho que enuncie, claramente, os destinatários dos ataques e remoques a que alude no seu livro.

Mas Carrilho também não esteve bem. Mostrou, uma vez mais, ferver em pouca água ( um pecadilho enorme em política); querer tirar de esforço em público (azias antigas) e, acima de tudo, pouca (ou nenhuma) clarividência política no ataque que perpetrou contra Ricardo Costa.
Por último uma palavra sobre as confidências de Morais Sarmento, no início do mandato enquanto Ministro.
O facto de assumir ter sido toxicodependente não pode impedir ninguém de o atacar nessa vertente mais obscura e ingrata da sua vida, mesmo que se tenha regenerado.
Caso contrário, todos os ataques que a imprensa fez a políticos, sobre situações fiscais destes regularizadas após a nomeação para cargos públicos, terão de ser igualmente consideradas despropositadas e malévolas porque, de facto, a regularização não coerciva de dívidas fiscais é um acto de contrição equvalente a uma qualquer confissão, de livre vontade, de vícios privados .
O facto de confessar um vício ou pagar impostos fora de prazo, não o torna uma virtude. Torna-o isso mesmo: uma confissão.
Mais ainda quando esses actos de contrição são fruto, directo, do desempenho de cargos públicos, de exposição pública.

15.5.06

Fica a nota (atrasada): o TalvezTeEscreva está de volta. Com redobrado prazer se assinala este regresso.

14.5.06

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A Noite...

A noite corre suave e doce.
A noite sobe no desejo de múltiplas vontades, espraia-se sem torrente no melhor dos pensamentos e desagua, por fim, em idílicos momentos.
A noite, bela e mágica é música, quadro de tintas misturadas em pincel de fé, é arrebatamento da alma. A noite é o tudo poético perfeito e perfeita se insinua, melhor, se desnuda insinuante nuns momentos para se entregar, logo ali, por longos outros.
Que bela a noite sem sonhos, que a estes pertence o dia, pertencendo à noite a vida.

12.5.06

A crise no Médio-Oriente...

Henry Kissinger, numa palestra promovida hoje em Lisboa a propósito do Irão e do Médio-Oriente, afirmou, a dado ponto, que o cerne do problema são as armas nucleares de que o Irão poderá vir a dotar-se e a ameaça que poderão constituir para a humanidade, recusando a intervenção armada contra Teerão e defendendo que a solução passará pela mudança do governo, a realizar pelos próprios iranianos.

Aqui chegados, se estivéssemos a falar de um qualquer país civilizado, possivelmente essa solução seria possível, muito embora contraste com posições assumidas por Kissinger num passado não muito recente (leia-se a confiança no discernimento das populações e a sua capacidade para alterar o rumo da história política dos seus países).

Se não tivéssemos passado por duas grandes guerras no séc. XX, possivelmente seríamos ingénuos o suficiente para acreditar na generosidade da solução. Assim, como a memória não pode nem deve ser curta, a pseudo-solução apresentada cheira a hipocrisia e, igualmente, a muita moda.

A verdade é que a intervenção no Iraque era necessária, mas foi mal conduzida. Em vez da guerra teria sido preferível a via diplomática. Em vez de afastar os sunitas, teria sido preferível forçá-los a um entendimento, reforço a intenção de forçar, em vez de ter proporcionado o poder aos xiitas. Os xiitas são a "ralé" do mundo árabe, a twilight zone do entendimento entre ocidente e médio-oriente. Os sunitas estão ocidentalizados, são mundanos, pelo menos paredes dentro.
~
O presidente iraniano fez voto de castidade. Fez igualmente um voto de destruição dos judeus. O estado de Israel continua entalado nas gargantas dos mais pobres e menos esclarecidos, os xiitas. Porque Israel é rico. Os sunitas também o eram.
O problema é que quando falamos em Irão, falamos em Paquistão, falamos em Índiae por aí fora. Porque a escalada militar na região seria o nosso maior pesadelo - e aí Kissinger tem razão - pior que 3oo Elm Streets com 2.000 Freddy Kruger.
~
Mas o Irão já o afirmou. É preciso acabar com Israel. E aqui chegados só restam duas soluções: 1ª. olhar para o lado como se fez de 1934 a 1942, ou encarar os judeus inseridos no Médio-Oriente como foram encarados os Templários em França: estão a mais, bazem, ou;
2ª. intervir com força e, se necessário, em força.
A 2ª hipótese é a mais humana e séria, comportando igualmente os custos mais elevados. Porque há dois parceiros que entram neste jogo, só não se sabendo quando e em que tabuleiro geo-estratégico: China e Rússia.
~
Está tudo muito complicado, os sinais são todos maus. A crise económica instalou-se no Mundo, todo ele, trazendo consigo uma enorme instabilidade social. Qualquer passo mal dado redundará, forçosamente, em catástrofe. Mas será que a situação seria diferente, mesmo que os passos fossem todos bem dados? Não o creio.
George Bush é um homem só. Em tempos difíceis pede-se-lhe que seja um deus: supostamente só estes não erram. É um pedido razoável ? Claramente não!
É possível equacionar que o mundo ocidental assobie para o ar e que os EUA digam no pasa nada ?
Sabemos todos a resposta.
~
É sustentável a esperança de que o actual poder no Irão reflicta e retroceda? ESperamos que sim mas nem superficialmente acreditamos em tal milagre - porque seria um milagre!
É natural que o povo iraniano force uma mudança governativa ? Pergunta: baseado em quê?
Também é pouco provável: a pergunta não tem resposta visível, pelo menos a médio prazo.
Resta-nos aguardar e esperar que o bom senso impere (coisa dificil de acontecer hoje em dia,mesmo em problemas bem menos intricados, como é bom exemplo Portugal).

25.4.06



















Giorgio de Chirico Posted by Picasa

Hora Absurda

....
Chove ouro baço, mas não no lá fora... É em mim... Sou a Hora,
E a Hora é de assombros e toda ela escombros dela...
Na minha atenção há uma viúva pobre que nunca chora...
No meu céu interior nunca houve uma única estrela...

Hoje o céu é pesado como a ideia de nunca chegar a um porto...
A chuva miúda é vazia... A Hora sabe a ter sido...
Não haver qualquer coisa como leitos para as naus!... Absorto
Em se alhear de si, teu olhar é uma praga sem sentido...

Todas as minhas horas são feitas de jaspe negro,
Minhas ânsias todas talhadas num mármore que não há,
Não é alegria nem dor esta dor com que me alegro,
E a minha bondade inversa não é boa nem má...

...
O palácio está em ruínas...Dói ver no parque o abandono
Da fonte sem repuxo...Ninguém ergue o olhar da estrada
E sente saudades de si ante aquele lugar-outono...
Esta paisagem é um manuscrito com a frase mais bela cortada...

...
Sermos, e não sermos mais!... Ó leões nascidos na jaula!...
Repique de sinos para além, no Outro Vale... Perto?...
Arde o colégio e uma criança ficou fechada na aula...
Por que não há-de ser o Norte e o Sul?... O que está descoberto?...

...
Para que não ter por ti desprezo? Por que não perdê-lo?...
Ah, deixa que eu te ignore... O teu silêncio é um leque-
Um leque fechado, um leque que aberto seria tão belo, tão belo,
Mas mais belo é não o abrir, para que a Hora não peque...

Gelaram todas as mãos cruzadas sobre todos os peitos...
Murcharam mais flores do que as que havia no jardim...
O meu amar-te é uma catedral de silêncios eleitos,
E os meus sonhos uma escada sem princípio mas com fim...

Alguém vai entrar pela porta...Sente-se o ar a sorrir...
Tecedeiras viúvas gozam as mortalhas de virgens que tecem...
Ah, o teu tédio é uma estátua de uma mulher que há-de vir,
O perfume que os crisântemos teriam, se o tivessem...

É preciso destruir o propósito de todas as pontes,
Vestir de alheamento as paisagens de todas as terras,
Endireitar à força a curva dos horizontes,
E gemer por ter de viver, como um ruído brusco de serras...

Há tão pouca gente que ame as paisagens que não existem!...
Saber que continuará a haver o mesmo mundo amanhã - como nos desalegra!...
Que o meu ouvir o teu silêncio não seja nuvens que atristem
O teu sorriso, anjo exilado, e o teu tédio, auréola negra...

Suave, como ter mãe e irmãs, a tarde rica desce...
Não chove já, e o vasto céu é um grande sorriso imperfeito...
A minha consciência de ter consciência de ti é uma prece,
E o meu saber-te a sorrir é uma flor murcha a meu peito...

Ah, se fôssemos duas figuras num longínquo vitral!...
Ah, se fôssemos as duas cores de uma bandeira de glória!...
Estátua acéfala posta a um canto, poeirenta pia baptismal,
Pendão de vencidos tendo escrito ao centro este lema - "Vitória!"

O que é que me tortura?... Se até a tua face calma
Só me enche de tédios e de ópios de ócios medonhos...
Não sei... Eu sou um doido que estranha a sua própria alma...
Eu fui amado em efígie num país para além dos sonhos...

(FernandoPessoa)

E Abril trouxe a fealdade...




















De Abril, da revolução e das pseudo-liberdades, não obtivemos mais que a boina, persistentemente mantida no nosso imaginário pelos irmãos Vitorino e Janita.
Tivesse Abril coberto Portugal de uma beleza real, que nem se queria fosse idêntica à da modelo fotografada (Kate Moss) e teríamos todos razões sobejas para estarmos satisfeitos com o nosso desempenho. Tal não aconteceu, não foi possível. Somos assim um povo triste e de tristes figurantes, em busca de uma razão, de uma vontade, de um suspiro pelo qual ainda valha a pena sonhar e lutar. Só vejo degradação, miséria, frustração e medo, muito medo. Medo que se espalha e entranha, que não escolhe idades.
Abril tem sido um imenso logro, longe, muito longe das aspirações do nosso Povo.
Somos hoje terceiro-mundistas, social e económicamente e não se vislumbra solução, uma saída digna e própria de um Povo novecentista. Aproxima-mo-nos do conceito de federação ibérica a uma velocidade vertiginosa, não que tivesse algum mal considerar Espanha como um mercado natural para Portugal, mas porque o mal deriva da hipoteca trágica das razões que subjazem à definição da soberania nacional, do Estado-Nação.
A razão está do lado de todos os que defendem a nacionalidade como um bem precioso e a família como o cimento aglutinador das sociedades. A razão está do lado de todos aqueles que acreditam que o Estado tem de se impôr um papel regulador da acitividade económica e social das Nações, menos liberalizador e, por tal, mais redistribuidor e garante de uma maaior equidade. A História se encarregará de lhes dar razão.

Essa razão chegará e, ao contrário do que poderão pensar não chegará, em momento algum, fora de tempo. Afinal é para isso que existem as revoluções.
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12.4.06






Roy Barley Posted by Picasa
Se a política fosse ideologia, não havia dinheiro no mundo que corrompesse um político.

Precedente Perigoso....

Com este voltar atrás de uma lei, baseado em manifestações e desacatos públicos, os franceses, uma vez mais, dão-nos um péssimo exemplo e abrem um precedente gravíssimo no entendimento do que é uma democracia e um estado de direito.
Desde a revolução francesa que andamos assim: mal acompanhados e mal aconselhados pela França.
É o regresso, em GRANDE, da Liberdade, Igualdade, Insanidade.























Peter Kelly Posted by Picasa

Espaço Político Arrenda-se....

Com tanta parcimónia na actuação e nas ideias por parte do PSD e do seu líder Marques Mendes, que teima em provar que, afinal, não lhe faltavam só dez centímetros para liderar o partido, o outro partido, o Socialista, liderado pelo circunstancialmente Primeiro-Ministro, usando de uma linguagem pouco socialista, pouco de esquerda (entendida pelos antigos cânones) e gozando de uma cobertura mediática que não se cansa de o mostrar como um português diferente, com gosto ( alusão constante aos fatos Armani), sem pregas no final das calças, sem barriga e sem qualquer pelo na facies, vai aglutinando votos à direita e à esquerda, esvaziando o PSD de parte significativa do seu eleitorado.
Se a dicotomia direita/esquerda se vai mostrando insuficiente para explicar os fenómenos político-sociais do nosso tempo, a diferença entre PS e PSD parece esbater-se cada vez mais, num fenómeno em crescendo que só prejudica quem não tem nem toma a iniciativa política.
É evidente a necessidade de outro movimento político que venha ocupar o espaço que neste momento está sem inquilino, sob pena do PS passar a ter um casarão de vinte assoalhadas.

11.4.06

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A Lágrima

Manhã de Junho ardente. Uma encosta escavada,
Sêca, deserta e nua, à beira d'uma estrada.

Terra ingrata, onde a urze a custo desabrocha,
Bebendo o sol, comendo o pó, mordendo a rocha.

Sôbre uma folha hostil duma figueira brava,
Mendiga que se nutre a pedregulho e lava,

A aurora desprendeu, compassiva e divina,
Uma lágrima etérea, enorme e cristalina.

Lágrima tão ideal, tão límpida, que ao vê-la,
De perto era um diamante e de longe uma estrêla.

Passa um rei com o seu cortejo de espavento,
Elmos, lanças, clarins, trinta pendões ao vento.

- "No meu diadema, disse o rei, quedando a olhar,
Há safiras sem conta e brilhantes sem par,

"Há rubins orientais, sangrentos e doirados,
Como beijos d'amor, a arder, cristalizados.

"Há pérolas que são gotas de mágua imensa,
Que a lua chora e verte, e o mar gela e condensa.

"Pois, brilhantes, rubins e pérolas de Ofir,
Tudo isso eu dou, e vem, ó lágrima, fulgir

"Nesta c'roa orgulhosa, olímpica, suprema,
Vendo o Globo a teus pés do alto do teu diadema!

" E a lágrima deleste, ingénua e luminosa,
Ouviu, sorriu, tremeu, e quedou silenciosa.

Couraçado de ferro, épico e deslumbrante,
Passa no seu ginete um cavaleiro andante.

E o cavaleiro diz à lágrima irisada:
"Vem brilhar, por Jesus, na cruz da minha espada!

"Far-te hei relampejar, de vitória em vitória,
Na Terra Santa, à luz da Fé, ao sol da Glória!

"E à volta há-de guardar-te a minha noiva, ó astro,
Em seu colo auroreal de rosa e de alabastro.

"E assim alumiarás com teu vivo esplendor
Mil combates de heróis e mil sonhos d'amor!"

E a lágrima celeste, ingénua e luminosa,
Ouviu, sorriu, tremeu e quedou silenciosa.

Montado numa mula escura, de caminho,
Passa um velho judeu, avarento e mesquinho.

Mulas de carga atrás levavam-lhe o tesoiro:
Grandes arcas de cedro, abarrotadas d'oiro.

E o velhinho andrajoso e magro como um junco,
O crânio calvo, o olhar febril, o bico adunco,

Vendo a estrêla, exclamou: "Oh Deus, que maravilha!
Como ela resplandece, e tremeluz, e brilha!

"Com meu oiro em montão podiam-se comprar
Os impérios dos reis e os navios do mar,

"E por esse diamante esplêndido trocara
Todo o meu oiro imenso a minha mão avara!"

E a lágrima celeste, ingénua e luminosa,
Ouviu, sorriu, tremeu, e quedou silenciosa.

Debaixo da figueira, então, um cardo agreste,
Já ressequido, disse à lágrima celeste:

"A terra onde o lilaz e a balsamina medra
Para mim teve sempre um coração de pedra.

"Se a queixar-me, ergo ao céu os braços por acaso,
O céu manda-me em paga o fogo em que me abraso.

"Nunca junto de mim, ulcerado de espinhos,
Ouvi trinar, gorgear a música dos ninhos.

"Nunca junto de mim ranchos de namoradas
Debandaram, cantando, em noites estreladas...

"Voa a ave no azul e passa longe o amor,
Porque ai! Nunca dei sombra e nunca tive flor!...

"Ó lágrima de Deus, ó astro, ó gota d'água,
Cai na desolação desta infinita mágoa!"

E a lágrima celeste, ingénua e luminosa,
Tremeu, tremeu, tremeu... e caíu silenciosa!...

E algum tempo depois o triste cardo exangue,
Reverdecendo, dava uma flor côr de sangue,

Dum roxo macerado, e dorido, e desfeito,
Como as chagas que tem Nosso Senhor no peito...

E ao cálix virginal da pobre flor vermelha
Ia buscar, zumbindo, o mel doirado a abelha!...

(Guerra Junqueiro)

A propósito de terceira idade, velhice e quejandos....

A forma como aqueles que hoje têm 30, 40 e 50 anos se pronunciam a propósito de todos os outros que já ultrapassaram os 60 anos começa, verdadeirtamente, a incomodar, pela falta de respeito gritante de que se reveste. E eu ainda estou na casa dos 40, portanto àvontade para me pronunciar.
As últimas notícias sobre viagens em contra-mão nas auto-estradas, criou um surto de pânico que levou quase a considerar os condutores acima dos 70 anos como perigosos automobilistas, capazes das maiores atrocidades quando atrás dum volante e levianos nos seus comportamentos, para nãofalar do mais grave: acima dos setenta as capacidades mentais são altamente questionadas (tivemos um candidato presidencial que em nada abonou para a aferição das capacidades intelectuais dos cidadãos acima dos oitenta, mas, que eu saiba, a excepção é necessária para a confirmação da regra).
Curiosamente, as viagens em contra-mão começaram por ser efectuadas por gente bem nova, ávida de colocar em prática algumas aventuras escaldantes vividas únicamente na realidade virtual das consolas.
Só depois deste surto se começou a falar noutras faixas etárias. Duas questões se colocam: como estão construídas as auto-estradas? Será correcta a forma como são projectados os acessos às mesmas?
Igualmente se deve questionar: como é possível alguém viajar largos quilómetros, embater em vários carros e persistir no engano, a não ser que o faça por vontade própria? A estes recomendo, vivamente, a Ponte sobre o Tejo. Às outras questões talvez um sindicância à construção dos acessos e a rápida conclusão de obras de rectificação possivelmente necessárias, bem como a adopção de medidas técnicas e tecnológicas que impeçam a progressão da marcha a veículos em contra-mão.
Mas uma coisa peço que interiorizem: a idade nada tem a ver com estas e outras coisas que lhe são, temporalmente, imputáveis. A idade não se mede pelo BI; a idade mede-se pela dignidade intelectual, pelo raciocínio e pela compreensão da vida e dos outros, apanágios que, por norma só encontramos em quem por sorte de vida, já viveu o suficiente para compreender, melhor que nós, este mundo tão abstruso.

Silêncio Ensurdecedor...

Esta questão da Regionalização encapotada começa a tomar laivos de golpe de estado (porque é decisão tomada nas costas de todos nós, que somos o Estado). O silêncio sobre o assunto, após uma espalhafatosa abordagem pública, é claramente demonstrativo das intenções ruinosas que procedem às intenções enunciadas de dividir o País, ao arrepio do sufrágio efectuado e que demarcou, claramente, a distância entre a vontade política de alguns e o sentimento generalizado de todos os outros - NÓS!
No Expresso de 1 de Abril eram indicadas as posições de alguns políticos, todos credíveis no que à soberania do País diz respeito e, todos eles, contrários à reestruturação administrativa que, dizem os próprios e disse-o eu, não é mais que uma forma encapotada de efectuar a tão temida regionalização do Nosso Portugal.
Os políticos citados são Manuela Ferreira Leite, Marcelo R. de Sousa e Medina Carreira.
As posições defendidas são inequívocas e a pressão sobre o PR para a realização de um referendo antecipado sobre a regionalização um traço comum a todos eles. Quer-me parecer que o argumento esgrimido faz todo o sentido, num País que está por demais habituado àpolítica do facto consumado. Basta de factos consumados digo eu!
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Na mesma edição Miguel Sousa Tavares aventa opinião sobre o tema e, a propósito afirma: "Sou a favor da descentralização desde que os órgãos criados não sejam eleitos e, à excepção do Ambiente e do Ordenament, concordo com a desconcentração do Estado".
O argumento parece válido e a personalidade inscreve-se, indubitávelmente, entre os mais capazes da nossa praça, mas e há sempre um mas, é falacioso e não atende a outro interesse, dissonante da postura política defendida: o peso do poder económico e financeiro.
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Senão vejamos: se a receita gerada em cada região administrativa a criar fôr, como fará sentido, aplicada numa percentagem elevada em cada região, revertendo uma parte para o poder central, este facto aumentará a rivalidade entre regiões e poderá conduzir a uma maior competitividade entre elas, na procura de fixação de investimentos e de pessoas (contribuintes autárquicos). Pelo menos teóricamente será assim, mas igualmente em teoria, tal situação acarreta, invariávelmente uma redistribuição cada vez menos equitativa dos rendimentos gerados em território nacional, aumentando incomensurávelmente as assimetrias regionais.
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Um outro dado é certo e este não é teórico mas bem real: havendo dinheiros para gerir, gerados numa determinada área geográfica perfeitamente delimitada, só por ingenuidade se poderá pensar que as populações (seria escusado dizê-lo, mas para os mais distraídos cá fica: as populações manipuladas políticamente, entenda-se), mais cedo ou mais tarde exigirão a nomeação de governos locais (regionais) que façam uma aplicação dos rendimentos obtidos regionalmente, de forma independente do poder central.
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Já não estamos a falar de presidentes de câmara. Estamos a falar de presidentes de governos regionais e de assembleias com deputados eleitos regionalmente. Ou até nem parece que não conhecemos estas questões em nossa própriaa casa e, igualmente, na casa de outros que nos estão bem próximos.
É, assim, impossível pensar num modelo de regiões sem que um dia os órgãos de poder não sejam eleitos localmente.
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Vamos lá a refazer os raciocínios e a dizer de uma vez por todas: "não tive tempo de pensar no assunto nem tenho, sequer, obrigação de saber pronunciar-me sobre todos eles".