19.10.06

Deixem que a esperança prevaleça sobre a incerteza...

A noite cai, as preocupações adensam-se. É sempre assim e sempre será.
É o lado escuro que acompanha o escuro da noite.
As piores decisões tomam-se à noite. Sem excepção. Ao cansaço natural acumulado no dia, junta-se a certeza do mundo fechar, de nada mudar durante horas e este pensamento, parecendo simples, pode encerrar complexidades mentais que conduzam, no extremo, à turbulência da mente, num desfiar de rosários que se perfilam inexoravelmente como não solúveis.
Não é por acaso que as taxas de suicídio apontam para uma maior verificação destes, entre as primeiras horas da noite e a alvorada.
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Há que ultrapassar o adensar de preocupações noturnas, através da positividade colocada no dia seguinte. Viver cada dia por si e, acreditar, que a possibilidade de melhorar aumenta à medida que os problemas se adensam: ao fim e ao cabo, depois da tempestade vem a bonança.
Neste papel criador de esperança, assumem particular importância os órgãos de informação e o elenco governativo. A palavra de esperança tem de partir de quem tem tempo de antena; no caso concreto de quem tem a informação e de quem a transmite.
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Os portugueses dispensam as guerras em torno da corrupção. Já todos sabemos que vivemos numa sociedade corrompida, transversal e verticalmente. Já todos sabemos que os tempos são de crise. Sabemos igualmente que a justiça está num caos e que o desemprego cresce.
São necessários mecanismos de criação de ânimo, urgentemente.
Boas notícias, como o acordo com a Auto -europa, podem e devem ser badalados até quase a exaustão. A notícia de que um novo modelo, a ser anunciado, poderá criar 3.000 novos postos de trabalho, deverá contrabalançar a certeza que até ao final do ano, pelo menos 7.200 portugueses ligados ao sector automóvel terão perdido os seus empregos.
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Igualmente existe um limite para a subida de impostos. Se o estado entende subir, proporcionalmente, os escalões de IRS e acabar com algumas SCUTS, deverá levar em conta que não pode, em simultâneo, subir os impostos sobre os produtos petrolíferos, porque uns e outros, directos ou indirectos, afectam a população, o contribuinte individual e diminuem-lhe o bem-estar, ou por outras palavras, contribuem para a perca do poder de compra, diminuindo a qualidade de vida.
É que a estas notícias somam-se as outras, do aumento da inflacção, do congelamento dos salários e do aumento das taxas de juro, do crescimento das despesas com a educação e da saúde.
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É tempo de incutir confiança na população, para que essa confiança alastre aos agentes económicos nacionais. É chegado o tempo de apoiar as iniciativas geradoras de emprego, da micro à média empresa. É, provávelmente, chegado o tempo - agora que se conseguíu criar o estigma social do não pagamento de impostos - de aliviar, discretamente, a pressão sobre os contribuintes, até porque quem tinha com que pagar já o fez e as receitas do estado, na recuperação de créditos de imposto, tendencialmente cairão até ao final do ano para valores quase residuais. Não é um ganho, antes uma perca, alimentar um ambiente de suspeição e perseguição continuada sobre os agentes económicos.
Executar bem não passa por executar cegamente. A economia não é uma ciência certa e exige, como tal, navegação à vista. Mudar procedimentos, de acordo com a percepção da economia e do mercado, é um dado fundamental.
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Fundamentalismos no estado conduzem a situações de rotura. Por isto e por isso, percebo claramente o Ministro das Finanças, que não precisava de fazer um mea-culpa em relação às declarações sobre a recuperação da economia portuguesa.
Todos sabemos que os próximos anos são difíceis mas também necessitamos de ouvir, mesmo com um sorriso descrente, que as coisas estão a melhorar.
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Ao fim e ao cabo somos todos humanos e se há característica que define o humano ela é, claramente, o gosto de ser (pela positiva) enganado.
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Em resumo, se acaso a sua situação é de desconforto, quando se apaga o dia e a noite avança, pense maduramente que um novo dia está para acontecer e, que de noite, a não ser beber uns copos e dar umas quecas, nada pode fazer.
Aproveite a noite então e pense nos problemas por resolver quando as possibilidades de solução são maiores -durante o dia.
Em qualquer caso não esqueça: se não tem pais ricos nem lhe saíu a lotaria pode sempre ir ao BES.

Quando se exige sacrifício a sinceridade tem de imperar...

Afirmar que "tarifas dos consumidores só vão crescer 6% a 8%", padece de um erro grave: a palavra "só". A ser verdade que a afirmação é tal e qual, pertença do Ministro da Economia numa entrevista ao semanário Sol, ela encerra um erro de forma que é, em simultâneo, um vício instituído na democracia portuguesa: a utilização abusiva da língua para efeitos de desculpabilização.
Qualquer aumento superior ao aumento verificado nos salários reais é dramático, para pelo menos 90% da população portuguesa. A expressão correcta seria: tarifas dos consumidores ainda terão, infelizmente, de crescer entre 6% a 8%.
Dizer qualquer outra coisa é escamotear a verdade.

Homem de Bem...

Quem é homem de bem,
não trai
O amor que lhe quer
seu bem.
Quem diz muito que vai
não vai,
Assim como não vai
não vem.
Quem de dentro de si
não sai
Vai morrer sem amar
ninguém.
O dinheiro de quem
não dá,
é o trabalho de quem
não tem.
Capoeira que é bom
não cai
E se um dia ele cai
Cai bem!

(Vinicius de Moraes)

Uma economia pujante....

A economia portuguesa cresce, justificando-se as revisões em alta da taxa de crescimento. De facto tudo cresce, ou melhor, sobe. Tudo sobe então e a única excepção só vem , como soi dizer-se, justificar a regra.
A excepção é o nível de vida dos portugueses que só baixa, ou diminui, como quiserem. No resto, não temos qualquer dúvida: tudo sobe ou cresce.

17.10.06

Ciganos

Tudo o que voa é ave.
Desta janela aberta
A pena que se eleva é mais suave
E a folha que plana é mais liberta.

Nos seus braços azuis o céu aquece
Todo o alado movimento.
É no chão que arrefece
O que não pode andar no firmamento.

Outro levante, pois, ciganos!
Outra tenda sem pátria mais além!
Desumanos
São os sonhos, também...

(Miguel Torga)

A Fundamental Dimensão...

No New York Times de hoje:
"Wal-Mart Stores, the largest retailer in the United States, is laying the groundwork to become the biggest foreign chain in China with the $1 billion purchase of a major retailer here, according to people briefed on the deal".
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É tudo uma questão de dimensão. Por isso, Portugal e a sua economia estão destinadas a serem parte do mercado ibérico e o controlo das suas empresas cair, maioritáriamente, na mão de capital estrangeiro. Por isso, por falta de dimensão dos homens em primeiro lugar e, depois, pela inerente falta de dimensão económica, política e social.

16.10.06

A verdade da mentira....

Curiosa a forma como governo e oposição lidam, diáriamente e de há longas semanas, com a questão da "necessária" reforma do estado-previdência.
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Os cortes propostos nas pensões, os benefícios que terminam (caso da viúva ficar com direito a 1/2 da reforma do conjuge, em caso de falecimento deste), implicando uma rotura na expectativa dos benefícios futuros, traz consigo uma enorme contradição: QUANDO SE CRIARAM REFORMAS ONDE ANTES NÃO EXISTIAM quer pela especificidade das funções, quer pelos montantes, quer pelos anos de exercício de funções; QUANDO SE LEGISLOU SOBRE MECANISMOS COMO O SALÁRIO MÍNIMO NACIONAL; QUANDO SE INTRODUZÍU O CONCEITO DE MÍNIMO DE SUBSISTÊNCIA; QUANDO SE AUMENTOU O VALÔR DO SUBSÍDIO DE DESEMPREGO, sempre se julgou que o Estado estaria a consumir proveitos gerados na economia.
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Puro engano. O Estado não estava a gastar rendimentos gerados. O Estado estava a consumir receitas acumuladas durante anos, por todos aqueles que agora vêem as suas pensões de reforma, a dignidade numa provecta idade ameaçada. Estão goradas as expectativas no futuro em todos, os que estão reformados e os que estão no mercado de trabalho. O Estado sucks e os políticos destilam mentiras.
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Acaso não são estes políticos os mesmos que se atribuíram, de há trinta e dois anos, as regalias que os colocaram a salvo de qualquer intempérie? Que força moral têm agora para falar?
Nenhuma! Absolutamente nenhuma.
As reformas são mais do que necessárias (irem a tempo é outra história) mas a estes políticos falta-lhes credibilidade para as empreender.
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Nota de rodapé: a 1ª República, no finzinho, também começou a esbracejar com a corrupção....

9.10.06

A memória curta de Carrapatoso ou os interesses subordinantes...

A memória é curta ? Não! Os interesses é que mudam.
Há uns anos, não muitos, Carrapatoso e a Vodafone (Telecel), vociferavam que dois operadores eram ideais para "trabalhar" o mercado das comunicações móveis em Portugal. Hoje, como sabemos, dois são poucos, três são óptimos, na opinião do douto responsável da Telecel (Vodafone).
Que António Carrapatoso tinha chegado à Vodafone (Telecel) por obra e graça do Espirito Santo, já o sabia. Que lá se tem mantido, acumulando prejuízos, também se conhece.
Não se sabia, contudo, que a certeza de que dois operadores seriam suficientes para Antonio Carrapatoso, se mantinha tão presente.
Porque a estratégia da Vodafone e do seu líder não passa pela manutenção de três operadores, mas pela aquisição de lugar na primeira fila do espectáculo de encerramento da Optimus, por falta de mercado e de capacidade de alavancagem.
Porque esse encerramento é garante da continuidade da TMN, da repartição do mercado que sobrar e, igualmente importante (pela continuação da TMN), da manutenção da necessidade de um interlocutor nacional que faça a ponte com os agentes fronteira, num País onde se continua a privilegiar as relações informais lobbistas.
Caso contrário, com o mercado aberto sem intervenção de monopólios e interesses estatais nas comunicações móveis, nada impede a colocação pela Vodafone de um CEO inglês, mais provável até do que a deslocalização de um gestor americano.
Pelo sim, pelo não,o Compromisso Portugal lá vai cumprindo o seu papel de rampa política, permitindo acalentar ambições nessa área, para quem teme vir a sair a curto prazo de outra.

29.9.06























Faulkner

Princípio de vida...

“Amava e destruía o amor; membro dum grupo literário avançado, deixara-o e ficara só; deslumbrado por um clarão de fé, mergulhara de novo na escuridão da descrença; em vésperas de partida para a vida prática, andava atormentado.
- Feitio excomungado, o teu! Ou te modificas, ou estás desgraçado...
- Mudar, eu?
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Tinha a impressão de que os anos iam enrijando certas regiões do meu carácter. Era uma espécie de dureza progressiva, contra a qual todos os guilhos da ambiguidade, do convencionalismo, dos interesses e da conivência se quebravam. Esse monolitismo tornava cada vez mais difícil um dia a dia em que os passos bem sucedidos pressupunham maleabilidade, brandura, adaptação. Mas, embora visse claramente as vantagens de ser doutra maneira, sabia que estava condenado a pagar à vida o duro tributo da sinceridade. Nascera inteiriço, continuaria inteiriço, fossem quais fossem as consequências.”
Miguel Torga

O outro lado do Mundo....

Para que uma mulher no Paquistão possa conduzir com sucesso uma queixa de violação, é exigível que 4 homens sejam testemunhas do acto. Por outras palavras, a mulher terá de ser violada por 4 homens que depois endoidecem e confessam; ou por, pelo menos, 5 homens, 4 dos quais se zangam com o quinto e ajudam a vítima, a troco do silêncio, a culpabilizar o quinto elemento, ou o fazem a troco de dinheiro pago pela família da vítima - a modos que gigolos com cheiro acre medieval.
Infere-se asim que ser vítima de violação no Paquistão por um, dois ou três ou mesmo quatro homens é uma desgraça maior para qualquer mulher, do que ser vítima de violação por cinco, seis, sete e por aí fora.
Esta será, certamente e fora de discussão, a razão pela qual o apelido porque são tratados é o da mãe - como saber quem é o pai em tais situações ?
É que, caso a vítima acuse um homem ou conjunto de homens de violação e não tenha as referidas quatro testemunhas (homens) é acusada de mau comportamento moral, de adultério, incorrendo em pena de prisão.
É este o maravilhoso mundo árabe que tantos se afadigam em defender.

Que me desculpem, mas de Espanha nem bom vento, nem bom casamento.....

No debate de 2 feira passada no Prós e Contras, ficou claro que J. M. Aznar fez o seu papel, Manuel Dias Loureiro também e o Prof. Ernani Lopes, afastado há muitos anos da vida política activa, com o distanciamento saudável que o referido afastamento permite, deu-nos uma visão realista e, acima de tudo qualificada, dos perigos próximos que a economia e as empresas portuguesas enfrentam, por incapacidade de consolidação das suas posições económicas nos últimos trinta anos.
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Na realidade, a enorme diferença na capacidade de capitalização das empresas portuguesas, face às congéneres espanholas, coloca-as numa situação de perigo iminente consubstanciada na fragilidade dos recursos financeiros e na decorrente fraca capacidade de alavancagem dos seus negócios.
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Aliar com Espanha (leia-se empresas espanholas) é correr para o abismo, sendo excepções as cimenteiras (cartelizadas) e a indústria de papel (cartelizada), bem como, de alguma forma, os aglomerados de madeira (embora neste caso exista dificuldade idêntica no resto do mundo, onde a dimensão portuguesa é insignificante, quer ao nível dos recursos financeiros, quer da dimensão dos meios de produção.
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Para os petróleos, leia-se Galp, o caminho passa, forçosamente, pela capacidade de arregimentar um pacto estratégico com a Petrobras, única solução para aumentar a sua capacidade exploratória de actuais e novos blocos, usando como factor determinante, o dote constituído pela facilidade de penetração na África portuguesa, pelo razão de ser membro da UE e pelo reconhecido know-how técnico e de gestãoque possui.
Já a EDP terá de sustentar as suas políticas numa manutenção férrea da sua independência, até ao dia em que, impelida pela política geral económica europeia, se constituam as futuras 4 ou 5 grandes famílias energéticas europeias, situação na qual muito dificilmente deixará de pertencer ao grande grupo Ibérico que virá a ser constituído.
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Para todos so restantes sectores económicos relevantes o futuro será a strategie du poisson. Ou seja, os grandes comem os pequenos; por outras palavras, as OPAS vão estar na ordem do dia e não se espere que sejam as empresas portuguesas a ficar por cima: não existe massa crítica para intentar qualquer acção; existe muita fragilidade para que se tornem apetecíveis ao exterior, leia-se Espanha. Porquê o interesse espanhol ? Porque Portugal e Espanha, em conjunto, significam um mercado superior ao francês e, na lógica da dimensão dos mercados, este é um dado fundamental.
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Não existe solução ?
Uma solução exacta não existe, mas pode-se falar de aproximações à solução, capazes de melhorar e dimiuir, fortemente, a tendência actual. O problema é a crescente falta de tempo.
Os parceirso indicados para as empresas portuguesas na sua estratégia de internacionalização são, preferencialmente, parceiros financeiros, quaisquer que sejam, tenham a origem que tiverem. Estes parceiros não têm know-how, não pretendem implementar ou lutar por modelos de gestão, preocupando-se, essencialmente, com os resultados. A dimensão é um óbice, neste caso, porque o parceiro financeiro só estará disponível até um certo ponto de envolvimento, mas aí terá de entrar a capacidade de montagem de operações com vários agentes, em simultâneo ou temporalmente desfasados. Desta política faz parte, igualmente, a capacidade de alienar activos hipervalorizados para enfrentar novos desafios, com amior capacidade de alavancagem financeira e tecnológica, garantindo as parcerias financeiras, sempre acompanhadas de parceiros locais.
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Posto isto, fica claro que o mercado europeu é para esuqecder, por parte das empresas portuguesas. O esforço de investimento é incomportável, face às expectativas temporais de retorno do investimento efectuado.
Assim, há que olhar o Atlantico como ponto de partida para a escolha dos mercados a operar, não significando este olhar, um prender da retina exclusivamente em África e no Brasil, mercados apetecíveis mas perigosos, cada um à sua maneira.
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Sendo assim, o prof. Ernani Lopes tinha razão quando afirmava que fazer parcerias com empresas espanholas para explorar territórios de língua portuguesa é, garantidamente, muito bem visto e apreciado pelas empresas espanholas.

21.9.06

Esta noite na SIC NOTÍCIAS....

O apresentador e 4 representantes do Compromisso Portugal. Intenção: debater e explicar as propostas saídas do segundo encontro do movimento.
Para além do referido apresentador estavam em estúdio um advogado, um administrador do BES, o presidente do BES Investimentos e o presidente da Vodafone Portugal. Quatro ilustres representantes do sector terciário da economia, aquele onde se geram as mais-valias.
Onde estavam representantes do sector primário e secundário ? Onde estavam os representantes dos sectores onde é gerado o valor acrescentado da economia, ou por outras palavras, onde é gerada a sua verdadeira riqueza ?
E o presidente do BES Investimentos afirmava que o País tem conhecido uma espiral de empobrecimento nos últimos anos. Nem poderia ser de outra forma.
Se só os serviços marcam presença na nossa economia ( o sector primário morreu há muito e o secundário está moribundo), sendo estes por definição razão directa da libertação de meios humanos e materiais da agricultura e da indústria (os tais primário e secundário, respectivamente) não é de estranhar que o País definhe.
Um exemplo ? Milhões de telemóveis em Portugal ( a maior taxa de utilização na Europa), com média superior a um telemóvel por cidadão nacional e a eterna questão: como é que se paga ? Com que fundos ?

Sempre a asneirar....num compromisso pessoal

De vez em quando, é preciso dizê-lo, as amarras ideológicas de que padece o socialismo e os partidos que assim se nomeiam, tornam-se instrumentos positivos na sempre difícil relação economia/social.
A proposta do Compromisso Portugal de reformar ou despedir, compulsivamente, 200.000 funcionários públicos só é possível por parte de quem pensa no seu umbigo e nos seus interesses, falando de barriga cheia, depois de realizarem proveitos ao longo dos anos que ainda há pouco tempo, se lhes dissessem, lhes pareceria mentira, sonho irrealizável.
Despedir 200.000 almas é condená-las, sem apelo nem agravo, a uma miséria garantida e a curto prazo. Mas os portugueses há muito que deixaram de contar para o poder que se instalou na esfera económica (alguma, muita, que não toda) e na esfera política (principalmente numa determinada corrente monetarista que tem feito escola no PSD).
Assim, embora tudo o que o PS faça fuja à lógica da razão, sempre existe a excepção que confirma aquela regra.
Existe um compromisso, de facto, mas não é com Portugal: é um compromisso pessoal.
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20.9.06

O branqueamento político de um político reformado...

O que terá dado a Fátima Campos Ferreira para branquear um "morto" político no seu programa Prós e Contras ?
O que terá dado a Pacheco Pereira para aceitar afrontar um "morto" político, em directo e na televisão ? Necessidade de protagonismo ? Sentir-se morto políticamente e apanhar a boleia ? A boleia de um "morto" ? Não faz sentido. Révanche ? Não acredito....
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Mas atenção: o político "morto" já não aguenta uma campanha de meses mas está para lavar e durar num programa de horas. E Pacheco Pereira que o diga, ciente que ficou dessa realidade.
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Só não percebo a Fátima. Já sabia que o "morto" era capaz de aguentar umas horas, para mais perante um erudito de tertúlia (nada desprestigiante, bem pelo contrário).
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Assim nunca mais se faz história. Ou melhor, faz-se, mas só noutras condições....

Hoje basta um F

Primeiro os jogos de futebol, em crescendo de transmissões televisivas. Depois o Apito Dourado e, por fim, o caso Mateus.
Ou como o futebol tem servido nos últimos anos para desviar as atenções do que é verdadeiramente importante.

Fraco Compromisso com Portugal

O Compromisso Portugal é um embuste: porque está cheio de empresários que não são empreendedores; de empresários que já o foram e já não o são; de oportunistas políticos, económicos e fracos gestores; porque a maioria dos seus membros vive directa e exclusivamente de vencimentos e participação nos resultados das empresas onde desempenham funções, tendo em vista o lucro como fim único e não como a remuneração justa do risco do capital investido.
Porque o capital não lhes pertence; porque fazem parte de uma geração de gestores que está a chegar ao fim, nos pressupostos de funcionamento institucional formal e informal (vidé caso dos EUA, onde o modelo está em transformação).
Porque não entendem que o lucro, sendo remuneração, só é aceitável até certo ponto; que ultrapassado esse ponto de remuneração (maior ou menor consoante o risco de capital investido e a necessidade de investimento intensivo, dando-se dois exemplos para simplificar a compreensão e alcance do que se afirma, entre muitos outros possíveis) o capital terá de ter, forçosamente, uma função social.
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Afirma agora o denominado Compromisso Portugal que o Estado deverá diminuir a sua intervenção na economia, propondo a privatização de uma série de serviços e indústrias que, tradicionalmente, terão de ter, sempre, uma parte importante de controlo por parte do Estado.
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Porque o Estado somos todos nós; porque os transportes públicos, como outros serviços de interesse público, não podem existir numa óptica pura e dura de obtenção de lucros; porque a energia é vital e deverá ter sempre a possibilidade de ser controlada, em parte, por todos nós - o Estado.
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O Compromisso Portugal aproveita a hora para fazer valer os mesmos argumentos que são utilizados para fechar maternidades e escolas: a redução de custos do Estado. O Estado está a errar nestes pressupostos, desvalorizando o interior e contribuindo para uma ainda maior desertificação do País.
O Compromisso Portugal, ao fazê-lo, está a prestar um mau serviço ao País e mostra, claramente que o compromisso, a existir, é com o capital e os que dão a cara por este movimento e, nunca, com Portugal.