21.9.06

Sempre a asneirar....num compromisso pessoal

De vez em quando, é preciso dizê-lo, as amarras ideológicas de que padece o socialismo e os partidos que assim se nomeiam, tornam-se instrumentos positivos na sempre difícil relação economia/social.
A proposta do Compromisso Portugal de reformar ou despedir, compulsivamente, 200.000 funcionários públicos só é possível por parte de quem pensa no seu umbigo e nos seus interesses, falando de barriga cheia, depois de realizarem proveitos ao longo dos anos que ainda há pouco tempo, se lhes dissessem, lhes pareceria mentira, sonho irrealizável.
Despedir 200.000 almas é condená-las, sem apelo nem agravo, a uma miséria garantida e a curto prazo. Mas os portugueses há muito que deixaram de contar para o poder que se instalou na esfera económica (alguma, muita, que não toda) e na esfera política (principalmente numa determinada corrente monetarista que tem feito escola no PSD).
Assim, embora tudo o que o PS faça fuja à lógica da razão, sempre existe a excepção que confirma aquela regra.
Existe um compromisso, de facto, mas não é com Portugal: é um compromisso pessoal.
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20.9.06

O branqueamento político de um político reformado...

O que terá dado a Fátima Campos Ferreira para branquear um "morto" político no seu programa Prós e Contras ?
O que terá dado a Pacheco Pereira para aceitar afrontar um "morto" político, em directo e na televisão ? Necessidade de protagonismo ? Sentir-se morto políticamente e apanhar a boleia ? A boleia de um "morto" ? Não faz sentido. Révanche ? Não acredito....
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Mas atenção: o político "morto" já não aguenta uma campanha de meses mas está para lavar e durar num programa de horas. E Pacheco Pereira que o diga, ciente que ficou dessa realidade.
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Só não percebo a Fátima. Já sabia que o "morto" era capaz de aguentar umas horas, para mais perante um erudito de tertúlia (nada desprestigiante, bem pelo contrário).
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Assim nunca mais se faz história. Ou melhor, faz-se, mas só noutras condições....

Hoje basta um F

Primeiro os jogos de futebol, em crescendo de transmissões televisivas. Depois o Apito Dourado e, por fim, o caso Mateus.
Ou como o futebol tem servido nos últimos anos para desviar as atenções do que é verdadeiramente importante.

Fraco Compromisso com Portugal

O Compromisso Portugal é um embuste: porque está cheio de empresários que não são empreendedores; de empresários que já o foram e já não o são; de oportunistas políticos, económicos e fracos gestores; porque a maioria dos seus membros vive directa e exclusivamente de vencimentos e participação nos resultados das empresas onde desempenham funções, tendo em vista o lucro como fim único e não como a remuneração justa do risco do capital investido.
Porque o capital não lhes pertence; porque fazem parte de uma geração de gestores que está a chegar ao fim, nos pressupostos de funcionamento institucional formal e informal (vidé caso dos EUA, onde o modelo está em transformação).
Porque não entendem que o lucro, sendo remuneração, só é aceitável até certo ponto; que ultrapassado esse ponto de remuneração (maior ou menor consoante o risco de capital investido e a necessidade de investimento intensivo, dando-se dois exemplos para simplificar a compreensão e alcance do que se afirma, entre muitos outros possíveis) o capital terá de ter, forçosamente, uma função social.
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Afirma agora o denominado Compromisso Portugal que o Estado deverá diminuir a sua intervenção na economia, propondo a privatização de uma série de serviços e indústrias que, tradicionalmente, terão de ter, sempre, uma parte importante de controlo por parte do Estado.
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Porque o Estado somos todos nós; porque os transportes públicos, como outros serviços de interesse público, não podem existir numa óptica pura e dura de obtenção de lucros; porque a energia é vital e deverá ter sempre a possibilidade de ser controlada, em parte, por todos nós - o Estado.
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O Compromisso Portugal aproveita a hora para fazer valer os mesmos argumentos que são utilizados para fechar maternidades e escolas: a redução de custos do Estado. O Estado está a errar nestes pressupostos, desvalorizando o interior e contribuindo para uma ainda maior desertificação do País.
O Compromisso Portugal, ao fazê-lo, está a prestar um mau serviço ao País e mostra, claramente que o compromisso, a existir, é com o capital e os que dão a cara por este movimento e, nunca, com Portugal.

18.9.06



















Neil Faulkner Posted by Picasa

A INÚTIL DISCUSSÃO QUE SÓ DIVIDE E ENFRAQUECE....

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Para o Islão, a norma não faz sentido. Não existe uma sociedade suficientemnete organizada no presente e com futuro visível que justifique um sistema normativo elaborado. No Islão respeita-se e vive-se para o dogma. Só este justifica as vicissitudes de uma vida difícil; só o dogma serve de base e sustentáculo à estrita observância da sobrevivência diária.
A razão da vida tem um único propósito: servir o Profeta.
Acaso se as leis de Deus permitissem o auto-sacrifício, algum de nós estaria disposto a cumpri-lo se o mesmo não se encontrasse regulado por um conjunto de normas, usos e costumes ?
A resposta clara é Não!
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Então o que dizer da intervenção de Bento XVI, senão que constata o óbvio ?
Houve tempos em que os católicos, em nome da sua fé fizeram a guerra aos infiéis, leia-se os árabes. Nesse tempo as razões que inquietaram os espíritos ocidentais cultos e instruídos foi a facilçidade com que a palavra do profeta incitava à morte, ao ódio, em total discordância com a doutrina cristã.
Hoje essa discordância acentuou-se, porque não só se assiste a um recrudescimento do dogmatismo religioso nos países árabes, como pelo lado ocidental, se processou um arrefecimento das convicções religiosas ao longo dos últimos 3 séculos.
A unidade é necessária, agora mais do que nunca - o Irão não parou o seu programa nuclear e isto começa a asemelhar-se, para pior, com a invasão da Checoslováquia e a passividade europeia de então - para colocar um travão no crescimento exacerbado da utilização da religião, no recrutamento de um número cada vez maior de seguidores capazes de empreender o que para eles significa, de facto, uma guerra santa.
Bento XVI, em última instância, quis-nos dizer: evitem atropelos, evitem confrontos mas mantenham-se unidos.
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Na realidade de pouco valerá a uns quantos iluminados auto-designarem-se de laicos: para o mundo islâmico não são devotos a Maomé, então são infiéis.
E depois esta discussão não difere em nada dos famosos cartoons, ou como diria um amigo, do vinco das calças. Porque quando queremos discutir e verberar, tudo serve.

26.7.06

INFERNO II


















Leslie Worth Posted by Picasa

INACEITÁVEL !

É uma pena que em Portugal os factos, grandes ou pequenos, se saibam a conta-gotas, retirando-lhes dimensão de conjunto. É uma das situações em que a visão da floresta seria bem mais esclarecedora que a visão de cada uma das árvores per si.
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As dúvidas, contudo, mesmo que a conta-gotas, vão-se dissipando, mesmo para aqueles que teimam em não querer ver.
É já hoje difícil não perceber, ou melhor, não entender o porquê da laxidão que tem acompanhado a vida política nacional desde o longínquo ano (paradoxalmente cada vez mais próximo, na razão directa das funestas consequências que, em crescendo, se fazem sentir na vida económica e social do País) de 1974.
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É fácil perceber os silêncios pesados em relação a uma enormidade de matérias, transversal a todas as forças políticas e muitos órgãos de informação.
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É fácil proferir discursos de aperto de cinto, culpabilizar a despesa pública portuguesa (com todas as suas idiossincrasias, que a tornam muitíssimo rígida, o mesmo é dizer, de difícil redução), aumentar impostos, alterar cálculo de taxas e reduzir limites de rendimentos isentos de impostos a todos os que trabalham, no duro, dizendo-lhes, em simultâneo, que o estado-previdência está perto da falência e que dificilmente se poderão garantir pensões de reforma (na sua maioria miserentas), num espaço temporal de 15 a 20 anos.
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É uma pena verificarmos, depois, que de Norte a Sul dos partidos políticos, todos sem excepção, se têm norteado por políticas de compadrio que favorecem directa e descaradamente os seus membros. Todos nos admirámos - porque todas estas situações andam escondidas de há anos - da política de reformas do Banco de Portugal.
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Somos confrontados, agora, com a política de descontos da RDP, empresa pública, que gasta dinheiro público, ou seja, o nosso dinheiro.
E todos nos perguntamos: como é possível que alguém trabalhe 4 ou 5 meses numa entidade pública, seja requisitado para a Assembleia da República para exercer funções de deputado e continue a desfrutar de descontos mensais para a segurança social, como se estivesse no activo. Para que serve a figura da licença sem vencimento ? Não servia, bem sei. Na função pública tem um limite de dez anos.
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Podem dizer-me que a decisão é da entidade patronal, a RDP, ao que eu respondo: NÃO!
A decisão não pode ser da RDP porque esta utiliza dinheiros públicos, utiliza o meu dinheiro e o seu. Não é livre de fazer o que lhe aprouver. E se fosse uma entidade privada: poderia, ou seria aceitável ? Poder, podia. Mas não deixaria de ser caso de polícia, pelo menos até se apurar porque razão um deputado da Nação teria gozado de um tamanho privilégio por parte de uma empresa ou entidade privada.
Ficaria sempre a dúvida, que teria de ser esclarecida: teria havido algum tipo de favorecimento ?
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No caso da RDP o favorecimento é claro: é de índole política, dura desde o 25 de Abril de 1974 e pretende garantir, a este e todos os outros bandidos que se têm aproveitado, com desfaçatez, da promiscuidade entre os interesses pessoais e privados e a coisa pública, a independência financeira, uma velhice confortável e despreocupada. É pena fazerem-no à custa de todos os outros - muitos, mas muitos mais - que têm e terão velhices de miséria.
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E queria Alegre ser Presidente da República.
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Falta de vergonha têm muita, honra não têm nenhuma.
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E é ainda bom rapaz: cumpre a lei que limita a pensão a 1/3. Se não existisse a lei recebia a totalidade. Coisa que irá acontecer daqui a uns anos, em acumulação com a reforma de deputado e, porventura, outras mais, a menos que algo de bom aconteça neste País e as coisas se modifiquem.
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Podem começar por os enviar a todos de volta para Argel - os que lá estiveram e, todos os outros, que não tendo lá estado já fizeram por o merecer.

18.7.06

A repetição das supostas razões....

As palavras políticas mantêm-se inalteradas. Por um lado questiona-se a vontade de um Primeiro-Ministro (PM) em provocar uma vaga de fundo (como agora soi dizer-se) na política nacional, com a eterna dúvida se o partido a que pertence (PS) o permitirá: é a tal história dos dois PS´s.
Por outro lado, um Presidente da República que parece capaz de se entender com o Governo e o PM, salientando-se, neste preciso momento do discurso político, se não se tratará da única vontade de fazer dois mandatos, agindo então claramente no segundo (cínico e hipócrita), ao bom estilo soarista.

Este é o discurso que se repete há uns bons 24 anos.
Para os políticos e analistas políticos este é o discurso que serve às mil maravilhas: estamos no reino da conspiração, da vontade coertada, do querer mas não poder, da infinita capacidade de desculpabilizar, que atravessa a sociedade portuguesa.

Para todos nós, portugueses, a questão coloca-se noutro patamar: são ou não capazes de resolver os problemas que irão atravessar duas gerações de portugueses ?
Não importam as desculpas, os jogos de gabinetes ou, mesmo, as notas de pé de página da crítica política. Ou resolvem ou não, ponto!

Que ninguém procure desculpas.
Aquando de qualquer discussão sobre a capacidade política para fazer face aos desafios que se colocam, a dúvida, como em tudo mais na vida, constitui-se sempre em certeza, pelo que a atitude coerente a tomar, perante a dúvida (desculpa duvidosa) deverá ser, sempre, a de repudiar esta, afirmando claramente o descontentamento e contribuindo, decisivamente, para o desfazer da dúvida, ou noutras palavras, para a mudança.




















Malevich Posted by Picasa

17.7.06

Tertúlia

«Talvez que esse excesso de procura e consciencialização nos afastasse humanamente uns dos outros.

Literatos num sentido polemizante, ficava-nos pouco tempo para reparar no semelhante que vivia ao lado. E eu espantava-me de não ser capaz de encontrar entre aqueles companheiros de inconformismo e de ilusão um amigo, que me desse tanto gosto de ver de vez em quando como o Alvarenga.

Bons camaradas quase todos, tinham, contudo, os defeitos das próprias virtudes.

Intelectualizados da cabeça aos pés, mal tocavam a realidade. Eram platónicos no amor, teóricos no desporto, metafísicos no convívio. A convicção de serem únicos distanciava-os do vulgo, tornando-os incapazes dum contacto permanente com as forças rasteiras da natureza.»

Miguel Torga


Jasper Johns

Desafios ganhos nos últimos 32 anos ? Quais ?

O último grande desafio que Portugal venceu dista já 33 anos; a crise petrolífera de 1973.
Daí para cá perdeu todos os desafios que se colocou e, ademais, deixou passar outros tantos pelos quais nem lutou.

A (i)lógica sindical...

Quando os sindicatos incentivam, através dos delegados que os representam, os trabalhadores a agirem através de formas de luta lesivas dos seus interesses, podemos e devemos questionar o papel dos sindicatos e quais os verdadeiros interesses que os movem.

Se perante o encerramento eminente de uma fábrica, os sindicatos reagem levando a paralizações totais do processo produtivo pergunta-se: qual o objectivo em mente ?
Se o objectivo passa por chamar a atenção do patronato, então a acção desencadeia a ira e a redução das margens negociais e de boa vontade.
Se o objectivo é a retaliação, as posições estremam-se ainda mais, facilitando o fim do diálogo.

Para que a acção sindical pudesse ser positiva e merecedora de encómios, necessário se tornaria que os trabalhadores sindicalizados, mais do que tomada de consciência de classe, fossem capazes de discernir claramente entre conjuntura e os seus próprios interesses, tornando os delegados sindicais em correias transmissoras da vontade dos sindicalizados.
Assim não sendo, os sindicatos tranformam-se, com enorme facilidade, em órgãos de instrumentalização dos trabalhadores e os delegados nas suas consciências, deixando na mão de meia dúzia o destino de muitos milhares.

E, se um dia, os sindicatos de vários países constituirem pactos de entendimento, com redistribuição de riqueza entre eles, tornando-se em enormes máquinas de poder e decisão ?
Com saberemos, nesse dia, quais os interesses que estarão a ser defendidos ?
União ? União Europeia ? Porque não: União Para o Entendimento dos Sindicatos da União Europeia ? Estranho, sem dúvida, mas plausível, na lógica do enriquecimento de uns e da crescente pobreza dos outros; na lógica das conotações políticas, das famílias políticas, dos interesses políticos e projectos pessoais de poder.

Um dos amantes não presta, no leito da realidade nacional...

Quando analisamos a concentração do poder económico/financeiro no pós 25 de Abril, verificamos, sem surpresa, que aquele se encontra no sector composto pelos bancos e demais instituições financeiras e, igualmente, na mão de accionistas que já detinham esse poder antes do 25 de Abril.
A questão coloca-se, então, sómente ao nível político: o capital é o mesmo embora se "deite" com políticos diferentes.
O exercício político tem sido muito mal executado nos últimos 32 anos.
Se o capital, hoje, não serve os superiores interesses da Nação - especulação acima de quaisquer preocupações industriais - a culpa só poderá ser imputada aos políticos. É a classe política que demonstra incapacidade de condução do exercício económico, no sentido da necessidade nacional.
Quando a política não presta e está vendida, não se espere que o capitalista pense de forma generosa: o capitalista será sempre, no que ao capital e ao lucro diz respeito, muitíssimo egoista!

A falência das nações...

O dinheiro vem e vai. Hoje com menos, amanhã com mais, desde que haja condições e capacidade de criar riqueza.

A verdadeira falência de uma nação não se verifica ao nível da liquidez.
A falência de uma nação verifica-se ao nível do conhecimento.
Ao nível do conhecimento Portugal está falido!

11.7.06

Nova carreira, agora como técnico.....

Após o afastamento dos relvados (selecção e Real Madrid), Zinedine Zidane (Zizou para os mais chegados) anunciou querer recomeçar uma nova vida, agora como técnico.
Ainda esta tarde, num anúncio que teve tão de sensacional como de inesperado, o Aposento da Moita garantíu os serviços do novel técnico.

Aos forcados do Aposento e ao seu novo técnico desejamos todas as felicidades.

7.7.06