11.4.06

A propósito de terceira idade, velhice e quejandos....

A forma como aqueles que hoje têm 30, 40 e 50 anos se pronunciam a propósito de todos os outros que já ultrapassaram os 60 anos começa, verdadeirtamente, a incomodar, pela falta de respeito gritante de que se reveste. E eu ainda estou na casa dos 40, portanto àvontade para me pronunciar.
As últimas notícias sobre viagens em contra-mão nas auto-estradas, criou um surto de pânico que levou quase a considerar os condutores acima dos 70 anos como perigosos automobilistas, capazes das maiores atrocidades quando atrás dum volante e levianos nos seus comportamentos, para nãofalar do mais grave: acima dos setenta as capacidades mentais são altamente questionadas (tivemos um candidato presidencial que em nada abonou para a aferição das capacidades intelectuais dos cidadãos acima dos oitenta, mas, que eu saiba, a excepção é necessária para a confirmação da regra).
Curiosamente, as viagens em contra-mão começaram por ser efectuadas por gente bem nova, ávida de colocar em prática algumas aventuras escaldantes vividas únicamente na realidade virtual das consolas.
Só depois deste surto se começou a falar noutras faixas etárias. Duas questões se colocam: como estão construídas as auto-estradas? Será correcta a forma como são projectados os acessos às mesmas?
Igualmente se deve questionar: como é possível alguém viajar largos quilómetros, embater em vários carros e persistir no engano, a não ser que o faça por vontade própria? A estes recomendo, vivamente, a Ponte sobre o Tejo. Às outras questões talvez um sindicância à construção dos acessos e a rápida conclusão de obras de rectificação possivelmente necessárias, bem como a adopção de medidas técnicas e tecnológicas que impeçam a progressão da marcha a veículos em contra-mão.
Mas uma coisa peço que interiorizem: a idade nada tem a ver com estas e outras coisas que lhe são, temporalmente, imputáveis. A idade não se mede pelo BI; a idade mede-se pela dignidade intelectual, pelo raciocínio e pela compreensão da vida e dos outros, apanágios que, por norma só encontramos em quem por sorte de vida, já viveu o suficiente para compreender, melhor que nós, este mundo tão abstruso.

Silêncio Ensurdecedor...

Esta questão da Regionalização encapotada começa a tomar laivos de golpe de estado (porque é decisão tomada nas costas de todos nós, que somos o Estado). O silêncio sobre o assunto, após uma espalhafatosa abordagem pública, é claramente demonstrativo das intenções ruinosas que procedem às intenções enunciadas de dividir o País, ao arrepio do sufrágio efectuado e que demarcou, claramente, a distância entre a vontade política de alguns e o sentimento generalizado de todos os outros - NÓS!
No Expresso de 1 de Abril eram indicadas as posições de alguns políticos, todos credíveis no que à soberania do País diz respeito e, todos eles, contrários à reestruturação administrativa que, dizem os próprios e disse-o eu, não é mais que uma forma encapotada de efectuar a tão temida regionalização do Nosso Portugal.
Os políticos citados são Manuela Ferreira Leite, Marcelo R. de Sousa e Medina Carreira.
As posições defendidas são inequívocas e a pressão sobre o PR para a realização de um referendo antecipado sobre a regionalização um traço comum a todos eles. Quer-me parecer que o argumento esgrimido faz todo o sentido, num País que está por demais habituado àpolítica do facto consumado. Basta de factos consumados digo eu!
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Na mesma edição Miguel Sousa Tavares aventa opinião sobre o tema e, a propósito afirma: "Sou a favor da descentralização desde que os órgãos criados não sejam eleitos e, à excepção do Ambiente e do Ordenament, concordo com a desconcentração do Estado".
O argumento parece válido e a personalidade inscreve-se, indubitávelmente, entre os mais capazes da nossa praça, mas e há sempre um mas, é falacioso e não atende a outro interesse, dissonante da postura política defendida: o peso do poder económico e financeiro.
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Senão vejamos: se a receita gerada em cada região administrativa a criar fôr, como fará sentido, aplicada numa percentagem elevada em cada região, revertendo uma parte para o poder central, este facto aumentará a rivalidade entre regiões e poderá conduzir a uma maior competitividade entre elas, na procura de fixação de investimentos e de pessoas (contribuintes autárquicos). Pelo menos teóricamente será assim, mas igualmente em teoria, tal situação acarreta, invariávelmente uma redistribuição cada vez menos equitativa dos rendimentos gerados em território nacional, aumentando incomensurávelmente as assimetrias regionais.
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Um outro dado é certo e este não é teórico mas bem real: havendo dinheiros para gerir, gerados numa determinada área geográfica perfeitamente delimitada, só por ingenuidade se poderá pensar que as populações (seria escusado dizê-lo, mas para os mais distraídos cá fica: as populações manipuladas políticamente, entenda-se), mais cedo ou mais tarde exigirão a nomeação de governos locais (regionais) que façam uma aplicação dos rendimentos obtidos regionalmente, de forma independente do poder central.
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Já não estamos a falar de presidentes de câmara. Estamos a falar de presidentes de governos regionais e de assembleias com deputados eleitos regionalmente. Ou até nem parece que não conhecemos estas questões em nossa própriaa casa e, igualmente, na casa de outros que nos estão bem próximos.
É, assim, impossível pensar num modelo de regiões sem que um dia os órgãos de poder não sejam eleitos localmente.
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Vamos lá a refazer os raciocínios e a dizer de uma vez por todas: "não tive tempo de pensar no assunto nem tenho, sequer, obrigação de saber pronunciar-me sobre todos eles".

1.4.06

E o défice a crescer...e os meninos a pular

O défice continua a crescer!
Já o dissemos: este défice é mau, é manhoso. Porque é feito de despesismo; porque não gera riqueza. Porque o País está hipotecado com políticas de criação de emprego na (dis)função pública, primeiro no tempo de Cavaco através de recibos verdes e, depois, na legislatura de Guterres. Porque o País gera despesas enormes e crescentes, anualmente, com a aberração das SCUTS. Porque neste País existem reformas douradas que consomem fortunas ao Estado, em simultâneo com o pagamento dos mesmos serviços a outros intervenientes, duplicando o custo final de uma mesma função. Porque só se pensa em gastar em bens não-transacionáveis: betão e alcatrão.
Agora mesmo se discute a construção de um aeroporto quando se gastou dinheiro, recentemente, noutras pistas bem perto de Lisboa.
E que dizer da peregrina ideia do TGV ? O Alfa faz Lisboa-Porto a 100 km porque a linha não suporta velocidades perto dos 250 km/hora, possíveis de alcançar por aquela composição. Porque não obras na linha, muito mais baratas ? Porquê a insistência no TGV ? Creio que todos sabemos s resposta.
Mas não nos podemos esquecer que estes projectos miríficos irão onerar, e muito, as gerações vindouras e contribuirão, decisivamente, para o agravamento do défice não produtivo do País, o mesmo é dizer, contribuirão para a nossa crescente ruína.

O passeio de Freitas do Amaral às cataratas...

O que terá ido fazer Freitas ao Canadá ?
Acaso não poderia verificar em Portugal qual a legislação que regula a situação dos imigrantes ilegais naquele País ? Foi necessária a deslocação para constatar o óbvio ?
Mais um passeio, uns arremedos de estadista e uma oportunidade de aparecer nos jornais. Assim se vai fazendo a agenda política nacional!

30.3.06










Bob Brown Posted by Picasa

O conflito israelo-palestiniano...

Internacionalmete as coisas tão-pouco vão bem. A questão nuclear está em cima da mesa - Irão vs EUA, UE, ONU vs Rússia - bem como a melindrosa questão israelo-palestiniana. A este propósito à que lembrar estarmos, desde esta semana, num cenário tão curioso, quanto perverso e perigoso: enquanto a Nação judaica msotra, claramente, um enorme amadurecimento político e uma genuína vontade de mostrar simpatia para com os palestianos, dando-lhes o benefício da dúvida, esta radicaliza as suas opções, por contraponto, com a vitória do Hamas a relembrar, a todos, que há duas gerações que os homens a única coisa que sabem fazer é pegar em armas e, que gente assim, não quer largar as armas sem levar por diante os seus intentos inciais - a destruição de Israel. Mais que não seja porque não sabem fazer outra coisa, nem têm nada mais para fazer a não ser empunhar e, pior, disparar armas.

É o radicalismo vs a tolerância, numa confrontação que irá ultrapassar o conflito regional (EUA, UE, ONU, Rússia vs pró-palestinianos).





Shiiiiiiiiu.....eles estão a governar! (estarão ? )

Tempos dificeis, estes.
O País atravessa um período preto e branco.
Uma idiossincrasia de desgraça abate-se sobre duas gerações, ambas parte do poder e responsáveis pela história recente do País, pelo que pressentem ser um futuro muito pouco risonho para as gerações vindouras. Gastou-se tudo, mesmo tudo e agora nada resta. É uma corrida louca para tentar apaziguar os deuses, com promessas de modernismo, de competitividade, mas na realidade o tempo esgotou-se.
Na realidade demora-se cerca de 20 anos a formar uma pleíade de bons-pensadores, com um custo de cerca de 10 milhões de contos.
20 anos, estamos a falar de reflexos a partir de 2026, começando já. É tarde, dramáticamente tarde. A História não espera.

Falta a vontade para pintar de cores várias este País.
Procura-se evitar os temas políticos dando espaço de governação, fundamental neste período decisivo. Na realidade o actual executivo não ganhou as eleições com este programa de governo, mas também todos nós sabíamos que não havia outro caminho a seguir que não o da austeridade.
O problema coloca-se, contudo, quando os tiques despesistas e de novo-riquismo persistem.
Ao nível central, o poder autárquico insiste em investimentos suicidas como a OTA e o TGV. Ao nível local, o poder autárquico persiste nas despesas tontas e desnecessárias de construção de rotundas e outras obras quejandas, que em nada contribuem para uma verdadeira afectação de qualidade de vida às populações.
E é neste cenário que se volta a falar em criar 5 regiões administrativas e acabar com os Governadores Civis.
Volta, então, a discussão bem encapotada da divisão do País em regiões.
Sabendo que este é um tema quente, temo que ele se destine, exclusivamente, a desviar as atenções de outros temas muito mais importantes e decisivos, como os já referidos projectos da OTA e TGV.

Mas se assim não fôr, se existir uma vontade férrea de dividir o País, então o momento histórico não poderia ser mais errado do que este! Mas haverá um momento certo para dividir o Nosso País ? Claro que não, nunca! Mas este então não lembra ao diabo! Porquê?
Porque a divisão do País em 5 regiões mostra-se totalmente inadequada, no momento em que parece a todos claro que o governo socialista espanhol, através de uma política de concessão de autonomias, parece cavar a divisão de Espanha, destruindo o cimento aglutinador da monarquia e concedendo onde deveria ser intransigente. Coontudo e para nós, Portugueses, esta divisão até é proveitosa, porque nos coloca ao nível da dimensão dos mercados, como um dos maiores países da futura Península Ibérica, formada num futuro próximo por países\regiões vários.
Então, porque carga de água, num momento em que nos basta esperar - um claro caso de wait & see - queremos cavar a nossa própria desgraça, dividindo para uma mais que previsível luta de poderes, o nosso exíguo espaço Nacional ?

Se o tempo urge para umas coisas - redução da despesa pública não produtiva - e se nos falta para outras - formação de uma geração letrada, cultural e científicamente preparada ao nível matemático, económico e tecnológico - porque não deixar permanecer a única coisa que ainda nos poderá valer nos intrincados tempos que se aproximam - a unidade Nacional de quase 9 séculos!
Somos pobres, ponto. Não nos tirem a única riqueza de que dispomos: a Solidariedade Nacional!

13.3.06





















Bob Richardson Posted by Picasa

Tribunal Penal Internacional (TPI): a incoerência da existência; a legitimidade não reconhecida

A história de Milosevic está feita, mas ficará para sempre mal contada.
Quatro anos de julgamento, uma imensa dificuldade de casar as orientações de cúpula com as acções no terreno, centenas de milhares à espera de uma acusação e outros, pelo menos os mesmos em número, esperando a absolvição. Tudo isto numa região perigosa na Europa e para a Europa!

Das ilações possíveis de retirar no momento ressalta uma: a ineficácia do TPI e, mais ainda, a sua legitimidade e real relevância para conduzir processos de julgamento que não colham cobertura junto da maioria dos países com assento na ONU e, principalmente, junto das grandes potências mundiais. E ainda uma grande questão: a de julgar a nível internacional questões que exigem julgamentos locais/regionais. Há que ter em conta a dimensão do problema para que se possa aplicar o julgamento dos homens de forma cuidada e por todos aceite como justa e legítima.
Perguntem-se: alguma vez os EUA aceitarão que um qualquer TPI julgue Bin Laden se e quando este fôr apanhado? É claro para todos que não! A justiça e sua aplicação cabe por inteiro aos americanos.

Já ouvi comparações com Nuremberga, no tempo decorrido entre o início e o fim do julgamento, bem como no elevado número de acusações de que era alvo Milosevic para justificarem o que nãotem justificação.
A questão não é de eficácia ou ausência dela. É mesmo uma questão de importância, relevância e legitimidade do próprio TPI.

Só existe uma solução possível: extinguir o TPI.

a palavra interdita dos leitores

A Europa Unida
Jamais será Parida
(a propósito do post "Esta Europa Unida")

Com mais ou menos Cosmética ela vai aparecer mais tarde ou mais cedo.
Mas a questão não é pacífica a nivel geral, o que significará alguns anos de discussão e no entretanto vamos-nos aproveitando dessa pingadeira!
Nada como estar sempre na primeira linha de Mão Estendida!
( post "Lá vem ela, outra vez...)

Verdade!
Até nutro uma certa simpatia pelo Presidente da Camara de Sintra... mas quanto julgo ter percebido recebeu uma comenda por Deferência ou Amizade, ou qualquer coisa do género.
Nunca imaginei que tal fosse possível!!!
(post "E pronto, tomou posse")

António Stein

9.3.06

Outros mundos...

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Esta Europa unida....

Na recepção de Mourinho, em Barcelona:
"Hijo de puta és
ese portugués"

Nada como este sentimento profundo de nacionalismo europeu, de povos irmãos unidos por desígnios comuns. Nada como estas lufadas frescas de construção efectiva da História recente dos povos da Europa unida.

Lá vem ela, outra vez....

Tinhamos de começar a bater. Que remédio. Logo na primeira oportunidade futuro (presente) PR e presente PM falaram em uníssono da oportunidade de recuperar a Constituição Europeia, noutros moldes, com algumas correcções, claro, não fosse a malta pensar que era a mesma.
São dois europeístas convictos, na exacta medida de Durão Barroso. Dali, de Bruxelas pinga sempre alguma coisa e, com sorte, pode sair o jackpot a um dos dois, ou mesmo aos dois. Toca então a voltar ao tema.
Nada como estar na linha da frente da imbecilidade europeia.

E pronto, tomou posse

E na primeira oportunidade condecorou Sampaio. Eu sei, é assim mesmo; faz parte. E também, depois de Sampaio ter distinguido tanta gente com condecorações a torto e a direito, mais uma menos uma já não importa. Aliás, as condecorações com a Ordem da Liberdade efectuadas neste País libertam qualquer Bom Português da vaidade de ter uma, tal o rol de inscritos já agraciados., perfeitamente tenebroso. Depois, as comendas já perderam toda a importância e nem sequer deixaram que lhes restasse o charme, igualmente pela enormidade de atribuições efectuadas (aliás, a este respeito, as comendas funcionaram para atribuir um grau - o de comendador - a quem, e foram muitos, contribuindo para proveitos pessoais e partidários (quando são oferecidas avultadas verbas a aparelhos partidários, por razões várias que pouco importam escalpelizar agora, alguém fica a saber ao certo de quanto foi a contribuição inicial? Sabe-se quanto entrou no saco azull do partido e nada mais), dizia, foram atribuídas para colmatar junto de alguns - muitos infelizmente - a ausência de títulos académicos, porque não esqueçamos, estamos num País de engenheiros e doutores e, depois de Abril, também de comendadores.

7.2.06

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A política errática de Zapatero...

Zapatero percebeu, por um lado, que a dimensão de Espanha se fará através da crescente capacidade de intervenção eonómica na América Central e do Sul e por outro da necessidade de conceder o poder económico a gigantes autonomizados do poder político, numa óptica concentracionista europeia muito cara a Bruxelas. Mas Zapatero é igualmente anti-monárquico e de formação comunista, vendo assim, com bons olhos, a divisão em regiões de Espanha como forma de diminuir o peso aglutinador do Rei. Mas ao fazê-lo, Zapatero está a criar condições para fomentar a desigualdade já existente entre regiões, aumentando a pobreza de umas por contraponto com o aumento de riqueza de outras. A política é suicidária, porque não colhe a lógica subjacente à aproximação dos países hispânicos praticada pela diplomacia espanhola, bem como deixa a descoberto do poder político o grande poder económico. Em suma, um saco de gatos.
Portugal pode, contudo, tirar proveitos desta política arrevezada e dissonante, assim saiba esperar pacientemente pelos desenvolvimentos políticos e sentimentos regionalistas contraditórios que irão eclodir aqui mesmo ao lado.

Postado, aqui, em 26 de Setembro de 2005

Porque razão se tecem loas, tantas e tão diversas, a um leque de gestores de empresas nacionais participadas pelo Estado (não inclúo aqui o CEO da TAP que tem feito, indiscutivelmente, um bom trabalho) e depois verificamos que todas elas, as empresas participadas pelo Estado, são opáveis (sujeitas a OPAS hostis), começando pela PT, a mais opável de todas? E se a PT cai em mãos espanholas? E a EDP? E a GALP? Porque razão foram todas elas geridas na óptica dos accionistas e nunca na óptica dos interesses nacionais? A resposta é simples e a pergunta de retórica: por interesses claros dos accionistas privados e por interesses calados dos gestores das comissões executivas!
Se a Telefónica não estiver nas costas do Santander....
Se a France Telecom não estiver nas costas da Sonae, então a OPA não é hostil.
Não é indiferente a PT cair em mãos nacionais ou estrangeiras, sendo certo que o seu destino será cair nas mãos de alguém. Assim sendo, que seja em mãos nacionais.

A loucura dos Cartoons...

"A liberdade religiosa compreende o direito de ter ou não ter religião e, tendo religião, o direito de ver respeitados os símbolos fundamentais da religião que se professa", sublinha o ministro. “Para os muçulmanos, um dos principais símbolos é a figura do Profeta Maomé".
Freitas do Amaral expressou assim a opinião do executivo sobre a polémica dos cartoons.
A afirmação é válida para os muçulmanos, como o é para os católicos. Existem contudo diferenças que residem, essencialmente, no petróleo e na atitude passiva e de agachamento da cultura ocidental perante o mundo muçulmano.
De acordo com o políticamente correcto, a hipocrisia subjacente à atitude de criticar desenhos caricaturando símbolos religiosos esgota-se em Maomé. Quando o Papa JP II foi caricaturado com um preservativo no nariz não veio qualquer mal ao mundo. No entanto o Papa é o vigário de Cristo; caricaturando o Papa caricatura-se Cristo. Onde reside, nessa altura, o direito dos católicos verem os seus símbolos fundamentais respeitados, à luz da afirmação proferida e do conjunto de atitudes, um pouco por todo o lado, que emergem em críticas ao suposto despudor dos desenhos?
Desde quando é crível aceitar a impossibilidade de glosar um tema, numa sociedade aberta e livre, ainda mais quando o tema em crítica é actual e utiliza simbolismos fácilmente perceptíveis por todos?
Da mesma forma que se aceita que se critique a posição da igreja católica a propósito da utilização de contraceptivos, utilizando para o efeito imagens marcantes e bem direccionadas para a mensagem que se pretende passar, independentemente de se discordar da utilização da imagem do Papa para o efeito. Pode criticar-se a posição, ser a favor ou contra, mas não se pode querer coertar o direito de insurgimento, através de palavras ou imagens, daqueles que discordam de uma determinada posição da igreja.
As regras têm de ser iguais em todas as circunstâncias e, em nenhuma delas, se pode confundir a parte com o todo. A posição assumida pelos cartonistas não passa disso mesmo: uma posição assumida por um grupo restrito de pessoas, que através de um conjunto de imagens pretendem criar um impacto crítico forte e visível na sociedade. A liberdade de publicação é isso mesmo: liberdade. Concordar ou discordar compete-nos a nós, dentro do espírito crítico que desenvolvemos consoante o balizamento da liberdade de que gozamos ou usufruímos. Daí, também, a nossa não reacção a provocações de grupos mais ou menos minoritários ou a contestacões levadas a cabo por grupos de pressão que coloquem em causa valores que consideramos como nossos. Porque aprendemos o sentido da liberdade e sabemos destrinçar o essencial do acessório.

1.2.06

A propósito do post "Debater sem Nexo"

Numa sociedade culta e consciente, admita que o assunto possa ser debatido publicamente.
Aliás, diria mais. Admito com grande convicção que um tema desta natureza a sociedade deva intervir para a sua solução e a referendar soluções credíveis a apresentar pelos seus executivos e parlamentos.
Infelizmente este tema em Portugal tem sido abordado sempre em cima do joelho. Uns dizem, outros desdizem. Basta recuar duas semanas para perceber quanto confusa anda esta gente da governação!
Sabia-se que mais tarde ou mais cedo, viríamos a ser confrontados com a Débil situação do Sistema de Segurança Nacional com a gravidade de hoje.A sua doença era conhecida, só que os médicos eram todos do foro psiquiátrico, quando o seu problema era do foro gastrointestinal.
Estou de Acordo com o Autor deste texto, em todo o seu conteúdo!
Os últimos três parágrafos, são bem claros, quanto à inoportunidade deste debate.Sem dúvida que a matéria é grave e há que tomar medidas urgentes, mas dentro de portas!