13.12.05

Cenários Presidenciais

As sondagens apontam para números que decidem as eleições na primeira volta.
Cavaco Silva surge com perto de 60% das intenções de voto, ordenando-se os restantes candidatos dos 20% para baixo, destacando-se o segundo lugar alcançável por Alegre.

Este é o cenário espectável atendendo às sondagens e igualmente desejado por muitos, até porque seria histórico que um candidato apoiado pelo centro-direita ganhasse as eleições na segunda volta.
Contudo, alguns ses podem ser levantados e algumas dúvidas colocadas. Primeiro indagar se a massa votante PSD/CDS vota, toda ela, em Cavaco Silva. Não creio. Cavaco está intímamente ligado às infraestruturas viárias e ao crescimento desmesurado da grande distribuição. Cavaco aproximou Lisboa de Madrid e Barcelona, retirando sentido a centros de decisão que se mantinham em Portugal por dificuldades de ligação rápida entre Portugal e Espanha e não por questões de mercado. Com o advento da grande distribuição - as modernas catedrais de consumo - Cavaco criou ricos mas não gerou riqueza, contribuindo decisivamente para a face terceiro-mundista que o País actual apresenta. E há muitos que não esquecem nem perdoam esta gestão governativa.
Depois há que considerar a posição a assumir por Jerónimo e Louçã. Tenho para mim que Jerónimo só irá a votos se Louçã for até final. Porque Jerónimo sabe que terá mais votos que Louçã e porque não pode deixar o Bloco concorrer sózinho, sem a oposição comunista. Jerónimo sabe que o Bloco é um saco de gatos, uma moda - como tal passageira - que enquanto durar poderá roubar votos ao PCP, junto das camadas jovens, onde os comunistas estão mais carenciados. Por isso Jerónimo vai até onde for Louçã.
Louçã não pode (ou não deve) políticamente ir até ao fim. Os votos de Louçã não são os votos do Bloco, são menos, bastante menos e uma votação menor em Louçã mostrará o que Louçã não quer - que o Bloco é uma coisa e que Louçã é só uma parte do Bloco - que existem blocos no Bloco.
Se o Bloco for a votos, os comunistas também irão e Cavaco ganha à primeira.
Se Louçã não for a votos (impondo-se no interior do BE), Jerónimo também não necessita de ir a votos. Nesta situação os comunistas poderão dar liberdade de voto aos militantes e simpatizantes ou dar indicação de voto em Alegre. Louçã, a desistir (se o BE deixar), colará a sua imagem a Alegre, aproveitando a tendência das sondagens que dão este à frente de Soares, tentando capitalizar no provável precioso apoio do Bloco para uma eventual passagem de Alegre à segunda volta.
Se Cavaco correr contra Soares e Alegre (sem Jerónimo e Louçã) a probabilidade de não ganhar à primeira volta é elevada. Há que considerar, contudo, a relativa importância que os comunistas possam atribuir a uma vitória à esquerda ou à direita, perante a possibilidade de o seu líder se apresentar a escrutínio, com ou sem Louçã. O risco de serem crucificados pela esquerda é nulo, perante a divisão de candidaturas no seio do PS, partido da esquerda com maiores responsabilidades.
Se Cavaco não ganhar de caras irá ter como oponente Alegre. E a história reza assim: o candidato de esquerda ganha.
Depois há também a possibilidade do voto em Alegre com dois fins: primeiro ridicularizar Soares; segundo baralhar em definitivo a 3ª República e acelerar a sua queda. O voto assim não é um voto claramente democrático, mas a acontecer virá de sectores que Cavaco assume como seus.
Cavaco não serve ao País actual. É um europeísta convicto e um monetarista confesso.
Dentre os restantes dois candidatos melhor (?) posicionados venha o diabo e escolha: o grupo de Argel ou o grupo de Paris. Em qualquer dos casos dissidentes comunistas.
A escolha mostra-se fácil, para qualquer dos lados e respectivas motivações. As repercurssões serão bem mais difíceis de digerir.

7.12.05

O Sistema Está Gasto...

A ruptura no sistema é inevitável. Mesmo decorrendo de forma parcimoniosa, suave, gradativa e tantas vezes quase imperceptível. Porque as revoluções podem vir a assumir contornos radicais sem que tenham brotado de processos revolucionários, no sentido dado por Kant.
Constituindo-se a política numa esfera de influência inteligível ao nível da moral é, por obrigação mais do que por definição, uma relação entre governantes e governados, entre quem tem a obrigação de dirigir e quem tem de se submeter às decisões.
É claro que num regime político democrático esta relação tácitamente aceite se baseia em princípios antigos, do bom e do mau governo (da boa ou da má moeda), da conquista do poder e da forma como ele é exercido, da separação entre o poder político e o poder judicial, de quais os poderes que lhes são atribuídos, como se distinguem e interagem, como surgem as leis e como se procede no sentido do seu cabal cumprimento.
Do indivíduo singular não se ouve falar em direitos, senão circunstancialmente, mas acima de tudo de deveres - obediência às leis, transparência fiscal, comportamento cívico e moral.
Esta será a leitura do ângulo dos governantes, mas é possível fazer idêntica leitura do ângulo dos governados. Quando deixamos de considerar estes como um grupo coeso, de princípios morais comuns, regidos pela face dos deveres, e os consideramos como o somatório de vontades individuais, olhadoa à face dos direitos, percebemos que estamos a falar da mesma moeda, mas também de uma inflexão no registo político aceite, de uma revolução radical nas ideias, dogmas e preceitos comummente aceites.
Quando, individualmente, cada cidadão dá como bom o princípio de que em termos políticos já não existem diferenças; quando a análise a candidaturas políticas individuais é feita com total indiferença pelas personalidades em confronto, na convicção de que são todas iguais; quando esta indiferença nasce da certeza que o poder da mudança não reside nas vontades políticas partidária ou pessoais; quando, finalmente, nos damos conta de que esta interiorização individual da potência política é o sentimento generalizado do colectivo, assistimos, em definitivo, a uma mudança na face da moeda, a uma concepção lockiana onde os direitos naturais são a resultante de uma concepção individualista da sociedade, da essênciaa do Estado e que este é e representa o colectivo.
E representa bem ou mal, com a diferença de que o colectivo, somatório das percepções individuais, agora se dá conta e exige explicações para a boa ou má governação.
Se os candidatos políticos, individualmente considerados, não conseguem transmitir qualquer sentido ou objectivo político à acção governativa, eles próprios, não intencionalmente, subscrevem a tese de que a política nada tem a acrescentar no formato actual e que, enquanto cidadãos individualizados, se debatem com o mesmo problema e dilema dos demais indivíduos - como aceitar (ou impor) tantos deveres, sem sentir (garantir) a existência de direitos.
O Sistema está gasto.

2.11.05


















Gilioli
Disseste: o sol nasceu.
Foi verdadeiramente então que o sol nasceu
e que nos habituámos todos a dizer
que o sol nasceu.
Às vezes pensamos que acontece várias vezes
mas é uma ilusão de óptica que não nos deixa ver
o grande círculo azul em cujo centro
tu dizes eternamente: o sol nasceu.

Pedro Támen

De volta...

Tese entregue, a actividade volta à normalidade.
Estas coisas são sempre assim: uma enorme pressão, durante três anos, nalguns casos a trabalhar 24 horas por dia mais a noite e, depois, com o aproximar da data de entrega mau feitio e ansiedade, não porque o trabalho não esteja feito, mas sim pela vontade de, ao rever textos, acrescentar mais um ponto, e outro, e ainda outro. Ao fim e ao cabo o que leva, em primeira instância, a entrar num desafio de investigação: acrescentar algo mais ao que já foi dito.
É então necessário saber parar, dizer "chega, agora já está, saltemos para o fine tunning".
Depois é rápido: dois dias de fine tunning, mordidos até de madrugada, muito cansaço, mas a recompensa final de um trabalho que se crê de qualidade.
Portanto, até já.... o blog segue dentro de momentos

24.10.05

E onde pára a informação oficial ? E o PM?

Atentei nas reportagens efectuadas ontem e hoje, na RTP1, sobre a proibição da venda de aves vivas. Verifiquei como foi colocada a questão, as respostas obtidas e a própria intervenção das autoridades.
Verifico, igualmente, os muitos comentários efectuados, principalmente na blogosfera, mas antevejo que na comunicação social não será muito diferente.
A crítica incide, sempre, sobre a impreparação, incultura e tendência para o não cumprimento das normas e leis vigentes, que o nosso Povo parece praticar com toda a naturalidade.
Mas pergunto-me eu, e pergunto-vos a todos: será que, porque um canal de televisão anuncia que foi aprovado em Conselho de Ministros um determinado diploma, que esse anúncio deverá fazer fé? Onde param, então, as entidades oficiais competentes? Compete agoras às televisões anunciar e à população acatar o que a TV lhes transmite?
Onde está o Sr. Primeiro-Ministro, a quem cabe anunciar uma medida necessária ao nível da saúde pública e, igualmente, lesiva de interesses económicos? Não será ao Sr. PM que competirá ir à televisão e anunciar ao País as medidas que são absolutamente necessárias, que não se compadecem de publicação oficial, e que justificam pelo seu impacto, ao nível de muitos milhares de pequenas economias, a necessidade de as tomar? E quais as medidas em marcha para minorar os prejuízos económicos resultantes?
Porventura, alguém em seu juízo perfeito, pensará que a maioria dos portugueses não cuida da saúde dos demais?
As coisas só precisam de ser explicadas, com o ênfase necessário que a gravidade da situação requer. E esse ênfase só o PM o poderá transmitir em toda a sua força.
Agora, pretender que a televisão passou a ser um órgão de informação oficial do Estado, é surrealista.
Pretender que todos nós passemos a cumprir determinado preceito só porque foi anunciado na televisão é surrealismo.
Como é surrealista sabermos que, só agora, os animais que entram em Portugal estão sujeitos a quarentena, quando em qualquer país civilizado essa medida já vigora há décadas.

Citando Orson Welles

"Today I believe that man cannot escape his destiny to create whatever it is we make - jazz, a wooden spoon, or graffiti on the wall. All of these are expressions of man's creativity, proof that man has not yet been destroyed by technology. But are we making things for the people of our epoch or repeating what has been done before?
And finally, is the question itself important? We must ask ourselves that.
The most important thing is always to doubt the importance of the question."

















Antoine Bouvard Posted by Picasa

Perdigão perdeu a pena

Perdigão perdeu a pena
Não há mal que lhe não venha.

Perdigão que o pensamento
Subiu a um alto lugar,
Perde a pena do voar,
Ganha a pena do tormento.
Não tem no ar nem no vento
Asas com que se sustenha:
Não há mal que lhe não venha.

Quis voar a u~a alta torre,
Mas achou-se desasado;
E, vendo-se depenado,
De puro penado morre.
Se a queixumes se socorre,
Lança no fogo mais lenha:
Não há mal que lhe não venha.

Luís de Camões

23.10.05
























Alex Katz Posted by Picasa

As frouxas e irrelevantes presidenciais que se aproximam

As eleições presidenciais têm servido para premiar (o quê já lá vamos) os serviços (não importa se bons se maus) políticos prestados ao País. O presidente eleito é-o, não pela relevância da personalidade e sua importância política, mas pelo que fez (ou não fez; ou desfez) no passado.
É um prémio de carreira com reforma dourada.

Ramalho Eanes foi-o, supostamente pela importância no 25 de Novembro, substituindo-se na importância da operacionalidade militar naquele dia a Jaime Neves e, também porque ele próprio, Eanes, apadrinhou o documento dos nove, cuja face foi Melo Antunes, documento que servíu para salvar mais do que a face do PCP. Foi presidente sem merecer. Nada fez emquanto foi presidente.

Mário Soares foi presidente por ser a face da democracia portuguesa, por ter sido Primeiro -Ministro. A face da democracia, o antifascista, que viveu no exílio dourado, em Paris, financiado pelas posses de família, bem como por grupos económicos nacionais que estavam, e estão hoje, operacionais em Portugal. Exílio de champanhe e caviar, de um dissidente do PCP, cuja ambição política o levou a fundar um partido, sem espaço que estava no interior do PCP pela personalidade de Cunhal e pelos tiques burgueses que ostentava, insustentáveis e insuportáveis no interiro de um partido como o PCP.

Jorge Sampaio foi presidente por ter sido presidente da CM de Lisboa, líder do PS, mas sobretudo por ter sido um contestatário em 1968, identificado pela polícia política e ter, posteriormente, a sorte dos tempos do seu lado: estar no sítio certo , na hora certa, num partido sem saídas políticas para o desempenho do lugar como ainda hoje continua a não as ter (Soares aparece hoje, não podia aparecer há dez anos, porque tinha acabado de cumprir outros dez na mesma função).

Hoje temos Cavaco Silva e Soares que não trazem nada de novo. Temos a mesma história: Cavaco quer ser premiado por oito anos de governação, pela sua vaidade e também porque a Maria quer ser a primeira dama, e assumir um lugar que é uma aspiração antiga; Soares quer ser presidente por vaidade, falta de discernimento e ausência de soluções no PS.
Mas nada muda. Tudo é e ficará igual.
Todos eles contribuíram para o estado calamitoso em que Portugal se encontra. Nenhum deles se pode descartar de responsabilidades, porque activamente contribuíram para a tomada de decisões que a médio prazo se mostram dramáticas e a longo prazo se msotrarão catastróficas.

Nenhum deles serve. Nem qualquer dos outros candidatos.

Estas eleições presidenciais vão ser uma desilusão para o eleitor. Ou não vota, ou vota nulo ou no mal menor.

Gostava de ter visto um militar a concorrer às eleições. Gostava de assistir aos debates, às discussões públicas, aos conteúdos políticos de um lado e o conteúdo operacional do outro, na análise da situação actual e perspectivas futuras do País.
Gostava de ter um candidato mais à direita, com outro discurso, do que aqueles que se apresentam com discursos idênticos, disputando o mesmo espectro político.
Estas eleições não mobilizam nem intelectual nem políticamente. Só mesmo quem ainda viva as cores partidárias, como aqueles que vivem as cores dos clubes de futebol sem saberem porquê, se irão interessar pelas eleições; mas são poucos, muito poucos para galvanizarem.
E no fim, isso posso garantir-vos, todos perdemos (como sempre), ganhe quem ganhar.

22.10.05































Eric de Vree
 Posted by Picasa

As Palavras Interditas dos Leitores

E quem disse que a tabuleta do Aplauso não estava lá?
A do Espanto andamos nós com ela!
(a propósito de Equívocos Presidenciais)

Distribuem o que não têm e a factura está aí!
Quem a vai Pagar?
Eu,Tu,Nós, Vós...Ele e Eles nunca!
(a propósito de Uma razão fundamental para não ser de esquerda)

Muito complicado, extraordinariamente complexo.
Não vejo a Família Política a levantar-se da poltrona.
Porventura alguns até medo terão de um simples movimento, não vá cair-lhes o Céu em cima!

Uma viagem de 30 anos sem sentido e repleta de imoralidade, é e será
Uma herança que perdurará Infelizmente.
Quanto tempo não sei. Uma, duas, três gerações?
Sou um Sonhador, mas cada vez mais me convenço, que o meu Portugal
Precisa de um Abanão…Um Bom Abanão!
Desde a Justiça, à Saúde, à Educação, etc, etc, etc.
Tudo é Mau, demasiadamente
Mau para ser Verdade. Mas é a Verdade!
Quero um Portugal Justo e Solidário.

Deixem-me Sonhar!
(a propósito de Questões de miséria e a solução na Mão...)

António Stein

21.10.05

COISAS SIMPLES...

















Jeanloup Sieff

Equívocos presidenciais (já useiros e vezeiros)

O Presidente da República em Bruxelas, perante a comunidade emigrante, no final da intervenção discursiva canta o Hino Nacional.
Nas imagens televisivas parece cantar com muito pouco fervor, por comparação com emigrantes que sustinham a custo as lágrimas. Mas no final, perante o aplauso geral que sempre se segue, foi de levar às lágrimas: então não é que o Presidente (já sabem que não posso dizer nossso, porque não é meu) em vez de acompanhar os aplausos, estica os braços para a multidão e agradece efusivamente? Isto mesmo passou nas imagens televisivas, na RTP1.

Senhor Presidente, só não se aplaude quando nos estão a aplaudir a nós. Neste caso tratava-se da República, não do senhor. Tenha tino. Ainda um dia o hei-de vernecessitar de um daqueles senhores que nos concursos ou sitcoms andam de braços esticados, empunhando tabuletas: APLAUSO; RISO; ESPANTO....

Uma razão fundamental para não ser de esquerda....

A esquerda primeiro distribui e, só depois, se preocupa em criar riqueza.

20.10.05

Questões de miséria e a Solução na Mão...

A miséria real deste País (merecer-me-á sempre a maiúscula, muito embora, muita gente teime em retirar a importância à palavra e, fundamentalmente ao sentido, como ainda hoje constatámos, com a troca de palavras, umas inseridas no anúncio da candidatura de ACS, e as outras na reacção de MA, a propósito dos propósitos constitucionais - quando é que o País consegue romper, em definitivo, com as suas próprias amarras?) vai muito para além dos 20% anunciados esta semana.
Vai muito para além do espanto do Ministro do Trabalho e Solidariedade Social e do Ministro da Economia.
A miséria em Portugal passa os limites do sustentável, e já não só ao nível social, mas sobretudo ao nível moral. Ser rico, falar como rico, comportar-se como rico e assumir postura de rico é exercício fácil. Ser pobre, viver com as dificuldades de uma existência programada ao cêntimo e, ainda assim distribuir, é que é um exercício difícil. Na faixa, cada vez mais larga, de população afectada pela miséria extrema, ainda é a solidariedade pessoal que vai minorando o sofrimento de todos, muitas das vezes feita através da redução de um já parco sustento, para dar a quem nada tem. Para estes, qualquer coisa é muito.
E a miséria é, ela própria envergonhada. E as instituições jogam com esta vergonha. Todas as classes profissionais fazem ouvir a sua voz, se manifestam e apregoam desigualdades. Os pobres não se ouvem, são uma grande maioria silenciosa, circunscritos a um canto da sua própria existência, sofrendo na alma a agrura da indigência, e perguntando-se, com inteira razão: porquê!?!
A resposta é difícil de articular, porque é muito complexa. É possível, mas difícil, repito.
Mais ainda quando as investigações sobre corrupção, branqueamento de capitais e fuga ao fisco chegam a algumas das instituições financeiras do País. Felizmente não todas, mas as suficientes para nos preocupar e nos fazer meditar sobre as reais preocupações que têm presidido ao quotidiano nacional nos últimos trinta anos. A questão já não é só política. A questão deixa mesmo de se revestir de carácter político. A questão é mais profunda. O problema é nacional.
A dúvida instala-se na mente: a polítca nacional está repleta de medíocres (não todos felizmente, que há gente aproveitável), não porque os aparelhos partidários sejam máquinas de produzir imbecis, mas porque estes procuram os aparelhos partidários para aí se acoitarem, incapazes que são de se integrarem num contexto externo à política, muito mais sofisticado e - neste caso específico, sofisticação significa complexidade e não desconhecimento como geralmente acontece - muito mais exigente.
São mesmo empurrados para a política, por agentes externos, servindo de peões de movimentações muito mais intrincadas, mix de interesses particulares fulanizados e interesses nacionais malbaratados.
Os pobres são-no cada vez mais, em número e circunstância. Os ricos são cada vez mais ricos. O País, eivado de dificuldades, ferido de morte no crescimento económico, víu florescerem ricos, enquanto se afundava na pobreza.
A responsabilidade partidária, enquanto conjunção de pensamento e acção política, reside na vaidade do homem político, na incapacidade que este tem de se despojar do estatuto, de assumir riscos, de romper com o passado.
Que este homus politicus fosse capaz de deixar as convicções políticas que perfilhou (os políticos sérios e não os de pacotilha), ultrapassadas entretanto pelos acontecimentos económicos mundiais, congregando-se numa força inteligente de homens bons e de bons costumes, adaptada e flexível aos novos tempos e desafios, e que uma vez abandonada a militância político/partidária actual (envergonhada nos mais capazes), se centrassem num pensamento: Portugal, acima de tudo Portugal.
Que se questionem porque razão alguns terão direito a assistência médica cuidada e acesso à educação e outros, tantos, mas tantos, nem acesso a uma sopa têm, se não a esmolarem. Não me falem em exclusão social, não me falem em pensões e reformas mínimas, se o discurso e vontade política por aí se ficar. Há que tratar de todas estas situações de verdadeira injustiça, mas acima de tudo há que assumir o estatuto de Homem, livre, pensador mas, acima de tudo e todos, empreendedor, construtor e edificador de linhas rectas, capaz de afastar o bruto e se centrar na sabedoria, contribuindo, não já neste tempo certamente, para uma verdadeira distribuição equitativa da riqueza, tempo em que o homem mostrará respeito por si próprio e pelos demais.
Que esses homens e mulheres se desliguem de aparelhos partidários, nos quais se não reconhecem mais. Que esses homens e mulheres capazes se juntem, em harmonia, num sentido profundamente nacional, para em definitivo se empurrar Portugal, fazendo-o sair do limbo onde se encontra. Que emprestem toda a sua capacidade, inteligência e mediatismo, que o País lhes concedeu, a esse mesmo País. Que paguem esse tributo. Que segreguem políticamente quem sabem não servir, não prestar para Portugal e, com todos os outros Homens de bem, construam um outro Portugal.
A factura do 25 de Abril é demasiado elevada e a população não tem como cobrir o valor.

12.10.05

PARIS
























La Passage du Desir

UOMO Gucci

DONNA Gucci


















Gardea

O ANJO CAÍDO

Era um anjo de Deus
que se perdera dos Céus
E terra a terra voava.
A seta que lhe acertava
Partira de arco traidor,
Porque as penas que levava
Não eram penas de amor.

O anjo caiu ferido,
E se viu aos pés rendido
Do tirano caçador.
De asa morta e sem 'splendor
O triste, peregrinando
Por estes vales de Dor,
Andou gemendo e chorando.

Vi-o eu, o anjo dos Cés,
O abandonado de Deus,
Vi-o, nessa tropelia
Que o mundo chama alegria,
Vi-o a taça do prazer
Pôr ao lábio que tremia...
E só lágrimas beber.

Ninguém mais na Terra o vi-a,
Era eu só que o conhecia...
Eu que já não posso amar!
Quem no havia de salvar?
Eu que numa sepultura
Me fora vivo enterrar?
Loucura! ai, cega loucura!

Mas entre os anjos dos Céus
Faltava um anjo ao seu Deus;
E remi-lo e resgatá-lo
Daquela infâmia salvá-lo
Só força de amor podia.
Quem desse amor há-de amá-lo,
Se ninguém o conhecia?

Eu só. - E eu morto, eu descrido,
Eu tive o arrojo atrevido
De amar um anjo sem luz.
Cravei-a eu nessa cruz
Minha alma que renascia,
Que toda em sua alma pus.
E o meu ser se dividia,

Porque ela outra alma não tinha,
Outra alma senão a minha...
Tarde, ai!, ai tarde o conheci,
Porque eu o meu ser perdi,
E ele à vida não volveu...
Mas da morte que eu morri
Também o infeliz morreu.

Almeida Garrett

10.10.05


Bom Dia.....
e finalmente a chuva!

















Gustave Caillebott

Gato Que Brincas Na Rua

Gato que brincas na rua
Como se fosse na cama,
Invejo a sorte que é tua
Porque nem sorte se chama.

Bom servo das leis fatais
Que regem pedras e gentes,
Que tens instintos gerais
E sentes só o que sentes.

És feliz porque és assim,
Todo o nada que és é teu.
Eu vejo-me e estou sem mim,
Conheço-me e não sou eu.

Fernando Pessoa

9.10.05

POSTURA ÉTICA, POLÍTICA E MORAL RECOMPENSADA

De uma maneira geral, os candidatos apoiados pelo PSD terão beneficiado de um efeito de reconhecimento de seriedade e lisura política na actuação do líder do PSD, Marques Mendes, no comportamento assumido perante as candidaturas de Isaltino Morais e Valentim Loureiro. Ao assumir a rotura com estes dois candidatos correndo o risco de perder duas Câmaras, como se verificou, deu um bom exemplo de como em política, para se ganhar, não vale tudo, contribuindo para uma maior credibilização do aparelho partidário.
O PS, pelo contrário, não se conseguíu distanciar de Fátima Felgueiras.

A VERIFICAREM-SE AS SONDAGENS...

Todos quantos pretenderam acenar a bandeira do populismo nas campanhas de Valentim, Felgueiras e Isaltino, deverão agora afinar o discurso, porque as respectivas vitórias se basearam, todas elas, em trabalho efectuado e visível durante um ou vários mandatos e querer manter a tónica no populismo, equivale a passar atestados de menoridade às populações dos respectivos concelhos.
Num Portugal onde a classe política, no seu todo, é vista como permissiva, muito focada em interesses particulares e partidários e pouco ou nada capaz de pensar, planear e executar, as populações tenderão a votar em candidaturas, mesmo que independentes e de candidatos com problemas judiciais por resolver que tenham mostrado, anteriormente, serem capazes de responder aos seus anseios e necessidades.
As questões judiciais vão às urtigas ficando como fio condutor a obra política feita.
"Assim como assim, se são todos ou quase todos corruptos, que ganhem aqueles que se preocupam também connosco", parece ser o sinal claro da votação nalgumas candidaturas independentes.
Abre-se um espaço para futuras candidaturas independentes, libertando a capacidade de candidatura do apoio explícito dos partidos políticos. Este deverá ser um contexto a explorar no futuro próximo, como janela de oportunidade dos cidadãos se sujeitarem ao escrutínio popular, desde que lhes seja reconhecida obra e/ou mérito, fora do contexto dependente-depressivo dos partidos políticos.
O PS acusa a falta de quadros reconhecidamente qualificados para disputar eleições autárquicas, agora que alguns membros históricos estão retirados e a sua substituição se faz com dificuldade. As autárquicas exigem um número bem maior de figuras que as legislativas e o PS não as tem.
Carmona vence em Lisboa. Vence o candidato cuja ambição foi sempre a de ser Presidente da Câmara de Lisboa.
Perde Carrilho, o candidato que sonha ser, um dia, Presidente da República e cuja campanha sofreu irremediável revés com a duplicidade de posturas: a (tentativa de ser) popular e a (tentativa de ser) de estado. Nem uma nem outra foram conseguidas. Demasiado plástica a primeira; incipiente a segunda.
O PCP recupera Câmaras - Barreiro e Marinha Grande - ao PS, a primeira quatro anos depois de a ter perdido, a segunda doze anos depois. Falhanços de gestão autárquica que se pagam nas urnas.
No Barreiro, quatro anos passados de gestão socialista não trouxeram nada à cidade, bem pelo contrário; o caos urbano acentuou-se. Na Marinha Grande o modelo de gestão esgotou-se em oito anos.
O PSD fica com mais Câmaras, parecendo vencer no modelo autárquico, mais capaz e eficaz na acção política regional. Situação inversa vive o PS.
Em Faro Vitorino pagou (pagou mesmo?, o susto pelo menos ninguém lho tira) a falta de apoios e a hostilização a Aboim Ascensão, bem como algumas medidas polémicas em relação à cidade. Se não fôr eleito será caso para culpar o seu autismo.
Last but not least: o apoio de última hora de Jorge Pinto da Costa a Francisco Assis suou a desespero do candidato socialista, a revanchismo de Pinto da Costa e, igualmente, a caciquismo. Totalmente desnecessária e mesmo absurda, a posição assumida e os argumentos esgrimidos pelo prestigiado dirigente desportivo de tão ilustre agremiação como é o FC do Porto, que deveria ter ficado de fora da contenda eleitoral.

8.10.05


O Grupo do Leão











Columbano

APRENDENDO COM EÇA

"Happiness would arrive one day and to hasten its arrival I did everything that a good Portuguese and a constitutionalist could do: I prayed every night to Our Lady of Sorrows and bought lottery tickets, the cheapest available."
Eça de Queiróz
(from The Mandarin, 1880)

4.10.05

VENEZA Romantica...


















Michael Felmingham

SONHO ORIENTAL

Sonho-me às vezes rei, nalguma ilha,
Muito longe, nos mares do Oriente,
Onde a noite é balsâmica e fulgente
E a lua cheia sobre as águas brilha...

O aroma da mongólia e da baunilha
Paira no ar diáfano e dormente...
Lambe a orla dos bosques, vagamente,
O mar com umas finas ondas de escumilha...

E enquanto eu na varanda de marfim
Me encosto, absorto num cismar sem fim,
Tu, meu amor, divagas ao luar,

Do profundo jardim pelas clareiras,
Ou descansas debaixo das palmeiras,
Tendo aos pés um leão familiar.

Antero de Quental

3.10.05

Título: "Vou ser Mãe"





















Jose Malhoa

A situação apresenta-se, tal como Malhoa a retrata, de um sofrimento pungente, sentido, entre a incredulidade e o catastrófico.
As condições não são explícitas para tamanha desgraça: ou o casal não o é de facto ou sendo-o padece, igualmente, de condições precárias para criar com dignidade um filho. Qualquer dos cenários é perturbante.
Os tempos não mudaram assim tanto. Não importando para nada as circunstâncias sociais e de moral em que a maternidade sucede, pouco ou nada foi feito ao nível do planeamento familiar nas duas últimas décadas.
Ainda hoje um estudo dado à estampa sobre os países europeus e a sida, aponta Portugal como País de elevadíssimo risco, com aumento crescente da taxa de incidência sobre os heterosexuais e o de maior risco na UE.
A discussão do aborto está na ordem do dia. A lei existente é, a nosso ver, suficientemente avançada para fazer face às necessidades e dificuldades que se possam colocar de uma forma geral, necessitando o particular de análise cuidada, como sempre sucede. Contudo a lei existente não responde a uma outra questão fundamental: a impreparação e desconhecimento nos planos sexual e de planeamento familiar do nosso povo. Sob este ponto de vista a lei actual assume contornos difíceis de explicar na sua eficaz aplicabilidade, pelo que só uma forte componente hipócrita e/ou demagógica poderá justificar os argumentos que se apresentam, quer a favôr quer contra. Porque a questão coloca-se ao nível da formação das massas e da moral individual e, quer num campo quer noutro estamos, como em tudo, muitíssimo atrasados.
A revolução dos cravos não foi cultural - o défice de conhecimentos em Portugal é confrangedor e assustador numa óptica de futuro.
Não foi uma revolução democrática porque se permitíu ultrapassar o colectivo enquanto somatório do individual, para se bastar num conjunto de partidos e de pseudo-políticos cuja racionalidade e sentimento nacional acaba onde começa o seu enorme ego. E, porque não dizê-lo, o seu gordo traseiro, tantas e tão doutas opiniões têm, sabendo-se que traseiros e opiniões cada um tem o seu.
Não foi igualmente uma revolução libertadora, porque não nos libertou de nada, antes contribuíu decisivamente para a miséria de centenas de milhar de portugueses, quer no Continente quer nas Províncias Ultramarinas, entregando-nos depois na mão de uma Europa para a qual nunca nos virámos, porque históricamente nunca pudémos contar com ela.
Não formou consciências, não contribuíu para o esclarecimento da população, para a afirmação de um povo baseado nos comportamentos sociais, morais e humanos, pelo respeito pelos outros.
Por fim não foi sequer uma revolução, porque essas fá-las o Povo na rua.
Desta forma a maternidade em Portugal assume contornos dramáticos.
Ser Mãe ou Pai no Portugal de hoje, mesmo para aqueles que já o são e dedicam todo o seu carinho e amor aos filhos é um exercício bem difícil de realizar. Porque não se percebe que futuro poderemos esperar para as nossas crianças, que caminho lhes poderemos indicar, porque só nos resta a oportunidade de lhes colocar a mão por baixo, ampará-los o melhor possível e acreditar que ainda há alguma sorte no Mundo, porque se quisermos acreditar básicamente na competência então melhor será emigrar, porque neste País ao nível da competência estamos falados.
A menos que concordemos todos que servir bebidas num bar ou arrumar quartos de hotel para reformados alemães, franceses e ingleses possa ser um futuro aceitável para os filhos desta Nação quase milenar. Eu não aceito!
Assim, contrariando todas as minhas crenças, talvez e repito o talvez, atendendo ao panorama nacional, o melhor seja mesmo em vez de facilitar as condições do aborto, proibir a maternidade.
Daqui a uns 90 anos, o último português, à hora da morte, poderá requerer para epitáfio de todo um povo a seguinte frase gravada numa lápide:
"Aqui jaz comigo o povo português que, de feitos e cometimentos cheio, se bastou e fartou, entregando-se nos últimos cento e quarenta anos a delapidar a sua História, a sua estima, convicções e orgulho, perecendo pobre e sem destino. Que seja recordado pelo que de bem fez e esquecido por tudo o que podendo fazer não o quis!".

Urgentemente

É urgente o Amor,
É urgente um barco no mar.


É urgente destruir certas palavras
ódio, solidão e crueldade,
alguns lamentos,
muitas espadas.


É urgente inventar alegria,
multiplicar os beijos, as searas,
é urgente descobrir rosas e rios
e manhãs claras.


Cai o silêncio nos ombros,
e a luz impura até doer.
É urgente o amor,
É urgente permanecer.


Eugénio de Andrade

2.10.05



















Carlos Barradas

COM UM GRANDE ABRAÇO...

"O atestado médico passado à professora, de lábios vermelhos e carnudos e voz mimalhenta com um vestido de seda colado ao corpo que fazia latejar os sentidos.
Estragou tudo quando perguntou "quanto era?"".
Miguel Torga

29.9.05

BOM DIA


Annabel Gosling Posted by Picasa

Amigo

Mal nos conhecemos
Inaugurámos a palavra «amigo».

«Amigo» é um sorriso
De boca em boca,
Um olhar bem limpo,
Uma casa, mesmo modesta, que se oferece,
Um coração pronto a pulsar
Na nossa mão!

«Amigo» (recordam-se, vocês aí,
Escrupulosos detritos?)
«Amigo» é o contrário de inimigo!
«Amigo» é o erro corrigido,

Não o erro perseguido, explorado,
É a verdade partilhada, praticada.

«Amigo» é a solidão derrotada!

«Amigo» é uma grande tarefa,
Um trabalho sem fim,
Um espaço útil, um tempo fértil,
«Amigo» vai ser, é já uma grande festa!

Redacção

Uma senhora pediu-me
um poema de amor.

Não de amor por ela,
mas «de amor, de amor».

À parte aquelas
trivialidades «minha rosa, lua do meu céu interior»
que podia eu dizer
para ela, a não destinatária,
que não fosse por ela?

Sem objecto, o poema
é uma redacção
dos 100 Modelos
de Cartas de Amor.

Alexandre O´Neill

28.9.05

Boa Tarde

















Annabel Gosling

O Raul Leal era...

O Raul Leal era
O único verdadeiro doido do "Orpheu".
Ninguém lhe invejasse aquela luxúria de fera?
Invejava-a eu.

Três fortunas gastou, outras três deu
Ao que da vida não se espera
E à que na morte recebeu.
O Raul Leal era
O único não-heterónimo meu.

Eu nos Jerónimos ele na vala comum
Que lhe vestiu o nome e o disfarce
(Dizem que está em Benfica) ambos somos um
Dos extremos do mal a continuar-se.

Não deixou versos? Deixei-os eu,
Infelizmente, a quem mos deu.
O Almada? O Santa-Ritta? O Amadeo?
Tretas da arte e da era. O Raul era
Orpheu.

Mário Cesariny

26.9.05


André Derain Posted by Picasa

A economia nacional fragilizada...

Porque razão se tecem loas, tantas e tão diversas, a um leque de gestores de empresas nacionais participadas pelo Estado (não inclúo aqui o CEO da TAP que tem feito, indiscutivelmente, um bom trabalho) e depois verificamos que todas elas, as empresas participadas pelo Estado, são opáveis (sujeitas a OPAS hostis), começando pela PT, a mais opável de todas?
E se a PT cai em mãos espanholas? E a EDP? E a GALP?
Porque razão foram todas elas geridas na óptica dos accionistas e nunca na óptica dos interesses nacionais?
A resposta é simples e a pergunta de retórica: por interesses claros dos accionistas privados e por interesses calados dos gestores das comissões executivas!

CENÁRIOS PRESIDENCIAIS

É curioso verificar o espectro de candidatos à esquerda do centro (assim, tal e qual, sem sentido nenhum e totalmente redundante como toda a nossa política, partidos políticos e demais agentes), cinco a saber: Soares, Alegre, Jerónimo, Louçã, o inefável Garcia Pereira que estará garantidamente presente.

Ao centro não conto nenhum, aquele centro que decide sempre as eleições, ao género dos enjeitadinhos que têm de se decidir e, na ausência de causas próprias, acabam por apadrinhar as causas dos outros, umas vezes caindo para um lado, outras para outro. Nunca, e aqui é que me ressinto, por análise directa e objectiva dos programas eleitorais propostos, tampouco por promessas que todos sabem de há muito tratarem-se de folclore eleitoral, mas tão sómente por inexistência de opções credíveis - aqueles não prestam, os outros também não, vamos lá votar nestes agora para ver no que é que dá!, mas a continuar na mesma para a próxima já não voto!

Assim se vai construindo a partidocracia portuguesa, cada ano que passa mais sedimentada na abstenção. Já sei o que estão a pensar: não é só aqui.
Pois não. Com excepção do R. Unido, todos os outros são iguais, sendo impossível descortinar diferenças. Haverá alguma razão válida ou sómente lógica para que um cidadão alemão, holandês ou francês se sinta mais motivado para votar que um português? Claro que não. A partidocracia é igual em toda a parte, endémica, com o centro viral situado em Bruxelas.

Continuando.
À direita do dito centro (cada vez faz menos sentido falar em direita, esquerda e, por maioria de razão centro. Mas com candidatos formados em escolas políticas vetustas, esta é a nomenclatura possível no momento, sob pena de a ser adoptada outra, ninguém a entender), também não vejo ninguém. Ouço falar mas não vejo. Cavaco Silva é o nome mais falado. Zunzuns de Santana, e agora de Portas, abrem uma nesga de espectativa sobre o possível aparecimento de um segundo.

Analisemos à luz dos factos, dos tabús e dos zunzuns os cenários possíveis. Divido estes em dois:

1º - Cavaco avança sózinho no centro-direita. As sondagens de opinião apontam para uma possível vitória logo à primeira. Alegre desiste a favôr de Soares - deixou essa possibilidade em aberto quando anunciou a candidatura, ao referir o desinteresse da mesma caso se perspectivasse, mesmo assim, uma vitória de Cavaco na 1ª volta - Jerónimo faz o mesmo e Louçã acompanha-o - a candidatura de Louçã só faz sentido enquanto se mantiver a do PC.

Uma possível segunda volta entre Cavaco e Soares fica quase traçada.

O mercado das sondagens aponta para a inevitabilidade de uma segunda volta. Alegre mantém a candidatura, Soares idém, Jerónimo desiste ou não a favôr da esquerda, o mesmo passando-se com Louçã. Segunda volta Cavaco vs Soares. Mesmo assim tanto PC como Bloco decidem não arriscar e aconselham o voto na esquerda, o mesmo é dizer Alegre. Alegre capitaliza mais votos e reconhecimento político, dependendo do sentido de voto dos militantes do PS, para se bater ou não com Cavaco à segunda.

2º cenário - aparecem dois candidatos no centro-direita. A esquerda vai toda a votos e, pela possível dispersão de votos que tanto candidato de esquerda implica, passam os dois candidatos do centro-direita à segunda volta.

A esquerda, receosa, une os seus esforços em torno de Soares e Alegre e, uma vez mais, será o eleitorado do centro e do PS a decidir qual dos candidatos de esquerda passa à segunda volta.

Num caso e noutro Manuel Alegre, políticamente, capitaliza sempre. A face mais visível do grupo de Argel sai reforçado e, inclusivé, Alegre tem alguma probabilidade de ser eleito. Não é grande, mas tem.

Por mim vos digo: vai-me faltando a paciência para este Portugal, que já nem está em pára-arranca.

Parou mesmo, de vez! Quem anda nestas coisas dos números sabe que o futuro próximo é um túnel sem fim à vista, sem luz nem nada.

O nosso País parou até no tempo e no discurso, nas ideias e na vontade. Pára conforme morre o interior e a urbe, desorganizada e escanzelada, vai matando por inacção aqueles que aí habitam e que para lá se deslocalizam.

As Presidenciais não vão alterar nada a situação e os candidatos não são famosos (hoje estou simpático). Será mesmo só uma questão de brio e orgulho de ser português. Mas será que algum, dos até agora apresentados, responde cabalmente a este desígnio tão pequeno? Não! Claramente não.

Mas como o actual também já não corresponde ao perfil, temos obrigação de já estar habituados.



22.9.05
















Henri Rousseau

QUESTÕES DE BERÇO

José Pacheco Pereira defende hoje no Público, em crónica bem escrita e arquitectada como é seu timbre, que o ênfase da escolha entre Soares e Cavaco, nas Presidenciais, não pode ser colocada ao nível da sofisticação cultural e social dos candidatos. Reconhece que nesse campo Soares leva enorme vantagem, pelas origens, pelo berço, mas que tal reconhecimento ou intuição desse facto, por parte dos eleitores, não deverá ser condicionador da escolha. Concordamos igualmente que não, que as oportunidades devam ser iguais independentemente das origens. Já o escrevemos, acrescentando que a igualização só é conseguida através de um enorme esforço por parte de quem sai em desigualdade social. Mas é possível!
Não o cremos que tenha sido conseguido por parte de Aníbal Cavaco Silva, que em condições de igualdade social quando comparado com Soares, não teria certamente baptizado de Mariani uma vivenda de que era proprietário em Montechoro.

Como é igualmente verdade que quando ouvimos Marques Mendes, líder da principal força política na oposição, de quem se espera competência, rigor e cultura, dirigir-se uma vez a Judite de Sousa, em princípio de frase por, "Você sabe...."; e numa segunda oportunidade ( e aqui acabou-se-me a paciência para o ouvir) lhe diga - "Ainda bem que me colocou essa questão Ó Judite!", ficamos imediatamente elucidados quanto à fluência, cultura e domínio da nossa lingua, bem como em relação ao meio onde viveu, cresceu, se inseríu e frequenta.
O Ó, como sabemos é desnecessário e baixo, bem como o Você demasiado popularucho e abrasileirado.
Mas Marques Mendes também padece dos mesmos tiques que Cavaco tendo, além desta, outra característica comum: são de origem humilde e não se impuseram uma disciplina de aprendizagem férrea.
Não ouvi o final da entrevista, como já referi, mas se Judite de Sousa acabasse agradecendo a presença de Marques Mendes dizendo-lhe: "Agradeço a sua presença nesta Grande Entrevista Sr. Luís,", creio que Marques Mendes nem notaria e acharia perfeitamente normal o tratamento.
Por isso digo: faz diferença o meio onde se nasce e cresce, a aprendizagem percebida, o esforço pessoal na evolução constante, tendo como modelo o melhor dos outros, descobrindo o melhor de nós próprios.
p.s. nunca votei Soares e não vou começar agora.

As Palavras Interditas dos Leitores

CUÉNTAMELO OTRA VEZ

«Cuéntamelo otra vez: es tan hermoso que no me canso nunca de escucharlo. Repíteme otra vez que la pareja del cuento fue feliz hasta la muerte, que ella no le fue infiel, que a él ni siquierase le ocurrió engañarla. Y no te olvides de que, a pesar del tiempo y los problemas, se seguían besando cada noche. Cuéntamelo mil veces, por favor. Es la historia más bella que conozco».

Amalia Bautista

BlahBlahBlah

20.9.05


Francis Picabia Posted by Picasa
Cansei-me de tentar o teu segredo:
No teu olhar sem cor, - frio escalpelo,
O meu olhar quebrei, a debatê-lo,
Como a onda na crista dum rochedo.

Segredo dessa alma e meu degredo
E minha obsessão! Para bebê-lo
Fui teu lábio oscular, num pesadelo,
Por noites de pavor, cheio de medo.

E o meu ósculo ardente, alucinado,
Esfriou sobre mármore correcto
Desse entreaberto lábio gelado:

Desse lábio de mármore, discreto,
Severo como um túmulo fechado,
Sereno como um pélago quieto.

Camilo Pessanha

PROPOSTA DE INVESTIGAÇÃO

Seria interessante determinar, ainda em nome da clarificação da necessidade de construção de um aeroporto na Ota, quem detém a propriedade dos terrenos onde se pretende construir o aeroporto, bem como quem detém a propriedade dos terrenos circundantes, normalmente utilizados para a instalação de serviços correlacionados com os aeroportos, como hóteis, restaurantes, etc..

As Palavras Interditas dos Leitores

Bem como a data de aquisição e a classificação dos terrenos, pelo menos um a dois anos antes da aquisição.
Pertinente.
A bem da transparência!

António Stein

Questões de gaguez ministerial...

Em declarações prestadas já esta manhã o Ministro das Finanças, gaguejando mais do que o habitual (não porque seja gago mas porque as perguntas são incómodas), acabou dizendo por outras palavras aquilo que se sabe há muito, muito tempo: o investimento e a criação de empregos no sector privado não se promovem por decreto. Ou seja, o Governo nada pode fazer para inverter o ciclo de increteza e desilusão que se abateu sobre a economia portuguesa.

As Palavras Interditas dos Leitores

O Vitor Constancio também gaguejou.
Quem é que já não gagueja? Será falta de ar? Ou "O", já não saber que dizer?
A rendição "Final" aos factos, está para breve.
Mas é a "Verdade", Infelizmente!
Resta saber se há cura possível para tamanha "Ferida".

António Stein

Questão de Chapéus...

O General Loureiro dos Santos dá uma no cravo e outra na ferradura.
Vivendo do regime, melhor do que os seus colegas de armas de igual patente, gozando do benefício de ser um porta-voz oficioso para assuntos militares e de estratégia da 3ª República, mas integrado na Instituição castrense, o pobre General perde-se em redundâncias e em tempos mortos, entre o põe e tira o chapéu.

19.9.05

(I can´t get no) SATISFACTION

Porque quem canta seus males espanta... porque a leitura política se mantém actual e, igualmente, porque o tempo para escrever não tem sido muito.....

I can't get no satisfaction, I can't get no satisfaction
'Cause I try and I try and I try, try, try and I try
I can't get no, I can't get no

When I'm drivin' in my car, and the man come on the radio
He's tellin' me more and more, about some useless information
Supposed to fire my imagination

I can't get no. Oh, no, no, no. Hey, hey, hey
That's what I say
I can't get no satisfaction, I can't get no satisfaction
'Cause I try and I try and I try, try, try and I try
I can't get no, I can't get no

When I'm watchin' my TV and a man comes on and tell me
How white my shirts can be
But, he can't be a man 'cause he doesn't smoke
The same cigarettes as me

I can't get no. Oh, no, no, no. Hey, hey, hey
That's what I say
I can't get no satisfaction, I can't get no satisfaction
'Cause I try and I try and I try, try, try and I try
I can't get no, I can't get no

When I'm ridin' round the world
And I'm doin' this and I'm signin' that
And I'm tryin' to make some girl, who tells me
Baby, better come back maybe next week
'Cause you see I'm on a losing streak
I can't get no. Oh, no, no, no. Hey, hey, hey
That's what I say. I can't get no, I can't get no
I can't get no satisfaction, no satisfaction
No satisfaction, no satisfaction

(Mick Jagger)

15.9.05
























Giorgio de Chirico

RAZÕES DA MEDIOCRIDADE

Citando Fayga Ostrower:

«A natureza criativa do homem nasce do contexto cultural onde se encontra inserido. Todo o indivíduo cresce e desenvolve-se numa determinada realidade social, cujas necessidades e valorizações culturais se moldam aos próprios valores de vida. No indivíduo confrontam‑se, por assim dizer, dois pólos de uma mesma relação: a sua criatividade, que representa as potencialidades de um ser único, e a sua criação, que será a realização dessas potencialidades já dentro do quadro de determinada cultura embebida»

Citando Miguel Torga:

«Moeu‑me a paciência! Trinta anos, bem medidos, de tenacidade! Cheguei quase a desanimar. Vinha, olhava, tornava a olhar, e nada. Alcandorado no seu trono de penedos e nuvens, com o Douro ajoelhado aos pés e o céu a servir‑lhe de resplendor, o Santo furtava‑se ao retrato poético, de qualquer ângulo que eu apontasse a objectiva. Hoje, porém, de repente, entre duas perdizes, não sei por que carga de água, abriu o rosto e foi ele mesmo que me propôs o instantâneo. / ‑ Mostre lá então as habilidades... ‑ pareceu‑me ouvi‑lo dizer. / Nem escolhi enquadramento. Antes que se arrependesse, travei a espingarda e disparei a imaginação ao calhar, do sítio onde estava. / Na arte fotográfica propriamente dita, à sístole diafragmática segue‑se a revelação da película na câmara escura, rematada por alguns retoques amáveis às imperfeições da obra. No meu caso, não houve película, nem câmara escura, nem retoque nenhum. A imagem saiu como está do acto retentivo. Parecida com o original? Muito longe disso. Os poetas não trasladam feições».

Citando Fayga Ostrower:

«Todo o processo de elaboração e de desenvolvimento abrange um processo dinâmico de transformação, em que a matéria que orienta a acção criativa é transformada pela mesma acção. [...] Transformando‑se, a matéria não é destituída do seu carácter. Pelo contrário, é diferenciada e, ao mesmo tempo, é definida como um modo de ser. Transformando‑se e adquirindo uma nova forma, a matéria adquire unicidade e é reafirmada na sua essência. Ela torna-se matéria configurada, matéria‑forma, e nessa síntese entre o geral e o único é impregnada de significados»

António Ferreira, a Diogo Bernardes, aconselha o amigo:

Não mude ou tire ou ponha, sem primeiro
Vir aos ouvidos do prudente, experto
Amigo, não invejoso ou lisonjeiro.

[...] Per'isto, é bom remédio às vezes ler‑se
A dous ou três amigos; o bom pejo
Honesto ajuda então a melhor ver‑se.

Vitorino Nemésio, no poema «O Bicho Harmonioso» escreve:

Eu gostava de ter um alto destino de poeta,
[...]
Tudo isto seria aquele poeta que não sou,

Feito graça e memória,
Separado de mim e do meu bafo individualmente podre,
Livre das minhas pretensões e desta noite carcomida
Pelo meu ser voraz que se explora e ilumina.

A capacidade que cada um detêm para se afirmar, internamente, com maior ou menor grau de exigência nas suas acções, atribuindo-se satisfação ou pelo contrário criticar-se duramente e nunca ficando satisfeito com a obra realizada advém, com naturalidade, da dualidade surgida da aprendizagem feita da vida vivida com as impressões decalcadas do meio social e cultural onde cresceu e se moldou.

Não significa, forçosamente, que a condicionante social e cultural não possa ver-se melhorada e acrescida quando o indivíduo possui forte espírito crítico e enorme inteligência. A cultura espelhada é o reflexo da imagem das alegrias e frustrações apreendidas e da capacidade interpretativa das mesmas. Se o homem nasce e cresce rodeado de sentimentos pequenos e mesquinhos dificilmente o deixará de ser. O reflexo que projecta é, em grande parte, fruto dos reflexos colhidos de todos os outros com quem privou, que escutou e com os quais concordou ou discordou.

A própria essência do acto de concordar ou discordar é relativa e fortemente condicionada pelo espírito crítico, pela inteligência, capacidade de análise e cultura assimilada, tudo vertentes de um mesmo sólido: a aprendizagem efectuada e constantemente aumentada e reciclada. Estando a aprendizagem inteiramente dependente da transmissão oral e escrita, falhando em parte ou no todo aquela resta a leitura compulsiva e multifacetada para suprir as lacunas do conhecimento. Ficam contudo de fora as acções comportamentais associadas ao meio social onde cresceu e os valores retidos, estes normalmente incutidos pelo processo de transferência familiar.

Não é assim indiferente para a transformação da matéria todo o conjunto de significados apreendidos pelo indivíduo, influindo directamente na maneira de ser e no carácter deste. O maior ou menor grau de exigência que fixamos para nós próprios reflecte-se, directamente, na menor ou maior satisfação que retiramos dos nossos actos e na nossa própria realização. É a diferença entre acertar a bitola por cima ou preferir comparar por baixo.

É então claro que quanto maior o grau de compreensão dos fenómenos, maior o grau de exigência nos comportamentos e acções. Tendencialmente procuraremos os melhores e, ainda assim, viveremos confrontados com a realidade de que o que fazemos, todo o processo criativo fundido no geral e no particular, poderia ser ainda melhor e essa constatação e insatisfação simultânea leva a uma transmissão social e cultural cuidada e atenta, na esperança de que quem nos escuta e nos precede consiga fazer melhor.

Infelizmente para o Portugal político o conhecimento, a exigência individual e a consciência do colectivo foi vencido pela mediocridade no geral. Na mediocridade não há lugar para vozes discordantes só havendo mesmo lugar para os medíocres e os muito medíocres, porque a comparação se faz por baixo. O padrão não comporta significados nem carácter. A essência da coisa reside nos tiques pequeno-burgueses, adicionados a uma forte dose de impreparação cultural, ausência de postura e desconhecimento das regras de comportamento social.

É por culpa do homem político nacional que o País está como está: sem identidade, sem valores, sem história, sem cultura, sem educação. Em suma, sem sentido.

13.9.05

A MANIFESTAÇÃO POPULAR QUE FALTA

Os militares aguardaram pacientemente pelo doutíssimo (sem ponta de ironia) parecer do Tribunal Administrativo de Lisboa para conhecerem o destino da manifestação agendada para hoje terça-feira 13 de Setembro, depois de a terem visto recusada pelo Governo Civil e pelo Governo. Acataram as indicações do tribunal e reuniram-se em local privado.

Não se contesta o facto e até se concorda em absoluto que as forças militares e militarizadas não gozem dos mesmos direitos reivindicativos, na forma que não no conteúdo, da população civil. Os deveres são diferentes, as responsabilidades também. Um funcionário público ou um qualquer trabalhador por conta de outrém não jura bandeira quando inicia o exercício das suas funções.
O juramento de Bandeira implica um comprometimento perante a Nação e a Nação não se discute. Somos mesmo contra a existência de sindicatos nas forças militarizadas e igualmente contra as manifestações que têm sido levadas a cabo. Contudo importa destacar que a importância e imagem para o País da PSP é uma e a imagem das Forças Armadas é outra, com um claro peso de responsabilidade e reconhecimento da população a recair sobre esta última.
As Forças Armadas são o último bastião da Pátria.

Não se compreende, contudo, que devendo as Forças Armadas assumir um papel de recato nas suas reivindicações usando para o efeito os canais competentes, Estados-Maiores, para fazer chegar aos ouvidos da classe política dirigente as suas necessidades, mal-estares e anseios, que idêntico procedimento não tenha sido seguido em 1973 e 1974.

Ademais, encontrando-se o País em guerra com movimentos terroristas no Ultramar e sabendo-se como as situações de conflito armado servem às mil maravilhas para a progressão rápida nas carreiras militares, menos se compreende que os militares de carreira de então tenham preferido reivindicar pelas armas, através de um golpe de estado e ferindo de morte o juramento de bandeira que todos tinham proferido, uma questão de vencimentos e progressão nas carreiras quando se sentiram tapados e em pé de igualdade com os oficiais milicianos e não através do diálogo com o poder ou mesmo, tratando-se de situaçao insanável, requerido autorização para se manifestarem públicamente.

O resultado teria sido o mesmo; a proibição, mas todos nós teríamos tido oportunidade de perceber como se iria comportar o 3º Plano de Fomento, que tão boa conta de si deu no início, em 1973 quando eclodíu a crise do petróleo, colocando Portugal a crescer a 7,3% ao ano, contra cerca de 3% da restante Europa e isto sem quaisquer fundos vindos de Bruxelas.

Por via dessa imensa reivindicação salarial conhecida como 25 de Abril, ficámos todos mais pobres. Entregues à Europa, mais concretamente a Espanha, entregues a forças políticas minadas por políticos viciados na sedução do poder, na sua maioria impreparados para o exercício de cargos públicos pela incapacidade que demonstraram, durante trinta anos, em separar o interesse nacional dos interesses particulares e, verificamos agora também, a Forças Armadas a quem retiraram a sua única capacidade reivindicativa, a revolução, mostrando a classe política ter aprendido com a 1ª República ao diminuir militar e socialmente a sociedade castrense.
Não se infira destas palavras qualquer defesa de uma nova revolução assinada pelos militares portugueses. Contudo, tampouco se pode fazer orelhas moucas às súplicas constantes coincidentes num único sentido: a incapacidade do povo português de se fazer ouvir e dizer basta a tanta pouca vergonha, a um tão grande delapidar do património nacional, da sua economia e da crescente degradação das condições de vida nos planos económico e social.
Se os militares estão proibidos e bem de se manifestarem, tal proibição não é aplicável ao comum do cidadão.
Que venha então todo o povo para a rua, sem excepção, gritar bem alto a sua indignação pela condução da vida política e conómica do País aos gritos de VIVA PORTUGAL!

As Palavras Interditas dos Leitores

os fantasmas já não são fantasmas, antes e muito, corpos visiveis que tentam arrastar-nos para lÁ DO MAR, e com um pouco de sorte talvez cheguemos ao país da frontalidade...mas somos muitos azarentos, não é?

Mendes Ferreira

12.9.05

As Palavras Interditas dos Leitores

E o nosso maior receio é que, com a falta de soluções, a radicalização da sociedade comece a ganhar forma com contornos assustadores.
Começa a ser preocupante percebermos que não temos um Maestro capaz de dirigir uma orquestra que não atina com o andamento! Não fosse a situação Geopolítica, não estaríamos longe de uma Sul Americanização.Qual Sebastião, Qual Caudilho.
Os Fantasmas andam por aí!!!

Antonio Stein