19.9.05
(I can´t get no) SATISFACTION
I can't get no satisfaction, I can't get no satisfaction
'Cause I try and I try and I try, try, try and I try
I can't get no, I can't get no
When I'm drivin' in my car, and the man come on the radio
He's tellin' me more and more, about some useless information
Supposed to fire my imagination
I can't get no. Oh, no, no, no. Hey, hey, hey
That's what I say
I can't get no satisfaction, I can't get no satisfaction
'Cause I try and I try and I try, try, try and I try
I can't get no, I can't get no
When I'm watchin' my TV and a man comes on and tell me
How white my shirts can be
But, he can't be a man 'cause he doesn't smoke
The same cigarettes as me
I can't get no. Oh, no, no, no. Hey, hey, hey
That's what I say
I can't get no satisfaction, I can't get no satisfaction
'Cause I try and I try and I try, try, try and I try
I can't get no, I can't get no
When I'm ridin' round the world
And I'm doin' this and I'm signin' that
And I'm tryin' to make some girl, who tells me
Baby, better come back maybe next week
'Cause you see I'm on a losing streak
I can't get no. Oh, no, no, no. Hey, hey, hey
That's what I say. I can't get no, I can't get no
I can't get no satisfaction, no satisfaction
No satisfaction, no satisfaction
(Mick Jagger)
15.9.05
RAZÕES DA MEDIOCRIDADE
Citando Miguel Torga:
«Moeu‑me a paciência! Trinta anos, bem medidos, de tenacidade! Cheguei quase a desanimar. Vinha, olhava, tornava a olhar, e nada. Alcandorado no seu trono de penedos e nuvens, com o Douro ajoelhado aos pés e o céu a servir‑lhe de resplendor, o Santo furtava‑se ao retrato poético, de qualquer ângulo que eu apontasse a objectiva. Hoje, porém, de repente, entre duas perdizes, não sei por que carga de água, abriu o rosto e foi ele mesmo que me propôs o instantâneo. / ‑ Mostre lá então as habilidades... ‑ pareceu‑me ouvi‑lo dizer. / Nem escolhi enquadramento. Antes que se arrependesse, travei a espingarda e disparei a imaginação ao calhar, do sítio onde estava. / Na arte fotográfica propriamente dita, à sístole diafragmática segue‑se a revelação da película na câmara escura, rematada por alguns retoques amáveis às imperfeições da obra. No meu caso, não houve película, nem câmara escura, nem retoque nenhum. A imagem saiu como está do acto retentivo. Parecida com o original? Muito longe disso. Os poetas não trasladam feições».
Citando Fayga Ostrower:
«Todo o processo de elaboração e de desenvolvimento abrange um processo dinâmico de transformação, em que a matéria que orienta a acção criativa é transformada pela mesma acção. [...] Transformando‑se, a matéria não é destituída do seu carácter. Pelo contrário, é diferenciada e, ao mesmo tempo, é definida como um modo de ser. Transformando‑se e adquirindo uma nova forma, a matéria adquire unicidade e é reafirmada na sua essência. Ela torna-se matéria configurada, matéria‑forma, e nessa síntese entre o geral e o único é impregnada de significados»
António Ferreira, a Diogo Bernardes, aconselha o amigo:
Não mude ou tire ou ponha, sem primeiro
Vir aos ouvidos do prudente, experto
Amigo, não invejoso ou lisonjeiro.
[...] Per'isto, é bom remédio às vezes ler‑se
A dous ou três amigos; o bom pejo
Honesto ajuda então a melhor ver‑se.
Vitorino Nemésio, no poema «O Bicho Harmonioso» escreve:
Eu gostava de ter um alto destino de poeta,
[...]
Tudo isto seria aquele poeta que não sou,
Feito graça e memória,
Separado de mim e do meu bafo individualmente podre,
Livre das minhas pretensões e desta noite carcomida
Pelo meu ser voraz que se explora e ilumina.
A capacidade que cada um detêm para se afirmar, internamente, com maior ou menor grau de exigência nas suas acções, atribuindo-se satisfação ou pelo contrário criticar-se duramente e nunca ficando satisfeito com a obra realizada advém, com naturalidade, da dualidade surgida da aprendizagem feita da vida vivida com as impressões decalcadas do meio social e cultural onde cresceu e se moldou.
Não significa, forçosamente, que a condicionante social e cultural não possa ver-se melhorada e acrescida quando o indivíduo possui forte espírito crítico e enorme inteligência. A cultura espelhada é o reflexo da imagem das alegrias e frustrações apreendidas e da capacidade interpretativa das mesmas. Se o homem nasce e cresce rodeado de sentimentos pequenos e mesquinhos dificilmente o deixará de ser. O reflexo que projecta é, em grande parte, fruto dos reflexos colhidos de todos os outros com quem privou, que escutou e com os quais concordou ou discordou.
A própria essência do acto de concordar ou discordar é relativa e fortemente condicionada pelo espírito crítico, pela inteligência, capacidade de análise e cultura assimilada, tudo vertentes de um mesmo sólido: a aprendizagem efectuada e constantemente aumentada e reciclada. Estando a aprendizagem inteiramente dependente da transmissão oral e escrita, falhando em parte ou no todo aquela resta a leitura compulsiva e multifacetada para suprir as lacunas do conhecimento. Ficam contudo de fora as acções comportamentais associadas ao meio social onde cresceu e os valores retidos, estes normalmente incutidos pelo processo de transferência familiar.
Não é assim indiferente para a transformação da matéria todo o conjunto de significados apreendidos pelo indivíduo, influindo directamente na maneira de ser e no carácter deste. O maior ou menor grau de exigência que fixamos para nós próprios reflecte-se, directamente, na menor ou maior satisfação que retiramos dos nossos actos e na nossa própria realização. É a diferença entre acertar a bitola por cima ou preferir comparar por baixo.
É então claro que quanto maior o grau de compreensão dos fenómenos, maior o grau de exigência nos comportamentos e acções. Tendencialmente procuraremos os melhores e, ainda assim, viveremos confrontados com a realidade de que o que fazemos, todo o processo criativo fundido no geral e no particular, poderia ser ainda melhor e essa constatação e insatisfação simultânea leva a uma transmissão social e cultural cuidada e atenta, na esperança de que quem nos escuta e nos precede consiga fazer melhor.
Infelizmente para o Portugal político o conhecimento, a exigência individual e a consciência do colectivo foi vencido pela mediocridade no geral. Na mediocridade não há lugar para vozes discordantes só havendo mesmo lugar para os medíocres e os muito medíocres, porque a comparação se faz por baixo. O padrão não comporta significados nem carácter. A essência da coisa reside nos tiques pequeno-burgueses, adicionados a uma forte dose de impreparação cultural, ausência de postura e desconhecimento das regras de comportamento social.
É por culpa do homem político nacional que o País está como está: sem identidade, sem valores, sem história, sem cultura, sem educação. Em suma, sem sentido.
13.9.05
A MANIFESTAÇÃO POPULAR QUE FALTA
As Palavras Interditas dos Leitores
Mendes Ferreira
12.9.05
As Palavras Interditas dos Leitores
Começa a ser preocupante percebermos que não temos um Maestro capaz de dirigir uma orquestra que não atina com o andamento! Não fosse a situação Geopolítica, não estaríamos longe de uma Sul Americanização.Qual Sebastião, Qual Caudilho.
Os Fantasmas andam por aí!!!
Antonio Stein
9.9.05
RAZÃO DA REDUNDÂNCIA DA CRÍTICA POLÍTICA
MUDDY WATERS
Baby, please don't goBaby, please don't go
Baby, please don't go,
down to New Orleans
You know I love you so
Before I be your dog
Before I be your dog
Before I be your dog
I get you way'd out here, and let you walk alone
Turn your lamp down low
Turn your lamp down low
Turn your lamp down low
I beg you all night long, baby, please don't go
You brought me way down here
You brought me way down here
You brought me way down here
'bout to Rolling Forks, you treat me like a dog
Baby, please don't go
Baby, please don't go
Baby, please don't go, back the New Orleans
I beg you all night long
Before I be your dog
Before I be your dog
Before I be your dog
I get you way'd out here, and let you walk alone
You know your man down gone
You know your man down gone
You know your man down gone
To the country farm, with all the shackles on
8.9.05
IMBECILIDADES
Igualmente se ilustra a capacidade de resposta rápida e eficiente a todo e qualquer desgraçado e funesto acontecimento que aconteça em território americano, bem como a disponibilidade para ajudar terceiros quando estes necessitam. Belíssimo exemplo encontramos no Plano Marshall e na preciosa contribuição americana no esforço europeu do pós-guerra ou a mais recente intervenção no Iraque, com elevados custos humanos e materiais, que possibilitou a aproximação entre judeus e palestinianos, a desocupação militar do Líbano e um aliviar de tensões na zona do Golfo Pérsico.
Confundir os EUA com o terceiro-mundo é igual a confundir a História com a Geografia.
7.9.05
A (MÁ) POLÍTICA DO POSSÍVEL...
Longe vão os tempos da discussão política acesa, dos disparates políticos mas igualmente da crença depositada no novo regime. Hoje os políticos estão desacreditados, a discussão política é insípida e vazia de conteúdo, feita de aproveitamentos de circunstância nos temas escolhidos, muito dirigida para a árvore e longe da capacidade de visão do global. E quando este é abordado inundam-nos de lugares comuns e de muitas asneiras. Hoje não se acredita no sistema nem se acredita nas pessoas, porque o sistema, cá como lá fora, não responde às necessidades das populações e os políticos estão todos presos por rabos de palha, tão grande tem sido a promiscuidade quer interpartidária, quer intrapartidária. Ninguém está livre de ser acossado na praça pública, pelo que o exercício do poder se consagra, fundamentalmente, pela ausência de acção política.
5.9.05
POEMA
desmaiou o olhar furtivo das searas
ou reclinou a cabeça
ou aquele disposto a virar decisivamente a esquina.
Não há conspiração de folhas que recolha
a sua despedida. Nem ombro para o seu ombro
quando caminha pela tarde acima.
A morte é a grande palavra para esse homem
não há outra que o diga a ele próprio.
É terrível ter o destino
da onda anónima morta na praia.
Ruy Belo
2.9.05
No fim da vaidade o começo da imbecilidade...
Miguel Torga
Crónicas Dispersas de Outros Tantos Temas...
Voltamos então à questão das ideias: sem moral as ideias são perigosas, sejam estas quais forem!
Há um ano e meio o PS, na oposição, atacava fortemente o governo PSD em matéria de prevenção de fogos. Há um ano, o PS pretendia assar o governo nas chamas que consumiam Portugal. Em Maio deste ano o PS, já governo, anunciava com pompa a criação de um gabinete de prevenção e combate a incêndios. Meses depois, com o País quase por inteiro ardido, o PS vem anunciar a decisão de comprar em 2006 meios eficazes de combate aos incêndios - leia-se aviões capazes de transportar uns milhares largos de água de cada vez.
O Presidente da República afirmava, pouco tempo antes, que teriam de ser tomadas acções correctivas capazes de dotar o País dos meios necessários ao combate a incêndios por se encontrar o País perto do limite do sustentável. Perto do limite? O Sr. Presidente deveria fazer estas afirmações no local dos incêndios, perante assistências compostas por gente afectada pelas chamas, que tivessem perdido os seus haveres ou mesmo que tivessem sofrido apenas enormes sustos, para verificar da sustentabilidade da sua retórica. Ah, pois, fazem-me sinal que seria necessário que os presentes soubessem escutar e interpretar as palavras correctamente e não estivessem imbuídos, únicamente, da enorme vontade de aplaudir toda e qualquer asneira verbalizada pela ilustre figura do Presidente, pelo respeito que esta inspira mais do que pela personagem que desempenha no momento aquelas funções. (Será que este respeito ainda vem do tempo da outra Senhora? Se não vier, então as palmas são mesmo por falta de estudos, como diria o outro). Porque será o PR tão condescendente com o governo socialista? Resposta: os PR´s deixaram de se preocupar com essa utópica ideia de terem de parecer presidentes de todos os portugueses. Melhor assim, ficam clarificados os lados do campo e acabam as hipocrisias. Os futuros Presidentes sê-lo-ão dos respectivos partidos e seus militantes e simpatizantes e nada mais do que isso, pelo que me é possível afirmar agora convictamente e sem rebuço de espécie alguma que nunca em trinta anos de partidocracia tive um Presidente que considerasse meu.
De qualquer forma pergunto-me: onde pára a oposição? Nem uma palavra se ouve a Marques Mendes ou qualquer outro destacado elemento do PSD.
Levaram tanta pancada e agora nada ? Agora que podiam falar, cheios de razão, ficam calados? Estranho?, nem por isso. Os partidos, todos sem excepção, estão no limiar da credibilidade e com eles toda a partidocracia que cresceu e envolve a República. Tal como na Monarquia Constitucional e na 1ª República, a actual situação cheira a podre e ainda mais a esturro e não só por incidência directa do flagelo das chamas. Os partidos protegem-se na esperança de continuarem a aproveitar da belíssima situação de que gozam, distribuindo tachos e favores, partilhando os cargos e bens materiais sem preocupações com cores e programas políticos. Atingirem-se uns aos outros agora, num momento de enorme fraqueza seria ainda mais suicidário, pelo que a alternativa reside no silêncio formal e polítcamente assumido. O País definha, os despojos do moribundo são cada vez menos, mas enquanto se tenta uma inclusão no espaço ibérico como parente pobre de Espanha, vai-se engolindo ávidamente o pouco que sobra. Sim, porque não se pense que é a UE a salvaguarda de uma modificação política no País. Caso acontecesse a UE ainda nos agradecia o pretexto para mostrar claramente e sem equívocos qual a porta de saída.
O El País deu à estampa na passada segunda-feira um enorme artigo onde atacava Portugal, a sua política, os políticos, os últimos trinta anos e ainda o actual governo de forma virulenta. Todos sabemos que os espanhóis adoram dizer mal de nós. Chateia mas passa. O que custa verdadeiramente não é o ataque, a que nos habituámos ao longo dos anos: o que verdadeiramente custa é ser tudo verdade e isso não chateia, dói e, ainda por cima, não passa!
5.8.05
O TGV, OBRA FUNDAMENTAL
ESTUDOS SOBRE A OTA E O TGV
O PAÍS ARDE...
ALGUÉM ME DIZ
ONDE PÁRA A LIBERDADE...
29.7.05
Un Ballo In Maschera

Première: Rome, Apollo Theatre, February 17th, 1859
The story:
27.7.05
ESPECULANDO À VOLTA DAS PRESIDENCIAIS
Aliás, do ponto de vista da correcção, o mesmo raciocínio é válido para uma possível candidatura de Cavaco.
Bom, se assim fôr, operação cosmética dos desvarios, proponho a seguinte estratégia:
Cenário - Lota de Matosinhos
26.7.05
POESIA
Cada momento mudei.
Continuamente me estranho.
Nunca me vi nem acabei.
De tanto ser, só tenho alma.
Quem tem alma não tem calma.
Quem vê é só o que vê,
Quem sente não é quem é,
Atento ao que sou e vejo,
Torno-me eles e não eu.
Cada meu sonho ou desejo
É do que nasce e não meu.
Sou minha própria paisagem;
Assisto à minha passagem,
Diverso, móbil e só,
Não sei sentir-me onde estou.
Por isso, alheio, vou lendo
Como páginas, meu ser.
O que sogue não prevendo,
O que passou a esquecer.
Noto à margem do que li
O que julguei que senti.
Releio e digo : "Fui eu ?"
Deus sabe, porque o escreveu.
(Alberto Caeiro)
24.7.05
APRENDENDO COM EÇA...
Ninguém se respeita. Não há nenhuma solidariedade entre os cidadãos. Ninguém crê na honestidade dos homens públicos. Alguns agiotas felizes exploram. A classe média abate-se progressivamente na imbecilidade e na inércia. O povo está na miséria. Os serviços públicos são abandonados a uma rotina dormente. (...) "
22.7.05
SANTOS E PECADORES, TODOS DE PAU CARUNCHOSO
Assim, havendo uma vontade expressa de lutar contra a corrupção mas continuando esta a existir, só se poderá tirar uma ilação do facto: as estruturas de decisão tornam esta luta e controle cada vez mais difícil, nas sociedades industrializadas.
Os actores que participam nas decisões são vários, sendo igualmente variados os objectivos que potenciam o aparecimento dos agentes corruptores. Cada um dos intervenientes adopta uma parte da decisão, aplicando em simultâneo inflexões no processo sobre matérias que extravasam as suas competencias. Porventura poderão classificar-se como decisões as próprias inflexões referidas. Perante uma extensa informação, procurando satisfazer variados interesses, bastas vezes contraditórios, o dirigente deixa de ser um agente zelador do bem comum para assumir a faceta de facilitador social do jogo de interesses dos grupos de pressão e, em simultâneo, zelar pelos seus próprios interesses, meramente pessoais e egoistas. Num processo desregrado e desregulado de tomada de decisão, a margem de opções possiveis sai muito reduzida, acabando quase inevitávelmente na política do facto consumado.
Vem o intróito a propósito de Campos e Cunha e de Mario Lino.
Comecemos por uma primeira constatação: nem um nem outro são santos. Ou seja, não há heróis e vilões nesta história. Existe, sim, um padrão de actuação divergente e uma leitura diferente do que se entende por interesses nacionais e pessoais.
Talvez que através de raciocínios esquematizados, como o anterior, se consiga perceber melhor o porquê das situações e das desavenças, bem como a noção de grandeza das coisas que os decisores políticos têm.
Pelos vistos 650 milhões de aéreos não merecia o esforço e é preciso avançar decisivamente para investimentos muito superiores. Ou será que uma vez mais ficaremos com os estudos, não havendo intenção alguma de avançar com as obras, mas tão sómente justificar aquele gasto?
Ora 10% de 650 milhões de euros sempre dá...
E desenganem-se os mal-formados que estes 10% mencionados nada têm a ver com possíveis luvas, pagamentos, corrupções várias. As contas só pretendem determinar qual o valor inicial contratualizado para o início dos trabalhos, na suposição de que as empresas envolvidas exigirão um sinal de 10% à cabeça......hehehe....
21.7.05
E AGORA JORGE SAMPAIO...
19.7.05
COME FLY WITH ME...

Uma árvore sem frutos ou folhas, despida de qualquer beleza, escancara indecente a sua fraqueza, enquanto definha e morre. 18.7.05
CONTRASTES...
LONDRES, 07/07
Por uma dupla afirmação ocidental, sustento: por um lado a certeza de que os muçulmanos não são todos iguais e que é forçoso demonstrar, sem hesitações, a capacidade de continuar a acolher no nosso seio os seus melhores membros, dizendo não bem alto a toda a espécie de xenofobia; por outro lado,
- dando caça de forma implacável a todos os terroristas e respectivas organizações, sem dar azo a aplicação de quaisquer direitos humanos como os consagramos, porque é de animais (perdoem-me os animais) que falamos e não de seres humanos,
- sem limitar a actuação das forças no terreno às limitações da lei, que se aplica no regular e normal funcionamento da sociedade, mas que não é aplicável quando falamos de terrorismo porque é de agentes do mal que falamos,
- porque é necessário deixar de criticar Guantánamo, mesmo que algumas injustiças sejam cometidas, porque é preciso deixar de falar em sevícias mesmo que algumas sejam manifestamente exageradas, porque de cada vez que o fazemos nos enfraquecemos e ao fazê-lo damos novas armas e alento ao inimigo.
17.7.05
APRENDENDO COM EÇA...
" - Falhámos a vida, menino!".
Ega, no regresso de Carlos, de Paris.
Daqui a dez anos, quando nos voltarmos para os nossos filhos e amigos confrontados à altura com a escassez de oportunidades na vida, com um dificílimo reconhecimento social, saídos de universidades portuguesas mal cotadas no "ranking europeu" resultado da Convenção de Bolonha e forçados a aprender espanhol se quiserem consultar um médico diremos, tal como Ega:
"- Falhámos Portugal, meninos! Falhámos a nossa vida e, mais grave, a vossa!"
16.7.05
CONVERSA GRAVADA
As minhas coisas “acontecem”, porque são uma necessidade profunda. Um amigo meu, pintor, desejava o dia em que já não fosse capaz de pintar. Eu nunca seria capaz de o deixar de fazer. Em qualquer circunstância da vida vejo-me a garatujar num papel ou numa parede. Se considerar a pintura como uma “obra de arte” com tela, cavalete e materiais nobres, sinto-me assustado, mas esses problemas não se põem comigo, porque não é à obra de arte que aponto, e porque muito raramente utilizei materiais tidos como nobres. Desenhar e pintar são necessidades independentes de mim, que tem a sua parte de necessidade fisiológica.
Pergunta-me como comecei a fazer estes cadernos. Na verdade não fiz na adolescência o Diário que quasi todos os adolescentes fazem. Foi já muito tarde que comecei a alinhar breves notas daquilo que me ocorre no dia a dia, durante a semana ou durante o mês; as amizades, as inimizades, as descobertas (não descobrimos nada, está já tudo descoberto!), foi tudo isso o que fui apontando nos intervalos que tinha de outros afazeres. Nessas folhas ia metendo um bilhete de eléctrico, ou qualquer outra coisa que me sugerisse um momento vivido, fotografias de pessoas, e pequenas pinturas ou desenhos, etc, etc. São cadernos de uma grande fragilidade, constituídos por folhas de papel metidas em argolas, de maneira que com o tempo e com o folhear os buracos se rompem, e tudo aquilo sai do sítio. Foi um disparate usar tal excesso de fragilidade, mas já são trinta e tal cadernos, e seria impossível recomeçar. Alguém algum dia olhará com alguma benevolência este documento? Se calhar vão deitar fora tudo aquilo, pois é esse o destino de tantas coisas em Portugal. Mas esses cadernos aconteceram e continuam a acontecer, pois de certa forma disponho agora de mais tempo, passado o tempo em que fui tocado pela asa da pintura profissional. Isso já lá vai há muitos anos felizmente: Trata-se agora de deixar o meu depoiamento sobre um papel qualquer, com o lápis ou com a esferográfica que tenho à mão. Julgo que aqueles pequenos desenhos casuais, podiam afinal ser obra de arte, se transplantados para a tela e para o cavalete, digo-o sem falsa modéstia.
Na verdade nem quando pintei sobre tela usei o cavalete. De resto durante toda a minha longa vida, não devo ter pintado mais do que umas vinte telas. Elas correspondiam à tal necessidade profunda, mas também foram a maneira de sobreviver. Nunca acreditei muito naquilo que fiz, e o dinheiro que ganhava não dava para fotografar as obras. Assim, desorganizado como sou não sei o destino da maior parte do que desenhei e pintei. Justamente, há dias, numa entrevista, contava a estória de dois quadros que uma galeria tinha “descoberto”. Pediram-me para passar por lá para confirmar se os quadros eram de facto de minha autoria. Na minha idade avoluma-se a ideia de que o que fiz talvez não tenha qualquer mérito. Fui a essa galeria com um bocado de medo, e acabei por ficar tão satisfeito quanto possível. No entanto felicitei-me por não estar a fazer hoje a pintura profissional que vemos em galerias e em exposições.
Voltando aos “Diários” (prefiro designá-los como “Desaforismos”), eu não pensava que fosse possível serem editados, mas gostava evidentemente que alguém os folheasse. Foi um amigo espanhol quem mais se interessou por eles. Vive numa pequena e belíssima cidade, e o seu ganha pão é um quiosque onde vende lotaria. Por sua vez ele tem um amigo que tem uma modesta tipografia, e assim editaram 3 livros, maquetes originais, que o Mário Henrique Leiria me tinha oferecido, e que, sendo obras excepcionais, não tinham aqui merecido a atenção devida. Fiquei-lhes sempre muito grato, e a amizade estreitou-se. Visitamo-nos, e trocamos lembranças. De vez em quando presenteiam-me com restos de folhas que lá na tipografia reunem em caderno. A outras pessoas servirão para as contas do dia a dia, mas foi a partir daí, em folhas de papel de música, que passei a desenhar e a pintar, e a reunir Aforismos de diversos autores e os tais meus Desaforismos. Este caderno, mais uma vez casual, foi visto pelos irmãos António e João Prates da Galeria S.Bento, e resolveram-no incluir entre um projecto de edições numeradas e assinadas pelos autores, e resultaram bonitas edições. Esse livro intitula-se “Local onde o Mar Naufragou”. Outro livro recentemente editado reúne principalmente poesia e desenhos datados dos anos 40/60. Trata-se de uma nova editora, mas o livro é extremamente cuidado, e pode ser classificado de luxuoso. O livro intitula-se “Viagem sem regresso”, e a editora é “Tiragem Limitada”.
O meu método de desenho é não ter método. Tirei apenas o quinto ano de desenho da Escola António Arroio, mas com os professores nunca aprendi nada. Nunca gostei de aprender, a não ser comigo mesmo. A técnica é coisa muito de se lhe tirar o chapéu, mas não é o principal. Além disso, por certo, para ela não estou vocacionado. A alma é a minha técnica, e se há algum valor naquilo que faço, isso advém de um excesso de alma.
Repito que sempre utilizei papéis de acaso, por vezes quadriculados ou de 35 linhas. Parecia-me que ninguém quereria comprar tais coisas, mas o passar dos anos vieram a me revelar o contrário. Se há realmente alguma glória naquilo que fiz (glória é uma palavra evidentemente excessiva), ela advém desta experiência, de conseguir algum consenso, usando tais suportes.
Quanto às figurações que se movimentam naquilo que desenho e pinto elas vêm directamente do subconsciente, mas também dos encontros que vamos fazendo pelas ruas, dos livros que lemos, das guerras e das fomes, e de uma ou outra coisa boa que ainda nos toca. Muitos dos desenhos são feitos quando estou ao telefone. Com a atenção dividida, aquilo que aparece é mais livre; a mão vai e vem por ali fora, como traçando um gráfico. Conheço pintores, que muito prezo, que são capazes de dizer como vai ser o próximo quadro. Eles já sabem tudo, já o estão a ver. Eu, estou cego diante do papel ou da tela. Se “visse” o quadro antes de o fazer, por certo já não o faria, pois me pareceria que já tinha passado o seu tempo. Mas o meu método não será o melhor, pois que não dá para ser um grande nome da pintura. O que vos deixo são apenas depoimentos ou testemunhos.














