26.9.05


André Derain Posted by Picasa

A economia nacional fragilizada...

Porque razão se tecem loas, tantas e tão diversas, a um leque de gestores de empresas nacionais participadas pelo Estado (não inclúo aqui o CEO da TAP que tem feito, indiscutivelmente, um bom trabalho) e depois verificamos que todas elas, as empresas participadas pelo Estado, são opáveis (sujeitas a OPAS hostis), começando pela PT, a mais opável de todas?
E se a PT cai em mãos espanholas? E a EDP? E a GALP?
Porque razão foram todas elas geridas na óptica dos accionistas e nunca na óptica dos interesses nacionais?
A resposta é simples e a pergunta de retórica: por interesses claros dos accionistas privados e por interesses calados dos gestores das comissões executivas!

CENÁRIOS PRESIDENCIAIS

É curioso verificar o espectro de candidatos à esquerda do centro (assim, tal e qual, sem sentido nenhum e totalmente redundante como toda a nossa política, partidos políticos e demais agentes), cinco a saber: Soares, Alegre, Jerónimo, Louçã, o inefável Garcia Pereira que estará garantidamente presente.

Ao centro não conto nenhum, aquele centro que decide sempre as eleições, ao género dos enjeitadinhos que têm de se decidir e, na ausência de causas próprias, acabam por apadrinhar as causas dos outros, umas vezes caindo para um lado, outras para outro. Nunca, e aqui é que me ressinto, por análise directa e objectiva dos programas eleitorais propostos, tampouco por promessas que todos sabem de há muito tratarem-se de folclore eleitoral, mas tão sómente por inexistência de opções credíveis - aqueles não prestam, os outros também não, vamos lá votar nestes agora para ver no que é que dá!, mas a continuar na mesma para a próxima já não voto!

Assim se vai construindo a partidocracia portuguesa, cada ano que passa mais sedimentada na abstenção. Já sei o que estão a pensar: não é só aqui.
Pois não. Com excepção do R. Unido, todos os outros são iguais, sendo impossível descortinar diferenças. Haverá alguma razão válida ou sómente lógica para que um cidadão alemão, holandês ou francês se sinta mais motivado para votar que um português? Claro que não. A partidocracia é igual em toda a parte, endémica, com o centro viral situado em Bruxelas.

Continuando.
À direita do dito centro (cada vez faz menos sentido falar em direita, esquerda e, por maioria de razão centro. Mas com candidatos formados em escolas políticas vetustas, esta é a nomenclatura possível no momento, sob pena de a ser adoptada outra, ninguém a entender), também não vejo ninguém. Ouço falar mas não vejo. Cavaco Silva é o nome mais falado. Zunzuns de Santana, e agora de Portas, abrem uma nesga de espectativa sobre o possível aparecimento de um segundo.

Analisemos à luz dos factos, dos tabús e dos zunzuns os cenários possíveis. Divido estes em dois:

1º - Cavaco avança sózinho no centro-direita. As sondagens de opinião apontam para uma possível vitória logo à primeira. Alegre desiste a favôr de Soares - deixou essa possibilidade em aberto quando anunciou a candidatura, ao referir o desinteresse da mesma caso se perspectivasse, mesmo assim, uma vitória de Cavaco na 1ª volta - Jerónimo faz o mesmo e Louçã acompanha-o - a candidatura de Louçã só faz sentido enquanto se mantiver a do PC.

Uma possível segunda volta entre Cavaco e Soares fica quase traçada.

O mercado das sondagens aponta para a inevitabilidade de uma segunda volta. Alegre mantém a candidatura, Soares idém, Jerónimo desiste ou não a favôr da esquerda, o mesmo passando-se com Louçã. Segunda volta Cavaco vs Soares. Mesmo assim tanto PC como Bloco decidem não arriscar e aconselham o voto na esquerda, o mesmo é dizer Alegre. Alegre capitaliza mais votos e reconhecimento político, dependendo do sentido de voto dos militantes do PS, para se bater ou não com Cavaco à segunda.

2º cenário - aparecem dois candidatos no centro-direita. A esquerda vai toda a votos e, pela possível dispersão de votos que tanto candidato de esquerda implica, passam os dois candidatos do centro-direita à segunda volta.

A esquerda, receosa, une os seus esforços em torno de Soares e Alegre e, uma vez mais, será o eleitorado do centro e do PS a decidir qual dos candidatos de esquerda passa à segunda volta.

Num caso e noutro Manuel Alegre, políticamente, capitaliza sempre. A face mais visível do grupo de Argel sai reforçado e, inclusivé, Alegre tem alguma probabilidade de ser eleito. Não é grande, mas tem.

Por mim vos digo: vai-me faltando a paciência para este Portugal, que já nem está em pára-arranca.

Parou mesmo, de vez! Quem anda nestas coisas dos números sabe que o futuro próximo é um túnel sem fim à vista, sem luz nem nada.

O nosso País parou até no tempo e no discurso, nas ideias e na vontade. Pára conforme morre o interior e a urbe, desorganizada e escanzelada, vai matando por inacção aqueles que aí habitam e que para lá se deslocalizam.

As Presidenciais não vão alterar nada a situação e os candidatos não são famosos (hoje estou simpático). Será mesmo só uma questão de brio e orgulho de ser português. Mas será que algum, dos até agora apresentados, responde cabalmente a este desígnio tão pequeno? Não! Claramente não.

Mas como o actual também já não corresponde ao perfil, temos obrigação de já estar habituados.



22.9.05
















Henri Rousseau

QUESTÕES DE BERÇO

José Pacheco Pereira defende hoje no Público, em crónica bem escrita e arquitectada como é seu timbre, que o ênfase da escolha entre Soares e Cavaco, nas Presidenciais, não pode ser colocada ao nível da sofisticação cultural e social dos candidatos. Reconhece que nesse campo Soares leva enorme vantagem, pelas origens, pelo berço, mas que tal reconhecimento ou intuição desse facto, por parte dos eleitores, não deverá ser condicionador da escolha. Concordamos igualmente que não, que as oportunidades devam ser iguais independentemente das origens. Já o escrevemos, acrescentando que a igualização só é conseguida através de um enorme esforço por parte de quem sai em desigualdade social. Mas é possível!
Não o cremos que tenha sido conseguido por parte de Aníbal Cavaco Silva, que em condições de igualdade social quando comparado com Soares, não teria certamente baptizado de Mariani uma vivenda de que era proprietário em Montechoro.

Como é igualmente verdade que quando ouvimos Marques Mendes, líder da principal força política na oposição, de quem se espera competência, rigor e cultura, dirigir-se uma vez a Judite de Sousa, em princípio de frase por, "Você sabe...."; e numa segunda oportunidade ( e aqui acabou-se-me a paciência para o ouvir) lhe diga - "Ainda bem que me colocou essa questão Ó Judite!", ficamos imediatamente elucidados quanto à fluência, cultura e domínio da nossa lingua, bem como em relação ao meio onde viveu, cresceu, se inseríu e frequenta.
O Ó, como sabemos é desnecessário e baixo, bem como o Você demasiado popularucho e abrasileirado.
Mas Marques Mendes também padece dos mesmos tiques que Cavaco tendo, além desta, outra característica comum: são de origem humilde e não se impuseram uma disciplina de aprendizagem férrea.
Não ouvi o final da entrevista, como já referi, mas se Judite de Sousa acabasse agradecendo a presença de Marques Mendes dizendo-lhe: "Agradeço a sua presença nesta Grande Entrevista Sr. Luís,", creio que Marques Mendes nem notaria e acharia perfeitamente normal o tratamento.
Por isso digo: faz diferença o meio onde se nasce e cresce, a aprendizagem percebida, o esforço pessoal na evolução constante, tendo como modelo o melhor dos outros, descobrindo o melhor de nós próprios.
p.s. nunca votei Soares e não vou começar agora.

As Palavras Interditas dos Leitores

CUÉNTAMELO OTRA VEZ

«Cuéntamelo otra vez: es tan hermoso que no me canso nunca de escucharlo. Repíteme otra vez que la pareja del cuento fue feliz hasta la muerte, que ella no le fue infiel, que a él ni siquierase le ocurrió engañarla. Y no te olvides de que, a pesar del tiempo y los problemas, se seguían besando cada noche. Cuéntamelo mil veces, por favor. Es la historia más bella que conozco».

Amalia Bautista

BlahBlahBlah

20.9.05


Francis Picabia Posted by Picasa
Cansei-me de tentar o teu segredo:
No teu olhar sem cor, - frio escalpelo,
O meu olhar quebrei, a debatê-lo,
Como a onda na crista dum rochedo.

Segredo dessa alma e meu degredo
E minha obsessão! Para bebê-lo
Fui teu lábio oscular, num pesadelo,
Por noites de pavor, cheio de medo.

E o meu ósculo ardente, alucinado,
Esfriou sobre mármore correcto
Desse entreaberto lábio gelado:

Desse lábio de mármore, discreto,
Severo como um túmulo fechado,
Sereno como um pélago quieto.

Camilo Pessanha

PROPOSTA DE INVESTIGAÇÃO

Seria interessante determinar, ainda em nome da clarificação da necessidade de construção de um aeroporto na Ota, quem detém a propriedade dos terrenos onde se pretende construir o aeroporto, bem como quem detém a propriedade dos terrenos circundantes, normalmente utilizados para a instalação de serviços correlacionados com os aeroportos, como hóteis, restaurantes, etc..

As Palavras Interditas dos Leitores

Bem como a data de aquisição e a classificação dos terrenos, pelo menos um a dois anos antes da aquisição.
Pertinente.
A bem da transparência!

António Stein

Questões de gaguez ministerial...

Em declarações prestadas já esta manhã o Ministro das Finanças, gaguejando mais do que o habitual (não porque seja gago mas porque as perguntas são incómodas), acabou dizendo por outras palavras aquilo que se sabe há muito, muito tempo: o investimento e a criação de empregos no sector privado não se promovem por decreto. Ou seja, o Governo nada pode fazer para inverter o ciclo de increteza e desilusão que se abateu sobre a economia portuguesa.

As Palavras Interditas dos Leitores

O Vitor Constancio também gaguejou.
Quem é que já não gagueja? Será falta de ar? Ou "O", já não saber que dizer?
A rendição "Final" aos factos, está para breve.
Mas é a "Verdade", Infelizmente!
Resta saber se há cura possível para tamanha "Ferida".

António Stein

Questão de Chapéus...

O General Loureiro dos Santos dá uma no cravo e outra na ferradura.
Vivendo do regime, melhor do que os seus colegas de armas de igual patente, gozando do benefício de ser um porta-voz oficioso para assuntos militares e de estratégia da 3ª República, mas integrado na Instituição castrense, o pobre General perde-se em redundâncias e em tempos mortos, entre o põe e tira o chapéu.

19.9.05

(I can´t get no) SATISFACTION

Porque quem canta seus males espanta... porque a leitura política se mantém actual e, igualmente, porque o tempo para escrever não tem sido muito.....

I can't get no satisfaction, I can't get no satisfaction
'Cause I try and I try and I try, try, try and I try
I can't get no, I can't get no

When I'm drivin' in my car, and the man come on the radio
He's tellin' me more and more, about some useless information
Supposed to fire my imagination

I can't get no. Oh, no, no, no. Hey, hey, hey
That's what I say
I can't get no satisfaction, I can't get no satisfaction
'Cause I try and I try and I try, try, try and I try
I can't get no, I can't get no

When I'm watchin' my TV and a man comes on and tell me
How white my shirts can be
But, he can't be a man 'cause he doesn't smoke
The same cigarettes as me

I can't get no. Oh, no, no, no. Hey, hey, hey
That's what I say
I can't get no satisfaction, I can't get no satisfaction
'Cause I try and I try and I try, try, try and I try
I can't get no, I can't get no

When I'm ridin' round the world
And I'm doin' this and I'm signin' that
And I'm tryin' to make some girl, who tells me
Baby, better come back maybe next week
'Cause you see I'm on a losing streak
I can't get no. Oh, no, no, no. Hey, hey, hey
That's what I say. I can't get no, I can't get no
I can't get no satisfaction, no satisfaction
No satisfaction, no satisfaction

(Mick Jagger)

15.9.05
























Giorgio de Chirico

RAZÕES DA MEDIOCRIDADE

Citando Fayga Ostrower:

«A natureza criativa do homem nasce do contexto cultural onde se encontra inserido. Todo o indivíduo cresce e desenvolve-se numa determinada realidade social, cujas necessidades e valorizações culturais se moldam aos próprios valores de vida. No indivíduo confrontam‑se, por assim dizer, dois pólos de uma mesma relação: a sua criatividade, que representa as potencialidades de um ser único, e a sua criação, que será a realização dessas potencialidades já dentro do quadro de determinada cultura embebida»

Citando Miguel Torga:

«Moeu‑me a paciência! Trinta anos, bem medidos, de tenacidade! Cheguei quase a desanimar. Vinha, olhava, tornava a olhar, e nada. Alcandorado no seu trono de penedos e nuvens, com o Douro ajoelhado aos pés e o céu a servir‑lhe de resplendor, o Santo furtava‑se ao retrato poético, de qualquer ângulo que eu apontasse a objectiva. Hoje, porém, de repente, entre duas perdizes, não sei por que carga de água, abriu o rosto e foi ele mesmo que me propôs o instantâneo. / ‑ Mostre lá então as habilidades... ‑ pareceu‑me ouvi‑lo dizer. / Nem escolhi enquadramento. Antes que se arrependesse, travei a espingarda e disparei a imaginação ao calhar, do sítio onde estava. / Na arte fotográfica propriamente dita, à sístole diafragmática segue‑se a revelação da película na câmara escura, rematada por alguns retoques amáveis às imperfeições da obra. No meu caso, não houve película, nem câmara escura, nem retoque nenhum. A imagem saiu como está do acto retentivo. Parecida com o original? Muito longe disso. Os poetas não trasladam feições».

Citando Fayga Ostrower:

«Todo o processo de elaboração e de desenvolvimento abrange um processo dinâmico de transformação, em que a matéria que orienta a acção criativa é transformada pela mesma acção. [...] Transformando‑se, a matéria não é destituída do seu carácter. Pelo contrário, é diferenciada e, ao mesmo tempo, é definida como um modo de ser. Transformando‑se e adquirindo uma nova forma, a matéria adquire unicidade e é reafirmada na sua essência. Ela torna-se matéria configurada, matéria‑forma, e nessa síntese entre o geral e o único é impregnada de significados»

António Ferreira, a Diogo Bernardes, aconselha o amigo:

Não mude ou tire ou ponha, sem primeiro
Vir aos ouvidos do prudente, experto
Amigo, não invejoso ou lisonjeiro.

[...] Per'isto, é bom remédio às vezes ler‑se
A dous ou três amigos; o bom pejo
Honesto ajuda então a melhor ver‑se.

Vitorino Nemésio, no poema «O Bicho Harmonioso» escreve:

Eu gostava de ter um alto destino de poeta,
[...]
Tudo isto seria aquele poeta que não sou,

Feito graça e memória,
Separado de mim e do meu bafo individualmente podre,
Livre das minhas pretensões e desta noite carcomida
Pelo meu ser voraz que se explora e ilumina.

A capacidade que cada um detêm para se afirmar, internamente, com maior ou menor grau de exigência nas suas acções, atribuindo-se satisfação ou pelo contrário criticar-se duramente e nunca ficando satisfeito com a obra realizada advém, com naturalidade, da dualidade surgida da aprendizagem feita da vida vivida com as impressões decalcadas do meio social e cultural onde cresceu e se moldou.

Não significa, forçosamente, que a condicionante social e cultural não possa ver-se melhorada e acrescida quando o indivíduo possui forte espírito crítico e enorme inteligência. A cultura espelhada é o reflexo da imagem das alegrias e frustrações apreendidas e da capacidade interpretativa das mesmas. Se o homem nasce e cresce rodeado de sentimentos pequenos e mesquinhos dificilmente o deixará de ser. O reflexo que projecta é, em grande parte, fruto dos reflexos colhidos de todos os outros com quem privou, que escutou e com os quais concordou ou discordou.

A própria essência do acto de concordar ou discordar é relativa e fortemente condicionada pelo espírito crítico, pela inteligência, capacidade de análise e cultura assimilada, tudo vertentes de um mesmo sólido: a aprendizagem efectuada e constantemente aumentada e reciclada. Estando a aprendizagem inteiramente dependente da transmissão oral e escrita, falhando em parte ou no todo aquela resta a leitura compulsiva e multifacetada para suprir as lacunas do conhecimento. Ficam contudo de fora as acções comportamentais associadas ao meio social onde cresceu e os valores retidos, estes normalmente incutidos pelo processo de transferência familiar.

Não é assim indiferente para a transformação da matéria todo o conjunto de significados apreendidos pelo indivíduo, influindo directamente na maneira de ser e no carácter deste. O maior ou menor grau de exigência que fixamos para nós próprios reflecte-se, directamente, na menor ou maior satisfação que retiramos dos nossos actos e na nossa própria realização. É a diferença entre acertar a bitola por cima ou preferir comparar por baixo.

É então claro que quanto maior o grau de compreensão dos fenómenos, maior o grau de exigência nos comportamentos e acções. Tendencialmente procuraremos os melhores e, ainda assim, viveremos confrontados com a realidade de que o que fazemos, todo o processo criativo fundido no geral e no particular, poderia ser ainda melhor e essa constatação e insatisfação simultânea leva a uma transmissão social e cultural cuidada e atenta, na esperança de que quem nos escuta e nos precede consiga fazer melhor.

Infelizmente para o Portugal político o conhecimento, a exigência individual e a consciência do colectivo foi vencido pela mediocridade no geral. Na mediocridade não há lugar para vozes discordantes só havendo mesmo lugar para os medíocres e os muito medíocres, porque a comparação se faz por baixo. O padrão não comporta significados nem carácter. A essência da coisa reside nos tiques pequeno-burgueses, adicionados a uma forte dose de impreparação cultural, ausência de postura e desconhecimento das regras de comportamento social.

É por culpa do homem político nacional que o País está como está: sem identidade, sem valores, sem história, sem cultura, sem educação. Em suma, sem sentido.

13.9.05

A MANIFESTAÇÃO POPULAR QUE FALTA

Os militares aguardaram pacientemente pelo doutíssimo (sem ponta de ironia) parecer do Tribunal Administrativo de Lisboa para conhecerem o destino da manifestação agendada para hoje terça-feira 13 de Setembro, depois de a terem visto recusada pelo Governo Civil e pelo Governo. Acataram as indicações do tribunal e reuniram-se em local privado.

Não se contesta o facto e até se concorda em absoluto que as forças militares e militarizadas não gozem dos mesmos direitos reivindicativos, na forma que não no conteúdo, da população civil. Os deveres são diferentes, as responsabilidades também. Um funcionário público ou um qualquer trabalhador por conta de outrém não jura bandeira quando inicia o exercício das suas funções.
O juramento de Bandeira implica um comprometimento perante a Nação e a Nação não se discute. Somos mesmo contra a existência de sindicatos nas forças militarizadas e igualmente contra as manifestações que têm sido levadas a cabo. Contudo importa destacar que a importância e imagem para o País da PSP é uma e a imagem das Forças Armadas é outra, com um claro peso de responsabilidade e reconhecimento da população a recair sobre esta última.
As Forças Armadas são o último bastião da Pátria.

Não se compreende, contudo, que devendo as Forças Armadas assumir um papel de recato nas suas reivindicações usando para o efeito os canais competentes, Estados-Maiores, para fazer chegar aos ouvidos da classe política dirigente as suas necessidades, mal-estares e anseios, que idêntico procedimento não tenha sido seguido em 1973 e 1974.

Ademais, encontrando-se o País em guerra com movimentos terroristas no Ultramar e sabendo-se como as situações de conflito armado servem às mil maravilhas para a progressão rápida nas carreiras militares, menos se compreende que os militares de carreira de então tenham preferido reivindicar pelas armas, através de um golpe de estado e ferindo de morte o juramento de bandeira que todos tinham proferido, uma questão de vencimentos e progressão nas carreiras quando se sentiram tapados e em pé de igualdade com os oficiais milicianos e não através do diálogo com o poder ou mesmo, tratando-se de situaçao insanável, requerido autorização para se manifestarem públicamente.

O resultado teria sido o mesmo; a proibição, mas todos nós teríamos tido oportunidade de perceber como se iria comportar o 3º Plano de Fomento, que tão boa conta de si deu no início, em 1973 quando eclodíu a crise do petróleo, colocando Portugal a crescer a 7,3% ao ano, contra cerca de 3% da restante Europa e isto sem quaisquer fundos vindos de Bruxelas.

Por via dessa imensa reivindicação salarial conhecida como 25 de Abril, ficámos todos mais pobres. Entregues à Europa, mais concretamente a Espanha, entregues a forças políticas minadas por políticos viciados na sedução do poder, na sua maioria impreparados para o exercício de cargos públicos pela incapacidade que demonstraram, durante trinta anos, em separar o interesse nacional dos interesses particulares e, verificamos agora também, a Forças Armadas a quem retiraram a sua única capacidade reivindicativa, a revolução, mostrando a classe política ter aprendido com a 1ª República ao diminuir militar e socialmente a sociedade castrense.
Não se infira destas palavras qualquer defesa de uma nova revolução assinada pelos militares portugueses. Contudo, tampouco se pode fazer orelhas moucas às súplicas constantes coincidentes num único sentido: a incapacidade do povo português de se fazer ouvir e dizer basta a tanta pouca vergonha, a um tão grande delapidar do património nacional, da sua economia e da crescente degradação das condições de vida nos planos económico e social.
Se os militares estão proibidos e bem de se manifestarem, tal proibição não é aplicável ao comum do cidadão.
Que venha então todo o povo para a rua, sem excepção, gritar bem alto a sua indignação pela condução da vida política e conómica do País aos gritos de VIVA PORTUGAL!

As Palavras Interditas dos Leitores

os fantasmas já não são fantasmas, antes e muito, corpos visiveis que tentam arrastar-nos para lÁ DO MAR, e com um pouco de sorte talvez cheguemos ao país da frontalidade...mas somos muitos azarentos, não é?

Mendes Ferreira

12.9.05

As Palavras Interditas dos Leitores

E o nosso maior receio é que, com a falta de soluções, a radicalização da sociedade comece a ganhar forma com contornos assustadores.
Começa a ser preocupante percebermos que não temos um Maestro capaz de dirigir uma orquestra que não atina com o andamento! Não fosse a situação Geopolítica, não estaríamos longe de uma Sul Americanização.Qual Sebastião, Qual Caudilho.
Os Fantasmas andam por aí!!!

Antonio Stein

9.9.05

RAZÃO DA REDUNDÂNCIA DA CRÍTICA POLÍTICA

A grande questão não reside na crítica política e económica constante, protagonizada à vez pela oposição aos governos PSD e PS que se sucedem. A grande questão, a enorme questão reside no facto de uns e outros não terem soluções para os problemas económicos e sociais do País, porque o País de tão mal orientado nas últimas décadas não apresenta saídas possíveis.

As economias, todas elas, necessitam de gozar de proteccionismos de peso maior ou menor, consoante a sua pujança económica, a inserção geográfica, o grau de desenvolvimento e o momento temporal considerado. Se assim não fosse não haveria razão para preocupações com os textéis chineses nem teria havido motivos válidos para a última cimeira entre China e UE nesta matéria.
Se se considera o princípio válido para regiões geográficas económicas diferentes, terá de se encarar como igualmente válido para países diferentes dentro de uma mesma região geográfica económica. A economia portuguesa não sofre das mesmas idiossincrasias nem apresenta os mesmos atributos que a economia francesa, como esta não se assemelha à economia alemã.
Tratar todos por igual só pode conduzir ao acentuar das diferenças, ao aumento das desigualdades, favorecendo os mais fortes e enfraquecendo, progressivamente, a capacidade de resposta dos mais fracos.

Portugal tem enfraquecido progressivamente ao longo dos anos, com pouco para oferecer se exceptuarmos a demagogia. O problema é estrutural pelo que, hoje por hoje, é igual ser o PS ou PSD a governar: são igualmente impotentes para travar o descalabro e, em economia, não existe D. Sebastião que nos valha.