21.7.05

E AGORA JORGE SAMPAIO...

Ainda não te ouvi dizer que ias ficar de olho no novo ministro das finanças.
Que perante a constatação de que todos os agentes, públicos e privados, confiavam nas posições do ministro cessante e perante a credibilidade que este inspirava, não irás permitir desvios em relação ao caminho de austeridade traçado e que estarás munido de atenção redobrada em relação às políticas financeiras do novo ministro e, concomitantemente, do governo.
Ainda não te ouvi nem irei ouvir.
Pobre País, não por teres este presidente e este sistema corrupto, mas porque tens exactamente o que mereces!

19.7.05


[Nº5] THE GOLDEN VOICES

COME FLY WITH ME...


Come fly with me, let’s fly let’s fly away
If you can use, some exotic booze
There’s a bar in far bombay
Come fly with me, we’ll fly we’ll fly away
.....
Come fly with me, let’s float down to peru
In lama land, there’s a one man band
And he’ll toot his flute for you
Come fly with me, we’ll float down in the blue
.....
Once I get you up there, where the air is rarefied
We’ll just glide, starry eyed
Once I get you up there, I’ll be holding you so near
You may here, angels cheer - because were together
.....
Weather wise it’s such a lovely day
You just say the words, and we’ll beat the birds
Down to Acapulco bay
It’s perfect, for a flying honeymoon - they say
Come fly with me, we’ll fly we’ll fly away
__________________________________________________________

"Não conte histórias de peixes numa roda de amigos.
Mas cuidado! Jamais conte tais histórias onde as pessoas conhecem os peixes!"
(Mark Twain)
Uma árvore sem frutos ou folhas, despida de qualquer beleza, escancara indecente a sua fraqueza, enquanto definha e morre.
Seja Outono ou Primavera.
Um País não morre mas verga-se ao peso da vergonha do seu povo no Inverno da sua frustração.
Só quando em algum lugar uma virgem engravidar, a árvore poderá florescer no Inverno, trazendo de novo a luz.

18.7.05

CONTRASTES...

Regorgito de alegria. O dia é bom, a noite é óptima. O dia é curto, a noite comprida. Gozo o folguedo da vida e, mais importante, partilho-a. E como adoro essa partilha. Caminho ao final do dia, olho os ponteiros - são 9.30 da noite. Deixo-me deslizar, mais do que caminhar, leve e seguro, certo de uma boa noite que se aproxima com amigos, uns petiscos, umas "gasosas" e muita conversa e galhofa. Olho em redor, ainda dia e quente o ar, já não o bastante para criar aquela sensação de desconforto de roupa semi-pegada ao corpo, aliás áquela hora já trocara de roupa duas vezes - hora de almoço e quando saí para jantar.
Caminho então solto de pensamentos quando passo ao lado de um caixote - quem deixaria um caixote ali, no vão de uma porta - e sigo. Impelido pela diferença percepcionada, de soslaio olho de novo aquele caixote. E "aquele caixote" é um homem todo coberto, descalço, com uns ténis espatifados meticulosamente arrumados a um canto. E dormia. Às 9.30 já dormia ou fingia, mas estava ataviado há mais tempo, pelo que aposto estaria assim desde as 8.30 p.m.. 8.30? Com um dia tão bonito? ...
O que são os dias? E ainda por cima adjectivados de bonitos? Os dias podem ser curtos ou compridos, dependendo das circunstancias. Para aquele homem o dia era igual ao outro dia e ao outro. Não existem dias para ele mas sim um simples dia. Sempre igual e, acima de tudo, tão comprido. Tão comprido e deprimente.
A noite sim é o aconchego e chega sempre tarde e vai-se sempre cedo. À noite aquele homem é um homem embrulhado num caixote, de identidade indefenida, esquecido dos seus próprios problemas e escondido de todos os outros homens. Na ausencia de identidade aquele homem encontra-se finalmente a sós consigo mesmo na ausencia do pensamento. Aquele "homem do caixote" quer tudo menos pensar. Dá graças a Deus por não ter caixa de correio - assim ninguém o pode maçar. Dá graças a Deus por não ter memória, de noite, que lhe permite dormir e descansar. Esconjura o demónio quando este lhe trás o passado, na forma de más recordações, de arrependimentos, de gestos impensados e atitudes egoístas que o afastaram de tudo e de todos. A vida deste homem é feita algures no limbo do errante passar de tempo onde se não quer o passado e não existe espaço para o futuro. Paradoxalmente, o "homem do caixote" foge todos os dias do presente que abomina mas com o qual cohabita na luta pela existência. Ele e o presente são inimigos fidagais e, em simultâneo, aliados essenciais. O "homem do caixote" gostaria de escapar a este presente, esperançado num futuro, preferindo um futuro incerto a um presente penoso na ausencia de novidade, na certeza da sempre presente igualdade. O presente nega-lhe a pretensão, inibindo o futuro de se apresentar. Para aquele homem o presente esmaga-lhe diáriamente o presumível futuro. Mas o presente, obrigando-o a uma ginástica dos diabos, vai-lhe garantindo a presença diária das necessidades básicas que o mantêm vivo, em dificuldades mas vivo. Traz-lhe em simultâneo a desconfiança e, mais ainda, a indiferença de todos os demais com quem se vai cruzando, aquilo que lhe custa mais, a sua inexistência na existência diária de um presente só seu e não mais partilhado. Tantos sonhos desfeitos, tantos desvarios, quantos azares e esquinas da vida que atraiçoaram o "homem do caixote".
Com a noite tudo se esquece e, com sorte, também na maioria dos dias. Mas aqueles dias são tão compridos e as noites tão curtas.
Toco à campaínha, sou recebido ao som de Sinatra - "Flying To The Moon" - um copo com vodka tónico na mão e um monte de amigos à mão para conversar. A noite promete e vai ser longa.
(situação fictícia mas possível)

A Morte... Posted by Picasa

LONDRES, 07/07

Nem sempre é possível escrever sobre temas específicos, sem que o exercício da escrita fique refém do exercício mental necessário à avaliação das causas - lógicas ou ilógicas, sustentadas ou meramente especulativas - de acções que forçam, naturalmente, à análise das possíveis razões que lhes subjazem, sem que para tal não seja consumido um significativo espaço de tempo. Igualmente o nosso principal inimigo aparece invariávelmente sob a capa da incapacidade de percepção da razão das coisas, da dúvida que paira sem resposta, do receio do ilógico, do que seja mentalmente irracional. E irracional é toda a situação que rodeia a prática terrorista. Quando falamos de terrorismo falamos do Mal, no mais duro e hermético sentido do termo. É do "tempo do Mal" que falamos, é na "era do Mal" que vivemos.
Recuamos quinhentos anos e verificamos existir à data, na sociedade ocidental, um espírito de profundo radicalismo cristão, bem desenhado nas acções perpetradas pela Santa Inquisição.
Mas igualmente constatamos ter a sociedade ocidental evoluído no sentido da abertura religiosa e social, franqueando as suas fronteiras a habitantes de outras proveniências geográficas, de credos e convicções diferentes. Confiámos na nossa organização de sociedade para demonstrar, cabalmente, a esses novos membros que poderiam confiar naqueles que os acolhiam, através de manifestações de respeito continuadas pelas diferenças culturais constatadas.
Em quinhentos anos o mencionado radicalismo deu lugar a sociedades abertas, de acolhimento, onde se discutiram e consagraram direitos fundamentais e regras de comportamento em sociedade que julgávamos universalmente aceites por todos os que delas aproveitaram. Supostamente criaramos um mundo melhor que os demais e esse facto, por si só, seria factor de reconhecimento a considerar em todas as circunstancias.
Contudo, os recentes actos de terrorismo cuja justificação pública deriva de concepções e filosofias diferentes de encarar a sociedade, na génese de profundas diferenças culturais e religiosas, dando-lhe um cunho universal derivada de uma enorme escalada ao nível geográfico, abandonando as suas fronteiras naturais e invadindo o nosso espaço, obriga-nos a um exercício de recúo no tempo, que vai para lá dos idos de mil e quinhentos.
Recuemos então mais de mil anos, quando os povos árabes invadiram a Europa e aqui se estabeleceram.
As verdadeiras razões das guerras e colonizações são e serão sempre de índole económica. Mas as guerras têm de ter motivações mais fortes que sirvam os interresses de catalização dos povos no sentido da sua adesão e apoio incondicional.
Quando os árabes entraram na Europa a razão foi económica: necessidade de expansão e aproveitamento das riquezas de terras fertéis. Para o efeito criaram colonatos, garantindo a todos os seus conterrâneos que decidissem abandonar as suas terras optando por instalar-se nos territórios recém-ocupados total isenção de impostos.
Este mecanismo garantíu o fluxo necessário de população para os novos territórios mas gerou em pouco tempo, igualmente, um mecanismo perverso: os povos colonizados, menos arreigados às suas convicções religiosas, não hesitaram em converter-se ao islamismo, beneficiando no momento imediatamente posterior de igual isenção de impostos.
Os árabes não esperariam semelhante "migração religiosa", e estranhando o comportamento, para eles totalmente impensável - basta verificarmos a enorme quantidade de mesquitas que proliferam no mundo ocidental e a enorme afluência de crentes às mesmas, capaz de envergonhar as muitas igrejas católicas e a fraca participação religiosa verificada - decidiram acabar com esse privilégio e proibir a conversão de católicos ao islão.
Os tempos foram mudando, as forças alteraram-se e os povos ocupados, gritando não ao opressor, escorraçaram-no da Europa e perseguiram-no na sua própria terra. Mas esta perseguição reveste-se de uma característica diferente: não se limitou a basear-se em razões económicas mas igualmente pretendeu empreender a conversão do islão ao cristianismo.
Os europeus foram para impôr a sua religião, os seus usos e costumes.
Dir-me-ão: isso passou-se há mil anos, não interessa para nada!
Pergunto eu: não interessa para nós, que o esquecemos há muito e que até já passámos por perseguições religiosas na Europa, mas será que os árabes esqueceram ? Será a memória dos homens capaz de transportar consigo ódios e códigos genéticos com mil anos?
Creio firmemente que sim!
Qual a razão, então, para acreditar em algo que nos parece tão inverosímil?
A razão é de ordem comportamental. Se estivéssemos a falar de terrorismo perpetrado por cidadãos árabes que aportavam na Europa carregados de bombas e ódio, dispostos a morrer por 72 virgens (há muitos disponíveis para o fazer, estou certo, até mesmo alguns ocidentais) e com um fito de destruição de alvos ocidentais, talvez a explicação passasse por uma outra estrada: cidadãos oriundos de países onde não existe estratificação social, onde não se verificam manifestações e discussões políticas, baseadas num comércio pobre e numa pastorícia primária, onde a razão de sobrevivência existencial reside no culto e fervor religioso, podería ser alimentada pelo ódio aos ocidentais, por atitudes recentes destes desde invasões, passando pelo petróleo e acabando em Israel.
Mas não. Estamos a falar de cidadãos árabes que cohabitam connosco desde há muito, gozando dos mesmos benefícios sociais, das mesmas escolas, frequentando os mesmo locais e baseando a economia doméstica no nosso modelo de sociedade. Que razões tão imperiosas conduzirão, então, homens e mulheres nesta situação a cometer actos tresloucados, indignos do próprio Corão. Só encontro uma razão válida: uma parte da populaçao árabe ainda não esqueceu um passado histórico longínquo, de mil anos, razão incompreensível para nós ocidentais sempre predispostos ao perdão e a esquecer, de convicções religiosas moderadas e vivendo em sociedades permissivas, defendendo intransigentemente direitos iguais para todos, independentemente de raça, credo ou cor política.
E como se resolve este problema?

Por uma dupla afirmação ocidental, sustento: por um lado a certeza de que os muçulmanos não são todos iguais e que é forçoso demonstrar, sem hesitações, a capacidade de continuar a acolher no nosso seio os seus melhores membros, dizendo não bem alto a toda a espécie de xenofobia; por outro lado,

  • dando caça de forma implacável a todos os terroristas e respectivas organizações, sem dar azo a aplicação de quaisquer direitos humanos como os consagramos, porque é de animais (perdoem-me os animais) que falamos e não de seres humanos,
  • sem limitar a actuação das forças no terreno às limitações da lei, que se aplica no regular e normal funcionamento da sociedade, mas que não é aplicável quando falamos de terrorismo porque é de agentes do mal que falamos,
  • porque é necessário deixar de criticar Guantánamo, mesmo que algumas injustiças sejam cometidas, porque é preciso deixar de falar em sevícias mesmo que algumas sejam manifestamente exageradas, porque de cada vez que o fazemos nos enfraquecemos e ao fazê-lo damos novas armas e alento ao inimigo.
Porque é de uma guerra que se trata e nós, ocidentais, não nos podemos dar ao luxo de a perder!

Neil Faulkner Posted by Picasa

17.7.05

APRENDENDO COM EÇA...

Nos Maias, obra sublime de Eça de Queiroz:
" - Falhámos a vida, menino!".
Ega, no regresso de Carlos, de Paris.

Daqui a dez anos, quando nos voltarmos para os nossos filhos e amigos confrontados à altura com a escassez de oportunidades na vida, com um dificílimo reconhecimento social, saídos de universidades portuguesas mal cotadas no "ranking europeu" resultado da Convenção de Bolonha e forçados a aprender espanhol se quiserem consultar um médico diremos, tal como Ega:
"- Falhámos Portugal, meninos! Falhámos a nossa vida e, mais grave, a vossa!"
Eça é que é Eça!...
posted by BlahBlahBlah

16.7.05

CONVERSA GRAVADA

da Autoria de Cruzeiro Seixas, poeta e pintor

As minhas coisas “acontecem”, porque são uma necessidade profunda. Um amigo meu, pintor, desejava o dia em que já não fosse capaz de pintar. Eu nunca seria capaz de o deixar de fazer. Em qualquer circunstância da vida vejo-me a garatujar num papel ou numa parede. Se considerar a pintura como uma “obra de arte” com tela, cavalete e materiais nobres, sinto-me assustado, mas esses problemas não se põem comigo, porque não é à obra de arte que aponto, e porque muito raramente utilizei materiais tidos como nobres. Desenhar e pintar são necessidades independentes de mim, que tem a sua parte de necessidade fisiológica.

Pergunta-me como comecei a fazer estes cadernos. Na verdade não fiz na adolescência o Diário que quasi todos os adolescentes fazem. Foi já muito tarde que comecei a alinhar breves notas daquilo que me ocorre no dia a dia, durante a semana ou durante o mês; as amizades, as inimizades, as descobertas (não descobrimos nada, está já tudo descoberto!), foi tudo isso o que fui apontando nos intervalos que tinha de outros afazeres. Nessas folhas ia metendo um bilhete de eléctrico, ou qualquer outra coisa que me sugerisse um momento vivido, fotografias de pessoas, e pequenas pinturas ou desenhos, etc, etc. São cadernos de uma grande fragilidade, constituídos por folhas de papel metidas em argolas, de maneira que com o tempo e com o folhear os buracos se rompem, e tudo aquilo sai do sítio. Foi um disparate usar tal excesso de fragilidade, mas já são trinta e tal cadernos, e seria impossível recomeçar. Alguém algum dia olhará com alguma benevolência este documento? Se calhar vão deitar fora tudo aquilo, pois é esse o destino de tantas coisas em Portugal. Mas esses cadernos aconteceram e continuam a acontecer, pois de certa forma disponho agora de mais tempo, passado o tempo em que fui tocado pela asa da pintura profissional. Isso já lá vai há muitos anos felizmente: Trata-se agora de deixar o meu depoiamento sobre um papel qualquer, com o lápis ou com a esferográfica que tenho à mão. Julgo que aqueles pequenos desenhos casuais, podiam afinal ser obra de arte, se transplantados para a tela e para o cavalete, digo-o sem falsa modéstia.

Na verdade nem quando pintei sobre tela usei o cavalete. De resto durante toda a minha longa vida, não devo ter pintado mais do que umas vinte telas. Elas correspondiam à tal necessidade profunda, mas também foram a maneira de sobreviver. Nunca acreditei muito naquilo que fiz, e o dinheiro que ganhava não dava para fotografar as obras. Assim, desorganizado como sou não sei o destino da maior parte do que desenhei e pintei. Justamente, há dias, numa entrevista, contava a estória de dois quadros que uma galeria tinha “descoberto”. Pediram-me para passar por lá para confirmar se os quadros eram de facto de minha autoria. Na minha idade avoluma-se a ideia de que o que fiz talvez não tenha qualquer mérito. Fui a essa galeria com um bocado de medo, e acabei por ficar tão satisfeito quanto possível. No entanto felicitei-me por não estar a fazer hoje a pintura profissional que vemos em galerias e em exposições.

Voltando aos “Diários” (prefiro designá-los como “Desaforismos”), eu não pensava que fosse possível serem editados, mas gostava evidentemente que alguém os folheasse. Foi um amigo espanhol quem mais se interessou por eles. Vive numa pequena e belíssima cidade, e o seu ganha pão é um quiosque onde vende lotaria. Por sua vez ele tem um amigo que tem uma modesta tipografia, e assim editaram 3 livros, maquetes originais, que o Mário Henrique Leiria me tinha oferecido, e que, sendo obras excepcionais, não tinham aqui merecido a atenção devida. Fiquei-lhes sempre muito grato, e a amizade estreitou-se. Visitamo-nos, e trocamos lembranças. De vez em quando presenteiam-me com restos de folhas que lá na tipografia reunem em caderno. A outras pessoas servirão para as contas do dia a dia, mas foi a partir daí, em folhas de papel de música, que passei a desenhar e a pintar, e a reunir Aforismos de diversos autores e os tais meus Desaforismos. Este caderno, mais uma vez casual, foi visto pelos irmãos António e João Prates da Galeria S.Bento, e resolveram-no incluir entre um projecto de edições numeradas e assinadas pelos autores, e resultaram bonitas edições. Esse livro intitula-se “Local onde o Mar Naufragou”. Outro livro recentemente editado reúne principalmente poesia e desenhos datados dos anos 40/60. Trata-se de uma nova editora, mas o livro é extremamente cuidado, e pode ser classificado de luxuoso. O livro intitula-se “Viagem sem regresso”, e a editora é “Tiragem Limitada”.

O meu método de desenho é não ter método. Tirei apenas o quinto ano de desenho da Escola António Arroio, mas com os professores nunca aprendi nada. Nunca gostei de aprender, a não ser comigo mesmo. A técnica é coisa muito de se lhe tirar o chapéu, mas não é o principal. Além disso, por certo, para ela não estou vocacionado. A alma é a minha técnica, e se há algum valor naquilo que faço, isso advém de um excesso de alma.

Repito que sempre utilizei papéis de acaso, por vezes quadriculados ou de 35 linhas. Parecia-me que ninguém quereria comprar tais coisas, mas o passar dos anos vieram a me revelar o contrário. Se há realmente alguma glória naquilo que fiz (glória é uma palavra evidentemente excessiva), ela advém desta experiência, de conseguir algum consenso, usando tais suportes.

Quanto às figurações que se movimentam naquilo que desenho e pinto elas vêm directamente do subconsciente, mas também dos encontros que vamos fazendo pelas ruas, dos livros que lemos, das guerras e das fomes, e de uma ou outra coisa boa que ainda nos toca. Muitos dos desenhos são feitos quando estou ao telefone. Com a atenção dividida, aquilo que aparece é mais livre; a mão vai e vem por ali fora, como traçando um gráfico. Conheço pintores, que muito prezo, que são capazes de dizer como vai ser o próximo quadro. Eles já sabem tudo, já o estão a ver. Eu, estou cego diante do papel ou da tela. Se “visse” o quadro antes de o fazer, por certo já não o faria, pois me pareceria que já tinha passado o seu tempo. Mas o meu método não será o melhor, pois que não dá para ser um grande nome da pintura. O que vos deixo são apenas depoimentos ou testemunhos.

Charles Willmott Posted by Picasa

BOA TARDE....

Depois de uma semana complicada regresso à actividade normal.

12.7.05

Pátria

Soube a definição na minha infância.
Mas o tempo apagou
As linhas que no mapa da memória
A mestra palmatória
Desenhou.

Hoje
Sei apenas gostar
Duma nesga de terra
Debruada de mar.

(Miguel Torga)

Portugal

Avivo no teu rosto o rosto que me deste,
E torno mais real o rosto que de tou.
Mostro aos olhos que não te disfugura
Quem te desfigurou.
Criatura da tua criatura,
Serás sempre o que sou.

E eu sou a liberdade dum perfil
Desenhado no mar.
Ondulo e permaneço.
Cavo, remo, imagino,
E descubro na bruma o meu destino
Que de antemão conheço:

Teimoso aventureiro da ilusão,
Surdo às razões do tempo e da fortuna,
Achar sem nunca achar o que procuro,
Exilado
Na gávea do futuro,
Mais alta ainda do que no passado.

(Miguel Torga)

10.7.05

Beautiful City

Beautiful city, the centre and crater of European confusion,
O you with your passionate shriek for the rights of an equal
humanity,
How often your Re-volution has proven but E-volution
Roll’d again back on itself in the tides of a civic insanity!

(Tennyson)

Arbuckle Posted by Picasa

AS FRAQUEZAS E IMPREPARAÇÕES DE MARQUES MENDES...

Na Assembleia da República, o Dr. Marques Mendes interpela o Primeiro Ministro, dando-lhe conta de que se estaria a apossar deste um certo estado de nervosismo derivado da actual situação económica e das medidas recentemente tomadas pelo executivo. E aquele, o nervosismo, teria origem no imenso nervoso que assola, transversalmente, toda a sociedade portuguesa. Quem assim fala não pode ser gago e tem de ter contra-resposta à altura e preparada ou uma muito razoável capacidade de improviso, necessáriamente inteligente.
O Primeiro Ministro respondeu que nervoso estaria ele, Marques Mendes, com os resultados das últimas eleições. E Marques Mendes ficou-se, calado e triste no seu canto, sem qualquer resposta.
Enquanto a bancada socialista se rendia em palmas à resposta do líder, ficou-nos a imagem de uma oposição chefiada por um gago, mal preparado e pouco capaz de tiradas expontâneas, atributos necessários de um bom tribuno, ainda mais quando lidera a segunda força política nacional (se é que o exercício político de Marques Mendes possa ser apelidado de liderante).

A Presidenta...

Primeira Dama?
A República é um sofisma!

AS VIAGENS PRESIDENCIAIS...É FARTAR VILANAGEM

Alguém me explica o interesse nacional da visita à América do Sul de Sua Exa. o Sr. Presidente da República e respectiva mulher?
Porque a mim cheira-me a cartuchos de fim de festa, às últimas benesses e benefícios que são concedidos sem necessidade de qualquer tipo de explicação racional e, já agora, porque não nacional.
E tudo à custa do erário público.

QUESTÃO DE NÚMEROS...

Já todos nos demos conta da numerosa comunidade chinesa em Portugal.
Alguém é capaz de me dizer quantos óbitos de cidadãos chineses estão registados em Portugal?
Podem ser os últimos dez anos, como poderão ser os últimos vinte ou os últimos cinco, tanto faz. Só gostaria de saber quantos são.

Os Chineses, Marques Mendes e a precipitação, má conselheira política...

A questão da imigração apresenta diversas leituras possíveis. Quando os movimentos migratórios resultam da necessidade das populações buscarem sustento "fora de portas", sempre foram bem recebidas desde que um princípio de base se mostrasse coincidente com os interesses das economias de acolhimento: a necessidade dos fluxos migratórios como forma de fazer face a necessidades conjunturais.
No entanto, quando os movimentos migratórios são financiados pelos governos dos países de origem dos imigrantes, como instrumento de massificação do seu prório comércio, através do escoamento de bens e serviços e da mobilidade de parte das populações, resulta que as economias de acolhimento começam a correr sérios riscos de serem canibalizadas, principalmente se estivermos a falar de economias fracas, com pouco poder de compra.
Tecer comentários sobre situações requer, sempre, exercícios de análise e o Dr. Marques Mendes com as palavras proferidas sobre o Dr. A. João Jardim mostrou, claramente, não se ter debruçado sobre a questão e de não ter efectuado uma análise concisa e profunda às raízes das preocupações projectadas nas palavras do P. do Governo Regional da Madeira.
E não me falem em xenofobia, porque não é disso que se trata, mas sim da sobrevivência do micro e pequeno comércio, o mesmo é dizer, de uma fatia importante do tecido social português!

7.7.05


Yankee Stadium at night, NJ Posted by Picasa

DO SENTIMENTO TRÁGICO DA VIDA

Não há revolta no homem
que se revolta calçado.
O que nele se revolta
é apenas um bocado
que dentro fica agarrado
à tábua da teoria.

Aquilo que nele mente
e parte em filosofia
é porventura a semente
do fruto que nele nasce
e a sede não lhe alivia.

Revolta é ter-se nascido
sem descobrir o sentido
do que nos há-de matar.

Rebeldia é o que põe
na nossa mão um punhal
para vibrar naquela morte
que nos mata devagar.

E só depois de informado
só depois de esclarecido
rebelde nu e deitado
ironia de saber
o que só então se sabe
e não se pode contar.

(Natália Correia)

6.7.05


Sherree Daines Posted by Picasa

Teach Your Children - CSNY

You who are on the road
Must have a code that you can live by
And so become yourself
Because the past is just a good bye

Teach your children well
Their father's hell did slowly go by
And feed them on your dreams
The one they picks, the one you'll know by

Don't you ever ask them why, if they told you, you will cry
So just look at them and sigh and know they love you

And you of tender years
Can you hear what do you care and
Can't know the fears that your elders grew by
Do you see what must be free
And so please help them with your youth
To teach your children you believe
They seek the truth before they can die
They make a world that we can live in

Teach your parents well
Their children's hell will slowly go by
And feed them on your dreams
The one they picks, the one you'll know by

Don't you ever ask them why, if they told you, you would cry
So just look at them and sigh and know they love you

(Graham Nash)

[Nº13]THE SCIENCE ADVENTURE


de viva voz

Excerto de: "The Goal of Human Existence"
"Ladies and gentlemen, our age is proud of the progress it has made in man's intellectual development. The search and striving for truth and knowledge is one of the highest of man's qualities - though often, the pride is most loudly voiced by those who strive the least. And certainly we should take care not to make the intellect our god; it has, of course, powerful muscles, but no personality. It cannot lead, it can only serve; and it is not fastidious in its choice of a leader. This characteristic is reflected in the qualities of its priests, the intellectuals. The intellect has a sharp eye for methods and tools, but is blind to ends and values. So it is no wonder that this fatal blindness is handed on from old to young and today involves a whole generation."

5.7.05

ENTREVISTA de JS ao Diário Semanal

excerto da entrevista concedida por José Sócrates ao Diário Semanal, no número de Julho, a propósito do investimento público previsto até 2009:
  • DS - Quais as medidas que o senhor se prepara para anunciar ao país?
  • JS - O Governo prepara-se para investir 25 mil milhões de euros na economia portuguesa e criar 120.000 novos postos de trabalho, a um ritmo de 30.000 por ano até 2009. Há-de concordar que este é um esforço enorme no sentido da modernização da economia portuguesa e da sua revitalização. E estou a falar de apenas 1/5 do investimento total previsto para esta legislatura.
  • DS - Alguma razão para avançar com o TGV e o aeroporto da OTA, quando as carências do País são manifestamente enormes e são pedidos crescentes sacrifícios aos portugueses ?
  • JS - Ainda bem que me coloca essa questão. A razão para esse investimento prende-se, fundamentalmente, com ..PIIP....e por essa razão resolvemos avançar já. Não podemos esquecer que ..PIIP...Em resumo são estas as razões do Governo.
  • DS - Ah! E porquê uma verba tão pequena afecta à educação e à saúde ?
  • JS - É com gosto que respondo a essa questão. Considero fundamental...PIIP... pelo que esperamos que na próxima década a alavancagem conseguida através de...PIIP...faça de Portugal um País totalmente diferente.
  • DS - Aaahh! E a banda larga? É convicção do governo que este Portugal tem capacidade de colocar, à imagem do sonho de Bill Gates, um computador em casa de uma larga maioria de portugueses, em tão pouco tempo, que justifique o destaque dado à medida? Não seria mais proveitoso alicerçar o ensino universitário nas tecnologias de ponta, pela dotação de mais e melhor equipamento de cálculo, ou mesmo de programação e planificação de toda a actividade escolar, a exemplo do que se passa noutros países europeus, nomeadamente França e Inglaterra?
  • JS - Repare. Como já lhe expliquei, a dotação para o ensino vai permitir que...PIIP...pelo que a questão não se coloca. Por outro lado considero importante, diria mesmo fundamental que Portugal nos próximos anos ...PIIP...pelo que essa medida, como reconhecerá, faz todo o sentido.
  • DS - Aaaaaahhhh! Mas e a contestação a essas medidas, aos custos imensos de um comboio de alta velocidade, ao investimento no aeroporto da Portela e, em simultâneo na OTA, com as críticas a surgirem de todos os quadrantes e o País carregado de sacrifícios. Que resposta tem para dar aos críticos do pacote que agora anuncia?
  • JS - ...PIIP...PIIP...PIIP...PIIP...PIIP....Agora não respondo a mais perguntas dos senhores jornalistas. Obrigado.

SITUAÇÕES QUE NÃO SE EXPLICAM NEM JUSTIFICAM...

No TalvezTeEscreva.

Concordo por inteiro e acrescento ser o tema dos manuais escolares uma das muitas imagens claras de um Portugal revisto em interesses primários, desvirtuado e sem sentido.
Um País que não anda à deriva como muitos afirmam porque se encontram, das maiores às mais pequenas, razões de lógica para todas as "coisas". Infelizmente para todos, as várias lógicas que imperam não têm o denominador comum do interesse nacional. São parciais, têm destinatários e atingem os fins a que se propuseram, estas lógicas conflituais com o interesse do todo.
Mas não são intemporais. Deveriam ser assumidas e consumidas com recato, para que pudessem perdurar no tempo sem se tornarem aviltantes. Não são assim, as lógicas vigentes. Gordas, pouco inteligentes de tão expostas que se tornaram, assumem a marabunta como princípio e a mediocridade como cartilha. Duram menos assim e, quando caírem, farão um enorme estrondo e estardalhaço.
Que a queda das "lógicas de interesses" seja pelo menos rápida, porque é de certeza inevitável e, aqui como em tudo o resto no Mundo, o tempo conta.
E o tempo, por agora, joga contra nós portugueses!

4.7.05


Sherree Daines Posted by Picasa

SONETO

Apartava-se Nise de Montano,
Em cuja alma, partindo-se, ficava,
Que o pastor na memória a debuxava,
Por poder sustentar-se deste engano.
Pelas praias do Índico Oceano
Sobre o curvo cajado se encostava,
E os olhos pelas águas alongava,
Que pouco se doíam de seu dano.
«Pois com tamanha mágoa e saudade
(Dizia) quis deixar-me a que eu adoro,
Por testemunhas tomo céu e estrelas.
Mas se em vós, ondas, mora piedade,
Levai também as lágrimas que choro,
Pois assim me levais a causa delas.»

(Luis de Camões)

MONTANO

Por volta do séc. I a Igreja toma um segundo fôlego. A sua influência estende-se até ao interior da Síria e da Ásia Menor. Plínio, o Jovem, encontra imensos cristãos mesmo nos limites do Mar Morto.
Uma carta de Plínio, relata o progresso do cristianismo no ano de 112 d.c.. Já em Bitínia, a mil quilómetros de Jerusalém e a dois mil e quinhentos quilómetros de Roma, a Boa Nova criara uma comunidade cristã, viva e em simultâneo poderosa, invejosa e denunciante, que ameaça fortemente a "Pax" Romana.
Na época de Trajano (Marco Ulpio, Imperador romano 98-117), o centro difusor do cristianismo na Ásia já não é Jerusalém mas Antióquia, plataforma comercial com rotas para todos os pontos do globo conhecidos.
Toda a costa oriental do Mediterrâneo, desde Antióquia até Pérgamo está já estruturada em "igrejas", que gravitam em volta de Efeso e de Esmirna. Esta era a província romana de "Asia e Frígia", aberta ao Norte ao Bósforo e Bizâncio, e ao Sul até à Síria.
A Ásia Menor é uma terra de gente generosa, onde os homens são crédulos e capazes de enormes exaltações. Estas características não tardam a criar fortes preocupações à Igreja que vêm ensombrar o séc. II. Num lugar obscuro de nome Ardabau, na fronteira entre a Frígia e Misia, MONTANO, um recém convertido de espírito tão débil quanto exaltado começou a captar as atenções mercê de demonstrações de extâse, onde aparecia como possuído por uma força interior muito superior à força humana, acabando por tomar-se a si mesmo como o Espírito Santo. Desta figura nasceu o movimento montanista, que chegou a estender-se desde a Ásia até Roma e Cartago.

2.7.05

Buuuuu... para a RTP1

Vergonhosa a transmissão do LIVE 8 pela RTP.
Dois bons exemplos da aculturação televisiva, carregados de lugares comuns interrompem a transmissão a cada momento, para nos "encherem" de baboseiras totalmente escusadas, repetindo-se até ao infinito. É brutal! como já ouvi 5 vezes seguidas no espaço de 40 segundos pela boca de uma pseudo locutora com ares de boazona e convencida, mas de valôr semelhante ao da irmã copista.
Será que esta gente nunca ouvíu que quando se escuta música, se deve fazê-lo no mais absoluto silêncio?
Bbbrrrrrr.....horroroso!
BOA TARDE...

Sherree Daines Posted by Picasa

1.7.05

Questões de LEALDADE...

«É impossível, é irracional, ir a Bruxelas e regressar às respectivas capitais gritando, invariavelmente, que vencemos», como se se tratasse de um qualquer campeonato de boxe, critica Durão Barroso, defendendo que «são pessoas assim que estão a destruir a própria ideia de União Europeia. E o meu dever é denunciar isso». José Manuel Barroso, Pres. Comissão Europeia

Embora garantindo não estar a falar de «pessoas em concreto», o The Guardian assegura que os destinatários das críticas são, efectivamente, Jacques Chirac e Tony Blair, este último já críticado por Durão Barroso aquando da Cimeira europeia, altura em que o português deixou «um conselho de amigo» ao primeiro-ministro inglês, para que colocasse os interesses da Europa à frente dos interesse do Reino Unido.
in DD
José Manuel Durão Barroso, maoísta de formação, liberal por conveniência, primeiro-ministro por um acaso temporal, europeísta por opção e Pres. Comissão Europeia por vaidade e interesse pessoal, esquece o elementar quando se refere ao Reino Unido:
  • os britânicos ao longo da história dos séc. XIX e XX colocaram, bastas vezes, o interesse da Europa à frente dos seus interesses, numa demonstração clara de respeito pelos laços de amizade e tratados firmados com outras Nações europeias, suas aliadas.

Pedir a José Manuel Durão Barroso, homem que na sua vida conheceu tantas mudanças e alterações de "espírito", que entenda o que é o dever de lealdade, parece um exercício difícil de exigir. Mas não o peça ele a outros, que perante a Europa sempre responderam "sim", mas cuja maior obrigação é para com o seu próprio POVO e só para com este são, de facto, devedores de toda a lealdade.

30.6.05

NEW YORK, NEW YORK


Start spreading the news,
I’m leaving today
I want to be a part of it - New York, New York
I wanna wake up in a city, that doesn’t sleep
And find I’m king of the hill - top of the heap.


These vagabond shoes, are longing to stray
Right through the very heart of it - New York, New York

These little town blues, are melting away
I’ll make a brand new start of it - in old New York
If I can... make it there, I’ll make it... anywhere
It’s up to you - New york, New York

I want to wake up in a city, that never sleeps
And find I’m a number one... top of the list, king of the hill
A number one .....(every time I hit that note, I feel such a pain, right over here)

(slow)These little town blues, are melting away
I’m gonna make a brand new start of it - in old new york
And if I can make it there, I’m gonna make it anywhere
It´s up to you - New York New York

[Nº 5] THE GOLDEN VOICES

THE RAT PACK

"We're not setting out to make Hamlet or Gone with the Wind. The idea is to hang out together , find fun with broads, and have a great time. We gotta make pictures people enjoy." Frank Sinatra
"The Satisfaction I get out of working with these two bums is that we have more laughs than the audience." Dean Martin


"Between us we knew everyone in showbusiness." Sammy Davis Jr.,

29.6.05

No Interesse da Nação...

É fundamental deixar a contestação ao nível que está: na "Rua"!
Concordando ou discordando com as medidas impostas por este governo socialista, as críticas deverão ser únicamente construtivas por parte de quem tem a formação suficiente para analisar e criticar transversalmente.
Porque os problemas nacionais atravessam toda a sociedade, porque a economia não é inesgotável, porque a paciência social tão pouco o é, torna-se necessário dar espaço para que a governação suceda e se perceba, em definitivo, se o País, funcionando no actual sistema organizativo, tem solução.
Caso se verifique a sua funcionalidade, ficaremos todos aliviados. Senão, a contestação de "Rua" fará sentir o seu peso na mudança.
Que a ninguém, consciente e de boa fé, lhe possa ser imputado em momento tão crítico da nossa longa História a responsabilidade de ter prejudicado, através de comentários e críticas destrutivas, o superior interesse da Nação.

ANGIE

Angie, Angie
When will those clouds all disappear
Angie, Angie
Where will it lead us from here

With no lovin' in our souls
And no money in our coats
You can't say we're satisfied
Angie, Angie
You can't say we never tried

Angie, you're beautiful, yeah
But ain't it time we said goodbye
Angie, I still love you
Remember all those nights we cried

All the dreams we held so close
Seemed to all go up in smoke
Let me whisper in your ear
(whispered): Angie, Angie
Where will it lead us from here

Oh Angie don't you weep
Or your kisses, they'll taste sweet
I hate that sadness in your eyes
But Angie, Angie
Ain't it time we said goodbye

With no lovin' in our souls
And no money in our coats
You can't say we're satisfied
But Angie, I still love you baby
Everywhere I look I see your eyes
There ain't a woman that comes close to you
Come on baby dry your eyes

Angie, Angie
Ain't it good to be alive
Angie, Angie
They can't say we never tried

(Jagger, Richards)

1990 e 1995 (Alvalade), 2003 (Coimbra), 2006 (?)....
Sometimes, we can get what we want Posted by Hello

28.6.05

Portugal e o "Rating"

A revisão em baixa do "rating" da S & P para a República Portuguesa, de AA para AA-, só tem uma leitura possível:
  • a economia portuguesa não garante estabilidade e capacidade de resposta aos problemas económicos que atravessa;
  • só é possível que o "rating" tenha sido fixado no patamar AA-, mais por efeito directo da zona euro, do que por mérito próprio da economia portuguesa;
  • caso a economia europeia se mantenha com crescimentos muito baixos, o residual possitivo para a nossa economia será insuficiente (estamos hoje totalmente dependentes das performances dos mais fortes países europeus, nomeadamente Alemanha) para respondermos cabalmente às crescentes necessidades e à erosão que a actividade económica vem apresentando;
  • na situação actual é com crescente dificuldade que as empresas portuguesas mantêm as suas quotas no mercado interno, pelo que o encerramento de empresas e a consequente perca de postos de trabalho são uma evidência.

Têm razão todos os que dizem que não é grave a revisão da classificação da nossa economia, aos olhos dos agentes económicos internacionais, como têm razão todos os que dizem que é grave.

Paradoxal? Nem tanto! O problema reside em Portugal, numa economia que não apresenta problemas conjunturais porque serão já todos estruturais, ou quase.

Assim, o que ambos os lados afirmam é que a revisão em baixa era espectável, sendo que para uns temos de nos habituar a viver com esse horizonte e, para os outros, o Sol há muito se foi e a classificação AA- ainda peca por excesso e, assim sendo, diminuindo a boa vontade diminuirá a confiança na nossa economia, na proporção directa do aumento do custo da dívida pública.

A situação é galopante, como em todas as tesourarias depauperadas.

27.6.05


James Longueville Posted by Hello

Jeito de escrever

Não sei que diga.
E a quem o dizer?
Não sei que pense.
Nada jamais soube.

Nem de mim, nem dos outros.
Nem do tempo, do céu e da terra, das coisas...
Seja do que for ou do que fosse.
Não sei que diga, não sei que pense.

Oiço os ralos queixosos, arrastados.
Ralos serão?
Horas da noite.
Noite começada ou adiantada, noite.
Como é bonito escrever!

Com este longo aparo, bonitas as letras e o gesto - o jeito.
Ao acaso, sem âncora, vago no tempo.
No tempo vago...
Ele vago e eu sem amparo.
Piam pássaros, trespassam o luto do espaço, este sereno luto das
horas. Mortas!

E por mais não ter que relatar me cerro.
Expressão antiga, epistolar: me cerro.
Tão grato é o velho, inopinado e novo.
Me cerro!

Assim: uma das mãos no papel, dedos fincados,
solta a outra, de pena expectante.
Uma que agarra, a outra que espera...
Ó ilusão!
E tudo acabou, acaba.
Para quê a busca das coisas novas, à toa e à roda?

Silêncio.
Nem pássaros já, noite morta.
Me cerro.
Ó minha derradeira composição! Do não, do nem, do nada, da ausência e
solidão.

Da indiferença.
Quero eu que o seja! da indiferença ilimitada.
Noite vasta e contínua, caminha, caminha.
Alonga-te.
A ribeira acordou.


(Irene Lisboa)

26.6.05


(Sittin' On) The Dock Of The Bay
Sittin in the morning sun,
I`ll be sittin' when the evening come,
Watching the ships roll in,
And I'll watch 'em roll away again, yeah,
I'm sittin' on the dock of the bay,
Watching the tide roll away, ouh,
I'm just sittin' on the dock of the bay,
Wasting time.
I left my home in Georgia,
Headed for the Frisco bay
I have nothing to live for,
Look like nothings gonna come my way,
So I'm just go sit on the dock of the bay
Watching the tide roll away,
I'm sittin' on the dock of the bay,
Wasting time
Look like nothings gonna change,
Everything still remain the same,
I can't do what ten people tell me to do,
So I guess I'll remain the same, yes,
Sittin' here resting my bones,
And this loneliness won't leave me alone, yes,
Two thousand miles I roam
Just to make this dock my home
Now I'm just go sit at the dock of the bay
Watching the tide roll away, ooh
Sittin' on the dock of the bay
Wasting time
Otis Redding

25.6.05


Mark Rowbotham Posted by Hello

Poema

...
O Sweetheart, hear you
Your lover's tale;
A man shall have sorrow
When friends him fail.

For he shall know then
Friends be untrue
And a little ashes
Their words come to.

But one unto him
Will softly move
And softly woo him
In ways of love.

His hand is under
Her smooth round breast;
So he who has sorrow
Shall have rest.
...
(James Joyce)

PREOCUPAÇÕES LEGÍTIMAS....DE TODOS NÓS

O Governo mostra-se preocupado com o previsível crescimento da "economia paralela", provocado pelo aumento da taxa de IVA para 21%.
Por outras palavras, muito mais puras e cristalinas:
O GOVERNO ESTÁ PREOCUPADO COM AS MEDIDAS QUE TOMA!

24.6.05

[31] The Jazz Mansion


Benny Carter, 1936 Posted by Hello

Symphony in Riffs - partitura dos "altos"
(Benny Carter) Posted by Hello
Bom Dia...

Sherre Daines Posted by Hello

"O PARADIGMA HIPÓCRITA" OU "UM ESTADO SEM PRESTÍGIO"

  • A execução de funções no sector público, quaisquer que sejam, não têm um reconhecimento nem uma aprovação idênticas, por parte da opinião pública, a serviços equivalentes prestados na actividade privada. A constatação comprova-se pela diferença remuneracional, desfavorável ao funcionário público, que nenhum governo se atreve a alterar.
A remuneração moral e prestígio social desapareceram há 30 anos.
  • Os funcionários públicos, conscientes do mau funcionamento do Estado, acabaram por perder o respeito por si próprios, projectando esse mesmo sentimento no utente público (fenómeno igualmente erosivo vive a Banca há cerca de 10 anos, ao nível do balcão e da figura do gestor de conta).
  • Numa tentativa de minimizar as profundas alterações sofridas pelo estatuto de funcionário público ao longo dos anos, defende-se por vezes o modelo francês, forçosamente hipócrita não só por definição (é francês) mas pela manifestação da vontade de querer "mostrar" uma Administração apolítica, modelo que supostamente salvaguarda os interesses dos utentes e do País, justificando assim a "queda" de importancia da função pública como um ajustamento das relações entre as esferas pública e privada.
  • Desta forma e muito rápidamente chega-se a um modelo em que a elite nacional não nasce no desempenho de altas funções do estado, transitando mais tarde para o sector privado, mas ao modelo inverso, onde os gestores privados, consumadas as suas fortunas, vêm ser aplicadas as suas competências na gestão de negócios privados à defesa dos interesses públicos. Parecendo à primeira vista uma fórmula crível de ser utilizada não resiste, contudo, à análise da interpretação fria que conduz à conclusão que, com semelhante modelo, se desdenha a capacidade de evolução dos escalões hierárquicamente inferiores na Administração Pública.
  • Não existindo evolução dentro da função pública, a nomeação de "estrelas" do sector privado, na forma de "past" qualquer coisa, desde administradores até consultores, pretende muito menos passar competencias do privado para o público e, muito mais, embelezar o Estado aos olhos dos cidadãos - que não dos funcionários - transmitindo-lhe um prestígio que o Estado já não tem condições de conseguir por si próprio.
  • Por outro lado, esta fórmula encerra em si mesma uma enorme dose de veneno: ao aceitarem lugares públicos, os gestores não conseguem fazer do Estado uma empresa mas transmitem a exacta noção que o Estado só é credível se se parecer com uma empresa. Contudo, no Estado exige-se uma clara distinção entre o escalão executivo e o poder decisório, princípio que colide claramente com a administração e gestão das empresas. Estaremos, assim, perante uma clara contradição.
  • Perdida a dignidade de outrora, a autoridade e reconhecimento social de depositários do interesse público, concorrendo com interpretes que chegam constantemente do exterior e que bastas vezes são instrumentos de manipulação de interesses privados, os funcionários públicos acabam por se amesquinhar, definhar, concorrendo para um mau funcionamento público, para um arrastar de processos, tornando-se no alvo fácil - "the sitting duck" - das associações patronais e empresariais e dos políticos afanosos em passar um discurso populista, que pareça sofisticado, mas que na realidade enferma da capacidade de determinar sériamente quais os verdadeiros problemas da Administração e do Estado moderno, da degradação da sua imagem e da incapacidade de encontrar um modelo alternativo.
Se é que existe um verdadeiro interesse em reformar a Administração Pública.

21.6.05

CITANDO UM GRANDE AMIGO

Os homens providenciais, na vida como na morte, roubam-nos a liberdade de os criticar...

[Nº 22]

Nascido em 21 de Junho de 1905...

Jean-Paul Sartre Posted by Hello
Jean Paul Sartre não teve filhos. Ninguem que tenha filhos "está só, abandonado na terra" nem os intentos que se fixam são os mesmos depois de se ter filhos, nem os destino que forjamos para nós são os mesmos. Tudo se relativiza e muitas vezes a ordem se prioridades inverte-se ou até deixa de fazer sentido. Há objectivos maiores. Plus. Em Sartre tudo foi uma farsa, até o casamento que todos julgavam ideal com Simone do Beauvoir (vide livro que ela escreveu logo após a sua morte). Há pensadores assim; pensadores da Utopia, mas que seria da vida sem utopia?? No dia em que cada homem só contar consigo próprio estaremos reduzidos a uma sociedade egoista, ditatorial, contrária a todos os valores democráticos e distituida de humanismo.
BlahBlahBlah

JEAN-PAUL SARTRE

" O Homem não obterá nada a não ser que primeira entenda que só pode contar consigo próprio; que está só, abandonado na terra no centro das suas infinitas resonsabilidades, sem ajuda, com nenhum outro intento que não o que ele próprio fixa, sem nenhum outro destino que não o que forjou para si próprio nesta terra."
De "Ser e Não-Ser" (1943)

20.6.05

POEMA

Disse-te adeus e morri
E o cais vazio de ti
Aceitou novas marés.
Gritos de búzios perdidos
Roubaram dos meus sentidos
A gaivota que tu és.


Gaivota de asas paradas
Que não sente as madrugadas
E acorda à noite a chorar.
Gaivota que faz o ninho
Porque perdeu o caminho
Onde aprendeu a sonhar.


Preso no ventre do mar
O meu triste respirar
Sofre a invenção das horas,
Pois na ausência que deixaste,
Meu amor, como ficaste,
Meu amor, como demoras.


(Vasco Lima Couto)

19.6.05


a água, elemento fundamental do equilíbrio humano. Posted by Hello

QUESTÕES DE LÓGICA...

Não houvi, durante a corrente semana, um único encómio ao Dr. Alvaro Cunhal que não pudesse ser atribuído ao Prof. Oliveira Salazar.
Como elogios houve que não podiam ser atribuídos ao Dr. Alvaro Cunhal (o facto de ser um portugues sentido), mas que o seriam sem qualquer dúvida ao Prof. Oliveira Salazar, gostaria de ver a interpretação da importância histórica de cada um, para Portugal, na boca dos analistas, jornalistas e políticos assumida a disposição de comparar um e outro, partindo de um "se" fundamental: e se Alvaro Cunhal tivesse chegado ao poder...

Winslow Homer Posted by Hello

A favor de uma Europa "Free Trade Area"

A Europa terá de caminhar, inevitávelmente, para o conceito de Zona de Comércio Livre e abandonar a peregrina ideia de União Política Económica e Monetária.
A Política sofreu um sério revés.
A Económica prova não estar à altura das necessidades dos países e começa a apresentar as fisssuras mal disfarçadas quando do último alargamento.
A Monetária tem criado problemas recessivos para os quais os países não têm soluções. E se não forem recessivos serão inflaccionistas.
Chegou a altura de fazer a agulha para o caminho económico lógico e possível:
uma grande Zona de Comércio Livre.

COISAS QUE SE NEGOCIAM, OUTRAS NÃO...

A questão das verbas comunitárias funciona como um sistema de vasos comunicantes.
Os estados ricos assumem uma verba como aceitável para as suas economias, para contribuirem para os fundos de coesão (repito: em Portugal, muitos destes fundos tiveram características próximas da indemnização e não da coesão) assumindo o papel de contribuintes líquidos. Os restantes países recebem esses fundos, partilhados de acordo com lógicas de necessidade negociadas umas e impostas outras e, são, os países receptores líquidos das verbas distribuídas pelos Quadros Comunitários de Apoio (QCA).
Quando se sai para uma negociação de fundos onde se tem como cenário mais dez países fruto do último alargamento - portanto maiores necessidades de fundos - e temos, em simultâneo, um conjunto de reivindicações dos contribuintes líquidos assim resumíveis:
  1. Holanda quer ver reduzido o valor da sua contribuição
  2. R. Unido quer receber integralmente o valor que respeita ao "cheque Tatcher"
  3. França e, também Alemanha, não permitem uma nova redução no valor relativo das ajudas da Política Agrícola Comum (PAC) no valor total do orçamento comunitário;

só temos de assumir que não prescindindo uns de receber o que entendem ser da mais elementar justiça e, outros, que de acordo com igual justiça, entendem que deverão contribuir com bem menos e sabendo de antemão que os estados de mão estendida são agora mais dez, só com uma imensa boa vontade se poderia supor que a suposta redução de 17% no valor atribuível a Portugal, tendo como base de cálculo o III QCA, seria um dado adquirido. Só o seria se as exigências enunciadas atrás não existissem (e os nossos governantes sabem-no bem, mas preferem escamotear a informação).

Não é nem era esse o caso. Este, o caso, é muito sério.

E quando fôr possível chegar a um acordo, a redução para Portugal não será de 17%, mas muito maior. É pegar ou largar.

Mas como ninguém nos disse qual o objectivo português, as reais necessidades de fundos do País - embora me pareça surrealista estar a exigir fundos de quem produz, para financiar economias laxistas, onde não há produção de riqueza (cheira-me a chulice..) - qualquer valor negociado será anunciado como políticamente muito bom, atendendo às circunstâncias e às desculpas que se começaram a desenhar de imediato nos "media", na classe política e no porta-voz do governo, que acumula a função com a de correspondente da RTP1 (será que também acumula vencimentos?) em Bruxelas.