12.9.05

As Palavras Interditas dos Leitores

E o nosso maior receio é que, com a falta de soluções, a radicalização da sociedade comece a ganhar forma com contornos assustadores.
Começa a ser preocupante percebermos que não temos um Maestro capaz de dirigir uma orquestra que não atina com o andamento! Não fosse a situação Geopolítica, não estaríamos longe de uma Sul Americanização.Qual Sebastião, Qual Caudilho.
Os Fantasmas andam por aí!!!

Antonio Stein

9.9.05

RAZÃO DA REDUNDÂNCIA DA CRÍTICA POLÍTICA

A grande questão não reside na crítica política e económica constante, protagonizada à vez pela oposição aos governos PSD e PS que se sucedem. A grande questão, a enorme questão reside no facto de uns e outros não terem soluções para os problemas económicos e sociais do País, porque o País de tão mal orientado nas últimas décadas não apresenta saídas possíveis.

As economias, todas elas, necessitam de gozar de proteccionismos de peso maior ou menor, consoante a sua pujança económica, a inserção geográfica, o grau de desenvolvimento e o momento temporal considerado. Se assim não fosse não haveria razão para preocupações com os textéis chineses nem teria havido motivos válidos para a última cimeira entre China e UE nesta matéria.
Se se considera o princípio válido para regiões geográficas económicas diferentes, terá de se encarar como igualmente válido para países diferentes dentro de uma mesma região geográfica económica. A economia portuguesa não sofre das mesmas idiossincrasias nem apresenta os mesmos atributos que a economia francesa, como esta não se assemelha à economia alemã.
Tratar todos por igual só pode conduzir ao acentuar das diferenças, ao aumento das desigualdades, favorecendo os mais fortes e enfraquecendo, progressivamente, a capacidade de resposta dos mais fracos.

Portugal tem enfraquecido progressivamente ao longo dos anos, com pouco para oferecer se exceptuarmos a demagogia. O problema é estrutural pelo que, hoje por hoje, é igual ser o PS ou PSD a governar: são igualmente impotentes para travar o descalabro e, em economia, não existe D. Sebastião que nos valha.

[Nº 33] THE HOUSE OF BLUES

MUDDY WATERS

Baby, please don't go
Baby, please don't go
Baby, please don't go,
down to New Orleans
You know I love you so

Before I be your dog
Before I be your dog
Before I be your dog
I get you way'd out here, and let you walk alone

Turn your lamp down low
Turn your lamp down low
Turn your lamp down low
I beg you all night long, baby, please don't go

You brought me way down here
You brought me way down here
You brought me way down here
'bout to Rolling Forks, you treat me like a dog

Baby, please don't go
Baby, please don't go
Baby, please don't go, back the New Orleans
I beg you all night long

Before I be your dog
Before I be your dog
Before I be your dog
I get you way'd out here, and let you walk alone

You know your man down gone
You know your man down gone
You know your man down gone
To the country farm, with all the shackles on

8.9.05

IMBECILIDADES

A propósito de José Diogo Madeira e um seu artigo no Jornal de Negócios e porque quase tudo o que os articulistas nos impingem é mau e, igualmente, porque por vezes não apetece comer e calar, refere-se ao citado senhor que os Estados Unidos da América não são um País porque são uma Confederação de Estados e porque se fossem um País em português seria é e não são!

Igualmente se ilustra a capacidade de resposta rápida e eficiente a todo e qualquer desgraçado e funesto acontecimento que aconteça em território americano, bem como a disponibilidade para ajudar terceiros quando estes necessitam. Belíssimo exemplo encontramos no Plano Marshall e na preciosa contribuição americana no esforço europeu do pós-guerra ou a mais recente intervenção no Iraque, com elevados custos humanos e materiais, que possibilitou a aproximação entre judeus e palestinianos, a desocupação militar do Líbano e um aliviar de tensões na zona do Golfo Pérsico.

Confundir os EUA com o terceiro-mundo é igual a confundir a História com a Geografia.

Por último e porque imbecilidades não nos devem tomar mais do que o tempo necessário para as denunciar, acrescento que caso Diogo Madeira fosse cidadão americano ou lá trabalhasse certamente não seria articulista num jornal de negócios, tão fraca é a prosa e tão lerdo o pensamento, mas caso o fosse (sendo necessáriamente alguém diferente), teria muito que comentar sobre negócios e empresas não necessitando de recorrer à política baixa e barata.

7.9.05

cabeças políticas complicadas....


Santa-Rita Posted by Picasa

A (MÁ) POLÍTICA DO POSSÍVEL...

Toda a propaganda que inunda as nossas maiores cidades na procura do voto autárquico é, na sua maioria, patética. Os slogans repetem-se ao ritmo das promessas vetustas, todas bem acompanhadas por sinais claros de ausência de qualquer planificação urbanística numa ilustração cabal da ausência de respeito para com as populações. A falta de respeito marca fortemente a actuação autárquica nacional, quer falemos do governo central quer falemos das Camaras Municipais. Os raros exemplos de cuidado urbanístico surgem nalgumas localidades no Alentejo, no Minho e em Castelo Branco. Todo o restante País é o espelho desgraçado da bandalheira política a que, forçados, nos temos habituado a suportar nos últimos vinte anos.

Longe vão os tempos da discussão política acesa, dos disparates políticos mas igualmente da crença depositada no novo regime. Hoje os políticos estão desacreditados, a discussão política é insípida e vazia de conteúdo, feita de aproveitamentos de circunstância nos temas escolhidos, muito dirigida para a árvore e longe da capacidade de visão do global. E quando este é abordado inundam-nos de lugares comuns e de muitas asneiras. Hoje não se acredita no sistema nem se acredita nas pessoas, porque o sistema, cá como lá fora, não responde às necessidades das populações e os políticos estão todos presos por rabos de palha, tão grande tem sido a promiscuidade quer interpartidária, quer intrapartidária. Ninguém está livre de ser acossado na praça pública, pelo que o exercício do poder se consagra, fundamentalmente, pela ausência de acção política.

Justificam-se assim actos de candidatura à revelia dos partidos, não porque só grasse a pouca vergonha nas personagens que se candidatam como independentes, mas principalmente porque estes conhecem os mensalões de todos os outros e perguntam-se: "sou só eu? Cadê os outros?"! E assim avançam. A lógica (?) que impera é a da classificação da pouca vergonha, ao estilo dos concursos de beleza; o importante é a comparação. Se alguém sabe de outrém, sendo que a única diferença é o conhecimento ou não público do facto, avança na lógica(?) do mal igual ou menor.
Bom exemplo temo-lo agora com as recentes declarações de um autarca ,afastado das listas do seu partido para a Câmara do Porto, que sem hesitações proferíu afirmações que incomodam e agitam as eleições na segunda cidade do País.
Muitos têm o rabo preso e todos eles são de mais para este desgraçado País, como fácilmente se constata pelo estado calamitoso a que a economia, a saúde, a educação, a velhice e a política chegou.

Prevejo umas eleições autárquicas muito difíceis para o PSD, com candidatos frouxos, outros desavindos, outros ainda divididos e uma liderança política fraca e sem chama. Marques Mendes fala pouco, diz pouco, sabe pouco e o pouco que diz onde impera a razão fá-lo sem convicção.
(nota: neste particular o Primeiro-Ministro não está melhor, diria mesmo que por inerência do cargo está bem pior. Pergunto-me: ainda estará de férias? Ninguém o sente, ninguém o ouve. Fossem estes outros tempos e o que já não tinha soado).

Prevejo de seguida umas presidenciais difíceis para o centro-direita a confirmar-se a candidatura de Cavaco Silva. A sua personalidade, postura e intervenção política enquanto primeiro-ministro está longe, muito longe de congregar o centro-direita. Dentro da massa anónima votante por norma PSD, conheço muitos que não votarão no Professor. E as razões são diversas.
O risco de Cavaco Silva perder para Soares existe e, se assim fôr, uma vez mais (após as eleições legislativas) a vitória não seria obtida por mérito do candidato vencedor, mas por demérito do vencido, apresentando-se a votação com contornos de castigo.

O País ficaria então ainda pior (se possível), porque se passaria a votar, claramente, pela negativa, pela penalização e não pela assumpção da existência de qualidades morais, políticas e humanas nos candidatos.
Em última instância este facto equivalerá a afirmar em definitivo que o sistema está fortemente viciado, empobrecido e carente de qualidade.
Os tempos seriam então, forçosamente, de mudança.
Para melhor espera-se, com o empenho de todos.

5.9.05

POEMA

Terrível é o homem em quem o senhor
desmaiou o olhar furtivo das searas
ou reclinou a cabeça
ou aquele disposto a virar decisivamente a esquina.
Não há conspiração de folhas que recolha
a sua despedida. Nem ombro para o seu ombro
quando caminha pela tarde acima.
A morte é a grande palavra para esse homem
não há outra que o diga a ele próprio.
É terrível ter o destino
da onda anónima morta na praia.

Ruy Belo

Valerie Fast Posted by Picasa

2.9.05

No fim da vaidade o começo da imbecilidade...

«Talvez que esse excesso de procura e consciencialização nos afastasse humanamente uns dos outros. Literatos num sentido polemizante, ficava-nos pouco tempo para reparar no semelhante que vivia ao lado. E eu espantava-me de não ser capaz de encontrar entre aqueles companheiros de inconformismo e de ilusão um amigo que me desse tanto gosto de ver de vez em quando como o Alvarenga. Bons camaradas quase todos, tinham, contudo, os defeitos das próprias virtudes. Intelectualizados da cabeça aos pés, mal tocavam a realidade. Eram platónicos no amor, teóricos no desporto, metafísicos no convívio. A convicção de serem únicos distanciava-os do vulgo, tornando-os incapazes dum contacto permanente com as forças rasteiras da natureza.»

Miguel Torga

Crónicas Dispersas de Outros Tantos Temas...

Mário Soares voltou. Cavaco Silva prepara-se para voltar, oficialmente, porque oficiosamente já aí está. Apetece dizer: -São sempre os mesmos, até doi!
José Pacheco Pereira diz, bem, que o problema de Soares não se deve colocar na idade mas ao nível das ideias. De facto não deverá funcionar a idade como um ferrete, um rótulo, capaz por si só de determinar com exactidão da maior ou menor capacidade intelectual de um qualquer indivíduo. Conheço muitos que muito mais novos são autênticos imbecis e outras que a provecta idade só se encontra mesmo no BI, mostrando uma imensa sabedoria e, mais importante, uma enorme capacidade de análise e discernimento. Não seja então a idade o elemento castrador das pretensões, sejam estas quais forem.
No plano das ideias, quanto a Mário Soares estamos falados. Já não serviam há vinte anos quando foi eleito pela primeira vez pelo que não se poderá esperar que sirvam agora.
Contudo a questão da idade tem, a despeito do que foi afirmado, que ser colocada por duas razões fundamentais: a) não se acredita que a abertura a novas ideias, a novos conceitos tenha sucedido em simultâneo com o passar dos anos, bastando atentar nos argumentos esgrimidos por quem defende a sua candidatura para se perceber que Soares é entendido como garante da política "dejá vu"; b) igualmente pela singularidade de se reconhecer que vinte anos passados não conseguiram trazer à tona dirigentes políticos ( ao menos um) que mereça ser escrutinado numa votação presidencial - isto mesmo reconheceu Monjardino na passada 4ª feira após o arranque oficial da candidatura de Mário Soares.
E chegamos ao caminho onde entronca o problema maior, provávelmente o único, porque passa esta 3ª República: tudo, mas mesmo tudo, gira à volta dos partidos e como os partidos ( as pessoas que activamente colaboram nos partidos) fizeram de tudo, mesmo o inimaginável, para reduzir a política a uma actividade pouco recomendável, nos últimos trinta anos todos os políticos forjados nos partidos são, por definição, pouco recomendáveis e nada credíveis aos olhos da população. Desta forma surge aos olhos de todos como solução mais do que lógica, a única possível mesmo, recorrer ao parque jurássico da política nacional para de lá arrancar uns candidatos a presidentes desta república partidocrática. Mesmo aqueles que presumam ter condições para desempenhar cabalmente o cargo de Presidente da República recuam perante a possibilidade de serem escrutinados, cientes que estão que estas eleições, como as demais, são totalmente dominadas pelos partidos e que os eleitores votam nestes com a mesma convicção com que são do clube A ou B desde pequeninos. O espírito crítico foi erradicado da sociedade portuguesa, por vontade política, em simultâneo com o crescimento da alienação alimentada pelas novelas e pelo futebol, também por igual vontade política. E depois, antes de 1974 é que eram famosos os três F´s. Deixem-me rir (mesmo que ao som do Jorge Palma, embora a solo seja mais redentor). Agora também temos um F, mas de lixados. Até nesse aspecto estamos mais pobres, só temos um F.
Os partidos são o centro, o epicentro, da vida nacional. Mas não podemos esquecer que acima de todos, dos homens e dos partidos, de toda e qualquer ideologia, está e estará sempre a PÁTRIA.
A questão não é, então, ideológica e não se discute ao nível das ideias. A questão é moral e discute-se ao nível da honestidade moral. Deseja-se ardentemente que a honestidade moral seja acompanhada de honestidade intelectual, para bem de todos, da Nação.
Quando colocado o problema no seu verdadeiro enquadramento estamos conversados quanto a moral e quanto a honestidade, seja ela qual fôr. Um laico que evoca Jesus Cristo no seu discurso (mesmo que citando Pessoa, embora fora do contexto) já nos disse tudo. Esqueçam o resto: está tudo verdadeiramente dito!

Voltamos então à questão das ideias: sem moral as ideias são perigosas, sejam estas quais forem!

Há um ano e meio o PS, na oposição, atacava fortemente o governo PSD em matéria de prevenção de fogos. Há um ano, o PS pretendia assar o governo nas chamas que consumiam Portugal. Em Maio deste ano o PS, já governo, anunciava com pompa a criação de um gabinete de prevenção e combate a incêndios. Meses depois, com o País quase por inteiro ardido, o PS vem anunciar a decisão de comprar em 2006 meios eficazes de combate aos incêndios - leia-se aviões capazes de transportar uns milhares largos de água de cada vez.

O Presidente da República afirmava, pouco tempo antes, que teriam de ser tomadas acções correctivas capazes de dotar o País dos meios necessários ao combate a incêndios por se encontrar o País perto do limite do sustentável. Perto do limite? O Sr. Presidente deveria fazer estas afirmações no local dos incêndios, perante assistências compostas por gente afectada pelas chamas, que tivessem perdido os seus haveres ou mesmo que tivessem sofrido apenas enormes sustos, para verificar da sustentabilidade da sua retórica. Ah, pois, fazem-me sinal que seria necessário que os presentes soubessem escutar e interpretar as palavras correctamente e não estivessem imbuídos, únicamente, da enorme vontade de aplaudir toda e qualquer asneira verbalizada pela ilustre figura do Presidente, pelo respeito que esta inspira mais do que pela personagem que desempenha no momento aquelas funções. (Será que este respeito ainda vem do tempo da outra Senhora? Se não vier, então as palmas são mesmo por falta de estudos, como diria o outro). Porque será o PR tão condescendente com o governo socialista? Resposta: os PR´s deixaram de se preocupar com essa utópica ideia de terem de parecer presidentes de todos os portugueses. Melhor assim, ficam clarificados os lados do campo e acabam as hipocrisias. Os futuros Presidentes sê-lo-ão dos respectivos partidos e seus militantes e simpatizantes e nada mais do que isso, pelo que me é possível afirmar agora convictamente e sem rebuço de espécie alguma que nunca em trinta anos de partidocracia tive um Presidente que considerasse meu.

De qualquer forma pergunto-me: onde pára a oposição? Nem uma palavra se ouve a Marques Mendes ou qualquer outro destacado elemento do PSD.

Levaram tanta pancada e agora nada ? Agora que podiam falar, cheios de razão, ficam calados? Estranho?, nem por isso. Os partidos, todos sem excepção, estão no limiar da credibilidade e com eles toda a partidocracia que cresceu e envolve a República. Tal como na Monarquia Constitucional e na 1ª República, a actual situação cheira a podre e ainda mais a esturro e não só por incidência directa do flagelo das chamas. Os partidos protegem-se na esperança de continuarem a aproveitar da belíssima situação de que gozam, distribuindo tachos e favores, partilhando os cargos e bens materiais sem preocupações com cores e programas políticos. Atingirem-se uns aos outros agora, num momento de enorme fraqueza seria ainda mais suicidário, pelo que a alternativa reside no silêncio formal e polítcamente assumido. O País definha, os despojos do moribundo são cada vez menos, mas enquanto se tenta uma inclusão no espaço ibérico como parente pobre de Espanha, vai-se engolindo ávidamente o pouco que sobra. Sim, porque não se pense que é a UE a salvaguarda de uma modificação política no País. Caso acontecesse a UE ainda nos agradecia o pretexto para mostrar claramente e sem equívocos qual a porta de saída.

O El País deu à estampa na passada segunda-feira um enorme artigo onde atacava Portugal, a sua política, os políticos, os últimos trinta anos e ainda o actual governo de forma virulenta. Todos sabemos que os espanhóis adoram dizer mal de nós. Chateia mas passa. O que custa verdadeiramente não é o ataque, a que nos habituámos ao longo dos anos: o que verdadeiramente custa é ser tudo verdade e isso não chateia, dói e, ainda por cima, não passa!

De Regresso...

Neil Faulkner

5.8.05


Richard Murrin Posted by Picasa

O TGV, OBRA FUNDAMENTAL

na arquitectura de uma Europa concebida nos corredores de Bruxelas e Estrasburgo.
A questão não é diferente da Consituição Europeia, só se apresenta com outras roupagens e faz parte de outro vértice do problema. Mas a intenção é a mesma: esticar o triângulo pelos vértices, criando novo triangulo de maior dimensão.

ESTUDOS SOBRE A OTA E O TGV

Porque razão são tão falados e repetidamente apontados como justificação para o investimento a efectuar mas não são publicitados e discutidos públicamente?

Quais as razões para escamotear, continuamente, a existência de soluções complementares à Portela, como serão os casos de Alverca e Montijo e, acima de tudo, porque razão não são claramente apontadas as deficiências da Portela e a incapacidade de dotar esta infraestrutura dos meios necessários para garantir o seu funcionamento nos próximos cinquenta anos?
Igualmente o TGV é de todo incompreensível e entre todas as razões possíveis avulta uma bem acima de todas as outras: Portugal não necessita de se aproximar nem mais um centímetro ou minuto sequer de Espanha. Mais, Portugal precisa urgentemente de deixar cair a ideia da Ibéria, de ganhar notoriedade e independência em relação ao gigante espanhol. Caso contrário, como a qualquer pequena planta à sombra de um embondeiro, definhará e morre.
É necessário provocar e promover o debate público em torno destas questões e não permitir que se aproveite o Agosto para tomadas de decisões eminentemente decisivas no futuro próximo do País. Estamos todos demasiado habituados a decisões tomadas à sombra de gabinetes e à revelia da discussão e interesse públicos.
É necessário gritar BASTA!, dizer claramente que a população deste País não é um mero número num cartão de eleitor ou contribuinte mas que é a razão primeira da existência e organização da sociedade e do estado. Se os dinheiros públicos são esbanjados e os interesses nacionais vilipendiados então eu digo, claramente, que toda a população se insurja, que venha para a rua mostrar o seu descontentamento, que deixe em conjunto de entregar os seus impostos ao estado depositando-os, preventiva e provisóriamente, em contas estabelecidas para o efeito em instituições financeiras de primeira ordem. Que questione, sem margem para dúvidas, a execução da função política do estado e dos detentores de cargos políticos.
Agosto - o Sol, a praia, o mar...

Richard Murrin Posted by Picasa

O PAÍS ARDE...

A seca imensa aliada a um calor tórrido contribui, decisivamente, para que o País esteja a sofrer profundamente com esta enorme vaga de incêndios. Muitos milhares de portugueses vêem as suas vidas já difíceis totalmente destroçadas, mais ainda quando na sua infinita sabedoria reconhecem que a sua dôr só dura nas memórias o tempo exacto da notícia passada num qualquer telejornal.
O País não tem condições de prevenir primeiro e combater, depois, o flagelo dos fogos. Como terá então para ajudar a endireitar as suas difíceis vidas?
A miséria bate-nos à porta de diferentes maneiras, a todos, por via directa ou indirecta.
O País fica todos os dias mais pobre.

ALGUÉM ME DIZ

o que foram Cavaco e Soares fazer a Belém?
Sendo a propositura de uma candidatura à Presidência um acto de estrita vontade pessoal, caso eu me decidisse a candidatar a presidente e recolhidas que estivessem as 7.500 assinaturas, será que Jorge Sampaio também me receberia?
A questão é puramente retórica, porque nem eu quereria ser recebido por Jorge Sampaio nem lhe reconheço competência alguma de que pudesse usufruir ou ser-me útil. Mas em tese mantenho a pergunta: será que seria recebido?

ONDE PÁRA A LIBERDADE...

As preocupações crescentes de perca de soberania económica, espelhadas em artigos de opinião e estampadas na última edição do Expresso, mais não são que a consequência directa de uma política feita nos últimos trinta anos, mais no respeito do internacionalmente correcto e, nos últimos vinte de uma obediência cega a Bruxelas, acompanhada por uma classe política impreparada e pouco ou nada dotada para o exercício de cargos e funções públicas, ocupados que estão estes, sistemáticamente, por actores políticos que encontram nas suas nomeações sentidos claros de prémios político-partidários e muito menos de reconhecimento de reais competências para os respectivos desempenhos.

Aliás a constatação surge-nos, clara, quando verificamos os cortes nos vencimentos e regalias estabelecidos, bem como nos anos de mandatos possíveis de efectuar. Caso o exercício político fosse consagrado como sério e competente, sendo estas premissas fundamentais aquando das nomeações para cargos políticos, estes, os políticos, deveriam ver as suas remunerações crescer à imagem do crescimento económico e social do País, como forma de chamar os mais capazes para a causa pública e premiar os mais competentes. Igualmente, através do voto, as populações saberiam distinguir entre a competência e a inação políticas e determinariam, sem constrangimentos e em consciência, os seus representantes autárquicos, quer sejam eles nacionais quer sejam locais.
Não é esta a realidade. Em Portugal vota-se em partidos e não em pessoas e os partidos premeiam não os melhores mas todos aqueles que em nome de uma disciplina partidária se sujeitam a todas as situações, se adaptam a todas as circunstâncias. É premiado o seguidismo, as "entourages" e não o livre pensamento e discernimento, sendo mesmo proibído inovar e propôr caminhos alternativos. A política é redonda, os discursos são redondos, as responsabilidades são nulas.
O sistema protege a mediocridade. Perante a evidência da fobia de entregar políticamente Portugal a Espanha, como se depreende pela defesa do TGV Lx-Madrid e pelo aeroporto da OTA, depois de entregue económicamente, pergunto sem receio, se para todos os que se sentem portugueses e se orgulham da sua história a presente situação é mais aceitável do que a ditadura que vivemos entre 1928 e 1974.
Haverá verdadeira liberdade num País colonizado no séc. XXI através do pior instrumento colonizador inventado pelo homem, o económico, onde são crescentes os sacrifícios pedidos à população e onde já não cabem razões tantas vezes invocadas de aumento da qualidade de vida, dos serviços primários, da saúde e da educação, ou pelo contrário será essa liberdade maior num País onde o seu povo sofrendo carências menores e de menor risco nacional pode, contudo, de pleno direito e de sua livre vontade conspirar contra o regime político que o governa?
O homem é um animal conspirador e eu afirmo, convictamente, que prefiro a segunda à primeira.
O mês de Agosto é feito de isto mesmo, de intermitências na actividade intelectual e de um necessário descanso propiciando um arrumar de ideias tão necessário na "rentrée" em Setembro. É assim, por minha necessidade, que o palavras interditas se interdita nas palavras durante o corrente mês. Igualmente pela necessidade de aproveitar o mês frouxo do ano para acelerar na recta final de uma tese que está a ser elaborada com imenso gozo.
Por estas e outras razões o palavras interditas não conhece calendário em Agosto.
Em Setembro voltará a normalidade........ ao blogue.