5.9.05

POEMA

Terrível é o homem em quem o senhor
desmaiou o olhar furtivo das searas
ou reclinou a cabeça
ou aquele disposto a virar decisivamente a esquina.
Não há conspiração de folhas que recolha
a sua despedida. Nem ombro para o seu ombro
quando caminha pela tarde acima.
A morte é a grande palavra para esse homem
não há outra que o diga a ele próprio.
É terrível ter o destino
da onda anónima morta na praia.

Ruy Belo

Valerie Fast Posted by Picasa

2.9.05

No fim da vaidade o começo da imbecilidade...

«Talvez que esse excesso de procura e consciencialização nos afastasse humanamente uns dos outros. Literatos num sentido polemizante, ficava-nos pouco tempo para reparar no semelhante que vivia ao lado. E eu espantava-me de não ser capaz de encontrar entre aqueles companheiros de inconformismo e de ilusão um amigo que me desse tanto gosto de ver de vez em quando como o Alvarenga. Bons camaradas quase todos, tinham, contudo, os defeitos das próprias virtudes. Intelectualizados da cabeça aos pés, mal tocavam a realidade. Eram platónicos no amor, teóricos no desporto, metafísicos no convívio. A convicção de serem únicos distanciava-os do vulgo, tornando-os incapazes dum contacto permanente com as forças rasteiras da natureza.»

Miguel Torga

Crónicas Dispersas de Outros Tantos Temas...

Mário Soares voltou. Cavaco Silva prepara-se para voltar, oficialmente, porque oficiosamente já aí está. Apetece dizer: -São sempre os mesmos, até doi!
José Pacheco Pereira diz, bem, que o problema de Soares não se deve colocar na idade mas ao nível das ideias. De facto não deverá funcionar a idade como um ferrete, um rótulo, capaz por si só de determinar com exactidão da maior ou menor capacidade intelectual de um qualquer indivíduo. Conheço muitos que muito mais novos são autênticos imbecis e outras que a provecta idade só se encontra mesmo no BI, mostrando uma imensa sabedoria e, mais importante, uma enorme capacidade de análise e discernimento. Não seja então a idade o elemento castrador das pretensões, sejam estas quais forem.
No plano das ideias, quanto a Mário Soares estamos falados. Já não serviam há vinte anos quando foi eleito pela primeira vez pelo que não se poderá esperar que sirvam agora.
Contudo a questão da idade tem, a despeito do que foi afirmado, que ser colocada por duas razões fundamentais: a) não se acredita que a abertura a novas ideias, a novos conceitos tenha sucedido em simultâneo com o passar dos anos, bastando atentar nos argumentos esgrimidos por quem defende a sua candidatura para se perceber que Soares é entendido como garante da política "dejá vu"; b) igualmente pela singularidade de se reconhecer que vinte anos passados não conseguiram trazer à tona dirigentes políticos ( ao menos um) que mereça ser escrutinado numa votação presidencial - isto mesmo reconheceu Monjardino na passada 4ª feira após o arranque oficial da candidatura de Mário Soares.
E chegamos ao caminho onde entronca o problema maior, provávelmente o único, porque passa esta 3ª República: tudo, mas mesmo tudo, gira à volta dos partidos e como os partidos ( as pessoas que activamente colaboram nos partidos) fizeram de tudo, mesmo o inimaginável, para reduzir a política a uma actividade pouco recomendável, nos últimos trinta anos todos os políticos forjados nos partidos são, por definição, pouco recomendáveis e nada credíveis aos olhos da população. Desta forma surge aos olhos de todos como solução mais do que lógica, a única possível mesmo, recorrer ao parque jurássico da política nacional para de lá arrancar uns candidatos a presidentes desta república partidocrática. Mesmo aqueles que presumam ter condições para desempenhar cabalmente o cargo de Presidente da República recuam perante a possibilidade de serem escrutinados, cientes que estão que estas eleições, como as demais, são totalmente dominadas pelos partidos e que os eleitores votam nestes com a mesma convicção com que são do clube A ou B desde pequeninos. O espírito crítico foi erradicado da sociedade portuguesa, por vontade política, em simultâneo com o crescimento da alienação alimentada pelas novelas e pelo futebol, também por igual vontade política. E depois, antes de 1974 é que eram famosos os três F´s. Deixem-me rir (mesmo que ao som do Jorge Palma, embora a solo seja mais redentor). Agora também temos um F, mas de lixados. Até nesse aspecto estamos mais pobres, só temos um F.
Os partidos são o centro, o epicentro, da vida nacional. Mas não podemos esquecer que acima de todos, dos homens e dos partidos, de toda e qualquer ideologia, está e estará sempre a PÁTRIA.
A questão não é, então, ideológica e não se discute ao nível das ideias. A questão é moral e discute-se ao nível da honestidade moral. Deseja-se ardentemente que a honestidade moral seja acompanhada de honestidade intelectual, para bem de todos, da Nação.
Quando colocado o problema no seu verdadeiro enquadramento estamos conversados quanto a moral e quanto a honestidade, seja ela qual fôr. Um laico que evoca Jesus Cristo no seu discurso (mesmo que citando Pessoa, embora fora do contexto) já nos disse tudo. Esqueçam o resto: está tudo verdadeiramente dito!

Voltamos então à questão das ideias: sem moral as ideias são perigosas, sejam estas quais forem!

Há um ano e meio o PS, na oposição, atacava fortemente o governo PSD em matéria de prevenção de fogos. Há um ano, o PS pretendia assar o governo nas chamas que consumiam Portugal. Em Maio deste ano o PS, já governo, anunciava com pompa a criação de um gabinete de prevenção e combate a incêndios. Meses depois, com o País quase por inteiro ardido, o PS vem anunciar a decisão de comprar em 2006 meios eficazes de combate aos incêndios - leia-se aviões capazes de transportar uns milhares largos de água de cada vez.

O Presidente da República afirmava, pouco tempo antes, que teriam de ser tomadas acções correctivas capazes de dotar o País dos meios necessários ao combate a incêndios por se encontrar o País perto do limite do sustentável. Perto do limite? O Sr. Presidente deveria fazer estas afirmações no local dos incêndios, perante assistências compostas por gente afectada pelas chamas, que tivessem perdido os seus haveres ou mesmo que tivessem sofrido apenas enormes sustos, para verificar da sustentabilidade da sua retórica. Ah, pois, fazem-me sinal que seria necessário que os presentes soubessem escutar e interpretar as palavras correctamente e não estivessem imbuídos, únicamente, da enorme vontade de aplaudir toda e qualquer asneira verbalizada pela ilustre figura do Presidente, pelo respeito que esta inspira mais do que pela personagem que desempenha no momento aquelas funções. (Será que este respeito ainda vem do tempo da outra Senhora? Se não vier, então as palmas são mesmo por falta de estudos, como diria o outro). Porque será o PR tão condescendente com o governo socialista? Resposta: os PR´s deixaram de se preocupar com essa utópica ideia de terem de parecer presidentes de todos os portugueses. Melhor assim, ficam clarificados os lados do campo e acabam as hipocrisias. Os futuros Presidentes sê-lo-ão dos respectivos partidos e seus militantes e simpatizantes e nada mais do que isso, pelo que me é possível afirmar agora convictamente e sem rebuço de espécie alguma que nunca em trinta anos de partidocracia tive um Presidente que considerasse meu.

De qualquer forma pergunto-me: onde pára a oposição? Nem uma palavra se ouve a Marques Mendes ou qualquer outro destacado elemento do PSD.

Levaram tanta pancada e agora nada ? Agora que podiam falar, cheios de razão, ficam calados? Estranho?, nem por isso. Os partidos, todos sem excepção, estão no limiar da credibilidade e com eles toda a partidocracia que cresceu e envolve a República. Tal como na Monarquia Constitucional e na 1ª República, a actual situação cheira a podre e ainda mais a esturro e não só por incidência directa do flagelo das chamas. Os partidos protegem-se na esperança de continuarem a aproveitar da belíssima situação de que gozam, distribuindo tachos e favores, partilhando os cargos e bens materiais sem preocupações com cores e programas políticos. Atingirem-se uns aos outros agora, num momento de enorme fraqueza seria ainda mais suicidário, pelo que a alternativa reside no silêncio formal e polítcamente assumido. O País definha, os despojos do moribundo são cada vez menos, mas enquanto se tenta uma inclusão no espaço ibérico como parente pobre de Espanha, vai-se engolindo ávidamente o pouco que sobra. Sim, porque não se pense que é a UE a salvaguarda de uma modificação política no País. Caso acontecesse a UE ainda nos agradecia o pretexto para mostrar claramente e sem equívocos qual a porta de saída.

O El País deu à estampa na passada segunda-feira um enorme artigo onde atacava Portugal, a sua política, os políticos, os últimos trinta anos e ainda o actual governo de forma virulenta. Todos sabemos que os espanhóis adoram dizer mal de nós. Chateia mas passa. O que custa verdadeiramente não é o ataque, a que nos habituámos ao longo dos anos: o que verdadeiramente custa é ser tudo verdade e isso não chateia, dói e, ainda por cima, não passa!

De Regresso...

Neil Faulkner

5.8.05


Richard Murrin Posted by Picasa

O TGV, OBRA FUNDAMENTAL

na arquitectura de uma Europa concebida nos corredores de Bruxelas e Estrasburgo.
A questão não é diferente da Consituição Europeia, só se apresenta com outras roupagens e faz parte de outro vértice do problema. Mas a intenção é a mesma: esticar o triângulo pelos vértices, criando novo triangulo de maior dimensão.

ESTUDOS SOBRE A OTA E O TGV

Porque razão são tão falados e repetidamente apontados como justificação para o investimento a efectuar mas não são publicitados e discutidos públicamente?

Quais as razões para escamotear, continuamente, a existência de soluções complementares à Portela, como serão os casos de Alverca e Montijo e, acima de tudo, porque razão não são claramente apontadas as deficiências da Portela e a incapacidade de dotar esta infraestrutura dos meios necessários para garantir o seu funcionamento nos próximos cinquenta anos?
Igualmente o TGV é de todo incompreensível e entre todas as razões possíveis avulta uma bem acima de todas as outras: Portugal não necessita de se aproximar nem mais um centímetro ou minuto sequer de Espanha. Mais, Portugal precisa urgentemente de deixar cair a ideia da Ibéria, de ganhar notoriedade e independência em relação ao gigante espanhol. Caso contrário, como a qualquer pequena planta à sombra de um embondeiro, definhará e morre.
É necessário provocar e promover o debate público em torno destas questões e não permitir que se aproveite o Agosto para tomadas de decisões eminentemente decisivas no futuro próximo do País. Estamos todos demasiado habituados a decisões tomadas à sombra de gabinetes e à revelia da discussão e interesse públicos.
É necessário gritar BASTA!, dizer claramente que a população deste País não é um mero número num cartão de eleitor ou contribuinte mas que é a razão primeira da existência e organização da sociedade e do estado. Se os dinheiros públicos são esbanjados e os interesses nacionais vilipendiados então eu digo, claramente, que toda a população se insurja, que venha para a rua mostrar o seu descontentamento, que deixe em conjunto de entregar os seus impostos ao estado depositando-os, preventiva e provisóriamente, em contas estabelecidas para o efeito em instituições financeiras de primeira ordem. Que questione, sem margem para dúvidas, a execução da função política do estado e dos detentores de cargos políticos.
Agosto - o Sol, a praia, o mar...

Richard Murrin Posted by Picasa

O PAÍS ARDE...

A seca imensa aliada a um calor tórrido contribui, decisivamente, para que o País esteja a sofrer profundamente com esta enorme vaga de incêndios. Muitos milhares de portugueses vêem as suas vidas já difíceis totalmente destroçadas, mais ainda quando na sua infinita sabedoria reconhecem que a sua dôr só dura nas memórias o tempo exacto da notícia passada num qualquer telejornal.
O País não tem condições de prevenir primeiro e combater, depois, o flagelo dos fogos. Como terá então para ajudar a endireitar as suas difíceis vidas?
A miséria bate-nos à porta de diferentes maneiras, a todos, por via directa ou indirecta.
O País fica todos os dias mais pobre.

ALGUÉM ME DIZ

o que foram Cavaco e Soares fazer a Belém?
Sendo a propositura de uma candidatura à Presidência um acto de estrita vontade pessoal, caso eu me decidisse a candidatar a presidente e recolhidas que estivessem as 7.500 assinaturas, será que Jorge Sampaio também me receberia?
A questão é puramente retórica, porque nem eu quereria ser recebido por Jorge Sampaio nem lhe reconheço competência alguma de que pudesse usufruir ou ser-me útil. Mas em tese mantenho a pergunta: será que seria recebido?

ONDE PÁRA A LIBERDADE...

As preocupações crescentes de perca de soberania económica, espelhadas em artigos de opinião e estampadas na última edição do Expresso, mais não são que a consequência directa de uma política feita nos últimos trinta anos, mais no respeito do internacionalmente correcto e, nos últimos vinte de uma obediência cega a Bruxelas, acompanhada por uma classe política impreparada e pouco ou nada dotada para o exercício de cargos e funções públicas, ocupados que estão estes, sistemáticamente, por actores políticos que encontram nas suas nomeações sentidos claros de prémios político-partidários e muito menos de reconhecimento de reais competências para os respectivos desempenhos.

Aliás a constatação surge-nos, clara, quando verificamos os cortes nos vencimentos e regalias estabelecidos, bem como nos anos de mandatos possíveis de efectuar. Caso o exercício político fosse consagrado como sério e competente, sendo estas premissas fundamentais aquando das nomeações para cargos políticos, estes, os políticos, deveriam ver as suas remunerações crescer à imagem do crescimento económico e social do País, como forma de chamar os mais capazes para a causa pública e premiar os mais competentes. Igualmente, através do voto, as populações saberiam distinguir entre a competência e a inação políticas e determinariam, sem constrangimentos e em consciência, os seus representantes autárquicos, quer sejam eles nacionais quer sejam locais.
Não é esta a realidade. Em Portugal vota-se em partidos e não em pessoas e os partidos premeiam não os melhores mas todos aqueles que em nome de uma disciplina partidária se sujeitam a todas as situações, se adaptam a todas as circunstâncias. É premiado o seguidismo, as "entourages" e não o livre pensamento e discernimento, sendo mesmo proibído inovar e propôr caminhos alternativos. A política é redonda, os discursos são redondos, as responsabilidades são nulas.
O sistema protege a mediocridade. Perante a evidência da fobia de entregar políticamente Portugal a Espanha, como se depreende pela defesa do TGV Lx-Madrid e pelo aeroporto da OTA, depois de entregue económicamente, pergunto sem receio, se para todos os que se sentem portugueses e se orgulham da sua história a presente situação é mais aceitável do que a ditadura que vivemos entre 1928 e 1974.
Haverá verdadeira liberdade num País colonizado no séc. XXI através do pior instrumento colonizador inventado pelo homem, o económico, onde são crescentes os sacrifícios pedidos à população e onde já não cabem razões tantas vezes invocadas de aumento da qualidade de vida, dos serviços primários, da saúde e da educação, ou pelo contrário será essa liberdade maior num País onde o seu povo sofrendo carências menores e de menor risco nacional pode, contudo, de pleno direito e de sua livre vontade conspirar contra o regime político que o governa?
O homem é um animal conspirador e eu afirmo, convictamente, que prefiro a segunda à primeira.
O mês de Agosto é feito de isto mesmo, de intermitências na actividade intelectual e de um necessário descanso propiciando um arrumar de ideias tão necessário na "rentrée" em Setembro. É assim, por minha necessidade, que o palavras interditas se interdita nas palavras durante o corrente mês. Igualmente pela necessidade de aproveitar o mês frouxo do ano para acelerar na recta final de uma tese que está a ser elaborada com imenso gozo.
Por estas e outras razões o palavras interditas não conhece calendário em Agosto.
Em Setembro voltará a normalidade........ ao blogue.

29.7.05


Edward Hopper Posted by Picasa

Un Ballo In Maschera


Characteristics:
Opera in three acts on a libretto by Antonio Somma, inspired by the work of Eugené Scribe: Gustave III ou Le bal masqué.

Première: Rome, Apollo Theatre, February 17th, 1859

The story:

Act I.
Riccardo, count of Warwick, English governor of Massachusetts, opens a hearing. Among those present are his enemies, Samuel and Tom, who together with their followers, connive to murder him. Oscar, the page, brings to Riccardo the list of those invited to a ball; on seeing the name of Amelia, whom Riccardo is secretly in love with, he winces. The Creole Renato, secretary and confidant of Riccardo, and Amelia's husband besides, arrives and warns him of a plot against him, but Riccardo takes no heed of the warning. A judge proposes to banish the black Ulrica, accused of witchcraft, but a lenient Riccardo magnanimously proposes to all present to go visit the fortune-teller's hovel. Here Ulrica, who is invoking the "king of the abyss", is questioned by the sailor Silvano to whom she predicts a lucky future. Amid general exultation, the prophecy turns out to be true, since Riccardo had previously slipped money and a nomination of advancement to official into the sailor's pocket. Then one of Amelia's servants comes forward, asking for a private interview for his mistress. The fortune-teller sends all the others out and counsels Amelia, who asks her how she can free herself of a sinful passion, to go to the sinister execution grounds, where she will find an herb of forgetfulness. Riccardo, hidden and listening, is overjoyed to learn that Amelia is in love with him. He disguises himself as a fisherman and goes to the fortune-teller who, however, recognises his hand as that of a noble commander, but refuses to pronounce her prophecy. Finally, at the insistence of Riccardo and the others present, she predicts the death of the count at the hand of a friend, he who is the first to shake his hand. Renato arrives and gives him his hand. Amid the general consternation, Riccardo minimises the affair, while the people extol his virtues.
Act II.
Amelia goes to look for the magic herb and is followed by Riccardo who declares his love for her; Amelia is shaken: she too loves him, but does not want to be unfaithful to her husband. Renato, worried for Riccardo's safety, arrives on the scene and advises Riccardo to leave that solitary spot. Before going, Riccardo entrusts the woman to him (she had covered her face with a heavy veil and has not been recognised by her husband), making him promise that he would not attempt to learn the woman's identity. The conspirators burst onto the scene surprised to find Renato, who tries in vain to protect the woman from their curiosity. In the confusion that follows, Amelia's veil falls. The husband is mortified and angry, and Samuel, Tom and the others comment the event with terrible irony. Upset, Renato makes an appointment to meet Tom and Samuel the next day.
Act III.
Renato is determined to avenge what he presumes to be his wife's infidelity in blood. She asks to be allowed to see their son for the last time. Moved to pity, Renato then decides to satisfy his anger by killing his friend rather than his wife. Samuel and Tom on their arrival are incredulous when they learn of Renato's intentions, but he offers the life of his son as guarantee of his sincerity. The three determine that chance shall decide which of them shall carry out the murder of Riccardo and oblige Amelia to extract a name from the urn: it is Renato. The page Oscar arrives with the invitations for the masked ball. The three agree to take advantage of the occasion to carry out their design, while Amelia tries to think of a way to save the count. Riccardo has decided to renounce his love for Amelia and order their repatriation to England. Oscar brings him an anonymous letter urging him to forego the ball for his own safety, but the count, wanting to see Amelia for the last time, takes no heed of the warning. During the ball, Renato astutely makes Oscar tell him which is the disguise of Riccardo. Meanwhile, Amelia, recognised by Riccardo, implores him to flee and receives his last adieu. He barely has time to finish his dialogue with the woman when he is struck by Renato's dagger. The assassin is arrested, but Riccardo, dying, orders him released. He shows Renato the decree for their repatriation and reveals that Amelia had never been unfaithful. With his dying breath he pardons all the conspirators. All present bless his magnanimity. Renato is left alone with his remorse.
(Giuseppe Verdi)

27.7.05

ESPECULANDO À VOLTA DAS PRESIDENCIAIS

Não é correcto afirmar que a badalada possível candidatura de Soares às eleições presidenciais seja um regresso ao passado, como não será correcto afirmar o contrário.
Aliás, do ponto de vista da correcção, o mesmo raciocínio é válido para uma possível candidatura de Cavaco.

Pensei, durante algum tempo, que na ausência de candidatos presidenciais assumidos - a proximidade das autárquicas não responde à questão visto estas serem eleições de cariz partidário e as presidenciais de cariz assumidamente pessoal, mesmo que os candidatos se vejam apoiados por partidos - poderíamos ter a surpresar de ver avançar uma candidatura da área militar: Almeida Bruno, por exemplo. E esta ideia sustentava-se na fraca imagem de que gozam os políticos em Portugal, em conjunção com a ausência de perfis nos vários quadrantes políticos, capazes de suscitar consensos e mobilizar votantes, mesmo quando invocamos o Sr. dos Tabús que está longe de ser consensual e congregar todos os votos do centro-direita.

Perante a apatia geral e depois de renegar três vezes, Mário Soares parece envaidecer-se pela ideia de voltar a ser presidente e aceita assumir essa disponibilidade, rompendo com o cenário de um possível apoio do PS a Freitas do Amaral, apadrinhado pelo próprio Soares, que julgava eu seria o motor de lançamento da campanha de Freitas, talvez até seu mandatário, dando assim azo a uma grande volta na história .

Mas a configurar-se o cenário actual, parece que a história se manterá a mesma, mostrando em simultâneo a fraca fornada de dirigentes políticos saídos nos últimos quinze anos de funções governativas capazes de confrontarem com sucesso o País com uma sua candidatura. Ainda se falou em Guterres, mas este e bem, optou por uma carreira política internacional, bem mais interessante que qualquer cargo político neste rectangulo que na prática, geométricamente, se assemelha a um triangulo rectangulo, onde nos encontramos todos tal como o País - ou em queda acentuada (hipotenusa) ou em queda livre (cateto).

Aqui chegado interrogo-me com veemencia: será que se trata de uma operação de cosmética ou mesmo de limpeza dos últimos trinta anos, de tão má memória?

Bom, se assim fôr, operação cosmética dos desvarios, proponho a seguinte estratégia:
Cenário - Lota de Matosinhos

Por uma porta entra Mário Soares acompanhado de Narciso Miranda.
Pela outra porta entra Freitas do Amaral acompanhado por João Soares.
Trocam-se impropérios e agressões (aqui a experiencia de Narciso é determinante).
Soares tem um treco, mas como não precisamos de matar ninguém, o referido treco provoca-lhe apenas uma forte queda em cima de uma Chaputa (escolhemos a Chaputa por nos parecer ofercer uma queda mais confortável e por estarmos certos de que a cair em cima de alguma coisa, o Dr. Soares escolheria sempre uma Chaputa), mesmo assim suficiente para o afastar das presidenciais. Freitas fica condicionado e retira a candidatura a candidato ficando o caminho aberto para Ramalho Eanes.

Exacto, Eanes. Se a ideia é dizer - É pá, não valeu, vamos lá começar tudo de novo!, então Eanes é o candidato ideal, para além de sustentar a minha ideia inicial: um militar na presidencia.
Temo que os resultados possam ainda ser piores, reciclados estes trinta anos, atendendo à idade que os protagonistas apresentam hoje - se as ideias já não eram brilhantes há uns anos atrás...
Mas é uma solução, não lhes parece?
Aliás qualquer uma será solução para preencher a vaga de P. da República, porque ao nível do País não "aquenta nem arrefenta". O País como está, simplesmente não tem solução.

26.7.05


Jacinto Luís Posted by Picasa

POESIA

Não sei quantas almas tenho.
Cada momento mudei.
Continuamente me estranho.
Nunca me vi nem acabei.
De tanto ser, só tenho alma.
Quem tem alma não tem calma.
Quem vê é só o que vê,
Quem sente não é quem é,

Atento ao que sou e vejo,
Torno-me eles e não eu.
Cada meu sonho ou desejo
É do que nasce e não meu.
Sou minha própria paisagem;
Assisto à minha passagem,
Diverso, móbil e só,
Não sei sentir-me onde estou.

Por isso, alheio, vou lendo
Como páginas, meu ser.
O que sogue não prevendo,
O que passou a esquecer.
Noto à margem do que li
O que julguei que senti.
Releio e digo : "Fui eu ?"
Deus sabe, porque o escreveu.

(Alberto Caeiro)

24.7.05


Michael Felmingham Posted by Picasa

APRENDENDO COM EÇA...

"O país perdeu a inteligência e a consciência moral. Os costumes estão dissolvidos, as consciências em debandada, os caracteres corrompidos. A prática da vida tem por única direcção a conveniência. Não há princípio que não seja desmentido. Não há instituição que não seja escarnecida.

Ninguém se respeita. Não há nenhuma solidariedade entre os cidadãos. Ninguém crê na honestidade dos homens públicos. Alguns agiotas felizes exploram. A classe média abate-se progressivamente na imbecilidade e na inércia. O povo está na miséria. Os serviços públicos são abandonados a uma rotina dormente. (...) "