
Charles Willmott

Pedir a José Manuel Durão Barroso, homem que na sua vida conheceu tantas mudanças e alterações de "espírito", que entenda o que é o dever de lealdade, parece um exercício difícil de exigir. Mas não o peça ele a outros, que perante a Europa sempre responderam "sim", mas cuja maior obrigação é para com o seu próprio POVO e só para com este são, de facto, devedores de toda a lealdade.

THE RAT PACK
"The Satisfaction I get out of working with these two bums is that we have more laughs than the audience." Dean Martin
"Between us we knew everyone in showbusiness." Sammy Davis Jr.,
Têm razão todos os que dizem que não é grave a revisão da classificação da nossa economia, aos olhos dos agentes económicos internacionais, como têm razão todos os que dizem que é grave.
Paradoxal? Nem tanto! O problema reside em Portugal, numa economia que não apresenta problemas conjunturais porque serão já todos estruturais, ou quase.
Assim, o que ambos os lados afirmam é que a revisão em baixa era espectável, sendo que para uns temos de nos habituar a viver com esse horizonte e, para os outros, o Sol há muito se foi e a classificação AA- ainda peca por excesso e, assim sendo, diminuindo a boa vontade diminuirá a confiança na nossa economia, na proporção directa do aumento do custo da dívida pública.
A situação é galopante, como em todas as tesourarias depauperadas.

só temos de assumir que não prescindindo uns de receber o que entendem ser da mais elementar justiça e, outros, que de acordo com igual justiça, entendem que deverão contribuir com bem menos e sabendo de antemão que os estados de mão estendida são agora mais dez, só com uma imensa boa vontade se poderia supor que a suposta redução de 17% no valor atribuível a Portugal, tendo como base de cálculo o III QCA, seria um dado adquirido. Só o seria se as exigências enunciadas atrás não existissem (e os nossos governantes sabem-no bem, mas preferem escamotear a informação).
Não é nem era esse o caso. Este, o caso, é muito sério.
E quando fôr possível chegar a um acordo, a redução para Portugal não será de 17%, mas muito maior. É pegar ou largar.
Mas como ninguém nos disse qual o objectivo português, as reais necessidades de fundos do País - embora me pareça surrealista estar a exigir fundos de quem produz, para financiar economias laxistas, onde não há produção de riqueza (cheira-me a chulice..) - qualquer valor negociado será anunciado como políticamente muito bom, atendendo às circunstâncias e às desculpas que se começaram a desenhar de imediato nos "media", na classe política e no porta-voz do governo, que acumula a função com a de correspondente da RTP1 (será que também acumula vencimentos?) em Bruxelas.

Assim uma coisa eu sei: o governo tomou medidas para redução da despesa, num País onde o rendimento per capita já é muito baixo.
Outra coisa eu também sei: não ouvi, até agora, nenhuma medida concreta que me faça ter esperança de que a riqueza nacional vai aumentar. O Estado demite-se da função de reanimador da economia, deixando esse papel aos privados. Os privados estão exauridos económica e financeiramente, sobre- endividados, não parecendo ser possível aumentar os recursos por via do investimento interno, mesmo quando considerados um ou outro grupo económico que o pudessem fazer mas que não fazem, e bem, porque o mercado português está "chupado" e não goza de qualquer elasticidade na procura, não estranhando assim que desviem esses investimentos para o exterior.
Coisas complicadas estas! Para respeitar o défice, em virtude de um estado "gordo" o governo não faz investimento público e a consequente política contra-cíclica. Por outro lado, se o estado emagrecer, ficamos com 1oo.ooo licenciados na rua , provocando uma agitação social culta, diferente, mais eficaz.
Tempos difíceis estes. O Estado precisa de inverter a tendencia de estagnação da economia portuguesa. É sua obrigação fazê-lo, mas as medidas que toma são recessivas.
Visto de fora, o País não é atractivo. Não goza de competencias específicas, a legislação de trabalho é rígida, a mão-de-obra é cara e pouco preparada, a burocracia muita, a transparencia política e legislativa nenhuma, o estado é lento e pesado.
Eu titularia: ESTAMOS SEM CAMINHO E SEM SAÍDA