6.7.05
Teach Your Children - CSNY
Must have a code that you can live by
And so become yourself
Because the past is just a good bye
Teach your children well
Their father's hell did slowly go by
And feed them on your dreams
The one they picks, the one you'll know by
Don't you ever ask them why, if they told you, you will cry
So just look at them and sigh and know they love you
And you of tender years
Can you hear what do you care and
Can't know the fears that your elders grew by
Do you see what must be free
And so please help them with your youth
To teach your children you believe
They seek the truth before they can die
They make a world that we can live in
Teach your parents well
Their children's hell will slowly go by
And feed them on your dreams
The one they picks, the one you'll know by
Don't you ever ask them why, if they told you, you would cry
So just look at them and sigh and know they love you
(Graham Nash)
[Nº13]THE SCIENCE ADVENTURE

de viva voz
5.7.05
ENTREVISTA de JS ao Diário Semanal
- DS - Quais as medidas que o senhor se prepara para anunciar ao país?
- JS - O Governo prepara-se para investir 25 mil milhões de euros na economia portuguesa e criar 120.000 novos postos de trabalho, a um ritmo de 30.000 por ano até 2009. Há-de concordar que este é um esforço enorme no sentido da modernização da economia portuguesa e da sua revitalização. E estou a falar de apenas 1/5 do investimento total previsto para esta legislatura.
- DS - Alguma razão para avançar com o TGV e o aeroporto da OTA, quando as carências do País são manifestamente enormes e são pedidos crescentes sacrifícios aos portugueses ?
- JS - Ainda bem que me coloca essa questão. A razão para esse investimento prende-se, fundamentalmente, com ..PIIP....e por essa razão resolvemos avançar já. Não podemos esquecer que ..PIIP...Em resumo são estas as razões do Governo.
- DS - Ah! E porquê uma verba tão pequena afecta à educação e à saúde ?
- JS - É com gosto que respondo a essa questão. Considero fundamental...PIIP... pelo que esperamos que na próxima década a alavancagem conseguida através de...PIIP...faça de Portugal um País totalmente diferente.
- DS - Aaahh! E a banda larga? É convicção do governo que este Portugal tem capacidade de colocar, à imagem do sonho de Bill Gates, um computador em casa de uma larga maioria de portugueses, em tão pouco tempo, que justifique o destaque dado à medida? Não seria mais proveitoso alicerçar o ensino universitário nas tecnologias de ponta, pela dotação de mais e melhor equipamento de cálculo, ou mesmo de programação e planificação de toda a actividade escolar, a exemplo do que se passa noutros países europeus, nomeadamente França e Inglaterra?
- JS - Repare. Como já lhe expliquei, a dotação para o ensino vai permitir que...PIIP...pelo que a questão não se coloca. Por outro lado considero importante, diria mesmo fundamental que Portugal nos próximos anos ...PIIP...pelo que essa medida, como reconhecerá, faz todo o sentido.
- DS - Aaaaaahhhh! Mas e a contestação a essas medidas, aos custos imensos de um comboio de alta velocidade, ao investimento no aeroporto da Portela e, em simultâneo na OTA, com as críticas a surgirem de todos os quadrantes e o País carregado de sacrifícios. Que resposta tem para dar aos críticos do pacote que agora anuncia?
- JS - ...PIIP...PIIP...PIIP...PIIP...PIIP....Agora não respondo a mais perguntas dos senhores jornalistas. Obrigado.
SITUAÇÕES QUE NÃO SE EXPLICAM NEM JUSTIFICAM...
4.7.05
SONETO
Em cuja alma, partindo-se, ficava,
Que o pastor na memória a debuxava,
Por poder sustentar-se deste engano.
Pelas praias do Índico Oceano
Sobre o curvo cajado se encostava,
E os olhos pelas águas alongava,
Que pouco se doíam de seu dano.
«Pois com tamanha mágoa e saudade
(Dizia) quis deixar-me a que eu adoro,
Por testemunhas tomo céu e estrelas.
Mas se em vós, ondas, mora piedade,
Levai também as lágrimas que choro,
Pois assim me levais a causa delas.»
(Luis de Camões)
MONTANO
2.7.05
Buuuuu... para a RTP1
1.7.05
Questões de LEALDADE...
- os britânicos ao longo da história dos séc. XIX e XX colocaram, bastas vezes, o interesse da Europa à frente dos seus interesses, numa demonstração clara de respeito pelos laços de amizade e tratados firmados com outras Nações europeias, suas aliadas.
Pedir a José Manuel Durão Barroso, homem que na sua vida conheceu tantas mudanças e alterações de "espírito", que entenda o que é o dever de lealdade, parece um exercício difícil de exigir. Mas não o peça ele a outros, que perante a Europa sempre responderam "sim", mas cuja maior obrigação é para com o seu próprio POVO e só para com este são, de facto, devedores de toda a lealdade.
30.6.05
NEW YORK, NEW YORK

Start spreading the news,
I’m leaving today
I want to be a part of it - New York, New York
These little town blues, are melting away
I’ll make a brand new start of it - in old New York
If I can... make it there, I’ll make it... anywhere
It’s up to you - New york, New York
I want to wake up in a city, that never sleeps
And find I’m a number one... top of the list, king of the hill
A number one .....(every time I hit that note, I feel such a pain, right over here)
(slow)These little town blues, are melting away
I’m gonna make a brand new start of it - in old new york
And if I can make it there, I’m gonna make it anywhere
It´s up to you - New York New York
[Nº 5] THE GOLDEN VOICES
THE RAT PACK"We're not setting out to make Hamlet or Gone with the Wind. The idea is to hang out together , find fun with broads, and have a great time. We gotta make pictures people enjoy." Frank Sinatra
"The Satisfaction I get out of working with these two bums is that we have more laughs than the audience." Dean Martin
"Between us we knew everyone in showbusiness." Sammy Davis Jr.,
29.6.05
No Interesse da Nação...
ANGIE
When will those clouds all disappear
Angie, Angie
Where will it lead us from here
With no lovin' in our souls
And no money in our coats
You can't say we're satisfied
Angie, Angie
You can't say we never tried
Angie, you're beautiful, yeah
But ain't it time we said goodbye
Angie, I still love you
Remember all those nights we cried
All the dreams we held so close
Seemed to all go up in smoke
Let me whisper in your ear
(whispered): Angie, Angie
Where will it lead us from here
Oh Angie don't you weep
Or your kisses, they'll taste sweet
I hate that sadness in your eyes
But Angie, Angie
Ain't it time we said goodbye
With no lovin' in our souls
And no money in our coats
You can't say we're satisfied
But Angie, I still love you baby
Everywhere I look I see your eyes
There ain't a woman that comes close to you
Come on baby dry your eyes
Angie, Angie
Ain't it good to be alive
Angie, Angie
They can't say we never tried
(Jagger, Richards)
28.6.05
Portugal e o "Rating"
- a economia portuguesa não garante estabilidade e capacidade de resposta aos problemas económicos que atravessa;
- só é possível que o "rating" tenha sido fixado no patamar AA-, mais por efeito directo da zona euro, do que por mérito próprio da economia portuguesa;
- caso a economia europeia se mantenha com crescimentos muito baixos, o residual possitivo para a nossa economia será insuficiente (estamos hoje totalmente dependentes das performances dos mais fortes países europeus, nomeadamente Alemanha) para respondermos cabalmente às crescentes necessidades e à erosão que a actividade económica vem apresentando;
- na situação actual é com crescente dificuldade que as empresas portuguesas mantêm as suas quotas no mercado interno, pelo que o encerramento de empresas e a consequente perca de postos de trabalho são uma evidência.
Têm razão todos os que dizem que não é grave a revisão da classificação da nossa economia, aos olhos dos agentes económicos internacionais, como têm razão todos os que dizem que é grave.
Paradoxal? Nem tanto! O problema reside em Portugal, numa economia que não apresenta problemas conjunturais porque serão já todos estruturais, ou quase.
Assim, o que ambos os lados afirmam é que a revisão em baixa era espectável, sendo que para uns temos de nos habituar a viver com esse horizonte e, para os outros, o Sol há muito se foi e a classificação AA- ainda peca por excesso e, assim sendo, diminuindo a boa vontade diminuirá a confiança na nossa economia, na proporção directa do aumento do custo da dívida pública.
A situação é galopante, como em todas as tesourarias depauperadas.
27.6.05
Jeito de escrever
E a quem o dizer?
Não sei que pense.
Nada jamais soube.
Nem de mim, nem dos outros.
Nem do tempo, do céu e da terra, das coisas...
Seja do que for ou do que fosse.
Não sei que diga, não sei que pense.
Oiço os ralos queixosos, arrastados.
Ralos serão?
Horas da noite.
Noite começada ou adiantada, noite.
Como é bonito escrever!
Com este longo aparo, bonitas as letras e o gesto - o jeito.
Ao acaso, sem âncora, vago no tempo.
No tempo vago...
Ele vago e eu sem amparo.
Piam pássaros, trespassam o luto do espaço, este sereno luto das
horas. Mortas!
E por mais não ter que relatar me cerro.
Expressão antiga, epistolar: me cerro.
Tão grato é o velho, inopinado e novo.
Me cerro!
Assim: uma das mãos no papel, dedos fincados,
solta a outra, de pena expectante.
Uma que agarra, a outra que espera...
Ó ilusão!
E tudo acabou, acaba.
Para quê a busca das coisas novas, à toa e à roda?
Silêncio.
Nem pássaros já, noite morta.
Me cerro.
Ó minha derradeira composição! Do não, do nem, do nada, da ausência e
solidão.
Da indiferença.
Quero eu que o seja! da indiferença ilimitada.
Noite vasta e contínua, caminha, caminha.
Alonga-te.
A ribeira acordou.
(Irene Lisboa)
26.6.05

25.6.05
Poema
O Sweetheart, hear you
Your lover's tale;
A man shall have sorrow
When friends him fail.
For he shall know then
Friends be untrue
And a little ashes
Their words come to.
But one unto him
Will softly move
And softly woo him
In ways of love.
His hand is under
Her smooth round breast;
So he who has sorrow
Shall have rest.
...
(James Joyce)
PREOCUPAÇÕES LEGÍTIMAS....DE TODOS NÓS
Por outras palavras, muito mais puras e cristalinas:
O GOVERNO ESTÁ PREOCUPADO COM AS MEDIDAS QUE TOMA!
24.6.05
"O PARADIGMA HIPÓCRITA" OU "UM ESTADO SEM PRESTÍGIO"
- A execução de funções no sector público, quaisquer que sejam, não têm um reconhecimento nem uma aprovação idênticas, por parte da opinião pública, a serviços equivalentes prestados na actividade privada. A constatação comprova-se pela diferença remuneracional, desfavorável ao funcionário público, que nenhum governo se atreve a alterar.
- Os funcionários públicos, conscientes do mau funcionamento do Estado, acabaram por perder o respeito por si próprios, projectando esse mesmo sentimento no utente público (fenómeno igualmente erosivo vive a Banca há cerca de 10 anos, ao nível do balcão e da figura do gestor de conta).
- Numa tentativa de minimizar as profundas alterações sofridas pelo estatuto de funcionário público ao longo dos anos, defende-se por vezes o modelo francês, forçosamente hipócrita não só por definição (é francês) mas pela manifestação da vontade de querer "mostrar" uma Administração apolítica, modelo que supostamente salvaguarda os interesses dos utentes e do País, justificando assim a "queda" de importancia da função pública como um ajustamento das relações entre as esferas pública e privada.
- Desta forma e muito rápidamente chega-se a um modelo em que a elite nacional não nasce no desempenho de altas funções do estado, transitando mais tarde para o sector privado, mas ao modelo inverso, onde os gestores privados, consumadas as suas fortunas, vêm ser aplicadas as suas competências na gestão de negócios privados à defesa dos interesses públicos. Parecendo à primeira vista uma fórmula crível de ser utilizada não resiste, contudo, à análise da interpretação fria que conduz à conclusão que, com semelhante modelo, se desdenha a capacidade de evolução dos escalões hierárquicamente inferiores na Administração Pública.
- Não existindo evolução dentro da função pública, a nomeação de "estrelas" do sector privado, na forma de "past" qualquer coisa, desde administradores até consultores, pretende muito menos passar competencias do privado para o público e, muito mais, embelezar o Estado aos olhos dos cidadãos - que não dos funcionários - transmitindo-lhe um prestígio que o Estado já não tem condições de conseguir por si próprio.
- Por outro lado, esta fórmula encerra em si mesma uma enorme dose de veneno: ao aceitarem lugares públicos, os gestores não conseguem fazer do Estado uma empresa mas transmitem a exacta noção que o Estado só é credível se se parecer com uma empresa. Contudo, no Estado exige-se uma clara distinção entre o escalão executivo e o poder decisório, princípio que colide claramente com a administração e gestão das empresas. Estaremos, assim, perante uma clara contradição.
- Perdida a dignidade de outrora, a autoridade e reconhecimento social de depositários do interesse público, concorrendo com interpretes que chegam constantemente do exterior e que bastas vezes são instrumentos de manipulação de interesses privados, os funcionários públicos acabam por se amesquinhar, definhar, concorrendo para um mau funcionamento público, para um arrastar de processos, tornando-se no alvo fácil - "the sitting duck" - das associações patronais e empresariais e dos políticos afanosos em passar um discurso populista, que pareça sofisticado, mas que na realidade enferma da capacidade de determinar sériamente quais os verdadeiros problemas da Administração e do Estado moderno, da degradação da sua imagem e da incapacidade de encontrar um modelo alternativo.
21.6.05
CITANDO UM GRANDE AMIGO
BlahBlahBlah
JEAN-PAUL SARTRE
20.6.05
POEMA
E o cais vazio de ti
Aceitou novas marés.
Gritos de búzios perdidos
Roubaram dos meus sentidos
A gaivota que tu és.
Gaivota de asas paradas
Que não sente as madrugadas
E acorda à noite a chorar.
Gaivota que faz o ninho
Porque perdeu o caminho
Onde aprendeu a sonhar.
Preso no ventre do mar
O meu triste respirar
Sofre a invenção das horas,
Pois na ausência que deixaste,
Meu amor, como ficaste,
Meu amor, como demoras.
(Vasco Lima Couto)
19.6.05
QUESTÕES DE LÓGICA...
A favor de uma Europa "Free Trade Area"
COISAS QUE SE NEGOCIAM, OUTRAS NÃO...
- Holanda quer ver reduzido o valor da sua contribuição
- R. Unido quer receber integralmente o valor que respeita ao "cheque Tatcher"
- França e, também Alemanha, não permitem uma nova redução no valor relativo das ajudas da Política Agrícola Comum (PAC) no valor total do orçamento comunitário;
só temos de assumir que não prescindindo uns de receber o que entendem ser da mais elementar justiça e, outros, que de acordo com igual justiça, entendem que deverão contribuir com bem menos e sabendo de antemão que os estados de mão estendida são agora mais dez, só com uma imensa boa vontade se poderia supor que a suposta redução de 17% no valor atribuível a Portugal, tendo como base de cálculo o III QCA, seria um dado adquirido. Só o seria se as exigências enunciadas atrás não existissem (e os nossos governantes sabem-no bem, mas preferem escamotear a informação).
Não é nem era esse o caso. Este, o caso, é muito sério.
E quando fôr possível chegar a um acordo, a redução para Portugal não será de 17%, mas muito maior. É pegar ou largar.
Mas como ninguém nos disse qual o objectivo português, as reais necessidades de fundos do País - embora me pareça surrealista estar a exigir fundos de quem produz, para financiar economias laxistas, onde não há produção de riqueza (cheira-me a chulice..) - qualquer valor negociado será anunciado como políticamente muito bom, atendendo às circunstâncias e às desculpas que se começaram a desenhar de imediato nos "media", na classe política e no porta-voz do governo, que acumula a função com a de correspondente da RTP1 (será que também acumula vencimentos?) em Bruxelas.
18.6.05
17.6.05
[Nº 3] Residência dos Surrealistas...

New Burlington Galleries, Londres, 1936.
Em pé, da esquerda para a direita:
Rupert Lee, Ruthven Todd, Salvador Dalí, Paul Eluard, Roland Penrose, Herbert Read, E.L.T. Mesens, George Reavey and Hugh Sykes Williams.
Sentadas, da esquerda para a direita:
Diana Brinton Lee, Nusch Eluard, Eileen Agar, Sheila Legge e uma amiga não identificada de Dalí
ORFEU REBELDE
Canto como um possesso
Que na casca do tempo, a canivete,
Gravasse a fúria de cada momento;
Canto, a ver se o meu canto compromete
A eternidade no meu sofrimento.
Outros, felizes, sejam rouxinóis...
Eu ergo a voz assim, num desafio:
Que o céu e a terra, pedras conjugadas
Do moinho cruel que me tritura,
Saibam que há gritos como há nortadas,
Violências famintas de ternura.
Bicho instintivo que adivinha a morte
No corpo dum poeta que a recusa,
Canto como quem usa
Os versos em legítima defesa.
Canto, sem perguntar à Musa
Se o canto é de terror ou de beleza.
(Miguel Torga)
O OUTRO LADO DA LUA...
Aprecio esta coluna, o ror das vezes pela análise descomplexada, fácil na leitura e na exposição dos factos e igualmente pela lucidez analítica. Assim, leio-a sempre que compro o semanário. (Nem sempre o compro porque estipulei há muito tempo uma verba para dispender com jornais e, de cada vez que aumentam, divido o montante fixado pelo valor unitário e assim determino o número de exemplares a adquirir anualmente).
Voltando ao artigo de opinião, as razões para estarmos no bom caminho, na opinião de NS, estão directamente relacionadas com as medidas de combate ao défice, sendo a contestação alargada sinal de que são vários os interesses atingidos, gerando-se assim uma correspondencia inequívoca entre o aumento da contestação (de vários grupos socioprofissionais) e a qualidade inequívoca do pacote de medidas anunciadas pelo governo.
- já sei que as medidas preconizadas "mexem" com quase toda a actividade económica, ao nível quer da produção quer dos serviços;
- sei igualmente que as medidas tomadas se destinam a conter a despesa;
- sei também que o Investimento Directo Estrangeiro cai todos os anos em Portugal;
- também sei que a capacidade de investimento português está francamente cerceada por falta de capacidade de poupança da sociedade;
- que o desemprego aumenta e, tendencialmente, crescerá afectado por um expoente intimamente relacionado com o pacote de medidas anunciadas;
- que o poder de compra se degradará ainda mais;
- a (pouca) produção tenderá a cair, bem como os serviços, à medida que cair a procura;
- mais fábricas irão fechar, implicando o engrossar do desemprego;
- que o ciclo vicioso se manterá, porquanto as medidas de excepção para contenção da despesa deixarão de o ser, passando a ser prioridades indissociáveis de um País com uma tesouraria fraca, com dificuldades de cumprir os seus compromissos.
Assim uma coisa eu sei: o governo tomou medidas para redução da despesa, num País onde o rendimento per capita já é muito baixo.
Outra coisa eu também sei: não ouvi, até agora, nenhuma medida concreta que me faça ter esperança de que a riqueza nacional vai aumentar. O Estado demite-se da função de reanimador da economia, deixando esse papel aos privados. Os privados estão exauridos económica e financeiramente, sobre- endividados, não parecendo ser possível aumentar os recursos por via do investimento interno, mesmo quando considerados um ou outro grupo económico que o pudessem fazer mas que não fazem, e bem, porque o mercado português está "chupado" e não goza de qualquer elasticidade na procura, não estranhando assim que desviem esses investimentos para o exterior.
Coisas complicadas estas! Para respeitar o défice, em virtude de um estado "gordo" o governo não faz investimento público e a consequente política contra-cíclica. Por outro lado, se o estado emagrecer, ficamos com 1oo.ooo licenciados na rua , provocando uma agitação social culta, diferente, mais eficaz.
Tempos difíceis estes. O Estado precisa de inverter a tendencia de estagnação da economia portuguesa. É sua obrigação fazê-lo, mas as medidas que toma são recessivas.
Visto de fora, o País não é atractivo. Não goza de competencias específicas, a legislação de trabalho é rígida, a mão-de-obra é cara e pouco preparada, a burocracia muita, a transparencia política e legislativa nenhuma, o estado é lento e pesado.
Eu titularia: ESTAMOS SEM CAMINHO E SEM SAÍDA
"Do You want me to talk?"..."NO, Mr. Bond! I want You to Die!"
- "José Sócrates preconizou a suspensão, por tempo a determinar - ainda nesta cimeira de chefes de Estado e de Governo - do processo de ratificação nos 13 Estados-membros que ainda não se pronunciaram. Concluído esse período de reflexão, haveria uma concertação de posições sobre a continuação do processo, realizando-se eventualmente consultas e ratificações parlamentares na mesma data, de modo a evitar «efeitos de contaminação». O primeiro-ministro, prosseguiu a fonte, reiterou a intenção do governo português de ratificar o Tratado Constitucional em Portugal através de referendo, mas defendeu que «poderia ser útil e necessária uma pausa» para preservar a Constituição.
Essa pausa, sublinhou, teria de ser sempre realizada «com um objectivo» e não como um adiamento «sine-die», não tendo todavia Sócrates sugerido datas."
- Explico o raciocínio: se 6 ou 7 países recusassem liminarmente a ractificação, por exclusiva responsabilidade dos povos, depois de os respectivos governos o terem aceite - todos os países europeus, através dos governos em funções assinaram o TCE - a Constituição estava definitivamente enterrada, em virtude da total incapacidade de aplicação da regra dos 4/5.
- Porque a questão coloca-se em dois patamares distintos: 1º a celeridade do processo de integração económica e política que vem assolando a Europa desde há uns anos, contrário ao início promissor do "step by step", que tem no euro a sua última referência económica e teria nesta Constituição o seu espartilho normativo e político e; 2º a real necessidade da existência de um documento castrador das nacionalidades e estados europeus.
- Dar voz à população europeia, pela primeira vez de forma séria, num cenário económico conturbado, sem capacidade de manipulação política é uma oportunidade talvez única. Este processo ainda cabe na esfera de influência e responsabilidade nacional. No dia em que a Constituição fôr aprovada - espero sinceramente que nunca - não mais haverá a sensação única de podermos, em conjunto e comprovadamente, fazer valer os nossos pontos de vista e a vontade nacional, sem que para isso tenhamos de "vender a alma ao diabo".
- Em caso contrário, o SIM vai galgando patamares, ganhando tempo, jogando com a incerteza económica e levando, porventura mais rápido do que se imagina, levar à repetição do referendo em frança e, depois na Holanda.
16.6.05
O CONSELHO EUROPEU....ANTECIPAÇÃO FÁCIL
AS RACTIFICAÇÕES PARLAMENTARES FERIDAS DE MORTE...
14.6.05
A TRINDADE (EUROPEIA) IMPOSSÍVEL...
Já palavras não preciso que as hei dito todas....
a Vida!
Na morte depois da vida,
nas palavras em confronto!
Agora sei, a palavra gerada
Na alma, penando, ditosa,
Da pena saída ansiosa,
Foi a coisa mais amada.
Não mais a palavra atormenta
Na mente, dando uma e sempre outra volta.
A palavra está agora mais solta,
Nem sequer está ciumenta!
Brota clara, prene de vaidade
Da boca de quem a declama.
Ganha vida, a palavra no poema,
E eu, o direito à liberdade.
Não mais me tiraniza a dita,
Que tudo o mais que faça sublima!
Finalmente soltei-me da rima,
A palavra deixou de estar interdita!
(João Fernandes)
AS PALAVRAS
as palavras.
Algumas, um punhal,
um incêndio.
Outras,
orvalho apenas.
Secretas vêm, cheias de memória.
Inseguras navegam:
barcos ou beijos,
as águas estremecem.
Desamparadas, inocentes,
leves.
Tecidas são de luz
e são a noite.
E mesmo pálidas
verdes paraísos lembram ainda.
Quem as escuta? Quem
as recolhe, assim,
cruéis, desfeitas,
nas suas conchas puras?
(Eugénio de Andrade)
13.6.05
EUGÉNIO DE ANDRADE. A Morte de Um Vulto Incontornável da Cultura Portuguesa
Já gastámos as palavras pela rua, meu amor,
e o que nos ficou não chega
para afastar o frio de quatro paredes.
Gastámos tudo menos o silêncio.
Gastámos os olhos com o sal das lágrimas,
gastámos as mãos à força de as apertarmos,
gastámos o relógio e as pedras das esquinas
em esperas inúteis.
Meto as mãos nas algibeiras e não encontro nada.
Antigamente tínhamos tanto para dar um ao outro;
era como se todas as coisas fossem minhas:
quanto mais te dava mais tinha para te dar.
Às vezes tu dizias: os teus olhos são peixes verdes.
E eu acreditava.
Acreditava,
porque ao teu lado
todas as coisas eram possíveis.
Mas isso era no tempo dos segredos,
era no tempo em que o teu corpo era um aquário,
era no tempo em que os meus olhos
eram realmente peixes verdes.
Hoje são apenas os meus olhos.
É pouco mas é verdade,
uns olhos como todos os outros.
Já gastámos as palavras.
Quando agora digo: meu amor,
já não se passa absolutamente nada.
E no entanto, antes das palavras gastas,
tenho a certeza
de que todas as coisas estremeciam
só de murmurar o teu nome
no silêncio do meu coração.
Não temos já nada para dar.
Dentro de ti
não há nada que me peça água.
O passado é inútil como um trapo.
E já te disse: as palavras estão gastas.
Adeus.
(Eugénio de Andrade)
SEM HIPOCRISIAS...
- Vasco Gonçalves morreu. Não me merece palavras.
- Alvaro Cunhal morreu. Fica a faceta da coerencia e o lado artístico da sua vida.
Por respeito para com a morte contemo-nos e nada mais escrevemos. Mas nem a inflamacção discursiva, nem a coerencia e convicções desmesuradas justificam tudo.





















