26.6.05


(Sittin' On) The Dock Of The Bay
Sittin in the morning sun,
I`ll be sittin' when the evening come,
Watching the ships roll in,
And I'll watch 'em roll away again, yeah,
I'm sittin' on the dock of the bay,
Watching the tide roll away, ouh,
I'm just sittin' on the dock of the bay,
Wasting time.
I left my home in Georgia,
Headed for the Frisco bay
I have nothing to live for,
Look like nothings gonna come my way,
So I'm just go sit on the dock of the bay
Watching the tide roll away,
I'm sittin' on the dock of the bay,
Wasting time
Look like nothings gonna change,
Everything still remain the same,
I can't do what ten people tell me to do,
So I guess I'll remain the same, yes,
Sittin' here resting my bones,
And this loneliness won't leave me alone, yes,
Two thousand miles I roam
Just to make this dock my home
Now I'm just go sit at the dock of the bay
Watching the tide roll away, ooh
Sittin' on the dock of the bay
Wasting time
Otis Redding

25.6.05


Mark Rowbotham Posted by Hello

Poema

...
O Sweetheart, hear you
Your lover's tale;
A man shall have sorrow
When friends him fail.

For he shall know then
Friends be untrue
And a little ashes
Their words come to.

But one unto him
Will softly move
And softly woo him
In ways of love.

His hand is under
Her smooth round breast;
So he who has sorrow
Shall have rest.
...
(James Joyce)

PREOCUPAÇÕES LEGÍTIMAS....DE TODOS NÓS

O Governo mostra-se preocupado com o previsível crescimento da "economia paralela", provocado pelo aumento da taxa de IVA para 21%.
Por outras palavras, muito mais puras e cristalinas:
O GOVERNO ESTÁ PREOCUPADO COM AS MEDIDAS QUE TOMA!

24.6.05

[31] The Jazz Mansion


Benny Carter, 1936 Posted by Hello

Symphony in Riffs - partitura dos "altos"
(Benny Carter) Posted by Hello
Bom Dia...

Sherre Daines Posted by Hello

"O PARADIGMA HIPÓCRITA" OU "UM ESTADO SEM PRESTÍGIO"

  • A execução de funções no sector público, quaisquer que sejam, não têm um reconhecimento nem uma aprovação idênticas, por parte da opinião pública, a serviços equivalentes prestados na actividade privada. A constatação comprova-se pela diferença remuneracional, desfavorável ao funcionário público, que nenhum governo se atreve a alterar.
A remuneração moral e prestígio social desapareceram há 30 anos.
  • Os funcionários públicos, conscientes do mau funcionamento do Estado, acabaram por perder o respeito por si próprios, projectando esse mesmo sentimento no utente público (fenómeno igualmente erosivo vive a Banca há cerca de 10 anos, ao nível do balcão e da figura do gestor de conta).
  • Numa tentativa de minimizar as profundas alterações sofridas pelo estatuto de funcionário público ao longo dos anos, defende-se por vezes o modelo francês, forçosamente hipócrita não só por definição (é francês) mas pela manifestação da vontade de querer "mostrar" uma Administração apolítica, modelo que supostamente salvaguarda os interesses dos utentes e do País, justificando assim a "queda" de importancia da função pública como um ajustamento das relações entre as esferas pública e privada.
  • Desta forma e muito rápidamente chega-se a um modelo em que a elite nacional não nasce no desempenho de altas funções do estado, transitando mais tarde para o sector privado, mas ao modelo inverso, onde os gestores privados, consumadas as suas fortunas, vêm ser aplicadas as suas competências na gestão de negócios privados à defesa dos interesses públicos. Parecendo à primeira vista uma fórmula crível de ser utilizada não resiste, contudo, à análise da interpretação fria que conduz à conclusão que, com semelhante modelo, se desdenha a capacidade de evolução dos escalões hierárquicamente inferiores na Administração Pública.
  • Não existindo evolução dentro da função pública, a nomeação de "estrelas" do sector privado, na forma de "past" qualquer coisa, desde administradores até consultores, pretende muito menos passar competencias do privado para o público e, muito mais, embelezar o Estado aos olhos dos cidadãos - que não dos funcionários - transmitindo-lhe um prestígio que o Estado já não tem condições de conseguir por si próprio.
  • Por outro lado, esta fórmula encerra em si mesma uma enorme dose de veneno: ao aceitarem lugares públicos, os gestores não conseguem fazer do Estado uma empresa mas transmitem a exacta noção que o Estado só é credível se se parecer com uma empresa. Contudo, no Estado exige-se uma clara distinção entre o escalão executivo e o poder decisório, princípio que colide claramente com a administração e gestão das empresas. Estaremos, assim, perante uma clara contradição.
  • Perdida a dignidade de outrora, a autoridade e reconhecimento social de depositários do interesse público, concorrendo com interpretes que chegam constantemente do exterior e que bastas vezes são instrumentos de manipulação de interesses privados, os funcionários públicos acabam por se amesquinhar, definhar, concorrendo para um mau funcionamento público, para um arrastar de processos, tornando-se no alvo fácil - "the sitting duck" - das associações patronais e empresariais e dos políticos afanosos em passar um discurso populista, que pareça sofisticado, mas que na realidade enferma da capacidade de determinar sériamente quais os verdadeiros problemas da Administração e do Estado moderno, da degradação da sua imagem e da incapacidade de encontrar um modelo alternativo.
Se é que existe um verdadeiro interesse em reformar a Administração Pública.

21.6.05

CITANDO UM GRANDE AMIGO

Os homens providenciais, na vida como na morte, roubam-nos a liberdade de os criticar...

[Nº 22]

Nascido em 21 de Junho de 1905...

Jean-Paul Sartre Posted by Hello
Jean Paul Sartre não teve filhos. Ninguem que tenha filhos "está só, abandonado na terra" nem os intentos que se fixam são os mesmos depois de se ter filhos, nem os destino que forjamos para nós são os mesmos. Tudo se relativiza e muitas vezes a ordem se prioridades inverte-se ou até deixa de fazer sentido. Há objectivos maiores. Plus. Em Sartre tudo foi uma farsa, até o casamento que todos julgavam ideal com Simone do Beauvoir (vide livro que ela escreveu logo após a sua morte). Há pensadores assim; pensadores da Utopia, mas que seria da vida sem utopia?? No dia em que cada homem só contar consigo próprio estaremos reduzidos a uma sociedade egoista, ditatorial, contrária a todos os valores democráticos e distituida de humanismo.
BlahBlahBlah

JEAN-PAUL SARTRE

" O Homem não obterá nada a não ser que primeira entenda que só pode contar consigo próprio; que está só, abandonado na terra no centro das suas infinitas resonsabilidades, sem ajuda, com nenhum outro intento que não o que ele próprio fixa, sem nenhum outro destino que não o que forjou para si próprio nesta terra."
De "Ser e Não-Ser" (1943)

20.6.05

POEMA

Disse-te adeus e morri
E o cais vazio de ti
Aceitou novas marés.
Gritos de búzios perdidos
Roubaram dos meus sentidos
A gaivota que tu és.


Gaivota de asas paradas
Que não sente as madrugadas
E acorda à noite a chorar.
Gaivota que faz o ninho
Porque perdeu o caminho
Onde aprendeu a sonhar.


Preso no ventre do mar
O meu triste respirar
Sofre a invenção das horas,
Pois na ausência que deixaste,
Meu amor, como ficaste,
Meu amor, como demoras.


(Vasco Lima Couto)

19.6.05


a água, elemento fundamental do equilíbrio humano. Posted by Hello

QUESTÕES DE LÓGICA...

Não houvi, durante a corrente semana, um único encómio ao Dr. Alvaro Cunhal que não pudesse ser atribuído ao Prof. Oliveira Salazar.
Como elogios houve que não podiam ser atribuídos ao Dr. Alvaro Cunhal (o facto de ser um portugues sentido), mas que o seriam sem qualquer dúvida ao Prof. Oliveira Salazar, gostaria de ver a interpretação da importância histórica de cada um, para Portugal, na boca dos analistas, jornalistas e políticos assumida a disposição de comparar um e outro, partindo de um "se" fundamental: e se Alvaro Cunhal tivesse chegado ao poder...

Winslow Homer Posted by Hello

A favor de uma Europa "Free Trade Area"

A Europa terá de caminhar, inevitávelmente, para o conceito de Zona de Comércio Livre e abandonar a peregrina ideia de União Política Económica e Monetária.
A Política sofreu um sério revés.
A Económica prova não estar à altura das necessidades dos países e começa a apresentar as fisssuras mal disfarçadas quando do último alargamento.
A Monetária tem criado problemas recessivos para os quais os países não têm soluções. E se não forem recessivos serão inflaccionistas.
Chegou a altura de fazer a agulha para o caminho económico lógico e possível:
uma grande Zona de Comércio Livre.

COISAS QUE SE NEGOCIAM, OUTRAS NÃO...

A questão das verbas comunitárias funciona como um sistema de vasos comunicantes.
Os estados ricos assumem uma verba como aceitável para as suas economias, para contribuirem para os fundos de coesão (repito: em Portugal, muitos destes fundos tiveram características próximas da indemnização e não da coesão) assumindo o papel de contribuintes líquidos. Os restantes países recebem esses fundos, partilhados de acordo com lógicas de necessidade negociadas umas e impostas outras e, são, os países receptores líquidos das verbas distribuídas pelos Quadros Comunitários de Apoio (QCA).
Quando se sai para uma negociação de fundos onde se tem como cenário mais dez países fruto do último alargamento - portanto maiores necessidades de fundos - e temos, em simultâneo, um conjunto de reivindicações dos contribuintes líquidos assim resumíveis:
  1. Holanda quer ver reduzido o valor da sua contribuição
  2. R. Unido quer receber integralmente o valor que respeita ao "cheque Tatcher"
  3. França e, também Alemanha, não permitem uma nova redução no valor relativo das ajudas da Política Agrícola Comum (PAC) no valor total do orçamento comunitário;

só temos de assumir que não prescindindo uns de receber o que entendem ser da mais elementar justiça e, outros, que de acordo com igual justiça, entendem que deverão contribuir com bem menos e sabendo de antemão que os estados de mão estendida são agora mais dez, só com uma imensa boa vontade se poderia supor que a suposta redução de 17% no valor atribuível a Portugal, tendo como base de cálculo o III QCA, seria um dado adquirido. Só o seria se as exigências enunciadas atrás não existissem (e os nossos governantes sabem-no bem, mas preferem escamotear a informação).

Não é nem era esse o caso. Este, o caso, é muito sério.

E quando fôr possível chegar a um acordo, a redução para Portugal não será de 17%, mas muito maior. É pegar ou largar.

Mas como ninguém nos disse qual o objectivo português, as reais necessidades de fundos do País - embora me pareça surrealista estar a exigir fundos de quem produz, para financiar economias laxistas, onde não há produção de riqueza (cheira-me a chulice..) - qualquer valor negociado será anunciado como políticamente muito bom, atendendo às circunstâncias e às desculpas que se começaram a desenhar de imediato nos "media", na classe política e no porta-voz do governo, que acumula a função com a de correspondente da RTP1 (será que também acumula vencimentos?) em Bruxelas.

17.6.05

[Nº 3] Residência dos Surrealistas...

Exposição Internacional de Pintura Surrealista...

New Burlington Galleries, Londres, 1936.
Em pé, da esquerda para a direita:

Rupert Lee, Ruthven Todd, Salvador Dalí, Paul Eluard, Roland Penrose, Herbert Read, E.L.T. Mesens, George Reavey and Hugh Sykes Williams.
Sentadas, da esquerda para a direita:

Diana Brinton Lee, Nusch Eluard, Eileen Agar, Sheila Legge e uma amiga não identificada de Dalí

Posted by Hello

[Nº 9] New York

Pike e Henry St.

Nova Iorque, 1936 Posted by Hello

ORFEU REBELDE

Orfeu rebelde, canto como sou:
Canto como um possesso
Que na casca do tempo, a canivete,
Gravasse a fúria de cada momento;
Canto, a ver se o meu canto compromete
A eternidade no meu sofrimento.

Outros, felizes, sejam rouxinóis...
Eu ergo a voz assim, num desafio:
Que o céu e a terra, pedras conjugadas
Do moinho cruel que me tritura,
Saibam que há gritos como há nortadas,
Violências famintas de ternura.

Bicho instintivo que adivinha a morte
No corpo dum poeta que a recusa,
Canto como quem usa
Os versos em legítima defesa.
Canto, sem perguntar à Musa
Se o canto é de terror ou de beleza.

(Miguel Torga)

Lwo Le Cheng Posted by Hello

O OUTRO LADO DA LUA...

Nicolau Santos, na coluna CEMPORCENTO no caderno de economia do Expresso, afirma: " Estamos no bom caminho" (sic)!

Aprecio esta coluna, o ror das vezes pela análise descomplexada, fácil na leitura e na exposição dos factos e igualmente pela lucidez analítica. Assim, leio-a sempre que compro o semanário. (Nem sempre o compro porque estipulei há muito tempo uma verba para dispender com jornais e, de cada vez que aumentam, divido o montante fixado pelo valor unitário e assim determino o número de exemplares a adquirir anualmente).

Voltando ao artigo de opinião, as razões para estarmos no bom caminho, na opinião de NS, estão directamente relacionadas com as medidas de combate ao défice, sendo a contestação alargada sinal de que são vários os interesses atingidos, gerando-se assim uma correspondencia inequívoca entre o aumento da contestação (de vários grupos socioprofissionais) e a qualidade inequívoca do pacote de medidas anunciadas pelo governo.

Percebo a preocupação e a alegria do articulista: prazo de três anos e não dois para o governo português colocar as contas em dia; manutenção dos "ratings"da República e consequente manutenção da taxa de juro de longo prazo.
Percebo, mas perceber não chega. Porque me falta o essencial:
  • já sei que as medidas preconizadas "mexem" com quase toda a actividade económica, ao nível quer da produção quer dos serviços;
  • sei igualmente que as medidas tomadas se destinam a conter a despesa;
  • sei também que o Investimento Directo Estrangeiro cai todos os anos em Portugal;
  • também sei que a capacidade de investimento português está francamente cerceada por falta de capacidade de poupança da sociedade;
  • que o desemprego aumenta e, tendencialmente, crescerá afectado por um expoente intimamente relacionado com o pacote de medidas anunciadas;
  • que o poder de compra se degradará ainda mais;
  • a (pouca) produção tenderá a cair, bem como os serviços, à medida que cair a procura;
  • mais fábricas irão fechar, implicando o engrossar do desemprego;
  • que o ciclo vicioso se manterá, porquanto as medidas de excepção para contenção da despesa deixarão de o ser, passando a ser prioridades indissociáveis de um País com uma tesouraria fraca, com dificuldades de cumprir os seus compromissos.

Assim uma coisa eu sei: o governo tomou medidas para redução da despesa, num País onde o rendimento per capita já é muito baixo.

Outra coisa eu também sei: não ouvi, até agora, nenhuma medida concreta que me faça ter esperança de que a riqueza nacional vai aumentar. O Estado demite-se da função de reanimador da economia, deixando esse papel aos privados. Os privados estão exauridos económica e financeiramente, sobre- endividados, não parecendo ser possível aumentar os recursos por via do investimento interno, mesmo quando considerados um ou outro grupo económico que o pudessem fazer mas que não fazem, e bem, porque o mercado português está "chupado" e não goza de qualquer elasticidade na procura, não estranhando assim que desviem esses investimentos para o exterior.

Coisas complicadas estas! Para respeitar o défice, em virtude de um estado "gordo" o governo não faz investimento público e a consequente política contra-cíclica. Por outro lado, se o estado emagrecer, ficamos com 1oo.ooo licenciados na rua , provocando uma agitação social culta, diferente, mais eficaz.

Tempos difíceis estes. O Estado precisa de inverter a tendencia de estagnação da economia portuguesa. É sua obrigação fazê-lo, mas as medidas que toma são recessivas.

Visto de fora, o País não é atractivo. Não goza de competencias específicas, a legislação de trabalho é rígida, a mão-de-obra é cara e pouco preparada, a burocracia muita, a transparencia política e legislativa nenhuma, o estado é lento e pesado.

Eu titularia: ESTAMOS SEM CAMINHO E SEM SAÍDA

"Do You want me to talk?"..."NO, Mr. Bond! I want You to Die!"

Recuperação de um texto já publicado, agora revisto à luz das novas posições assumidas pelos "líderes" europeus.
José Sócrates defendeu, esta quinta-feira, a suspensão das ractificações do TCE por parte dos restantes 13 estados que ainda não se pronunciaram. As palavras utilizadas na pimeira posição pública, na Cimeira, sobre o assunto, foram no seguinte sentido, de acordo com o DD:
  • "José Sócrates preconizou a suspensão, por tempo a determinar - ainda nesta cimeira de chefes de Estado e de Governo - do processo de ratificação nos 13 Estados-membros que ainda não se pronunciaram. Concluído esse período de reflexão, haveria uma concertação de posições sobre a continuação do processo, realizando-se eventualmente consultas e ratificações parlamentares na mesma data, de modo a evitar «efeitos de contaminação». O primeiro-ministro, prosseguiu a fonte, reiterou a intenção do governo português de ratificar o Tratado Constitucional em Portugal através de referendo, mas defendeu que «poderia ser útil e necessária uma pausa» para preservar a Constituição.
    Essa pausa, sublinhou, teria de ser sempre realizada «com um objectivo» e não como um adiamento «sine-die», não tendo todavia Sócrates sugerido datas."
Ao contrário da maioria de opiniões que leio e escuto, favoráveis ao Não, de que a paragem dos processos de ractificação nacionais são sinais positivos da "morte" da Constituição Europeia e, nas opiniões que leio favoráveis ao Sim, todas no sentido de que essa paragem se trata de um rude golpe para as aspirações de uma Europa unida em torno de uma Lei Fundamental, cresce o meu temor de que o discurso do SIM, parecendo diverso do discurso de quem defende o NÃO, acabe por ser, na prática, coincidente com o do NÃO, sendo este o famoso Plano B.
  • Explico o raciocínio: se 6 ou 7 países recusassem liminarmente a ractificação, por exclusiva responsabilidade dos povos, depois de os respectivos governos o terem aceite - todos os países europeus, através dos governos em funções assinaram o TCE - a Constituição estava definitivamente enterrada, em virtude da total incapacidade de aplicação da regra dos 4/5.
Parando o processo de escrutínio da vontade popular, a máquina burocrática europeia ganha tempo, o "efeito dominó" - nas palavras de José Sócrates " o efeito de contaminação", sabendo-se a carga negativa que o termo comporta - perde-se, a memória esbate-se e os meios de comunicação social, dominados políticamente ganham o tempo necessário à intoxicação da opinião pública, baseados nas "performances" económicas que continuarão a ser más em toda a Europa, mas que nada têm a ver com o TCE, mas sim com o espartilho que a moeda única e o PEC já fixou de há muito. O "discurso da tanga" vai ser assumido pelas altas instâncias europeias, o fim da UE anunciado, talvez se chegue mesmo perto de descrições apocalíticas onde a falta da Constituição, a falta de confiança na construção europeia e a rigidez e lentidão do funcionamento a 25 ( na ausência de uma Constituição) se constituirão nos seus 3 cavaleiros! A possível "morte" da Europa o 4º.
Temo que seja este o cenário. Temo que seja este o Plano B!
  • Porque a questão coloca-se em dois patamares distintos: 1º a celeridade do processo de integração económica e política que vem assolando a Europa desde há uns anos, contrário ao início promissor do "step by step", que tem no euro a sua última referência económica e teria nesta Constituição o seu espartilho normativo e político e; 2º a real necessidade da existência de um documento castrador das nacionalidades e estados europeus.
Por isto e por isso defendo que os processos de ractificação deveriam continuar, provávelmente somando aos "chumbos" verificados outros cinco: Suécia (porque depois dos "nãos" verificados e havendo referendo na Dinamarca, não acredito que a Suécia chegue a avançar para um processo de ractificação parlamentar), Dinamarca, Inglaterra, R. Checa e Luxemburgo (atentem-se nas posições oficiais). E já eram sete e o processo impossível de recuperar.
  • Dar voz à população europeia, pela primeira vez de forma séria, num cenário económico conturbado, sem capacidade de manipulação política é uma oportunidade talvez única. Este processo ainda cabe na esfera de influência e responsabilidade nacional. No dia em que a Constituição fôr aprovada - espero sinceramente que nunca - não mais haverá a sensação única de podermos, em conjunto e comprovadamente, fazer valer os nossos pontos de vista e a vontade nacional, sem que para isso tenhamos de "vender a alma ao diabo".
Porque a questão reside em saber se não se quer a Constituição europeia NUNCA, ou até se consegue conviver com a ideia, desde que façam o processo evoluir devagarinho.
Se a ambição coincide com a primeira premissa, então "mate-se" já a ideia e o projecto, sem apelo nem agravo.
  • Em caso contrário, o SIM vai galgando patamares, ganhando tempo, jogando com a incerteza económica e levando, porventura mais rápido do que se imagina, levar à repetição do referendo em frança e, depois na Holanda.
Não esuqeçamos que Blair é favorável à Constituição Europeia e que, igualmente, por sua vontade e do governo a que preside, o Reino Unido já teria aderido ao euro.
Não estaria a viver um momento de aparente contra-ciclo económico com a Europa, pujante e capaz, mas já teria perdido a libra e a viver, irmanados no destino, os mesmos problemas que franceses e alemães.

16.6.05

O CONSELHO EUROPEU....ANTECIPAÇÃO FÁCIL

O Reino Unido vai sair com o "cheque Tatcher".
A França e Alemanha com a PAC.
Portugal vai sair com o " melhor acordo possível".
Por outras palavras - porque aquelas vão ser as palavras oficiais - Portugal vai sair com o que lhe derem ou, então, pode sair se quiser.....
E o que vai ser dado é incomensurávelmente menos do que o País necessita, porque a coesão vem longe. Está cada vez mais longe!
Mas porventura, será talvez mehor assim!

AS RACTIFICAÇÕES PARLAMENTARES FERIDAS DE MORTE...

Não há, em circunstância alguma e sob nenhum prisma, capacidade de leitura e detecção de legitimidade para um deputado eleito para exercer um mandato na Assembleia Nacional do seu País, se poder pronunciar sob matérias que extravasam a responsabilidade e capacidade de propor projectos-lei, proceder à sua discussão e aprovação dentro do âmbito da Lei Fundamental desse País - a Constituição de cada Estado. Ultrapassar este limite é ultrapassar a razão primeira da sua eleição e ir muito para além das funções que lhe estão cometidas. A representatividade é exercida dentro dum quadro de legitimidade legal e democrática. Não respeitar esse quadro equivale a não respeitar o regime democrático e a vontade popular.
O referendo é uma peça fundamental da democracia, como ferramenta de consulta da vontade popular, a utilizar pontualmente sempre que as competencias dos representantes da vontade nacional, eleitos por sufrágio universal, sejam ultrapassados nas matérias em causa, por não lhes estarem consagradas ou sequer outorgadas.
A autonomia dos Estados é, manifestamente, matéria do foro nacional, muito para além da vontade dos deputados eleitos por, repete-se, não estarem mandatados para o efeito.
Essa é a justificação para a situação de não representatividade do parlamento holandês da vontade popular, em relação ao sentido de voto expresso no recente referenso efectuado, bem como as dúvidas agora suscitadas na Alemanha a propósito da constitucionalidade da ractificação parlamentar da Constituição Europeia naquele País, que levou para já, a um pedido de esclarecimentos do Presidente alemão ao Tribunal Constitucional quanto à eventual inconstitucionalidade dessa ractificação.
É inconstitucional. Não tenho qualquer dúvida, à luz de qualquer edifício jurídico.
Artifícios políticos manhosos de quem não respeita os regimes de que são representantes ( a legitimidade já ficou pelo caminho, nesta altura).

14.6.05


Li Dafang Posted by Hello

A TRINDADE (EUROPEIA) IMPOSSÍVEL...

Não existe unidade onde cohabitam interesses contraditórios.
Sem unidade não existe coesão, partilha, sofrimento, alegria, dôr, fraternidade.
Onde não existe união só persiste a incompreensão e esta leva à desunião.
Os intrincados corredores de interesses europeus estreitaram-se. A Alemanha, a França e a Inglaterra engordaram, uns mais que outros. As receitas emagreceram, nuns mais que noutros.
Depois os novos-ricos, os parentes pobres e os pedintes sentaram-se, pacientemente esperando por favores, por mesadas e migalhas. E o corredor ainda mais estreitou.
Os "três gordos" reunem, separadamente, tentando o impossível - passar, em simultâneo, no turtuoso corredor. E chegam à conclusão que existe uma trindade impossível: alimentar uma PAC sem cortar nos bolsos ingleses; cortar na PAC sem provocar reacções sociais; cercear os fundos a todos os outros, uns mais que outros, sem demonstrar as desigualdades de tratamento e a importancia relativa de cada um em relacção à UE.
O que não tem solução, solucionado está!
Alea Jacta Est! (ou em tradução livre: Arre Porra Que Já Me Deste!)

Já palavras não preciso que as hei dito todas....

Na morte reencontro
a Vida!
Na morte depois da vida,
nas palavras em confronto!

Agora sei, a palavra gerada
Na alma, penando, ditosa,
Da pena saída ansiosa,
Foi a coisa mais amada.

Não mais a palavra atormenta
Na mente, dando uma e sempre outra volta.
A palavra está agora mais solta,
Nem sequer está ciumenta!

Brota clara, prene de vaidade
Da boca de quem a declama.
Ganha vida, a palavra no poema,
E eu, o direito à liberdade.

Não mais me tiraniza a dita,
Que tudo o mais que faça sublima!
Finalmente soltei-me da rima,

A palavra deixou de estar interdita!

(João Fernandes)

AS PALAVRAS

São como um cristal,
as palavras.
Algumas, um punhal,
um incêndio.
Outras,
orvalho apenas.

Secretas vêm, cheias de memória.
Inseguras navegam:
barcos ou beijos,
as águas estremecem.

Desamparadas, inocentes,
leves.
Tecidas são de luz
e são a noite.
E mesmo pálidas
verdes paraísos lembram ainda.

Quem as escuta? Quem
as recolhe, assim,
cruéis, desfeitas,
nas suas conchas puras?

(Eugénio de Andrade)

13.6.05



Picasso Posted by Hello

EUGÉNIO DE ANDRADE. A Morte de Um Vulto Incontornável da Cultura Portuguesa

Adeus

Já gastámos as palavras pela rua, meu amor,
e o que nos ficou não chega
para afastar o frio de quatro paredes.
Gastámos tudo menos o silêncio.
Gastámos os olhos com o sal das lágrimas,
gastámos as mãos à força de as apertarmos,
gastámos o relógio e as pedras das esquinas
em esperas inúteis.

Meto as mãos nas algibeiras e não encontro nada.
Antigamente tínhamos tanto para dar um ao outro;
era como se todas as coisas fossem minhas:
quanto mais te dava mais tinha para te dar.
Às vezes tu dizias: os teus olhos são peixes verdes.
E eu acreditava.
Acreditava,
porque ao teu lado
todas as coisas eram possíveis.

Mas isso era no tempo dos segredos,
era no tempo em que o teu corpo era um aquário,
era no tempo em que os meus olhos
eram realmente peixes verdes.
Hoje são apenas os meus olhos.
É pouco mas é verdade,
uns olhos como todos os outros.

Já gastámos as palavras.
Quando agora digo: meu amor,
já não se passa absolutamente nada.
E no entanto, antes das palavras gastas,
tenho a certeza
de que todas as coisas estremeciam
só de murmurar o teu nome
no silêncio do meu coração.

Não temos já nada para dar.
Dentro de ti
não há nada que me peça água.
O passado é inútil como um trapo.
E já te disse: as palavras estão gastas.

Adeus.

(Eugénio de Andrade)

SEM HIPOCRISIAS...

A morte, o lado incompreendido da existência, merece-nos todo o respeito, mas quem morre só morre, verdadeiramente, quando morre na nossa alma e coração. Enquanto a memória perdura, perdura a existência. Assim, uns morrem antes de terem verdadeiramente morrido, outros não morrem nunca!
  • Vasco Gonçalves morreu. Não me merece palavras.
  • Alvaro Cunhal morreu. Fica a faceta da coerencia e o lado artístico da sua vida.

Por respeito para com a morte contemo-nos e nada mais escrevemos. Mas nem a inflamacção discursiva, nem a coerencia e convicções desmesuradas justificam tudo.

12.6.05


Donald Fraser Posted by Hello

Sempre o Mesmo...a ser apontado

Alberto João Jardim excedeu-se.
Mas porque raio se constata que desde o Presidente da República (que mesmo reformado mantêm o nome, em primeiro lugar, no papel timbrado da sociedade de advogados a que pertence - estranha reforma) até Cavaco Silva, todos acumulam vencimentos de cargos actuais com reformas e só João Jardim é referido com tanta azáfama pelos "media" nacionais?
O homem não é de se defender apontando outros exemplos (o queixinhas) e, por isso, irrita-se e excede-se, como qualquer homem! Não devia porque ocupa funções de estado, mas deixa-se arrastar temperamentalmente.
A questão, contudo, mantém-se: porquê sempre ele? A situação pode não ser pacifíca e até incompreensível nalguns casos, mas se há tantos, se cada vez tomamos conhecimento de mais e mais, porquê sempre ele?
Relações difíceis estas.
p.s. Marques Mendes não deveria ter criticado sómente a atitude. Deveria ter apontado o dedo a todas as outras situações de que era conhecedor, a menos que também esteja em acumulação. E quem tem telhados de vidro...

Para Uma Maior Equidade...

Não é sensato pensar que se constrói uma sociedade mais igual, mais fraterna, mais igualitária e solidária permitindo, simultâneamente, diferenças abissais nos vencimentos atribuídos à execução das várias funções necessárias ao funcionamento dessa sociedade.
Conforme o lucro, remuneração do capital, tem um patamar limite para além do qual é, justamente, considerado excessivo - atente-se no caso dos casinos que têm de entregar 50% da receita bruta nos cofres do estado - também não é aceitável que as remunerações possam gozar de uma tão grande flutuação como a que se verifica no nosso País e na sociedade ocidental num modo geral.
É fundamental a criação de uma grelha de vencimentos que estipule o vencimento máximo e mínimo permitidos na sociedade económica e social em que nos inserimos. Uma grelha que contemple todas as funções e responsabilidades e lhes atríbua um valor remuneracional justo e não escandaloso e atentatório da moral, como bastas vezes se verifica. E nesta grelha que estejam incluídos por maioria de razão os privados, porque não há condição nenhuma em que se consiga sustentar remunerações elevadíssimas baseadas no conceito de actividade privada.
Uma tal grelha é fundamental para acabar com as discriminações abusivas, para contribuir decisivamente para uma redistribuição equitativa do rendimento.

A Degradação do Regime...

Não é fácil analisar factos sem conhecer todos os contornos.
A notícia de há dois dias sobre a onda de violência gerada por centenas de jovens na praia de Carcavelos foi demasiado nebulosa e de contornos indefinidos para que se perceba, com exactidão, o que se passou.
Num primeiro momento foram referidos desacatos provocados por dezenas de jovens, posteriormente falou-se numa centena e, finalmente, em cerca de quinhentos.
A análise, como se disse, não é fácil mas conjecturando um pouco talvez se consiga chegar perto da realidade: um grupo não identificado de algumas dezenas provocou desacatos, na forma tentada de assalto; gerou-se burburinho levando à crispação dos banhistas presentes (no raciocínio terá de se levar em conta que a praia de Carcavelos tem uma frequência muito heterogénea, mais nas raças e credos que na condição social); a divisão, pela discussão inicial, entre brancos e negros terá surgido e, aí, provávelmente as cinco centenas amotinadas.
Não creio que tenha sido algo muito diferente disto, conforme não acredito numa movimentação de 500 pessoas para um determinado local, com um determinado fim, resultando em 4 ou 5 feridos ligeiros e no furto de um fio de ouro. Não, se estivéssemos perante um movimento daquela proporção, teríamos certamente consequências muito mais nefastas.
O que aconteceu e foi bem escondido terá sido, porventura, o acender de um rastilho que rebentou, por ora, em polvora seca, mas que masnifestamente indicia situações de tensão e de confrontação racial que derivam da degradação das condições de vida, ao nível social, económico, financeiro e cultural da população portuguesa, seja ela branca ou negra.
Os problemas tendem a potenciar os dislates e estes as confrontações.
No dia seguinte, após uma noite onde os limites foram por alguns claramente ultrapassados, somos surpreendidos pela notícia que, uma vez mais uma praia portuguesa - Quarteira - tinha sido invadida por umas dúzias de jovens (uma vez mais os jovens deste País na berlinda) que saídos de uma "Rave" resolveram trasvazar os seus excessos "em cima" de quem se encontrava num momento de calma, real ou artificial, nas existências sofridas do quotidiano que vai marcando as famílias portuguesas.
Nada que espante se atentarmos na tradução para português de "Rave": desvario, delírio, excitação, frenesi, falar como um louco, rugir.
Nada que espante, então, no comportamento daqueles jovens saídos de uma "Rave".
A questão é, contudo, mais profunda: se no 1º caso relatado condiconado à análise efectuada, se tratam essencialmente de deserdados da vida, de gente que se sente incompreendida e sufocada numa sociedade onde lhes parece não existir mais um lugar que lhes caiba - sejam brancos ou negros - no segundo caso a situação é diferente; a mistura de deserdados com herdeiros (a expressão aparece aqui para dar maior força ao sentido do texto) - aqueles, os que têm condições económicas para ir passar férias ao Algarve e que chegada a noite, tendo os pais programas combinados, ficam por acção destes com os bolsos recheados (e não me chateies) de euros e sem destino controlado, competindo com os próprios pais no horário de chegada na madrugada seguinte. Os filhos consomem alcool e drogas (ecstasy e heroína); os adultos "flirtam" uns com os outros, misturando pouca vergonha com, bastas vezes, cocaína.
Os extremos tocam-se em sociedades degradadas!
O exemplo tem de vir de cima e não vem. Pelo contrário!
O que chega de cima é ostentação eivada de impreparação.
Quem está "em cima" hoje, tem tiques baixos.
Quem está em baixo não se revê nas classes dirigentes, não se revê nos exemplos e não distingue diferenças que consubstanciem vidas sociais e económicas tão díspares.
Portugal, económica e financeiramente ainda não bateu no fundo. Está quase mais ainda falta alguma coisa.
O regime, esse, já caíu de maduro. Já se afundou.
As próximas gerações estão a ser educadas por portugueses autistas, egoistas, perdulários, viciados e mal-formados.
A geração rasca está a dar origem a outra geração ainda mais rasca, sem valores, sem passado, sem património cultural, sem referências familiares (que a geração dos pais ainda tinha e deu no que deu).
O regime está entregue!
Que mudança nos espera?

10.6.05

BOM FIM DE SEMANA...
A Referência Nacional de Dimensão Universal

Luis Vaz de Camões Posted by Hello

OS LUSÍADAS

CANTO I

As armas e os Barões assinalados
Que da Ocidental praia Lusitana
Por mares nunca de antes navegados
Passaram ainda além da Taprobana,
Em perigos e guerras esforçados
Mais do que prometia a força humana,
E entre gente remota edificaram
Novo Reino, que tanto sublimaram;

E também as memórias gloriosas
Daqueles Reis que foram dilatando
A Fé, o Império, e as terras viciosas
De África e de Ásia andaram devastando,
E aqueles que por obras valerosas
Se vão da lei da Morte libertando,
Cantando espalharei por toda parte,
Se a tanto me ajudar o engenho e arte.
...
CANTO III
...
Prontos estavam todos escuitando
O que o sublime Gama contaria,
Quando, despois de um pouco estar cuidando,
Alevantando o rosto, assi dizia:
– «Mandas-me, ó Rei, que conte declarando
De minha gente a grão genealogia;
Não me mandas contar estranha história,
Mas mandas-me louvar dos meus a glória.

«Que outrem possa louvar esforço alheio,
Cousa é que se costuma e se deseja;
Mas louvar os meus próprios, arreceio
Que louvor tão suspeito mal me esteja;
E, pera dizer tudo, temo e creio
Que qualquer longo tempo curto seja;
Mas, pois o mandas, tudo se te deve;
Irei contra o que devo, e serei breve.

«Além disso, o que a tudo enfim me obriga
É não poder mentir no que disser,
Porque de feitos tais, por mais que diga,
Mais me há-de ficar inda por dizer.
Mas, porque nisto a ordem leve e siga,
Segundo o que desejas de saber,
Primeiro tratarei da larga terra,
Despois direi da sanguinosa guerra.
...
CANTO VII

Vós, Portugueses, poucos quanto fortes,
Que o fraco poder vosso não pesais;
Vós, que, à custa de vossas várias mortes,
A lei da vida eterna dilatais:
Assi do Céu deitadas são as sortes
Que vós, por muito poucos que sejais,
Muito façais na santa Cristandade.
Que tanto, ó Cristo, exaltas a humildade!

Vede'los Alemães, soberbo gado,
Que por tão largos campos se apacenta;
Do sucessor de Pedro rebelado,
Novo pastor e nova seita inventa;
Vede'lo em feias guerras ocupado,
Que inda co cego error se não contenta,
Não contra o superbíssimo Otomano,
Mas por sair do jugo soberano.

Vede'lo duro Inglês, que se nomeia
Rei da velha e santíssima Cidade,
Que o torpe Ismaelita senhoreia
(Quem viu honra tão longe da verdade?),
Entre as Boreais neves se recreia,
Nova maneira faz de Cristandade:
Pera os de Cristo tem a espada nua,
Não por tomar a terra que era sua.

Guarda-lhe, por entanto, um falso Rei
A cidade Hierosólima terreste,
Enquanto ele não guarda a santa Lei
Da cidade Hierosólima celeste.
Pois de ti, Galo indino, que direi?
Que o nome «Cristianíssimo» quiseste,
Não pera defendê-lo nem guardá-lo,
Mas pera ser contra ele e derribá-lo!
...
(Luis Vaz de Camões)

SONETO

Busque Amor novas artes, novo engenho
Pera matar-me, e novas esquivanças,
Que não pode tirar-me as esperanças,
Que mal me tirará o que eu não tenho.
Olhai de que esperanças me mantenho!
Vede que perigosas seguranças!
Que não temo contrastes nem mudanças,
Andando em bravo mar, perdido o lenho.
Mas, enquanto não pode haver desgosto
Onde esperança falta, lá me esconde
Amor um mal, que mata e não se vê,
Que dias há que na alma me tem posto
Um não sei quê, que nasce não sei onde,
Vem não sei como e dói não sei porquê.

(Luis de Camões)

9.6.05

Agora Vai-se o Douro. Amanhã querem o Minho?

http://www.diarioeconomico.com/edicion/noticia/0,2458,641915,00.html

Só nos falta esta: os espanhóis quererem apropriar-se da Foz do Douro, dos Tintos e brancos do Douro (principalmente os tintos) e do Vinho do Porto.
Não nos faltava mais nada!!!
Eu bem digo que ainda não vimos tudo!

OS CORTES ORÇAMENTAIS NO SISTEMA EDUCATIVO

O Ministério da Educação quer poupar cerca de 170 milhões de euros anuais com o fim da remuneração dos estágios pedagógicos e o congelamento das progressões automáticas dos professores.
A intenção do Ministério é alterar a situação de progressões que incluem o tempo de serviço de um professor com habilitações adquiridas, porque «o sistema de oferta de formação contínua é distorcido e cria situações perversas», afirmou Maria de Lurdes Rodrigues.
Para exemplificar, a ministra explicou que um professor pode progredir na carreira se adquirir habilitações numa área que nada tem a ver com a sua formação.

O Ministério da Educação quer ainda acabar, também a partir de Setembro, com a remuneração dos estágios pedagógicos dos candidatos a professores, uma medida que permitirá poupar mais de 50 milhões de euros por ano.
A intenção é pôr fim ao regime de remunerações dos estágios pedagógicos de quem acaba um curso com ramo educacional e ou uma licenciatura de ensino.
Diário Digital 9. Junho. 2005


A compreensão na actualidade faz-se, fundamentalmente, da capacidade de leitura transversal dos fenómenos, das técnicas, dos conhecimentos e das teorias ao nível científico, técnico, social, económico, histórico, comportamental e político.
Ganhar competencias fora das áreas de formação base parece-me de elementar importância. Maior relevo ganhará se estivermos a falar de quem tem a obrigação (espera-se que igualmente a devoção) de transmitir o conhecimento nos bancos das escolas.
Também os estágios pedagógicos fazem sentido ser remunerados. Porque permitem uma dupla atribuição de competencias: 1ª a quem se está a preparar para leccionar; 2ª para o Ministério retirar conclusões quanto à formação pedagógica dos formados, aquando os cursos com ramo educacional e/ou licenciaturas de ensino são ministrados. Através dessa leitura, das lacunas pedagógicas detectadas, poderá o Ministério alterar conteúdos, proceder a melhorias e evitar ao mínimo a necessidade dos estágios de formação pedagógica.
Cortar verbas orçamentais no ensino, em Portugal, é sempre assustador, porque aquilo que se investe ou nada é o mesmo.
Resta lembrar que foram construídos 10 estádios para o europeu de futebol, quando na realidade só eram necessários oito, que existem estádios com uma proximidade geográfica assustadora (Leiria, Aveiro, Coimbra) e onde não cola o argumento do desenvolvimento regional e outros sem qualquer utilidade aparente (caso do estádio do Algarve). O custo médio de um estádio rondou os 10 milhões de euros. Que com 10 milhões de euros era possível investir sériamente na formação matemática em Portugal e que esse investimento traria resultados imensos, no espaço de vinte anos, ao País.
Os estádios são de imediato visíveis. A aposta na formação técnica e científica demora quase 1/4 de século para frutificar. Com uma enorme diferença: as obras mencionadas, 25 anos depois de concluídas estão a necessitar de substituição ou restauro; a formação científica começa a gerar dividendos enormes para todos, que duram muitos 25 anos!

CONSTATAÇÃO DO ÓBVIO...Não é Não

São argumentos como aqui expressos por Joana Amaral Dias no Semiramis, que justificam alguns regimes políticos, como o de 28 de Maio de 1926.
E eu concordo em absoluto!
A não necessidade de pensar e executar a política tendo em vista resultados eleitorais contribui, decisivamente, para uma maior dedicação à causa e coisa públicas, facilitando (por ausência de resistência dos agentes fronteira e do sufrágio livre e universal) a tomada de medidas impopulares mas necessárias.
  • Resumindo, os ganhos da liberdade - os "reality shows"; o muito lixo nas ruas das nossas principais cidades ( que no interior continua a haver decência, respeito e dignidade); um País feito de construção civil manhosa e de actividades especuladoras; o outro país nocturno que abre às 22.00 horas; os jogos de interesses, a corrupção e a lavagem de dinheiro; as plataformas de droga e a exploração do trabalho ilegal - são analisáveis através de uma tabela capaz de determinar o ponto crítico entre os interesses nacionais e os interesses pessoais e, no caso português, verifica-se com facilidade que o ponto de equilíbrio foi há muito ultrapassado, tendo o País sido fértil na produção de "novos ricos" e totalmente ineficaz na produção de riqueza. Somos completa e totalmente terceiro-mundistas! Até nas mentalidades (é que isto pega-se).
  • Os políticos em Bruxelas têm funcionado de outra maneira, de facto. Perante a constatação, por um lado, dos limites e dos becos a que a autocracia europeia se confinava e, por outro, da necessidade de aumentar a capacidade de ditar ordens em formato de Leis por forma a manter a "não dependência eleitoral ou das sondagens", preparavam-se para estabelecer outras regras e deixavam esta brincadeira das democracias para as regiões europeias, para os políticos de segunda, porque os outros de 1/2 segunda (de primeira não tem nenhum) estariam todos confortados no forte edifício burocrático com centro em Bruxelas, dependencias em Estrasburgo e Colónia, recebendo directrizes directamente de Berlim ( também de Paris, mas só numa primeira fase).
A questão coloca-se, então, a outro nível: se as coisas económicas só funcionam com regimes políticos onde imperem princípios autocráticos, porquê ter de aceitar um "28 de Maio" de Bruxelas e não um "28 de Maio" português, bem nacional?
Por mim afirmo: prefiro, de longe, a segunda solução. Se tiver de obedecer e calar, que seja a um português!
  • O Não não é dicotómico, como o Sim também não o é. São posições de princípio, nada mais. A haver uma diferença - e há - reside na necessidade temporal da resposta: um Não não pode esperar, tem de ser dado sem equívocos; um Sim concede-se um pouco mais de tempo. Quando o Não demora a ser dado, conforma sempre estados de desilusão e, por vezes, de incompreensão.
Em suma: Não é Não; Sim é Sim e, ou se está com o Não........ou Não!

8.6.05

SEM CALÇAS E DE MÃO ESTENDIDA....

vai Portugal, conforme se pode depreender do que aqui se lê!
Mas tal não nos deve espantar. Só mesmo quem ande muito a leste da realidade nacional não percebeu já que o Nosso País se transformou, de há muito, numa meretriz europeia, sedenta dos "fundos" de Bruxelas com que apara os golpes e aguenta uma vida de ostentação para a qual apresenta, cada vez menos, condições.
Daí que também, com as dificuldades crescentes, embora aparentando ainda algum pouco "glamour", se venha apresentando cada vez mais deslavada e desavergonhada.
Depois, o passar dos anos não ajudam e aquela que foi uma "jovem democracia" com piada, transforma-se aos poucos, por falta de verba e de cultura, numa "quarentona balsaquiana", muito pouco interessante e badalhoca.
Esta terceira república tornou-se numa "gaja rasca"!


Donald Fraser Posted by Hello

7.6.05

Cenários de Catástrofe Económica e Social Reais que não se resolvem por Tratado

Ainda o cenário de terror criado por Miguel Beleza, na certeza de que o economista sabe, de sobejo, que o TCE (Tratado Constitucional Europeu) nada vai resolver e que os problemas existentes são estruturais e muito perigosos. Pior: uma crescente dependencia da política interna das decisões tomadas em Bruxelas por um directório de países, só conduzirá a uma amplificação dos problemas no caso de Portugal, em particular, e de todos os pequenos e médios países em geral, no seio da União.
Em tese: o recente alargamento a 10 países, o maior de sempre, acarretou como esperado, problemas a vários níveis,
  • condições de apoio menores do que em alargamentos anteriores;
  • aumento das dificuldades de adesão à moeda única;
  • diluição do conceito de criação da UE (dos princípios criadores);
  • transferencia do projecto da UE para a arquitectura política;
  • não existência de ideias francamente mobilizadoras.


O papel do euro como unidade de conta, como "moeda-refúgio", depende de factores como a sua estabilidade cambial, peso da zona euro no comércio internacional, preferências nas transacções e política cambial de países terceiros.


Como foram calculados os critérios de convergência em Maastricht:

  • é possível demonstrar a relação entre o défice orçamental e a dívida pública em % do PIB, com uma simples relação matemática: d=yb, em que d=D/Y, b=B/Y e y=dY/Y, onde D é o défice orçamental, B a dívida pública e Y é o rendimento, todos em valores absolutos, excepto o rendimento (valor nominal).


Aplicando as condições do tratado, a igualdade d=yb reduz-se a: 3%=5% x 60%, o mesmo é dizer, assumir o crescimento do produto nominal em 5%, valor próximo do que se registava na Alemanha na altura da negociação do PEC.

Existíu então e desde logo, arbitrariedade na fixação dos critérios, nada tendo a ver com a teoria das ZMO (Zonas Monetárias Óptimas). O PEC (Pacto de Estabilidade e Crescimento), foi "construído" à imagem e semelhança da economia alemã.

Quando se verificam discrepâncias fundamentais nos princípios subjacentes à criação da zona-euro, como o aumento da despesa pública em vários países com implicações diversas, há influencia directa no défice orçamental e nos diferenciais das taxas de inflação entre países da zona euro e respectivos critérios de convergência. Os pilares de sustentação do euro desmoronam-se. Ninguém pode acreditar, em seu juízo, que perante o deslizar de umas economias em relação a outras as paridades fixadas se possam manter. Não existem sistemas de vazos comunicantes entre as economias europeias, (não existe um sistema fiscal único, não existe um modelo de estado-providencia único) e as verbas dos fundos comunitários (para Portugal têm funcionado como indemnizações e não como subsídios) são cada vez menores e mais divididas.
Um euro em Portugal não poderá valer o mesmo que na Alemanha, à paridade actual, se a performance económica portuguesa se fôr afastando, irremediávelmente, da performance alemã.

É discutível o conjunto de critérios que permitem fixar paridades entre moedas, mas não podemos esperar que estes critérios se alterem quando as prestações económicas são frouxas. Aqui surge o espectro da estabilidade cambial do euro. Não foi por mero acaso, que no mesmo dia em que foi anunciada a revisão do PEC, o dólar recuperou perante o euro.


Nada é certo neste momento, a não ser que os interesses alemães passam pelo centro e leste europeu, os franceses pela manutenção da ideia política subjacente às CE e que Portugal está pejado de problemas estruturais, a produzir muito pouco e a consumir mais do que pode. A Europa dividida por interesses económicos regionais, a várias velocidades, como sempre esteve, mas desta feita assumidamente, por imperiosa necessidade.

Verifica-se desta forma, sem sombras nem incertezas, que o cenário catastrofista enunciado por Miguel beleza e os defensores da Constituição Europeia já existe e não se resolve por Tratado, qualquer que ele seja.

Na Corda Bamba Monetária, Último Sopro Da Economia Moribunda

No debate do Prós e Contras de ontem sobressaíu a preocupação evidente de Miguel Beleza com a situação económica perfeitamente dramática que Portugal vive e a possibilidade de alguns dos fundamentos da UEM (União Económica e Monetária) poderem ser postos em causa e mesmo ruírem.
A preocupação com a moeda única chegou a ser lancinante e com inteira razão!
As paridades fixadas para as várias moedas nacionais apontaram, no caso nacional, para o valor de 200,482 escudos por cada euro.
A derrapagem, diria mesmo despistagem total com consequente "espetanço" da nossa economia, desde 1999 até hoje (não que as razões não sejam anteriores, porque são e muito, mas naquela data e já com alguma cosmética foi o valor obtido), colocou fortemente em causa essa paridade, ao ponto de se poder garantir que, se fosse fixado agora, seria um valor totalmente distinto - atrevo-me a dizer que andaria na casa dos 277 escudos por euro.
Assim sendo, a paridade actual dos 200,482 escudos é inteiramente irreal, ficcionária, não representando a diferença entre as actuais economias nossas parceiras na zona-euro e a nossa própria economia (as paridades, mesmo sem euro, não representam fidedignamente a pujança económica dos países quando comparados entre si, mas são indicadores expressivos).
O que deveremos então esperar da zona-euro: a manutenção ad aeternum das paridades fixadas em 99 ou uma reavaliação das economias, passados 5, 10, 15 ou mesmo 20 anos da constituição da moeda única?
A situação não é imutável e uma de duas coisas sucederá, aquando de uma próxima reavaliação das economias onde circula a moeda única: a) revisão das paridades ou; b) redução dos montantes de circulação de moeda, pelo BCE.
Num ou noutro caso as consequências funestas para Portugal não serão muito diferentes se a decisão tomada fosse acabar com o euro na Europa. Funestas e verdadeiramente dramáticas, essas consequências arrastariam, inexorávelmente, a nossa economia para a ruína.
Só que existe um dado que não pode ser escamoteado: na ruína já nós estamos, com "ratings" internacionais a apontarem a economia nacional como economia de algum risco e, se a situação dramática ainda não é de morte certa, deve-se à fixação da paridade, ainda em vigor, ser totalmente artificial.
Já estamos a viver do passado, baseados na história da família, para suportar penosamente a decrepitude do presente e a angústia no futuro.

Respiro o teu corpo

Respiro o teu corpo:
sabe a lua-de-água
ao amanhecer,
sabe a cal molhada,
sabe a luz mordida,
sabe a brisa nua,
ao sangue dos rios,
sabe a rosa louca,
ao cair da noite
sabe a pedra amarga,
sabe à minha boca.

(Eugénio de Andrade)
Bom Dia...

Donald Fraser Posted by Hello

5.6.05

MARCELO NA RTP 1....

A propósito das afirmações de A. Borges:
" Não conheço nenhum ministro que seja pobre, nem me lembro que alguma vez algum ministro em Portugal tenha sido um pobre. Portugal não tem ministros pobres nem se vislumbra que os tenha..."
Marcelo não se referíu às competências, às capacidades, às qualificações, às motivações, ao patriotismo.
Marcelo baseou-se na dicotomia pobre/rico. Percebeu-se no "lapsus facie" imediato, que tinha noção da arrogância e do asneiredo assumido e cometido. Mas estava dito!
Para Marcelo Rebelo de Sousa, ser rico é condição essencial para exercer funções governativas!
ESTÁ MESMO TUDO DITO!!!! Para Marcelo R. de Sousa.
Para todos os outros não o creio. Mas percebem-se claramente as razões de apoio de Marcelo à Constituição Europeia. Que enorme chatice partilhar "cocktails" com quem não é "rico".
Curiosamente, o "conde" trata todos os homens por "rico". Coincidências, porque os ricos a que Marcelo aludíu não são os "ricos" de Castelo-Branco (nunca sei se é com dois l´s ou só com um), mas, efectivamente, nem um nem outro dispensa os "ricos". Nem no governo!
Ó João!...Era uma ironia, a especialidade do professor. Pois é claro que maior parte deles não eram nem ricos nem achados antes de chegar ao Governo, mas a prática dos 10% está de tal modo instituida que ministros, secretários de Estado e autarcas ficam todos ricos em pouco tempo. E há tambem as reformas dos altos cargos...

Hm, a propósito: O Castelo-Branco tambem só passou a rico desde que trocou o título de Rómanova por RóbaVelha :p

A que "competências, capacidades, qualificações, motivações, e patriotismo" de que ministro é que Marcelo Rebelo de Sousa se deveria ter referido??
É que desde os finais dos gloriosos anos oitenta, ou seja mais ou menos nos últimos 15 anos, assim de repente não estou a ver nenhum com estas qualidades todas num cinco em um ... Maldade minha, só pode.

BlahBlahBlah

É, tem razão, só pode ter sido mesmo uma ironia :)
No resto também concordo, não encontro nenum, mas avançaria mais no tempo. Nos últimos 25 anos...

Olá João,
Ainda tens paciência para ouvir estes comentários? Confesso que já não tenho...prefiro ler e preparar-me psicologicamente para a semana de trabalho porque nós não somos ricos nem ministros...ah!ah!ah!, beijinhos

Anabela