17.7.05

APRENDENDO COM EÇA...

Nos Maias, obra sublime de Eça de Queiroz:
" - Falhámos a vida, menino!".
Ega, no regresso de Carlos, de Paris.

Daqui a dez anos, quando nos voltarmos para os nossos filhos e amigos confrontados à altura com a escassez de oportunidades na vida, com um dificílimo reconhecimento social, saídos de universidades portuguesas mal cotadas no "ranking europeu" resultado da Convenção de Bolonha e forçados a aprender espanhol se quiserem consultar um médico diremos, tal como Ega:
"- Falhámos Portugal, meninos! Falhámos a nossa vida e, mais grave, a vossa!"
Eça é que é Eça!...
posted by BlahBlahBlah

16.7.05

CONVERSA GRAVADA

da Autoria de Cruzeiro Seixas, poeta e pintor

As minhas coisas “acontecem”, porque são uma necessidade profunda. Um amigo meu, pintor, desejava o dia em que já não fosse capaz de pintar. Eu nunca seria capaz de o deixar de fazer. Em qualquer circunstância da vida vejo-me a garatujar num papel ou numa parede. Se considerar a pintura como uma “obra de arte” com tela, cavalete e materiais nobres, sinto-me assustado, mas esses problemas não se põem comigo, porque não é à obra de arte que aponto, e porque muito raramente utilizei materiais tidos como nobres. Desenhar e pintar são necessidades independentes de mim, que tem a sua parte de necessidade fisiológica.

Pergunta-me como comecei a fazer estes cadernos. Na verdade não fiz na adolescência o Diário que quasi todos os adolescentes fazem. Foi já muito tarde que comecei a alinhar breves notas daquilo que me ocorre no dia a dia, durante a semana ou durante o mês; as amizades, as inimizades, as descobertas (não descobrimos nada, está já tudo descoberto!), foi tudo isso o que fui apontando nos intervalos que tinha de outros afazeres. Nessas folhas ia metendo um bilhete de eléctrico, ou qualquer outra coisa que me sugerisse um momento vivido, fotografias de pessoas, e pequenas pinturas ou desenhos, etc, etc. São cadernos de uma grande fragilidade, constituídos por folhas de papel metidas em argolas, de maneira que com o tempo e com o folhear os buracos se rompem, e tudo aquilo sai do sítio. Foi um disparate usar tal excesso de fragilidade, mas já são trinta e tal cadernos, e seria impossível recomeçar. Alguém algum dia olhará com alguma benevolência este documento? Se calhar vão deitar fora tudo aquilo, pois é esse o destino de tantas coisas em Portugal. Mas esses cadernos aconteceram e continuam a acontecer, pois de certa forma disponho agora de mais tempo, passado o tempo em que fui tocado pela asa da pintura profissional. Isso já lá vai há muitos anos felizmente: Trata-se agora de deixar o meu depoiamento sobre um papel qualquer, com o lápis ou com a esferográfica que tenho à mão. Julgo que aqueles pequenos desenhos casuais, podiam afinal ser obra de arte, se transplantados para a tela e para o cavalete, digo-o sem falsa modéstia.

Na verdade nem quando pintei sobre tela usei o cavalete. De resto durante toda a minha longa vida, não devo ter pintado mais do que umas vinte telas. Elas correspondiam à tal necessidade profunda, mas também foram a maneira de sobreviver. Nunca acreditei muito naquilo que fiz, e o dinheiro que ganhava não dava para fotografar as obras. Assim, desorganizado como sou não sei o destino da maior parte do que desenhei e pintei. Justamente, há dias, numa entrevista, contava a estória de dois quadros que uma galeria tinha “descoberto”. Pediram-me para passar por lá para confirmar se os quadros eram de facto de minha autoria. Na minha idade avoluma-se a ideia de que o que fiz talvez não tenha qualquer mérito. Fui a essa galeria com um bocado de medo, e acabei por ficar tão satisfeito quanto possível. No entanto felicitei-me por não estar a fazer hoje a pintura profissional que vemos em galerias e em exposições.

Voltando aos “Diários” (prefiro designá-los como “Desaforismos”), eu não pensava que fosse possível serem editados, mas gostava evidentemente que alguém os folheasse. Foi um amigo espanhol quem mais se interessou por eles. Vive numa pequena e belíssima cidade, e o seu ganha pão é um quiosque onde vende lotaria. Por sua vez ele tem um amigo que tem uma modesta tipografia, e assim editaram 3 livros, maquetes originais, que o Mário Henrique Leiria me tinha oferecido, e que, sendo obras excepcionais, não tinham aqui merecido a atenção devida. Fiquei-lhes sempre muito grato, e a amizade estreitou-se. Visitamo-nos, e trocamos lembranças. De vez em quando presenteiam-me com restos de folhas que lá na tipografia reunem em caderno. A outras pessoas servirão para as contas do dia a dia, mas foi a partir daí, em folhas de papel de música, que passei a desenhar e a pintar, e a reunir Aforismos de diversos autores e os tais meus Desaforismos. Este caderno, mais uma vez casual, foi visto pelos irmãos António e João Prates da Galeria S.Bento, e resolveram-no incluir entre um projecto de edições numeradas e assinadas pelos autores, e resultaram bonitas edições. Esse livro intitula-se “Local onde o Mar Naufragou”. Outro livro recentemente editado reúne principalmente poesia e desenhos datados dos anos 40/60. Trata-se de uma nova editora, mas o livro é extremamente cuidado, e pode ser classificado de luxuoso. O livro intitula-se “Viagem sem regresso”, e a editora é “Tiragem Limitada”.

O meu método de desenho é não ter método. Tirei apenas o quinto ano de desenho da Escola António Arroio, mas com os professores nunca aprendi nada. Nunca gostei de aprender, a não ser comigo mesmo. A técnica é coisa muito de se lhe tirar o chapéu, mas não é o principal. Além disso, por certo, para ela não estou vocacionado. A alma é a minha técnica, e se há algum valor naquilo que faço, isso advém de um excesso de alma.

Repito que sempre utilizei papéis de acaso, por vezes quadriculados ou de 35 linhas. Parecia-me que ninguém quereria comprar tais coisas, mas o passar dos anos vieram a me revelar o contrário. Se há realmente alguma glória naquilo que fiz (glória é uma palavra evidentemente excessiva), ela advém desta experiência, de conseguir algum consenso, usando tais suportes.

Quanto às figurações que se movimentam naquilo que desenho e pinto elas vêm directamente do subconsciente, mas também dos encontros que vamos fazendo pelas ruas, dos livros que lemos, das guerras e das fomes, e de uma ou outra coisa boa que ainda nos toca. Muitos dos desenhos são feitos quando estou ao telefone. Com a atenção dividida, aquilo que aparece é mais livre; a mão vai e vem por ali fora, como traçando um gráfico. Conheço pintores, que muito prezo, que são capazes de dizer como vai ser o próximo quadro. Eles já sabem tudo, já o estão a ver. Eu, estou cego diante do papel ou da tela. Se “visse” o quadro antes de o fazer, por certo já não o faria, pois me pareceria que já tinha passado o seu tempo. Mas o meu método não será o melhor, pois que não dá para ser um grande nome da pintura. O que vos deixo são apenas depoimentos ou testemunhos.

Charles Willmott Posted by Picasa

BOA TARDE....

Depois de uma semana complicada regresso à actividade normal.

12.7.05

Pátria

Soube a definição na minha infância.
Mas o tempo apagou
As linhas que no mapa da memória
A mestra palmatória
Desenhou.

Hoje
Sei apenas gostar
Duma nesga de terra
Debruada de mar.

(Miguel Torga)

Portugal

Avivo no teu rosto o rosto que me deste,
E torno mais real o rosto que de tou.
Mostro aos olhos que não te disfugura
Quem te desfigurou.
Criatura da tua criatura,
Serás sempre o que sou.

E eu sou a liberdade dum perfil
Desenhado no mar.
Ondulo e permaneço.
Cavo, remo, imagino,
E descubro na bruma o meu destino
Que de antemão conheço:

Teimoso aventureiro da ilusão,
Surdo às razões do tempo e da fortuna,
Achar sem nunca achar o que procuro,
Exilado
Na gávea do futuro,
Mais alta ainda do que no passado.

(Miguel Torga)

10.7.05

Beautiful City

Beautiful city, the centre and crater of European confusion,
O you with your passionate shriek for the rights of an equal
humanity,
How often your Re-volution has proven but E-volution
Roll’d again back on itself in the tides of a civic insanity!

(Tennyson)

Arbuckle Posted by Picasa

AS FRAQUEZAS E IMPREPARAÇÕES DE MARQUES MENDES...

Na Assembleia da República, o Dr. Marques Mendes interpela o Primeiro Ministro, dando-lhe conta de que se estaria a apossar deste um certo estado de nervosismo derivado da actual situação económica e das medidas recentemente tomadas pelo executivo. E aquele, o nervosismo, teria origem no imenso nervoso que assola, transversalmente, toda a sociedade portuguesa. Quem assim fala não pode ser gago e tem de ter contra-resposta à altura e preparada ou uma muito razoável capacidade de improviso, necessáriamente inteligente.
O Primeiro Ministro respondeu que nervoso estaria ele, Marques Mendes, com os resultados das últimas eleições. E Marques Mendes ficou-se, calado e triste no seu canto, sem qualquer resposta.
Enquanto a bancada socialista se rendia em palmas à resposta do líder, ficou-nos a imagem de uma oposição chefiada por um gago, mal preparado e pouco capaz de tiradas expontâneas, atributos necessários de um bom tribuno, ainda mais quando lidera a segunda força política nacional (se é que o exercício político de Marques Mendes possa ser apelidado de liderante).

A Presidenta...

Primeira Dama?
A República é um sofisma!

AS VIAGENS PRESIDENCIAIS...É FARTAR VILANAGEM

Alguém me explica o interesse nacional da visita à América do Sul de Sua Exa. o Sr. Presidente da República e respectiva mulher?
Porque a mim cheira-me a cartuchos de fim de festa, às últimas benesses e benefícios que são concedidos sem necessidade de qualquer tipo de explicação racional e, já agora, porque não nacional.
E tudo à custa do erário público.

QUESTÃO DE NÚMEROS...

Já todos nos demos conta da numerosa comunidade chinesa em Portugal.
Alguém é capaz de me dizer quantos óbitos de cidadãos chineses estão registados em Portugal?
Podem ser os últimos dez anos, como poderão ser os últimos vinte ou os últimos cinco, tanto faz. Só gostaria de saber quantos são.

Os Chineses, Marques Mendes e a precipitação, má conselheira política...

A questão da imigração apresenta diversas leituras possíveis. Quando os movimentos migratórios resultam da necessidade das populações buscarem sustento "fora de portas", sempre foram bem recebidas desde que um princípio de base se mostrasse coincidente com os interesses das economias de acolhimento: a necessidade dos fluxos migratórios como forma de fazer face a necessidades conjunturais.
No entanto, quando os movimentos migratórios são financiados pelos governos dos países de origem dos imigrantes, como instrumento de massificação do seu prório comércio, através do escoamento de bens e serviços e da mobilidade de parte das populações, resulta que as economias de acolhimento começam a correr sérios riscos de serem canibalizadas, principalmente se estivermos a falar de economias fracas, com pouco poder de compra.
Tecer comentários sobre situações requer, sempre, exercícios de análise e o Dr. Marques Mendes com as palavras proferidas sobre o Dr. A. João Jardim mostrou, claramente, não se ter debruçado sobre a questão e de não ter efectuado uma análise concisa e profunda às raízes das preocupações projectadas nas palavras do P. do Governo Regional da Madeira.
E não me falem em xenofobia, porque não é disso que se trata, mas sim da sobrevivência do micro e pequeno comércio, o mesmo é dizer, de uma fatia importante do tecido social português!

7.7.05


Yankee Stadium at night, NJ Posted by Picasa

DO SENTIMENTO TRÁGICO DA VIDA

Não há revolta no homem
que se revolta calçado.
O que nele se revolta
é apenas um bocado
que dentro fica agarrado
à tábua da teoria.

Aquilo que nele mente
e parte em filosofia
é porventura a semente
do fruto que nele nasce
e a sede não lhe alivia.

Revolta é ter-se nascido
sem descobrir o sentido
do que nos há-de matar.

Rebeldia é o que põe
na nossa mão um punhal
para vibrar naquela morte
que nos mata devagar.

E só depois de informado
só depois de esclarecido
rebelde nu e deitado
ironia de saber
o que só então se sabe
e não se pode contar.

(Natália Correia)

6.7.05


Sherree Daines Posted by Picasa

Teach Your Children - CSNY

You who are on the road
Must have a code that you can live by
And so become yourself
Because the past is just a good bye

Teach your children well
Their father's hell did slowly go by
And feed them on your dreams
The one they picks, the one you'll know by

Don't you ever ask them why, if they told you, you will cry
So just look at them and sigh and know they love you

And you of tender years
Can you hear what do you care and
Can't know the fears that your elders grew by
Do you see what must be free
And so please help them with your youth
To teach your children you believe
They seek the truth before they can die
They make a world that we can live in

Teach your parents well
Their children's hell will slowly go by
And feed them on your dreams
The one they picks, the one you'll know by

Don't you ever ask them why, if they told you, you would cry
So just look at them and sigh and know they love you

(Graham Nash)