12.6.05


Donald Fraser Posted by Hello

Sempre o Mesmo...a ser apontado

Alberto João Jardim excedeu-se.
Mas porque raio se constata que desde o Presidente da República (que mesmo reformado mantêm o nome, em primeiro lugar, no papel timbrado da sociedade de advogados a que pertence - estranha reforma) até Cavaco Silva, todos acumulam vencimentos de cargos actuais com reformas e só João Jardim é referido com tanta azáfama pelos "media" nacionais?
O homem não é de se defender apontando outros exemplos (o queixinhas) e, por isso, irrita-se e excede-se, como qualquer homem! Não devia porque ocupa funções de estado, mas deixa-se arrastar temperamentalmente.
A questão, contudo, mantém-se: porquê sempre ele? A situação pode não ser pacifíca e até incompreensível nalguns casos, mas se há tantos, se cada vez tomamos conhecimento de mais e mais, porquê sempre ele?
Relações difíceis estas.
p.s. Marques Mendes não deveria ter criticado sómente a atitude. Deveria ter apontado o dedo a todas as outras situações de que era conhecedor, a menos que também esteja em acumulação. E quem tem telhados de vidro...

Para Uma Maior Equidade...

Não é sensato pensar que se constrói uma sociedade mais igual, mais fraterna, mais igualitária e solidária permitindo, simultâneamente, diferenças abissais nos vencimentos atribuídos à execução das várias funções necessárias ao funcionamento dessa sociedade.
Conforme o lucro, remuneração do capital, tem um patamar limite para além do qual é, justamente, considerado excessivo - atente-se no caso dos casinos que têm de entregar 50% da receita bruta nos cofres do estado - também não é aceitável que as remunerações possam gozar de uma tão grande flutuação como a que se verifica no nosso País e na sociedade ocidental num modo geral.
É fundamental a criação de uma grelha de vencimentos que estipule o vencimento máximo e mínimo permitidos na sociedade económica e social em que nos inserimos. Uma grelha que contemple todas as funções e responsabilidades e lhes atríbua um valor remuneracional justo e não escandaloso e atentatório da moral, como bastas vezes se verifica. E nesta grelha que estejam incluídos por maioria de razão os privados, porque não há condição nenhuma em que se consiga sustentar remunerações elevadíssimas baseadas no conceito de actividade privada.
Uma tal grelha é fundamental para acabar com as discriminações abusivas, para contribuir decisivamente para uma redistribuição equitativa do rendimento.

A Degradação do Regime...

Não é fácil analisar factos sem conhecer todos os contornos.
A notícia de há dois dias sobre a onda de violência gerada por centenas de jovens na praia de Carcavelos foi demasiado nebulosa e de contornos indefinidos para que se perceba, com exactidão, o que se passou.
Num primeiro momento foram referidos desacatos provocados por dezenas de jovens, posteriormente falou-se numa centena e, finalmente, em cerca de quinhentos.
A análise, como se disse, não é fácil mas conjecturando um pouco talvez se consiga chegar perto da realidade: um grupo não identificado de algumas dezenas provocou desacatos, na forma tentada de assalto; gerou-se burburinho levando à crispação dos banhistas presentes (no raciocínio terá de se levar em conta que a praia de Carcavelos tem uma frequência muito heterogénea, mais nas raças e credos que na condição social); a divisão, pela discussão inicial, entre brancos e negros terá surgido e, aí, provávelmente as cinco centenas amotinadas.
Não creio que tenha sido algo muito diferente disto, conforme não acredito numa movimentação de 500 pessoas para um determinado local, com um determinado fim, resultando em 4 ou 5 feridos ligeiros e no furto de um fio de ouro. Não, se estivéssemos perante um movimento daquela proporção, teríamos certamente consequências muito mais nefastas.
O que aconteceu e foi bem escondido terá sido, porventura, o acender de um rastilho que rebentou, por ora, em polvora seca, mas que masnifestamente indicia situações de tensão e de confrontação racial que derivam da degradação das condições de vida, ao nível social, económico, financeiro e cultural da população portuguesa, seja ela branca ou negra.
Os problemas tendem a potenciar os dislates e estes as confrontações.
No dia seguinte, após uma noite onde os limites foram por alguns claramente ultrapassados, somos surpreendidos pela notícia que, uma vez mais uma praia portuguesa - Quarteira - tinha sido invadida por umas dúzias de jovens (uma vez mais os jovens deste País na berlinda) que saídos de uma "Rave" resolveram trasvazar os seus excessos "em cima" de quem se encontrava num momento de calma, real ou artificial, nas existências sofridas do quotidiano que vai marcando as famílias portuguesas.
Nada que espante se atentarmos na tradução para português de "Rave": desvario, delírio, excitação, frenesi, falar como um louco, rugir.
Nada que espante, então, no comportamento daqueles jovens saídos de uma "Rave".
A questão é, contudo, mais profunda: se no 1º caso relatado condiconado à análise efectuada, se tratam essencialmente de deserdados da vida, de gente que se sente incompreendida e sufocada numa sociedade onde lhes parece não existir mais um lugar que lhes caiba - sejam brancos ou negros - no segundo caso a situação é diferente; a mistura de deserdados com herdeiros (a expressão aparece aqui para dar maior força ao sentido do texto) - aqueles, os que têm condições económicas para ir passar férias ao Algarve e que chegada a noite, tendo os pais programas combinados, ficam por acção destes com os bolsos recheados (e não me chateies) de euros e sem destino controlado, competindo com os próprios pais no horário de chegada na madrugada seguinte. Os filhos consomem alcool e drogas (ecstasy e heroína); os adultos "flirtam" uns com os outros, misturando pouca vergonha com, bastas vezes, cocaína.
Os extremos tocam-se em sociedades degradadas!
O exemplo tem de vir de cima e não vem. Pelo contrário!
O que chega de cima é ostentação eivada de impreparação.
Quem está "em cima" hoje, tem tiques baixos.
Quem está em baixo não se revê nas classes dirigentes, não se revê nos exemplos e não distingue diferenças que consubstanciem vidas sociais e económicas tão díspares.
Portugal, económica e financeiramente ainda não bateu no fundo. Está quase mais ainda falta alguma coisa.
O regime, esse, já caíu de maduro. Já se afundou.
As próximas gerações estão a ser educadas por portugueses autistas, egoistas, perdulários, viciados e mal-formados.
A geração rasca está a dar origem a outra geração ainda mais rasca, sem valores, sem passado, sem património cultural, sem referências familiares (que a geração dos pais ainda tinha e deu no que deu).
O regime está entregue!
Que mudança nos espera?

10.6.05

BOM FIM DE SEMANA...
A Referência Nacional de Dimensão Universal

Luis Vaz de Camões Posted by Hello

OS LUSÍADAS

CANTO I

As armas e os Barões assinalados
Que da Ocidental praia Lusitana
Por mares nunca de antes navegados
Passaram ainda além da Taprobana,
Em perigos e guerras esforçados
Mais do que prometia a força humana,
E entre gente remota edificaram
Novo Reino, que tanto sublimaram;

E também as memórias gloriosas
Daqueles Reis que foram dilatando
A Fé, o Império, e as terras viciosas
De África e de Ásia andaram devastando,
E aqueles que por obras valerosas
Se vão da lei da Morte libertando,
Cantando espalharei por toda parte,
Se a tanto me ajudar o engenho e arte.
...
CANTO III
...
Prontos estavam todos escuitando
O que o sublime Gama contaria,
Quando, despois de um pouco estar cuidando,
Alevantando o rosto, assi dizia:
– «Mandas-me, ó Rei, que conte declarando
De minha gente a grão genealogia;
Não me mandas contar estranha história,
Mas mandas-me louvar dos meus a glória.

«Que outrem possa louvar esforço alheio,
Cousa é que se costuma e se deseja;
Mas louvar os meus próprios, arreceio
Que louvor tão suspeito mal me esteja;
E, pera dizer tudo, temo e creio
Que qualquer longo tempo curto seja;
Mas, pois o mandas, tudo se te deve;
Irei contra o que devo, e serei breve.

«Além disso, o que a tudo enfim me obriga
É não poder mentir no que disser,
Porque de feitos tais, por mais que diga,
Mais me há-de ficar inda por dizer.
Mas, porque nisto a ordem leve e siga,
Segundo o que desejas de saber,
Primeiro tratarei da larga terra,
Despois direi da sanguinosa guerra.
...
CANTO VII

Vós, Portugueses, poucos quanto fortes,
Que o fraco poder vosso não pesais;
Vós, que, à custa de vossas várias mortes,
A lei da vida eterna dilatais:
Assi do Céu deitadas são as sortes
Que vós, por muito poucos que sejais,
Muito façais na santa Cristandade.
Que tanto, ó Cristo, exaltas a humildade!

Vede'los Alemães, soberbo gado,
Que por tão largos campos se apacenta;
Do sucessor de Pedro rebelado,
Novo pastor e nova seita inventa;
Vede'lo em feias guerras ocupado,
Que inda co cego error se não contenta,
Não contra o superbíssimo Otomano,
Mas por sair do jugo soberano.

Vede'lo duro Inglês, que se nomeia
Rei da velha e santíssima Cidade,
Que o torpe Ismaelita senhoreia
(Quem viu honra tão longe da verdade?),
Entre as Boreais neves se recreia,
Nova maneira faz de Cristandade:
Pera os de Cristo tem a espada nua,
Não por tomar a terra que era sua.

Guarda-lhe, por entanto, um falso Rei
A cidade Hierosólima terreste,
Enquanto ele não guarda a santa Lei
Da cidade Hierosólima celeste.
Pois de ti, Galo indino, que direi?
Que o nome «Cristianíssimo» quiseste,
Não pera defendê-lo nem guardá-lo,
Mas pera ser contra ele e derribá-lo!
...
(Luis Vaz de Camões)

SONETO

Busque Amor novas artes, novo engenho
Pera matar-me, e novas esquivanças,
Que não pode tirar-me as esperanças,
Que mal me tirará o que eu não tenho.
Olhai de que esperanças me mantenho!
Vede que perigosas seguranças!
Que não temo contrastes nem mudanças,
Andando em bravo mar, perdido o lenho.
Mas, enquanto não pode haver desgosto
Onde esperança falta, lá me esconde
Amor um mal, que mata e não se vê,
Que dias há que na alma me tem posto
Um não sei quê, que nasce não sei onde,
Vem não sei como e dói não sei porquê.

(Luis de Camões)

9.6.05

Agora Vai-se o Douro. Amanhã querem o Minho?

http://www.diarioeconomico.com/edicion/noticia/0,2458,641915,00.html

Só nos falta esta: os espanhóis quererem apropriar-se da Foz do Douro, dos Tintos e brancos do Douro (principalmente os tintos) e do Vinho do Porto.
Não nos faltava mais nada!!!
Eu bem digo que ainda não vimos tudo!

OS CORTES ORÇAMENTAIS NO SISTEMA EDUCATIVO

O Ministério da Educação quer poupar cerca de 170 milhões de euros anuais com o fim da remuneração dos estágios pedagógicos e o congelamento das progressões automáticas dos professores.
A intenção do Ministério é alterar a situação de progressões que incluem o tempo de serviço de um professor com habilitações adquiridas, porque «o sistema de oferta de formação contínua é distorcido e cria situações perversas», afirmou Maria de Lurdes Rodrigues.
Para exemplificar, a ministra explicou que um professor pode progredir na carreira se adquirir habilitações numa área que nada tem a ver com a sua formação.

O Ministério da Educação quer ainda acabar, também a partir de Setembro, com a remuneração dos estágios pedagógicos dos candidatos a professores, uma medida que permitirá poupar mais de 50 milhões de euros por ano.
A intenção é pôr fim ao regime de remunerações dos estágios pedagógicos de quem acaba um curso com ramo educacional e ou uma licenciatura de ensino.
Diário Digital 9. Junho. 2005


A compreensão na actualidade faz-se, fundamentalmente, da capacidade de leitura transversal dos fenómenos, das técnicas, dos conhecimentos e das teorias ao nível científico, técnico, social, económico, histórico, comportamental e político.
Ganhar competencias fora das áreas de formação base parece-me de elementar importância. Maior relevo ganhará se estivermos a falar de quem tem a obrigação (espera-se que igualmente a devoção) de transmitir o conhecimento nos bancos das escolas.
Também os estágios pedagógicos fazem sentido ser remunerados. Porque permitem uma dupla atribuição de competencias: 1ª a quem se está a preparar para leccionar; 2ª para o Ministério retirar conclusões quanto à formação pedagógica dos formados, aquando os cursos com ramo educacional e/ou licenciaturas de ensino são ministrados. Através dessa leitura, das lacunas pedagógicas detectadas, poderá o Ministério alterar conteúdos, proceder a melhorias e evitar ao mínimo a necessidade dos estágios de formação pedagógica.
Cortar verbas orçamentais no ensino, em Portugal, é sempre assustador, porque aquilo que se investe ou nada é o mesmo.
Resta lembrar que foram construídos 10 estádios para o europeu de futebol, quando na realidade só eram necessários oito, que existem estádios com uma proximidade geográfica assustadora (Leiria, Aveiro, Coimbra) e onde não cola o argumento do desenvolvimento regional e outros sem qualquer utilidade aparente (caso do estádio do Algarve). O custo médio de um estádio rondou os 10 milhões de euros. Que com 10 milhões de euros era possível investir sériamente na formação matemática em Portugal e que esse investimento traria resultados imensos, no espaço de vinte anos, ao País.
Os estádios são de imediato visíveis. A aposta na formação técnica e científica demora quase 1/4 de século para frutificar. Com uma enorme diferença: as obras mencionadas, 25 anos depois de concluídas estão a necessitar de substituição ou restauro; a formação científica começa a gerar dividendos enormes para todos, que duram muitos 25 anos!

CONSTATAÇÃO DO ÓBVIO...Não é Não

São argumentos como aqui expressos por Joana Amaral Dias no Semiramis, que justificam alguns regimes políticos, como o de 28 de Maio de 1926.
E eu concordo em absoluto!
A não necessidade de pensar e executar a política tendo em vista resultados eleitorais contribui, decisivamente, para uma maior dedicação à causa e coisa públicas, facilitando (por ausência de resistência dos agentes fronteira e do sufrágio livre e universal) a tomada de medidas impopulares mas necessárias.
  • Resumindo, os ganhos da liberdade - os "reality shows"; o muito lixo nas ruas das nossas principais cidades ( que no interior continua a haver decência, respeito e dignidade); um País feito de construção civil manhosa e de actividades especuladoras; o outro país nocturno que abre às 22.00 horas; os jogos de interesses, a corrupção e a lavagem de dinheiro; as plataformas de droga e a exploração do trabalho ilegal - são analisáveis através de uma tabela capaz de determinar o ponto crítico entre os interesses nacionais e os interesses pessoais e, no caso português, verifica-se com facilidade que o ponto de equilíbrio foi há muito ultrapassado, tendo o País sido fértil na produção de "novos ricos" e totalmente ineficaz na produção de riqueza. Somos completa e totalmente terceiro-mundistas! Até nas mentalidades (é que isto pega-se).
  • Os políticos em Bruxelas têm funcionado de outra maneira, de facto. Perante a constatação, por um lado, dos limites e dos becos a que a autocracia europeia se confinava e, por outro, da necessidade de aumentar a capacidade de ditar ordens em formato de Leis por forma a manter a "não dependência eleitoral ou das sondagens", preparavam-se para estabelecer outras regras e deixavam esta brincadeira das democracias para as regiões europeias, para os políticos de segunda, porque os outros de 1/2 segunda (de primeira não tem nenhum) estariam todos confortados no forte edifício burocrático com centro em Bruxelas, dependencias em Estrasburgo e Colónia, recebendo directrizes directamente de Berlim ( também de Paris, mas só numa primeira fase).
A questão coloca-se, então, a outro nível: se as coisas económicas só funcionam com regimes políticos onde imperem princípios autocráticos, porquê ter de aceitar um "28 de Maio" de Bruxelas e não um "28 de Maio" português, bem nacional?
Por mim afirmo: prefiro, de longe, a segunda solução. Se tiver de obedecer e calar, que seja a um português!
  • O Não não é dicotómico, como o Sim também não o é. São posições de princípio, nada mais. A haver uma diferença - e há - reside na necessidade temporal da resposta: um Não não pode esperar, tem de ser dado sem equívocos; um Sim concede-se um pouco mais de tempo. Quando o Não demora a ser dado, conforma sempre estados de desilusão e, por vezes, de incompreensão.
Em suma: Não é Não; Sim é Sim e, ou se está com o Não........ou Não!

8.6.05

SEM CALÇAS E DE MÃO ESTENDIDA....

vai Portugal, conforme se pode depreender do que aqui se lê!
Mas tal não nos deve espantar. Só mesmo quem ande muito a leste da realidade nacional não percebeu já que o Nosso País se transformou, de há muito, numa meretriz europeia, sedenta dos "fundos" de Bruxelas com que apara os golpes e aguenta uma vida de ostentação para a qual apresenta, cada vez menos, condições.
Daí que também, com as dificuldades crescentes, embora aparentando ainda algum pouco "glamour", se venha apresentando cada vez mais deslavada e desavergonhada.
Depois, o passar dos anos não ajudam e aquela que foi uma "jovem democracia" com piada, transforma-se aos poucos, por falta de verba e de cultura, numa "quarentona balsaquiana", muito pouco interessante e badalhoca.
Esta terceira república tornou-se numa "gaja rasca"!


Donald Fraser Posted by Hello

7.6.05

Cenários de Catástrofe Económica e Social Reais que não se resolvem por Tratado

Ainda o cenário de terror criado por Miguel Beleza, na certeza de que o economista sabe, de sobejo, que o TCE (Tratado Constitucional Europeu) nada vai resolver e que os problemas existentes são estruturais e muito perigosos. Pior: uma crescente dependencia da política interna das decisões tomadas em Bruxelas por um directório de países, só conduzirá a uma amplificação dos problemas no caso de Portugal, em particular, e de todos os pequenos e médios países em geral, no seio da União.
Em tese: o recente alargamento a 10 países, o maior de sempre, acarretou como esperado, problemas a vários níveis,
  • condições de apoio menores do que em alargamentos anteriores;
  • aumento das dificuldades de adesão à moeda única;
  • diluição do conceito de criação da UE (dos princípios criadores);
  • transferencia do projecto da UE para a arquitectura política;
  • não existência de ideias francamente mobilizadoras.


O papel do euro como unidade de conta, como "moeda-refúgio", depende de factores como a sua estabilidade cambial, peso da zona euro no comércio internacional, preferências nas transacções e política cambial de países terceiros.


Como foram calculados os critérios de convergência em Maastricht:

  • é possível demonstrar a relação entre o défice orçamental e a dívida pública em % do PIB, com uma simples relação matemática: d=yb, em que d=D/Y, b=B/Y e y=dY/Y, onde D é o défice orçamental, B a dívida pública e Y é o rendimento, todos em valores absolutos, excepto o rendimento (valor nominal).


Aplicando as condições do tratado, a igualdade d=yb reduz-se a: 3%=5% x 60%, o mesmo é dizer, assumir o crescimento do produto nominal em 5%, valor próximo do que se registava na Alemanha na altura da negociação do PEC.

Existíu então e desde logo, arbitrariedade na fixação dos critérios, nada tendo a ver com a teoria das ZMO (Zonas Monetárias Óptimas). O PEC (Pacto de Estabilidade e Crescimento), foi "construído" à imagem e semelhança da economia alemã.

Quando se verificam discrepâncias fundamentais nos princípios subjacentes à criação da zona-euro, como o aumento da despesa pública em vários países com implicações diversas, há influencia directa no défice orçamental e nos diferenciais das taxas de inflação entre países da zona euro e respectivos critérios de convergência. Os pilares de sustentação do euro desmoronam-se. Ninguém pode acreditar, em seu juízo, que perante o deslizar de umas economias em relação a outras as paridades fixadas se possam manter. Não existem sistemas de vazos comunicantes entre as economias europeias, (não existe um sistema fiscal único, não existe um modelo de estado-providencia único) e as verbas dos fundos comunitários (para Portugal têm funcionado como indemnizações e não como subsídios) são cada vez menores e mais divididas.
Um euro em Portugal não poderá valer o mesmo que na Alemanha, à paridade actual, se a performance económica portuguesa se fôr afastando, irremediávelmente, da performance alemã.

É discutível o conjunto de critérios que permitem fixar paridades entre moedas, mas não podemos esperar que estes critérios se alterem quando as prestações económicas são frouxas. Aqui surge o espectro da estabilidade cambial do euro. Não foi por mero acaso, que no mesmo dia em que foi anunciada a revisão do PEC, o dólar recuperou perante o euro.


Nada é certo neste momento, a não ser que os interesses alemães passam pelo centro e leste europeu, os franceses pela manutenção da ideia política subjacente às CE e que Portugal está pejado de problemas estruturais, a produzir muito pouco e a consumir mais do que pode. A Europa dividida por interesses económicos regionais, a várias velocidades, como sempre esteve, mas desta feita assumidamente, por imperiosa necessidade.

Verifica-se desta forma, sem sombras nem incertezas, que o cenário catastrofista enunciado por Miguel beleza e os defensores da Constituição Europeia já existe e não se resolve por Tratado, qualquer que ele seja.

Na Corda Bamba Monetária, Último Sopro Da Economia Moribunda

No debate do Prós e Contras de ontem sobressaíu a preocupação evidente de Miguel Beleza com a situação económica perfeitamente dramática que Portugal vive e a possibilidade de alguns dos fundamentos da UEM (União Económica e Monetária) poderem ser postos em causa e mesmo ruírem.
A preocupação com a moeda única chegou a ser lancinante e com inteira razão!
As paridades fixadas para as várias moedas nacionais apontaram, no caso nacional, para o valor de 200,482 escudos por cada euro.
A derrapagem, diria mesmo despistagem total com consequente "espetanço" da nossa economia, desde 1999 até hoje (não que as razões não sejam anteriores, porque são e muito, mas naquela data e já com alguma cosmética foi o valor obtido), colocou fortemente em causa essa paridade, ao ponto de se poder garantir que, se fosse fixado agora, seria um valor totalmente distinto - atrevo-me a dizer que andaria na casa dos 277 escudos por euro.
Assim sendo, a paridade actual dos 200,482 escudos é inteiramente irreal, ficcionária, não representando a diferença entre as actuais economias nossas parceiras na zona-euro e a nossa própria economia (as paridades, mesmo sem euro, não representam fidedignamente a pujança económica dos países quando comparados entre si, mas são indicadores expressivos).
O que deveremos então esperar da zona-euro: a manutenção ad aeternum das paridades fixadas em 99 ou uma reavaliação das economias, passados 5, 10, 15 ou mesmo 20 anos da constituição da moeda única?
A situação não é imutável e uma de duas coisas sucederá, aquando de uma próxima reavaliação das economias onde circula a moeda única: a) revisão das paridades ou; b) redução dos montantes de circulação de moeda, pelo BCE.
Num ou noutro caso as consequências funestas para Portugal não serão muito diferentes se a decisão tomada fosse acabar com o euro na Europa. Funestas e verdadeiramente dramáticas, essas consequências arrastariam, inexorávelmente, a nossa economia para a ruína.
Só que existe um dado que não pode ser escamoteado: na ruína já nós estamos, com "ratings" internacionais a apontarem a economia nacional como economia de algum risco e, se a situação dramática ainda não é de morte certa, deve-se à fixação da paridade, ainda em vigor, ser totalmente artificial.
Já estamos a viver do passado, baseados na história da família, para suportar penosamente a decrepitude do presente e a angústia no futuro.

Respiro o teu corpo

Respiro o teu corpo:
sabe a lua-de-água
ao amanhecer,
sabe a cal molhada,
sabe a luz mordida,
sabe a brisa nua,
ao sangue dos rios,
sabe a rosa louca,
ao cair da noite
sabe a pedra amarga,
sabe à minha boca.

(Eugénio de Andrade)
Bom Dia...

Donald Fraser Posted by Hello

5.6.05

MARCELO NA RTP 1....

A propósito das afirmações de A. Borges:
" Não conheço nenhum ministro que seja pobre, nem me lembro que alguma vez algum ministro em Portugal tenha sido um pobre. Portugal não tem ministros pobres nem se vislumbra que os tenha..."
Marcelo não se referíu às competências, às capacidades, às qualificações, às motivações, ao patriotismo.
Marcelo baseou-se na dicotomia pobre/rico. Percebeu-se no "lapsus facie" imediato, que tinha noção da arrogância e do asneiredo assumido e cometido. Mas estava dito!
Para Marcelo Rebelo de Sousa, ser rico é condição essencial para exercer funções governativas!
ESTÁ MESMO TUDO DITO!!!! Para Marcelo R. de Sousa.
Para todos os outros não o creio. Mas percebem-se claramente as razões de apoio de Marcelo à Constituição Europeia. Que enorme chatice partilhar "cocktails" com quem não é "rico".
Curiosamente, o "conde" trata todos os homens por "rico". Coincidências, porque os ricos a que Marcelo aludíu não são os "ricos" de Castelo-Branco (nunca sei se é com dois l´s ou só com um), mas, efectivamente, nem um nem outro dispensa os "ricos". Nem no governo!
Ó João!...Era uma ironia, a especialidade do professor. Pois é claro que maior parte deles não eram nem ricos nem achados antes de chegar ao Governo, mas a prática dos 10% está de tal modo instituida que ministros, secretários de Estado e autarcas ficam todos ricos em pouco tempo. E há tambem as reformas dos altos cargos...

Hm, a propósito: O Castelo-Branco tambem só passou a rico desde que trocou o título de Rómanova por RóbaVelha :p

A que "competências, capacidades, qualificações, motivações, e patriotismo" de que ministro é que Marcelo Rebelo de Sousa se deveria ter referido??
É que desde os finais dos gloriosos anos oitenta, ou seja mais ou menos nos últimos 15 anos, assim de repente não estou a ver nenhum com estas qualidades todas num cinco em um ... Maldade minha, só pode.

BlahBlahBlah

É, tem razão, só pode ter sido mesmo uma ironia :)
No resto também concordo, não encontro nenum, mas avançaria mais no tempo. Nos últimos 25 anos...

Olá João,
Ainda tens paciência para ouvir estes comentários? Confesso que já não tenho...prefiro ler e preparar-me psicologicamente para a semana de trabalho porque nós não somos ricos nem ministros...ah!ah!ah!, beijinhos

Anabela

CEREJA ENVENENADA

no TalvezTeEscreva

Sempre bem escrito, a que acrescento a seguinte nota.

nota: mesmo a legalidade é discutível, porque não aplicável aos cidadãos por igual.
E em que medida: na exacta medida que só muito poucos poderão ter acesso a lugares de favor pessoal, cuja contribuição para o país é nula e para as instituições duvidosa e, mesmo nesse cenário, gozarem do beneplácito de poderem auferir um rendimento perpétuo, com um mínimo de apenas 5 anos de exercício de funções.
E não esqueçamos que estamos a falar de um rendimento mensal garantido, obtido em apenas 6 anos de "trabalho", equivalente a pouco menos de 35 ordenados mínimos nacionais.
Já não é uma questão de "uns serem mais iguais que outros": é mesmo uma QUESTÃO DE DESIGUALDADE de tratamento, intolerável numa sociedade democrática e, acima de tudo, que se pretende de direito!

Roy Lichtenstein Posted by Hello

NA DEFESA DA AUTONOMIA POLÍTICA DOS ESTADOS

O modelo económico neoliberal não está, forçosamente, votado ao sucesso.
A ideia de um equilíbrio baseado no desemprego destrói a confiança na economia. Embora o fim último das empresas seja a maximização dos lucros, de todas mas principalmente das grandes empresas saídas de fusões e aquisições, não podemos esquecer que aliada à procura do lucro tem estado, desde a década de oitenta, a procura do prestígio, da fama e do poder, faces diferentes mas visíveis de uma mesma vaidade de todo um corpo de gestores e executivos ( não gosto da palavra mas tem de ser) alcandorados a posições de chefia. No entanto, a procura incessante do aumento dimensional das organizações levou a uma substituição clara, profunda e violenta dos capitais próprios pelos capitais alheios (dívidas). Aumentado o serviço da dívida, aumenta o efeito depressivo na economia, pela reducção das despesas de investimento, encerramento de unidades industriais, redução de salários e desemprego crescente. A economia habitua-se, então, a procurar equilíbrios não em pleno emprego, mas através da gestão de taxas de desemprego. A distribuição do rendimento começa então a ser desigual, criando desigualdades (a redundancia é necessária) entre as pessoas num espaço geográfico delimitado, entre populações em espaços mais amplos e, finalmente, entre os povos numa escala universal.
A incerteza económica traz uma necessidade: a capacidade de guardar liquidez (dinheiro que não é gasto nem investido). Os pobres, cada vez mais pobres, gastam sempre tudo e ainda devem; os rendimentos médios têm comportamento semelhante, fruto da redução salarial do agregado familiar, da carga fiscal e do endividamento assumido. Só os que são detentores de riqueza (os ricos) têm capacidade de escolha: ou poupam, ou gastam ou investem. Se pouparem reduz-se a procura e o ciclo recessivo mantêm-se com tendencia de aumento crescente, não restando outra hipótese aos Estados nacionais que não seja o aumento da despesa governamental e, por consequencia do défice.
Quando o dinheiro vai parar em grandes quantidades à mão de uns poucos, serão estes e não outros, a decidir qual o seu destino: investimento, consumo ou poupança! Quanto maior a sua capacidade de acumulação maior o risco das economias, pela crescente dependencia da decisão de uns poucos, que determinam a vida de muitos.
Assim, como deveremos defender-nos de uma economia que aprendeu a viver com a recessão?
Várias soluções são possíveis:
  1. ou se ocupam confortáveis posições de gestão, escudadas as mais das vezes em ligações políticas, evitando a todo o custo posíções intermédias nas estruturas empresariais;
  2. através da presença de espírito empreendedor, correm-se os riscos do investimento, esperando a recompensa do lucro;
  3. ou aceita-se pertencer a essa grossa camada de burocratas do funcionalismo público em instituições públicas nacionais ou, melhor ainda, em organizações internacionais onde se não fala de despesa e de défice;
  4. ou ainda, procuram-se profissões liberais.

Então e todos os outros, que não estão defendidos? Essa é a massa anódina e anónima, tornando-se numa excelente ferramenta de manipulação dos salários, por baixo entenda-se.

É então hoje, mais do que nunca, de diferenças profundas e de oportunidades desiguais que falamos, sendo a dependencia dos mais ricos crescente, por parte dos mais pobres. E quando falamos em pessoas falamos em países. O fosso entre países ricos e pobres é cada vez maior. A depressão económica chegou e não se vislumbra quando partirá, embora muitos tentem comprar-lhe bilhete todos os anos, anunciando a partida em discursos de esperança que abrangem sempre os anos seguintes. Mas a depressão vai ficando e o capitalismo instituído, suposto elemento atenuador e amaciador (dois em um) de tensões entre os povos vai-se esbatendo, perdendo a sua feição pacífica.

O conflito existe e não é ideológico: é um conflito feito do bem-estar de uns e as carências inexplicáveis dos outros. É através do discurso político e da intervenção política que se poderão atenuar os efeitos conflituais. É através de instrumentos de soberania que se evitam os focos de violência. Retirar aos países esses instrumentos, entregando-os à espiral do confronto social, equivale a perder a capacidade interventiva, única resposta válida à inversão verificada no início do séc. XXI: não são os mais abastados que colocam em causa os modelos fundados em economias alargadas, mas sim os esquecidos da vida que se tornaram acérrimos defensores da autonomia económica e social dos respectivos países.

António Barreto-Uma Surra Inesquecível

no SÍTIO DO NÃO

SÓCRATES...

O Antes e o Depois no bicho carpinteiro....

O FEDERALISMO EUROPEU - A SOCIEDADE DOS HOMENS SEM MEMÓRIA

A crescente tentação de abraçar estrepitosamente o federalismo, por alguns, e a resposta clara de muitos outros na recusa da sua aceitação, advém do desejo daqueles de conduzir ao mais que provável desaparecimento do Estado-Nação como o conhecemos e, com ele, à morte anunciada da política, constituindo elites todas poderosas e decisoras ao arrepio do respeito pelos valores, práticas e necessidades próprias a cada povo, e pela consciencia de todos os outros, que dentro do respeito da soberania e do exercício da política como garantes da identificação, da transmissão das suas preocupações e na tradição de enquadramento do debate político, percebem a necessidade de existência de um corpo político que corresponda à sua identificação geográfica, à solidariedade sentida, aos usos e costumes cimentados e sedimentados. É este corpo político que permite aos cidadãos de um país expressarem, na obediência às leis, o seu "patriotismo institucional". No mundo complexo de relações que se tem criado na União Europeia, a esperança residente em Bruxelas baseia-se na certeza da cada vez mais difícil e penosa missão da política em ser instrumento organizador da vida dos homens em sociedade ao nível nacional, pela perca dos poderes legislativo e normativo, tornando-se num exercício secundário e inadaptado aos problemas colocados pelo federalismo.
A crise de políticos e das ideias políticas advém desta dificuldade adaptativa, caminhando para o crónico.
Perdendo-se a organização piramidal do poder, perde-se a componente hierarquizante da lei.
As grandes decisões já não originam as pequenas decisões.
A crise da concepção espacial do poder repercute-se, assim, na formação das decisões, tornando-se os Estados nacionais letárgicos e a sua classe política acomodada, ausente na decisão e carente de orientação externa. O debate político, entendido como debate de princípios e ideias, debate ideológico sobre a organização da sociedade esfumar-se-ia, desagregando-se, reflexo da desagregação do processo de decisão e da sua profissionalização.
Numa democracia avançada tornar-se-ia cada vez mais difícil à classe dirigente conseguir uma visão geral das questões, sendo mais visíveis os interesses particulares, das grandes empresas, dos estados mais ricos, dos "lobbies" poderosos que não funcionando gratuitamente, tenderiam a beneficiar aqueles em detrimento dos mais pobres.
O engano existe na ideia generalizada de que o interesse geral nasce, naturalmente, da confrontação honesta e honrada dos interesses particulares.
A política existe como resultante de um contrato social que precede e ultrapassa todos os interesses particulares.
Se se abandonar este princípio, reduzindo a política a uma ferramenta de um "mercado" dominado por um centro decisor europeu poderoso, o espaço de que dispõem os políticos ficará irremediávelmente ameaçado, tendendo a desaparecer, pela simples razão de não ser possível ao "mercado" fixar valores para o interesse nacional, delimitando a equidade e solidariedade exigíveis.
Se o colectivo nacional não é um dogma mas sim uma opção, ninguém disporá dos meios capazes para fundamentar essa opção com critérios idênticos aos que guiam a sua acção na gestão dos próprios interesses. Não há dogma económico ou político que se possa substituir à evidência geográfica e histórica de uma nação. As democracias liberais sempre distinguiram e fizeram questão na distinção, entre esfera pública e privada, conciliando a lógica unidimensional dos interesses com a tradição humanista de que toda a pessoa é um sujeito.
O cidadão moderno era um ser bidimensional, preservando uma certa unidade interior em cada uma das facetas da sua vida. Abandonando o postulado da proeminência da política, a separação entre público e privado banaliza-se, pulverizando a ideia de próprio sujeito, pilar fundamental da democracia liberal. O mesmo homem pode pertencer, em simultâneo, a um partido político, a uma administração de empresa, a uma associação representativa dos cidadãos, mas perante a impossibilidade de se dividir infinitamente, não escapará a um conflito de interesses. Ao perder a dimensão temporal, fechando-se em situações em vez de se organizar à volta de princípios, o debate político esvazia-se de substância. O passo seguinte é a "mediatização" em crescendo a que se assiste hoje em dia, para gáudio dos "media", em que o efémero se substitui à consciência de um destino comúm, vivido em continuidade. É a sociedade dos homens sem memória.
É esta memória colectiva dos povos que Bruxelas pretende substituir por uma outra, inexistente, a memória de uma Europa unida política e geográficamente. Como essa memória colectiva nunca existíu, a tentação de artificialmente a criar conduzíu as elites europeias para uma Europa piramidal, de base invertida, pretendendo avivar paixões através de documentos e tratados, esquecendo que é através das paixões que nascem os pólos aglutinadores, as bases do funcionamento sólido das sociedades no respeito dos usos, costumes, história e tradições, todas comuns e identificáveis com um determinado espaço geográfico onde a população se revê.
Porque estas razões não foram atendidas aquando da "engenharia de construção" da nova Europa, nos "gabinetes projectistas" das instituições europeias, que previa um conjunto de Estados pescado por arrasto e preso nas redes de malha estreita feita de interesses político-económicos, os "banhos" de afluência às urnas em França e nos Países Baixos e a clara rejeição à ausência de memória e à instrumentalização dos povos foi tão clara e inequívocamente demonstrada.

COISAS QUE PERCEBO E OUTRAS NÃO...(3)

Sei que é legal receber uma pensão e auferir um vencimento em simultâneo, desde que pagos os impostos correspondentes.
Também era legal a reforma aos 60 anos. Contudo, o actual Governo entendeu mudar a regra a meio do jogo e agora, quem se quiser reformar, terá de esperar pelos 65 anos!
Conclui-se que o que é legal pode deixar de o ser, pelo que o argumento da legalidade, só por si, não é argumento sustentatório de uma posição de princípio. Há algo mais: os usos, os costumes, a moral! É nestes que se baseia a lei, aquela que não é discutível. Toda a restante é permissiva aos interesses do momento; se não o fosse seria imutável. Ora as necessidades do País levam a que se peçam sacrifícios e se retirem benefícios aos cidadãos. Assim sendo, quer-me parecer que alguém que está no pleno poder das suas faculdades - raciocínio que não deriva do desempenho da função ministerial, que cada vez mais me convenço não ser por aí muito exigente, mas principalmente porque o senhor doutor Campos e Cunha assim o aparenta - com total capacidade de suprir, através de trabalho qualificado, as suas necessidades, não se deveria encontrar reformado aos 52 anos de idade, recebendo 8.000 euros de reforma, (foi reformado com 49 anos), depois de ter trabalhado 6 anos!
Assim e para mim: é ilegal logo a reforma em si, também todo o sistema que o permite, bem como a acumulação das remunerações.
E se não fôr, se insistem que é legal, deixem-me gritar bem alto:
ESTE PAÍS ESTÁ DEFINITIVAMENTE A SAQUE E, BEM PIOR, DESAVERGONHADO!!!
p.s. É urgente legalizar a prostituição já. Cadastrem-nas para sabermos quem são, nomes e apelidos, façam-lhes análises periódicas e obriguem-nas a planear cuidadosamente as famílias. A uma mulher "da vida" não deveria ser permitido ter filhos senão depois de abandonada a profissão, por questões morais e éticas (a necessidade da criança identificar com irredutível certeza o pai é um direito inalienável). Ah! E já agora, obriguem-nas a reformarem-se só depois dos 70 anos!
E entretanto o ministro Luis Campos Cunha acha tudo muito normal e nem sequer pôe o lugar à disposição do PM.

Já estará agarrado à cadeira? Ou a ver o negócio do prédio urbano e rústico no valor de 426.500 euros de que é promitente comprador a ir para as calendas?... É que com o ordenado de ministro paga-a em 4 meses e uma semana, investe no país e ainda cria um emprego ou dois em Torres Vedras (o da criada e do jardineiro).
BlahBlahBlah
Não é justo!
Quem deveria ter trabalhado 6 anos e receber 8.000 euros de reforma era eu :)
BlahBlahBlah

Concordo inteiramente. Digamos que até nem me importava de ter trabalhado 8 anos e ter 6.000 euros de reforma, ou 7 anos e 7.000 euros, ou 9 anos e 5.000 euros e pronto, chegado aqui também já acho que é demais estar a aumentar e reduzir, porquanto não tarda e fico como todos os restantes portugueses: 14 anos e reforma népia! Porque a lógica aqui é somar 14 não é?
É que não encontro outra.. hummmmm...

A lógica aqui é uma batata. Eu estou é com inveja pura destas desigualdades :)
BlahBlahBlah

Não há lógica?????
Mas sem lógica como é que lá chegamos?
Qual o ponto de contacto com a realidade que ajude a construir cenários cujo objectivo passe pela obtenção da consideração profissional; que permita aos nossos pares considerarem que os serviços prestados às instituições ou mesmo ao País nos merecem uma reforma avultada no final de 6 anos de trabalho?
Como é que alavancamos as nossas competencias ( para além de acções de formação, MBA, pós-Graduações, Mestrado e experiência profissional) para conseguir atingir esse patamar? Como é que somos aferidos? Qual a grelha aplicável?
JHF
Não, não há lógica! Como é que lá chegamos?? Bom, quem se preocupar pouco com os meios a utilizar para atingir os fins usa o método habitual: compadrios, cunhas, permuta de favores, filiação partidária e suborno das bases. Quem tiver carácter e repulsa por estes metodos; hm, básicamente está tramado e se lá chegar foi por mero golpe de sorte ou mesmo muito talento. Como é que somos aferidos? Pelo circulo em que nos movimentamos e pelas mais valias que teremos capacidade de gerar em determinado contexto especifico. A grelha actual resume-se a dois vectores: capacidade financeira (ou pelo menos o aparato) e "influenzia". Alavancar competências só tem interesse para acrescentar umas linhas ao curriculum vitae. Gerar mais valias dessas linhas só emigrando... ou com inscrição partidária.Em boa verdade, não me parece que trabalho algum por conta de outrem, neste caso do Estado, por apenas seis anos mereça uma reforma vitalicia de 8.000 euros mensais. Por mais legal que seja, não me parece justo.Mas isso na perspectiva da árvore, porque na perspectiva da floresta Portugal tem um custo de vida superior a países como Espanha, França, Holanda, etc com sálarios médios abaixo dos ordenados minimos nesses países. Portugal, o Estado português, a maior parte das empresas e a maior parte dos portugueses há muito que entraram no vermelho, que estão em falência técnica. Ou seja todos precisam vorazmente de dinheiro e se for uma reforma legal só se for "parvo" é que diz que não a aceita. Saídas? A adesão à então CEE parece que não só agravou os problemas como gerou uma ilusão de riqueza a que todos se habituaram demasiado rapidamente, incentivando o consumo e o desrespeito pelo dinheiro e pela poupança. Não nos poderiamos ter dado ao luxo de não aderir. Teria sido impensável. Aliás, mesmo este Não à Constituição Europeia só faz sentido porque começou por ser ditado por um país europeu forte, França, e agora podemos ir todos a reboque de uma decisão sensata. Portugal sózinho nunca poderia ter votado Não, seria uma espécie de masoquismo e um passo sério para uma auto-exclusão que não temos qualquer capacidade para assumir. Saídas?? Soluções?? You tell me.
BlahBlahBlah

4.6.05

Aceleração do Movimento...

Francis Picabia - "Máquina Mais Rápida" Posted by Hello

FUNDAMENTAÇÃO FISCAL...

A coerção política do Estado justifica-se pelo objectivo redistribuição, atendendo à impossibilidade de confiar na redistribuição voluntária.
Em períodos recessivos, se o Estado optar por uma política contraccionista, aumenta o número de empresas que fecham, o número de desempregados cresce, o montante das transferencias para as famílias aumenta, - i.e., fundo de desemprego - aumentando a despesa pública não produtiva e diminuindo a receita fiscal. Aumenta, concomitantemente o défice, pelas piores razões. Mas serão todos os défices maus ?
Não, até os há bastante saudáveis e virtuosos, desde que correspondam a geração de riqueza e capacidade de reembolso. O problema é, então, qualitativo - como se gasta!.
Mas esta capacidade exige competências reforçadas de gestão da coisa pública, exigindo, simultâneamente, crescente responsabilização pelos resultados obtidos na gestão pública, pela receita e despesa.
Sem estes atributos não existe capacidade de fundamentar a coerção política fiscal sobre os contribuintes, pois estarão estes a dispôr de valores que muito para além de cumprirem a sua obrigação social, são utilizados erradamente, perdendo a sua capacidade multiplicativa.
Porventura, o Estado português, à míngua de receitas fiscais e inexistência de receitas extraordinárias, se veja forçado a jogar todas as semanas no euro-milhões, no totoloto, totobola e lotaria e ainda necessite, perante a incerteza das citadas fontes de rendimento, de jogar nos casinos, na vermelhinha e toda a espécie de raspadinhas que proliferam no mercado. Ou talvez, nesse dia, quando as receitas forem muito diminutas se assista a uma aplicação correcta dos dinheiros colocados à disposição do Estado. Mas o tempo perdido já terá sacrificado mais uma ou duas gerações de portugueses.

Adaptação livre, muito livre de "Uma Ilha na Lua" de William Blake

"Vou começar outra vez", disse o Cínico.
"Rompeu Sócrates empertigado,
Enxuto e de queixo arredondado,
Que gostaríeis vós de receber?"
E o povo perguntou: " E quem é Sócrates , meu Senhor?"
O Cínico respondeu rápidamente:
"É o deus da Medicina, Pintura, Perspectiva, Geometria, Geografia, Astronomia, Química, Mecânica, Táctica, Fraseologia, Mitologia, Astrologia, Osteologia, Somatologia, Teologia, Patologia e até Culinária - numa palavra, todas as artes e ciências são para ele como as contas do colar ao pescoço."
Chegados aqui, o Povo mostrou-se espantado e perguntou ao Cínico se Sócrates percebia também da Arte da Gravura.
Respondeu o Cínico que sim senhor, que sabia.
"Os pagãos na antiguidade costumavam ter deuses que veneravam e a quem faziam sacrifícios. Vocês devem fazer o mesmo com Sócrates agora", rematou o Cínico.
"Ah", disse o Povo, "E o Outro, também é tão instruído ?"
"Não", disse o Cínico. "Como é que podes ser tão néscio que penses que é?"
"Oh, eu não penso que ele é - só perguntei se é," disse o Povo.
"Como é possível pensares que não é e perguntares se é?" disse o Cínico.
"Oh não, Senhor. Eu pensava que sim, que ele era, antes de me dizer, mas depois fiquei a pensar que não é."
Diz o Cínico: " Em primeiro lugar pensavas que era, & depois, quando eu disse que não é, já pensavas que não é. Bem, eu sei que -"
"Oh, nada disso Senhor, eu pensava que ele não era, mas perguntei para saber se ele era."
"Como é que isso pode ser?", exclamou o Cínico. "Como é que podes perguntar, & pensar que ele não era?"
"Bem," disse o Povo, "veio-me à cabeça que ele não é."
"Mas porque é que então", insistiu o Cínico, "disseste que ele é?"
"Eu disse isso? Caramba! Não pensava ter dito tal coisa. Mas o que eu quis dizer. Eu - eu - eu não consigo pensar.. Caramba! Senhor, bem gostava que me dissesse como é que isto pode ser."
Então o Cínico pôs o queixo na mão & proferíu:
"Sempre que pensares, deves pensar por ti mesmo."
"Mas como, Senhor! exclamou o Povo. "Sempre que penso devo ser eu a pensar? Mas eu penso que sim. Em primeiro lugar - ..."
"Ora, ora!" disse o Cínico. "Não sejas parvo."
O Cínico então pôs-se a pensar: qualquer burro nato há-de dar um espertalhão , desde que seja devidamente educado. Se depender de mim, o Povo daqui a onze anos há-de ser um génio muito superior.
Neste momento fazem a sua entrada os Outros três filósofos, ( são cinco ao todo, contando com o Sócrates e o Outro ) dizendo em uníssono: "Vamos Povo! Diz lá qualquer coisa."
O Povo começou então: "Em primeiro lugar penso, eu cá penso em primeiro lugar que Sócrates é muito bom em Medicena, Fologia, Pistinologia, Aridologia, Arografia, Metamorfografia, Focinhografia, Suínogamia, Hinotomia, & atudo isso, mas, em primeiro lugar, ele comer minto pouco, suminalmente & ódepois morre!"
E foi assim que saíram todos da sala, & eles não puderam continuar a conversa neste propósito.
nota: o Cínico saíu de braço dado com todos, sem se comprometer com nenhum.
Há coisas com que de facto o dito senhor há anos(desde que se envolveu em politiqueirices pacóvias)se não preocupa, porque até para ter preocupações é incontornável ter qualidades minímas, coisa que definitivamente não tem, para além de um certo bairrismo nortenho bacoco bafiento.
Jorge

COISAS QUE PERCEBO E OUTRAS NÃO...(2)

Que os políticos têm mais e maiores oportunidades na vida que todos os demais cidadãos, já percebi eu e todos os demais portugueses!
Não percebo como se defende a nomeação do Dr. Fernando Gomes para a Administração da Galp baseada na experiência de dois mandatos como autarca, mesmo que com orçamentos de 250 milhões de euros - parca quantia do ponto de vista financeiro, havendo em Portugal fortunas pessoais muito superiores, que necessitam de ser geridas, os gestores estariam, forçosamente, muito melhor colocados para o lugar, se a competencia é medida por volumes de dinheiro geridos, como pretendeu o Ministro da Economia - depois de uma passagem mal sucedida pelo Governo e não tendo sido, sequer, um candidato plausível às autárquicas de Outubro, para a Câmara Municipal que supostamente tão bem geríu e que mereceu esta sua nomeação para a Galp.
Coisas que não percebo.
p.s. - há quantos anos não se preocupará o Dr. Fernando Gomes com: acções de formação na área da estratégia e da gestão; no acompanhamento das novas tendencias e teorias; com os novos instrumentos financeiros; as novas terminologias? Eu, pessoalmente, acredito que há muito, desde que é político.
Só mesmo as ligações políticas justificam nomeações como esta! Tudo o resto são loas, cantatas!

DEMAGOGIA POLÍTICA E, INFELIZMENTE, TAMBÉM ECONÓMICA...

E então as SCUTS ?
E então esses milhares de milhões de euros que vão "comer" todos os outros milhares de milhões que se pretendem agora poupar?
Porquê manter uma situação que não só beneficia apenas alguns portugueses, contando com o dinheiro de todos, como é uma espiral sem fim visível?
Quais os interesses privados que se defendem? E os públicos, quais são? Estes não percebo nem entendo! Porque, muito provávelmente (certamente) não existem!
E onde fica o princípio do utilizador/pagador?
Onde pára a equidade?
Porque razão há auto-estradas e há auto-estradas?
Até nas auto-estradas haverá umas mais iguais que outras?

COISAS QUE PERCEBO E OUTRAS NÃO...

Percebo que a lei permite, porque a conheço, que um reformado possa ter uma outra profissão remunerada, em acumulação com a reforma, desde que pague os seus impostos.
Coisas que não percebo:
  • que menos de 6 anos de funções no Banco de Portugal concedam o direito a uma reforma de 8.000 euros
  • que no conjunto das remunerações por via do ensino universitário, de algumas consultorias ou administrações não executivas, essa remuneração seja superior à de ministro
  • que um ministro ganhe tão pouco: como responsabilizar totalmente quem é tão mal pago?
  • que um pacote de austeridade que a todos afecta, mas que afecta mais quem tem menores recursos - a manta que já não estica só pode rasgar - seja defendida por um ministro que, nas suas contas caseiras verifica por simples soma e subtracção, que os 6.400 euros de vencimento de ministro são bem mais parcos que o somatório dos vencimentos auferidos na vida activa privada e, que se ainda se expurgar, mesmo que temporáriamente, da reforma do BP então não faz ideia de como suportar o nível de vida a que se habituou;
  • que se aceitem cargos públicos, quando se considera que a remuneração é insuficiente, incapaz de garantir padrões de vida definidos e ansiados pela expectativa da própria vida

Estas questões colocam-me outra: sendo conhecidas as condições remuneratórias e benefícios sociais concedidos aos cargos públicos; não bastando a honra pessoal e curricular do desempenho de altos cargos na função pública, mesmo que obrigando a alguns sacrifícios materiais momentâneos, sempre recompensados na pós-governação através das teias e redes de influência e das agendas telefónicas sobredotadas; perante estas questões fica a dúvida: qual a verdadeira razão de aceitação dos cargos públicos? Servir a "coisa" pública? Servirem-se da "coisa" pública? Exporem-se simplesmente?

Venho o primeiro que possa atirar a primeira pedra. Contudo há acções privadas que deixam de o ser quando se assumem posições públicas. Neste caso concreto o Sr. Ministro das Finanças deveria ter suspendido a pensão de reforma quando assumíu o pacote de austeridade como necessário. Não o fez então, devê-lo-ia fazer agora. Ainda não o fez nem consta que vá fazer! Porquê? Porque não consegue viver com apenas 6.400 euros mensais? E todos os outros, que vêem os seus salários reais diminuir cosntantemente e que quando ganham 1.000 euros mensais, já se consideram bem pagos?

E todos esses, como são considerados? Deserdados da sorte?


Roy Lichtenstein Posted by Hello

QUEM DIZ QUE AMOR É FALSO OU ENGANOSO

Quem diz que Amor é falso ou enganoso,
Ligeiro, ingrato, vão desconhecido,
Sem falta lhe terá bem merecido
Que lhe seja cruel ou rigoroso.

Amor é brando, é doce, e é piedoso.
Quem o contrário diz não seja crido;
Seja por cego e apaixonado tido,
E aos homens, e inda aos Deuses, odioso.

Se males faz Amor em mim se vêem;
Em mim mostrando todo o seu rigor,
Ao mundo quis mostrar quanto podia.

Mas todas suas iras são de Amor;
Todos os seus males são um bem,
Que eu por todo outro bem não trocaria.

(Luis De Camões)

A SINERGIA ESGOTADA...

A obsessão na manutenção de um projecto europeu ultra-aglutinador, em desrespeito pelas diferenças socio-culturais e económicas dos estados europeus, a qualquer preço, leva os políticos europeus a defenderem, em uníssono, a unidade política e económica europeia como factor determinante para a Europa recuperar o estatuto de "grande potência". A este objectivo encarado ferozmente, corresponde uma relação de resultado negativo: quanto maior a unidade europeia, menor a identidade nacional de cada Estado. E o resultado, que poderia ser de soma nula, é-o de facto deficitário por não ser possível fazer concorrer a intenção de construir uma "potência" à sombra da perca das identidades nacionais, porque as nações são o somatório de pessoas e as pessoas são a razão da própria Europa.

A cooperação europeia é benéfica para todos os europeus. Não se discute este princípio. Não se vislumbra, contudo, como será possível evitar a importância das economias nacionais enquanto mola real da atribuição e regulação dos recursos. Quando se estabelecem comparações, o Estado nacional é sempre a unidade primária de comparação, a nível económico, social e político.
Depois temos a questão da globalização: supostamente uma Europa fortemente unida e fundida num corpo único político, jurídico e económico, em suma, a federação de estados, responderia melhor aos desafios colocados pelos interesses negociais e aos desafios da economia de mercado do capitalismo avançado, representado por um crescente número de empresas transnacionais, sendo estas por definição representantes de interesses económicos que pouco ou nada têm a ver com espartilhos geográficos. Mas será a globalização um fenómeno económico assim tão forte e a existência de empresas transnacionais (ETN) um facto constatado em grande número ?
A resposta é não. Nem a globalização é assim tão feroz, nem as ETN são assim tantas.
Razões:
  • esta internacionalização da economia não é um facto novo - entre 1870 e 1914 a economia internacional foi responsável por um fluxo financeiro de longo prazo muito superior, caracterizando-se os movimentos actuais por fluxos de capitais de curto prazo, em sintonia com a rápida troca de informação e os avanços nas tecnologias de comunicação.A economia em 1870 era mais aberta e integrada que a economia actual;
  • as empresas transnacionais são difíceis de encontrar. Encontram-se, sim, empresas nacionais com actividade internacional (multinacionais), focadas no investimento entre economias muito semelhantes, interventivas ao nível da produção, serviços e "outsourcing";
  • a mobilidade do capital é pequena, procurando destinos norte-norte ou norte-sul quando as economias mostram pujança. Mas mesmo no segundo caso, não existe desvio de investimento para países terceiro mundistas e a concomitante criação de emprego.
  • a economia não é global. Se fosse que sentido faria falar na Tríade (G3)
  • assiste-se a um crescimento rápido da convergência de rendimentos entre as nações líderes, associado à sua desindustrialização, por contraponto com a rápida industrialização de economias em desenvolvimento (deslocalizações de investimento).
  • o GATT e a OMC garantem a regulação do mercado.
  • apesar de existirem elementos reguladores verifica-se a ausência de vontade política para limitar os estragos da actividade económica, quer a nível interno, quer a nível internacional.

Duas guerras mundiais, com dezenas de milhões de mortes e prejuízos incalculáveis, resultaram da ideia de que a prosperidade nacional implicava uma competição internacional feita através do vínculo a mercados exclusivos, menosprezando , assim, a necessidade de que o comércio se processe inserido num vasto e global sistema de trocas e de investimento.

Na razão directa do argumento avançado verificamos, neste momento, a expectativa com que os EUA acompanham a evolução das mudanças comportamentais dos "europeus", que os americanos consideravam estável e que verificam agora resultar numa instabilidade com que não contavam. Ao contrário do que supostamente algum argumentário político pretende fazer crer, para os EUA a instabilidade europeia não é uma boa notícia, pois em numerosas áreas económicas os EUA necessitam do apoio europeu, bem como lhes é extremamente vantajoso, no presente, um euro forte. Aliás, o falar-se num confronto entre euro e dólar e na possibilidade de aquele suplantar este, é o mesmo que afirmar que se pretende o confronto directo com a economia mais poderosa do mundo e com toda a zona de influencia directa do dólar e, ao fazê-lo, está a fazer-se a apologia da guerra económica.

Na concentracção dos esforços, a nível mundial, necessário para o equilíbrio que se desenhou nos parágrafos anteriores, só um salto para um modelo imperialista, muito estudado e referido na actualidade por polítólogos e sociólogos, ou a criação de um sistema mundial de controle unificado compreendendo toda a humanidade, poderia justificar uma única unidade política e económica, não europeia, americana ou asiática, mas efectivamente mundial. Qualquer sinal contrário resultará sempre em blocos oponíveis, mesmo que colaborantes em matérias específicas. Ora esse sistema já funciona na Europa, através da União Económica e Monetária e, mesmo esta, já representou um passo demasiado arriscado e de elevados custos para todo o espaço europeu. Digo e repito que a solução ideal para a Europa, como bloco, será uma Zona de Comércio Livre, abandonadas as ambições políticas supra-nacionais, pan-europeias e encarados os interesses e as necessidades reais de todos os europeus.

A questão pode colocar-se, igualmente, ao nível dos agentes económicos e financeiros internacionais (apátridas), para os quais as barreiras geográficas são irrelevantes mas que necessitam, obrigatóriamente, de lidar com agentes políticos, de os influenciar e convencer, e que esbarram na necessidade que estes têm de prestar contas a cada Estado nacional e, através do voto, à população. Igualmente para aqueles mais fácil será lidar com um órgão único, regido por disposições legais aplicáveis a todos os europeus, indiscriminadamente, tutelado por um conjunto restrito de países, que ter de negociar com estados nacionais mais expostos na sua actuação à opinião pública e à mensuração mais imediata dos resultados obtidos. raciocínio válido mesmo sabendo-se dos constrangimentos económicos actuais, impostos a cada Estado-Membro.

Também o poder militar pode ser apontado como necessitando de um controle supranacional, pela necessidade de investimentos avultados e protecção do espaço vital. Pode afirmar-se ao nível do equipamento nuclear, pelos elevados custos de desenvolvimento e produção, mas sendo a tendência dominante para o controle de armas de destruição massiva, o equipamento militar convencional continuará a ser a referência principal e este deverá permanecer sobre o controle estrito do Estado nacional, como garante da sua soberania.

Não nos podemos esquecer, contudo, que a Europa depositou largos anos nas mãos dos EUA a sua própria defesa, evitando gastos nesta área e desviando verbas dos orçamentos militares para os orçamentos da saúde, da educação e da solidariedade e, assim, beneficiando largamente do papel protector americano.

Para que uma federação subsista no tempo, necessário se torna encontrar laços de afinidade cultural e histórica e de afectividade entre os seus membros. Assim tem sido nos EUA e na Austrália. Atente-se, pela inversa, nos exemplos da Irlanda e da Polónia, cuja anexação e partilha não conduziram ao fim das identidades nacionais, conduzindo no caso irlandês, em particular, a manifestações violentíssimas.

Se a federação de estados europeus será o futuro ou não, se esse futuro conduzirá à perca das soberanias nacionais em assuntos vitais para os Estados, poderá haver quem discuta e, até, discorde do argumento. Mas de uma certeza deveremos fazer fé: não é possível criar uma cultura europeia comum nem tão pouco uma identidade europeia a partilhar.

Uma identidade europeia não suscita apoios populares, uma cultura europeia simplesmente não existe - não esquecer que não foi possível pegar em imagens de monumentos nacionais autênticos, para colocar nas notas de euro, por não ter existido consenso entre os membros da UEM de quais representavam verdadeiramente a cultura e o sentimento europeu, quais os mais emblemáticos. A Europa assemelha-se hoje a uma arena, onde se degladiam interesses, identidades e culturas. E, acima de tudo, poder.

Não existe lugar para uma nação europeia. Se a nação moderna é uma comunidade de princípios político-legais, também o é, em simultâneo, por uma herança cultural histórica. No aspecto interno, a nação constitui-se baseada num estatuto, tanto legal como social. É na existência de direitos e deveres exercidos em relação aos demais e estabelecidos em constituições formais que se expressa a vontade nacional. No aspecto externo, a nação deve ser autónoma e soberana, por forma a um correcto exercício de auto-governo como Estado soberano em relação a outros iguais. É igualmente territorial no seu carácter, onde a população se reconhece geográficamente num território que "lhes" pertence, razão pela qual Portugal com os seus quase 900 anos de coincidencia política e geográfica territorial não apresenta dissenções, ao contrário de Espanha, onde bascos e catalães pugnam por um reconhecimento territorial (político) diverso do centro político de Madrid.

Existem então razões políticas, culturais, históricas, sociais, organizativas, míticas, simbólicas, rituais e económicas para que os Estados mantenham a sua soberania, a sua individualidade. Existem igualmente razões culturais, históricas e económicas para que os Estados não possam ser considerados todos no mesmo patamar de crescimento e desenvolvimento, num mesmo período. Os estádios são diferentes, como diferente é a percepção do mundo e da vida em cada um de nós, partes fundamentais do todo num Estado não estratificado, como é a nação moderna.

"Como seria uma sociedade universal onde não existissem países, que não fosse nem francesa, nem inglesa,, nem alemã, nem espanhola, nem portuguesa, nem italiana, nem russa, nem turca, nem árabe, nem indiana, nem chinesa, nem americana, ou melhor, como seria o mundo se fosse estas sociedades todas em simultâneo?... Sob que preceitos e costumes comuns, sob que leis comuns se fundaria e funcionaria esta sociedade?" François René, Visconde de Chateaubriand, 1841.

2.6.05

MENTE HUMANA

Na sua versão mais humana,
A mente transforma os sentidos
Com presença insidiosa.
Terna, quente e buliçosa,
Na forma como nos prende e abana!

Numa outra mais verdadeira,
A mente fingindo que ama,
na alma ardendo em desejo,
A todos prende num beijo
De judas. A mente é muito certeira!

Mas naquela que nos interessa,
A mente mente na vida
Escondendo da própria alma.
Passa o discurso com calma
Sabendo que faltará à promessa!

Mente próxima da demencia,
Prenha de vaidade - desdita a sua -
Mentalmente procura a cura,
Numa qualquer alma pura,
Que lhe devolva a consciencia!


(João Fernandes)

CHICOTADA

Corre, tempo! Depressa!
Que eu oiça o movimento!
Faz ressoar o vento,
O tropel agoirento dos teus passos,
E leva-me nos braços,
Como um pai desumano do passado,
A esse apetecido
E odiado
Altar,
Onde, fiel a um Deus desconhecido,
Me vais sacrificar.

(Miguel Torga)

Dourdil (auto-retrato) Posted by Hello